Autogolpe de Trump fracassou por não ter apoio militar, diz Steven Levitsky, autor de Como as Democracias Morrem

Um acontecimento que não se via nos Estados Unidos desde o século 19.

Um grupo de apoiadores do presidente americano, Donald Trump, invadiu e depredou a sede do Congresso dos EUA, em Washington, após ultrapassarem as barreiras montadas por agentes de segurança, em meio a confrontos isolados.

O ato violento no Capitólio na quarta-feira (6/1) ocorreu logo depois que Trump discursou para uma multidão em frente à Casa Branca, a quase 3 km dali, repetindo acusações sem prova e rejeitadas por diversos juízes do país de que houve fraude na eleição em que perdeu para Joe Biden.

O que se viu no Capitólio foram cenas de caos, com congressistas deitados no chão, sendo evacuados e colocando máscaras antigás.
Para o professor de governabilidade da Universidade Harvard, Steve Levitsky, a invasão do Congresso foi uma resposta a “quatro anos de descrédito e deslegitimação da democracia” por parte do Partido Republicano e de Trump.

A cidade de Washington impôs um toque de recolher nesta quarta-feira a partir das seis da tarde.

Levitsky é coautor do livro Como as Democracias Morrem, de 2018, no qual expõe “os sinais alarmantes que põem em risco a democracia liberal dos EUA”.

Estudioso também dos processos democráticos e presidenciais da América Latina, Levitsky descreveu a invasão do Capitólio por apoiadores de Trump como uma “tentativa de autogolpe”, em entrevista à BBC News Mundo, serviço da BBC em espanhol.

Para ele, “a grande diferença entre esse autogolpe e os autogolpes na América Latina é que Trump foi completamente incapaz de obter o apoio dos militares” e “um presidente que tenta permanecer no poder ilegalmente sem o apoio dos militares tem poucas chances de sucesso”.

Apoiadores de Trump invadiram o Capitol enquanto as sessões eram realizadas para certificar votos para Joe Biden.

Segundo sua análise, “a democracia sobreviverá a este dia”, mas o que se coloca para o futuro do país é um período de crise bastante incerto.

BBC – Que interpretação o senhor dá para a insurgência de apoiadores de Trump no Capitólio dos Estados Unidos?

Levistky – Pode-se presumir que isso iria acontecer. Donald Trump e muitos, muitos líderes republicanos têm incitado, têm mentido para sua base que os democratas estão arruinando o país e subvertendo a democracia. Eles vêm dizendo isso há cinco anos.

E então, depois de perder a eleição, não só Trump mas também líderes do Partido Republicano estavam lá no Congresso, repetindo a mentira e desacreditando a legitimidade da democracia e das instituições. Depois de anos mobilizando sua base com uma linguagem que incluía termos como socialismo ou traição, pode realmente surpreender que isso esteja acontecendo depois que você perdeu a eleição?

Na história da América Latina, quando os líderes incitam seus seguidores em um ambiente altamente polarizado, as pessoas agem. Palavras têm significado, elas têm poder.

O que me surpreende nisso é como a polícia estava mal preparada.

A Polícia do Capitólio, fortemente armada, deteve alguns manifestantes

BBC – Como o senhor interpreta as reações de alguns membros do Partido Republicano e do próprio presidente Trump, que em um tuíte nesta quarta-feira (6/1) pediu a seus apoiadores que não fossem violentos?

Levistky – O presidente já foi radicalmente violento antes e, se não queria que isso acontecesse, precisava agir mais rápido e se mobilizar para evitar. Ele provavelmente não deveria ter sugerido que marchassem até o Congresso. Trump os enviou para lá, ele os incitou a se mobilizarem para o Congresso. O fato de que os líderes republicanos agora estão rompendo com Trump é hipócrita, depois de o apoiarem por anos, mas é importante e positivo. Parece-me positivo ter visto discursos como o de Mitch McConnell (líder da maioria do Partido Republicano no Senado).

BBC – Estamos diante de uma revolução, de um golpe de Estado, de uma insurreição?

Levitsky – É uma variante do que na América Latina chamaríamos de autogolpe. É um presidente mobilizando seus apoiadores para permanecer no poder ilegalmente. Será um autogolpe fracassado, mas é uma insurreição do poder para tentar subverter os resultados da eleição e permanecer no poder ilegalmente. Eu diria que foi uma tentativa de autogolpe.

BBC – Na América Latina, esse tipo de situações que o senhor descreve são prejudiciais à democracia. O senhor diria que este é um momento perigoso na história americana? Diria que a democracia permanecerá forte, e o presidente eleito Joe Biden será empossado em 20 de janeiro?

Levistky -Tenho esperado com terror por este dia na democracia americana nos últimos quatro anos. Todos os dias durante quatro anos. Nossa democracia está em grave crise e este é o ponto culminante dela. Mas não é que tenha saído do nada. Nossa democracia está em crise há vários anos e acho que vai continuar assim.

