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Facebook e Google são investigados por práticas antitruste

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Nos Estados Unidos, procuradores-gerais de vários estados abrem inquéritos para apurar se gigantes da internet agiram de maneira irregular no mercado, sufocando a concorrência e ferindo os direitos dos consumidores.

As gigantes da internet Facebook e Google se tornaram alvo de investigações por suspeitas de violação da lei antitruste nos Estados Unidos, que apuram se as empresas agiram irregularmente para sufocar os concorrentes e ferir os direitos dos consumidores.

Alguns críticos acusam o Facebook de esmagar a concorrência adquirindo essas empresas concorrentes ou utilizando enormes somas para copiar os produtos que elas oferecem. Isso pode resultar na diminuição das opções de escolha para os consumidores.

Companhias menores podem acabar tendo que pagar mais para anunciar nessas plataformas, tendo menos chances de atingir seu público alvo entre os consumidores online.

As ações se juntam a outras iniciativas do governo americano para investigar as grandes companhias de tecnologia. As empresas que trabalham no desenvolvimento de redes sociais, buscas na internet, comércio eletrônico e outros setores tecnológicos vêm sendo constantemente acusadas de inflar sua participação no mercado, além de outras queixas, que incluem falhas nas políticas de privacidade aos consumidores.

Os dados pessoais dos usuários são considerados bens valiosos para essas companhias, que os utilizam para práticas comerciais e para aumentar seu poder de mercado.

“Estou iniciando uma investigação sobre o Facebook para determinar se suas ações colocam em perigo os dados dos consumidores, reduzem a qualidade das escolhas ou aumentam os preços dos anúncios”, disse nesta sexta-feira (06/09) a procuradora-geral de Nova York, Letitia James.

O inquérito liderado por Nova York inclui ainda outros sete estados – Colorado, Flórida, Iowa, Nebraska, Carolina do Norte, Ohio, Tennessee e o distrito federal de Columbia. “As maiores plataformas de rede social do mundo devem seguir a lei”, acrescentou James no Twitter.

Outro grupo de procuradores-gerais estaduais deve anunciar na próxima semana, em Washington, novas investigações sobre “comportamentos anticompetitivos que sufocaram a concorrência, restringiram o acesso e feriram os consumidores”, segundo informou na sexta-feira a procuradoria-geral do Texas. Segundo os jornais The Wall Street Journal e The Washington Post, o alvo dos inquéritos seria o Google.

Estima-se que essa investigação possa reunir procuradores-gerais de cerca de 40 estados. Os dois grupos encarregados das investigações incluem membros dos partidos Democrata e Republicano.

O descontentamento com a atuação das autoridades federais americanas pode ser considerado o fator que levou os estados a agirem e abrirem suas próprias investigações, possivelmente com a imposição de punições mais pesadas.

Recentemente, uma decisão da Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC, na sigla em inglês) de multar o Facebook no valor de 5 bilhões de dólares foi criticada por defensores dos direitos dos consumidores, além de algumas autoridades públicas, como sendo demasiadamente branda.

Na quarta-feira passada, o FTC impôs multas no valor de 170 milhões de dólares à plataforma de vídeos YouTube, que pertence ao mesmo grupo empresarial do Google, por coletar ilegalmente dados pessoais de crianças sem o consentimento dos pais. O valor também foi considerado baixo.

Há poucos meses, o Departamento de Justiça dos EUA abriu uma ampla investigação de práticas antitruste atribuídas às gigantes da tecnologia. A FTC e o Subcomitê Judiciário do Congresso americano também realizam inquéritos semelhantes.

O Facebook disse que deseja trabalhar “construtivamente” com os procuradores-gerais e que vê com bons olhos futuras conversas com as autoridades sobre a competição no mercado. O Google afirmou que acolhe a supervisão do governo para assegurar o cumprimento da lei por parte das empresas.

RC/ap/rtr

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Facebook e sua moeda, a Libra, põem em xeque a soberania monetária

A criptomoeda da rede social dispara o alarme nos bancos centrais do mundo todo.

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Faz tempo que o Facebook perdeu a confiança do mundo. Faz tempo que quer ser um país. A empresa de Mark Zuckerberg tenta conectar dois vértices que se repelem como cargas magnéticas de sinais opostos. Mas o que a física nega é substituído pela ambição, que é tão grande quanto um oceano sem margem.

A rede social pretende se transformar em uma nação rica, superpovoada, com cerca de 2,4 bilhões de usuários (somando WhatsApp, Instagram e Facebook Messenger) habitando seu território digital. Uma geografia conectada 24 horas por dia, que transforme uma torrente de trilhões de dados em rios de dinheiro; uma nova superpotência nascida da tecnologia, não da geopolítica do ser humano.

Zuckerberg acordou há 18 meses com esse sonho. Desde então, na sede central da empresa em Menlo Park, Califórnia, uma equipe trabalha em segredo para recriar a identidade econômica e social de um país: sua moeda. O resultado é a libra. Uma criptomoeda que a rede social planeja lançar em 2020 com o apoio de 27 empresas, entre elas Visa, MasterCard e Uber, e que pode ser um cavalo de Troia geoestratégico e financeiro. Se (porque esta história deve ser escrita no condicional) os 2,4 bilhões de usuários da plataforma utilizassem essa ciberdivisa para comprar e enviar dinheiro (como se faz no PayPal e no WeChat), ela poderia se tornar a maior entidade financeira do planeta.

Se cada poupador ocidental destinasse um décimo de seus recursos à libra, ela valeria 2 trilhões de dólares (7,5 trilhões de reais). O alvorecer de um colosso − e seu potencial desestabilizador − no mercado de títulos. “Esta moeda tem muito impacto e é preciso agir com grande cautela”, alerta Emilio Ontiveros, presidente da empresa espanhola de consultoria Analistas Financieros Internacionales (AFI). “É como se um Estado novo, e poderoso, emitisse uma moeda que estivesse entre as dez mais importantes do mundo.” Uma moeda que, além disso, tem a capacidade de afetar a soberania monetária de países frágeis.

A criptomoeda do Facebook e seus parceiros oculta dentro dela um “tique-taque” que ultrapassa os limites da economia. Porque, até agora, a forma como o dinheiro e os pagamentos são estruturados era função exclusiva das instituições democráticas, não das grandes empresas de tecnologia. Agora, os reguladores se perguntam se as velhas ferramentas de política econômica servirão para controlar esses gigantes. Usurpadas as funções, acendem-se os alertas vermelhos.

“Todos os bancos centrais do mundo vão se opor à libra, e Mark Zuckerberg, que tem um patrimônio líquido de 73,6 bilhões de dólares [275 bilhões de reais], pode correr o risco de fazer isso. No entanto, tem grandes possibilidades de sair perdendo”, reflete Guillermo de la Dehesa, presidente honorário do Centre for Economic Policy Research (CEPR) de Londres. Por enquanto, aumenta a cautela recomendada por Ontiveros.

O Bundesbank alerta para o “retorno ao Velho Oeste dentro do sistema monetário” e o Banco da Inglaterra encara o assunto “com a mente aberta, mas não com a porta aberta”. Uma desconfiança que atinge os próprios donos da plataforma. “Temo que a libra faça à indústria financeira o que o Facebook fez à privacidade e ao debate público”, alerta Jonas Kron, vice-presidente sênior da firma de investimentos Trillium Asset Management, que tem 53.000 ações da rede social.

Mais uma vez a tecnologia no século XXI é parte do problema, não da solução; mais uma vez o Facebook precisará dar explicações ao Congresso dos EUA. Na próxima quarta-feira, a pedido da democrata Maxine Waters, presidenta do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes, o diretor-executivo da libra, David Marcus, fará provavelmente um relato que pode ser assim:

— Por que criaram a libra? − talvez pergunte Waters.

— Queremos empoderar 1,7 bilhão de adultos no mundo que não têm acesso a serviços bancários — responderá a empresa.

— Por que devemos confiar no Facebook? Recordo-lhe o escândalo da Cambridge Analytica.

— Reforçamos os controles e a criptomoeda é respaldada por meios de pagamento (PayPal, Visa, MasterCard) com décadas de experiência em segurança digital.

Esse poderia ser o início do interrogatório. Mas a aceitação da moeda será uma batalha. E o Facebook sabia disso. Eis as pistas: em janeiro, a empresa contratou o ex-vice-primeiro-ministro do Reino Unido Nick Clegg como responsável por Assuntos Globais e Comunicação e, segundo o Financial Times, em setembro Edward Bowles, do banco inglês Standard Chartered, vai se unir a ela para cuidar dos problemas regulatórios na Europa.

Zuckerberg previa a tempestade. Mas principalmente a fragilidade que a tecnologia provocou em muitas instituições financeiras. “O que as grandes plataformas, como Facebook, Google e Amazon, pretendem é tirar negócios dos bancos, assim como o Alibaba na China. A libra é o primeiro ataque”, afirma Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional.

Volatilidade
Isso porque a moeda de Zuckerberg − o “Mark”, como Steve Forbes, editor da Forbes Media, propõe ironicamente que seja chamada − está bem cunhada. Não é um bitcoin. É o que se chama de stablecoin (“moeda estável”). É respaldada por uma cesta de moedas “tradicionais” e por títulos. Com essa arquitetura, evita-se a volatilidade das criptomoedas. E, ao ser de código aberto, qualquer um (pensemos na Amazon) pode criar aplicativos baseados nela.

