Demanda por energia limpa ameaça uma das regiões mais ricas e férteis na Amazônia


O boom de investidores chineses em 2019 e 2020 desencadeou o caos na extração de Pau-de-balsa no Equador

Poucos meses se passaram desde que de repente, como se nada tivesse acontecido, a chamada febre do Pau-de-balsa arrefeceu no Equador. Mas as consequências de dois anos de extração frenética dessa madeira são visíveis e preocupantes.

A demanda disparou porque investidores chineses, incentivados por um subsídio estatal, chegaram com muito dinheiro em busca de toneladas dessa madeira, usada na fabricação de pás para geradores eólicos.

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A urgência em conseguir a matéria-prima e a falta de controle do governo equatoriano diante das restrições devido à pandemia contribuíram para desencadear o caos, dentre outros territórios, na província de Pastaza, uma das áreas de maior riqueza natural da Amazônia e onde se concentram dezenas de milhares de hectares desta espécie.

O boom do Pau-de-balsa encheu o bolso de muitos, mas também deixou problemas para trás.
A extração frenética dos últimos meses ameaçou o habitat de animais protegidos, aumentou a extração ilegal, precarizou o trabalho e dividiu as comunidades indígenas, afirmam diferentes fontes consultadas pela BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

“Foi um desastre”, descreve Pablo Balarezo, coordenador de economia florestal da Fundação Pachamama, no Equador.

As comunidades indígenas da região, proprietárias ancestrais de muitos dos hectares onde se extrai o Pau-de-balsa, ativistas e empresários pedem ao Estado que intervenha, regularize mais o setor e o proteja dos anos que alguns temem ser irreversíveis.

O Ministério do Meio Ambiente e Águas do Equador realizou operações para interceptar o deslocamento e a exploração ilegal de Pau-de-balsa, mas várias associações acreditam que o esforço não tem sido suficiente. A BBC News Mundo entrou em contato com o ministério, mas não havia recebido resposta até o momento da publicação desta reportagem.
A falta de controle do Estado durante a pandemia e o aumento da demanda causaram a febre do Pau-de-balsa ao longo do Rio Pastaza, na Amazônia equatoriana

O que é o Pau-de-balsa e para que é usado
O Pau-de-Balsa é uma árvore que cresce nas florestas tropicais, em uma altitude entre 300 e 1.000 metros.

“Na América do Sul, você o encontra na Cordilheira dos Andes, na Amazônia, no Peru, na Colômbia, na Venezuela e no Panamá. Ao norte, você encontra o Pau-de-Balsa na Costa Rica e também no sul do México”, diz Ricardo Ortiz, que se dedica à exportação de Pau-de-Balsa há mais de 25 anos.

Do Pau-de-Balsa se obtém uma madeira leve, e cada árvore oferece um rendimento considerável, uma vez que pode chegar a ter entre 25 e 30 metros de altura. Em geral, ela morre aos 6 ou 7 anos, mas “para tirar o máximo proveito, é derrubada aos 3 ou 4 anos, quando sua madeira atinge a melhor qualidade”, explica Balarezo à BBC News Mundo.

A madeira do Pau-de-Balsa é usada principalmente para fabricar pás de geradores de energia eólica.
O Pau-de-balsa fornece uma matéria-prima leve e forte para a construção de pás de geradores de energia eólica

Ortiz conta que à medida que os países mais ricos buscam fontes renováveis ​​de energia, a demanda por Pau-de-Balsa aumentou no Equador.

“Na última década, ela vem crescendo, mas nada se compara ao que aconteceu nos últimos dois anos, desde que a China entrou com força no mercado. O ano de 2020 foi um frenesi. Ficou fora de controle”, afirma ele à BBC News Mundo.

Febre do Pau-de-balsa
Como diz Ortiz, nos últimos anos a China liberou bilhões em subsídios para incentivar a instalação de painéis solares e geradores de energia eólica em todo o país.

Há muitos geradores eólicos a serem fabricados — e, para isso, é necessário muito Pau-de-Balsa.

