Eleições 2010: Apoio de tucanos a Dilma Rousseff é uma fraude

Pinóquio passaria vergonha no brasil. Diante da verborragia mentirosa dos candidatos, a cria de Geppeto seria um mero contador de “causos”. Para tentar benefeciar Dilma Rousseff, o PT tentou aplicar – pode escolher à vontade entre um vasto repertório de empulhações –  mais um de seus golpes enganadores.
O Edito
r


No dia 1 de julho, a candidata petista à Presidência da República participou, em Campinas, da criação do “Movimento Pluripartidário Pró Dilma Rousseff“, patrocinado pelo prefeito da cidade, Hélio de Oliveira Santos, o “Doutor Hélio”.

O encontro deu-se no Hotel Royal Palm Plaza, com direito a tablado, discursos e faixas que anunciavam o propósito da reunião. O secretário de Comunicação do município, Francisco de Lagos, saudou a plateia e anunciou que nela estavam 117 prefeitos, 25 dos quais do PSDB, nove do DEM, oito do PV e oito do PPS, partidos comprometidos com José Serra e Marina Silva. Gustavo Reis, de Jaguariúna (PPS), discursou.

Lagos não disse os nomes dos demais, nem os organizadores da festa divulgaram uma lista que os identificasse. Ele explicou o motivo: “Não vou botar pato na boca de jacaré”.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Com a propagação da notícia, os quatro partidos anunciaram que tomariam providências contra os trânsfugas, e o PV suspendeu a filiação do prefeito de Itapira, Antonio Belini. Na semana passada, o presidente do PSDB paulista, Mendes Thame, contestou as adesões à candidatura de Dilma, classificando-a de “falsidade”, produto de “sonhos petistas”.

O sonho pode ser petista, mas a falsidade, se houve, foi produzida pelo anfitrião do evento, o prefeito Hélio de Oliveira Santos, e deu resultado. Nos dias seguintes, a informação foi publicada em diversos jornais e repetida pelo signatário. Procurado para esclarecer a questão, Doutor Hélio se fez de morto.

Uma semana depois do encontro, o repórter Simionato conseguiu uma lista relacionada com o “Evento: 01 de julho de 2010 — com Dilma Rousseff”. Nele estão arrolados 116 prefeitos paulistas, de todos os partidos.

Não se pode dizer se essa foi uma lista de convidados ou de pessoas presentes nem se pode garantir que, tendo comparecido, o prefeito aderiu ao “Movimento Pluripartidário”. Uma coisa é certa: quem lá estava sabia o que acontecia. Uma das pessoas que assistiram ao ato acredita ter visto uma lista de presença, onde cada um escrevia seu nome.

Simionato procurou os 25 prefeitos tucanos mencionados na planilha. Um desmentiu que lá estivesse, dois disseram que lá estiveram porque foram ludibriados. Quinze simplesmente negaram que tenham comparecido. Os demais não foram alcançados. Essa informação foi colocada no portal “Folha.com” no dia 9 de julho.

Lagos sustenta que, “como cerimonialista” do ato, enumerou todos os 117 prefeitos presentes, o que contradiz sua piada, bem como a lembrança de Simionato, da repórter Leila Suwwan e de um parlamentar que lá estavam.

O secretário recusa-se a divulgar os nomes dos presentes ou a apreciar os prefeitos listados na planilha obtida por Simionato. Faz isso, segundo suas palavras, para “preservar” os novos aliados, que poderiam sofrer retaliações políticas.

Do jeito que estão as coisas, enquanto o prefeito de Campinas, organizador da cerimônia, não divulgar pelo menos a lista de presenças, “patos” terão sido as pessoas que acreditaram nele e caíram na sua “boca de jacaré”, inclusive Dilma Rousseff, que teria enfeitado uma fraude.

Ato público para festejar adesões que, um mês depois, estão no cofre é embuste. Em ato público recebem-se apoios públicos, como os dos prefeitos Belini e Gustavo Reis.

Para que se possa avaliar o significado das presenças, ou das “falsidades”, aqui vão os nomes dos municípios cujos prefeitos tucanos estão listados na planilha conseguida por Simionato:

Avaré, Botucatu, Buritizal, Guará, Guariba, Itapolis, Louveira, Pedregulho, Pitangueiras, Sabino, Sagres, Salesópolis, Sales Oliveira, Salmourão, Sandovalina, Santa Cruz da Conceição, Santa Cruz das Palmeiras, Santa Cruz do Rio Pardo, Santa Fé do Sul, Santa Isabel, Santa Lúcia, Santa Mercedes, Santa Rita do Oeste, São José da Bela Vista e Viradouro.