Tudo com um só anseio: controlar os dois trilhões de dólares movimentados pelas transferências no planeta. O Facebook quer enviar dinheiro ao custo de um WhatsApp. “Provavelmente começará cobrando pequenas taxas das empresas pelas transações”, prevê Joaquín Robles, analista da corretora XTB. Inicialmente, os consumidores poderiam economizar 25 bilhões de dólares (93,5 bilhões de reais) em comissões. Em troca, isso sim, de entregar mais dados e confiar em uma empresa que já mostrou muitas vezes não ser digna de confiança. Nem Fausto concordaria em queimar assim no inferno.

Se os 2,4 bilhões de usuários da plataforma utilizassem essa ciberdivisa para comprar e enviar dinheiro, ela poderia se tornar a maior entidade financeira do planeta.

“A libra precisa convencer de que não invadirá os bancos centrais do mundo, de que não está aperfeiçoando ainda mais sua captura em massa de dados, de que não é um novo canal para a lavagem de dinheiro”, afirma Kevin Werbach, professor da escola de negócios Wharton e referência em tecnologia digital. É claro que se a plataforma quiser recuperar a confiança (essência dos serviços bancários, do comércio e das relações humanas) da sociedade lançando a libra, terá de justificar seus contrassensos.

“As promessas do Facebook de dar as boas-vindas à responsabilidade e à regulação soam vazias. Basta pensar na decisão de estabelecer a sede da criptomoeda [a Libera Association] na Suíça: a pior jurisdição secreta do mundo. Em termos de transparência, é o mesmo que abrir um café vegano dentro de um matadouro”, compara Alex Cobham, diretor-executivo da Tax Justice Network, uma organização ativista especializada em assuntos fiscais.

A desconfiança é a verdadeira moeda que o Facebook controla. Entre seus 27 parceiros não há nenhum banco. Por quê? A plataforma se aproximou, conta o The New York Times, de grandes empresas de investimento, incluindo Goldman Sachs, JP Morgan Chase e Fidelity, mas elas se negaram a participar, em parte pelos problemas regulatórios e talvez porque a aventura anda muito concorrida. “A JP Morgan está preparando sua própria moeda e 13 dos maiores bancos do mundo lançarão suas stablecoins no próximo ano. Confiaremos mais no Facebook do que nos bancos?”, pergunta Giles Alston, analista da firma de consultoria britânica Oxford Analytica.

A viagem de Zuckerberg atravessará densos bancos de nevoeiro. Evasão fiscal, lavagem de dinheiro, privacidade, preocupações regulatórias e a possibilidade de que − aponta a Standard & Poor’s − a libra seja vista como um pseudodepósito bancário. Inclusive o tempo lhe volta as costas. Até o tempo lhe vira as costas. O consórcio global Swift, líder mundial de serviços seguros de mensagens financeiras, “demorou mais de 40 anos para construir uma rede de 11.000 bancos que adotassem sua solução”, lembra Meng Liu, especialista da Forrester Research.

Mas o Facebook não tem a virtude da paciência. Seu antigo lema, “Move fast and break things” (“mova-se rápido e quebre coisas”), revela sua relação com a sociedade e as horas. Castigado por seus erros, muito poucos defenderão “o ator mais terrivelmente irresponsável do panorama tecnológico”, afirma Enrique Dans, professor da IE Business School. Então, o que restará depois de tanta porcelana quebrada? Os reguladores provavelmente frearão a entrada da libra nos créditos hipotecários, nos empréstimos e na compra e venda de ações.

“No entanto, a ameaça para o negócio das transferências já está aí”, aponta Ontiveros. Um perigo que testa suas fronteiras. “A moeda funciona bem como meio de pagamento, mas não é um risco para o dólar, porque por trás dele estão o peso do contribuinte americano e o maior poderio militar do mundo”, diz Miguel Otero Iglesias, pesquisador principal do Real Instituto Elcano. Uma batalha que nem Zuckerberg ousaria travar.

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Entenda por que a internet está se desintegrando

Sombra de pessoa sobre códigos de programaçãoDireito de imagem GETTY IMAGES
Rússia e China começaram a falar publicamente sobre uma ‘internet soberana’ por volta de 2011

Em 1648, foi assinada uma série de tratados conhecidos em conjunto como Paz de Vestfália, encerrando 30 anos de guerra na Europa e levando ao surgimento dos Estados soberanos. O direito estatal de controlar e defender seu próprio território tornou-se a base fundamental de nossa ordem política global e permaneceu inconteste desde então.

Em 2010, uma delegação de países – incluindo a Síria e a Rússia – chegou a uma obscura agência das Nações Unidas com um pedido estranho: levar essas mesmas fronteiras soberanas ao mundo digital.

“Eles queriam permitir que os países atribuíssem endereços de internet fossem atribuídos país por país, da mesma forma que os códigos de país eram originalmente designados para números de telefone”, diz Hascall Sharp, consultor de política digital que era na época diretor de políticas da gigante de tecnologia Cisco.

Depois de um ano de negociações, o pedido não deu em nada: criar tais fronteiras teria permitido que as nações exercessem rígido controle sobre seus próprios cidadãos, contrariando o espírito aberto da internet como um espaço sem fronteiras, livre dos ditames de qualquer governo individual.

Quase uma década depois, esse espírito parece uma lembrança antiga. As nações que saíram da ONU de mãos vazias não desistiram da ideia de colocar uma parede ao redor do seu canto no ciberespaço. Elas simplesmente passaram a última década buscando formas melhores de tornar isso uma realidade.

A Rússia já explora uma nova abordagem para criar um muro de fronteira digital e aprovou dois projetos de lei que exigem medidas tecnológicas e legais para isolar a internet russa. O país faz parte de um número crescente de nações insatisfeitas com uma internet construída e controlada pelo Ocidente.

Embora os esforços russos dificilmente sejam a primeira tentativa de controlar quais informações podem e não podem entrar em um país, sua abordagem representa uma mudança em relação ao que foi feito no passado.

“As ambições da Rússia vão mais longe do que as de que qualquer outro país, com as possíveis exceções da Coreia do Norte e do Irã, no sentido de fraturar a internet global”, diz Robert Morgus, analista de segurança cibernética do centro de estudos americano New America Foundation.

Protesto na RússiaDireito de imagem GETTY IMAGES
As políticas de internet cada vez mais restritivas da Rússia provocaram protestos em todo o país

A abordagem da Rússia é um vislumbre do futuro da soberania na internet. Hoje, os países que buscam o mesmo não são mais apenas os suspeitos autoritários de sempre – e estão fazendo isso em níveis mais profundos do que nunca.

Seu projeto é auxiliado tanto pelos avanços da tecnologia quanto pelas crescentes dúvidas sobre se a internet aberta e livre foi uma boa ideia. Os novos métodos abrem a possibilidade não apenas de países construírem suas próprias pontes levadiças, mas também de alianças entre países que pensam da mesma forma para criar uma internet paralela.

O que há de errado com a internet aberta?

É sabido que alguns países estão insatisfeitos com a coalizão ocidental que tradicionalmente dominou a governança da internet.

Não são apenas as filosofias defendidas pelo Ocidente que os incomodam, mas o modo como essas filosofias foram incorporadas na própria arquitetura da rede, que é famosa por garantir que ninguém possa impedir que alguém envie algo a outra pessoa.

Isso se deve ao protocolo-base que a delegação que foi à ONU em 2010 tentava contornar: o TCP/IP (protocolo de controle de transmissão/protocolo de internet) permite que as informações fluam sem nenhuma ressalva quanto a geografia ou conteúdo.

Não importa qual informação esteja sendo enviada, de que país ela esteja vindo ou as leis do país que vai recebê-la. Tudo o que importa é o endereço de internet ao final da comunicação. É por isso que, em vez de enviar dados por caminhos predeterminados, que podem ser desviados ou cortados, o TCP/IP envia pacotes de informações do ponto A ao ponto B por qualquer via necessária.

É fácil rejeitar objeções a essa configuração como os gritos agonizantes de regimes autoritários em face de uma força global de democratização – mas os problemas que surgem não afetam apenas eles. Qualquer governo pode se preocupar com códigos maliciosos como vírus chegando a instalações militares e redes de água e energia, ou com a influência de notícias falsas sobre o eleitorado.

Protesto na RússiaDireito de imagem GETTY IMAGES
Embora governos possam alegar que a soberania na internet protege seus cidadãos contra vírus e outras ameaças, muitos temem perder a liberdade da ‘internet aberta’

“Rússia e China só entenderam um pouco mais cedo do que os demais o possível impacto que um ecossistema de informação massivo e aberto teria sobre os humanos e a tomada de decisões, especialmente no nível político”, diz Morgus.

A visão destes países é que cidadãos de um país são uma parte tão crítica de sua infraestrutura quanto usinas de energia e precisam ser “protegidos” de informações supostamente maliciosas – neste caso, notícias falsas, em vez de vírus.

Mas não se trata de proteger os cidadãos tanto quanto de controlá-los, diz Lincoln Pigman, pesquisador da Universidade de Oxford e do Centro de Política Externa, em Londres.

Uma internet soberana

Rússia e China começaram a falar publicamente sobre uma “internet soberana” por volta de 2011 ou 2012, quando uma onda de protestos começava a se consolidar em território russo e as revoluções nascidas abalavam regimes autoritários.

Convencidos de que essas revoltas haviam sido instigadas por Estados ocidentais, a Rússia buscou impedir que influências revolucionárias atingissem seus cidadãos – essencialmente criando postos de controle em suas fronteiras digitais.

