Quando tudo for privatizado, o povo será privado de tudo e o Amapá é prova disso

Esse título parece apenas um impactante slogan visto em cartazes nas mais diversas manifestações pela América Latina.

Antes fosse! A população do Amapá está vivendo, na prática, as consequências de quando o Estado transforma sua responsabilidade em mercadoria e entrega serviços essenciais à Iniciativa privada.

A prática do empresariado brasileiro é rotineira: ao invés de fazer investimentos em tecnologia/modernização e a partir disso consolidar seus negócios, esperam que o Estado construa empresas do zero, desenvolva as técnicas necessárias para execução daquela atividade, forme profissionais e estabeleça um patrimônio, apenas então, se desperta no empresariado o interesse por aquela atividade que durante décadas foi ignorada. Quando se esforçam muito, seus negócios nascem de grandes empréstimos oriundos de bancos estatais. A janela de oportunidade estava lá, não investiram porque é mais fácil esperar que o Estado faça e depois abocanhar o bem público.

Os exemplos são diversos no tempo e no espaço, certamente, o mais famoso é o caso da Petrobrás, que sempre está na mira dos privatistas. Essa empresa pública nasceu em 1953, precisamente pelo interesse do Estado Brasileiro em garantir autonomia na produção de energia para o país. A primeira concessão a particulares para prospecção de petróleo e folhelhos betuminosos no Brasil aconteceu em 1858, quase um século se passou e nenhum avanço significativo para essa atividade nasceu por ações da iniciativa privada. No entanto, desde a criação da Petrobrás e o profundo investimento na área, a empresa despertou a ganância do empresariado parasita brasileiro.

Muito se fala do grande (porém, questionável) avanço da telefonia e atribuem isso à privatização do setor. O que se esconde nesse exemplo, é que o Estado fez um brutal investimento pouco antes da privatização da telefonia, garantindo um ambiente seguro para que empresários extorquissem o povo com tarifas altíssimas e péssimos serviços. No primeiro mês após a privatização, a tarifa de telefone aumentou 17% e hoje, a ampla maioria dos processos em defesa dos direitos do consumidor são contra empresas do setor. Nossa cobertura de internet e sinal de celular é péssima, cara e restrita. Uma das piores do mundo.

A Vale do Rio Doce, além de ser entregue praticamente de graça (com 700 milhões de reais em caixa, diga-se), ainda se tornou uma empresa assassina. O rompimento de duas barragens matou centenas de pessoas e comprometeu a qualidade de vida de outras milhares. Todos esses eventos, obviamente, após a sua privatização em 1998. Além da irrestrita fuga de capitais, a empresa não tem nenhum compromisso com o meio ambiente, com a qualidade de vida das populações diretamente impactadas por suas atividades e não responde judicialmente à altura pelos crimes que cometeu, crimes causados por manipulações de relatórios de inspeções em barragens.

Por fim, temos o apagão elétrico no estado do Amapá. A empresa Isolux, contratada para executar serviços que garantissem o fornecimento de energia elétrica daquela unidade da federação, simplesmente não tinha conhecimento, preparo, nem vontade de cumprir o compromisso firmado. Para piorar, a empresa sequer possuía transformador reserva! A tese de que um raio foi responsável pelo incêndio que destruiu o transformador foi descartada, a polícia civil do Amapá afirma que o fogo começou em uma bucha do transformador.

Não é exagero dizer que seremos privados de tudo! No Amapá, mais de 700 mil pessoas foram privadas de fornecimento de energia elétrica por quase um mês. As famílias vítimas dos crimes da Vale do Rio Doce foram privadas de suas moradias, atividades laborais, e no caso de 291 delas, foram privadas do direito máximo de qualquer ser humano: o direito à vida! O setor privado não tem outro interesse que não o lucro, e para alcançar seus objetivos sacrifica sonhos, esperanças, economias locais, meio ambiente, culturas, futuros e vidas.

Toda corrupção que existe nas estatais está intimamente ligada às pressões econômicas que a iniciativa privada exerce sobre funcionários públicos, que na maior parte das vezes, não são de carreira, mas sim que foram indicados por políticos que tiveram suas campanhas financiadas por grandes empresas. A resposta para evitar tais práticas não é a entrega do bem público para aqueles que já concentram riqueza e deixam o Brasil com a marca de uma das maiores desigualdades sociais do planeta. Ao contrário, é dando maior transparência e garantindo mais participação da sociedade que as pressões do mercado financeiro não serão capazes de corroer a execução dos serviços pela administração pública.

É bom também lembrar, que não queremos apenas a garantia de que empresas públicas permaneçam públicas, não defendemos o capitalismo de Estado. A nossa luta é para garantir que a classe trabalhadora administre coletivamente as atividades produtivas. O controle social das empresas já existe, e é exercido por uma elite econômica que atende exclusivamente seus próprios interesses, por isso é importante que o controle social das empresas públicas seja exercido pelos trabalhadores e trabalhadoras.

Mesmo com o desastroso histórico da política de privatizações, ou melhor, projeto de entrega das riquezas nacionais para a iniciativa privada, o governo pretende estender as privatizações a empresas essenciais como Correios e Eletrobrás. O resultado será um desastre e a experiência nos permite fazer essa afirmação.

Se a máquina privatista continuar esmagando os direitos do povo brasileiro, o que hoje vive o Amapá será experimentado por todo o Brasil, que na verdade não é bem uma novidade, já que no governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso os apagões elétricos eram constantes por todo o território brasileiro. E quem vai pagar essa conta? O povo brasileiro! Podemos fazer uso das célebres palavras de Celso Furtado para definir o modelo de privatizações no Brasil, é um impiedoso sistema de “Privatização dos lucros e socialização dos prejuízos”.

Sem luz, Macapá tem eleição adiada

Atingida por apagão, cidade ainda não teve fornecimento de energia totalmente restabelecido. Justiça decide adiar votação, por dificuldades em garantir a segurança do pleito.

Incêndio na principal subestação de energia do estado atingiu transformadores, e não havia peças de reposição.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, atendeu na madrugada desta quinta-feira (12/11) um pedido do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) e decidiu pelo adiamento das eleições para prefeito e vereador na capital Macapá. Nos outros municípios do estado, a votação ocorrerá normalmente no próximo domingo. A decisão para Macapá vale para o primeiro e segundo turnos.

No início do mês, o estado passou a enfrentar graves problemas no abastecimento de energia após um incêndio numa subestação de Macapá. O apagão atingiu 13 das 16 cidades do estado, afetando mais de 700 mil pessoas. Inicialmente, a região ficou mais de três dias sem energia. Aos poucos, o fornecimento foi sendo restabelecido, mas ainda vigora um rodízio.

Pela decisão de Barroso, o adiamento do pleito em Macapá vai vigorar até que sejam restabelecidas “as condições materiais e técnicas para a realização do pleito, com segurança da população”. A nova data para realização do pleito em Macapá deverá ser fixada em interlocução entre o TRE e o TSE.

Em sua decisão, o presidente do TSE destacou que o relato do presidente do TRE-AP “retrata situação que permite concluir que, na capital, Macapá, não há segurança adequada para a realização das eleições”.

Segundo o ministro, informações de outros órgãos, como Polícia Federal, mostraram “consenso acerca dos riscos da realização das eleições neste domingo”.