O Equador é o maior vendedor de Pau-de-Balsa do mundo. Ortiz estima que o país exporte 75% do total dessa madeira para todo o planeta. China, Estados Unidos e Europa são os principais compradores.

“Em 2019 e 2020, eu vi algo sem precedentes nos 25 anos que estou neste negócio. Os chineses vieram com muito dinheiro para comprar todo o Pau-de-Balsa que pudessem. O preço da matéria-prima triplicou. Muita gente pobre que vive nas áreas de maior concentração da espécie ganhou muito dinheiro”, relata Ortiz.
O preço do Pau-de-balsa triplicou durante a febre de extração de 2019 e 2020

O “frenesi” aumentou ainda mais no segundo trimestre de 2020, quando os lockdowns impostos pela pandemia de covid-19 foram relaxados, a China anunciou a redução dos subsídios e os investidores correram mais do que nunca para se apossar da madeira.

O empresário explica que compradores dos Estados Unidos e da Europa adquirem madeira certificada e cumprem com mais rigor os contratos. Os chineses, diz ele, trabalham mais em ondas e operam de forma um pouco “mais desorganizada”, o que também contribuiu para a enxurrada de demanda.

A necessidade de Pau-de-Balsa e seus lucros inegáveis ​​atraíram muito mais participantes para o negócio do que as empresas tradicionais que já atuavam nele.

As comunidades indígenas também tiram uma renda, e “as máfias fora do Equador atuam como intermediárias e lavam dinheiro para explorar o Pau-de-Balsa”, denuncia Balarezo, da Fundação Pachamama.

Por um pedaço de cerca de um metro e meio dessa madeira, se chegou a pagar entre 10 e 12 dólares.

“Juntou tudo. A demanda, os lucros e a falta de controle do governo devido às restrições da pandemia. Ficou uma bagunça”, acrescenta Balarezo.

Um problema ambiental… e social
A extração do Pau-de-Balsa por si só não é um problema grave de desmatamento. Trata-se de uma espécie primária e cresce tão rápido que, onde há uma árvore derrubada, volta a crescer outra que em cerca de quatro anos chega a 20 metros.

A “preocupação”, concordam empresários, representantes indígenas e ambientalistas, é quando sai do controle sem fiscalização estatal suficiente.

“Com o boom, o Pau-de-Balsa foi explorado sem a técnica necessária. Se desperdiçou madeira, e por acidente e desconhecimento, foram derrubadas outras árvores que, sim, são críticas”, explica Balarezo.

Muitas das áreas de Pau-de-Balsa são habitats de animais protegidos, como onças, tartarugas, várias espécies de pássaros e outros mamíferos.

“O desmatamento sem controle ameaça habitats muito delicados. O ecossistema de Pastaza é um dos mais ricos e conservados do Equador. Estamos brincando com fogo”, alerta Balarezo.
Balarezo afirma que a extração indiscriminada de Pau-de-balsa compromete um dos mais ricos e diversos ecossistemas do Equador

O especialista adverte ainda que as máfias camuflam madeiras nobres de outras árvores em caminhões carregados de Pau-de-Balsa.

“Foi algo que documentei e queria denunciar em fevereiro de 2020, mas eles me viram e me ameaçaram com uma arma no peito. Tive que apagar as fotos. Essa gente é muito perigosa.”

‘Divisão e decomposição dentro das comunidades indígenas’
A febre do Pau-de-Balsa tem gerado conflitos e divisões entre as comunidades indígenas que povoam a bacia do Rio Pastaza.

O negócio rendeu dinheiro, “e muitas comunidades indígenas muito pobres, donas do território, estão aproveitando isso”, diz Ortiz.

Mas o dinheiro “corrompe”, e alguns o estão usando “mal”, gerando problemas de dependência química, alcoolismo e “decomposição” social.
À medida que o mundo migra para fontes de energia mais limpas, as áreas que fornecem matéria-prima sofrem com problemas ambientais e sociais

“Muitos jovens indígenas, com o dinheiro do Pau-de-Balsa, vão às cidades gastar em festa. Não é que o capital do extrativismo esteja sendo utilizado com um bom fundo social”, afirma Andrés Tapia, da equipe de comunicação da Confederação das Nacionalidades Indígenas da Amazônia Equatoriana (Confeniae).