Este autogolpe vai fracassar. Aqueles que protestarem em algum momento serão retirados do Capitólio e em algum momento a eleição de Biden também será certificada, e Trump será removido da Presidência. Agora, não está claro como isso vai acontecer. Mas Trump vai fracassar, e a democracia americana sobreviverá aos eventos de hoje.

Mas isso não significa que está tudo bem. São acontecimentos aterrorizantes e prejudiciais como na América Latina. A grande diferença entre esse autogolpe e os autogolpes na América Latina é que Trump foi completamente incapaz de obter o apoio dos militares. Um presidente que tenta permanecer no poder ilegalmente sem o apoio dos militares tem muito poucas chances de sucesso.

BBC – O senhor fala com segurança que a democracia sobreviverá e que esta será uma tentativa fracassada.

Levistky – Hoje. Acredito que, no médio prazo, estamos nos aproximando de um período de crise. Eu digo que esta tentativa de hoje irá falhar, porque a correlação de forças não existe para apoiar Trump. Não tem apoio militar. A democracia sobreviverá quando acordarmos amanhã, mas não posso garantir o que acontecerá daqui a cinco anos. A democracia americana é um desastre.

BBC – O presidente eleito Joe Biden mencionou que a democracia estava “sob um ataque sem precedentes” com os acontecimentos desta quarta-feira. Esta situação é extraordinária no contexto da história americana moderna?

Levistky – É extraordinário e sem precedentes no contexto da história americana moderna. No século 19, o país passou por uma era de violência, especificamente nos anos anteriores à Guerra Civil, e também vivenciou violência, especificamente em nível estadual, durante anos após a Guerra Civil. Portanto, em meados do século 19, os EUA experimentaram crises ainda mais graves do que as que vemos hoje. Mas não sofremos algo assim no século 20.

Isso não tem precedentes na história democrática moderna.

Trump discursou para seus apoiadores em Washington na quarta-feira antes de invadirem o Capitólio

BBC – E quais são os mecanismos dos poderes constituídos para lidar com essa crise? Na Constituição ou nas legislaturas?

Levistky – Formalmente, existem dois mecanismos, mas nenhum deles foi usado até agora. Um é o impeachment ou o impeachment que leva à remoção. Nos EUA, ocorreram julgamentos políticos de presidentes, mas não resultaram em sua destituição do poder. É um processo bastante longo, a menos que o façamos à maneira peruana, de retirar o presidente durante a noite. É improvável que isso aconteça.

E há outro mecanismo, a emenda nº 25 à Constituição, que é mais recente porque foi aprovada em meados do século 20, e também não foi usado até agora.

Nenhum desses mecanismos foi adotado.

A América Latina tem muito mais experiência em provocar a destituição de presidentes que abusam do poder do que os EUA. A grande maioria das democracias presidencialistas está na América, mas nunca usamos o mecanismo americano para remover um presidente nos termos constitucionais.

Acho que a melhor saída seria Trump renunciar, seria que aqueles de seu próprio partido pressionassem Trump a renunciar. Ele não vai, mas deveria.

BBC – Mas ele está dizendo que não vai. Então, se ele nunca o fizer, se ele nunca ceder, o que acontece?

Levitsky – Durante o mês de novembro, esperei que sua filha e seu genro o fizessem entender, e há reportagens que indicam que ele sabe que perdeu e que deve ir embora. Uma característica de Trump é que ele não antecipa as consequências do que diz e faz. Então, eu não acho que ele previu o que acabou acontecendo hoje no Capitólio, embora ele o tenha instigado.

Acho que Trump sabe que tem que sair e acho que o cenário mais provável, apesar deste terrível golpe fracassado, é que os americanos virem a página e deixem Trump passar suas últimas duas semanas no cargo. Tudo é possível neste momento, mas parece improvável que ele tente se recusar a sair em 20 de janeiro.

Não teremos mais uma transição pacífica de poder, mas será, mais ou menos, uma transferência de poder habitual.

BBC – O senhor disse que a invasão do Capitólio é o ponto culminante de cinco anos de um intenso jogo político entre o presidente Trump e o Partido Republicano. O que o senhor acha que acontecerá no contexto de uma nova Presidência democrata de Joe Biden?

Levitsky – Eu acho que é muito incerto. Decerto não há tantas pessoas nas ruas; obviamente estão fazendo muito barulho, mas em comparação com a marcha das mulheres depois que Trump foi eleito, esta é uma festa no jardim. Não é que as massas estejam tomando as ruas, isso não é uma revolução. Esta não é a Argentina em outubro de 1945.

Então, o que eu acho, dependendo do que Trump faz, é que em algum momento ele terá que desistir. E se ele desistir e voltar para a Flórida, acho que isso vai ficar mais fraco. Ainda haverá uma direita radicalizada e mobilizada, mas não acho que Biden esteja enfrentando uma crise de governança.

