Elisa Lucinda – Poesia

Boa noite.
Cor-respondência
Elisa Lucinda

Remeta-me os dedos
em vez de cartas de amor
que nunca escreves
que nunca recebo.
Passeiam em mim estas tardes
que parecem repetir
o amor bem feito
que você tinha mania de fazer comigo.
Não sei amigo
se era o seu jeito
ou de propósito
mas era bom, sempre bom
e assanhava as tardes.
Refaça o verso
que mantinha sempre tesa
a minha rima
firme
confirme
o ardor dessas jorradas
de versos que nos bolinaram os dois
a dois.
Pense em mim
e me visite no correio
de pombos onde a gente se confunde
Repito:
Se meta na minha vida
outra vez meta
Remeta.

Elisa Lucinda – Poesia

Boa noite.
Penetração do Poema das Sete Faces
(A Carlos Drummond de Andrade)

Ele entrou em mim sem cerimônias
Meu amigo seu poema em mim se estabeleceu
Na primeira fala eu já falava como se fosse meu
O poema só existe quando pode ser do outro
Quando cabe na vida do outro
Sem serventia não há poesia não há poeta não há nada
Há apenas frases e desabafos pessoais
Me ouça, Carlos, choro toda vez que minha boca diz
A letra que eu sei que você escreveu com lágrimas
Te amo porque nunca nos vimos
E me impressiono com o estupendo conhecimento
Que temos um do outro
Carlos, me escuta
Você que dizem ter morrido
Me ressuscitou ontem à tarde
A mim a quem chamam viva
Meu coração volta a ser uma remington disposta
Aprendi outra vez com você
A ouvir o barulho das montanhas
A perceber o silêncio dos carros
Ontem decorei um poema seu
Em cinco minutos
Agora dorme, Carlos.

Elisa Lucinda – Poesia

Boa noite.
Viver de poesia
Elisa Lucinda¹

Há tanto o que fazer com a poesia
que eu quase não dou conta das tarefas.
Trazê-la em estado de circulação
é mais que assumi-la sangue
de tanto me afundar no mangue
decorei o caminho do emergir
a volta do desmaio
do cair em si em mi
e mais todas as notas do percurso e escola.
Há tanto o que transar com a poesia
que tenho estado com ela sem nenhum projeto de anticoncepção
falá-la então é o VT desse sexo explícito de procriação
com direito a prazer e gozo em cada dobra de rima
Trazendo-a em estado vivo exerço a alquimia
de atropelar o efêmero
com o doce trator da perpetuação
agarrada aos motivos eternos
dos versos que eu escrevi
latejante exposição em estado de música e fotografia
é o que faço aqui
e aqui chego com meus cães:
sigo tudo de acordo com as ordens do Deus poema
que é o fiel domador.

Corro, sento, busco ossos
e inda faço gracinhas
elefante, golfinho, leão, macaquinho,
sopro, tambor, teclado, cavaquinho
vou bebendo vinho.
Há tanto o que fazer com a poesia
Há tanto o que namorar com a poesia
Há tanto o que compreender com a poesia
Há tanto o que viajar com a poesia
que eu com esse excesso de bagagem
passo na cara do vigia
de mãos vazias.
Mas tamanha é a magia
que toda a muamba que ninguém via
agora se esparrama no palco:
ela rainha, galinha
sambando no pedaço,
minha rainha poesia
e de salto alto.

¹Elisa Lucinda
* Vitória, ES. – 2 de Fevereiro de 1958 d.C

Fotografia de Stephen Calcutt

Elisa Lucinda – Versos na tarde – 05/03/2016

Cor-respondência
Elisa Lucinda¹

Remeta-me os dedos
em vez de cartas de amor
que nunca escreves
que nunca recebo.
Passeiam em mim estas tardes
que parecem repetir
o amor bem feito
que voce tinha mania de fazer comigo.

Não sei amigo
se era o seu jeito
ou de propósito
mas era bom, sempre bom
e assanhava as tardes.
Refaça o verso
que mantinha sempre tesa
a minha rima
firme
confirme
o ardor dessas jorradas
de versos que nos bolinaram os dois
a dois.

Pense em mim
e me visite no correio
de pombos onde a gente se confunde
Repito:
Se meta na minha vida
outra vez meta
Remeta.

¹Elisa Lucinda
*
Vitória, ES. – 1958 d.C

Formada em jornalismo. Chegou a exercer a profissão. Em 1986, mudou-se para o Rio disposta a seguir a carreira de atriz. Trabalhou em algumas peças, como “Rosa, um Musical Brasileiro”, sob direção de Domingos de Oliveira, e “Bukowski, Bicho Solto no Mundo”, sob direção de Ticiana Studart. Integrou, ainda, o elenco do filme “A Causa Secreta”, de Sérgio Bianchi.
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Elisa Lucinda – Versos na tarde – 30/04/2015

Poema
Elisa Lucinda¹

Adoro uma bobeira
uma palhaçada
uma palavra à margem
uma idéia engraçada
uma sacanagem
adoro a surpresa da piada
uma indecência boa
adoro ficar à toa fazendo trocadilhos obscenos
com sexo.
Adoro o que não tem nexo
e por isso faz rir
adoro a bobagem pueril
a coisa que não tem rumo
que de repente me escolhe
e me olha.
Preciso da besteira para obter a glória!