No entanto, não é isso que mais preocupa ele.

“Nossa principal ameaça é a divisão social. Gerou muita polarização entre aqueles que queriam trabalhar por necessidade e os que se opunham ao extrativismo. Muitos se manifestaram contra e proibiram a extração, mas outros, por conta própria, ignoraram esses pronunciamentos”, conta Tapia.

Fonte de renda, mas também de precarização
Balarezo e Tapia reconhecem que o boom de Pau-de-Balsa foi uma importante fonte de renda para muitas famílias, mas também admitem que levou à precarização do trabalho.

“Em muitas ocasiões, as negociações são feitas diretamente com as comunidades indígenas, e estas, por não terem alternativas, aceitam condições injustas”, relata Balarezo.

“É verdade que pagam a eles pela madeira, mas se você levar em conta todo o esforço de mão de obra, o que eles recebem não é justo. Os intermediários que levam o Pau-de-Balsa para cidades como Guayaquil e Quevedo ficam com a maior parte”, acrescenta.
Setores da comunidade indígena extraem a madeira do Pau-de-balsa, que é transportada por intermediários até as grandes cidades para ser exportada

“Meus trabalhadores são formalizados, mas a extração em massa no oriente pelos indígenas não está regularizada de forma alguma”, denuncia Ortiz.

A falta de controle e a penetração de intermediários de cidades grandes em um ano de pandemia também fizeram com que o novo coronavírus se propagasse fatalmente entre as cidades amazônicas, acrescenta Tapia.

Oportunidade econômica, mas se o Estado intervir
Em meio ao que muitos consideram uma crise ambiental e social, as fontes consultadas pela BBC News Mundo concordam que, sendo controlada e administrada pelas autoridades, a exploração de Pau-de-Balsa pode ser uma importante oportunidade econômica.

É verdade que o boom de 2020 já passou, mas por isso mesmo acredita-se que seja o momento ideal para planejar essa atividade.

As principais potências estão buscando obter fontes de energia renováveis ​​e reduzir progressivamente a sua pegada de carbono.
Com investimento e controle, as fontes consultadas pela BBC News Mundo acreditam que a exportação de Pau-de-balsa é uma grande oportunidade econômica para o país

“Diante de tanta demanda, uma árvore como o Pau-de-Balsa, que se regenera rápido, pode oferecer muita rentabilidade sem comprometer gravemente o meio ambiente”, sinaliza Ortiz.

“Se o Estado controlar e a extração de madeira for feita de forma sustentável e amigável, é uma grande oportunidade. Por isso, estamos tentando promover o Pau-de-Balsa amazônico em áreas degradadas e assim diminuir a pressão em territórios que sofreram muito”, diz Balarezo.

Ortiz também pede mais investimentos em infraestrutura.

“A Europa e os Estados Unidos vêm comprando há muito tempo, mas não é que se tenha investido muito no país. É verdade que são necessários dezenas de milhões para plantar e construir, mas a rentabilidade poderia ser espetacular”, afirma o empresário.

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Governo do Reino Unido suspende novos subsídios para parques eólicos em terra

Decisão chega quatro anos depois que ministros dispensaram o apoio a novos projetos.

Os planos para renovar o apoio à energia eólica em terra foram delineados para os ativistas verdes pelos assessores de políticas no n ° 10. Fotografia: Murdo MacLeod / The Guardian

O Reino Unido abandonou sua oposição ao subsídio de novos parques eólicos em terra, quatro anos depois que os ministros dispensaram o apoio a novos projetos.

O governo removerá um bloqueio aos projetos eólicos onshore, permitindo que os esquemas concorram por subsídios, juntamente com os desenvolvimentos de energia solar e os projetos eólicos offshore flutuantes, em um novo esquema de leilão anunciado na segunda-feira.