“Fatos extraordinários e imprevisíveis tornaram inviável a realização de eleições em Macapá, já que ainda não foi restabelecido o regular fornecimento de eletricidade no município e o efetivo da Polícia Militar não se mostra suficiente para garantir a segurança dos eleitores. Nesse contexto, não é legítimo exigir que a população de Macapá seja submetida ao sacrifício extremo de ser obrigada a comparecer às urnas em situação de calamidade pública, reconhecida por decreto municipal, e, ainda, de risco à segurança”, aponta a decisão.

No pedido apresentado ao TSE no início da noite desta quarta, o presidente do TRE-AP, Rommel Araújo, afirmou que se reuniu com representantes da área de inteligência da Abin, Exército Brasileiro e da Polícia Rodoviária Federal, que relataram, em razão do retorno gradual da energia, “ações de vandalismo, algumas delas dirigidas e coordenadas por membros de facções criminosas”.

Além disso, segundo Barroso, “parte da população, que sofre com o desabastecimento de água e falta de energia elétrica, está sendo incitada à realização de queima de pneus em via pública, bem como a depredarem o patrimônio público”. Ele destacou ainda a previsão de “várias manifestações (…) sendo convocadas para demonstração de desagrado em frente aos locais de votação, o que colocaria em risco os eleitores da Capital”.

O presidente do TRE-AP ainda havia destacado que o efetivo da Policia Militar estava reduzido por conta de policiais que testaram positivo para a Covid-19.

Nas demais cidades do Amapá, apontou Barroso, “a situação de segurança do eleitor poderá ser mantida sob controle, com o aparato de segurança atualmente disponível”.

Na quarta-feira, a Polícia Civil do Amapá descartou que um raio tenha causado o incêndio na subestação de Macapá. Um laudo prelimitar apontou que as chamas começaram após uma peça de um transformadores superaquecer.

JPS/tse/ots

Mudanças climáticas: Por que o futuro livre de carbono do Reino Unido precisará de regras

Um plano de 10 pontos com o objetivo de colocar o Reino Unido no caminho para uma economia de emissões zero deve ser revelado pelo primeiro-ministro nas próximas semanas.

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Os discursos anteriores de Boris Johnson sobre mudança climática deram a impressão de que o problema pode ser amplamente resolvido pela tecnologia – uma explosão nuclear, uma rajada de hidrogênio, uma rajada de vento offshore, uma porção de captura e armazenamento de carbono.

Mas um porta-voz do governo disse que todos precisamos “trabalhar juntos e fazer nossa parte”.

E especialistas alertam que o problema é fenomenalmente complicado – apresentando desafios nunca vistos antes.

Lidar com as mudanças climáticas, dizem eles, vai precisar de ação em toda a sociedade e na economia – com uma série de novos incentivos, leis, regras, proibições, padrões de eletrodomésticos, impostos e inovações institucionais.

Vamos examinar alguns dos problemas …

Eletricidade solar

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Poucos desafios do Reino Unido são tão complexos ou estranhamente maravilhosos quanto o futuro sistema elétrico, no qual milhões de geradores e usuários de energia comercializarão uns com os outros pela Internet.

Centenas de milhares de locais já estão gerando energia – de proprietários de casas com um único painel solar no telhado à poderosa estação de energia Drax, em North Yorkshire, com seus polêmicos aquecedores de madeira, a gigantescos parques eólicos flutuando no mar.

Está muito longe da década de 1990, quando a energia era fornecida em uma rede simples dominada por algumas dezenas de usinas movidas a carvão

Nos próximos anos, milhões de pessoas desejarão vender a energia que estão gerando em seus telhados.

Precisaremos de eletricidade extra porque os carros funcionarão com baterias e as casas serão aquecidas por bombas de calor (que funcionam como geladeiras ao contrário para sugar o calor do solo ou do ar). Eles não poluem, ao contrário das caldeiras a gás.

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Mas esse não é o fim da história.

Sim, os carros elétricos aumentarão a demanda – mas também aumentarão o armazenamento de energia. Baterias de carros inteligentes serão programadas para carregar quando a eletricidade for mais barata, no meio da noite.

Os carros podem então armazenar a energia e vendê-la de volta à rede com lucro quando for necessário, na hora do chá. Em outras palavras, possuir um carro pode realmente gerar dinheiro para você.

E aqui está outro pedaço de estranheza. Máquinas de lavar inteligentes já podem ligar-se para tirar proveito da eletricidade barata e fora do horário de pico.

Você economizará ainda mais dinheiro ao permitir que uma mão invisível desligue brevemente seu freezer inteligente bem isolado para economizar energia em horários de pico de demanda.

Isso ajudará a economizar sua empresa de energia gerando mais eletricidade, então você receberá um pouco por isso. É chamado de gerenciamento de demanda.

Mas como esses milhões de geradores, usuários, evitadores e armazenadores de energia conseguirão negociar uns com os outros? Como os sistemas elétricos lidarão com esse nível de complexidade destruidora de cérebros?

Guy Newey, do grupo de reflexão Energy Systems Catapult, avisa: “Há imensas oportunidades em nosso futuro energético.

“Mas pensar na complexidade inacreditável é um desafio realmente difícil – e não está claro se alguém ou qualquer organização no Reino Unido tem a responsabilidade de fazer isso.”

Regras para um futuro zero carbono

Uma coisa que está absolutamente clara é que o futuro livre de carbono do Reino Unido precisará de regras.

Os padrões da UE para eletrodomésticos como geladeiras e aspiradores de pó são uma história de sucesso de energia desconhecida. Eles obrigam os fabricantes a fazer produtos que realizam uma tarefa com menos energia.

Isso significa que, embora o preço da eletricidade tenha subido, as contas dos consumidores caíram, porque eles estão usando menos.

Libby Peake, do think-tank Green Alliance, disse: “Os padrões dos produtos reduziram a pegada de carbono do Reino Unido e economizaram uma família média de pelo menos £ 100 por ano em suas contas de energia.”

Mas ela avisa que produtos de má qualidade estão caindo no mercado porque não há funcionários de padrões comerciais suficientes para fazer cumprir as regras.
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Financiando um futuro Net Zero

Finanças é outra área que requer atenção. De acordo com a Vivid Economics, a Agência de Crédito de Exportação do governo – que subscreve projetos financiados pelo Reino Unido no exterior – está investindo £ 2 bilhões em empreendimentos de petróleo e gás.

A Climate Coalition de grupos verdes diz que isso não se encaixa nas prioridades do Reino Unido.

Enquanto falamos de dinheiro, o governo está sendo instado a reconsiderar suas prioridades para projetos de infraestrutura caros.

Alguns ambientalistas argumentam que, dado todo o concreto necessário para os trilhos e túneis, o HS2 não será neutro em carbono até 2050. Eles querem que seja descartado.

O HS2 diz que vai economizar emissões a longo prazo, mas ambientalistas dizem que está desviando £ 100 bilhões de causas mais eficazes.

Há uma disputa semelhante sobre o programa governamental de construção de estradas de £ 27 bilhões.

Um estudo – fortemente contestado pelo Departamento de Transporte – estima que 80% da economia de CO2 dos carros elétricos será anulada pelas estradas planejadas.

O governo diz que está realizando o maior aumento já feito na Inglaterra para ciclistas e pedestres, mas os verdes dizem que os ministros não deveriam fazer nada que prejudique a batalha contra o aquecimento climático.

Eles dizem que, quando se trata de infraestrutura, o isolamento residencial oferece, de longe, a melhor relação custo-benefício, com o maior número de empregos.