Mas instaurar uma soberania na internet não é tão simples quanto se desligar da rede global. Isso pode parecer contraintuitivo, mas, para ilustrar como esse movimento seria contraproducente, não é preciso olhar além da Coreia do Norte.

Um único cabo conecta o país ao resto da internet global. Você pode desconectá-lo com o apertar de botão. Mas poucos países considerariam implementar uma infraestrutura semelhante. De uma perspectiva de hardware, é quase impossível.

“Em países com conexões ricas e diversificadas com o resto da internet, seria virtualmente impossível identificar todos os pontos de entrada e saída”, diz Paul Barford, cientista da computação da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, que mapeia a rede de tubos e cabos por trás da internet global.

Mesmo que a Rússia pudesse de alguma forma encontrar todos os pontos pelos quais as informações entram e saem do país, não seria muito interessante bloqueá-los, a menos que também quisessem se separar da economia mundial. A internet é agora uma parte vital do comércio no mundo, e a Rússia não pode se desconectar desse sistema sem prejudicar sua economia.

Cabo de internet é instaladoDireito de imagem GETTY IMAGES
A internet na maioria dos países depende de muitos pontos de entrada físicos

A solução parece ser manter alguns tipos de informação fluindo livremente enquanto se impede o fluxo de outras.

Mas como esse tipo de soberania na internet pode funcionar, dado a natureza do TCP/IP?

A China tem tradicionalmente liderado esse controle de conteúdo online e emprega filtros com o chamado “Grande Firewall” para bloquear certos endereços de internet, palavras, endereços de IP e assim por diante. Esta solução não é perfeita: é baseada em programas de computador, o que significa ser possível projetar formas de contorná-la, como as redes privadas virtuais e sistemas de prevenção de censura, como o navegador Tor.

Além disso, o sistema chinês não funcionaria para a Rússia. Por um lado, “depende muito das grandes empresas chinesas retirarem esse conteúdo de circulação”, diz Adam Segal, especialista em segurança cibernética do Conselho de Relações Exteriores dos Estados Unidos, enquanto a Rússia é “mais dependente de empresas de mídia social americanas”.

Grande parte da vantagem da China também se resume à estrutura física com a qual internet é construída. A China, desconfiada da nova tecnologia ocidental desde o início, só permitiu que pouquíssimos pontos de entrada e saída para a internet global fossem feitos em suas fronteiras, enquanto a Rússia foi inicialmente bastante receptiva e, hoje, está repleta destas conexões. A China simplesmente tem menos fronteiras digitais para ficar de olho.

Chineses olham para seus celulares no metrôDireito de imagem GETTY IMAGES
O ‘Grande Firewall’ da China permite que o governo tenha algum controle sobre as informações que entram no país, mas isso pode ser contornado

Tentativa russa de isolamento

A Rússia está, portanto, trabalhando em um método híbrido que não depende inteiramente de equipamentos nem de programas – em vez disso, manipula o conjunto de processos e protocolos que determinam se o tráfego da internet pode se mover de sua origem para o destino pretendido.

Os protocolos da internet especificam como todas as informações devem ser tratadas por um computador para serem transmitidas e roteadas pelos cabos globais. “Um protocolo é uma combinação de diferentes coisas – como dados, algoritmos, endereços de IP”, diz Dominique Lazanski, que trabalha na governança da internet e presta consultoria sobre desenvolvimento de seus padrões.

Um dos mais fundamentais é o padrão DNS – o catálogo de endereços que informa à internet como traduzir um endereço de IP, por exemplo, 38.160.150.31, para um endereço de internet legível como o bbcbrasil.com, e aponta o caminho para o servidor que hospeda esse IP.

É no DNS que a Rússia está mirando. O país previa testar em abril uma forma de isolar o tráfego digital de todo o país, para que as comunicações via internet por seus cidadãos permanecessem dentro dos limites geográficos do país, em vez de percorrer o mundo.

O plano – que foi recebido com ceticismo por grande parte da comunidade de engenheiros – é criar uma cópia dos servidores de DNS da Rússia (a lista de endereços atualmente sediada na Califórnia) para que o tráfego dos cidadãos fosse dirigido exclusivamente para sites russos ou versões russas de sites externos. Isso enviaria os russos para o buscador Yandex se quisesse acessar o Google, ou a rede social VK em vez do Facebook.

Para estabelecer as bases para isso, a Rússia passou anos promulgando leis que forçam empresas internacionais a armazenar todos os dados dos cidadãos russos dentro do país – levando algumas empresas como a rede LinkedIn a serem bloqueadas ao se recusarem a cumprir isso.

“Se a Rússia tiver sucesso em seus planos de um DNS nacional, não haverá necessidade de filtrar informações internacionais. O tráfego de internet russo nunca precisá sair do país”, diz Morgus, analista da New America Foundation.

“Isso significa que a única coisa que os russos – ou qualquer um – poderiam acessar de dentro da Rússia seria a informação que está hospedada dentro da Rússia, em servidores fisicamente presentes no país. Isso também significaria que ninguém poderia acessar informações externas, seja isso dinheiro ou o site da Amazon para comprar um lenço.”

A maioria dos especialistas reconhece que o principal objetivo da Rússia é aumentar o controle sobre seus próprios cidadãos. Mas a ação também pode ter consequências globais.

Site exibe produtos em tela de tabletDireito de imagem GETTY IMAGES
Governos que buscam ter ‘soberania digital’ precisam achar uma forma de controlar quais informações entram no país sem bloquear transações econômicas

As abordagens adotadas pela Rússia e pela China são muito caras para países menores, mas isso não significa que isso não os influencie. “A disseminação, particularmente de políticas repressivas ou da arquitetura iliberal da internet, é como um jogo de imitação”, diz Morgus.

Sua observação é confirmada por uma pesquisa feita por Jaclyn Kerr no Laboratório Nacional Lawrence Livermore, um centro de pesquisa federal dos Estados Unidos baseado na Universidade da Califórnia.

A extensão e alcance do controle da internet por regimes autoritários são determinados por três fatores. Primeiro, pelas soluções que estão disponíveis. Segundo, se o regime pode se dar ao luxo de implementar qualquer uma das opções disponíveis. A terceira variável – “as políticas selecionadas pelos Estados que são uma referência para este regime” – é o que explica por que isso é descrito como um jogo de imitação: quais recursos os parceiros endossaram ou escolheram? Isso muitas vezes depende da atitude destes países de referência ao controle da internet.

Em relação à primeira variável, os vizinhos da Rússia, como as repúblicas da Ásia Central, poderiam se conectar apenas à versão russa da internet. Isso expandiria as fronteiras desta rede para sua periferia, diz Morgus.

Os tomadores de decisão digitais

Em relação à terceira variável, a lista de países que se sentem atraídos por uma governança da internet mais autoritária parece estar crescendo.

Nem todos se enquadram perfeitamente entre os que defendem uma “internet aberta” e os “autoritários repressivos” quando se trata de como eles lidam com a internet.

Israel, por exemplo, encontra-se nitidamente entre os dois extremos, como Morgus destacou em um artigo publicado no ano passado. Esse estudo mostra que, nos últimos quatro anos, os países que são os “maiores tomadores de decisão digitais” – Israel, Cingapura, Brasil, Ucrânia, Índia, entre outros – têm se aproximado cada vez mais de uma abordagem mais soberana e fechada quanto à circulação de informação.

As razões para isso são variadas, mas vários desses países estão em situações semelhantes: Ucrânia, Israel e Coreia do Sul, que vivem em um estado perpétuo de conflito, dizem que seus adversários estão usando a internet contra eles.

Alguns especialistas acham que o uso estratégico da rede – em especial, das mídias sociais – se tornou como a guerra. Mesmo a Coreia do Sul, apesar de sua reputação de nação aberta e global, desenvolveu uma técnica inovadora para reprimir informações ilegais online.

Mas os tomadores de decisão podem realmente copiar o modelo da China ou da Rússia? Os meios tecnológicos da China para sua soberania são muito idiossincráticos para países menores seguirem. O método russo ainda não está totalmente testado. Ambos custam no mínimo centenas de milhões para serem criados.

Indiano lê jornalDireito de imagem GETTY IMAGES
A Índia é considerada um dos ‘ tomadores de decisão digitais’ que podem influenciar o destino da internet

Dois dos maiores países dentre estes, Brasil e Índia há muito tempo buscam uma maneira de lidar com a internet global de forma independente dos “valores de abertura” do Ocidente ou das redes nacionais fechadas.

“Sua internet e valores políticos estão no meio do caminho deste espectro”, diz Morgus. Durante a maior parte da última década, ambos tentaram encontrar uma alternativa viável para as duas versões opostas da internet que vemos hoje.

Essa inovação foi sugerida em 2017, quando o site de propaganda russo RT informou que Brasil e Índia se uniriam a Rússia, China e África do Sul para desenvolver uma alternativa que eles chamavam de internet dos Brics. A Rússia alegou que estava criando a infraestrutura para “protegê-los da influência externa”.

O plano fracassou. “Tanto a Rússia quanto a China estavam interessadas em promover os Brics, mas os demais estavam menos entusiasmados”, diz Lazanski. “Em especial, a mudança de liderança no Brasil fez isso sair dos trilhos.”