Apenas um novo parque eólico onshore começou sob as políticas atuais do Reino Unido em 2019

A inversão de marcha segue a promessa do governo de reduzir as emissões para praticamente zero até 2050, um feito que seus consultores oficiais de clima acreditam que exigirá que a capacidade de energia eólica em terra do Reino Unido triplique nos próximos 15 anos.

O leilão será realizado em 2021, permitindo que novos projetos de energias renováveis ​​entrem em funcionamento a partir de meados da década de 2020 se eles conseguirem um contrato que garanta um preço pela eletricidade limpa que geram.

Alok Sharma, secretário de Estado de negócios e energia, diz que acabar com a contribuição do Reino Unido para a crise climática “significa tornar o Reino Unido um líder mundial em energia renovável”.

O governo fará isso “de uma maneira que funcione para todos, ouvindo as comunidades locais e dando-lhes voz efetiva nas decisões que os afetam”, disse Sharma.

Os desenvolvedores de parques eólicos precisarão cumprir novas propostas difíceis, com o consentimento da comunidade, para se qualificar para o processo de leilão. Aqueles que desejam construir um parque eólico na Inglaterra também precisarão do consentimento da comunidade local através dos códigos de planejamento existentes.

Alethea Warrington, ativista da organização de mudanças climáticas possível, disse: “Podemos finalmente comemorar a nova fonte de energia mais barata do Reino Unido – a energia eólica em terra – sendo trazida do frio.

“Como nossa fonte mais barata de energia limpa, o vento onshore é extremamente popular entre as pessoas no Reino Unido, que entendem que precisamos usar todas as ferramentas incluídas na caixa para enfrentar a crise climática”.

As políticas de energia existentes levaram a um declínio acentuado no número de novos parques eólicos em terra desde que o bloqueio contra parques eólicos em terra foi implantado por David Cameron em 2016.

A implantação de novos projetos eólicos em terra caiu para o nível mais baixo desde 2011 no ano passado, alertando que o Reino Unido arriscou perder seus objetivos climáticos.

O executivo-chefe da Scottish Power, Keith Anderson, disse que a decisão de apoiar a energia eólica em terra foi “um dos primeiros sinais claros de que o governo realmente quer dizer negócios” para atingir suas metas climáticas.

“O vento em terra é uma ferramenta crucial para combater as mudanças climáticas – é barato, é limpo e é rápido de construir. Como desenvolvedor responsável, trabalhamos duro para garantir o apoio das comunidades locais.”

O Guardian revelou no final do ano passado que a Scottish Power havia iniciado planos para uma grande expansão de projetos de parques eólicos em terra, totalizando 3GW de nova capacidade em toda a Escócia, em antecipação a uma inversão de marcha do governo no apoio a projetos de energia eólica.

Hugh McNeal, executivo-chefe da Renewable UK, disse que a mudança ajudaria a acelerar a transição do Reino Unido para uma economia líquida zero e proporcionaria um “enorme impulso para empregos e investimentos nas economias locais em todo o Reino Unido”.

“O apoio a fontes renováveis ​​baratas é um exemplo claro da ação prática para combater as mudanças climáticas que o público exige”, afirmou.

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Descarte de geradores eólicos; um grande problema ambiental

A Alemanha possui mais de 28.000 turbinas eólicas – mas muitas são antigas e, em 2023, mais de um terço deve ser desativado. Eliminá-los é um enorme problema ambiental.

DW: Dr. Tessmer, o descarte de turbinas eólicas é extremamente difícil. Suas bases de concreto atingem a profundidade de 30 metros no solo e são difíceis de remover completamente, enquanto as pás do rotor contêm fibras de vidro e carbono – elas emitem poeira e gases tóxicos, e queima-las não é uma opção. Alguns ambientalistas dizem que esse problema está sendo varrido para debaixo do tapete, o que você acha?