Enquanto isso, o setor financeiro privado do Reino Unido é um dos maiores financiadores mundiais de combustíveis fósseis. O ex-presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, pediu aos financistas que revelassem seus ativos em indústrias sujas porque representam um risco para os negócios em um mundo de baixo carbono.

A Climate Coalition quer que os banqueiros dêem mais um passo para eliminar ativamente as empresas poluentes de suas carteiras.

Kate Levick, do think tank e3g, me disse: “Há uma urgência real nisso. As empresas financeiras estão financiando projetos hoje que contribuirão para as emissões em 30 anos.”

Ela está convocando o governo a legislar para fazer a transição acontecer.

A coalizão também quer que o Tesouro estabeleça um plano de financiamento do clima para mostrar como os ministros irão financiar a transição líquido-zero no Reino Unido.

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Estradas, trilhos e casas

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Então, finalmente, para nós.

O porta-voz do nosso governo diz que concorda “de todo o coração” com o espírito de maior envolvimento dos cidadãos em torno da mudança climática recomendado pela recente Assembleia dos Cidadãos do Reino Unido – um grupo reunido para considerar como fazer mudanças com o mínimo de dor.

Ele sugeriu que as famílias precisarão isolar suas casas e, eventualmente, se livrar das caldeiras de gás poluentes.

Que devemos comer menos carne e laticínios gradualmente.

Acordou que algumas viagens agora feitas de carro devem ser feitas a pé ou de bicicleta – e que a venda de novos carros a gasolina e diesel deve ser encerrada em breve.

E queria que os passageiros frequentes tivessem as asas cortadas.

Mas até que ponto o plano de dez pontos do primeiro-ministro explicará que as pessoas – assim como as tecnologias – terão que mudar se quisermos parar de danificar o clima?

Poluição,Meio Ambiente,Blog do Mesquita 01

Limpar o planeta com dinheiro sujo tem seus limites

Usina termelétrica na Inglaterra. Foto: Carlos Eduardo Young.

A pandemia de Covid-19 traz consequências complexas em áreas muitas vezes inesperadas. Um exemplo são os mercados de créditos transacionáveis de emissões de carbono (cap and trade). Matéria recente do Inside Climate News mostra que produtores de agricultura de baixo carbono (“climate smart”) na Califórnia estão com problemas de financiamento porque recebem recursos de programas de cap and trade que são pagos principalmente por emissões geradas pela queima de combustíveis fósseis. A retração da atividade econômica e no volume de trânsito, consequência do isolamento social, reduziu drasticamente a emissão de carbono no estado. Por isso, as receitas que eram pagas pelos emissores diminuíram porque fizeram o que se deseja na agenda das mudanças climáticas: a queima de combustíveis fósseis despencou nos últimos meses.

Esse tipo de dilema é previsto há muito tempo na literatura de economia do Meio Ambiente. Mercados de direitos transacionáveis de obrigações ambientais, como os de emissões de carbono, logística reversa de resíduos sólidos e cotas de reserva ambiental (CRA), têm como premissa o interesse em flexibilizar o cumprimento das normas ambientais. A ideia é que aqueles que não estão cumprindo os requisitos ambientais financiem terceiros que, além de cumprir seus próprios compromissos, “vão além” e têm “superávit” na sua performance ambiental. Ou seja, ao invés de reduz as suas emissões, os emissores (“poluidores”) preferem pagar para que outros o façam (“protetores”) – isso se explica porque os custos de abatimento de emissões não são homogêneos.

Para que os mercados de direitos transacionáveis de obrigações ambientais funcionem é preciso que:

(1) O regulador ambiental atue efetivamente, monitorando o desempenho ambiental de cada agente e penalize, de fato, aqueles que desobedecem a norma. É necessário mais que uma autuação, deve-se fazer que o infrator pague efetivamente (“enforcement”).

(2) Deve haver um número suficiente de agentes econômicos que estão em desacordo com as normas ambientais e com custos de atendimento à norma (“compliance“) altos. Por outro lado, é necessário existir aqueles cujo valor necessário para executar ações ambientais positivas seja baixo, para viabilizar financeiramente a compensação do déficit ambiental não atendido pelo infrator.

(3) Os direitos de propriedade devem ser bem estabelecidos, sem insegurança jurídica para que o agente em déficit ambiental (“poluidor”) pague ao que está em superávit (“protetor”), e essa ação seja oficialmente reconhecida pelo regulador como forma de cumprimento da legislação ambiental.

Ou seja, não se trata de um mercado “normal” onde o consumidor demanda um bem porque deriva utilidade de seu consumo. É uma situação especial, que não pode ocorrer em situação de “livre mercado”. Trata-se de uma flexibilização no atendimento de normas legais, cuja demanda só é estabelecida se houver pressão normativa para o cumprimento da lei por parte dos eventuais infratores.

Como essas condições variam no tempo, a demanda de “poluidores” por direitos de emissão também oscila. Portanto, em todos os mercados de direitos transacionáveis, o preço desses direitos é endógeno, ou seja, o valor das cotas de emissões também flutua.

O caso da Califórnia apresentado na matéria se explica por alteração abrupta da condição (2). A demanda de direitos de emissão caiu vertiginosamente em função da retração de fontes de lançamento de gases de efeito estufa. Por isso, reduziu-se o interesse em compensar emissões excedentes porque se aproximaram dos limites inicialmente permitidos. Diga-se de passagem, a razão pela qual esse mercado se estabeleceu na Califórnia foi uma série de avanços institucionais que permitiram o atendimento da legislação ambiental (Condição 1) e definição dos direitos e deveres para agentes privados (Condição 3). Antes da pandemia, havia um número significativo de agentes em desacordo com os limites de emissão recebidos originalmente (Condição 2), mas esse número se reduziu bastante com a retração econômica.

Um fenômeno bastante semelhante ocorreu no mercado europeu de emissões (ETS) após a crise financeira de 2008, que resultou em um colapso nos mercados de emissão em todo mundo. A queda na demanda por combustíveis, junto com o sucesso de programas de baixo carbono, fez com que o volume de emissões europeias ficasse abaixo do esperado. Como o número de emissores em déficit ambiental se reduziu, o preço dos direitos de emissão despencou junto. Somente ao final de 2019 o preço das emissões se aproximou do teto histórico pré-2008 mas, como no caso da California, houve também queda acentuada de valor após a pandemia, mas com recuperação após o seu relativo controle.

Preço dos direitos de emissão de carbono na União Europeia (EUA), 2008-2020

Fonte: EMBER.

Aliás, por causa desse colapso nos mercados de créditos de carbono, não faz sentido a crítica de que projetos de conservação florestal como REDD ou REDD+ teriam “enriquecido os investidores” enquanto “desapropriavam os povos da floresta”. Essa crítica não tem fundamento porque (i) não há “mercado milionário” de REDD, REDD+ e projetos de carbono florestal porque simplesmente não há demanda por isso (onde há alguma negociação, o volume é baixíssimo e os preços são muito inferiores aos praticados no ETS), e (ii) existem condições sociais bastante claras estabelecidas para a titulação de créditos de carbono, e um projeto que resulte em problemas sociais não seria elegível, e existem diversas auditorias e canais de reclamação para vigiar isso.