Elio Gaspari/O Globo

Guerrilha do Araguaia: Major Curió revela o que sabe

Curió abre arquivo e revela que Exército executou 41 no Araguaia

Até hoje eram conhecidos 25 casos de guerrilheiros mortos; relato do oficial confirma e dá detalhes da perseguição

Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió, o oficial vivo mais conhecido do regime militar (1964-1985), abriu ao Estado o seu lendário arquivo sobre a Guerrilha do Araguaia (1972-1975). Os documentos, guardados numa mala de couro vermelho há 34 anos, detalham e confirmam a execução de adversários da ditadura nas bases das Forças Armadas na Amazônia. Dos 67 integrantes do movimento de resistência mortos durante o conflito com militares, 41 foram presos, amarrados e executados, quando não ofereciam risco às tropas.

Até a abertura do arquivo de Curió, eram conhecidos 25 casos de execução. Agora há 16 novos casos, reunidos a partir do confronto do arquivo do major com os livros e reportagens publicados. A morte de prisioneiros representou 61% do total de baixas na coluna guerrilheira.

Uma série de documentos, muitos manuscritos do próprio punho de Curió, feitos durante e depois da guerrilha, contraria a versão militar de que os mortos estavam de armas na mão na hora em que tombaram. Muitos se entregaram nas casas de moradores da região ou foram rendidos em situações em que não ocorreram disparos.

Os papéis esclarecem passo a passo a terceira e decisiva campanha militar contra os comunistas do PC do B – a Operação Marajoara, vencida pelas Forças Armadas, de outubro de 1973 a janeiro de 1975. O arquivo deixa claro que as bases de Bacaba, Marabá e Xambioá, no sul do Pará e norte do Estado do Tocantins, foram o centro da repressão militar.

O que foi a guerrilha do Araguia

Continue lendo

Senado: a banda muda da bandalheira

Que moral tem esse bando de 81 omissos, coniventes e culpados para julgar alguém?

Logo que o marimbondo de fogo desceu da tribuna, após o cínico, desavergonhado e petralhista discurso do “não sabia de nada” e do “toma que o filho é teu”, a trupe presente esmerou-se em loas, rapapés e beija mãos do capitão mor do Maranhão.

Os senadores, todos, também afirmam que não sabiam de nada. Desconheciam as estripulias dos atos secretos. Essa, nem Zé Bêdêu, o derradeiro abestado crédulo da Praça do Ferreira, em Fortaleza, engole. Nem que seja servida, a cínica desculpa, acompanhada de um sarapatel ou de uma irresistível buchada.

Antes de qualquer outra CPI ser implantada — duvido, uma vez que vocês sambem: é mais fácil um camelo… e tal —, é urgente uma CPI sobre o próprio Senado desta pobre e desassistida República.

O editor

Banda muda

É ensurdecedor o silêncio da banda boa do Senado diante da abertura do porão de malfeitorias praticadas na Casa.

Propuseram oito medidas moralizadoras, todas relacionadas com o funcionamento da burocracia. É o triunfo da Doutrina Jabuti. Por mais ágeis e vorazes que eles sejam, jabutis não sobem em árvores. Esqueceram-se de pedir qualquer providência que leve à perda do mandato dos senadores que tenham ofendido as leis.

Elio Gaspari – O Globo

Obama, Lula e a tropa de Elite

Elio Gaspari: Os atravessadores atrapalham Lula e Obama

“Lula e Barack Obama têm tudo para se entender, desde que decidam cuidar das prioridades das relações entre os seus governos.

Se deixarem a agenda cair nas mãos de atravessadores, pequenas vaidades criarão grandes problemas e questões secundárias serão transformadas em atritos.

O primeiro sintoma dessa anomalia surgiu há poucas semanas, quando Roberto Mangabeira, ministro do-sei-lá-o-quê desceu em Washington para discutir Cuba, defesa e etanol com assessores de Obama.

Sua credencial estaria no fato de ter sido professor do atual presidente quando ele estudava em Harvard. Tudo bem, mas quando o ex-aluno não tem tempo para receber o ex-professor, a etiqueta recomenda que o mestre tome o caminho de casa.