A internet que está sendo construída pela China

Alguns veem bases sendo lançadas para uma segunda tentativa sob o disfarce do projeto de “Rota da Seda do Século 21” da China para conectar a Ásia à Europa e à África com a construção de uma vasta rede de corredores terrestres, rotas marítimas e infraestrutura de telecomunicações em países como Tajiquistão, Djibuti e Zimbábue.

Segundo estimativas do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres, a China está envolvida em cerca de 80 projetos de telecomunicações em todo o mundo – desde a instalação de cabos até a construção de redes centrais em outros países, contribuindo para uma rede global significativa e crescente de propriedade chinesa.

Pessoa olha para mapa em telaDireito de imagem GETTY IMAGES
Alguns países podem se separar e construir sua própria infraestrutura independente da internet ocidental

Uma possibilidade é que um número suficiente destes países se una à Rússia e à China para desenvolver uma infraestrutura semelhante a ponto de poderem se sustentar economicamente sem fazer negócios com o resto do mundo, o que significa que poderiam se isolar da internet ocidental.

Os países menores podem preferir uma internet construída em torno de um padrão não ocidental e uma infraestrutura econômica construída em torno da China pode ser a “terceira via” que permitiria aos países participar de uma economia semiglobal e controlar certos aspectos da experiência de internet de suas populações.

Sim Tack, analista do grupo de inteligência Stratfor, nos Estados Unidos, argumenta que uma economia da internet autossustentável, embora possível, é “extremamente improvável”.

Maria Farrell, da Open Rights Group, uma organização dedicada a promover a liberdade na internet, não acha que isso é exagero, embora uma internet isolada possa ter uma forma ligeiramente diferente.

A iniciativa da China, diz ela, oferece aos países “tomadores de decisão” pela primeira vez uma opção de acesso online que não depende da infraestrutura de internet ocidental.

“O que a China tem feito é criar não apenas um conjunto inteiro de tecnologias, mas sistemas de informação, treinamento de censura e leis para vigilância. É um kit completo para executar uma versão chinesa da internet”, diz ela.

É algo que está sendo vendido como uma alternativa crível a uma internet ocidental que cada vez mais é “aberta” apenas no nome.

“Nações como Zimbábue, Djibuti e Uganda não querem entrar em uma internet que é apenas uma porta de entrada para o Google e o Facebook” para colonizar seus espaços digitais, diz Farrell.

Esses países também não querem que a “abertura” oferecida pela internet ocidental seja uma forma de prejudicar seus governos por meio da espionagem.

Juntamente com todos os outros especialistas entrevistados para este artigo, Farrell reiterou como seria insensato subestimar as reverberações em curso das revelações feitas Edward Snowden sobre a coleta de informações feita pelo governo americano – especialmente porque elas minaram a confiança dos países “tomadores de decisão” em uma rede aberta.

“Os países mais pobres, especialmente, ficaram muito assustados”, diz ela. “Isso confirmou que tudo que nós suspeitávamos é verdade.”

Assim como a Rússia está trabalhando para reinventar o DNS, a internet autoritária da iniciativa chinesa oferece aos países acesso aos protocolos de internet da China. “O TCP/IP não é um padrão estático”, aponta David Conrad, diretor de tecnologia da Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números, que emite e supervisiona os principais domínios de internet e administra o DNS. “Está sempre evoluindo. Nada na internet é imutável. ”

Mas a evolução da internet global é cuidadosa e lenta e baseada em consenso. Se isso mudar, o TCP/IP pode seguir por outros caminhos.

Por mais de uma década, China e Rússia têm pressionado a comunidade da internet a mudar o protocolo para permitir uma melhor identificação de emissores e destinatários, acrescenta Farrell, algo que não surpreenderá ninguém que esteja familiarizado com a adoção em massa do reconhecimento facial para rastrear cidadãos no mundo físico.

Contágio ocidental

Mas talvez os países autoritários tenham menos trabalho a fazer do que imaginam. “Cada vez mais países ocidentais são forçados a pensar sobre o que significa a soberania na internet”, diz Tack.

Na esteira da recente interferência eleitoral nos Estados Unidos e da prática bem documentada dos governos russos de semear discórdia nas mídias sociais ocidentais, os políticos ocidentais acordaram para a ideia de que uma internet livre e aberta pode realmente prejudicar a própria democracia, diz Morgus.

“A ascensão paralela do populismo nos Estados Unidos e em outros lugares, somada a preocupações com o colapso da ordem internacional liberal, fez muitos dos tradicionais defensores da internet aberta recuarem.”

Cartaz de protesto contra mudanças na internetDireito de imagem GETTY IMAGES
 Ameaças à ‘internet aberta’ continuam a gerar respostas acaloradas – mas alguns especialistas acreditam que a mudança é inevitável

“Não se trata de classificar países como ruins ou bons – isso diz respeito a qualquer país que queira controlar suas comunicações”, diz Milton Mueller, que dirige o Projeto de Governança da Internet na Universidade Georgia Tech, nos Estados Unidos.

“A pior coisa que vi ultimamente é a lei britânica de danos digitais.” Esta proposta inclui a criação de um órgão regulador independente, encarregado de estabelecer boas práticas para as plataformas de internet e punições caso elas não sejam cumpridas.

Essas “boas práticas” limitam tipos de informação – pornografia de vingança, crimes de ódio, assédio e perseguição, conteúdo carregado pelos prisioneiros e desinformação – de forma semelhantes às recentes leis russas sobre internet.

De fato, as próprias multinacionais temidas pelos países “tomadores de decisão” atualmente podem estar ansiosas por serem recrutadas para ajudá-los a alcançar suas metas de soberania da informação.

O Facebook recentemente capitulou diante de uma pressão crescente, exigindo regulamentação governamental para determinar, entre outras coisas, o que constitui conteúdo prejudicial, “discurso de ódio, propaganda terrorista e muito mais”.

O Google está trabalhando fornecer uma internet aberta no Ocidente e um mecanismo de busca com censura no Oriente. “Suspeito que sempre haverá uma tensão entre os desejos de limitar a comunicação, mas não limitar os benefícios que a comunicação pode trazer”, diz Conrad.

Sejam as fronteiras da informação elaboradas por países, coalizões ou plataformas globais de internet, uma coisa é clara: a internet aberta com a qual seus criadores sonharam já acabou. “A internet não tem sido uma rede global há muito tempo”, diz Lazanski.

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Facebook lança aplicativo para acessar dados de usuários em troca de dinheiro

O aplicativo Study from Facebook.
O aplicativo Study from Facebook.

Facebook já sabe o tempo que seus usuários passam no aplicativo, os anúncios em que clicam e quais são seus amigos na rede social. Também tem dados sobre sua atividade no WhatsApp e no Instagram. Mas quer ir mais longe. A empresa de Mark Zuckerberg lançou o aplicativo Study from Facebook com o objetivo de coletar dados sobre o uso de outros apps por usuários maiores de idade. “Acreditamos que este trabalho é importante para nos ajudar a melhorar nossos produtos para as pessoas que usam o Facebook”, afirma a gigante da tecnologia em um comunicado publicado em seu site. O Facebook que não especifica quanto dinheiro pagará, garante que não venderá os dados a terceiros nem os usará para oferecer publicidade dirigida.

O Study from Facebook é, segundo a empresa, um aplicativo de pesquisa de mercado. Estará disponível primeiro para os usuários de dispositivos Android nos Estados Unidos e na Índia, e depois poderá ser baixado também em outros países. Entre os dados solicitados por esse novo app estão a lista de todos os aplicativos instalados no telefone, o tempo que o usuário os usa e informações sobre o país, o dispositivo e o tipo de rede de acesso. O Facebook garante que não coletará o ID de usuário, senhas e nenhum outro tipo de conteúdo, como fotos, vídeos ou mensagens.

Borja Adsuara, advogado especializado em direito digital, considera que com essas informações a empresa “vai querer ver as migrações que ocorrem do Facebook para outras redes sociais, principalmente dos jovens para aplicativos como o TikTok”. “As estatísticas das redes sociais contêm o número de usuários, mas não o tipo e a evolução do uso”, acrescenta. Ele ressalta que alguns internautas continuam mantendo um perfil no Facebook, mas o usam cada vez menos.

O aplicativo estará disponível primeiro para os usuários de dispositivos Android nos EUA e na Índia, e depois poderá ser baixado nos outros países

A empresa informa que publicará anúncios para incentivar as pessoas maiores de idade a participar desse programa de pesquisa de mercado. Quando alguém clicar em um anúncio, terá a opção de se registrar, e a empresa o convidará a baixar o aplicativo na Google Play Store. “À medida que se inscreverem, as pessoas verão uma descrição de como funciona o aplicativo e quais informações compartilharão conosco, para que possam confirmar que desejam participar”, explica a companhia, ressaltando que todos os usuários poderão optar, a qualquer momento, por deixar de participar. A empresa Applause, especializada em pesquisa de mercado, será a encarregada de administrar tanto o processo de registro como as compensações econômicas.

O lançamento do novo aplicativo ocorre após meses de críticas, depois que o site TechCrunch revelou que o Facebook oferecia uma quantia mensal a menores em troca de espionar seus telefones. Desde 2016, a empresa pagou até 20 dólares (77 reais) por mês a usuários entre 13 e 35 anos pela instalação do Facebook Research, uma VPN (rede privada virtual) que lhe permitia conhecer todas suas atividades na Internet.

