Depois de 19 dias de batalha, Magnus Carlsen finalmente alcançou a vitória e venceu o Campeonato Mundial de Xadrez nesta quarta-feira, em Londres. Ele é o dono do título desde 2013. Desta vez, o norueguês venceu o americano Fabiano Caruana por 3 a 0 no desempate por partidas rápidas - desfecho para uma disputa que se iniciou em 9 de novembro. Carlsen, de 27 anos, receberá um prêmio de valor superior a US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,8 milhões). Ele confirma também a atribuição de ter talvez o principal rosto da renovação deste jogo, criado há mais de 1.500 anos. O homem que sobreviveu a contato com tribo isolada que matou americano: 'Estava claro que eu não era bem-vindo' O boi gigante que chocou telespectadores de TV australiana e escapou do abate por ser 'grande demais' Oligopólio soviético Para começar, Carlsen não nasceu na União Soviética ou em algum país do Leste Europeu, região que lidera no ramo desde a Guerra Fria. Até o surgimento desta estrela norueguesa, somente dois enxadristas conseguiram romper o oligopólio soviético e de seus aliados desde 1937: o americano Bobby Fischer e o indiano Viswanathan Anand. Nenhum deles, porém, chegou ao nível de excelência de Carlsen. Nem mesmo o russo Gary Kasparov, que ficou famoso mundialmente por seus duelos contra computadores nos anos 90. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Caruana (na foto, à esq.) e Carlsen já se enfrentaram 56 vezes Carlsen se tornou um fenômeno inédito e global no xadrez desde que conquistou o primeiro título mundial, aos 22 anos. Além da genialidade no tabuleiro, sua imagem protagonizou propagandas de relógios de luxo, de carros esportivos e da grife holandesa G-Star Raw. Um documentário sobre sua vida já chegou a 56 países e, em 2013, seu nome figurou entre as 100 pessoas mais influentes do mundo segundo a revista TIME. Outro indicador de sua popularidade foi ter aparecido... em um episódio do desenho Os Simpsons. Direito de imagemFOX Image caption Magnus Carlson foi retratado em um episódio de Os Simpsons Rivalidade entre irmãos "O xadrez era visto como um esporte de homens mais velhos", explicou à BBC Kate Murphy, diretora da Play Magnus, uma empresa criada por Carlsen para o mercado de aplicativos de xadrez. Mas "Carlsen mudou essa percepção ao ganhar o título e motivar os mais jovens a jogar xadrez", destacou. O norueguês foi introduzido ao jogo pelo pai, aos 5 anos - mas inicialmente não deu muita bola para a atividade. O interesse mudou após ganhar de sua irmã mais velha, que até o momento era quem se juntava ao progenitor da casa, Hendrik Carlsen, para jogar. "Ganhar dela era minha principal motivação e, nesse processo, o xadrez me cativou", disse o campeão mundial em uma entrevista em 2016. Aos 9 anos, Carlsen começou a ganhar do pai. Mozart do tabuleiro Aos 13, Magnus Carlsen já era um grande Mestre Internacional de Xadrez, um título vitalício concedido pela Federação Internacional de Xadrez. Com isso, ele passou a ser chamado de "Mozart do xadrez", destacando o impressionante talento de uma pessoa com origem em um país distante de ser uma potência no esporte. Ele é o único norueguês entre os 100 primeiros na classificação mundial. A Rússia, por sua vez, tem mais de 20 representantes - seguida pela China (9), Reino Unido e Estados Unidos (7) e Índia (6). Direito de imagemEPA Image caption Carlsen é um raro representante de seu país no mundo do xadrez A guinada de Carlsen coincidiu também com o avanço tecnológico que sacudiu o mundo no século 21. Graças à internet, o jogo teve uma exposição jamais vista - multiplicando-se em diferentes plataformas nas redes sociais e nos smartphones. O site Chess.com assegura contar com mais de 2 bilhões de usuários no mundo. Jovens no poder "Kasparov foi um jogador brilhante e um perfeito embaixador do esporte, mas Magnus Carlsen chegou na hora e no lugar certo para se beneficiar da internet e das mídias sociais", diz Peter Doggers, um dos diretores do Chess.com. Uma das mudanças mais óbvias ocorreu na demografia da população que pratica a atividade: seis dos dez melhores jogadores do mundo hoje têm menos de 30 anos. Entre as mulheres, a proporção é ainda maior: nove das dez, incluindo a número um do mundo, a chinesa Hou Yifan. "Essa é uma das consequências mais imediatas de como os computadores influenciaram o xadrez. Hoje, qualquer criança com um laptop ou celular pode treinar duro e melhorar", acrescenta Doggers. "Mas não há dúvida de que Carlsen é o modelo a ser seguido e, graças a ele, a visibilidade do jogo aumentou". Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption A tecnologia expandiu o alcance do milenar xadrez O oponente A final de Londres ofereceu uma experiência completamente nova para Carlsen: foi a primeira vez que ele disputou com um rival mais novo. Seu oponente foi Fabiano Caruana, número dois do mundo. De origem italiana, Caruana buscava ser o primeiro jogador nascido nos EUA a se tornar campeão desde que Bobby Fischer surpreendeu o mundo com sua espetacular vitória em 1972 sobre Boris Spassky, um dos representantes da era soviética. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption O americano Bobby Fischer foi um dos dois enxadristas a romper com o domínio da União Soviética na elite do jogo Esse duelo, acontecido em Reykjavik, na Islândia, é conhecido como o "Duelo do Século" - inspirando filmes e musicais da Broadway. "Fischer chegou a ganhar mais dinheiro do que Mohamed Ali, o que mostra o impacto de sua vitória sobre Spassky", diz o jornalista Brin-Jonathan Butler, autor do livro sobre o famoso duelo. "Mas ele também mostrou como a genialidade e a loucura andam de mãos dadas no xadrez". Butler faz referência à negativa feita por Fischer de defender novamente o título em 1975 e a posterior obscuridade na qual caiu o americano. Durante anos, o enxadrista precisou viver recluso e ficou famoso por sua batalha legal contra o governo dos EUA, após desafiar um embargo e jogar na antiga Iugoslávia, em 1992. "Fischer foi um artista do tabuleiro. Magnus joga como uma máquina e às vezes isso é frustrante, se o que você está procurando é um jogo mais emocionante. Embora ainda seja extraordinário", opina Butler. Capitão América versus Thor Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Preparo físico do norueguês é destacado como um de seus grandes diferenciais Caruana se tornou o Mestre Internacional de Xadrez mais jovem dos Estados Unidos a alcançar esse reconhecimento, com 15 anos. Agora, ele era um dos protagonistas de "Capitão América versus Thor", como seu duelo contra Carlsen foi promovido nos Estados Unidos. A comparação de Magnus com o guerreiro norueguês também alude ao seu excelente estado físico. Jogos de alta performance podem durar até seis horas e, no caso do norueguês, acredita-se que sua resistência tenha sido um ingrediente crucial na vitória.

Magnus Carlsen, campeão mundial de xadrez: quem é o norueguês que repaginou o esporte

Depois de 19 dias de batalha, Magnus Carlsen finalmente alcançou a vitória e venceu o Campeonato Mundial de Xadrez nesta quarta-feira, em Londres. Ele é o dono do título desde 2013.Depois de 19 dias de batalha, Magnus Carlsen finalmente alcançou a vitória e venceu o Campeonato Mundial de Xadrez nesta quarta-feira, em Londres. Ele é o dono do título desde 2013. Desta vez, o norueguês venceu o americano Fabiano Caruana por 3 a 0 no desempate por partidas rápidas - desfecho para uma disputa que se iniciou em 9 de novembro. Carlsen, de 27 anos, receberá um prêmio de valor superior a US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,8 milhões). Ele confirma também a atribuição de ter talvez o principal rosto da renovação deste jogo, criado há mais de 1.500 anos. O homem que sobreviveu a contato com tribo isolada que matou americano: 'Estava claro que eu não era bem-vindo' O boi gigante que chocou telespectadores de TV australiana e escapou do abate por ser 'grande demais' Oligopólio soviético Para começar, Carlsen não nasceu na União Soviética ou em algum país do Leste Europeu, região que lidera no ramo desde a Guerra Fria. Até o surgimento desta estrela norueguesa, somente dois enxadristas conseguiram romper o oligopólio soviético e de seus aliados desde 1937: o americano Bobby Fischer e o indiano Viswanathan Anand. Nenhum deles, porém, chegou ao nível de excelência de Carlsen. Nem mesmo o russo Gary Kasparov, que ficou famoso mundialmente por seus duelos contra computadores nos anos 90. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Caruana (na foto, à esq.) e Carlsen já se enfrentaram 56 vezes Carlsen se tornou um fenômeno inédito e global no xadrez desde que conquistou o primeiro título mundial, aos 22 anos. Além da genialidade no tabuleiro, sua imagem protagonizou propagandas de relógios de luxo, de carros esportivos e da grife holandesa G-Star Raw. Um documentário sobre sua vida já chegou a 56 países e, em 2013, seu nome figurou entre as 100 pessoas mais influentes do mundo segundo a revista TIME. Outro indicador de sua popularidade foi ter aparecido... em um episódio do desenho Os Simpsons. Direito de imagemFOX Image caption Magnus Carlson foi retratado em um episódio de Os Simpsons Rivalidade entre irmãos "O xadrez era visto como um esporte de homens mais velhos", explicou à BBC Kate Murphy, diretora da Play Magnus, uma empresa criada por Carlsen para o mercado de aplicativos de xadrez. Mas "Carlsen mudou essa percepção ao ganhar o título e motivar os mais jovens a jogar xadrez", destacou. O norueguês foi introduzido ao jogo pelo pai, aos 5 anos - mas inicialmente não deu muita bola para a atividade. O interesse mudou após ganhar de sua irmã mais velha, que até o momento era quem se juntava ao progenitor da casa, Hendrik Carlsen, para jogar. "Ganhar dela era minha principal motivação e, nesse processo, o xadrez me cativou", disse o campeão mundial em uma entrevista em 2016. Aos 9 anos, Carlsen começou a ganhar do pai. Mozart do tabuleiro Aos 13, Magnus Carlsen já era um grande Mestre Internacional de Xadrez, um título vitalício concedido pela Federação Internacional de Xadrez. Com isso, ele passou a ser chamado de "Mozart do xadrez", destacando o impressionante talento de uma pessoa com origem em um país distante de ser uma potência no esporte. Ele é o único norueguês entre os 100 primeiros na classificação mundial. A Rússia, por sua vez, tem mais de 20 representantes - seguida pela China (9), Reino Unido e Estados Unidos (7) e Índia (6). Direito de imagemEPA Image caption Carlsen é um raro representante de seu país no mundo do xadrez A guinada de Carlsen coincidiu também com o avanço tecnológico que sacudiu o mundo no século 21. Graças à internet, o jogo teve uma exposição jamais vista - multiplicando-se em diferentes plataformas nas redes sociais e nos smartphones. O site Chess.com assegura contar com mais de 2 bilhões de usuários no mundo. Jovens no poder "Kasparov foi um jogador brilhante e um perfeito embaixador do esporte, mas Magnus Carlsen chegou na hora e no lugar certo para se beneficiar da internet e das mídias sociais", diz Peter Doggers, um dos diretores do Chess.com. Uma das mudanças mais óbvias ocorreu na demografia da população que pratica a atividade: seis dos dez melhores jogadores do mundo hoje têm menos de 30 anos. Entre as mulheres, a proporção é ainda maior: nove das dez, incluindo a número um do mundo, a chinesa Hou Yifan. "Essa é uma das consequências mais imediatas de como os computadores influenciaram o xadrez. Hoje, qualquer criança com um laptop ou celular pode treinar duro e melhorar", acrescenta Doggers. "Mas não há dúvida de que Carlsen é o modelo a ser seguido e, graças a ele, a visibilidade do jogo aumentou". Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption A tecnologia expandiu o alcance do milenar xadrez O oponente A final de Londres ofereceu uma experiência completamente nova para Carlsen: foi a primeira vez que ele disputou com um rival mais novo. Seu oponente foi Fabiano Caruana, número dois do mundo. De origem italiana, Caruana buscava ser o primeiro jogador nascido nos EUA a se tornar campeão desde que Bobby Fischer surpreendeu o mundo com sua espetacular vitória em 1972 sobre Boris Spassky, um dos representantes da era soviética. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption O americano Bobby Fischer foi um dos dois enxadristas a romper com o domínio da União Soviética na elite do jogo Esse duelo, acontecido em Reykjavik, na Islândia, é conhecido como o "Duelo do Século" - inspirando filmes e musicais da Broadway. "Fischer chegou a ganhar mais dinheiro do que Mohamed Ali, o que mostra o impacto de sua vitória sobre Spassky", diz o jornalista Brin-Jonathan Butler, autor do livro sobre o famoso duelo. "Mas ele também mostrou como a genialidade e a loucura andam de mãos dadas no xadrez". Butler faz referência à negativa feita por Fischer de defender novamente o título em 1975 e a posterior obscuridade na qual caiu o americano. Durante anos, o enxadrista precisou viver recluso e ficou famoso por sua batalha legal contra o governo dos EUA, após desafiar um embargo e jogar na antiga Iugoslávia, em 1992. "Fischer foi um artista do tabuleiro. Magnus joga como uma máquina e às vezes isso é frustrante, se o que você está procurando é um jogo mais emocionante. Embora ainda seja extraordinário", opina Butler. Capitão América versus Thor Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Preparo físico do norueguês é destacado como um de seus grandes diferenciais Caruana se tornou o Mestre Internacional de Xadrez mais jovem dos Estados Unidos a alcançar esse reconhecimento, com 15 anos. Agora, ele era um dos protagonistas de "Capitão América versus Thor", como seu duelo contra Carlsen foi promovido nos Estados Unidos. A comparação de Magnus com o guerreiro norueguês também alude ao seu excelente estado físico. Jogos de alta performance podem durar até seis horas e, no caso do norueguês, acredita-se que sua resistência tenha sido um ingrediente crucial na vitória.