Na verdade, acho que talvez isso o fortaleça. Porque agora os republicanos estão à beira de uma divisão severa. Portanto, acho que há várias coisas que podem acontecer: Uma, que o Partido Republicano finalmente se reunirá e derrubará Trump, de modo que ele acabe isolado, junto com seus aliados como (Rudy) Giuliani e as pessoas a quem perdoou. E que Mitch McConnell, Marco Rubio e até Ted Cruz acabam abandonando Trump.

Ou a outra coisa que pode acontecer é que o Partido Republicano se divida, quebre, como parecia que ia acontecer nesta quarta-feira. Não estou falando de uma divisão formal, mas de uma composição na qual há uma ala do partido que ainda está fortemente alinhada com Trump e outra ala que está tentando ir além de Trump. E se os republicanos estão divididos, isso vai fortalecer Biden.

Brasil patina no plano para vacina contra covid-19

Não foi surpresa, mas um constrangimento.

Apenas um dia depois do segundo turno das eleições municipais e dos discursos de Bruno Covas (PSDB) de que a pandemia era estável na cidade, o governador de São Paulo, João Doria, recuou no plano de retomada das atividades econômicas e sociais e determinou que todo o Estado retorne para a fase amarela de contenção contra a covid-19, incluindo a capital. A decisão de impor mais restrições é motivada pela piora nos indicadores do novo coronavírus no Estado, com a elevação de 12% nos óbitos e de 7% nas internações.

Enquanto mais cidades brasileiras se preparam para a segunda onda da covid-19, as esperanças se voltam para a vacina. Nesta segunda, o laboratório Moderna pediu autorização para vender a sua, após anunciar a eficácia de 100% contra a covid-19 grave. O problema é que o Brasil pode perder mais esse bonde. Reportagem de Beatriz Jucá mostra como o país está atrasado na formulação de uma estratégia de imunização nacional. Nesta terça-feira está prevista uma reunião para discutir uma primeira versão de um plano de vacinação para a covid-19. “O Ministério da Saúde está devendo esse planejamento. Espero que estejam planejando e só não tenham comunicado ainda à população. Pensar que não há um plano é desastroso”, afirma a microbiologista Natalia Pasternak.

Um dia após o desfecho nas urnas das eleições municipais, o mundo político faz seu balanço eleitoral de olho em 2022. Ao EL PAÍS o cientista político Fernando Abrucio diz que a pandemia “pegou Jair Bolsonaro de calças curtas” e evidenciou a necessidade de pautas concretas como emprego, saúde e educação, muito além dos discursos sobre costumes, que são a base do bolsonarismo, ou da aposta na polarização política.

“É uma onda muito forte essa. À direita e à esquerda, quem quiser ir bem nas eleições vai ter que modular o discurso e as ações de acordo com essa conjuntura toda que é uma novidade”, disse ele, que se fia na análise de entrevistas em profundidade feitas com eleitores. Também nesta edição, reportagem analisa o encolhimento do PT nas urnas, o pior desempenho desde a democratização.

Em São Paulo, o Beco do Batman, ponto turístico da Vila Madalena famoso por seus grafites coloridos, foi tingido de preto para protestar contra o assassinato do artista NegoVila no último sábado no bairro. O artista negro foi morto a tiros por um policial à paisana, que está preso. Artistas como OsGêmeos e Lino & Guru também prestaram suas homenagens.

Fatos & Fotos – 30/11/2020

Abandonado pelo deus mercado Paulo Guedes diz que se “sente apedrejado pelas costas.” Que dó! Um homem tão bom…



O ódio, a mentira e a estupidez não podem prevalecer. Máscaras caem com o tempo, você não consegue esconder por muito tempo quem você realmente é! Mostra sua essência!

“As pessoas acham que o mentiroso triunfa sobre suas vítimas. O que aprendi é que uma mentira é um ato de autoabdicação, porque quem mente entrega sua realidade à pessoa para quem a mentira se dirige, tornando-se servo daquele indivíduo, ficando condenado dali em diante a falsear a realidade tal qual ela exige. E, ainda que se consiga atingir o objetivo imediato visado pela mentira, o preço que se paga é a destruição daquilo que se pretendia obter. O homem que mente para o mundo é escravo do mundo dali em diante.”
Ayan Randt


Netanyahu, o líder internacional mais beneficiado por Trump e um gênio político, não apenas reconheceu a vitória de Biden como está em contato direto com o futuro presidente. Já a “praga” que destrói o que resta de “South Banânia” – South Banânia está sob intervenção militar desde 1964( Golbery fundou o PT para legitimar a farsa) – diz ter “fontes” dizendo ter havido fraude. Para a “praga”, o WhatsApp virou fonte melhor do que o Mossad.
Como um ventre pode parir um imbecil desse calibre?


Não seja (muito) idiota. Só o suficiente para acreditar em democracia, eleições e ideologias, já é um claro sinal de deficiência mental. Se seu candidato perdeu a eleição, chamar de burro todos que votaram no outro lado é uma forma de garantir a mesma derrota nas próximas eleições, imbecil!