A análise das condições necessárias para o sucesso de mercados de direitos transacionáveis também explica o porquê da falta de vigor dos mercados de CRA no Brasil. Não há interesse por parte dos governos em penalizar proprietários rurais em déficit de Reserva Legal, conforme estabelecido pela legislação florestal. Por isso, não há porque se preocupar em buscar flexibilizar uma regra de legislação que nunca é exigida, rompendo com a Condição (2). A bagunça fundiária brasileira complica ainda mais a viabilidade do mercado de CRA porque ninguém vai buscar atender regras ambientais de Reserva Legal se os direitos de propriedade não estão bem estabelecidos (Condição 3).

Outro erro comum contra o uso de instrumentos de direitos transacionáveis é supor que direitos valem somente para a propriedade particular, resultando em crítica por uma suposta “privatização da natureza”. Isso também não é correto pois os direitos de propriedades podem ser também públicos ou comunais. O que importa é que o direito de propriedade seja bem estabelecido, não importando a natureza do proprietário. A falha está na tradição histórica de privatização das terras públicas através da concessão de direitos fundiários que, a pretexto de reforma agrária, acabam apenas estimulando a grilagem e agravando a concentração fundiária. Dessa forma, perdemos a possibilidade de conseguir recursos financeiros para a conservação dessas áreas, já que as administrações públicas não conseguem assegurar o controle do desmatamento.

O caso mais grave dessa perda de oportunidade é o das terras indígenas. Comunidades indígenas possuem alta capacidade de controle de desmatamento, maior até do que alguns órgãos ambientais. Por isso, poderiam estar recebendo recursos de REDD+, como mostra a experiência pioneira do Projeto Carbono Florestal Suruí. Mas projetos como esse acabam não tendo viabilidade por falta de segurança jurídica (por exemplo, terras ainda não demarcadas ou consolidadas) e falta de apoio institucional.

Voltando ao caso dos projetos climate smart da Califórnia, o problema está em imaginar ser possível financiar um projeto sustentável de longo prazo a partir de pagamentos gerados por infração ambiental. É algo semelhante ao uso da Compensação Ambiental estabelecida pelo Artigo 36 do SNUC, que financiam unidades de conservação a partir de fatos geradores que causam dano ambiental. No curto prazo, é correto que isso sirva de base de financiamento de projetos de desenvolvimento sustentável. No longo prazo, contudo, o ideal é que essas infrações diminuam e, portanto, o valor arrecadado por elas. Por isso, esses projetos devem buscar a viabilidade financeira de longo prazo sem a necessidade de recursos oriundos de ações predatórias (emissões de carbono, problemas no licenciamento), que devem ser encarados como recursos que irão se esgotar com o tempo.

O último filme de Michael Moore teve como alvo ‘renováveis’ e acusou grupos ‘verdes’ de estarem nos bolsos da Big Energy

O Climate Industrial Complex está pedindo a cabeça do cineasta Michael Moore depois que seu último filme distorceu a hipocrisia da indústria de “energia renovável”, expondo o relacionamento acolhedor de seus líderes com os bicho-papões dos combustíveis fósseis.


A polêmica de Moore, ‘Planet of the Humans‘, dirigida por Jeff Gibbs, foi vista mais de quatro milhões de vezes no YouTube em pouco mais de uma semana.

Mas apenas dois dias após o lançamento do filme, marcado para o Dia da Terra, o cineasta Josh Fox liderou a acusação de Moore – que já foi um “herói” dele – deformado por suposta desinformação. Em uma carta sincera, Fox exigiu não apenas uma “retratação e um pedido de desculpas” de Moore, mas também que o filme fosse arrancado inteiramente da distribuição.

Quem é quem, dos figurões ambientalistas, concordou, acusando Moore de ter supostamente imitado “pontos de conversa flagrantemente falsos da indústria de combustíveis fósseis enganosamente enganando sua audiência sobre energia renovável” e atacando “líderes climáticos importantes”, bem como “campanhas climáticas e de combustíveis anti-fósseis. ”

De fato, os críticos pararam de chamar o ambientalista de longa data de “negador da mudança climática”, fazendo o possível para pintá-lo como um agente dos mesmos plutocratas do Big Business, cuja presença silenciosa sob a superfície da indústria de “energia renovável” ele expôs no filme.

O distribuidor de documentários Films for Action na verdade removeu brevemente o filme de sua biblioteca on-line, explicando que não havia visto o “produto final”, mas o havia recolhido com base na reputação de Moore – apenas para reverter o curso mais tarde, apontando que censurar o filme dê “mais poder e mística do que merece”.

Isso chega ao ponto de Moore ter sido escoriado pelas próprias forças que outrora eram seus aliados na esquerda.

O “Planeta dos Humanos” visa diretamente o sonho de que “biocombustíveis”, energia solar e eólica salvarão o mundo da voraz indústria de combustíveis fósseis e, por extensão, a própria mudança climática. Embora grande parte do documentário tenha sido aparentemente filmado anos atrás, suas conclusões permanecem oportunas, especialmente porque os defensores das energias renováveis exigem que a queda induzida pela pandemia se torne um “Ano Zero” no qual construir um novo baseado em energias renováveis.Moore nem por um momento se desvia de sua devoção à ortodoxia das mudanças climáticas. No entanto, ele não evita acusar nomes famosos como Bill McKibben, da 350.org, e o Sierra Club de se desculpar por um setor que, à sua maneira, é tão destrutivo quanto petróleo, carvão e gás natural, em muitos casos. exigindo o uso contínuo desses combustíveis “sujos”, muito difamados, a fim de manter a narrativa de que energia “limpa” pode sustentar a civilização.

O conceito de “biomassa” é especialmente revelado como uma piada cruel, o termo eufemístico que encobre o fato de que as florestas desmatadas são enquadradas como uma fonte de energia “sustentável”, porque as árvores que são alimentadas nos picadores de madeira “voltarão a crescer”.

O filme alega expor a realidade destrutiva das fontes de energia “renováveis”, apontando o fato de que os painéis solares exigem carvão e minerais de terras raras insustentáveis ​​para criar – e que os financiadores desses projetos são frequentemente as mesmas pessoas que fizeram fortuna com petróleo e gás.

Moore observa que os temidos Koch Brothers não apenas constroem usinas solares, mas fabricam um tipo especial de vidro usado para os painéis. Eles estão presentes em todas as etapas do processo de geração de energia solar anunciado como salvador da humanidade por um movimento que difunde seus inimigos como agentes dos mesmos Kochs.

Ao mesmo tempo, gigantes de grandes empresas como Michael Bloomberg (que absorve o gás natural com energia solar e eólica como fonte de energia renovável) e o magnata da madeira Jeremy Grantham são vistos como patrocinadores de projetos aparentemente amigos do ambiente que, em um exame mais aprofundado, meramente envolvem estuprar o planeta de um ângulo ligeiramente diferente.

Os críticos ambientalistas de Moore fazem alguns pontos válidos, principalmente porque grande parte de “Planeta dos Humanos” foi filmada anos atrás. Não está atualizado no limite sangrento da tecnologia renovável, e alguns dos cruzados ambientais cuja hipocrisia brilha tanto no filme desde então alteraram suas opiniões. Bill McKibben escreveu uma refutação detalhada, reclamando que não apóia mais os biocombustíveis, mesmo estando em filme se recusando a condená-los.