Desta vez, o norueguês venceu o americano Fabiano Caruana por 3 a 0 no desempate por partidas rápidas – desfecho para uma disputa que se iniciou em 9 de novembro.

Carlsen, de 27 anos, receberá um prêmio de valor superior a US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,8 milhões). Ele confirma também a atribuição de ter talvez o principal rosto da renovação deste jogo, criado há mais de 1.500 anos.

Oligopólio soviético
Para começar, Carlsen não nasceu na União Soviética ou em algum país do Leste Europeu, região que lidera no ramo desde a Guerra Fria.

Até o surgimento desta estrela norueguesa, somente dois enxadristas conseguiram romper o oligopólio soviético e de seus aliados desde 1937: o americano Bobby Fischer e o indiano Viswanathan Anand.

Nenhum deles, porém, chegou ao nível de excelência de Carlsen.

Nem mesmo o russo Gary Kasparov, que ficou famoso mundialmente por seus duelos contra computadores nos anos 90.

Depois de 19 dias de batalha, Magnus Carlsen finalmente alcançou a vitória e venceu o Campeonato Mundial de Xadrez nesta quarta-feira, em Londres. Ele é o dono do título desde 2013. Desta vez, o norueguês venceu o americano Fabiano Caruana por 3 a 0 no desempate por partidas rápidas - desfecho para uma disputa que se iniciou em 9 de novembro. Carlsen, de 27 anos, receberá um prêmio de valor superior a US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,8 milhões). Ele confirma também a atribuição de ter talvez o principal rosto da renovação deste jogo, criado há mais de 1.500 anos. O homem que sobreviveu a contato com tribo isolada que matou americano: 'Estava claro que eu não era bem-vindo' O boi gigante que chocou telespectadores de TV australiana e escapou do abate por ser 'grande demais' Oligopólio soviético Para começar, Carlsen não nasceu na União Soviética ou em algum país do Leste Europeu, região que lidera no ramo desde a Guerra Fria. Até o surgimento desta estrela norueguesa, somente dois enxadristas conseguiram romper o oligopólio soviético e de seus aliados desde 1937: o americano Bobby Fischer e o indiano Viswanathan Anand. Nenhum deles, porém, chegou ao nível de excelência de Carlsen. Nem mesmo o russo Gary Kasparov, que ficou famoso mundialmente por seus duelos contra computadores nos anos 90. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Caruana (na foto, à esq.) e Carlsen já se enfrentaram 56 vezes Carlsen se tornou um fenômeno inédito e global no xadrez desde que conquistou o primeiro título mundial, aos 22 anos. Além da genialidade no tabuleiro, sua imagem protagonizou propagandas de relógios de luxo, de carros esportivos e da grife holandesa G-Star Raw. Um documentário sobre sua vida já chegou a 56 países e, em 2013, seu nome figurou entre as 100 pessoas mais influentes do mundo segundo a revista TIME. Outro indicador de sua popularidade foi ter aparecido... em um episódio do desenho Os Simpsons. Direito de imagemFOX Image caption Magnus Carlson foi retratado em um episódio de Os Simpsons Rivalidade entre irmãos "O xadrez era visto como um esporte de homens mais velhos", explicou à BBC Kate Murphy, diretora da Play Magnus, uma empresa criada por Carlsen para o mercado de aplicativos de xadrez. Mas "Carlsen mudou essa percepção ao ganhar o título e motivar os mais jovens a jogar xadrez", destacou. O norueguês foi introduzido ao jogo pelo pai, aos 5 anos - mas inicialmente não deu muita bola para a atividade. O interesse mudou após ganhar de sua irmã mais velha, que até o momento era quem se juntava ao progenitor da casa, Hendrik Carlsen, para jogar. "Ganhar dela era minha principal motivação e, nesse processo, o xadrez me cativou", disse o campeão mundial em uma entrevista em 2016. Aos 9 anos, Carlsen começou a ganhar do pai. Mozart do tabuleiro Aos 13, Magnus Carlsen já era um grande Mestre Internacional de Xadrez, um título vitalício concedido pela Federação Internacional de Xadrez. Com isso, ele passou a ser chamado de "Mozart do xadrez", destacando o impressionante talento de uma pessoa com origem em um país distante de ser uma potência no esporte. Ele é o único norueguês entre os 100 primeiros na classificação mundial. A Rússia, por sua vez, tem mais de 20 representantes - seguida pela China (9), Reino Unido e Estados Unidos (7) e Índia (6). Direito de imagemEPA Image caption Carlsen é um raro representante de seu país no mundo do xadrez A guinada de Carlsen coincidiu também com o avanço tecnológico que sacudiu o mundo no século 21. Graças à internet, o jogo teve uma exposição jamais vista - multiplicando-se em diferentes plataformas nas redes sociais e nos smartphones. O site Chess.com assegura contar com mais de 2 bilhões de usuários no mundo. Jovens no poder "Kasparov foi um jogador brilhante e um perfeito embaixador do esporte, mas Magnus Carlsen chegou na hora e no lugar certo para se beneficiar da internet e das mídias sociais", diz Peter Doggers, um dos diretores do Chess.com. Uma das mudanças mais óbvias ocorreu na demografia da população que pratica a atividade: seis dos dez melhores jogadores do mundo hoje têm menos de 30 anos. Entre as mulheres, a proporção é ainda maior: nove das dez, incluindo a número um do mundo, a chinesa Hou Yifan. "Essa é uma das consequências mais imediatas de como os computadores influenciaram o xadrez. Hoje, qualquer criança com um laptop ou celular pode treinar duro e melhorar", acrescenta Doggers. "Mas não há dúvida de que Carlsen é o modelo a ser seguido e, graças a ele, a visibilidade do jogo aumentou". Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption A tecnologia expandiu o alcance do milenar xadrez O oponente A final de Londres ofereceu uma experiência completamente nova para Carlsen: foi a primeira vez que ele disputou com um rival mais novo. Seu oponente foi Fabiano Caruana, número dois do mundo. De origem italiana, Caruana buscava ser o primeiro jogador nascido nos EUA a se tornar campeão desde que Bobby Fischer surpreendeu o mundo com sua espetacular vitória em 1972 sobre Boris Spassky, um dos representantes da era soviética. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption O americano Bobby Fischer foi um dos dois enxadristas a romper com o domínio da União Soviética na elite do jogo Esse duelo, acontecido em Reykjavik, na Islândia, é conhecido como o "Duelo do Século" - inspirando filmes e musicais da Broadway. "Fischer chegou a ganhar mais dinheiro do que Mohamed Ali, o que mostra o impacto de sua vitória sobre Spassky", diz o jornalista Brin-Jonathan Butler, autor do livro sobre o famoso duelo. "Mas ele também mostrou como a genialidade e a loucura andam de mãos dadas no xadrez". Butler faz referência à negativa feita por Fischer de defender novamente o título em 1975 e a posterior obscuridade na qual caiu o americano. Durante anos, o enxadrista precisou viver recluso e ficou famoso por sua batalha legal contra o governo dos EUA, após desafiar um embargo e jogar na antiga Iugoslávia, em 1992. "Fischer foi um artista do tabuleiro. Magnus joga como uma máquina e às vezes isso é frustrante, se o que você está procurando é um jogo mais emocionante. Embora ainda seja extraordinário", opina Butler. Capitão América versus Thor Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Preparo físico do norueguês é destacado como um de seus grandes diferenciais Caruana se tornou o Mestre Internacional de Xadrez mais jovem dos Estados Unidos a alcançar esse reconhecimento, com 15 anos. Agora, ele era um dos protagonistas de "Capitão América versus Thor", como seu duelo contra Carlsen foi promovido nos Estados Unidos. A comparação de Magnus com o guerreiro norueguês também alude ao seu excelente estado físico. Jogos de alta performance podem durar até seis horas e, no caso do norueguês, acredita-se que sua resistência tenha sido um ingrediente crucial na vitória.Direito de imagem GETTY IMAGES
Caruana (na foto, à esq.) e Carlsen já se enfrentaram 56 vezes

Carlsen se tornou um fenômeno inédito e global no xadrez desde que conquistou o primeiro título mundial, aos 22 anos.

Além da genialidade no tabuleiro, sua imagem protagonizou propagandas de relógios de luxo, de carros esportivos e da grife holandesa G-Star Raw.

Um documentário sobre sua vida já chegou a 56 países e, em 2013, seu nome figurou entre as 100 pessoas mais influentes do mundo segundo a revista TIME.

Outro indicador de sua popularidade foi ter aparecido… em um episódio do desenho Os Simpsons.

Depois de 19 dias de batalha, Magnus Carlsen finalmente alcançou a vitória e venceu o Campeonato Mundial de Xadrez nesta quarta-feira, em Londres. Ele é o dono do título desde 2013. Desta vez, o norueguês venceu o americano Fabiano Caruana por 3 a 0 no desempate por partidas rápidas - desfecho para uma disputa que se iniciou em 9 de novembro. Carlsen, de 27 anos, receberá um prêmio de valor superior a US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,8 milhões). Ele confirma também a atribuição de ter talvez o principal rosto da renovação deste jogo, criado há mais de 1.500 anos. O homem que sobreviveu a contato com tribo isolada que matou americano: 'Estava claro que eu não era bem-vindo' O boi gigante que chocou telespectadores de TV australiana e escapou do abate por ser 'grande demais' Oligopólio soviético Para começar, Carlsen não nasceu na União Soviética ou em algum país do Leste Europeu, região que lidera no ramo desde a Guerra Fria. Até o surgimento desta estrela norueguesa, somente dois enxadristas conseguiram romper o oligopólio soviético e de seus aliados desde 1937: o americano Bobby Fischer e o indiano Viswanathan Anand. Nenhum deles, porém, chegou ao nível de excelência de Carlsen. Nem mesmo o russo Gary Kasparov, que ficou famoso mundialmente por seus duelos contra computadores nos anos 90. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Caruana (na foto, à esq.) e Carlsen já se enfrentaram 56 vezes Carlsen se tornou um fenômeno inédito e global no xadrez desde que conquistou o primeiro título mundial, aos 22 anos. Além da genialidade no tabuleiro, sua imagem protagonizou propagandas de relógios de luxo, de carros esportivos e da grife holandesa G-Star Raw. Um documentário sobre sua vida já chegou a 56 países e, em 2013, seu nome figurou entre as 100 pessoas mais influentes do mundo segundo a revista TIME. Outro indicador de sua popularidade foi ter aparecido... em um episódio do desenho Os Simpsons. Direito de imagemFOX Image caption Magnus Carlson foi retratado em um episódio de Os Simpsons Rivalidade entre irmãos "O xadrez era visto como um esporte de homens mais velhos", explicou à BBC Kate Murphy, diretora da Play Magnus, uma empresa criada por Carlsen para o mercado de aplicativos de xadrez. Mas "Carlsen mudou essa percepção ao ganhar o título e motivar os mais jovens a jogar xadrez", destacou. O norueguês foi introduzido ao jogo pelo pai, aos 5 anos - mas inicialmente não deu muita bola para a atividade. O interesse mudou após ganhar de sua irmã mais velha, que até o momento era quem se juntava ao progenitor da casa, Hendrik Carlsen, para jogar. "Ganhar dela era minha principal motivação e, nesse processo, o xadrez me cativou", disse o campeão mundial em uma entrevista em 2016. Aos 9 anos, Carlsen começou a ganhar do pai. Mozart do tabuleiro Aos 13, Magnus Carlsen já era um grande Mestre Internacional de Xadrez, um título vitalício concedido pela Federação Internacional de Xadrez. Com isso, ele passou a ser chamado de "Mozart do xadrez", destacando o impressionante talento de uma pessoa com origem em um país distante de ser uma potência no esporte. Ele é o único norueguês entre os 100 primeiros na classificação mundial. A Rússia, por sua vez, tem mais de 20 representantes - seguida pela China (9), Reino Unido e Estados Unidos (7) e Índia (6). Direito de imagemEPA Image caption Carlsen é um raro representante de seu país no mundo do xadrez A guinada de Carlsen coincidiu também com o avanço tecnológico que sacudiu o mundo no século 21. Graças à internet, o jogo teve uma exposição jamais vista - multiplicando-se em diferentes plataformas nas redes sociais e nos smartphones. O site Chess.com assegura contar com mais de 2 bilhões de usuários no mundo. Jovens no poder "Kasparov foi um jogador brilhante e um perfeito embaixador do esporte, mas Magnus Carlsen chegou na hora e no lugar certo para se beneficiar da internet e das mídias sociais", diz Peter Doggers, um dos diretores do Chess.com. Uma das mudanças mais óbvias ocorreu na demografia da população que pratica a atividade: seis dos dez melhores jogadores do mundo hoje têm menos de 30 anos. Entre as mulheres, a proporção é ainda maior: nove das dez, incluindo a número um do mundo, a chinesa Hou Yifan. "Essa é uma das consequências mais imediatas de como os computadores influenciaram o xadrez. Hoje, qualquer criança com um laptop ou celular pode treinar duro e melhorar", acrescenta Doggers. "Mas não há dúvida de que Carlsen é o modelo a ser seguido e, graças a ele, a visibilidade do jogo aumentou". Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption A tecnologia expandiu o alcance do milenar xadrez O oponente A final de Londres ofereceu uma experiência completamente nova para Carlsen: foi a primeira vez que ele disputou com um rival mais novo. Seu oponente foi Fabiano Caruana, número dois do mundo. De origem italiana, Caruana buscava ser o primeiro jogador nascido nos EUA a se tornar campeão desde que Bobby Fischer surpreendeu o mundo com sua espetacular vitória em 1972 sobre Boris Spassky, um dos representantes da era soviética. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption O americano Bobby Fischer foi um dos dois enxadristas a romper com o domínio da União Soviética na elite do jogo Esse duelo, acontecido em Reykjavik, na Islândia, é conhecido como o "Duelo do Século" - inspirando filmes e musicais da Broadway. "Fischer chegou a ganhar mais dinheiro do que Mohamed Ali, o que mostra o impacto de sua vitória sobre Spassky", diz o jornalista Brin-Jonathan Butler, autor do livro sobre o famoso duelo. "Mas ele também mostrou como a genialidade e a loucura andam de mãos dadas no xadrez". Butler faz referência à negativa feita por Fischer de defender novamente o título em 1975 e a posterior obscuridade na qual caiu o americano. Durante anos, o enxadrista precisou viver recluso e ficou famoso por sua batalha legal contra o governo dos EUA, após desafiar um embargo e jogar na antiga Iugoslávia, em 1992. "Fischer foi um artista do tabuleiro. Magnus joga como uma máquina e às vezes isso é frustrante, se o que você está procurando é um jogo mais emocionante. Embora ainda seja extraordinário", opina Butler. Capitão América versus Thor Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Preparo físico do norueguês é destacado como um de seus grandes diferenciais Caruana se tornou o Mestre Internacional de Xadrez mais jovem dos Estados Unidos a alcançar esse reconhecimento, com 15 anos. Agora, ele era um dos protagonistas de "Capitão América versus Thor", como seu duelo contra Carlsen foi promovido nos Estados Unidos. A comparação de Magnus com o guerreiro norueguês também alude ao seu excelente estado físico. Jogos de alta performance podem durar até seis horas e, no caso do norueguês, acredita-se que sua resistência tenha sido um ingrediente crucial na vitória.Direito de imagem FOX
Magnus Carlson foi retratado em um episódio de Os Simpsons