Agora o Facebook assegura que só coletará dados de maiores de idade. E fará isso com seu consentimento, depois de informar adequadamente quais dados serão coletados e como serão utilizados: “Aprendemos que o que as pessoas esperam quando se inscrevem para participar de pesquisas de mercado mudou, e criamos este aplicativo para atender a essas expectativas. Estamos oferecendo transparência, compensando todos os participantes e mantendo as informações das pessoas a salvo e seguras”.

A importância do consentimento

Para Adsuara, “a base de tudo é o consentimento”. Existem várias confusões em termos de proteção de dados, assinala o especialista: “Não se trata de proteger os dados, e sim de proteger as pessoas no uso de seus dados pessoais. Nas pessoas, o que se protege é o direito à privacidade. O terceiro nível é que não se protege a privacidade das pessoas contra elas mesmas, e sim a liberdade das pessoas de fazer o que quiserem com sua privacidade”.

O especialista faz uma comparação com a liberdade sexual: “O que a lei protege é que você possa fazer o que tiver vontade com seu corpo. Protege tanto quem quer ser casto como quem quer ser promíscuo”. Da mesma forma, assinala que a Agência Espanhola de Proteção de Dados protege a liberdade do usuário de fazer o que quiser com seus dados. “Você compartilha sua intimidade física com quem quiser, quando quiser e pelo preço que quiser, e seus dados também. E a única coisa que tem de ficar clara é que é que isso seja feito livre e voluntariamente. Se não for assim, haverá uma violação da intimidade”, afirma.

Mas será que é possível garantir que o consentimento seja totalmente livre e não esteja condicionado quando se oferece uma compensação econômica em troca? “É um assunto delicado e polêmico”, reconhece. Ele sustenta que “assim como há uma prostituição da intimidade física, também há uma prostituição da intimidade não física de seus dados”, acrescentando: “Existem pessoas que fazem menos objeções a transformar seus dados do que seu corpo em mercadoria. Se vejo que existe gente disposta a pagar por meus dados e eu preciso do dinheiro, é minha decisão. Não se pode negar a uma pessoa que faça, de forma livre e voluntária, o que achar conveniente”.

Existem empresas que oferecem há anos serviços ou descontos em troca de poder coletar e utilizar dados dos usuários. Adsuara cita como exemplo a AT&T, que anunciou em 2013 um plano chamado Internet Preferences, pelo qual oferecia a seus clientes em Austin (Texas) um desconto na conta da fibra óptica em troca de poder utilizar seus dados de navegação para lhes oferecer publicidade adaptada a seus interesses, com o compromisso de não repassá-los a terceiros. “Os serviços pagos só podem solicitar os dados imprescindíveis para prestar o serviço ao cliente e cobrar por esse serviço, porque você está pagando por ele. Mas se outras empresas lhe oferecem serviços gratuitos, podem pedir como moeda de troca dados dos quais não necessitam para esse serviço, mas que elas podem oferecer, por exemplo, a anunciantes”, explica.

No caso do Study from Facebook, a empresa afirma que não venderá os dados a terceiros nem os usará para oferecer publicidade dirigida. Depois de ser atingida por vários escândalos devido à forma como lida com os dados dos usuários, o Facebook diz ter “a responsabilidade de manter a informação das pessoas a salvo”, assinalando: “Com este aplicativo, estamos coletando a quantidade mínima de informação necessária para nos ajudar a desenvolver melhores produtos”.

Além disso, o Facebook garante que recordará periodicamente aos participantes que eles estão inscritos no programa e lhes oferecerá a oportunidade de revisar as informações que compartilham com a empresa. “A transparência e o tratamento responsável das informações das pessoas orientaram a forma como criamos o Study from Facebook. Planejamos adotar, no futuro, esse mesmo enfoque em outros projetos de pesquisa de mercado que nos ajudem a compreender como as pessoas usam diferentes produtos e serviços”, explica a empresa.

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Facebook anuncia integração de serviços de mensagem

Zukenberg,Blog do mesquita,FaceBookIntegração deve ocorreu nos próximos anos, segundo Zuckerberg

O fundador e presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, anunciou nesta quarta-feira (06/03) que a plataforma integrará os serviços de mensagem do Messenger, WhatsApp e Instagram num canal de comunicações que será focado na privacidade.

Em carta aberta, Zuckerberg disse que as pessoas “cada vez têm mais interesse em se conectar com outras de forma privada”. Segundo ele, o Facebook viu nos últimos anos como as mensagens privadas, as publicações efêmeras (no estilo do Snapchat) e a atividade dentro de pequenos grupos na rede social são as áreas de maior crescimento nas interações online.

“Entendo que muita gente pense que o Facebook não pode ou não quer construir este tipo de plataforma centrada na privacidade porque hoje não temos uma boa reputação como construtores de serviços de privacidade e historicamente nos centramos em ferramentas para compartilhar”, admitiu.

No entanto, o executivo se mostrou convencido de que sua empresa será capaz de realizar esta conversão “da maneira como desenvolvemos o WhatsApp: centrando-nos no aspecto mais fundamental, a mensagem”.

Zuckerberg indicou que este processo se materializará “nos próximos anos” e que se construirá sobre seis princípios: interações privadas, sistemas de encriptação, redução da permanência online das publicações compartilhadas, segurança, interoperabilidade e armazenamento seguro de dados.

Por meio desta integração, os usuários do Facebook poderão se comunicar com usuários do WhatsApp somente tendo uma conta no Messenger e vice-versa. Haverá também mais opções sobre o tempo que essas conversas deverão ser salvas. O acesso de contatos de uma plataforma nas demais será opcional. O executivo destacou ainda que os aplicativos de mensagem não serão fundidos.

A aposta em remodelar a rede social é divulgada depois de um ano no qual a empresa se viu abalada por vários escândalos relacionados com sua gestão da privacidade dos dados dos usuários, que mancharam consideravelmente sua imagem pública.

A maior polêmica que teve que enfrentar começou em março de 2018, quando foi revelado que a empresa de consultoria britânica Cambridge Analytica utilizou um aplicativo para compilar milhões de dados de usuários da plataforma sem o seu consentimento e com fins políticos.

A empresa se serviu de dados da rede social para elaborar perfis psicológicos de eleitores, que supostamente venderam à campanha do agora presidente americano, Donald Trump, durante as eleições de 2016. Meses mais tarde, em outubro, o Facebook admitiu também que hackers roubaram dados pessoais de 30 milhões de contas.

CN/efe/rtr/afp

Como combater os ‘crapwares’, programas pré-instalados que roubam dados e espaço no seu celular

APP,Facebook,Blog do MesquitaDireito de imagemGETTY IMAGES
O ‘crapware’ rouba espaço precioso no seu celular

Quando você compra um telefone, computador ou tablet, o mais comum é que alguns apps e programas já venham instalados. São os softwares de fábrica, chamados de crapware ou junkware – algo como “softwares lixo”, já que podem ter pouca utilidade e ocupam um espaço que poderia ser usado de outra forma.

Os programas são variados, desde navegadores até redes sociais, áudio-livros ou apps para editar música. Alguns têm prazo de validade – são apenas versões de teste que duram dias ou semanas. Mas outros ficam no seu dispositivo para sempre (e sem a sua permissão).

O problema é que esses softwares gastam dados e memória do celular – e muitas vezes o usuário fica sem espaço para instalar outros apps.

Por isso, muitos usuários da Samsung ficaram indignados quando foi anunciado que o Facebook viria instalado em vários modelos da marca.

‘Estão mentindo para você’

“Se você pergunta aos fabricantes por que instalam esse tipo de coisa, dizem que fazem isso porque estão oferecendo algo adicional. Mas estão mentindo para você”, escreveu o jornalista de tecnologia Adrian Kingsley-Hughes. Na verdade, “fazem isso porque as empresas pagam”. “Os fabricantes de hardware ficam satisfeitos de instalar crapwares em seus novos dispositivos, por alguns poucos dólares.”

Kingsley-Hughes diz que a única exceção é a Apple – o motivo é que a empresa fabrica seu próprio software operacional, o iOS. Samsung e várias outras marcas de celular costumam usar o sistema operacional Android, desenvolvido pela Google.

Ilustração de uma mão segurando um celular - na tela, há um símbolo de uma mão com o polegar para baixoDireito de imagemGETTY IMAGES
O app do Facebook já vem instalado por padrão em alguns dispositivos

Normalmente, é bem difícil se livrar de apps instalados na fábrica. Você pode tentar as três etapas abaixo. Mas, algo importante: em qualquer desses casos, se você tem alguma dúvida sobre desinstalar ou não um app, o melhor é não fazê-lo. É possível que o remédio seja pior que a doença e deixe seu celular instável.

1- Desinstale o app

A maneira mais fácil de ver se um app pode ser desinstalado é apertando o ícone dele durante alguns segundos, até aparecer a opção “desinstalar”. Se ela não aparecer, a saída é tentar achá-la no menu “ajustes”. Mas, de fato, grande parte dos apps foram instalados de forma permanente.

2- Desative ou desabilite

Se você não conseguir desinstalar o app seguindo o passo acima, você pode tentar desabilitá-lo. Para isso, vá em “ajustes” e escolha a opção “desativar” ou “desabilitar”. Essa foi a opção de muitos usuários da Samsung que não queriam ter o Facebook no celular.

Mas saiba que essa não é a opção definitiva para se livrar para sempre do crapware. É sim uma forma de evitar que esses programas sejam executados sem a sua permissão – além de recuperar parte do espaço que utilizam no seu aparelho.