Jan Tessmer: Na verdade, acho que tudo é relativo. Claro que é um problema e, é claro, você não recebe nada de graça, mas sempre precisa vê-lo em relação, quais são os valores que obtém da turbina eólica e acho que sim, alguns esforços devem ser feitos de forma eficiente, e também sem danos ao meio ambiente, obter as turbinas recicladas ou fora do solo.

Existem enormes fundações concretas que precisam ser divulgadas, mas não vejo nenhum problema principal que não possa ser superado. Provavelmente será um desafio para a tecnologia. Será realmente um problema nos próximos anos e décadas provavelmente tirar as turbinas antigas do campo, então espero que a indústria encontre tecnologias para lidar com isso.

A dificuldade de descartar turbinas eólicas está prejudicando a reputação da energia eólica como fonte de energia verde?

Sim claro. Na verdade, acho importante que encontremos boas tecnologias para reciclagem, porque as turbinas eólicas são pioneiras em tecnologias de energia verde, e seria uma pena se também não conseguirmos encontrar tecnologias verdes e ecológicas para reciclá-las. Mas como eu disse, acho que é apenas uma questão de tempo para desenvolvê-las e estou bastante confiante de que a imagem das turbinas eólicas pode ser mantida como uma tecnologia verde.As turbinas eólicas representam um grande problema ambiental quando se trata de descartá-las.

Você acha que a próxima geração de turbinas eólicas será mais ecológica?

Eu provavelmente pensaria que as turbinas mais modernas são fabricadas com o objetivo de ter mais produção de energia e, 20 anos depois, quando essas turbinas estão no fim de sua vida, os pesquisadores encontram as tecnologias certas para sua reciclagem. Eu acho que esse é apenas o caminho natural. Mas não acho que as turbinas modernas sejam mais ecológicas do que as mais antigas. Acho que não, mas é apenas uma opinião.

Você acha que a energia eólica é a tecnologia mais ecológica que temos atualmente?

Isto é muito difícil. Eu acho que é realmente uma das tecnologias mais ecológicas que conheço. Devo admitir que não conheço todas as outras possibilidades em detalhes, mas na verdade também não conheço nenhuma tecnologia de produção de energia que seja mais ecológica que a energia eólica. Quero dizer, se você pensa em energia da água, é claro que parece à primeira vista talvez mais verde.

Mas, por outro lado, se você tem barragens enormes, também é um monte de material colocado diretamente na natureza. E se você compará-lo com o PV – fotovoltaico – por exemplo, acho que há muito mais energia química colocada dentro antes que eles possam se ativar, então sim, acho que a energia eólica é bastante eficiente.

O cálculo muito fácil é quanta energia tenho que colocar no processo de produção de uma turbina combinada com quanta energia tenho que colocar no processo de produção de células solares, por exemplo, e as comparações são muito boas para a energia eólica , o que significa que precisamos de muito pouca energia para produzir uma turbina eólica e a maturação é bastante rápida.

10.300 das mais de 28.000 turbinas eólicas da Alemanha devem ser desativadas até 2023, diz o projeto DemoNetXXL

Como você avalia o apetite do governo alemão atualmente por energia eólica?

É uma pergunta difícil de responder, porque sempre pode ser mais. Acho que o governo está impulsionando essa tecnologia, acho que eles sabem muito bem que essa é uma tecnologia que pode nos ajudar na Alemanha a estar na frente do desenvolvimento e realmente querem que continuemos com essa tradição.

Por outro lado, sempre há questões em que reclamamos e vemos possibilidades de que o governo possa pressioná-lo ainda mais. Mas, em comparação com outros países, acho que o governo alemão faz um bom trabalho.

Você acha que os ambientalistas ainda são em sua maioria pró-energia eólica ou você acha que houve um empecilho em relação às dificuldades no descarte de turbinas eólicas?

Eu acho que temos cada vez mais problemas com a questão da aceitação. Eu não diria que é por causa da questão do descarte, acho que é mais sobre questões como ruído ou efeitos de raios durante a noite, que as pessoas se sentem perturbadas. Eu não acho que as pessoas pensam muito sobre a questão do descarte, embora possa ser importante e também acho que precisamos resolver esse problema.