Essa bosta inútil, acaba de passar um recibo de racista.

Além de fascista escroto é um racista de merda. Tudo porque aqui não passou monsieur Guilhotin.


São Paulo continua uma tragédia anunciada.

A esquerda não aprende a falar “dois pastel e um chops”. Esse povo comum é que decide se acredita ou não no discurso propagado pela Avenida Paulista.


Foto do Dia
Fotografia de Roberto Pazzi


Volto agora ao atelier para continuar flertando com o abismo, e contra o desafio desse moço, que me fita do cavalete como se não houvesse, ainda que réstias, de fúria e desalento em minha paleta de cores.

Enquanto for questão de sobrevivência, comigo mesmo, continuarei fora da caixa. Insone por insone, procurarei um canto entre as telas para me acalentar até o sol escamotear as trevas nas quais o Cramulhão do Planalto nos mergulhou.


No meu entendimento quem procura infindos argumentos e adjetivos para se explicar sobre o próprio voto, não sabe porque votou. E pior, a suruba de religião – qualquer uma – com política é sinal claro de desnutrição intelectual.

Essas pessoas para as quais tudo é justificado, para o bem ou para o mal, por decisões de divindades, precisam entender um pouco de nutrição; capim alimenta, mas não ilumina.
“Esta é a peculiaridade do privilégio e de qualquer posição privilegiada: matar o intelecto e o coração do homem. O homem privilegiado, seja ele privilegiado politicamente ou economicamente, é um homem depravado em intelecto e coração.”


Trump admitie vitória de Biden, mas segue narrativa de fraudes eleitoral

“Ele [Biden] venceu porque a eleição foi fraudada”, disse Trump em sua conta no Twitter neste domingo (15).

“Ele venceu porque a eleição foi fraudada”, disse Trump, ao apontar arbitrariedades no processo eleitoral, sem apresentar provas.

O republicano Donald Trump pela primeira vez reconheceu a vitória de Joe Biden, mas segue a narrativa de fraudes que, segundo ele, beneficiou o democrata. Apesar da insistência de Trump, o reúblicano não apresenta provas concretas das ações ilícitas no pleito eleitoral.

Segundo Trump, “todas as ‘falhas’ mecânicas que aconteceram na noite da eleição foram na verdade ELES [democratas] sendo pegos tentando roubar votos”.

Sem luz, Macapá tem eleição adiada

Atingida por apagão, cidade ainda não teve fornecimento de energia totalmente restabelecido. Justiça decide adiar votação, por dificuldades em garantir a segurança do pleito.

Incêndio na principal subestação de energia do estado atingiu transformadores, e não havia peças de reposição.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, atendeu na madrugada desta quinta-feira (12/11) um pedido do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) e decidiu pelo adiamento das eleições para prefeito e vereador na capital Macapá. Nos outros municípios do estado, a votação ocorrerá normalmente no próximo domingo. A decisão para Macapá vale para o primeiro e segundo turnos.

No início do mês, o estado passou a enfrentar graves problemas no abastecimento de energia após um incêndio numa subestação de Macapá. O apagão atingiu 13 das 16 cidades do estado, afetando mais de 700 mil pessoas. Inicialmente, a região ficou mais de três dias sem energia. Aos poucos, o fornecimento foi sendo restabelecido, mas ainda vigora um rodízio.

Pela decisão de Barroso, o adiamento do pleito em Macapá vai vigorar até que sejam restabelecidas “as condições materiais e técnicas para a realização do pleito, com segurança da população”. A nova data para realização do pleito em Macapá deverá ser fixada em interlocução entre o TRE e o TSE.

Em sua decisão, o presidente do TSE destacou que o relato do presidente do TRE-AP “retrata situação que permite concluir que, na capital, Macapá, não há segurança adequada para a realização das eleições”.

Segundo o ministro, informações de outros órgãos, como Polícia Federal, mostraram “consenso acerca dos riscos da realização das eleições neste domingo”.

“Fatos extraordinários e imprevisíveis tornaram inviável a realização de eleições em Macapá, já que ainda não foi restabelecido o regular fornecimento de eletricidade no município e o efetivo da Polícia Militar não se mostra suficiente para garantir a segurança dos eleitores. Nesse contexto, não é legítimo exigir que a população de Macapá seja submetida ao sacrifício extremo de ser obrigada a comparecer às urnas em situação de calamidade pública, reconhecida por decreto municipal, e, ainda, de risco à segurança”, aponta a decisão.

No pedido apresentado ao TSE no início da noite desta quarta, o presidente do TRE-AP, Rommel Araújo, afirmou que se reuniu com representantes da área de inteligência da Abin, Exército Brasileiro e da Polícia Rodoviária Federal, que relataram, em razão do retorno gradual da energia, “ações de vandalismo, algumas delas dirigidas e coordenadas por membros de facções criminosas”.