¹Elisa Lucinda
* Vitória, ES. – 2 de Fevereiro de 1958 d.C


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Elisa Lucinda – Versos na tarde – 22/06/2014

Viver de poesia
Elisa Lucinda¹

Há tanto o que fazer com a poesia
que eu quase não dou conta das tarefas.
Trazê-la em estado de circulação
é mais que assumi-la sangue
de tanto me afundar no mangue
decorei o caminho do emergir
a volta do desmaio
do cair em si em mi
e mais todas as notas do percurso e escola.
Há tanto o que transar com a poesia
que tenho estado com ela sem nenhum projeto de anticoncepção
falá-la então é o VT desse sexo explícito de procriação
com direito a prazer e gozo em cada dobra de rima
Trazendo-a em estado vivo exerço a alquimia
de atropelar o efêmero
com o doce trator da perpetuação
agarrada aos motivos eternos
dos versos que eu escrevi
latejante exposição em estado de música e fotografia
é o que faço aqui
e aqui chego com meus cães:
sigo tudo de acordo com as ordens do Deus poema
que é o fiel domador.

Corro, sento, busco ossos
e inda faço gracinhas
elefante, golfinho, leão, macaquinho,
sopro, tambor, teclado, cavaquinho
vou bebendo vinho.
Há tanto o que fazer com a poesia
Há tanto o que namorar com a poesia
Há tanto o que compreender com a poesia
Há tanto o que viajar com a poesia
que eu com esse excesso de bagagem
passo na cara do vigia
de mãos vazias.
Mas tamanha é a magia
que toda a muamba que ninguém via
agora se esparrama no palco:
ela rainha, galinha
sambando no pedaço,
minha rainha poesia
e de salto alto.

¹Elisa Lucinda
* Vitória, ES. – 2 de Fevereiro de 1958 d.C


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Elisa Lucinda – Versos na tarde – 05/04/2014

Poema
Elisa Lucinda ¹

Aí está, meu amor,
Lua, passarinho, horta.
É sonho, mas já se toca.
Quando chove,
Não é ilusão o que floresce.

Deitada no nosso quintal
A natureza se oferece,
Brinda elegante o nosso hino.

Eu, mulher, vivendo a vida nos seus braços, menina,
Você, homem, vivendo a vida nos meus braços, menino.
Aí está meu amor, o nosso amor,
No endereço do seu destino

¹ Elisa Lucinda
* Vitória, ES. – 2 de Fevereiro de 1958 d.C


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Elisa Lucinda – Versos na tarde – 01/02/2014

Lágrima do Sétimo Dia
Elisa Lucinda¹

Por favor
não me calem quando eu chorar
É atestado de ciso
é o mesmo que riso
quando eu chorar
Sou poeta
e chorar é minha musculação
Exercício.
Por favor não me incomodem quando eu chorar.
É o macaco
feliz da mutação
é lavação de olho
é a costela de Adão
sentindo
sem ninguém questionar
É Deus descansando
em emoção no sétimo dia
depois de delirar.

¹Elisa Lucinda
* Vitória, ES. – 2 de Fevereiro de 1958 d.C


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Elisa Lucinda – Versos na tarde – 04/06/2013

Cor-respondência
Elisa Lucinda ¹

Remeta-me os dedos
em vez de cartas de amor
que nunca escreves
que nunca recebo.

Passeiam em mim estas tardes
que parecem repetir o amor bem feito
que você tinha mania de fazer comigo.

Não sei amigo
se era o seu jeito
ou de propósito
mas era bom, sempre bom
e assanhava as tardes.

Refaça o verso
que mantinha sempre tesa
a minha rima
firme
confirme
o ardor dessas jorradas
de versos que nos bolinaram os dois
a dois.

Pense em mim
e me visite no correio
de pombos onde a gente se confunde
Repito:
Se meta na minha vida
outra vez meta
Remeta.

¹ Elisa Lucinda
* Vitória, ES. – 2 de Fevereiro de 1958 d.C


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Elisa Lucinda – Versos na tarde – 21/12/2012

Poema
Elisa Lucinda ¹

O que é mais sagrado, um amor
que permanece inalterado
ou a paixão, que te enfarta três vezes ao dia?

o que é mais danoso, um amor
que deixa a vida em ponto morto
ou a paixão, que te leva contra um poste?

o que é mais procurado, um amor
oferecido em classificados
ou a paixão, que nunca está onde se espera?

o que é mais calamitoso, um amor
gelatinoso ou a paixão explosiva?
não há resposta que nos sirva.

¹ Elisa Lucinda
* Vitória, ES. – 2 de Fevereiro de 1958 d.C


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