Do meu ponto de vista, o que sinto pela publicidade, não exerço muita pressão sobre esse fato [descarte de turbinas eólicas]. Não temos nenhum projeto nisso e, de fato, é um espelho da situação da necessidade que é comunicada. Se as pessoas acharem que é uma tarefa muito necessária fazer [pesquisas sobre descarte de turbinas eólicas], elas nos pedirão projetos para fazê-lo e faremos isso. Somos uma organização de pesquisa com financiamento público e achamos que é nossa missão trabalhar nos tópicos solicitados. Mas como esse problema não é muito tratado, ainda não fizemos nada. Isso pode mudar.

Um boom de energia renovável está mudando a política do aquecimento global

Nos últimos anos, Dewey Engle, um trabalhador aposentado de 81 anos que mora nos arredores de Tahoka, uma pequena cidade agrícola no oeste do Texas, adquiriu uma nova visão de sua varanda dos fundos.

Dezenas de turbinas eólicas zumbem 300 pés sobre os campos de algodão atrás de sua casa. Algumas pessoas podem ficar perturbadas com a chegada repentina de máquinas tão monstruosas praticamente em seu jardim. Engle diz que seu único problema com eles é que eles não estão em seu modesto pedaço de terra, de modo que ele não recebe royalties. “Eu adoraria receber esse dinheiro”, diz ele. “Gostaria de ter dez deles.”

O parque eólico de Tahoka é de propriedade da Orsted, uma empresa dinamarquesa de energia que entrou no mercado americano há menos de dois anos. É composto por 120 turbinas, cada uma capaz de gerar energia suficiente para 1.000 residências. Na porta seguinte, Sage Draw, outras 120 turbinas ainda estão sendo montadas e conectadas à rede do Texas. O Fracking, outro setor que transformou partes do oeste do Texas na última década, agora está com problemas. Mas as pás da turbina não param de girar. Dirija de Lubbock a Sweetwater e, durante quase toda a jornada, o horizonte está repleto de moinhos de vento em todas as direções. A grande maioria foi apresentada nos últimos dez anos. O Texas agora atende a 20% de sua demanda considerável de eletricidade com o vento. Se fosse um país, o Lone Star State seria o quinto maior do mundo em sua produção de energia eólica.Energia,Renovável,Solar,Eólica,Blog do Mesquita

Curiosamente, o boom de energia renovável da América tem sido mais forte em estados controlados pelos republicanos como o Texas. Lugares controlados por democratas como Nova York têm políticas destinadas a atrair investimentos, por exemplo, promessas de que os governos estaduais comprem apenas energia verde. Mas o Texas tem muito vento e sol e muito menos Nimbys. O presidente Donald Trump, que gastou uma pequena fortuna tentando combater um parque eólico à vista do seu clube de golfe escocês, evidentemente não suporta turbinas. Em comícios, ele gosta de reclamar sobre como eles matam pássaros. Mas para muitos de seus apoiadores, principalmente nas áreas rurais, turbinas eólicas e painéis solares são um impulso para as economias em dificuldades. No Condado de Lynn, do qual Tahoka é a sede, 77% das pessoas votaram em Trump. O boom poderia convencer os republicanos de que a descarbonização pode ser uma oportunidade econômica, não apenas um custo?

Nos últimos anos, turbinas surgiram nas planícies americanas; proporcionalmente, Kansas e Oklahoma dependem mais do vento do que o Texas. Há alguns anos, uma das categorias de trabalho que mais crescem nos Estados Unidos é o “técnico de turbinas eólicas”. Nem o boom está confinado ao vento. O investimento está sendo investido em usinas solares e sistemas de bateria, especialmente no sudoeste banhado pelo sol. O crescimento do número de instaladores de painéis solares ultrapassou o dos técnicos de turbinas eólicas. Em conjunto, a energia solar e eólica representam 55% da nova capacidade de geração de eletricidade adicionada a cada ano, de acordo com a Associação de Indústrias de Energia Solar, um grupo da indústria. Como as usinas de carvão estão fechando mais rápido do que as de gás, a capacidade geral de combustíveis fósseis está diminuindo.Tecnologia,Energia Eólica,Ciêcia,Energia,Meio Ambiente,Blog do Mesquita 01