Mangabeira não foi a única vaidade da feira. Em dezembro, o chanceler Celso Amorim acusou o presidente eleito de “se esconder atrás de formalidades”, permitindo o funeral da Rodada Doha.

Está certo que o doutor jogou sua sorte nessa negociação comercial. Caso ela chegasse a bom termo, quem sabe, estaria credenciado para suceder o atual diretor-geral da Organização Mundial do Comércio. Deu errado, paciência.

O chanceler brasileiro não deve dar aulas ao presidente eleito dos Estados Unidos. Primeiro, porque não adianta. Segundo, porque é ridículo.

Do outro lado do balcão, dona Hillary Clinton mostrou que poderá detonar o programa de cooperação do Brasil e dos Estados Unidos em torno da produção de etanol.

Pela primeira vez em mais de 50 anos um projeto desenvolvimentista brasileiro teve o apoio de Washington. Ficou no palavrório de Nosso Guia e de George Bush, mas já foi alguma coisa.

Em cima de um programa de estímulo à produção de etanol pode-se construir uma nova fase das relações entre os dois países. Na busca do envenenamento, é só continuar na trilha seguida pela senhora Clinton.

Ela defende os subsídios ao etanol americano (de milho) e associa o brasileiro (de cana) a dificuldades ambientais. Esse tipo de prepotência é a semente do antiamericanismo na América Latina.

Lula e Obama têm muito em comum, até mesmo em alguns sofrimentos que a vida lhes impôs. Ambos foram abandonados pelo pai (no caso do presidente americano, o avô de sua mulher também largou a família por 14 anos).

Por caminhos diferentes, chegaram ao topo da montanha contrariando a história e o jogo do andar de cima. Podiam combinar uma coisa: não fazer nada enquanto não conversarem”.

– Barack lá, Bush cá: “Tem muita gente boa aplaudindo Barack Obama porque ele proibiu a prática de torturas contra presos. O suplício mais conhecido era a simulação de afogamento.

Um pedaço dessa mesma plateia emocionou-se com a valentia do Capitão Nascimento no filme “Tropa de Elite” e com o poder de persuasão de seus sacos de plástico.

É um novo tipo de esquizofrenia política. O sujeito é Obama nos Estados Unidos e George Bush no Brasil”.

Elio Gaspari – O Globo

STF não é “call center”

0800-STF

De Elio Gaspari – O Globo

O ministro Gilmar Mendes, presidente do STF, precisa decidir qual é seu lugar no estádio. Ele pode ficar na tribuna de honra, de toga, lendo votos capazes de servir de lição. Pode também vestir as camisas dos times de sua preferência, indo disputar a bola no gramado. Não pode fazer as duas coisas.

Não é próprio que um ministro do Supremo se meta em discussões do cotidiano político, dando entrevistas de salão, ensinando que “não dá para dizer que há imprescritibilidade de um lado [o dos torturadores da ditadura] e não há para o outro [o dos militantes esquerdistas que praticaram crimes de sangue]”.

Ele pode estar coberto de razão, mas ministro do STF não é call center, que responde a consultas imediatas. Nessa batida, vira comentarista jurídico.

Processo contra Bush na era pós Bush

Elio GaspariFolha de São Paulo

“- A conta: Não se sabe o que Bush pretende fazer da vida, mas perderá muito tempo explicando-se.

Charlotte Dennett, uma advogada do Vermont pretende processá-lo pelas mentiras que contou para invadir o Iraque.

Até aí, nada demais porque sempre há um alguém batalhando por 15 minutos de fama. O caso agravou-se porque o promotor Vincent Bugliosi associou-se à senhora.

Bugliosi vive na Califórnia e ganhou 105 dos 106 casos em que litigou. Pediu 21 penas de morte e ganhou todas.

Ele escreveu “O Processo contra George Bush por Assassinato”, livro boicotado pela imprensa americana, levado às listas de mais vendidos por emissoras de rádio e pela internet.

Antes que ele seja confundido com um aventureiro, vale lembrar que seu trabalho anterior, “Resgatando a História”, com 1.612 páginas e outras tantas num CD de notas, é a melhor reconstituição do assassinato do presidente John Kennedy.

A conclusão: o crime foi cometido por Lee Oswald sozinho, e o resto é conversa fiada”.

Elio Gaspari – O comissário Fontana e o habeas corpus

Da série: “opinião dos outros”
Comento:
Os petralhas, qual bombeiros fazendo rescaldo, se precavem do incêndio no vizinho?