Mas os principais problemas com energia eólica e solar não foram resolvidos, e a insistência do cineasta Fox de que as alegações de Moore são invalidadas pela incorporação de compromissos de políticas renováveis ​​- ele na verdade cita o Green New Deal como “o mais importante avanço político em energia verde de todos os tempos ”- é risível.Tecnologia,Energia Eólica,Ciêcia,Energia,Meio Ambiente,Blog do Mesquita 01

Os compromissos “renováveis” de Nova York, como as faculdades e outras instituições apresentadas no filme, consideram os biocombustíveis sustentáveis, e o New New Deal em si não só não foi aprovado, como também oferece o roteiro mais vago em direção à sustentabilidade para alguns EUA futuros dispostos a passar isto.

Talvez o mais revelador seja a exigência dos críticos de que o filme seja retirado da circulação por ser “perigoso”. Mesmo que Moore fosse um “shill Koch Brothers que nega as mudanças climáticas” – o que ele claramente não é -, ele estaria longe de ficar sozinho no mundo do cinema on-line, já que muitos filmes correspondentes a essa descrição estão circulando diariamente sem encontrar tais oposição estridente de rebatedores ambientais.

Mas Moore tem credibilidade nos círculos “verde” e ativista, e sua exposição tem a capacidade de tirar o vento das velas dos movimentos populares que atualmente exercem pressão sobre instituições e governos para se livrarem dos combustíveis fósseis e investirem em “renováveis”. Quem sairia às ruas para exigir o desinvestimento de petróleo e gás, sabendo que o dinheiro investido em “renováveis” só voltará aos bolsos dos mesmos aproveitadores de combustíveis fósseis?

Há outras queixas no filme de Moore, é claro. Muitos apontaram seu foco aparente no que é eufemisticamente chamado de “controle populacional” como a única solução possível para o problema das mudanças climáticas. De fato, existem outras maneiras – como os maiores consumidores de recursos do mundo, o complexo industrial militar, encerrando suas atividades – de controlar o consumo humano.

Mas a maioria dos críticos “verdes” de Moore não discorda da noção malthusiana – e compreensivelmente questionável – de que os problemas da humanidade podem ser resolvidos “apenas” livrando o planeta de todas aquelas pessoas “excessivas”, e nem os oligarcas como Bloomberg e Grantham, cuja hipocrisia é exposta no filme.

De fato, os críticos do documentário e seu criador diferem apenas em sua disposição de perpetuar a ilusão reconfortante de que as mesmas pessoas que criaram a “crise” da mudança climática poderiam confiar para resolvê-la. Portanto, embora esses críticos possam ridicularizar Moore como um eco-fascista, são os assuntos de seu filme que realmente merecem esse apelido.

Quanto a quem é mais perigoso – as empresas que sugerem biomassa, seres vivos como plantas e animais, são um combustível sustentável para alimentar o futuro; ou um cineasta apontando sua hipocrisia – é melhor deixar para o espectador decidir.

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Uma abordagem inovadora para a energia solar

O céu azul no Reino Unido em abril foi uma grande vantagem para a energia solar. Uma das poucas partes da economia do Reino Unido que teve um bom abril foi a energia solar.

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O Met Office diz que provavelmente foi o abril mais ensolarado do mundo e a indústria de energia solar registrou a maior produção de eletricidade de todos os tempos (9,68 GW) no Reino Unido às 12h30 da segunda-feira, 20 de abril.

Com 16 painéis solares em seu telhado, Brian McCallion, da Irlanda do Norte, foi um dos que se beneficiaram com o bom tempo.

“Nós os temos há cerca de cinco anos e economizamos cerca de mil libras por ano”, diz McCallion, que vive em Strabane, perto da fronteira.

“Se eles fossem mais eficientes, poderíamos economizar mais”, diz ele, “e talvez investir em baterias para armazená-lo”.Direitos autorais da imagem Getty Images

Os painéis solares até fazem sentido na Irlanda do Norte nublada
Essa eficiência pode estar chegando. Existe uma corrida mundial, de San Francisco a Shenzhen, para criar uma célula solar mais eficiente.

O painel solar comercial médio de hoje converte 17-19% da energia luminosa que o atinge em eletricidade. Isso representa um aumento de 12% há apenas 10 anos. Mas e se pudéssemos aumentar isso para 30%?

Células solares mais eficientes significam que poderia obter muito mais do que os atuais 2,4% do suprimento global de eletricidade a partir do sol.

Energia Solar já é a tecnologia de energia que mais cresce no mundo. Dez anos atrás, havia apenas 20 gigawatts de capacidade solar instalada globalmente – um gigawatt sendo aproximadamente a produção de uma única grande usina elétrica.Direitos autorais da imagem Getty Images

Esta fazenda solar cobre 200 ha (500 acres) no sul da França
No final do ano passado, a energia solar instalada no mundo havia saltado para cerca de 600 gigawatts.

Mesmo com a interrupção causada pelo Covid-19, provavelmente adicionaremos 105 gigawatts de capacidade solar em todo o mundo este ano, prevê a empresa de pesquisa com sede em Londres IHS Markit.

A maioria das células solares é feita de fatias finas de cristais de silício, 70% das quais são fabricadas na China e em Taiwan.

Mas o silício cristalino está colidindo bem perto de sua máxima eficiência teórica.

O limite de Shockley-Queisser marca a eficiência máxima para uma célula solar feita com apenas um material, e para o silício isso é de cerca de 32%.

No entanto, combinar seis materiais diferentes no que é chamado de célula de múltiplas junções pode aumentar a eficiência em até 47%.

Outra maneira de romper esse limite é usar lentes para aumentar a luz do sol que cai sobre a célula solar, uma abordagem chamada solar concentrada.

Mas essa é uma maneira cara de produzir eletricidade e é principalmente útil em satélites.

“Nada que você veria no telhado de alguém na próxima década”, ri Nancy Haegel, diretora de ciência de materiais do Laboratório Nacional de Energia Renovável em Boulder, Colorado.Direitos autorais da imagem Getty Images

A tecnologia solar que mais cresce é chamada de perovskitas – em homenagem ao conde Lev Alekseevich von Perovski, mineralogista russo do século XIX.

Estes possuem uma estrutura cristalina específica que é boa para absorção solar. Filmes finos, cerca de 300 nanômetros (muito mais finos que um fio de cabelo humano) podem ser fabricados com soluções baratas – permitindo que eles sejam facilmente aplicados como revestimento em prédios, carros ou até em roupas.

Os perovskitas também funcionam melhor que o silício em intensidades de iluminação mais baixas, em dias nublados ou em ambientes fechados.

Você pode imprimi-los usando uma impressora a jato de tinta, diz o Dr. Konrad Wojciechowski, diretor científico da Saule Technologies, com sede em Oxford e Varsóvia. “Pinte em um substrato e você tem um dispositivo fotovoltaico”, diz ele.

Com um material tão barato, flexível e eficiente, você pode aplicá-lo a móveis de rua para abastecer sensores de carregamento de smartphones, wifi públicos e qualidade do ar gratuitamente, explica ele.

Ele está trabalhando com a empresa de construção sueca Skanska para aplicar camadas de perovskita em painéis de construção.Direitos autorais da imagem INSOLIGHT

A Saule Technologies está usando perovskitas em painéis solares
De acordo com Max Hoerantner, co-fundador da Swift Solar, uma empresa iniciante de São Francisco, existem apenas 10 empresas iniciantes no mundo trabalhando com tecnologia de perovskita.

A Oxford PV, uma divisão da universidade, diz que alcançou 28% de eficiência com uma célula solar comercial baseada em perovskita no final de 2018 e terá uma linha de produção anual de 250 megawatts em operação este ano.