Mão de um homem segurando um celularDireito de imagemGETTY IMAGES
Algumas vezes, não é possível desinstalar um app, mas sim desabilitá-lo

3 – Desinstale com root

Essa opção é um pouco mais complexa, mas efetiva. Para fazer isso, você deve procurar como “desrootear” seu dispositivo – em outras palavras, modificar o sistema operacional para conseguir ter controle total sobre ele. A seguir, é preciso usar um app para desinstalar esses programas à força.

Antes de fazer isso, você precisa saber que desrootear pode levar à perda de garantia do aparelho.

Então, pode ser que não valha a pena executar todo esse processo. Mas, se você quer eliminar os softwares de fábrica definitivamente, essa é a solução.

Valor para deixar o facebook

Por quanto dinheiro você deixaria de usar sua conta do Facebook?

Usuários aceitaram em três experimentos mais de US $ 1.000 em média (875 euros) para desativar a rede social por um ano

A marca do Facebook teve um problema de imagem em 2018. O produto do Facebook, a rede social, parece mais saudável.

Quatro economistas de universidades norte-americanas acabam de publicar um artigo científico com os resultados de três leilões com dinheiro real. Organizadores propôs quatro grupos diferentes, totalizando 1.258 pessoas no total quanto dinheiro você gostaria de parar de usar Facebook para uma hora, um dia, uma semana e um ano. Dinheiro que poderia entrar era real, que, dizem os pesquisadores, “tinha um incentivo para considerar seriamente o quanto você precisa ser compensada para ficar sem serviço durante o tempo indicado.

O resultado projetado para um ano, em média, é superior a 1.000 dólares (875 euros).

A pesquisa também mostra algo óbvio: o valor da conta depende do seu uso. Os maiores usuários estão dispostos a pagar mais de US $ 1.000, mas metade dos participantes nos experimentos deixaria a rede por menos de US $ 200 (174 euros).

A figura parece consistente com o valor aparente do Facebook. Desde o caso da Cambridge Analytica em abril, o ano foi carregado com notícias de escândalos russos, perda de dados e falta de cuidado com a privacidade dos usuários do Facebook. O valor do mercado de ações do Facebook caiu, mas no momento sua capacidade de depositar dinheiro e manter seus usuários ativos é mantida.

The Guardian dedicou um tweet engraçado com um vídeo muito bem feito para o “ano ruim” de Mark Zuckerberg. O texto era “Mark, lembre-se da Cambridge Analytica e quando 2 milhões de pessoas deixaram o Facebook, o que foi um ano”. Tem cerca de 3.000 retweets, mas Zuckerberg poderia ter respondido:

“Eu ainda tenho 2.198 milhões de usuários”. Até que indique uma tendência, 2 milhões são apenas ruído estatístico para o Facebook.

Tal como o seu jornal e o Guardian, que ainda não desistiram das suas contas. “Alguns dos problemas recentes validaram os nossos resultados , ” diz Matt Rousu, professor Sigmund Weis Negócios Chool da Susquehanna University, na Pensilvânia (Estados Unidos).

“As pessoas estão ainda usando Facebook. Isto fornece evidência de que é incrivelmente valioso para seus usuários. Se o Facebook deu pouco valor, em seguida, com as preocupações sobre privacidade e sobre as eleições de 2016, que deveria ter visto mais pessoas desligar seu próprio , ” acrescenta.

O objetivo de Rousu e dos pesquisadores Jay R. Corrigan, do Kenyon College, Saleem Alhabash, da Michigan State University, e Sean B. Cash, da Tufts University, no artigo “Quanto valem as redes sociais?” vai, no entanto, além de valorizar o Facebook após os recentes escândalos. Sua intenção é descobrir quanto os serviços de Internet valem para seus usuários: “Serviços gratuitos ou baratos podem gerar um excedente para o consumidor de magnitude maior do que seu impacto mensurável no PIB“, escrevem eles. Os benefícios do eBay, o mercado de livros usados ​​ou a enorme variedade de livros disponíveis para a Amazon, de acordo com os estudos citados neste artigo, representam vários bilhões de excedentes para os consumidores.

Como você mediu esse valor para o Facebook nesses experimentos? Com um leilão para desativar sua conta. Em um dos experimentos, os pesquisadores reuniram 133 estudantes de uma universidade no centro dos Estados Unidos e 138 adultos de uma cidade universitária nos Estados Unidos. Cada participante teve que dar um valor em troca do que deixaria de usar o Facebook por um ano. O dinheiro era real e o pagamento estava sujeito à verificação periódica da falta de atividade na conta. 41 estudantes e 21 adultos se recusaram a licitar. Quatro no total pediram mais de US $ 50.000. Todos foram eliminados da amostra.

Os usuários que mais fotos pendurar deram um valor menor ao Facebook

Entre os demais, a média dos estudantes foi de 2.076 dólares (1.812 euros) e a dos adultos foi 1.139 (994 euros). Esse é o preço médio que eles gostariam de receber por abandonar sua conta – ou seja, o valor que tem para eles -, mas metade dos estudantes deixaria de usar o Facebook por menos de 200 dólares (174 euros) e metade dos adultos por menos de 100 dólares (87 euros).

Em outro dos leilões, há uma pista sobre a diferença abismal que cada usuário dá à sua conta: os pesquisadores descobriram uma relação significativa entre o valor de uma conta e a frequência das postagens ou se o Facebook é usado para convidar pessoas para eventos. Por outro lado, os usuários com mais fotos têm um valor menor que o Facebook.

“Há muitas outras opções para compartilhar fotos, especialmente o Instagram, usuários que usam o Facebook basicamente para compartilhar fotos são os menos interessados ​​nesse formato específico da rede social”, escrevem eles.

O desafio do Facebook é manter todos dentro. O valor geral da rede é drasticamente reduzido se os usuários menos envolvidos saírem. Os atores mais envolvidos – especialmente empresas que anunciam e freqüentam usuários – aumentam o valor do Facebook se realmente “todo mundo” está lá. No momento é e nenhuma alternativa real aparece.

Os fiascos tecnológicos de 2018

Os fiascos tecnológicos de 2018

Os problemas das grandes plataformas marcaram um ano em que a realidade virtual e os carros autônomos não se desenvolveram como esperado

É um ano fácil para encontrar falhas tecnológicas. O Financial Times escolheu “techlash” como a palavra do ano, que define como: “A crescente animosidade pública contra as plataformas tecnológicas do Vale do Silício e seus equivalentes chineses”.

Barack Obama ganhou a presidência dos estados em 2008 graças a “internet”. Em 2007, o Facebok foi o “fenômeno interno ” . Apenas dez anos depois, “internet” são as “redes”. E se Donald Trump ganhou a eleição graças ao Facebook, o significado que ele tem é completamente diferente.

1. Os cinco pontos do Facebook

Em 2017, Mark Zuckerberg viajou pelos Estados Unidos: ordenhando vacas, bebendo chá, dirigindo um trator. Os rumores do presidente Zuckerberg eram comuns. Em 2018, esses rumores desapareceram. Facebook ainda é um produto de sucesso, mas a marca começa a ser tóxico: há engenheiros que vêem a empresa como um menos do que o lugar ideal para trabalhar, outras grandes empresas que têm colaborado com o Facebook agora se distanciar.

Cambridge Analytica , os russos , o seu papel em Mianmar e outros países em desenvolvimento, a perda de dados, a falta de preocupação com a privacidade de seus usuários são cinco grandes manchas que o Facebook leva 2018.

Na Wired contamos 21 escândalos para o Facebook em 2018 e no Buzzfeed , 31 manchetes ruins.

2. Mulheres e China contra o Google

O Google tem sido poupado das críticas públicas por privacidade. Mas houve duas grandes revoltas internas.

Primeiro, contra um projeto chamado Dragonfly para abrir seu mecanismo de busca censurado para o mercado chinês. O Intercept publicou em agosto o projeto interno do Google, que seria lançado entre janeiro e abril de 2019. Em 11 de dezembro, o CEO do Google, Sundar Pichai, disse no Congresso dos EUA que eles não tinham esses planos “agora mesmo”. . O Intercept liberou dias após o projeto ter sido “efetivamente finalizado”.

Em segundo lugar, os protestos dos funcionários na sede mundial pelo tratamento que foi dado aos homens que deixaram a empresa acusados ​​de abuso sexual. O caso que levantou os escândalos foi Andy Rubin, o chamado “pai do Android”. Ele foi demitido por forçar um funcionário a fazer sexo oral, mas ele recebeu 90 milhões de dólares.

O Google também teve que abandonar dois projetos de inteligência artificial com o Pentágono. Seus funcionários não querem ajudar a fabricar armas.

Sem mencionar o Google+.

3. Elon Musk joga sozinho

Elon Musk come separadamente. Procure por novos problemas que são adicionados a todos que você precisa para conseguir carros Tesla suficientes.

Musk afirma ser um presidente executivo peculiar. Sua derrapagem de 2018 foi um tweet onde ele disse que iria privatizar Tesla e que ele já tinha o dinheiro. As ações da empresa dispararam. Isso é ilegal e ele foi sancionado sem poder ser CEO por três anos e com 20 milhões de dólares. “Valeu a pena”, disse ele em novembro.

Enquanto isso, ele ligou para um dos submarinistas britânicos que ajudaram a remover as crianças da gruta tailandesa em julho e que desprezavam sua oferta de um submarino para o resgate como “pedófilo”. Ele o denunciou por difamação.