Rivalidade entre irmãos
“O xadrez era visto como um esporte de homens mais velhos”, explicou à BBC Kate Murphy, diretora da Play Magnus, uma empresa criada por Carlsen para o mercado de aplicativos de xadrez.

Mas “Carlsen mudou essa percepção ao ganhar o título e motivar os mais jovens a jogar xadrez”, destacou.

O norueguês foi introduzido ao jogo pelo pai, aos 5 anos – mas inicialmente não deu muita bola para a atividade.

O interesse mudou após ganhar de sua irmã mais velha, que até o momento era quem se juntava ao progenitor da casa, Hendrik Carlsen, para jogar.

“Ganhar dela era minha principal motivação e, nesse processo, o xadrez me cativou”, disse o campeão mundial em uma entrevista em 2016.

Aos 9 anos, Carlsen começou a ganhar do pai.

Mozart do tabuleiro
Aos 13, Magnus Carlsen já era um grande Mestre Internacional de Xadrez, um título vitalício concedido pela Federação Internacional de Xadrez.

Com isso, ele passou a ser chamado de “Mozart do xadrez”, destacando o impressionante talento de uma pessoa com origem em um país distante de ser uma potência no esporte.

Ele é o único norueguês entre os 100 primeiros na classificação mundial.

A Rússia, por sua vez, tem mais de 20 representantes – seguida pela China (9), Reino Unido e Estados Unidos (7) e Índia (6).

Depois de 19 dias de batalha, Magnus Carlsen finalmente alcançou a vitória e venceu o Campeonato Mundial de Xadrez nesta quarta-feira, em Londres. Ele é o dono do título desde 2013. Desta vez, o norueguês venceu o americano Fabiano Caruana por 3 a 0 no desempate por partidas rápidas - desfecho para uma disputa que se iniciou em 9 de novembro. Carlsen, de 27 anos, receberá um prêmio de valor superior a US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,8 milhões). Ele confirma também a atribuição de ter talvez o principal rosto da renovação deste jogo, criado há mais de 1.500 anos. O homem que sobreviveu a contato com tribo isolada que matou americano: 'Estava claro que eu não era bem-vindo' O boi gigante que chocou telespectadores de TV australiana e escapou do abate por ser 'grande demais' Oligopólio soviético Para começar, Carlsen não nasceu na União Soviética ou em algum país do Leste Europeu, região que lidera no ramo desde a Guerra Fria. Até o surgimento desta estrela norueguesa, somente dois enxadristas conseguiram romper o oligopólio soviético e de seus aliados desde 1937: o americano Bobby Fischer e o indiano Viswanathan Anand. Nenhum deles, porém, chegou ao nível de excelência de Carlsen. Nem mesmo o russo Gary Kasparov, que ficou famoso mundialmente por seus duelos contra computadores nos anos 90. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Caruana (na foto, à esq.) e Carlsen já se enfrentaram 56 vezes Carlsen se tornou um fenômeno inédito e global no xadrez desde que conquistou o primeiro título mundial, aos 22 anos. Além da genialidade no tabuleiro, sua imagem protagonizou propagandas de relógios de luxo, de carros esportivos e da grife holandesa G-Star Raw. Um documentário sobre sua vida já chegou a 56 países e, em 2013, seu nome figurou entre as 100 pessoas mais influentes do mundo segundo a revista TIME. Outro indicador de sua popularidade foi ter aparecido... em um episódio do desenho Os Simpsons. Direito de imagemFOX Image caption Magnus Carlson foi retratado em um episódio de Os Simpsons Rivalidade entre irmãos "O xadrez era visto como um esporte de homens mais velhos", explicou à BBC Kate Murphy, diretora da Play Magnus, uma empresa criada por Carlsen para o mercado de aplicativos de xadrez. Mas "Carlsen mudou essa percepção ao ganhar o título e motivar os mais jovens a jogar xadrez", destacou. O norueguês foi introduzido ao jogo pelo pai, aos 5 anos - mas inicialmente não deu muita bola para a atividade. O interesse mudou após ganhar de sua irmã mais velha, que até o momento era quem se juntava ao progenitor da casa, Hendrik Carlsen, para jogar. "Ganhar dela era minha principal motivação e, nesse processo, o xadrez me cativou", disse o campeão mundial em uma entrevista em 2016. Aos 9 anos, Carlsen começou a ganhar do pai. Mozart do tabuleiro Aos 13, Magnus Carlsen já era um grande Mestre Internacional de Xadrez, um título vitalício concedido pela Federação Internacional de Xadrez. Com isso, ele passou a ser chamado de "Mozart do xadrez", destacando o impressionante talento de uma pessoa com origem em um país distante de ser uma potência no esporte. Ele é o único norueguês entre os 100 primeiros na classificação mundial. A Rússia, por sua vez, tem mais de 20 representantes - seguida pela China (9), Reino Unido e Estados Unidos (7) e Índia (6). Direito de imagemEPA Image caption Carlsen é um raro representante de seu país no mundo do xadrez A guinada de Carlsen coincidiu também com o avanço tecnológico que sacudiu o mundo no século 21. Graças à internet, o jogo teve uma exposição jamais vista - multiplicando-se em diferentes plataformas nas redes sociais e nos smartphones. O site Chess.com assegura contar com mais de 2 bilhões de usuários no mundo. Jovens no poder "Kasparov foi um jogador brilhante e um perfeito embaixador do esporte, mas Magnus Carlsen chegou na hora e no lugar certo para se beneficiar da internet e das mídias sociais", diz Peter Doggers, um dos diretores do Chess.com. Uma das mudanças mais óbvias ocorreu na demografia da população que pratica a atividade: seis dos dez melhores jogadores do mundo hoje têm menos de 30 anos. Entre as mulheres, a proporção é ainda maior: nove das dez, incluindo a número um do mundo, a chinesa Hou Yifan. "Essa é uma das consequências mais imediatas de como os computadores influenciaram o xadrez. Hoje, qualquer criança com um laptop ou celular pode treinar duro e melhorar", acrescenta Doggers. "Mas não há dúvida de que Carlsen é o modelo a ser seguido e, graças a ele, a visibilidade do jogo aumentou". Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption A tecnologia expandiu o alcance do milenar xadrez O oponente A final de Londres ofereceu uma experiência completamente nova para Carlsen: foi a primeira vez que ele disputou com um rival mais novo. Seu oponente foi Fabiano Caruana, número dois do mundo. De origem italiana, Caruana buscava ser o primeiro jogador nascido nos EUA a se tornar campeão desde que Bobby Fischer surpreendeu o mundo com sua espetacular vitória em 1972 sobre Boris Spassky, um dos representantes da era soviética. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption O americano Bobby Fischer foi um dos dois enxadristas a romper com o domínio da União Soviética na elite do jogo Esse duelo, acontecido em Reykjavik, na Islândia, é conhecido como o "Duelo do Século" - inspirando filmes e musicais da Broadway. "Fischer chegou a ganhar mais dinheiro do que Mohamed Ali, o que mostra o impacto de sua vitória sobre Spassky", diz o jornalista Brin-Jonathan Butler, autor do livro sobre o famoso duelo. "Mas ele também mostrou como a genialidade e a loucura andam de mãos dadas no xadrez". Butler faz referência à negativa feita por Fischer de defender novamente o título em 1975 e a posterior obscuridade na qual caiu o americano. Durante anos, o enxadrista precisou viver recluso e ficou famoso por sua batalha legal contra o governo dos EUA, após desafiar um embargo e jogar na antiga Iugoslávia, em 1992. "Fischer foi um artista do tabuleiro. Magnus joga como uma máquina e às vezes isso é frustrante, se o que você está procurando é um jogo mais emocionante. Embora ainda seja extraordinário", opina Butler. Capitão América versus Thor Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Preparo físico do norueguês é destacado como um de seus grandes diferenciais Caruana se tornou o Mestre Internacional de Xadrez mais jovem dos Estados Unidos a alcançar esse reconhecimento, com 15 anos. Agora, ele era um dos protagonistas de "Capitão América versus Thor", como seu duelo contra Carlsen foi promovido nos Estados Unidos. A comparação de Magnus com o guerreiro norueguês também alude ao seu excelente estado físico. Jogos de alta performance podem durar até seis horas e, no caso do norueguês, acredita-se que sua resistência tenha sido um ingrediente crucial na vitória.Direito de imagem EPA
Carlsen é um raro representante de seu país no mundo do xadrez

A guinada de Carlsen coincidiu também com o avanço tecnológico que sacudiu o mundo no século 21.

Graças à internet, o jogo teve uma exposição jamais vista – multiplicando-se em diferentes plataformas nas redes sociais e nos smartphones.

O site Chess.com assegura contar com mais de 2 bilhões de usuários no mundo.

Jovens no poder
“Kasparov foi um jogador brilhante e um perfeito embaixador do esporte, mas Magnus Carlsen chegou na hora e no lugar certo para se beneficiar da internet e das mídias sociais”, diz Peter Doggers, um dos diretores do Chess.com.

Uma das mudanças mais óbvias ocorreu na demografia da população que pratica a atividade: seis dos dez melhores jogadores do mundo hoje têm menos de 30 anos.

Entre as mulheres, a proporção é ainda maior: nove das dez, incluindo a número um do mundo, a chinesa Hou Yifan.

“Essa é uma das consequências mais imediatas de como os computadores influenciaram o xadrez. Hoje, qualquer criança com um laptop ou celular pode treinar duro e melhorar”, acrescenta Doggers.

“Mas não há dúvida de que Carlsen é o modelo a ser seguido e, graças a ele, a visibilidade do jogo aumentou”.