Tanto a Oxford PV quanto a Swift Solar produzem células solares em tandem – são painéis de silício que também possuem uma fina camada de filme de perovskita.

Como são feitos de dois materiais, eles conseguem ultrapassar o limite de Shockley-Queisser.

O silício absorve a faixa vermelha do espectro de luz visível e a perovskita a bit azul, dando ao tandem maior eficiência do que qualquer um dos materiais isoladamente.

Um desafio é quando “você trabalha com um material que existe desde 2012, é muito difícil demonstrar que ele durará 25 anos”, diz Hoerantner.Direitos autorais da imagem INSOLIGHT

Os painéis Insolight usam lentes para concentrar a luz.
A Insolight, uma startup suíça, adotou uma abordagem diferente – incorporando uma grade de lentes hexagonais no vidro de proteção de um painel solar, concentrando assim a luz 200 vezes.

Para acompanhar o movimento do sol, o conjunto de células muda horizontalmente alguns milímetros ao longo do dia. É uma tentativa de tornar barato o concentrado solar.

“A arquitetura desses sistemas fotovoltaicos concentrados convencionais é muito cara. O que fizemos foi miniaturizar o mecanismo de rastreamento solar e integrá-lo ao módulo”, diz David Schuppisser, diretor de negócios da Insolight.

“Fizemos isso de uma maneira mais barata [que] você pode implantar em qualquer lugar que possa implantar um painel solar convencional”, diz ele.

O instituto de energia solar da Universidade Politécnica de Madri mediu o modelo atual da Insolight como tendo uma eficiência de 29%. Agora, ele está trabalhando em um módulo que espera atingir 32% de eficiência.

A atual tecnologia de silício ainda não está totalmente morta, e existem abordagens para obter pequenas e rápidas vitórias em eficiência. Uma é adicionar uma camada extra às costas de uma célula para refletir a luz não absorvida de volta através dela uma segunda vez. Isso melhora a eficiência em 1-2%.

Outra é adicionar uma camada externa, o que diminui as perdas que ocorrem onde o silicone toca os contatos de metal. É apenas um “pequeno ajuste”, diz Xiaojing Sun, analista da Wood Mackenzie, analista solar – adicionando 0,5-1% em eficiência -, mas ela diz que essas mudanças significam que os fabricantes precisam fazer pequenas alterações em suas linhas de produção.

Desde pequenos ganhos – ao uso de energia solar concentrada e perovskitas – a tecnologia solar está em uma corrida para aumentar a eficiência e reduzir os custos.

“Abrangendo esse número mágico em 30%, é aqui que a indústria de células solares pode realmente fazer uma diferença muito grande”, diz Max Hoerantner, da Swift Solar.

Preços do petróleo caem abaixo de US $ 0 por barril

Uma combinação horrenda de demanda em ruínas por armazenamento global e bruto cheio até a borda levou os preços do petróleo a níveis nunca vistos em décadas.

O valor de referência dos EUA, West Texas Intermediate, caiu para a faixa de US $ 1, à medida que as economias globais permanecem paralisadas devido à pandemia de Covid-19, esmagadora demanda por petróleo.

Para adicionar insulto à lesão, o armazenamento global de petróleo está atingindo seus limites. A situação é tão terrível, de fato, que o Departamento de Energia está até pensando em pagar aos produtores domésticos de petróleo para manter o petróleo no chão.

Ainda nesta quarta-feira, a Agência Internacional de Energia registrou um aumento recorde de 19 milhões de barris no suprimento doméstico de petróleo.

Nem mesmo a OPEP foi capaz de fornecer algum alívio para a indústria em dificuldades. Embora o cartel e seus parceiros globais tenham conseguido chegar a um acordo de um corte de 9,7 milhões de barris por dia, o mercado claramente pensa que não é suficiente.

Os preços do petróleo nos EUA caíram para US $ 4,04 por barril, o menor desde que o NYMEX começou a negociar futuros de petróleo em 1983, quando os investidores se resignaram ao colapso da demanda em meio a contínuos bloqueios em todo o país.

Vandana Hari, fundadora da Vanda Insights, empresa especializada em análise do mercado de petróleo, observou: “Os preços atuais mostram que os cortes na OPEP + provaram ser um pontinho, com os preços do petróleo à mercê do vírus mais uma vez”, acrescentando que “Até nos aproximamos do levantamento dos bloqueios nos EUA, o petróleo pode cair mais baixo ou permanecer em torno dos níveis atuais. ”

O colapso do preço do petróleo está provocando ondas de choque em todo o setor, com as principais empresas de petróleo cortando gastos em geral, e os exploradores cortando até 13% de sua frota de perfuração à medida que a crise continua.

Os tempos difíceis chegaram a forçar a Comissão Ferroviária do Texas a considerar o impensável, exigir um corte de produção em todo o estado. Embora os três comissários não tenham conseguido tomar uma decisão na última terça-feira, o grupo deve se reunir novamente em 21 de abril. E com os preços do petróleo caindo 20% desde a última reunião, eles podem estar prontos para agir.

Mesmo que o RRC cumpra seu plano de interferir nos mercados livres, no entanto, muitos especialistas sugerem que cerca de 20 a 30 milhões de barris por dia de demanda estão sendo dizimados pelo Covid-19 – muito longe do que os produtores globais de petróleo cortou até agora.

Coronavírus acelera declínio da indústria de carvão

A mineradora Eagle Butte está localizada em Gillette, Wyoming, USA. Após o fechamento das minas de Blackjewel a indústria do carvão já estava sofrendo antes do coronavírus.

Josh Galemore / The Casper Star-Tribune via AP, arquivo
CHEYENNE, Wyo. (AP

A pandemia tornou as coisas muito piores. A produção diminui junto com a demanda de eletricidade, com as luzes do escritório e da escola apagadas em todo o país. Travis Deti está trabalhando nos telefones para tentar obter apoio do governo para os EUA. indústria de carvão durante a pandemia de coronavírus. Entre ligações recentes, o chefe da Associação Mineira de Wyoming tentou desentupir uma pia em casa.

Mas, diferentemente da pia de Deti, que finalmente começou a fluir novamente com a ajuda de um encanador, a ajuda permanece obstinadamente entupida para uma indústria cujo declínio já rápido está se acelerando devido aos efeitos econômicos do vírus.

“Vamos levar qualquer coisa agora”, disse Deti, cujo grupo representa empresas que produzem cerca de 40% do carvão do país.

A demanda por carvão afundou na última década em meio à competição com gás natural barato e fontes de energia renováveis ​​expandidas. As empresas de carvão enfrentaram um acerto de contas, à medida que o mundo procura combater as mudanças climáticas e se afastar dos combustíveis fósseis, apesar do esforço do presidente Donald Trump em reviver a indústria.

Agora, a pandemia piorou as coisas. Os bloqueios desligaram luzes e computadores em escritórios e escolas, minando a demanda por eletricidade fornecida pelas usinas a carvão. Os americanos presos em casa assistindo a Netflix não estão chegando perto de compensar essa queda na demanda, estimada em 3% para 2020.

A segurança dos trabalhadores é outra questão. Na região de carvão mais produtiva dos EUA – Wyoming e a bacia do rio Powder, em Montana – as empresas estão mudando de maneira impressionante e operando mais ônibus de e para cidades mineiras para criar mais espaço entre os trabalhadores.