O que precipitou esse boom? As políticas federais ajudaram – o vento se beneficiou de um crédito de imposto de produção por décadas, apesar de expirar nos próximos anos. Um crédito fiscal de investimento solar continuará. Mas as políticas locais também ajudaram. O Texas tem sua própria rede de eletricidade, administrada pela ercot, uma empresa estatal. Nos anos 2000, o lobby de políticos no oeste do estado levou-o a criar um fundo para construir uma nova rede de linhas de transmissão, o que possibilitou aos produtores de energia eólica fornecer energia à rede a partir de partes remotas, mas com muito vento do estado. As mesmas linhas agora estão ajudando a aumentar a energia solar, diz Dan Woodfin, da ercot. Ele diz que, há dez anos, ele não acreditava que o sistema seria capaz de lidar com tanta energia renovável quanto agora; no pico, 55% da eletricidade do Texas é fornecida pelo vento.

No entanto, o maior impulsionador foi simplesmente o baixo custo e a alta demanda. O custo de turbinas eólicas e painéis solares caiu vertiginosamente. E em locais rurais como o Texas (ao contrário de partes mais densamente povoadas do país), os royalties pagos pelo uso da terra são importantes o suficiente para que os proprietários de terras e os governos locais detenham a oposição. Enquanto isso, um número crescente de grandes empresas deseja comprar eletricidade verde para reduzir suas próprias emissões de carbono, o que significa que os produtores podem empacotar suas energias renováveis ​​para vender com contratos virtuais de fornecimento de energia.

Todo esse crescimento começará a mudar atitudes em relação às mudanças climáticas? Por enquanto, o Texas tem cerca de 35.000 empregos em energia solar e eólica. O número cresceu rapidamente, mas dez vezes esse número ainda está em combustíveis fósseis. O Texas é o maior produtor de emissões de carbono da América. Portanto, talvez não seja surpreendente que seu governador, Greg Abbott, tenha sido cético quanto à humanidade ter muito a ver com o aquecimento global. Muitos políticos republicanos, como o senador Chuck Grassley, de Iowa, mostram que é perfeitamente possível ser um defensor entusiasmado da energia verde em seu distrito, enquanto ainda negam que a mudança climática em geral exija qualquer resposta política nacional.Ambiente,Carvão,Energia,Poluição,Aquecimento Global,Blog do Mesquita

Mas a mudança para uma energia mais verde está mudando algumas mentes. Curt Morgan, CEO da Vistra Energy, uma das maiores empresas de eletricidade do Texas, que gera e vende eletricidade, diz que sua empresa passou de contar com carvão para cerca de 70% de sua geração para menos da metade agora. Todos os novos investimentos da Vistra são em energia renovável, e a empresa agora apóia um imposto sobre o carbono, que Morgan diz ser a melhor maneira de incentivar empresas como a dele a deixar de poluir o carbono. A ExxonMobil, uma gigante de combustíveis fósseis com sede no estado, é outro proponente da idéia.

No entanto, isso convencerá os republicanos? Morgan diz que acha que o partido está indo na direção certa. Eles deixaram de ser “apenas diga que não há partido sobre mudança climática para um partido que reconhece que é um problema”, diz ele. Mas, ele acrescenta, o progresso é lento. “Os políticos têm um problema – eles precisam ser reeleitos.” Em fevereiro, os republicanos da Câmara dos Deputados propuseram reduzir as emissões criando um crédito fiscal para o seqüestro de carbono e incentivando o plantio de árvores. Apesar da modéstia, o plano foi imediatamente denunciado como capitulação por alguns grupos à direita. O Partido Republicano corre o risco de ser deixado para trás defendendo indústrias antigas, mesmo quando novas as varrem.