Depois de 19 dias de batalha, Magnus Carlsen finalmente alcançou a vitória e venceu o Campeonato Mundial de Xadrez nesta quarta-feira, em Londres. Ele é o dono do título desde 2013. Desta vez, o norueguês venceu o americano Fabiano Caruana por 3 a 0 no desempate por partidas rápidas - desfecho para uma disputa que se iniciou em 9 de novembro. Carlsen, de 27 anos, receberá um prêmio de valor superior a US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,8 milhões). Ele confirma também a atribuição de ter talvez o principal rosto da renovação deste jogo, criado há mais de 1.500 anos. O homem que sobreviveu a contato com tribo isolada que matou americano: 'Estava claro que eu não era bem-vindo' O boi gigante que chocou telespectadores de TV australiana e escapou do abate por ser 'grande demais' Oligopólio soviético Para começar, Carlsen não nasceu na União Soviética ou em algum país do Leste Europeu, região que lidera no ramo desde a Guerra Fria. Até o surgimento desta estrela norueguesa, somente dois enxadristas conseguiram romper o oligopólio soviético e de seus aliados desde 1937: o americano Bobby Fischer e o indiano Viswanathan Anand. Nenhum deles, porém, chegou ao nível de excelência de Carlsen. Nem mesmo o russo Gary Kasparov, que ficou famoso mundialmente por seus duelos contra computadores nos anos 90. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Caruana (na foto, à esq.) e Carlsen já se enfrentaram 56 vezes Carlsen se tornou um fenômeno inédito e global no xadrez desde que conquistou o primeiro título mundial, aos 22 anos. Além da genialidade no tabuleiro, sua imagem protagonizou propagandas de relógios de luxo, de carros esportivos e da grife holandesa G-Star Raw. Um documentário sobre sua vida já chegou a 56 países e, em 2013, seu nome figurou entre as 100 pessoas mais influentes do mundo segundo a revista TIME. Outro indicador de sua popularidade foi ter aparecido... em um episódio do desenho Os Simpsons. Direito de imagemFOX Image caption Magnus Carlson foi retratado em um episódio de Os Simpsons Rivalidade entre irmãos "O xadrez era visto como um esporte de homens mais velhos", explicou à BBC Kate Murphy, diretora da Play Magnus, uma empresa criada por Carlsen para o mercado de aplicativos de xadrez. Mas "Carlsen mudou essa percepção ao ganhar o título e motivar os mais jovens a jogar xadrez", destacou. O norueguês foi introduzido ao jogo pelo pai, aos 5 anos - mas inicialmente não deu muita bola para a atividade. O interesse mudou após ganhar de sua irmã mais velha, que até o momento era quem se juntava ao progenitor da casa, Hendrik Carlsen, para jogar. "Ganhar dela era minha principal motivação e, nesse processo, o xadrez me cativou", disse o campeão mundial em uma entrevista em 2016. Aos 9 anos, Carlsen começou a ganhar do pai. Mozart do tabuleiro Aos 13, Magnus Carlsen já era um grande Mestre Internacional de Xadrez, um título vitalício concedido pela Federação Internacional de Xadrez. Com isso, ele passou a ser chamado de "Mozart do xadrez", destacando o impressionante talento de uma pessoa com origem em um país distante de ser uma potência no esporte. Ele é o único norueguês entre os 100 primeiros na classificação mundial. A Rússia, por sua vez, tem mais de 20 representantes - seguida pela China (9), Reino Unido e Estados Unidos (7) e Índia (6). Direito de imagemEPA Image caption Carlsen é um raro representante de seu país no mundo do xadrez A guinada de Carlsen coincidiu também com o avanço tecnológico que sacudiu o mundo no século 21. Graças à internet, o jogo teve uma exposição jamais vista - multiplicando-se em diferentes plataformas nas redes sociais e nos smartphones. O site Chess.com assegura contar com mais de 2 bilhões de usuários no mundo. Jovens no poder "Kasparov foi um jogador brilhante e um perfeito embaixador do esporte, mas Magnus Carlsen chegou na hora e no lugar certo para se beneficiar da internet e das mídias sociais", diz Peter Doggers, um dos diretores do Chess.com. Uma das mudanças mais óbvias ocorreu na demografia da população que pratica a atividade: seis dos dez melhores jogadores do mundo hoje têm menos de 30 anos. Entre as mulheres, a proporção é ainda maior: nove das dez, incluindo a número um do mundo, a chinesa Hou Yifan. "Essa é uma das consequências mais imediatas de como os computadores influenciaram o xadrez. Hoje, qualquer criança com um laptop ou celular pode treinar duro e melhorar", acrescenta Doggers. "Mas não há dúvida de que Carlsen é o modelo a ser seguido e, graças a ele, a visibilidade do jogo aumentou". Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption A tecnologia expandiu o alcance do milenar xadrez O oponente A final de Londres ofereceu uma experiência completamente nova para Carlsen: foi a primeira vez que ele disputou com um rival mais novo. Seu oponente foi Fabiano Caruana, número dois do mundo. De origem italiana, Caruana buscava ser o primeiro jogador nascido nos EUA a se tornar campeão desde que Bobby Fischer surpreendeu o mundo com sua espetacular vitória em 1972 sobre Boris Spassky, um dos representantes da era soviética. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption O americano Bobby Fischer foi um dos dois enxadristas a romper com o domínio da União Soviética na elite do jogo Esse duelo, acontecido em Reykjavik, na Islândia, é conhecido como o "Duelo do Século" - inspirando filmes e musicais da Broadway. "Fischer chegou a ganhar mais dinheiro do que Mohamed Ali, o que mostra o impacto de sua vitória sobre Spassky", diz o jornalista Brin-Jonathan Butler, autor do livro sobre o famoso duelo. "Mas ele também mostrou como a genialidade e a loucura andam de mãos dadas no xadrez". Butler faz referência à negativa feita por Fischer de defender novamente o título em 1975 e a posterior obscuridade na qual caiu o americano. Durante anos, o enxadrista precisou viver recluso e ficou famoso por sua batalha legal contra o governo dos EUA, após desafiar um embargo e jogar na antiga Iugoslávia, em 1992. "Fischer foi um artista do tabuleiro. Magnus joga como uma máquina e às vezes isso é frustrante, se o que você está procurando é um jogo mais emocionante. Embora ainda seja extraordinário", opina Butler. Capitão América versus Thor Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Preparo físico do norueguês é destacado como um de seus grandes diferenciais Caruana se tornou o Mestre Internacional de Xadrez mais jovem dos Estados Unidos a alcançar esse reconhecimento, com 15 anos. Agora, ele era um dos protagonistas de "Capitão América versus Thor", como seu duelo contra Carlsen foi promovido nos Estados Unidos. A comparação de Magnus com o guerreiro norueguês também alude ao seu excelente estado físico. Jogos de alta performance podem durar até seis horas e, no caso do norueguês, acredita-se que sua resistência tenha sido um ingrediente crucial na vitória.Direito de imagem GETTY IMAGES
A tecnologia expandiu o alcance do milenar xadrez

O oponente
A final de Londres ofereceu uma experiência completamente nova para Carlsen: foi a primeira vez que ele disputou com um rival mais novo.

Seu oponente foi Fabiano Caruana, número dois do mundo.

De origem italiana, Caruana buscava ser o primeiro jogador nascido nos EUA a se tornar campeão desde que Bobby Fischer surpreendeu o mundo com sua espetacular vitória em 1972 sobre Boris Spassky, um dos representantes da era soviética.

Depois de 19 dias de batalha, Magnus Carlsen finalmente alcançou a vitória e venceu o Campeonato Mundial de Xadrez nesta quarta-feira, em Londres. Ele é o dono do título desde 2013. Desta vez, o norueguês venceu o americano Fabiano Caruana por 3 a 0 no desempate por partidas rápidas - desfecho para uma disputa que se iniciou em 9 de novembro. Carlsen, de 27 anos, receberá um prêmio de valor superior a US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,8 milhões). Ele confirma também a atribuição de ter talvez o principal rosto da renovação deste jogo, criado há mais de 1.500 anos. O homem que sobreviveu a contato com tribo isolada que matou americano: 'Estava claro que eu não era bem-vindo' O boi gigante que chocou telespectadores de TV australiana e escapou do abate por ser 'grande demais' Oligopólio soviético Para começar, Carlsen não nasceu na União Soviética ou em algum país do Leste Europeu, região que lidera no ramo desde a Guerra Fria. Até o surgimento desta estrela norueguesa, somente dois enxadristas conseguiram romper o oligopólio soviético e de seus aliados desde 1937: o americano Bobby Fischer e o indiano Viswanathan Anand. Nenhum deles, porém, chegou ao nível de excelência de Carlsen. Nem mesmo o russo Gary Kasparov, que ficou famoso mundialmente por seus duelos contra computadores nos anos 90. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Caruana (na foto, à esq.) e Carlsen já se enfrentaram 56 vezes Carlsen se tornou um fenômeno inédito e global no xadrez desde que conquistou o primeiro título mundial, aos 22 anos. Além da genialidade no tabuleiro, sua imagem protagonizou propagandas de relógios de luxo, de carros esportivos e da grife holandesa G-Star Raw. Um documentário sobre sua vida já chegou a 56 países e, em 2013, seu nome figurou entre as 100 pessoas mais influentes do mundo segundo a revista TIME. Outro indicador de sua popularidade foi ter aparecido... em um episódio do desenho Os Simpsons. Direito de imagemFOX Image caption Magnus Carlson foi retratado em um episódio de Os Simpsons Rivalidade entre irmãos "O xadrez era visto como um esporte de homens mais velhos", explicou à BBC Kate Murphy, diretora da Play Magnus, uma empresa criada por Carlsen para o mercado de aplicativos de xadrez. Mas "Carlsen mudou essa percepção ao ganhar o título e motivar os mais jovens a jogar xadrez", destacou. O norueguês foi introduzido ao jogo pelo pai, aos 5 anos - mas inicialmente não deu muita bola para a atividade. O interesse mudou após ganhar de sua irmã mais velha, que até o momento era quem se juntava ao progenitor da casa, Hendrik Carlsen, para jogar. "Ganhar dela era minha principal motivação e, nesse processo, o xadrez me cativou", disse o campeão mundial em uma entrevista em 2016. Aos 9 anos, Carlsen começou a ganhar do pai. Mozart do tabuleiro Aos 13, Magnus Carlsen já era um grande Mestre Internacional de Xadrez, um título vitalício concedido pela Federação Internacional de Xadrez. Com isso, ele passou a ser chamado de "Mozart do xadrez", destacando o impressionante talento de uma pessoa com origem em um país distante de ser uma potência no esporte. Ele é o único norueguês entre os 100 primeiros na classificação mundial. A Rússia, por sua vez, tem mais de 20 representantes - seguida pela China (9), Reino Unido e Estados Unidos (7) e Índia (6). Direito de imagemEPA Image caption Carlsen é um raro representante de seu país no mundo do xadrez A guinada de Carlsen coincidiu também com o avanço tecnológico que sacudiu o mundo no século 21. Graças à internet, o jogo teve uma exposição jamais vista - multiplicando-se em diferentes plataformas nas redes sociais e nos smartphones. O site Chess.com assegura contar com mais de 2 bilhões de usuários no mundo. Jovens no poder "Kasparov foi um jogador brilhante e um perfeito embaixador do esporte, mas Magnus Carlsen chegou na hora e no lugar certo para se beneficiar da internet e das mídias sociais", diz Peter Doggers, um dos diretores do Chess.com. Uma das mudanças mais óbvias ocorreu na demografia da população que pratica a atividade: seis dos dez melhores jogadores do mundo hoje têm menos de 30 anos. Entre as mulheres, a proporção é ainda maior: nove das dez, incluindo a número um do mundo, a chinesa Hou Yifan. "Essa é uma das consequências mais imediatas de como os computadores influenciaram o xadrez. Hoje, qualquer criança com um laptop ou celular pode treinar duro e melhorar", acrescenta Doggers. "Mas não há dúvida de que Carlsen é o modelo a ser seguido e, graças a ele, a visibilidade do jogo aumentou". Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption A tecnologia expandiu o alcance do milenar xadrez O oponente A final de Londres ofereceu uma experiência completamente nova para Carlsen: foi a primeira vez que ele disputou com um rival mais novo. Seu oponente foi Fabiano Caruana, número dois do mundo. De origem italiana, Caruana buscava ser o primeiro jogador nascido nos EUA a se tornar campeão desde que Bobby Fischer surpreendeu o mundo com sua espetacular vitória em 1972 sobre Boris Spassky, um dos representantes da era soviética. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption O americano Bobby Fischer foi um dos dois enxadristas a romper com o domínio da União Soviética na elite do jogo Esse duelo, acontecido em Reykjavik, na Islândia, é conhecido como o "Duelo do Século" - inspirando filmes e musicais da Broadway. "Fischer chegou a ganhar mais dinheiro do que Mohamed Ali, o que mostra o impacto de sua vitória sobre Spassky", diz o jornalista Brin-Jonathan Butler, autor do livro sobre o famoso duelo. "Mas ele também mostrou como a genialidade e a loucura andam de mãos dadas no xadrez". Butler faz referência à negativa feita por Fischer de defender novamente o título em 1975 e a posterior obscuridade na qual caiu o americano. Durante anos, o enxadrista precisou viver recluso e ficou famoso por sua batalha legal contra o governo dos EUA, após desafiar um embargo e jogar na antiga Iugoslávia, em 1992. "Fischer foi um artista do tabuleiro. Magnus joga como uma máquina e às vezes isso é frustrante, se o que você está procurando é um jogo mais emocionante. Embora ainda seja extraordinário", opina Butler. Capitão América versus Thor Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Preparo físico do norueguês é destacado como um de seus grandes diferenciais Caruana se tornou o Mestre Internacional de Xadrez mais jovem dos Estados Unidos a alcançar esse reconhecimento, com 15 anos. Agora, ele era um dos protagonistas de "Capitão América versus Thor", como seu duelo contra Carlsen foi promovido nos Estados Unidos. A comparação de Magnus com o guerreiro norueguês também alude ao seu excelente estado físico. Jogos de alta performance podem durar até seis horas e, no caso do norueguês, acredita-se que sua resistência tenha sido um ingrediente crucial na vitória.Direito de imagem GETTY IMAGES
O americano Bobby Fischer foi um dos dois enxadristas a romper com o domínio da União Soviética na elite do jogo

Esse duelo, acontecido em Reykjavik, na Islândia, é conhecido como o “Duelo do Século” – inspirando filmes e musicais da Broadway.

“Fischer chegou a ganhar mais dinheiro do que Mohamed Ali, o que mostra o impacto de sua vitória sobre Spassky”, diz o jornalista Brin-Jonathan Butler, autor do livro sobre o famoso duelo.

