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WhatsApp cria dilema para operadoras de telefonia

Smartphone com WhatsAppA lista das plataformas online com mais usuários em todo o mundo é liderada pela rede social Facebook, com 1,5 bilhão, e pelo serviço de ví­deos YouTube, com uma audiência de 1 bilhão de pessoas — ambos referências na internet há anos.

Mas é o terceiro colocado, o aplicativo de comunicação WhatsApp, que cresce numa velocidade mais elevada.

Depois de aumentar 350% em apenas dois anos e meio, o número de usuários acabou de chegar a 900 milhões, segundo o ucraniano Jan Koum, presidente da empresa. Isso significa que a audiência dobrou de tamanho nos 18 meses desde que o WhatsApp foi comprado pelo Face­­book­ por 22 bilhões de dólares em 2014. No segmento de troca de mensagens, o aplicativo é líder em 15 dos 33 países analisados pela consultoria britânica GlobalWebIndex, inclusive no Brasil, onde metade dos usuários de internet o abre regularmente.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O sucesso do WhatsApp é um pouco surpreendente. O Facebook foi a primeira rede social a atingir a marca de 100 milhões de usuários. O YouTube seguiu pelo mesmo caminho no setor de vídeos. Já o WhatsApp é um caso à parte. Antes dele, houve dezenas de softwares de troca de mensagens. Alguns, como o BlackBerry Messenger, foram muito populares.

O que pavimentou a ascensão do WhatsApp foi cair nas graças dos usuários justamente quando os smartphones começaram a se espalhar pelo mundo. Com o acesso à internet, suas ferramentas, como a troca de textos, fotos e recados de voz, ganharam em eficiência. Mais recentemente, as chamadas telefônicas pela internet entraram no menu de opções. E tudo isso por apenas 1 dólar ao ano.

É toda essa facilidade quase gratuita que não para de atrair usuários — e também de enfurecer parte das operadoras de telefonia móvel. Elas não têm dúvidas sobre quem é o culpado pela queda na receita de SMS e de ligações. No Brasil, o Whats­App é abertamente criticado.

“Não temos problemas com serviços de dados e mensagens. Nossa preocupação são as chamadas telefônicas pela internet”, diz Amos Genish, presidente da Vivo. “Essa ferramenta não é uma inovação. É uma simples pirataria.”

O pano de fundo dessa briga é a revolução em curso no setor de telecomunicações. A expectativa é que as operadoras deixem de ser empresas de telefonia para se tornar, em primeiro lugar, provedores de internet móvel. “O serviço de voz não vai acabar, mas está havendo uma mudança radical no perfil de uso do celular e na receita das operadoras no mundo inteiro”, afirma o economista Ari Lopes, analista para a América Latina da consultoria Ovum, com sede em Londres.

Em um ano, a TIM perdeu 35% da receita de mensagens de texto. A Claro viu o faturamento de voz cair 18%. Até a Vivo, única que registrou crescimento na receita de telefonia móvel, teve queda de 5,5% nos ganhos com ligações ­­— uma redução de 164 milhões de reais no último ano. Por outro lado, as operadoras de telefonia móvel estão ganhando cada vez mais com a venda de planos de dados.

Nos últimos 12 meses, a receita da Vivo com pacotes de internet cresceu 51%. A da Claro, a que menos aumentou, teve uma expansão de 35%. A expectativa é que o faturamento das empresas com serviços de dados ultrapasse a receita de ligações em quatro anos.

Para um número crescente de usuários de celular, ter acesso a mídias sociais, mapas, músicas e vídeos é mais importante do que fazer ligações telefônicas. As pessoas estão mesmo falando menos ao celular. A média de uso por cliente é de 117 minutos por mês. Há exatamente um ano esse número era 9% maior.

Nesse contexto, o WhatsApp é ora inimigo, ora aliado. Quando compete diretamente com as chamadas telefônicas via ligações pela internet, é atacado. Na hora de convencer seus clientes a comprar planos de dados, as operadoras tratam o WhatsApp como uma atração. A Claro e a TIM oferecem pacotes que não descontam o tráfego de dados do WhatsApp ou de redes sociais, como Facebook e Twitter. O objetivo é gerar um estímulo ao serviço de internet.

“Os aplicativos são um motivo para o cliente gastar mais com planos de dados. O WhatsApp acelerou a demanda do consumidor por smart­phones”, diz Eduardo Tude, diretor da consultoria em telecomunicações Teleco, com sede em São José dos Campos, no interior paulista.

Amos Genish, presidente da Vivo

Amos Genish, presidente da Vivo: “A Anatel tem de regular o WhatsApp como serviço de telecom”

O coro das operadoras

O que une algumas das principais operadoras é a defesa do que chamam de competição leal. Genish, da Vivo, diz que o WhatsApp precisa ser regulamentado como um serviço de telecomunicação. Em suas declarações públicas, Bayard Gontijo, principal executivo da Oi, tem apoiado a ideia.

Rodrigo Abreu, presidente da TIM, por sua vez, é contra a proposta de criar uma regulamentação para os serviços online. Para ele, é preciso reduzir as obrigações e os impostos que atualmente recaem sobre as empresas de te­lefonia móvel. “Com ou sem ­WhatsA­­pp, o usuá­rio vai deixar de usar voz no celular para usar serviços de dados. Nosso desafio é participar do crescimento”, diz Abreu.