Além disso, segundo Barroso, “parte da população, que sofre com o desabastecimento de água e falta de energia elétrica, está sendo incitada à realização de queima de pneus em via pública, bem como a depredarem o patrimônio público”. Ele destacou ainda a previsão de “várias manifestações (…) sendo convocadas para demonstração de desagrado em frente aos locais de votação, o que colocaria em risco os eleitores da Capital”.

O presidente do TRE-AP ainda havia destacado que o efetivo da Policia Militar estava reduzido por conta de policiais que testaram positivo para a Covid-19.

Nas demais cidades do Amapá, apontou Barroso, “a situação de segurança do eleitor poderá ser mantida sob controle, com o aparato de segurança atualmente disponível”.

Na quarta-feira, a Polícia Civil do Amapá descartou que um raio tenha causado o incêndio na subestação de Macapá. Um laudo prelimitar apontou que as chamas começaram após uma peça de um transformadores superaquecer.

JPS/tse/ots

Sergio Moro teve almoço secreto com Luciano Huck dias após prender Lula em 2018

Revelação da Folha de S.Paulo diz que o ex-juiz e ex-ministro bolsonarista Sergio Moro e o apresentador global Luciano Huck almoçaram juntos em 30 de outubro passado na varanda do duplex de Moro no Bacacheri, bucólico bairro de classe média de Curitiba

Encontro sigiloso ocorreu a três dias da data final para que apresentador decidisse ser candidato a presidente.

Mas a relação íntima entre ambos é bem mais antiga. Vem, ao menos, desde abril de 2018. Huck e Moro tiveram um outro convescote privado há dois anos e meio, revelou numa breve nota o repórter Roberto José da Silva, o Zé Beto, ex-correspondente da revista Placar (em seus anos áureos) em Curitiba e atualmente titular de um blog sobre política local em Curitiba.

Eu fui atrás de mais detalhes e procurei Moro e Huck. O ex-ministro bolsonarista confirmou o almoço; o global preferiu não fazer comentários, mas não se atreveu a negar o encontro que se deu numa sexta-feira, 27 de abril de 2018. Naquela manhã, o apresentador tinha gravações de um quadro de seu programa de televisão em Colombo, região metropolitana de Curitiba.

Aproveitou para pedir uma conversa privada com Moro. A pedido de Huck, foi agendada mesa numa sala reservada, longe da vista dos demais comensais, no Vindouro, um misto de loja de vinhos finos e bistrô elegante que ocupa uma casa discreta no Juvevê, bairro de classe média alta da capital.

O local não foi escolhido por acaso. O Vindouro tem salas privativas e está localizado a pouco menos de 1,5 quilômetro de distância da sede da Justiça Federal em Curitiba. Àquela época, Moro era juiz da Lava Jato.

A provinciana cidade fervia com a recente chegada do preso mais ilustre de sua história: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 5 de abril, 22 minutos após o Tribunal Regional Federal da 4ª Região autorizar a execução provisória da pena de Lula, Moro mandou prendê-lo. O petista se entregou na noite de 7 de abril. Vinte dias depois, Huck e Moro estavam frente à frente no Vindouro.

Sobre a mesa, um lombo de bacalhau escoltado por batatas ao murro. A mim, Moro jurou que o almoço foi um pedido de Huck e “encontro meramente social”. Mas, a menos que Huck estivesse curioso para saber quais as favoritas do magistrado na discografia do Capital Inicial ou segredar-lhe os últimos bafos do Projac, é difícil acreditar. Por um motivo: faltavam três dias para que Huck se confrontasse com o Dia D de sua candidatura presidencial.

É claro, portanto, que o prato principal foi a conjuntura político-eleitoral, de que Moro era ator principal. O apresentador ensaiava disputar o Planalto desde o início de 2017. Foi encorajado por figuras como Fernando Henrique Cardoso e o economista Armínio Fraga. Mas, num artigo em que se comparou ao Ulisses, da “Odisséia” de Homero, recuou – os vultosos contratos dele e da esposa, Angélica, com a Globo, falaram mais alto.

Só que a condenação de Lula na segunda instância em fins de janeiro recolocou o nome de Huck na mira de dirigentes partidários. Cabe lembrar que na sentença os juízes não divergiram sequer sobre a duração da pena a ser aplicada, eliminando um possível recurso do petista e, na prática, tirando-o da disputa presidencial devido à lei da ficha limpa. Em fevereiro, o apresentador voltou a negar a disposição de concorrer, mas a decisão estava longe de ser definitiva. Só seria no fim da noite de 30 de abril, última data do calendário eleitoral para que pré-candidatos se filiem às legendas pelas quais pretendem figurar nas urnas.

O almoço no Vindouro se deu no último dia útil antes do 30 de abril. A sexta-feira tornava a data estratégica: seja lá o que ouvisse do (e confidenciasse e prometesse ao) então juiz, Huck teria o fim de semana para ruminar a respeito em casa com a família e, caso assim decidisse, a segunda-feira para se filiar a algum partido e anunciar a candidatura. Tudo a tempo de causar uma reviravolta na eleição que alçou a extrema direita ao poder no Brasil.