“Mas ele também mostrou como a genialidade e a loucura andam de mãos dadas no xadrez”.

Butler faz referência à negativa feita por Fischer de defender novamente o título em 1975 e a posterior obscuridade na qual caiu o americano.

Durante anos, o enxadrista precisou viver recluso e ficou famoso por sua batalha legal contra o governo dos EUA, após desafiar um embargo e jogar na antiga Iugoslávia, em 1992.

“Fischer foi um artista do tabuleiro. Magnus joga como uma máquina e às vezes isso é frustrante, se o que você está procurando é um jogo mais emocionante. Embora ainda seja extraordinário”, opina Butler.

Capitão América versus Thor

Depois de 19 dias de batalha, Magnus Carlsen finalmente alcançou a vitória e venceu o Campeonato Mundial de Xadrez nesta quarta-feira, em Londres. Ele é o dono do título desde 2013. Desta vez, o norueguês venceu o americano Fabiano Caruana por 3 a 0 no desempate por partidas rápidas - desfecho para uma disputa que se iniciou em 9 de novembro. Carlsen, de 27 anos, receberá um prêmio de valor superior a US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,8 milhões). Ele confirma também a atribuição de ter talvez o principal rosto da renovação deste jogo, criado há mais de 1.500 anos. O homem que sobreviveu a contato com tribo isolada que matou americano: 'Estava claro que eu não era bem-vindo' O boi gigante que chocou telespectadores de TV australiana e escapou do abate por ser 'grande demais' Oligopólio soviético Para começar, Carlsen não nasceu na União Soviética ou em algum país do Leste Europeu, região que lidera no ramo desde a Guerra Fria. Até o surgimento desta estrela norueguesa, somente dois enxadristas conseguiram romper o oligopólio soviético e de seus aliados desde 1937: o americano Bobby Fischer e o indiano Viswanathan Anand. Nenhum deles, porém, chegou ao nível de excelência de Carlsen. Nem mesmo o russo Gary Kasparov, que ficou famoso mundialmente por seus duelos contra computadores nos anos 90. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Caruana (na foto, à esq.) e Carlsen já se enfrentaram 56 vezes Carlsen se tornou um fenômeno inédito e global no xadrez desde que conquistou o primeiro título mundial, aos 22 anos. Além da genialidade no tabuleiro, sua imagem protagonizou propagandas de relógios de luxo, de carros esportivos e da grife holandesa G-Star Raw. Um documentário sobre sua vida já chegou a 56 países e, em 2013, seu nome figurou entre as 100 pessoas mais influentes do mundo segundo a revista TIME. Outro indicador de sua popularidade foi ter aparecido... em um episódio do desenho Os Simpsons. Direito de imagemFOX Image caption Magnus Carlson foi retratado em um episódio de Os Simpsons Rivalidade entre irmãos "O xadrez era visto como um esporte de homens mais velhos", explicou à BBC Kate Murphy, diretora da Play Magnus, uma empresa criada por Carlsen para o mercado de aplicativos de xadrez. Mas "Carlsen mudou essa percepção ao ganhar o título e motivar os mais jovens a jogar xadrez", destacou. O norueguês foi introduzido ao jogo pelo pai, aos 5 anos - mas inicialmente não deu muita bola para a atividade. O interesse mudou após ganhar de sua irmã mais velha, que até o momento era quem se juntava ao progenitor da casa, Hendrik Carlsen, para jogar. "Ganhar dela era minha principal motivação e, nesse processo, o xadrez me cativou", disse o campeão mundial em uma entrevista em 2016. Aos 9 anos, Carlsen começou a ganhar do pai. Mozart do tabuleiro Aos 13, Magnus Carlsen já era um grande Mestre Internacional de Xadrez, um título vitalício concedido pela Federação Internacional de Xadrez. Com isso, ele passou a ser chamado de "Mozart do xadrez", destacando o impressionante talento de uma pessoa com origem em um país distante de ser uma potência no esporte. Ele é o único norueguês entre os 100 primeiros na classificação mundial. A Rússia, por sua vez, tem mais de 20 representantes - seguida pela China (9), Reino Unido e Estados Unidos (7) e Índia (6). Direito de imagemEPA Image caption Carlsen é um raro representante de seu país no mundo do xadrez A guinada de Carlsen coincidiu também com o avanço tecnológico que sacudiu o mundo no século 21. Graças à internet, o jogo teve uma exposição jamais vista - multiplicando-se em diferentes plataformas nas redes sociais e nos smartphones. O site Chess.com assegura contar com mais de 2 bilhões de usuários no mundo. Jovens no poder "Kasparov foi um jogador brilhante e um perfeito embaixador do esporte, mas Magnus Carlsen chegou na hora e no lugar certo para se beneficiar da internet e das mídias sociais", diz Peter Doggers, um dos diretores do Chess.com. Uma das mudanças mais óbvias ocorreu na demografia da população que pratica a atividade: seis dos dez melhores jogadores do mundo hoje têm menos de 30 anos. Entre as mulheres, a proporção é ainda maior: nove das dez, incluindo a número um do mundo, a chinesa Hou Yifan. "Essa é uma das consequências mais imediatas de como os computadores influenciaram o xadrez. Hoje, qualquer criança com um laptop ou celular pode treinar duro e melhorar", acrescenta Doggers. "Mas não há dúvida de que Carlsen é o modelo a ser seguido e, graças a ele, a visibilidade do jogo aumentou". Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption A tecnologia expandiu o alcance do milenar xadrez O oponente A final de Londres ofereceu uma experiência completamente nova para Carlsen: foi a primeira vez que ele disputou com um rival mais novo. Seu oponente foi Fabiano Caruana, número dois do mundo. De origem italiana, Caruana buscava ser o primeiro jogador nascido nos EUA a se tornar campeão desde que Bobby Fischer surpreendeu o mundo com sua espetacular vitória em 1972 sobre Boris Spassky, um dos representantes da era soviética. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption O americano Bobby Fischer foi um dos dois enxadristas a romper com o domínio da União Soviética na elite do jogo Esse duelo, acontecido em Reykjavik, na Islândia, é conhecido como o "Duelo do Século" - inspirando filmes e musicais da Broadway. "Fischer chegou a ganhar mais dinheiro do que Mohamed Ali, o que mostra o impacto de sua vitória sobre Spassky", diz o jornalista Brin-Jonathan Butler, autor do livro sobre o famoso duelo. "Mas ele também mostrou como a genialidade e a loucura andam de mãos dadas no xadrez". Butler faz referência à negativa feita por Fischer de defender novamente o título em 1975 e a posterior obscuridade na qual caiu o americano. Durante anos, o enxadrista precisou viver recluso e ficou famoso por sua batalha legal contra o governo dos EUA, após desafiar um embargo e jogar na antiga Iugoslávia, em 1992. "Fischer foi um artista do tabuleiro. Magnus joga como uma máquina e às vezes isso é frustrante, se o que você está procurando é um jogo mais emocionante. Embora ainda seja extraordinário", opina Butler. Capitão América versus Thor Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Preparo físico do norueguês é destacado como um de seus grandes diferenciais Caruana se tornou o Mestre Internacional de Xadrez mais jovem dos Estados Unidos a alcançar esse reconhecimento, com 15 anos. Agora, ele era um dos protagonistas de "Capitão América versus Thor", como seu duelo contra Carlsen foi promovido nos Estados Unidos. A comparação de Magnus com o guerreiro norueguês também alude ao seu excelente estado físico. Jogos de alta performance podem durar até seis horas e, no caso do norueguês, acredita-se que sua resistência tenha sido um ingrediente crucial na vitória.Direito de imagem GETTY IMAGES
Preparo físico do norueguês é destacado como um de seus grandes diferenciais

Caruana se tornou o Mestre Internacional de Xadrez mais jovem dos Estados Unidos a alcançar esse reconhecimento, com 15 anos.

Agora, ele era um dos protagonistas de “Capitão América versus Thor”, como seu duelo contra Carlsen foi promovido nos Estados Unidos.

A comparação de Magnus com o guerreiro norueguês também alude ao seu excelente estado físico.

Jogos de alta performance podem durar até seis horas e, no caso do norueguês, acredita-se que sua resistência tenha sido um ingrediente crucial na vitória.

Tênis e dores: a dura vida das estrelas do tênis

As dores dos gigantes do tênis

Nadal, durante treinamento em Melbourne, esta semana.

Nadal, durante treinamento em Melbourne, esta semana.
MICHAEL DODGE/GETTY

Com exceção de Federer, o mais veterano, as figuras do circuito masculino enfrentam a temporada entre médicos. “Estou bem, senão não estaria aqui”, diz Nadal em Melbourne.

Joelhos, cotovelos, quadris, costas… Praticamente toda a superfície do corpo. Há poucas áreas sortudas da anatomia dos tenistas que estão livres ou que tenham se livrado nos últimos tempos de uma lesão ou de alguma dor física. Atualmente, as estrelas do circuito masculino convivem diariamente com a enfermaria, entre bandagens, tratamentos e bisturis. Não há exceção: Rafael Nadal, Novak Djokovic, Andy Murray, Stan Wawrinka… Ou melhor, há Roger Federer, o mais veterano, consciente de que a longevidade de sua carreira esportiva passar por cuidar milimetricamente de seu repouso e da prevenção de todo e qualquer mal, ainda que isso signifique transformar seu calendário em um conta-gotas.

Aproxima-se o primeiro grande torneio da temporada, o Australia Open, e no prólogo se fala em termos de loteria. Ninguém sabe em que ponto chegarão Nadal, que machucou o joelho direito na reta final da última temporada, ou o sérvio Djokovic, cujo cotovelo o tirou de combate por 200 dias. Sabe-se que Wawrinka não vai aterrissar em sua melhor forma, derrubado há seis meses e que há pouco tempo reconheceu que a última intervenção cirúrgica em seu joelho esquerdo o fez pensar em se aposentar. E há a certeza de que Andy Murray não vai participar, torturado por seu quadril a ponto de passar pela sala de cirurgias mesmo quando queria evitá-la a todo custo.

Quase todas as estrelas sofreram um ou outro contratempo mais ou menos grave, e isso faz da abertura do ano uma grande incógnita. Há dúvidas e muitas interrogações no ar, deixando a sensação de que qualquer coisa pode acontecer em Melbourne. “Estou bem, senão não estaria aqui. Minha ideia é continuar treinando nos próximos dias para estar pronto”, disse Nadal, de 31 anos, depois de jogar sua primeira partida (não oficial) em dois meses, na quarta-feira. O espanhol reapareceu na reabertura do estádio de Kooyong e perdeu (6-4 e 7-5) contra o francês Richard Gasquet, que não tinha conseguido vencê-lo nas 15 partidas precedentes.

“Foi um bom teste e isso é o mais importante”, concedeu Nadal, que nas duas últimas temporadas sofreu com lesões no punho (2016) e no joelho (2017). Esta última atrapalhou sua forma física e o fez perder os primeiros torneios da temporada, por mais que sua equipe tente desvincular uma coisa da outra. “O ano passado foi longo, portanto comecei minha preparação mais tarde do que de costume”, argumentou o ganhador de 16 grand slams. Na quarta-feira, volta a pista para disputar outro amistoso com o objetivo de continuar se aclimatando e aspirar ao título que perdeu um ano atrás para Federer, que, aos 36 anos, paradoxalmente, transmite melhores vibrações nesta arrancada.

O enigma de Novak e as dificuldades de Wawrinka

Wawrinika rebate a bola em ‘backhand’ durante treino em Melbourne.
Wawrinika rebate a bola em ‘backhand’ durante treino em Melbourne. MICHAEL DODGE/GETTY 

Em contraste, Djokovic é atualmente um enigma. O sérvio, de 30 anos, teve de parar em julho por causa de uma lesão persistente no cotovelo e surge bem distante dessa versão torturante de dois anos atrás. Cansado da dor e do próprio tênis, optou por fazer uma parada e mimar a articulação. Os indícios eram positivos, mas horas antes de reaparecer em Abu Dhabi, há duas semanas, anunciou sua baixa: “Minha equipe médica me recomendou não arriscar”, explicou. “Gostei dos treinamentos, mas tenho de aceitar minha situação e continuar com a terapia”, acrescentou Nole, agora 14.º do mundo.

O caso de Wawrinka (32), triplo campeão do Grand Slam, também é sintomático das complicações de saúde que sofrem cada vez com mais frequência os integrantes de uma geração dourada do tênis. O suíço atravessou seis meses de dificuldades e no caminho se separou do técnico que o conduziu para a glória, Magnus Norman. “Cheguei a pensar em me aposentar, mas sigo em frente. Houve momentos em que não podia nem caminhar. Pensei que talvez não fosse poder sair disto”, revelou no mês passado em uma entrevista concedida a Le Matin Dimanche.