Por Elio Gaspari – O Globo

Veio da nação petista um sinal de que há comissários incomodados com o Estado de Direito. Depois que o Ministro Gilmar Mendes mandou soltar o banqueiro Daniel Dantas, o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana, disse o seguinte:

“Eu acho que o Congresso precisa examinar essa questão do habeas corpus para evitar novos casos como o do Cacciola. Do jeito que está formulada essa norma do habeas corpus, acaba favorecendo os ricos e prejudicando os pobres”.

Ignorância de primeira associada a demagogia de segunda. O doutor começou sua atividade partidária em 1984, aos 24 anos. Não conviveu com os coronéis dos inquéritos da ditadura que seqüestraram o habeas corpus dos brasileiros por 20 anos.

O instituto do habeas corpus está formulado na Constituição sem qualquer “jeito” ou “recurso não contabilizado”. O texto é claro. Ele se destina a proteger o cidadão que “sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder”.

O habeas corpus não inocenta quem dele se beneficia. Era isso que não entrava na cabeça dos generais e parece não ter entrado direito na de Fontana. Trata-se de garantir ao cidadão o direito de não ser constrangido por “ilegalidade ou abuso de poder”. Em 2000, o ministro Marco Aurélio Mello soltou Salvatore Cacciola porque entendeu que ele devia responder em liberdade ao processo em que era réu. (Cinco dias depois o STF mandou prendê-lo de novo e ele se escafedeu.) Mello não julgou Cacciola.

No caso de Daniel Dantas, Gilmar Mendes entende que o banqueiro esteve submetido a constrangimento ilegal. Se a sua primeira decisão ficava em pé, a segunda é mais difícil de ser entendida. Admitindo-se que esteja errado, depois do recesso o Supremo Tribunal Federal poderá revogar a medida. De qualquer forma, é o ministro Gilmar Mendes quem está no pano verde, não “essa norma do habeas corpus”.

O desconforto do deputado Henrique Fontana com o “habeas corpus” ecoa os coronéis da anarquia militar. Cabe-lhe uma lição, deixada pelo marechal Castello Branco diante das reclamações dos companheiros que não queriam cumprir o habeas corpus que mandava libertar Miguel Arraes. Ele escreveu: “Se não soltá-lo, será muito pior do que soltá-lo”. O general Costa e Silva chamou de “homúnculo” o ministro Álvaro Ribeiro da Costa, presidente do STF. A mutilação do habeas corpus foi um dos itens da anarquia militar que desembocou na ditadura do Ato Institucional nº 5, em 1968.

Só em 1977 o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Raymundo Faoro, recolocou “essa norma do habeas corpus” no centro da discussão que levaria à restauração democrática. Seu trabalho foi essencialmente didático: “O habeas corpus não é só uma reclamação da sociedade civil, mas uma necessidade do próprio governo, pois a boa autoridade só pode vigiar a má autoridade pelo controle das prisões, proporcionado pelo habeas corpus”.

O surto do comissário Fontana pode parecer um desabafo de cidadão contrariado. Tudo bem, mas os coronéis da ditadura também eram cidadãos e estavam claramente contrariados. Deu no que deu.

Alstom. Escândalo mostra que Serra aprendeu com o PT

Afinal, quem aprendeu com quem? Diante das maneiras, “delubinamentes” não republicanas, praticadas pelo PSDB, José Serra à frente, no buraco do suborno da empresa Alstom.

Assim como a existencial dúvida entre quem surgiu primeiro, se o ovo ou a galinha, ficam as perguntas: quem fez primeiro caixa 2 com recursos não contabilizados foi o PT ou o PSDB? Zé Serra terá assumido a sua (dele) porção Ideli Salvatti?

O jornalista Elio Gaspari sugere:
“Ou o senador Arthur Virgílio vem a São Paulo ensinar boas práticas aos tucanos, ou Serra vai a Brasília ensinar sua arte ao PT.”

Do O Globo

Elio Gaspari: “José Serra Precisa afrouxar o Garrote”

“O governador José Serra precisa mandar que a maioria tucana na Assembléia Legislativa de São Paulo afrouxe o garrote com que asfixia a oposição.