Refestelados após o bacalhau e a conversa, Moro e Huck ainda tiveram tempo para ouvir pedidos de fotos de funcionários do restaurante. O juiz, que à época fingia não agir sempre com um olho na política, preferiu se manter oculto, mas o apresentador não se fez de rogado. A foto de uma das funcionárias com Huck (que enverga o mesmo casaco corta-vento e a camiseta clara da selfie que tirou em Colombo) está no site da casa.

Não deixa de ser curioso que Moro tenha se recusado a deixar surgirem provas do “encontro meramente social” com Huck. Há quem ache que Moro merece o benefício da dúvida. A esses, lembro que até os fãs de carteirinha Deltan Dallagnol e Roberson Pozzobon já acharam difícil acreditar no ex-juiz.

Como se sabe, Huck não mudou de ideia sobre concorrer à Presidência em 2018. Moro, se ficou desapontado com o apresentador, não precisou esperar muito para alçar voo rumo a Brasília. Aceitou o convite para ser ministro de Jair Bolsonaro em 1º de novembro, exatos 30 dias após levantar o sigilo da controversa delação de Antonio Palocci às portas do primeiro turno da eleição.

Huck também cerrou fileiras com Bolsonaro. Afirmou ver no ex-militar de extrema direita alguém capaz de ressignificar a política no Brasil. Um dos braços direitos da natimorta campanha do global foi parar no governo – o ministro da Economia Paulo Guedes.

Se Guedes ainda se sustenta no governo mesmo sem entregar nada do que promete, Moro e Huck, traídos pelo capitão, voltaram à mesa em 2020 e, entre uma garfada e outra, tentam se reembalar como centristas. Um centro algo terraplanista, em que há espaço até para o vice-presidente Hamilton Mourão, de verve golpista e fã confesso do torturador condenado Brilhante Ustra. Numa descrição mais precisa, trata-se mesmo de uma extrema direita refinada, que arrota vinhos caros e gosta de exibir à mesa guardanapos de pano presos com elásticos dourados.

Mas o almoço de 2018 não deixa de ser mais uma evidência de que Huck aventou sua candidatura presidencial em 2018 até a última hora – ou seja, de que a decisão de ficar no Caldeirão lhe foi custosa. E de que Moro já fazia política muito antes de despir a toga, curvar a espinha e se tornar cão de guarda de Bolsonaro.

Curiosidade: o Vindouro pertence à esposa de um político tucano que à época já estava na mira da Lava Jato – seria preso ainda em 2018. Na resposta que me enviou, o ex-juiz e ex-ministro afirma que “não tinha conhecimento sobre quem era o proprietário do estabelecimento, que depois foi preso pela Lava Jato por ordem do próprio magistrado”.

As decisões internacionais de Trump que Biden deve reverter

O presidente eleito Joe Biden prometeu restaurar o papel de liderança dos Estados Unidos no mundo, revertendo o unilateralismo do governo de Donald Trump e se reorientando para alianças internacionais de longa data.

Biden afirma ainda que seu governo irá promover a diplomacia e liderar pelo “poder do exemplo”, em vez de pelo “exemplo do poder”.

Da saída do acordo climático de Paris até o compromisso nuclear com o Irã, expectativa é de que presidente eleito desfaça muitas das medidas unilaterais adotadas por Donald Trump.

Biden herdou uma situação em que os aliados questionam a credibilidade dos EUA e com as relações entre Washington e outras capitais ao redor do mundo passando por um momento de tensão.

O presidente eleito prometeu reparar o máximo de danos possível em seus primeiros cem dias de mandato, revertendo uma série de ordens executivas assinadas pelo atual governo. Tais ordens derrubaram acordos e alianças internacionais que Trump alegou serem injustos para os EUA por diversas razões. Segundo os críticos, porém, essas medidas foram contraproducentes, com o isolacionismo americano simplesmente permitindo que a China expandisse sua influência na ausência dos EUA.

Estas são algumas das principais medidas da política externa que o presidente eleito prometeu reverter assim que tomar posse:

Acordo nuclear com o Irã

O presidente Trump criticou regularmente o acordo nuclear com o Irã como “um dos piores negócios da história”, retirando os EUA do pacto em 8 de maio de 2018. Trump também restabeleceu as sanções ao Irã e a qualquer um que fizer negócios com a nação persa.

Assinado em 2015 pelo governo de Barack Obama, ao lado de China, França, Rússia, Reino Unido e Alemanha, além do Irã, o acordo concordou em estabelecer o diálogo e o monitoramento do programa nuclear iraniano em troca de alívio econômico. O governo Trump chamou o acordo de fraco e, em vez disso, optou pela chamada “campanha de pressão máxima”.

Biden acusa a política de Trump de ser ineficaz e de ter servido apenas para o aumento das tensões. Ele prometeu retornar ao acordo, mas disse que só retirará as sanções após a confirmação da estrita adesão do Irã às regras do pacto.