Musk tem algo de Trump. Ele diz o que ninguém diz em sua posição. Seu grande desafio é tornar a Tesla um fabricante de carros elétricos e autônomos que pode ser melhor do que BMW, Audi, Google ou Uber.

Em dezembro, soube-se que ele dispensava os engenheiros gritando por erros que não cometiam e sem saber o que eram chamados.

4. Amazon teases

Em 2018, a Amazon teve que dar um grande salto em sua organização interna: o estabelecimento de sua segunda sede, depois de sua sede em Seattle. Havia milhares de empregos e prefeitos e governadores de 238 cidades disputavam acordos sobre tratamento tributário, infraestrutura e outros benefícios.

A Amazon ficou em falta e gostou da atenção da mídia. Que lugar remoto aproveitaria a Amazon para crescer? No final, a solução era óbvia. A Amazon foi para Nova York e Washington, os dois centros de poder mais óbvios. Para tanto, não foi necessário tanto concurso.

5. Huawei e Kaspersky, defenestrados

Os Estados Unidos anunciaram que seu governo não trabalharia com componentes da Huawei . Um tribunal federal indeferiu uma reclamação da empresa de antivírus da Kaspersky para poder retornar ao trabalho em redes governamentais. Ambos são acusados ​​de estar próximos demais dos governos de seus países: China e Rússia.

Ambas as empresas negam as acusações. No momento, eles são os maiores exemplos da nova realidade em que a internet global é mais difícil.

6. Carros autônomos não chegaram

A eterna promessa de autonomia real deve esperar até 2019. E será apenas em áreas específicas. Uber passou nove meses sem seus carros sem motorista circulando depois que um deles matou uma pessoa no Arizona. O retorno foi em meados de dezembro e com as condições: em menor velocidade, com dois pilotos no veículo por algum revés.

7. E a realidade virtual? Tão ruim quanto o aumentada

A saída do chefe do Oculus, Brendan Iribe, do Facebook e a falta de emoção com os óculos aumentados de Magic Leap deixaram o ceticismo. O setor aguarda a chegada na primavera da nova Oculus Quest. A eterna promessa da realidade virtual começa a se desgastar.

Fonte: elpais.com

Instagram,Facebook,Tecnologia,Internet,Redes sociais

O Instagram será a solução para os problemas do Facebook?

Rede criada por Zuckerberg envelhece, mas irmã mais nova está no auge entre jovens e anunciantes.
Mudança experimental na plataforma do Instagram para celulares causou furor nesta quinta-feira
Instagram,Facebook,Tecnologia,Internet,Redes sociaisEvento de ‘instagramers’ em Los Angeles em novembro.

Evento de ‘instagramers’ em Los Angeles em novembro. TIFFANY ROSE GETTY IMAGES / INSTAGRAM

O Instagram será a solução para os problemas do Facebook? Facebook compartilhou dados sensíveis de seus usuários com mais de 150 grandes empresas.

Circulam pela Internet vários memes chamados “Como sou no Facebook / como sou no Instagram”. Segundo eles (são mais engraçados nas fotos, claro), no Facebook somos a Beyoncé sorrindo em uma foto de grupo: responsáveis, comportados, discretos, olhando a câmera, provavelmente com nosso melhor look, certamente etiquetados por nossa mãe, nosso colega de trabalho, aquele amigo do colégio que não vemos há anos. No Instagram, entretanto, somos a Beyoncé divina no palco em pleno megashow, com o ventilador de frente: arrumados, sedutores, desafiantes, provocadores, modernos, fazendo algo divertido com a música no último volume e um controle férreo de nosso melhor ângulo.

A brincadeira faz mais sentido do que parece. Um estudo de setembro do instituto Reuters de Jornalismo pediu a norte-americanos, brasileiros, alemães e britânicos de 20 a 45 anos que descrevessem o Facebook e o Instagram. A primeira rede social, criada por Mark Zuckerberg em Harvard há 14 anos e com 2,2 bilhões de usuários mensais ativos, foi chamada de “egocêntrica” e “sociopata”, comparada a “uma pessoa pouco cool” e disseram que sofre uma “crise de meia idade” (entre as definições menos brutais estavam as de “profissional” e “genérica”). O Instagram, por sua vez, era “glamorosa”, “vibrante” e “de mente aberta”, ainda que também “exibicionista” e “assediadora”. Nos últimos tempos, além disso, são muitos os problemas de imagem do Facebook, com escândalos de privacidade como o da Cambridge Analytica (o Parlamento britânico publicou na semana passada dezenas de documentos internos que revelam como a empresa discutia vender dados de usuários), uma parada relativa em países desenvolvidos — preocupante já que é ali onde ainda se concentra grande parte de seu mercado publicitário e porque parece (não existem números oficiais) que afeta o número de páginas vistas e o tempo de uso – e um terceiro fator, fundamental: a rede social envelhece. O Instagram, cujo maior problema recente foi uma mudança na plataforma (para o modelo do Stories) que desagradou aos usuários nesta quinta-feira, para minutos depois ser revertida — não passou de um teste mal conduzido, segundo o CEO Adam Mosseri — pode ser a solução dos problemas do Facebook?

Se falamos de números, o Facebook ainda é um gigante incomparável. Poucas ferramentas tecnológicas o superam (para dar uma perspectiva, diante de seus 2,2 bilhões de usuários ativos a cada mês existem pouco mais de 5 bilhões de contas de e-mail no mundo) e é, em termos gerais, “uma rede ativa e saudável” com uma penetração sem precedentes, segundo a confirmação de estudos como o recente Uma análise em grande escala da base de usuários do Facebook e seu crescimento (Rubén Cuevas, Ángel Cuevas e Yonas Mitike Kassa). Ainda tem potencial para se expandir até em mercados da África e Ásia Central. Mas sua irmã mais nova criada há oito anos e comprada há seis por Mark Zuckerberg por 1 bilhão de dólares (4 bilhões de reais), parece ter se adiantado em prestígio em relação à mais velha. Especialmente entre os jovens.

Hoje, quando se pergunta a um grupo de adolescentes espanhóis quem tem Facebook, ficam em silêncio. Quando se pergunta se eles conhecem alguém que o use, alguns dizem, timidamente, que… seus pais. “E, como dizem algumas análises: nem você nem ninguém quer estar onde estão seus pais”, diz Ícaro Moyano, responsável por desenvolvimento e estratégia de distribuição da agência digital Wink. A tendência é clara em países como os EUA, onde, de acordo com o instituto Pew Research Center, o número de adolescentes que usa o Facebook diminuiu de 71% a 51% em somente três anos (72% usam o Instagram e 85% o YouTube). 44% dos pesquisados de 18 a 29 anos apagou o aplicativo de celular do Facebook no último ano, ao que parece estimulados, em parte, por temores relacionados à privacidade.

Alguns especialistas alertam do perigo de que o Facebook dê um “abraço de urso” mortal no Instagram

Na frente publicitária, o Instagram pode ser a resposta a esse envelhecimento, que é especialmente preocupante porque significa se afastar de um público jovem extremamente valioso para os anunciantes. “O Facebook funciona muito bem e é muito rentável. Os dados em questão de vendas continuam sendo excelentes”, diz Philippe González, fundador da comunidade Instagramers e autor de vários livros sobre redes sociais. “Mas o mercado da Bolsa não avalia você somente em função do que consegue hoje em vendas, e sim pelas expectativas de futuro”. Ou seja, ainda que o Facebook continue mandando em termos econômicos, o futuro parece estar em sua rede irmã, que nasceu para compartilhar fotos. E por isso, agora que o Instagram superou 1 bilhão de usuários ativos, o desafio é conseguir dinheiro, ou, como se diz nos mundos tecnológicos, monetizar. “Na última apresentação de resultados, onde foi vista essa certa parada no Facebook, o ideal é que Zuckerberg acalmasse o nervosismo dos acionistas com lucros bem-sucedidos no Instagram”, diz Philippe González. Esses resultados espetaculares não aconteceram, mas a missão vai de vento em popa, com um aumento de orçamento dos anunciantes de 177% em relação ao ano passado contra um aumento de 40% no Facebook, de acordo com um relatório recente da Merkle Digital Marketing. Entre as estratégias está, por enquanto, incluir anúncios nas Stories do Instagram e tornar mais atrativa a plataforma às lojas, com um botão de compra direta.

Mas nem tudo é cor de rosa no Instagram. São várias as críticas por ser um lugar superficial, muito centrado na estética, de consumo ultrarrápido, que cria expectativas de beleza, sucesso e realização pessoal tão irreais como surreais. Há pouco, uma instagramer norte-americana se queixou publicamente da pouca interação nas fotos de um de seus cinco filhos, culpou o algoritmo e pediu que, em seu aniversário de seis anos, os seguidores presenteassem o menino com “likes”. “Um oceano de falsidade”, disse sobre o Instagram Enrique Dans, professor de Inovação na IE Business School, em um artigo recente na Forbes, “um concurso de popularidade permanentes e exaustivo” em que abundam táticas esdrúxulas para conquistar seguidores. A mudança de 2016 na forma em que as atualizações são recebidas — passaram de ordem cronológica a ordem guiada por algoritmos — roubou parte da essência do Instagram, o aproximou do Facebook. E as empresas se queixam de que, da mesma forma que no Facebook, é cada vez mais difícil se destacar de maneira orgânica (não paga).