As empresas suspenderam temporariamente as operações nas minas da Pensilvânia, Illinois e Virgínia para impedir a propagação do vírus. Alguns mineiros estão trabalhando apenas dois ou três dias por semana.

“Não há consistência entre a minha e a minha, mesmo dentro da mesma empresa”, disse Phil Smith, porta-voz do United Mine Workers of America, um sindicato que representa milhares de mineiros de carvão principalmente no leste dos EUA.

Mesmo antes do vírus, as empresas foram forçadas à falência e os trabalhadores enfrentaram folgas e demissões. Seis dos sete principais EUA as empresas de carvão pediram a falência do capítulo 11 desde 2015 e os analistas esperam mais à medida que a economia mergulha.

Existem pontos brilhantes, no entanto. O declínio mundial no consumo de eletricidade, juntamente com menos combustível sendo queimado para o transporte, significou um céu mais claro. A poluição por partículas caiu quase 19% na Índia e 6% na China desde antes do surto, segundo Fiona Burlig, do Instituto de Política Energética da Universidade de Chicago. A diminuição nos EUA é um modesto 0,5%.

Os EUA espera-se uma queda de 7,5% nas emissões de gases de efeito estufa causadas pelo aquecimento climático, associadas à redução da produção – ou seja, até que as emissões de dióxido de carbono surjam no próximo ano, à medida que a economia se recupera, segundo projeções da Energy Information Administration.

Mas há poucas dúvidas sobre o efeito esmagador das consequências econômicas do vírus no carvão. Em janeiro, antes da pandemia nos EUA, previa-se que a produção de carvão caísse 14% este ano. Com o coronavírus e um inverno ameno que significava menos eletricidade necessária para aquecer residências e empresas, espera-se que essa queda seja de até 25% – caindo para níveis nunca vistos em 55 anos.

“Simplesmente será que as energias renováveis ​​e o gás manterão seu mercado, e o carvão, sendo o combustível mais caro, será empurrado ainda mais do que seria”, disse Seth Feaster, do Instituto de Análise Econômica e Financeira de Energia.

A empresa de carvão de St. Louis, Foresight Energy, que emprega 800 pessoas, pode ser a primeira vítima relacionada ao coronavírus do setor. Ele entrou com pedido de proteção federal à falência em março, citando em parte “uma desaceleração da economia global devido a preocupações com o coronavírus”.

No mês passado, a Associação Nacional de Mineração pediu ao Congresso e à Casa Branca US $ 822 milhões em assistência federal, reduzindo ou eliminando royalties, impostos e taxas.

“Se pudermos continuar operando, isso é importante para nós”, disse Deti, do grupo Wyoming.

Até o momento, o Congresso mostrou pouca vontade de ajudar, e nenhum dos pedidos do setor foi incluído na conta de alívio de US $ 2 trilhões de coronavírus. Os analistas duvidam que qualquer ajuda significativa venha.

“Normalmente, quando você pensa em indústrias que o governo protegeu, são grandes e estrategicamente importantes”, disse Benjamin Nelson, diretor de crédito do Moody’s Investors Service. “Então, em um setor em declínio acentuado e secular, acho que há menos incentivo para se envolver”.

Um boom de energia renovável está mudando a política do aquecimento global

Nos últimos anos, Dewey Engle, um trabalhador aposentado de 81 anos que mora nos arredores de Tahoka, uma pequena cidade agrícola no oeste do Texas, adquiriu uma nova visão de sua varanda dos fundos.

Dezenas de turbinas eólicas zumbem 300 pés sobre os campos de algodão atrás de sua casa. Algumas pessoas podem ficar perturbadas com a chegada repentina de máquinas tão monstruosas praticamente em seu jardim. Engle diz que seu único problema com eles é que eles não estão em seu modesto pedaço de terra, de modo que ele não recebe royalties. “Eu adoraria receber esse dinheiro”, diz ele. “Gostaria de ter dez deles.”

O parque eólico de Tahoka é de propriedade da Orsted, uma empresa dinamarquesa de energia que entrou no mercado americano há menos de dois anos. É composto por 120 turbinas, cada uma capaz de gerar energia suficiente para 1.000 residências. Na porta seguinte, Sage Draw, outras 120 turbinas ainda estão sendo montadas e conectadas à rede do Texas. O Fracking, outro setor que transformou partes do oeste do Texas na última década, agora está com problemas. Mas as pás da turbina não param de girar. Dirija de Lubbock a Sweetwater e, durante quase toda a jornada, o horizonte está repleto de moinhos de vento em todas as direções. A grande maioria foi apresentada nos últimos dez anos. O Texas agora atende a 20% de sua demanda considerável de eletricidade com o vento. Se fosse um país, o Lone Star State seria o quinto maior do mundo em sua produção de energia eólica.Energia,Renovável,Solar,Eólica,Blog do Mesquita

Curiosamente, o boom de energia renovável da América tem sido mais forte em estados controlados pelos republicanos como o Texas. Lugares controlados por democratas como Nova York têm políticas destinadas a atrair investimentos, por exemplo, promessas de que os governos estaduais comprem apenas energia verde. Mas o Texas tem muito vento e sol e muito menos Nimbys. O presidente Donald Trump, que gastou uma pequena fortuna tentando combater um parque eólico à vista do seu clube de golfe escocês, evidentemente não suporta turbinas. Em comícios, ele gosta de reclamar sobre como eles matam pássaros. Mas para muitos de seus apoiadores, principalmente nas áreas rurais, turbinas eólicas e painéis solares são um impulso para as economias em dificuldades. No Condado de Lynn, do qual Tahoka é a sede, 77% das pessoas votaram em Trump. O boom poderia convencer os republicanos de que a descarbonização pode ser uma oportunidade econômica, não apenas um custo?

Nos últimos anos, turbinas surgiram nas planícies americanas; proporcionalmente, Kansas e Oklahoma dependem mais do vento do que o Texas. Há alguns anos, uma das categorias de trabalho que mais crescem nos Estados Unidos é o “técnico de turbinas eólicas”. Nem o boom está confinado ao vento. O investimento está sendo investido em usinas solares e sistemas de bateria, especialmente no sudoeste banhado pelo sol. O crescimento do número de instaladores de painéis solares ultrapassou o dos técnicos de turbinas eólicas. Em conjunto, a energia solar e eólica representam 55% da nova capacidade de geração de eletricidade adicionada a cada ano, de acordo com a Associação de Indústrias de Energia Solar, um grupo da indústria. Como as usinas de carvão estão fechando mais rápido do que as de gás, a capacidade geral de combustíveis fósseis está diminuindo.Tecnologia,Energia Eólica,Ciêcia,Energia,Meio Ambiente,Blog do Mesquita 01

O que precipitou esse boom? As políticas federais ajudaram – o vento se beneficiou de um crédito de imposto de produção por décadas, apesar de expirar nos próximos anos. Um crédito fiscal de investimento solar continuará. Mas as políticas locais também ajudaram. O Texas tem sua própria rede de eletricidade, administrada pela ercot, uma empresa estatal. Nos anos 2000, o lobby de políticos no oeste do estado levou-o a criar um fundo para construir uma nova rede de linhas de transmissão, o que possibilitou aos produtores de energia eólica fornecer energia à rede a partir de partes remotas, mas com muito vento do estado. As mesmas linhas agora estão ajudando a aumentar a energia solar, diz Dan Woodfin, da ercot. Ele diz que, há dez anos, ele não acreditava que o sistema seria capaz de lidar com tanta energia renovável quanto agora; no pico, 55% da eletricidade do Texas é fornecida pelo vento.