De forma mais geral, Biden também pode buscar distanciar os EUA da Arábia Saudita, adversário regional do Irã e maior aliado árabe de Washington no Oriente Médio. Durante seu mandato, Trump manteve forte proximidade com a monarquia autoritária, cujo reino desempenhou um papel fundamental na aliança anti-iraniana do presidente. Tal distanciamento poderia começar com o fim do apoio dos EUA à guerra da Arábia Saudita no Iêmen.

Acordo Climático de Paris

Biden, eleito em parte com o compromisso de combater as mudanças climáticas, tem afirmado que retornará imediatamente ao Acordo de Paris sobre o Clima. Trump, um negacionista do aquecimento global, retirou os EUA do acordo em 1º de junho de 2017, alegando que o pacto favorecia injustamente a China.

Os EUA são o segundo maior poluidor do mundo, atrás apenas da China.  Enquanto Trump enquadrou a questão em termos econômicos de soma zero, priorizando os lucros dos combustíveis fósseis em detrimento da proteção ambiental, Biden prometeu investir numa economia de energia limpa para financiar programas ambiciosos de redução de emissões.

Organização Mundial da Saúde (OMS)

O governo Biden se comprometeu a retornar imediatamente à OMS e a liderar os esforços no combate ao coronavírus. Antes de Trump, os EUA tinham grande influência nessa importante autoridade de saúde pública, contribuindo com 15% de seu orçamento. Em 7 de julho de 2020, porém, o presidente americano anunciou que o país iria se retirar da organização – que, entre outras coisas, coordena os testes de vacinas globais – em 6 de julho de 2021.

No início de novembro, os EUA registram o maior número de infecções por coronavírus num único país (quase 10 milhões), bem como recorde de mortes (237 mil), com infecções e mortes globais em mais de 50 milhões e 1,2 milhão, respectivamente.

Nações Unidas

Trump ameaçou deixar as Nações Unidas, embora até agora os EUA só tenham deixado duas instituições integrantes da organização: o Conselho de Direitos Humanos (UNHRC) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Em ambos os casos, a justificativa foi um suposto tratamento injusto dado ao aliado Israel.

Em 19 de junho de 2018, a embaixadora da ONU Nikki Haley chamou o UNHRC de “uma organização hipócrita e egoísta que zomba dos direitos humanos”, apontando para o que ela chamou de “preconceito crônico contra Israel” e se opondo à presença de China, Cuba e Venezuela no conselho. Os EUA exigiram reformas do órgão e várias vezes se desentenderam com ele por causa de Israel.

Como motivo para a retirada da Unesco, o governo Trump mencionou divergências na escolha de locais como Patrimônio Cultural da Humanidade. EUA e Israel disseram que vínculos históricos judaicos foram ignorados nas decisões, que ainda tocaram em questões mais profundas de soberania internacional coma declaração da velha cidade de Hebron e do  Túmulo dos Patriarcas como locais palestinos.

Os EUA já haviam deixado a Unesco em 1984, sob o governo de Ronald Reagan, e retornaram novamente em 2002, no governo de George W. Bush. Os pagamentos foram congelados por nove anos sob o governo de Barack Obama, mas os EUA mantiveram sua adesão.

Biden é um forte apoiador de Israel e recebeu bem os acordos recentes entre a nação judaica e os Emirados Árabes Unidos, mas seu governo provavelmente fará pressão para impedir a construção de assentamentos israelenses e anexações, além de ser um defensor mais explícito das necessidades dos palestinos na ONU.

OMC e Otan

Outras questões que Biden abordará incluem a situação das relações comerciais, bem como a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Biden buscará superar divergências criadas e expandir a cooperação, mas os objetivos de política externa permanecerão os mesmos.

Resta saber se ele conseguirá recuperar a confiança e ser bem-sucedido na conquista dos objetivos por ele declarados: “Promover a segurança, a prosperidade e os valores dos Estados Unidos, tomando medidas imediatas para restaurar a nossa própria democracia e nossas alianças, proteger nosso futuro econômico e, mais uma vez, colocar os Estados Unidos na dianteira, liderando o mundo no enfrentamento dos desafios globais mais urgentes” – ou se o mundo mudou nos últimos quatro anos.

Sem prova alguma, Bolsonaro volta a dizer que sistema eleitoral é “passível de fraudes”

O presidente Jair Bolsonaro voltou a colocar o sistema eleitoral brasileiro em xeque.

Em evento do governo sobre o setor de turismo, o chefe do Executivo disse que o sistema é “passível de fraudes”. Na semana passada, Bolsonaro defendeu a volta do voto impresso em 2022.

“Não temos sistema sólido de votação no Brasil, que é passível de fraude sim, que tudo pode mudar no futuro com fraude. Eu entendo que só me elegi como presidente porque tive muito voto e não gastei nada não. Foram R$ 2 milhões arrecadados por vaquinha”, disse.