Nos últimos dias, sorri, porque sua realidade era tão dura que agora saboreia o regresso às quadras. “O primordial, agora, é jogar uma partida e comprovar como me sinto”, dizia na quarta-feira. Seis meses antes, o suíço lesou a cartilagem de seu joelho esquerdo e depois de uma cirurgia se apoiou em Pierre Paganini, seu preparador físico, para ficar em forma e voltar às quadras. Um cenário em que não figurará o japonês Kei Nishikori (pulso), porque a segunda linha de fogo também recebeu o impacto das contusões nos últimos tempos. David Ferrer (cotovelo e tendão de Aquiles), Milos Raonic (pulso), Jo-Wilfred Tsonga (joelho), Tomas Berdych (costas), Nick Kyrgios (quadris)…

Somente Federer, nesse sofisticado programa de jogo que traçou na campanha anterior, resistiu ao infortúnio. O gentleman da raquete teve poucos contratempos ultimamente: tão somente uma dor nas costas o obrigou a renunciar a Cincinnati, em agosto, e o prejudicou em Nova York. O resto do exercício, intacto. “Tenho de me cuidar, já sou idoso”, brinca o suíço. “Espero que os lesionados se recuperem logo”, desejou nas datas recentes o gigante dos gigantes. O campeão de maior idade, mas também o mais saudável.
Alejandro Ciriza/ElPais

Por que a China está investindo bilhões para se tornar uma potência global do futebol?

Meninos treinam em aula de futebol em Guangzhou
China desembolsou bilhões de dólares para estimular seu futebol nos últimos anos Direito de imagemAFP

A segunda maior economia do mundo não tem medido esforços para abrir as portas de um mercado que, até pouco tempo atrás, a tinha como carta fora do baralho. Mas o jogou mudou.

Desde o início de 2015, a China investiu US$ 2 bilhões (R$ 6,44 bilhões) no gigantesco mercado de futebol europeu para comprar fatias ou a totalidade de clubes como o AC de Milão (Itália), o Inter de Milão (Itália) e o Manchester City (Inglaterra).[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Também há quem diga que o Liverpool e o Hull City, ambos da Inglaterra, estão na mira dos fundos de investimentos chineses.

E, nos últimos meses, a jovem Superliga da China desembolsou algumas centenas de milhões de dólares para comprar o passe de grandes estrelas do futebol internacional, como o brasileiro Oscar, que deixou o Chelsea (Inglaterra) para jogar pelo Shanghai SIPG.

A operação foi estimada em US$ 73 milhões (R$ 235 milhões), valor que, se confirmado, supera o antigo recorde da contratação do compatriota Hulk para o mesmo time.

Prioridade

O futebol na China virou uma prioridade do governo do presidente Xi Jinping, ele próprio um fã do esporte.

Por trás dessa espécie de força-tarefa coletiva, que dominou o país nos últimos dois anos e envolve governo e empresas (estatais, ou não), há uma série de motivos.

O primeiro deles está no fato de a economia chinesa vir reduzindo o ritmo de expansão, depois de décadas de crescimento de dois dígitos.

Os chineses estão obcecados com a ideia de buscar novas fontes de renda para o país, sobretudo no setor de serviços, tecnologia e inovação ─ a bilionária indústria do esporte tem no futebol seu mercado mais bem-sucedido e um pouco de cada um desses elementos.

Jogo entre China e Catar em novembro de 2016
Futebol virou prioridade do governo do presidente Xi Jinping
Direito de imagemREUTERS

‘Soft power’

Para o especialista britânico Mark Dreyer, dono do site China Sports Insider, trata-se também de um gesto de aproximação com o público chinês e estrangeiro na forma de “soft power” (influência).

“Além da necessidade de buscar outras maneiras de promover o crescimento, existe ainda um movimento populista, já a China que tem muitos fãs de futebol que há muito tempo lamentam o fato de a sua seleção nacional ser tão ruim”, diz Dreyer, que se mudou para a China em 2007 para cobrir a Olimpíada de 2008, em Pequim.

Segundo o especialista, ocupar a 82ª posição no ranking mundial não combina com o “status” de segunda maior potência econômica do mundo.

“E ser bom em futebol mundialmente ajuda muito mais com o “soft power” do que várias medalhas de ouro em esportes considerados menores”, destaca.

Dreyer afirma ainda que promover o futebol vai ao encontro de outra iniciativa importante do governo na direção de um estilo de vida mais saudável.

No final de 2014, Jinping declarou em alto e bom som que a China seria um potência do futebol. Mas foi no último ano que o mundo dos negócios no setor esquentou para valer.

No ano passado, a Associação Chinesa de Futebol anunciou um plano ambicioso para colocar o país – hoje 78° no ranking internacional – entre os melhores do planeta até 2050.

Fãs assistem a jogo entre China e Catar em novembro de 2016
Image captionInvestimento em futebol é gesto de aproximação da China com público chinês e estrangeiro, diz especialista Direito de imagemREUTERS

E o governo do Partido Comunista, ao divulgar o 13° Plano Quinquenal, indicou que a indústria do esporte deve alcançar US$ 433 bilhões (R$ 1,4 trilhão), ou 1% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, até 2020. Hoje, esse percentual estaria próximo de 0,6% do PIB.

A previsão é de que até lá haverá 50 milhões de chineses jogando futebol, 20 mil centros de treinamento e 70 mil campos pelo país.

A Copa da China 2017, que começou na terça-feira na cidade de Nanning, no sul do país, é um outro exemplo do que está por vir.

Trata-se de um campeonato inédito que, apesar do número reduzido de participantes (quatro seleções internacionais) e da curta duração (cinco dias) não tem nada de acanhado.

Por trás do novo evento, que pretende entrar para a lista dos maiores do mundo, tornar-se anual e contar com pelo menos oito seleções, estão grandes nomes de investidores chineses.

Entre eles Wang Jialin, o homem mais rico do país e dono do grupo Wanda, que comprou no ano passado 20% do espanhol Atlético de Madrid. O grupo vem investindo maciçamente em tudo o que esteja relacionado ao futebol.

E enquanto o país não consegue cumprir a determinação do seu líder máximo, a jovem Superliga da China, hoje com 16 clubes, talvez já possa ser considerada uma potência.

Carlos Tevez
Jogador argentino Carlos Tévez teve passe comprado por time chinês
Direito de imagemALEJANDRO PAGNI

Contratações caras

A economia do futebol na China promete movimentar o mercado no resto do mundo.

Nas últimas semanas, gerou furor na indústria futebolística ao anunciar contratações de destaque para grandes nomes do futebol internacional, muitos deles brasileiros.

No mês passado foi a vez do argentino Carlos Tévez, ex-Manchester United, cujo passe foi comprado pelo Shanghai Shenhua.

Diz-se que o brasileiro Ronaldinho Gaúcho teria recusado uma oferta de US$ 105 milhões (R$ 338 milhões), e o português Cristiano Ronaldo, eleito o melhor jogador do ano, de pouco mais de US$ 300 milhões (R$ 966,4 milhões).

A ousadia, que para muitos nada mais é do que um exagero, deu origem a um grande debate sobre a necessidade de se imporem restrições ao salários que podem ser pagos nos clubes chineses.

A autoridade máxima dos esportes está pensando em determinar um teto para eles para evitar gastos excessivos e garantir uma liga sustentável. Teme-se que as contrações milionárias gerem especulação no mercado chinês e impeçam o surgimento de novos talentos no país.

Atualmente, está limitado a quatro o número de estrangeiros autorizados a jogar em um time de futebol. Talvez essa seja mais uma razão para que o passe de grandes craques internacionais passe a ser mais valorizado do que nunca.

Crianças chinesas jogando futebol
Melhor caminho para desenvolver futebol na Chilna é pelas crianças, diz professor brasileiro Direito de imagemGREG BAKER

Paixão nacional?

Para especialistas, todos os investimentos realizados até agora vão colocar a China no mercado de futebol. Mas fazer do esporte uma paixão nacional ou tornar a seleção uma potência é outra história.

É unânime a opinião de que falta criar a cultura do futebol entre os jovens. Talvez por isso tenha explodido o número de novas escolas pelo país, a maioria delas com técnicos e professores brasileiros. São milhares.

Para o brasileiro Juan Bonani, professor e técnico em uma das maiores escolas de futebol para jovens da China, a Soccer World, a única que representa o Manchester City no país, a estratégia de contratar jogadores a peso de ouro pode não ser a melhor.

“Fico na dúvida. Vou explicar usando o exemplo da contratação do Tévez. O salário anual dele permitiria oferecer para 10 mil crianças treinar futebol em um ano, ou mil em dez anos. Quando falamos em desenvolver o futebol na China, o melhor caminho é pelas crianças, para criar talentos, referências no futebol, coisa que ainda não há”, afirma Bonani, que jogou no Santos.

Mark Dreyer diz que alguns dos principais treinadores do mundo, como o francês Arsène Wenger, do Arsenal, ou o italiano Antonio Conte, do Chelsea, já manifestaram publicamente preocupação com o impacto do dinheiro chinês nas ligas.

Mas o especialista avalia que todos esses recursos podem não ser capazes de ajudar a China a melhorar a qualidade dos jogadores locais de maneira significativa.

“E com o sistema de cotas para estrangeiros, que pode ser reduzido no futuro, não vejo como a Superliga da China pode competir com as ligas europeias em termos de qualidade de jogadores por um bom tempo, se um dia conseguir”, diz.

Ele reconhece que jogadores vão continuar sendo transferidos atrás de grandes salários.

“Mas o número limitado de transferências não será capaz de mudar de uma vez por todas o cenário do futebol global”, conclui.
Vivian Oswald/BBC

Violência no Rio fura maior esquema de segurança da história

Especialistas alertam que o registro de crimes nas áreas das competições é preocupante.

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Matéria publicada nesta quarta-feira (10) pelo jornal alemão Deutsche Welle conta que em apenas cinco dias houve ao menos duas mortes relacionadas a assaltos em áreas estratégicas para os Jogos Olímpicos no Rio: uma durante a cerimônia de abertura, próximo ao Maracanã, e outra na região portuária, perto do Boulevard Olímpico.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Além disso, uma bala perdida atingiu a sala de imprensa do Centro Olímpico de Hipismo, em Deodoro, o ministro da Educação de Portugal foi assaltado em Ipanema e um ônibus oficial da Rio 2016 foi alvo de tiros de baixo calibre quando passava pelo bairro de Curicica, no início da noite desta terça-feira (09/08).

Os incidentes mostram que nem mesmo o maior esquema de segurança da história do país é capaz de conter a violência urbana do Rio. Segundo o governo federal, são pelo menos 88 mil agentes empregados na operação – entre eles 41 mil soldados das Forças Armadas.

Apresentação de tropas do exército que atuarão nos jogos olímpicos Rio 2016
Apresentação de tropas do exército que atuarão nos jogos olímpicos Rio 2016
“É inevitável, esses casos vão acontecer e haverá muito mais até o final da competição. Não há como as forças de segurança impedirem isso, o alcance do policiamento é limitado”, afirma o consultor José Vicente, ex-comandante da Polícia Militar de São Paulo e ex-secretário nacional de Segurança.

De acordo com a reportagem do Welle, especialistas alertam que o registro de crimes nas áreas das competições é preocupante, mas deve ficar abaixo do considerado normal para a cidade. “A presença maciça das Forças Armadas e de policiais deve diminuir as ocorrências, mas não impede que delitos ocorram nas áreas mais vigiadas”, afirma o antropólogo e analista de segurança pública Paulo Storani, ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais do Rio (Bope).

Falhas nos preparativos

Os especialistas consideram que o registro de crimes não significa necessariamente uma falha no esquema de segurança e está relacionado sobretudo com problemas estruturais. “Da forma como a violência está no estado do Rio, não adianta colocar mais e mais policiais na rua. Faltou prevenção”, diz o professor de sociologia Dorian Borges, do Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Nos últimos anos, os indicadores de violência dispararam no estado. Em junho, os roubos a pedestres subiram mais de 80% em relação ao mesmo mês de 2015. No período, os homicídios dolosos (com intenção de matar) aumentaram cerca de 38%, segundo o Instituto de Segurança Pública do Rio (ISP). “O Rio passa por um momento crítico, os índices de violência cresceram às vésperas dos Jogos Olímpicos, quando deveriam estar caindo”, afirma Vicente.

Para Storani, o Rio viveu o seu melhor momento em termos de indicadores de violência, principalmente em redução de homicídios e latrocínios, há três anos. “Houve falha nos preparativos para os Jogos Olímpicos, já que isso deveria ter sido continuado”, diz.

Falta de investimentos

Os especialistas criticam a falta de investimentos no setor e a escassez de efetivo policial. Em junho, o Rio decretou estado de calamidade pública e deixou de pagar o salário de servidores, incluindo policiais.

Para Storani, houve também um esgotamento do modelo das UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora), que teria se expandido para além das possibilidades do Estado. “Não era sustentável. Todo efetivo que era formado era destinado para as UPPs, e os batalhões que cuidam da área urbana ficaram sem efetivo para o policiamento ostensivo”, diz.

Ele critica também a falta de investimentos sociais nas áreas ocupadas pela polícia. “Teve um resultado positivo no primeiro momento, mas depois deixou de surtir efeito, porque os criminosos retornaram e começaram a promover ataques aos policiais que permaneceram.”

Coordenação e treinamento

Na opinião de Vicente, a organização de longo prazo da segurança dos Jogos deixou muito a desejar. Ele lembra que o Rio recebeu uma série de grandes eventos internacionais, como os Jogos Pan-Americanos, os Jogos Mundiais Militares, a Rio+20, a Copa das Confederações, a Jornada Mundial da Juventude e a Copa do Mundo, e as autoridades poderiam ter aproveitado essas oportunidades para treinar policiais e integrar os órgãos de segurança.

“Um ano antes de um evento como esse, todos os protocolos e agências da polícia civil, militar e federal deveriam estar coordenados. Precisava ter um banco de dados único, um sistema de inteligência compartilhado com as Forças Armadas”, afirma. “Um mês antes, eles ainda não conversavam entre si. O planejamento final da segurança foi feito em junho”, diz.