Num só dia ela derrubou seis pedidos de convocação de cidadãos que poderiam oferecer explicações para que se entenda a denúncia de que nos anos 90 a empreiteira Alstom pagou propinas a hierarcas do governo do Estado. Coisa de US$ 6,8 milhões.

Esmigalharam até mesmo um pedido de informações ao Ministério Público e à Polícia Federal. Era apenas a prática da velha e boa prática parlamentar de fazer perguntas para obter respostas.

O jabaculê da Alstom foi descoberto numa investigação conduzida pelo governo suíço e ex-diretores da empreiteira reconheceram que distribuíam dinheiro mundo afora.

A Alstom forneceu equipamentos ao Metrô de São Paulo e à usina hidrelétrica de Itá, na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina.

Desde que o assunto foi para a vitrine, em maio, já apareceram uns dez nomes e localizou-se uma lavanderia de dinheiro.

Mark Pieth, presidente do Grupo Anticorrupção da OCDE, disse ao repórter Assis Moreira que, em 2005, no Estado de São Paulo, pessoas que eram responsáveis pela compra de equipamentos não pediram suborno para eles, mas sugeriram que a empresa fizesse “pagamento ou presente político”, para o caixa de partido.

O tucanato paulista blinda seu armário de esqueletos de acordo com a doutrina que a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) enunciou logo depois da denúncia da maracutaia da VarigLog.

Quando ela soube que a oposição queria convocar a comissária Dilma Rousseff para explicar seu papel no episódio, respondeu: “Nem morta vou permitir a aprovação desse requerimento. Chega de inventar novidade para tumultuar e criar factóides”.

Em São Paulo, a tentativa de saber alguma coisa sobre uma mordida de US$ 6,8 milhões foi chamada de “kit PT” por Serra.

Em Brasília, dois dias depois, a senadora petista chamou de “factóide” a denúncia de uma ex-diretora da Anac envolvendo o favorecimento da VarigLog.

Apesar de tudo, a bancada do governo mostrou-se mais flexível que o tucanato de São Paulo e concordou com a expedição de convites a 12 pessoas envolvidas no rolo aéreo.

Amazônia. Marina Silva, Mangabeira Unger e Lula

A questão da exoneração da Ministra Marina Silva aparenta envolver mais coisas do que supõe a nossa vão filosofia. E a, se é que ele a tem, do grande chefe dos Tupiniquins. Abaixo alguns trechos “pinçados” da coluna do Elio Gaspari no O Globo.

“…O drible pareceu fácil. Lula criou um plano de desenvolvimento da Amazônia e entregou-o ao ministro Roberto Mangabeira Unger, que transita do nada ao futuro. Fez isso porque supunha que bastava chamar a ministra Marina de “mãe do PAS” e o ego da senhora estaria amaciado.

Nosso Guia se esqueceu da tenacidade das pessoas alfabetizadas aos 16 anos ou que, como Marinete, sua irmã, foram empregadas domésticas. A “metamorfose ambulante” enganou-se. Dando a impressão de que o colonialismo pernóstico do jornal inglês “The Independent” tem alguma razão: “[A Amazônia] é importante demais para ser deixada aos brasileiros”.

Não tendo perdido o juízo, a ministra preferiu perder o pescoço. Feito o estrago, as patrulhas do Planalto espalharam que Marina Silva foi indelicada, pois foi-se embora sem pedir demissão.

Faz tempo que Madame Natasha ensina: “Só em português que se pede demissão”. Nos outros idiomas, demissão se dá. Marina Silva exonerou o governo e nisso não houve indelicadeza.

Num sinal dos deuses, dona Marina fechou a conta no mesmo dia em que o ex-ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, foi denunciado pelo Ministério Público por gestão fraudulenta, corrupção passiva e formação de quadrilha.

Seria exagero concordar com o professor Mangabeira quando ele disse que “o governo Lula é o mais corrupto da nossa história”, mas Rondeau é o sétimo ministro de Lula levado à barra dos tribunais pelos procuradores da República. Seu gabinete ultrapassou a taxa de 10% de maganos acusados de malfeitorias. (O ministério de Lula já teve 65 titulares.)

Estão nos tribunais Antonio Palocci, José Dirceu, Luiz Gushiken, Humberto Costa, Benedita da Silva e o doutor Silas. Walfrido Mares Guia está denunciado por conta de práticas anteriores ao atual governo. Essa é a turma que saiu porque não podia ficar. Marina Silva é de outro plantel, o dos que foram embora porque não quiseram permanecer.”