PROVAS – Em março deste ano, Bolsonaro chegou a afirmar que tinha provas de que teria vencido as eleições presidenciais no primeiro turno em 2018. Desde então, contudo, não apresentou evidências disso. Nesta terça, em desabafo e sem entrar em detalhes, Bolsonaro afirmou que, durante a pandemia da covid-19, foi impedido de tomar certas decisões que como chefe de Estado eleito deveria ter feito.

“O que faltou para nós não foi um líder, faltou deixar o líder trabalhar, eu fui eleito para isso. Imagina se tivesse o (Fernando) Haddad no meu lugar. Ou tivesse o governador de São Paulo (João Doria) no meu lugar. Como é que estaria o Brasil? Que desgraça estaria esse País, semelhante aqui ao sul na Argentina onde fecharam tudo”, afirmou.

RIVALIDADE – Em referência à situação econômica da Argentina, o presidente disse que cidadãos do país vizinho têm se refugiado no Uruguai e até no Rio Grande do Sul. “Será que o Rio Grande do Sul vai se transformar em uma Roraima? Da Venezuela para Roraima, da Argentina para o Brasil. Nós não queremos isso. Rivalidade com a Argentina apenas futebol, nada mais além disso”, declarou.

Para uma plateia de empreendedores, Bolsonaro também disse no discurso que é preciso buscar solução e ter “coragem” para a retomada. Neste contexto, afirmou que o “parlamento também tem culpa” e reforçou suas críticas à esquerda. “Eu sei como funciona parlamento, ali tem uma corrente forte de esquerda, corrente do atraso, corrente para dividir o que é dos outros e não o deles.”

Eleição americana: Comportamento de Eduardo ratifica o seu despreparo para ser embaixador

Integrantes do Itamaraty avaliam que, se ainda restava dúvidas sobre o despreparo do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para ocupar o posto de embaixador do Brasil nos Estados Unidos, estas acabaram de vez, durante a eleição presidencial entre Donald Trump e Joe Biden.

A atuação do filho “02” do presidente Bolsonaro, que resolveu questionar a legitimidade da apuração nos EUA, sem provas, reproduzindo o discurso de Trump, foi descrita como uma grande “gafe” para quem já teve (ou tem) a ambição de ocupar um posto diplomático. A avaliação de diplomatas é que Eduardo fere um princípio básico da boa diplomacia, de não interferir na política de outro país.

INTERFERÊNCIA – “Uma das boas práticas diplomáticas, já que ele queria ser embaixador, é não interferir em processos eleitorais de outros países, para manter a capacidade de interlocução com quem quer que seja eleito no fim do processo”, disse um integrante do Itamaraty.

No ano passado, o presidente Jair Bolsonaro disse que pretendia indicar o filho para o posto de embaixador dos EUA. Eduardo se movimentou e fez um beija-mão no Senado para garantir a aprovação de seu nome. O governo, porém, nunca teve a garantia que teria votos suficientes para aprová-lo. Eduardo acabou anunciando sua desistência da indicação em outubro de 2019.
Bela Megale
O Globo

Bolsonaristas criticam Eduardo por compartilhar postagem sobre denúncias de fraudes nos EUA

O ex-quase embaixador e fritador de hambúrguer dissemina desinformação

Aliados e assessores de Jair Bolsonaro criticaram a atitude do filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que, ao compartilhar mensagem de um blogueiro bolsonarista, endossou denúncias de fraudes nas eleições dos Estados Unidos.

As alegações de fraude são uma estratégia da campanha do presidente Donald Trump, candidato à reeleição, que está atrás do rival Joe Biden na contagem dos votos. Autoridades norte-americanas não apontaram nenhum indício de irregularidade na votação. O presidente Bolsonaro e o bolsonarismo em geral apoiam Joe Biden .

“ERRO” – Para um aliado e para um assessor presidencial, a postagem do deputado, presidente da Comissão de Relações Exteriores, é um “erro” porque, como filho do presidente, a leitura que sempre será feita é que o pai tem a mesma opinião.

“Ele já foi criticado por deputados democratas no passado. Agora, compartilha uma mensagem de um blogueiro dando razão às teses defendidas pelo Trump, de que houve fraude. E não há nada concreto nesse sentido. Mesmo que houvesse, não cabe ao Brasil interferir nesse processo”, disse ao blog reservadamente um aliado do presidente no Congresso.

“ESTRANHO” – Ao compartilhar a mensagem do blogueiro com alegação de fraude, o filho do presidente escreveu a palavra “estranho”. Para um assessor presidencial, isso mostra como foi acertada a decisão de Bolsonaro de recuar na indicação do filho para ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

Segundo o assessor, se Eduardo Bolsonaro tivesse sido indicado e o Senado aprovado seu nome, o que era considerado difícil, hoje ele poderia estar criando mais problemas para o Palácio do Planalto como embaixador brasileiro nos EUA. Poderia estar dando declarações de apoio a Trump num cenário em que Biden pode ganhar a eleição americana.