Vicente defende que o país deveria ter investido em inteligência e em sistemas de segurança, como softwares de controle e monitoramento do crime e do trabalho policial. “Nada disso aconteceu. E, nos últimos três anos, fizemos uma formação ruim e atropelada de policiais”, afirma.

Borges acrescenta que seria necessário implementar políticas preventivas, de desarmamento e de policiamento estratégico. “Não adianta só ter uma presença ostensiva, o policiamento tem que ser orientado por informações e ser eficiente. A atuação tem sido só repressiva.”

Fórmula UM: GP da Alemanha

História da Fórmula 1 – GP de Hockheim
Esporte,Automobilismo,Fórmula UM,F1,Maria Teresa de Filippis,1958,GP Alemanha,Maserati 250F,Hockheim,Blog do MesquitaMaria Teresa de Filippis – Maserati 250F
Primeira Mulher a Competir na F1, 1958

Primeira Vitória de Barrichello na F1,2000

Acidente Burti, no ar, e Schumi, 2001 Esporte,Automobilismo,Fórmula UM,F1,Burti,2001,GP Alemanha,Hockheim,Blog do Mesquita

Patrick Tambay – Ferrari 162C2,1982 Esporte,Automobilismo,Fórmula UM,F1,Ferrari 162C2,Patrick Tambay,GP Alemanha,Hockheim,1982,Blog do Mesquita

JJLetho,Matra,2000 Esporte,Automobilismo,Fórmula UM,F1,JJLetho,Matra,GP Alemanha,Hockheim,2000,Blog do Mesquita

Jordan,1997 Esporte,Automobilismo,Fórmula UM,F1,Jordan,1997,GP Alemanha,Hockheim,2000,Blog do Mesquita
Felipe Massa, Williams, 2014
Williams Formula One driver Felipe Massa of Brazil crashes with his car in the first corner after the start of the German F1 Grand Prix at the Hockenheim racing circuit, July 20, 2014. REUTERS/Kai Pfaffenbach (GERMANY - Tags: SPORT MOTORSPORT F1 TPX IMAGES OF THE DAY) ORG XMIT: KAI02

Phill Hill, Ferrari,1963Esporte,Automobilismo,Fórmula UM,F1,GP Alemanha,Hockheim,Blog do Mesquita

Vittorio Brabilla,1976 Esporte,Automobilismo,Fórmula UM,F1,GP Alemanha,Hockheim,Blog do Mesquita,Vittorio Brambilla,1976

Brian Redman – De Tomaso 505,1970 Esporte,Automobilismo,Fórmula UM,F1,GP Alemanha,Hockheim,Blog do Mesquita,De Tomaso 505,Brian Redman,1970

Jean-Pierre Jarier, Gitanes Ligier-Ford JS21, 1983 Esporte,Automobilismo,Fórmula UM,F1,GP Alemanha,Hockheim,Blog do Mesquita,Jean-Pierre Jarier, Gitanes Ligier-Ford JS21, 1983

Jim Clark, Denny Hulme, Jackie Stewart, Dan Gurney,1967 Esporte,Automobilismo,Fórmula UM,F1,GP Alemanha,Hockheim,Blog do Mesquita,Jim Clark, Denny Hulme, Jackie Stewart, Dan Gurney,1967

Jim Clark,Lotus,1963 Esporte,Automobilismo,Fórmula UM,F1,GP Alemanha,Hockheim,Blog do Mesquita,Jim Clark,Lotus,1963

Jochen Rindt,Lotus,1970 Esporte,Automobilismo,Fórmula UM,F1,GP Alemanha,Hockheim,Blog do Mesquita,Jochen Rindt,1970

Michelle Alboreto, Nigel Mansell, 1985 Esporte,Automobilismo,Fórmula UM,F1,GP Alemanha,Hockheim,Blog do Mesquita,Michelle Alboreto, Nigel Mansell, 1985

Ayrton Senna, Candy Toleman-Hart TG184, 1984Esporte,Automobilismo,Fórmula UM,F1,GP Alemanha,Hockheim,Blog do Mesquita,Ayrton Senna, Candy Toleman-Hart TG184, 1984

Ayrton Senna,MC Laren Honda,1991
Esporte,Automobilismo,Fórmula UM,F1,GP Alemanha,Hockheim,Blog do Mesquita,Ayrton Senna,1991


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Zika e Olimpíada: Duas visões científicas sobre riscos a atletas e turistas

As dúvidas e apreensões quanto aos riscos que a epidemia de zika – associada à alta nos casos de microcefalia em bebês – pode trazer aos turistas brasileiros e estrangeiros que virão ao Rio para a Olimpíada, em agosto, vêm mobilizando pesquisadores, organizadores dos Jogos e autoridades nos últimos dias. 

Agentes de combate contra o Aedes Aegypti no Rio
Governo federal e Prefeitura do Rio minimizam riscos
Image copyright AP

Afinal, quais são os perigos reais aos visitantes e seus países de origem?

Em conversa com jornalistas estrangeiros nesta sexta, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que o governo federal aposta na queda da proliferação do mosquito Aedes agypti em agosto – mês que no ano passado registrou o menor número de casos de dengue, transmitida pelo mesmo vetor.

Além disso, citou medidas de prevenção a serem implementadas durante os Jogos, entre elas a aplicação de R$ 64,5 milhões para reforçar a rede de saúde local. Segundo o ministro, 80% dos imóveis do Rio já foram vistoriados, e o trabalho dos 3 mil agentes de fiscalização continua.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Numa tentativa de dissipar as preocupações, Barros argumenta que a incidência de zika vem caindo. Na primeira semana de maio, exemplificou, foram registrados 2.053 casos em todo o país, número bem inferior aos 16.059 notificados na terceira semana de fevereiro.

Na cidade do Rio, a queda no mesmo período foi de 2.116 para 208 casos.

Mesmo com esse indicativo de queda no número de transmissões, essa polêmica atingiu níveis internacionais.

Especialistas de instituições como as universidades de Oxford, no Reino Unido, Harvard e Yale, ambas nos Estados Unidos, enviaram uma carta à OMS (Organização Mundial de Saúde) dizendo que os Jogos deveriam ser adiados ou transferidos, pois poderiam ajudar a espalhar ainda mais o vírus pelo mundo.

Cientistas brasileiros reagiram, também em carta, a essa hipótese – a OMS, em resposta aos pesquisadores internacionais, também afirmou não ver necessidade de alterar os planos para a Olimpíada.

Para entender melhor os argumentos de cada lado, a BBC Brasil conversou com dois cientistas que participaram da organização das duas cartas. Confira o que eles dizem:

‘Pode haver disseminação rápida do vírus para países pobres, sem sistema de saúde estruturado’ – Arthur Caplan, professor de Bioética e diretor do Departamento de Ética Médica da Universidade de Nova York

Arthur Caplan
Arthur Caplan defende que Jogos sejam cancelados ou transferidos
Image copyright NYU

“A minha maior preocupação é que ainda não entendemos o vírus Zika. Não sabemos quanto tempo ele fica no corpo, ou se estamos lidando com uma cepa nova. Também não compreendemos todas as formas de transmissão ou se ele pode levar à síndrome de Guillain-Barré, que causa paralisia muscular, mas há indícios de que o vírus presente no Brasil seja mais forte.

O vírus já está circulando em 60 países, e tenho quase certeza de que vai se espalhar pela América do Norte e talvez pela Europa durante o verão que se aproxima (no Hemisfério Norte).

Mas há muitos países onde ele ainda não está presente, como Mauritânia, Nepal e Etiópia, que não mantêm um fluxo intenso de turistas para o Brasil, e para os quais a ida de pessoas para a Olimpíada teria mais impacto.

Se você introduzir uma pessoa infectada nesses locais poderia haver a disseminação do vírus de forma muito rápida e intensa, e estamos falando de países pobres da África e da Ásia, sem sistema de saúde estruturado.

Como vão lidar com crianças nascendo com microcefalia? E, mesmo no Brasil, podemos dizer que as famílias de bebês com más-formações estão recebendo toda a assistência de que precisam?

É algo que me preocupa mesmo em países onde não há a presença do mosquito transmissor, já que pode haver a transmissão sexual.

Estou certo de que as autoridades brasileiras e os organizadores estão tentando contornar o problema, e que há o uso de inseticidas e fiscalizações nos locais de competição. Mas eu acho muito otimismo contar tanto com as baixas temperaturas como um fator para a diminuição dos casos. E se fizer calor? O que vão fazer?

Quanto à prevenção, também acho otimista. Sabemos que, apesar de alertar as pessoas para que usem roupas compridas e repelentes, e que façam sexo com camisinha, elas não farão isso, muito menos num clima de festa como uma Olimpíada.

É necessário que haja mais transparência sobre os riscos, para que as pessoas façam decisões mais informadas. A OMS, por exemplo, deveria ser bem mais transparente. Por que não fazem uma reunião aberta, coletiva, convidando cientistas de todo o mundo e também a imprensa internacional?

Mais de 4 mil cientistas de todo o mundo nos escreveram, e a maioria é a favor de adiar os Jogos. Mas é claro que os cientistas brasileiros apoiariam a realização da Olimpíada. Há um grau de nacionalismo, de patriotismo. São cientistas, mas também são brasileiros.

Eu também creio que os organizadores não estejam levando em conta sua responsabilidade legal. Se o Comitê Rio 2016 diz que é seguro para os turistas irem para o Rio, e de alguma forma eles adoecem, ou temos o nascimento de crianças com microcefalia, quem serão os responsáveis? Todos estão sendo otimistas demais, na minha opinião.”

‘É impossível achar que podemos controlar o espalhamento do vírus Zika no mundo cancelando um evento’ – Cláudia Codeço, do Programa de Computação Científica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Cláudia Codeço
Cláudia Codeço defende a continuidade dos Jogos
Image copyright ACERVO PESSOAL

“Nossa justificativa para que os Jogos sejam mantidos na data planejada se baseia em dois fatos. O primeiro é que nos meses de agosto e setembro as temperaturas no Rio de Janeiro são relativamente baixas, e normalmente a transmissão de doenças pelo Aedes aegypti é muito menor.

Nos últimos cinco anos, encontramos entre 7 a 10 casos de dengue para cada 100 mil habitantes no mês de agosto. E nossas pesquisas na Fiocruz mostram que o mosquito tem capacidade mais baixa de transmissão do Zika, então esperaríamos números ainda menores.

Logo, adiar o evento faria com que os Jogos ocorressem mais próximos a meses de calor, o que aumentaria os riscos.

O segundo ponto é a tese de que a vinda de turistas ao Brasil espalharia a doença por todo o mundo. Esse argumento se baseia na premissa de que a zika seja uma doença local, e isso não procede. Já temos evidência de transmissão em mais de 60 países, de acordo com a OMS, e então interferir ou cancelar a Olimpíada não vai impedir que a doença siga se espalhando.

Tanta atenção ao Rio pode até distrair o foco com relação ao hemisfério Norte, que se prepara para o verão, onde podem haver mais casos de zika nos próximos meses.

Quanto aos países mais pobres onde o vírus ainda não circula, pela lógica dos cientistas teríamos que interromper todo o fluxo de pessoas do mundo, já que de acordo com uma pesquisa da revista britânica The Economist o número de pessoas vindo ao Rio em agosto equivale a menos de 1% do total de pessoas que viajarão para outros países no mesmo período.

É impossível achar que podemos controlar o espalhamento do vírus Zika no mundo cancelando um evento, e a Olimpíada é como uma gota no oceano neste cenário.

Também acho interessante que aparentemente o Estado americano da Florida já tenha mais de 800 casos, mas ninguém esteja cogitando fechar os parques da Disney.

Quanto à transmissão sexual, nada indica até agora que o vírus seja altamente transmissível sexualmente, tanto que a doença continua restrita a países onde existe o mosquito como vetor da epidemia.

E sobre as recomendações preventivas, creio que caiba a cada um avaliar o seu próprio risco. Não tem como a gente impor às pessoas que elas se protejam. Temos que garantir que elas estejam bem informadas e tomem suas próprias decisões.

Eu diria que apoio a recomendação da OMS, de que mulheres grávidas deveriam evitar contato com esse vírus no Rio ou em qualquer outro lugar.

É extremamente ofensivo imaginar que nós cientistas faríamos qualquer julgamento científico motivado por fatores políticos. Nós não temos esse tipo de interferência em nenhum momento.”

Rio 2016: Brasil incorpora atletas e apoio militares em busca de mais medalhas

General que comandou missão da ONU no Haiti hoje integra equipe do Comitê Olímpico do Brasil

Segundo o COB, o Brasil tem 428 vagas já garantidas para os jogos. Muitas delas se devem ao fato de o país ser o anfitrião e já ter participação assegurada em diversas modalidades. Até agora ao menos 145 delas já foram preenchidas por atletas específicos.

Segundo o Ministério da Defesa, dos atletas já garantidos 67 são militares – quase a metade do total. A estimativa do COB é que, quando os jogos começarem, os atletas das Forças Armadas representem ao menos 30% do Time Brasil.

O apoio das Forças Armadas começou durante a preparação para os Jogos Mundiais Militares, em 2011.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Como o Brasil era anfitrião dos Jogos, as Forças Armadas realizaram concursos públicos para incorporar atletas profissionais às suas fileiras.

A ideia era que esses civis se tornassem militares para representar o Brasil. Mas a partir daí passavam a receber salário, alimentação, moradia e outros benefícios da carreira militar. Era o PAAR (Programa Atletas de Alto Rendimento).