No entanto, o maior impulsionador foi simplesmente o baixo custo e a alta demanda. O custo de turbinas eólicas e painéis solares caiu vertiginosamente. E em locais rurais como o Texas (ao contrário de partes mais densamente povoadas do país), os royalties pagos pelo uso da terra são importantes o suficiente para que os proprietários de terras e os governos locais detenham a oposição. Enquanto isso, um número crescente de grandes empresas deseja comprar eletricidade verde para reduzir suas próprias emissões de carbono, o que significa que os produtores podem empacotar suas energias renováveis ​​para vender com contratos virtuais de fornecimento de energia.

Todo esse crescimento começará a mudar atitudes em relação às mudanças climáticas? Por enquanto, o Texas tem cerca de 35.000 empregos em energia solar e eólica. O número cresceu rapidamente, mas dez vezes esse número ainda está em combustíveis fósseis. O Texas é o maior produtor de emissões de carbono da América. Portanto, talvez não seja surpreendente que seu governador, Greg Abbott, tenha sido cético quanto à humanidade ter muito a ver com o aquecimento global. Muitos políticos republicanos, como o senador Chuck Grassley, de Iowa, mostram que é perfeitamente possível ser um defensor entusiasmado da energia verde em seu distrito, enquanto ainda negam que a mudança climática em geral exija qualquer resposta política nacional.Ambiente,Carvão,Energia,Poluição,Aquecimento Global,Blog do Mesquita

Mas a mudança para uma energia mais verde está mudando algumas mentes. Curt Morgan, CEO da Vistra Energy, uma das maiores empresas de eletricidade do Texas, que gera e vende eletricidade, diz que sua empresa passou de contar com carvão para cerca de 70% de sua geração para menos da metade agora. Todos os novos investimentos da Vistra são em energia renovável, e a empresa agora apóia um imposto sobre o carbono, que Morgan diz ser a melhor maneira de incentivar empresas como a dele a deixar de poluir o carbono. A ExxonMobil, uma gigante de combustíveis fósseis com sede no estado, é outro proponente da idéia.

No entanto, isso convencerá os republicanos? Morgan diz que acha que o partido está indo na direção certa. Eles deixaram de ser “apenas diga que não há partido sobre mudança climática para um partido que reconhece que é um problema”, diz ele. Mas, ele acrescenta, o progresso é lento. “Os políticos têm um problema – eles precisam ser reeleitos.” Em fevereiro, os republicanos da Câmara dos Deputados propuseram reduzir as emissões criando um crédito fiscal para o seqüestro de carbono e incentivando o plantio de árvores. Apesar da modéstia, o plano foi imediatamente denunciado como capitulação por alguns grupos à direita. O Partido Republicano corre o risco de ser deixado para trás defendendo indústrias antigas, mesmo quando novas as varrem.

Indústria nuclear é um risco e uma ameaça à meta climática da Inglaterra

Diante das reações o governo da Inglaterra pode abandonar um plano para pagar a construção de novas usinas nucleares através da cobrança de uma taxa sobre as contas de energia.


O governo pode abandonar um plano para pagar por novas estações nucleares através de uma taxa sobre as contas de energia.

O Reino Unido perderá sua meta de carbono zero líquido até 2050, a menos que encontre uma maneira de financiar usinas nucleares, disse a indústria nuclear.

A indústria enviou uma carta confidencial ao chanceler Rishi Sunak, que foi vista pela BBC.

A carta foi motivada por temores de que o governo use o orçamento da próxima semana para abandonar um plano de pagamento de novas usinas através de uma taxa sobre as contas de energia.

O esquema acrescentaria cerca de £ 6 por ano às contas de energia.

Foi apresentada pelo Tesouro no ano passado como forma de pagamento de uma nova usina planejada em Sizewell, em Suffolk.

Todas, exceto uma das usinas nucleares existentes no Reino Unido, que fornecem cerca de 20% da eletricidade do país, serão aposentadas até o final da década.

Críticas severas
Apenas um novo reator, em Hinkley Point, em Somerset, está em construção.

Ele está sendo pago pela empresa francesa de serviços públicos EDF e seu parceiro no projeto, China General Nuclear Power Corp (CGN).

A construção é apoiada pela promessa de que o Reino Unido pagará 92,50 libras por cada megawatt-hora que produz, mais que o dobro do preço atual de mercado.

A nova estação de Hinkley enfrentou críticas – Getty

O alto preço atraiu críticas severas e levou à busca de uma nova maneira de financiar usinas nucleares.
“Existe uma necessidade urgente de um novo mecanismo de financiamento robusto que garanta a confiança do investidor, reduz o custo de capital e ofereça um valor muito significativo ao consumidor”, afirma a carta da Associação da Indústria Nuclear ao chanceler.

“Sem a estrutura política adequada e o modelo de investimento na legislação, é impossível alcançar a substituição dessa capacidade e sustentar nossas necessidades futuras de energia”.

A associação acrescenta que o Reino Unido não pode contar com energia renovável “dependente do clima” – energia eólica e solar – para todas as suas necessidades futuras de energia. Nem poderia esperar o surgimento de tecnologias “inovadoras”.

“O relatório Net Zero do Comitê de Mudanças Climáticas recomendou que um futuro mix de energia fosse constituído por 38% de energia firme, da qual nuclear é a única opção comprovada e comercialmente viável”, diz a carta.

Também encontra falhas nas conclusões da Comissão Nacional de Infraestrutura sobre energia nuclear, dizendo que elas não levam em conta adequadamente os compromissos de mudança climática do governo – o mesmo motivo pelo qual o Tribunal de Apelação bloqueou recentemente a terceira pista planejada em Heathrow.

A comissão disse que o Reino Unido precisará de apenas mais uma nova usina nuclear do tamanho da que está sendo construída em Hinkley Point antes de 2025. “Essa conclusão é fundamentalmente falha – até porque a avaliação não leva em conta o comprometimento líquido agora legislado, “a carta diz.

‘Indústria falida’
No entanto, a organização de campanha nuclear CND disse que seria melhor se a taxa fosse descartada.

Kate Hudson, secretária geral da CND, disse: “Os subsídios do governo para a indústria nuclear – como uma taxa de 6 libras por cabeça para Sizewell – estão de fato sustentando uma indústria falida, motivo pelo qual congratulamo-nos com qualquer plano para descartá-los.

“Não apenas a energia nuclear é mais cara que as renováveis, como todas as usinas nucleares construídas desde 1951 tiveram perdas de £ 4 bilhões em média.

“A nuclear também cria um problema insolúvel em resíduos, e como o drama de TV Chernobyl revelou graficamente, os acidentes nucleares criam miséria humana e destruição ambiental.

“Parece que o governo pode finalmente estar acordando para essas realidades econômicas e ambientais”.

Excesso de custos
Executivos do setor nuclear disseram que o Tesouro estava adotando uma visão sombria do plano de financiar usinas através de uma taxa sobre as contas dos clientes.

Seus especialistas em contabilidade disseram que, como o plano levaria o governo a pagar a conta por grandes excedentes de custos, o custo total poderia contar como parte dos empréstimos do governo.

Na terça-feira, o governo mostrou vontade de abalar a política energética, abrindo as portas para a construção de novos parques eólicos em terra.

Na verdade, eles foram banidos por David Cameron quando primeiro ministro.