Procurada, a Claro não quis se pronunciar sobre essa questão. Até agora a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) tem dito que não é necessário regular os serviços de internet nem afrouxar as regras existentes para as empresas tradicionais. “Se existe uma dificuldade das operadoras de rentabilizar os negócios com o tráfego de dados, isso é um problema do modelo de cada empresa. O desafio delas é buscar novas fontes de renda”, diz João Rezende, presidente da Anatel.

Nos Estados Unidos, um dos mais avançados mercados de telefonia móvel, a competição das empresas com os serviços de mensagem online não provoca grande debate público. Um dos motivos é que os aplicativos não são tão populares quanto em outros países. Lá o software de mensagens líder é o Facebook Messenger, que atinge 25% dos usuários de internet — metade da taxa de uso do Whats­App no Brasil.

Uma das explicações para a popularidade menor nos Estados Unidos é que as operadoras americanas já ofereciam SMS ilimitado para os clientes quando softwares como o WhatsApp surgiram. Na briga com os aplicativos que oferecem ligações de voz via internet, as operadoras americanas também têm mostrado uma postura ativa. Desde o ano passado, oferecem o mesmo serviço com uma qualidade maior para seus usuários da rede 4G — a mesma estratégia tem sido seguida por empresas da China e da Coreia do Sul.

Na Europa, o caminho escolhido aponta na direção da regulação. Em maio, a Comissão Europeia iniciou uma revisão nas regras do setor de telecomunicações. O objetivo, segundo a comissão, é adotar medidas para garantir a igual concorrência entre empresas “tradicionais e novas” — em outras palavras, entre os aplicativos como WhatsApp e as operadoras.

A meta é elaborar um novo modelo até o fim de 2016. Nesse embate entre operadoras, WhatsApp e reguladores, o mais importante é não matar um serviço que se provou tão popular. A cada segundo são trocadas cerca de 350 000 mensagens em todo o mundo. É por aí que as coisas estão caminhando — pelo menos até a próxima revolução.
Filipe Serrano, de Revista EXAME

Economia: Brasil, mesmo em recessão, vira um negócio da China

A venda de fatia do BTG Pactual na Rede D’Or São Luiz para o Government of Singapore Investment Corporation (GIC) esta semana representa a mais recente investida do capital estrangeiro no País e reforça uma ideia alentadora: a de que nem a recessão, nem a crise política estão sendo suficientes para afastar o interesse dos investidores pelos ativos brasileiros, que são vistos como relativamente baratos.

Quarto do hospital de alto padrão da Rede D'Or

Hospital da Rede D’Or: os asiáticos, principalmente os chineses, parecem ser a onda da vez

E os asiáticos, principalmente os chineses, parecem ser a onda da vez.

Dados compilados pela Bloomberg sobre participação de países asiáticos selecionados nas operações de Fusão & Aquisição no Brasil mostram um aumento de 222% do volume financeiro nos últimos três meses quando comparado ao mesmo período do ano passado.

O apetite asiático contrasta com o desempenho de outras regiões que tradicionalmente são fortes como origem de investimentos. As compras originadas da Europa caíram 68% e as dos Estados Unidos 28% no mesmo período, embora seus números absolutos ainda sejam maiores do que os da Ásia.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Para Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset Corretora no Brasil, a percepção de que o Brasil ficou barato após a desvalorização do real ajuda a atrair os investidores. Ainda que alguns prefiram esperar altas adicionais do dólar por verem riscos de mais turbulências, outros não querem perder oportunidades, pois sabem que a oferta de boas empresas é finita. Ele observa que há “muito apetite”, sobretudo por parte de investidores chineses, coreanos, japoneses e de Cingapura.

A participação da Three Gorges no último leilão de hidrelétricas mostra que o interesse chinês por alvos tradicionais, como infraestrutura, segue elevado. Mas o horizonte é mais amplo. A Azul acertou a venda de fatia de 23,7% para HNA Group, por R$ 1,7 bi. Pablo Spyer lembra que apenas uma pequena parcela da população na China tem passaporte. Isso sugere elevada demanda reprimida, o que deve se refletir também em outros investimentos relacionados à aviação e ao turismo, como em hotéis. Bancos, hospitais, alimentos e transportes são outros segmentos que interessariam ao país.

A China tem US$ 3,5 trilhões em reservas e a desaceleração do crescimento no país amplia a busca por diversificação, segundo o diretor da Mirae. “Desde 2008, o real state é um investimento persistentemente negativo na China, o que também está levando os chineses a procurar as mais diversas alternativas. Parte desse fluxo está sendo direcionada para cá.”

Os investidores asiáticos têm uma visão de longo prazo e não se assustam com notícias negativas no curto prazo, como a queda profunda do PIB no terceiro trimestre, diz Spyer. “Todos acreditam que, no longo prazo, o Brasil vai melhorar e muito.”|

O fluxo cambial reflete parcialmente esta realidade ambígua, em que pelo menos parte dos investidores parece não se deixar levar pelos riscos imediatos que têm gerado volatilidade na bolsa e no dólar. Apesar da crise, o Brasil recebeu, em termos líquidos, US$ 11,7 bilhões no acumulado deste ano. Só em novembro, até o dia 27, o fluxo foi positivo US$ 4,1 bilhões.

No Ocidente, popularizou-se a ideia de que palavra “crise”, em chinês, seria escrita com dois ideogramas, um significando “perigo” e o outro, “oportunidade”. Com um dólar comprando quase quatro reais, o segundo significado parece estar sendo levado a sério.

Josué Leonel, da Bloomberg
Com a colaboração de George Lei, Jorge Xavier De Oliveira e Davison Santana.