Os atletas precisavam já ter se destacado em seus esportes e, uma vez incorporados, passavam pelo treinamento militar regular – para depois se dedicar ao treinamento em suas modalidades. Nas Forças Armadas passavam também a ter acesso a instrumentos e instalações esportivas.

Foto: BBC
Investimentos em esportistas teriam sido mais focados em atletas de alto rendimento

‘Topo da pirâmide’

“É uma medida para um momento de necessidade. Dá um grande resultado, mas é mais voltada para o topo da pirâmide”, diz à BBC Brasil a ex-atleta do vôlei Ana Moser, que hoje atua em gestão esportiva. Ela preside o Instituto Esporte e Educação, que atende crianças e capacita professores na área do esporte.

“Temos que criar novos atletas, não só investir nos que existem”, prossegue.

O PAAR teve sucesso nos Jogos Militares e por isso foi mantido. No Panamericano do Canadá (2015), muitos atletas militares se destacaram – e chamaram atenção ao bater continência ao subir no pódio.

O gesto foi alvo de críticas. Mas foi explicado pelas Forças Armadas não como uma determinação, mas sim como uma deferência dos atletas às suas forças.

Na Olimpíada, o programa de treinamento de atletas de alto rendimento almeja ser uma das maiores contribuições das Forças Armadas, junto com as funções de segurança, logística e fornecimento de instalações.

Estratégias do COB

O COB montou uma estratégia para preparar o Time Brasil que tem alguns paralelos com uma operação militar – quanto ao elevado número de detalhes e fatores condicionantes –, disse à BBC Brasil o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, que dirige o Instituto Olímpico (órgão educacional do COB) e o departamento de Comunicação e Educação Corporativa da entidade.

Antes de ir para a reserva, Heleno foi o primeiro brasileiro a comandar a missão de paz da ONU no Haiti e passou por uma série de postos na cúpula do Exército. Ele é um general de Exército, mas não faz parte da ajuda “oficial” das Forças Armadas ao esforço olímpico.

Ao deixar a entidade em 2011, foi convidado por Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, para trabalhar em sua equipe – o general já havia chefiado o Centro de Capacitação Física do Exército, órgão que auxilia na preparação de atletas militares.

Segundo Heleno, a Diretoria de Esportes do COB elaborou uma estratégia de treinamento de atletas que tem alguns pontos básicos.

O primeiro deles é fornecer recursos financeiros para as confederações, com o objetivo de dar aos atletas brasileiros acesso a treinamento de qualidade dentro do Brasil e a campeonatos internacionais – para ganhas vivência e vencer o nervosismo gerado pelas competições de alto nível.

Outro ponto é a estrutura de “ciência do esporte”. Ou seja, montar equipes de apoio formadas por médicos, fisioterapeutas, especialistas em sono e psicólogos – para que os brasileiros não fiquem em desvantagem em relação a equipes estrangeiras que possuem esses recursos.

De acordo com o general, outro fator da estratégia é melhorar as instalações esportivas internas – como com a construção por meio de parcerias público-privadas de instalações como o Parque Olímpico da Barra e o Parque Radical do Rio.

Gestores e técnicos

Foto: BBC
Atletas brasileiros recebem apoio de fisioterapeutas, médicos, psicólogos e treinadores internacionais

O COB identificou também uma lacuna na área da formação de treinadores gestores e equipes de apoio ao atleta. Para fortalecer essa área criou o Instituto Olímpico, o órgão dirigido por Heleno.

O órgão montou um MBA para gestores esportivos e uma academia brasileira de treinadores. Umas das principais ações é trazer ao Brasil técnicos e atletas internacionais para ministrar cursos para os membros do Time Brasil.

Segundo Heleno, essa “preparação científica” dos atletas começou há relativamente pouco tempo.

“Durante muito tempo houve uma ausência enorme de recursos (apesar de) sabermos o que tínhamos que fazer. Hoje temos recursos, estamos buscando aplicar aquilo que nós sabemos que tem que ser feito, mas temos pouco tempo”, diz.

Por outro lado, segundo ele, o treinamento tem sido intenso e o Brasil contará na Rio 2016 com a torcida favorável e uma vantagem numérica, na medida em que tem participação garantida (independentemente de índices olímpicos) em muitas modalidades.

Ausência de programa nacional

Foto: BBC
Image captionEstratégia do COB para preparar esportistas inclui envio de atletas para competições internacionais

Mas tanto Heleno como Ana Moser afirmam que embora tenha havido grande investimento nos atletas profissionais, o Brasil não possui um programa nacional de esportes que fortaleça as categorias de base dos esportes – de onde poderiam surgir novos talentos.

Segundo Moser, o investimentos voltado especialmente aos atletas profissionais aparenta vir tanto de uma necessidade de ter bons resultados nos Jogos como de uma falta de conhecimento dos gestores públicos.

“Não temos uma cultura de disseminação dos esportes, ainda não é uma área importante na visão de muitas pessoas”, disse.

Para Heleno, ao longo do tempo o Brasil subirá na escala de potências mundiais do esporte e a Olimpíada contribuirá principalmente para a formação de recursos humanos e de uma mentalidade olímpica.

Mas Moser ressalta que muitos setores do esporte temem que, após o fim da Rio 2016, os recursos para o esporte voltem a minguar.
BBC

De volta à F1, Renault lança carro, e confirma Magnussen/Palmer em 2016

Batizado de RS16, carro é lançado nas cores preta e amarela, mas pintura poderá mudar para a temporada. Montadora francesa revelou detalhes do ambicioso projeto

Lançamento do carro da Renault para a temporada 2016 da Fórmula 1 (Foto: Reuters)Lançamento do carro da Renault para a temporada 2016 da Fórmula 1 (Foto: Reuters)

A Renault está de volta à Fórmula 1. E nesta quarta-feira, em evento realizado no Centro Tecnológico da companhia em Guyancourt, a sudoeste de Paris, a montadora francesa, que adquiriu a Lotus, revelou seu ambicioso projeto para o retorno à principal categoria do automobilismo mundial.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O carro, batizado de RS16, foi apresentado nas cores preto e amarelo. Segundo a equipe, porém, a pintura será usada nos testes e poderá ser alterada para a temporada. O modelo será pilotado pelo estreante Jolyon Palmer e pelo ex-McLaren Kevin Magnussen, também confirmados como pilotos titulares do time – o dinamarquês ganhou o lugar de Pastor Maldonado de última hora. “Mordida” pelas críticas abertas da RBR aos motores da montadora nos últimos anos, a Renault promete brigar por títulos em um futuro breve.

– Não estamos aqui para fazer número. Estamos aqui para sermos campeões. Já ganhamos diversos títulos como equipe própria e como fornecedor de motores. Então, nós conhecemos o caminho – disse Cyril Abiteboul, diretor administrativo da equipe.

SAIBA MAIS:Pastor Maldonado perde vaga na Renault para Magnussen

 Jolyon Palmer e Kevin Magnussen foram apresentados como titulares da Renault na Fórmula 1 (Foto: Reuters)Presidente Carlos Ghosn apresenta Jolyon Palmer e Kevin Magnussen, titulares da Renault em 2016 (Foto: Reuters)

O evento contou com a participação do brasileiro Carlos Ghosn, presidente da montadora francesa, Jérome Stoll, presidente da divisão esportiva, Cyril Abiteboul, diretor administrativo, e Alain Prost, tetracampeão da F1 e embaixador da companhia.

Além dos carros e dos pilotos, a montadora revelou detalhes de seu projeto na Fórmula 1.

O nome completo da equipe na F1 será Renault Sports Formula One Team.

O francês Esteban Ocon, de 19 anos, será piloto reserva da escuderia. Bob Bell será diretor técnico chefe, Nick Chester o diretor de chassis, e Rémi Taffin, diretor de engenharia.

Como já era esperado, Kevin Magnussen foi anunciado oficialmente. O dinamarquês de 23 anos ganhou a vaga de Pastor Maldonado, após a petrolífera venezuelana PDVSA não chegar a um acordo com a Renault. Magnussen foi titular da McLaren em 2014 e acabou sendo “rebaixado” para reserva com a chegada de Fernando Alonso.

– Estou extremamente motivado após um ano inteiro fora. Pilotei por minha vida toda e estou extremamente com vontade de entrar em um carro de corrida novamente, ainda mais com a Renault. Sem correr no ano passado eu tive mais tempo para treinar e me sinto bem em forma por causa disso. Fisicamente estou pronto. Não passei muito tempo no carro ano passado, mas me sinto bem. Sempre me surpreendi em como me readapto rapidamente a pilotar após um tempo fora do carro. Estou pronto – disse Magnussen.

O outro piloto da equipe será Jolyon Palmer. O britânico de 25 anos já havia sido anunciado quando o time ainda era dirigido como Lotus. Palmer era reserva da escuderia.

– É um projeto empolgante e é incrível estar envolvido desde o início. Foi fantástico ser anunciado como piloto titular de 2016. A magnitude aumentou uma vez que foi confirmado que a Renault havia comprado a equipe e se comprometido massivamente para o futuro. O ano passado estabeleceu uma boa base e todos nós começamos agora uma imensa oportunidade. Ser piloto de uma equipe de uma montadora é tudo que eu poderia sonhar – afirmou Palmer.

A pintura provisória, nas cores preta e amarela, de nada lembra os carros da equipe na década de 1980, primeira passagem da montadora na F1, muito menos dos carros azuis e amarelos da década de 2000, segunda passagem, marcada pelos títulos de Construtores e de Pilotos, com Fernando Alonso, em 2005 e 2006.

Paralelamente, em Enstone, fábrica da equipe  na Inglaterra, houve uma “mini apresentação” de um segundo carro, com a presença de centenas de funcionários que trabalham no local.

Fábrica Renault engenheiros F1 2016 (Foto: Reprodução/ Twitter)Na Inglaterra, houve uma apresentação de um segundo carro para funcionários da fábrica da equipe (Foto: Reprodução)

Foram revelados também detalhes do projeto da Renault no automobilismo em geral e no mercado de carros de rua. Além da equipe de F1, a montadora segue nas pistas com a Renault e.dams na Fórmula E, e continua organizando os campeonatos F-Renault 2.0 e Renault Sport R.S.01 Trophy. Foi anunciada também a criação da Academia Renault Sport, que buscará revelar jovens talentos para a equipe na F1 e demais categorias.

Na Fórmula 1, a Renault, como equipe própria, tem dois títulos de pilotos, com Fernando Alonso, e dois de Construtores (2005 e 2006). Como fornecedora de motores tem outros dez de Construtores, com times como Williams, Benneton e RBR (1992, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997,  2010, 2011, 2012, 2013) e outros nove de pilotos (1992, 1993, 1995, 1996, 1997, 2010, 2011, 2012, 2013).
Globo Esporte.com

Primeira Olimpíada para ‘ciborgues’ é anunciada para 2016

Tetraplégicos serão capazes de participar através de um computador conectado ao cérebro


A primeira Cybathlon, uma Olimpíada para atletas ciborgues, acontecerá na Suíça em outubro de 2016.

O evento terá uma corrida em que competidores controlam um avatar através de um computador conectado ao cérebro, e corridas com atletas que usam próteses e exoesqueletos.

Sediada pelo Centro de Pesquisa de Competência Nacional na Suíça, espera-se que a competição aumentará o interesse em tecnologias que intensificam a performance humana.

A corrida que utiliza um computador conectado ao cérebro através de um capacete, foi desenvolvida para competidores tetraplégicos. A ideia é que o atleta controle um avatar que estará competindo em uma corrida virtual.

Haverão também provas para aqueles que usam próteses de braços e pernas, aqueles com exoesqueletos, e uma com cadeira de rodas.


Muitas pessoas podem andar novamente graças a exoesqueletos

Os dispositivos auxiliares usados pelos atletas, que serão conhecidos como pilotos, podem ser aqueles que já estão disponíveis comercialmente ou protótipos de laboratórios de pesquisa.

Haverão duas medalhas para cada competição, uma para o piloto e uma para a empresa que desenvolveu o dispositivo.

Membros biônicos e exoesqueletos estão se tornando mais desenvolvidos tecnicamente, oferecendo àqueles que os usam movimentos mais realistas.


Na competição haverá também uma corrida de cadeira de rodas

Hugh Herr, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, mostrou algumas das próteses que sua equipe tem trabalhado na conferência do Ted (Technology, Entertainment and Design), em Vancouver, na semana passada.

Ele está no momento em negociações com profissionais de saúde para tornar os membros biônicos mais amplamente disponíveis para aqueles que necessitam.

Muitas vezes, porém, houve uma desconexão entre a tecnologia e os pacientes, disse Robert Riener, organizador do evento, da Universidade da Suíça.


Pilotos com próteses de braço poderão competir

“Nós queremos incentivar o desenvolvimento de dispositivos tecnológicos auxiliaries que podem ser utilizados por pacientes no dia a dia”, disse à BBC.

“Algumas das tecnologias atuais parecem muito impressionantes, mas estão muito distantes de serem práticas e fáceis de usar”, acrescentou.

O outro objetivo dos jogos é permitir que pessoas que nunca tiveram a oportunidade possam competir.

“Nós permitimos o uso de tecnologias que foram excluídas das Paraolimpíadas. Ao tornar o evento publico, queremos nos livrar das barreiras entre pacientes, sociedade e a comunidade da tecnologia”, disse Riener.
BBC