As preocupações são mais agudas desde junho, quando os fundadores do Instagram, Kevin Systrom e Mike Krieger, anunciaram que deixavam o barco porque, como sugerem alguns especialistas e mídia especializados, sentiram-se menos confortáveis com a crescente influência de Zuckerberg, a pressão para crescer e os desencontros em relação a como fazer crescer as duas redes sociais. O potencial do Instagram, alertam alguns, o expõe ao mesmo tempo ao risco de um “abraço de urso” mortal que retire sua essência e o force a uma estratégia agressiva de monetização.

Os especialistas afirmam que o Facebook continua sendo o rei. “É a televisão. Falar dos riscos do Facebook me lembra de quando se falava muito dos riscos da Microsoft há 15 anos: deixou de ser interessante em muitos aspectos, mas é o que acontece quando se é enorme”, diz Moyano. E, ainda que seja cada vez mais questionado, também foi, não podemos nos esquecer, o facilitador de um crescimento impressionante ao Instagram. Agora é preciso ver se sua ambição prejudica o aplicativo mais vibrante do momento, tanto em essência como em comunidade. Por enquanto, como diz outro meme, “meu Instagram está cheio de gente que não conheço e adoro. Meu Facebook está cheio de gente que conheço e evito”.

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Como o analfabetismo funcional influencia a relação com as redes sociais no Brasil

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Redes sociais no Brasil são populares tanto entre não-alfabetizados quanto entre os chamados ‘proficientes’
Três entre cada dez brasileiros têm limitação para ler, interpretar textos, identificar ironia e fazer operações matemáticas em situações da vida cotidiana – e, por isso, são considerados analfabetos funcionais.

Eles hoje representam praticamente 30% da população entre 15 e 64 anos, mas o grupo já foi bem maior: em 2001, chegou a 39%, de acordo o Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf).

O Inaf acompanha os níveis de analfabetismo no Brasil em uma série histórica desde 2001, mas, pela primeira vez neste ano, trouxe informações relacionadas ao contexto digital. Os dados relacionados ao uso de redes sociais foram divulgados nesta segunda-feira com exclusividade para a BBC News Brasil.

As lições da Estônia, país que revolucionou escola pública e virou líder europeu em ranking de Educação.
O modelo ‘linha dura’ de educação que pôs um pequeno país asiático no topo de ranking mundial
O instituto classifica os níveis de alfabetismo em cinco faixas: analfabeto (8%) e rudimentar (22%) (que formam o grupo dos analfabetos funcionais); e elementar (34%), intermediário (25%) e proficiente (12%) (que ficam na classificação de alfabetizados).

Para a pesquisa foram entrevistadas 2.002 pessoas entre 15 e 64 anos de idade, residentes em zonas urbanas e rurais de todas as regiões do país.

O grupo de analfabetos funcionais reúne os analfabetos absolutos, que assinam o nome com dificuldade, mas conseguem eventualmente ver preços de produtos, conferir troco, ligar para um número de telefone e identificar um ônibus pelo nome; e os rudimentares, que só leem o suficiente para localizar informações explícitas em um texto curto, sabem somar dezenas, mas não conseguem identificar qual operação matemática é necessária para resolver um problema, por exemplo.

De acordo com a pesquisa, entretanto, mesmo com suas dificuldades, os analfabetos funcionais são usuários frequentes das redes sociais. Entre eles, 86% usam WhatsApp, 72% são adeptos do Facebook e 31% têm conta no Instagram.

Assim, quando se comparar o índice de uso entre os dois grupos – alfabetizados e não-alfabetizados – a diferença não é tão grande. Entre os considerados proficientes, por exemplo, 89% usam o Facebook.

A falta de repertório dos analfabetos funcionais, contudo, faz com que o acesso a essas plataformas seja mais limitado. “Essas pessoas não vão tirar proveito das redes sociais para conseguir informações, garantir direitos, porque não conseguem discernir conteúdos. Teriam a mesma limitação com um jornal escrito, por exemplo; a diferença é que este elas não vão acessar”, afirma a pesquisadora Ana Lima, responsável pela elaboração do indicador.

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WhatsApp é a rede mais usada entre os analfabetos funcionais – 86% deles, segundo Inaf, acessam o aplicativo
Os dados da pesquisa corroboram o que a especialista diz: entre os analfabetos funcionais, 12% enviam mensagens escritas e escrevem comentários em publicações do Facebook, 14% leem mensagens escritas e 13% curtem publicações. Para efeito de comparação, entre os que têm nível de alfabetização proficiente, 44% enviam mensagens escritas, 43% escrevem comentários em publicações, 47% leem mensagens escritas e curtem publicações.

“Quem tem mais domínio do alfabetismo usa mais o Facebook, mas o que chama a atenção é a diferença pequena (de utilização entre analfabetos e não), principalmente se você pensar na limitação de um analfabeto funcional. O Facebook está cheio de textos, imagens, exige escrita, por isso revela uma potência desses suportes digitais como estimulador do avanço do alfabetismo”, ela afirma.

Já no WhatsApp quase não há diferença de uso entre os grupos divididos por nível de alfabetização. Enquanto 92% dos analfabetos funcionais enviam mensagens escritas, o índice é de 99% entre os alfabetizados; 84% dos analfabetos funcionais compartilham textos que outros usuários enviaram, já 82% dos alfabetizados fazem isso.

Pollyana Ferrari, jornalista, pesquisadora de mídias digitais e professora da PUC-SP, diz que o brasileiro aderiu integralmente ao WhatsApp, até porque é uma plataforma gratuita que substituiu o SMS, que é cobrado pelas operadoras de telefonia celular.

“Todo mundo usa o WhatsApp, do médico ao entregador de pizza, do executivo à faxineira, mas ninguém foi treinado, e cada um usa e propaga da forma que consegue compreender.”

Manipulação e mensagens falsas
Um dos reflexos do baixo nível de alfabetismo no contexto digital é que estas pessoas ficam mais vulneráveis à desinformação, especialmente memes, imagens manipuladas e usadas em contexto falso, segundo Christine Nyirjesy Bragale, vice-presidente de comunicação do The News Literacy Project.

“Obviamente elas têm uma capacidade limitada para checar através de pesquisa e leituras paralelas, e seu acesso a jornalismo impresso de qualidade é limitado”, explica Christine, que está no Brasil a convite da Embaixada Americana para debater o tema nesta segunda em evento na sede do movimento Todos pela Educação, em São Paulo.

Para a especialista norte-americana, o primeiro passo é garantir que as pessoas, independentemente de seus níveis de leitura, compreendam que a desinformação pode vir por diferentes canais, incluindo imagens manipuladas e vídeo e se espalhar rapidamente.

“Só essa consciência já é um começo para combater a desinformação e diminuir a sua propagação.”

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Analfabetos funcionais estariam mais suscetíveis à desinformação e a golpes aplicados pela internet
Pollyana Ferrari acredita que o trabalho de conscientização só virá com o amadurecimento do uso das redes sociais, que ainda é recente no Brasil – tem 14 anos -, além de educação. Ela cita o caso de Portugal, que oferece aulas de letramento em mídias digitais nas escolas de educação básica desde os anos 90.

“A pessoa não vai deixar de ver um vídeo e compartilhar, o brasileiro acredita muito no grupo do WhatsApp da família, seja para o bem ou para o mal. As pessoas têm direito de ter um celular, pode ter mais risco de cair em golpes e receber vírus, mas vai aprender usando. Mas não há o que fazer, a responsabilidade é dos governos, das empresas, de treinar, formar, o trabalho é coletivo e de ‘formiguinha’.”

A professora lembra que, até pela dificuldade de interpretação de texto, as mensagens falsas se propagam mais por mensagens em áudio. “Muita gente acredita nas ‘fakes news’ porque não tem bagagem, não tem senso crítico, quando há uma escolaridade precária, a pessoa fica muito mais manipulável.”

“Somos um país pobre, de baixa escolaridade, a gente saiu da TV aberta, mas houve um deslocamento para as redes sociais sem nenhuma capacidade de discernimento. Numa sociedade democrática com baixa escolaridade, a manipulação de informação é mais fácil de acontecer”, explica Pollyana.

Analfabetismo no ensino superior
Os dados desta edição do Inaf mostram que, entre o grupo de 29% dos analfabetos funcionais, 4% estão no ensino superior, nível de ensino em que se pressupõe um aluno plenamente alfabetizado.

A pesquisadora Ana Lima reforça que a escolaridade é o fator determinante do nível do analfabetismo, mas, ao mesmo tempo, ela não garante o que é esperado.

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João Batista Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto, afirma que prejuízo é ‘gigantesco’ para os que não são plenamente alfabetizados
“Para mexer no nível de proficiência precisamos de educação de qualidade. Uma educação que desloque o aluno de um nível mais coloquial para entender ironia, interpretação de texto, capacidade de distinguir fato de opinião. Isso é ir além de leitura mecânica, é saber ler nas entrelinhas”, afirma.

A pesquisadora reforça que, para cursar o ensino superior, é óbvio imaginar que as pessoas deveriam estar plenamente alfabetizadas para conseguir discutir, fazer análise, participar e debater. “Sem isso não é possível se formar.”

João Batista Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto, diz que o cenário é desolador principalmente porque “melhorias não estão no radar.” “O prejuízo é gigantesco, porque compromete a produtividade da economia e as chances de a educação contribuir para a melhoria de vida das pessoas. Para as pessoas situadas entre os analfabetos funcionais, a perspectiva de vida é muito limitada. O Brasil optou pela quantidade, em detrimento da qualidade.”
Vanessa Fajardo/BBC