Quão sustentável é sua roupa?

A moda é responsável por cerca de 10% das emissões de gases de efeito estufa provenientes da atividade humana, mas existem maneiras de reduzir o impacto do seu guarda-roupa no clima.

“Durante anos fiquei obcecado em comprar roupas”, diz Snezhina Piskova. “Eu comprava 10 pares de jeans muito baratos apenas por ter mais diversidade no meu guarda-roupa por um preço baixo, mesmo que eu acabasse usando apenas dois ou três deles.”

Quando se trata de resistir à atração da moda, Piskova enfrenta um desafio mais difícil do que a maioria. Como redatora de uma empresa da indústria da moda, ela está cercada por fashionistas. E tem sido fácil acompanhar a maré.

Mas as conversas sobre a crise climática levaram Piskova, que mora em Sofia, na Bulgária, a considerar o impacto que a indústria e seus próprios hábitos de compras estavam tendo.

A indústria da moda responde por cerca de 10% das emissões globais de carbono e quase 20% das águas residuais. E embora o impacto ambiental do voo seja agora bem conhecido, a moda consome mais energia do que a aviação e a navegação combinadas.

As roupas em geral têm cadeias de suprimentos complexas que dificultam a contabilização de todas as emissões resultantes da produção de calças ou casaco novo. Depois, há como a roupa é transportada e descartada quando o consumidor não quer mais.A indústria da moda é responsável por mais emissões de carbono do que as provenientes da aviação (Crédito: Getty Images / Alamy / Javier Hirschfeld)

Embora a maioria dos bens de consumo sofra problemas semelhantes, o que torna a indústria da moda particularmente problemática é o ritmo frenético de mudanças pelas quais ela não apenas passa, mas incentiva. A cada temporada que passa (ou microseason), os consumidores são levados a comprar os itens mais recentes para se manterem na moda.

É difícil visualizar todas as entradas que entram na produção de roupas, mas vamos usar o jeans como exemplo. A ONU estima que um único par de jeans requer um quilo de algodão. E como o algodão tende a ser cultivado em ambientes secos, a produção desse quilo requer cerca de 7.500 a 10.000 litros de água. São cerca de 10 anos em água potável para uma pessoa.

Existem maneiras de tornar o jeans menos intensivo em recursos, mas, em geral, jeans compostos de material o mais próximo possível do estado natural do algodão usam menos água e tratamentos perigosos para produzir. Isso significa menos branqueamento, menos jateamento de areia e menos pré-lavagem.

O material elástico elástico em muitos jeans da moda é feito com materiais sintéticos derivados do plástico, o que reduz a reciclagem e aumenta ainda mais o impacto ambiental.

Infelizmente, isso também significa que alguns dos tipos mais populares de jeans são os mais difíceis do planeta. Por exemplo, os corantes de tecido poluem os corpos d’água, com efeitos devastadores na vida aquática e na água potável. E o elástico elástico tecido através de muitos estilos modernos de jeans justos é feito com materiais sintéticos derivados do plástico, o que reduz a reciclagem e aumenta ainda mais o impacto ambiental.

A fabricante de jeans Levi Strauss estima que um par de seus icônicos jeans 501 produzirá o equivalente a 33,4 kg de dióxido de carbono equivalente durante toda a sua vida útil – quase o mesmo que dirigir 69 milhas em um carro médio nos EUA. Pouco mais de um terço dessas emissões são provenientes da produção de fibras e tecidos, enquanto outros 8% são de corte, costura e acabamento do jeans. Embalagens, transporte e varejo respondem por 16% das emissões, enquanto os 40% restantes são do uso do consumidor – principalmente da lavagem do jeans – e do descarte em aterros sanitários.

Outro estudo sobre jeans fabricados na Índia que continha 2% de elastano mostrou que a produção de fibras e tecido de denim liberava 7 kg a mais de carbono do que os da análise de Levi. Isso sugere que a escolha de produtos de brim em bruto terá menos impacto no clima.

Mas também é possível procurar outras maneiras de reduzir o impacto do seu jeans olhando a etiqueta. Programas de certificação como a Better Cotton Initiative e o Global Organic Textile Standard podem ajudar os consumidores a descobrir quão verde é seu jeans (embora esses programas não sejam perfeitos – muitos sofrem com a falta de financiamento e as complexas cadeias de fornecimento de algodão podem dificultar a conta de onde tudo vem).Cultivar o algodão necessário para um único par de jeans requer uma enorme quantidade de água, enquanto os processos de morrer e de fabricação usam ainda mais (Crédito: Getty Images / Javier Hirschfeld)

Alguns fabricantes também estão trabalhando em maneiras de reduzir o impacto ambiental da produção de seus jeans, enquanto outros desenvolvem maneiras de reciclar jeans ou até jeans que se decomporão dentro de alguns meses quando compostados.

Não é algodão, mas o poliéster de polímero sintético que é o tecido mais comum usado em roupas. Globalmente, “65% das roupas que vestimos são à base de polímeros”, diz Lynn Wilson, especialista em economia circular, que, para sua pesquisa de doutorado na Universidade de Glasgow, está focada no comportamento do consumidor relacionado ao descarte de roupas.

Cerca de 70 milhões de barris de petróleo por ano são usados ​​para fabricar fibras de poliéster em nossas roupas. De jaquetas impermeáveis ​​a lenços delicados, é extremamente difícil se livrar das coisas. Parte disso decorre da conveniência – o poliéster é fácil de limpar e durável. Também é leve e barato.

Mas uma camisa feita de poliéster tem o dobro da pegada de carbono em comparação com uma feita de algodão. Uma camisa de poliéster produz o equivalente a 5,5 kg de dióxido de carbono em comparação com 2,1 kg de uma camisa de algodão.

Cerca de 70 milhões de barris de petróleo por ano são usados ​​para fazer fibras de poliéster em nossas roupas
Mudar para tecido de poliéster reciclado pode ajudar a reduzir as emissões de carbono – o poliéster reciclado libera metade a um quarto das emissões de poliéster virgem. Mas não é uma solução a longo prazo, pois o poliéster leva centenas de anos para se decompor e pode levar à fuga de microfibras para o meio ambiente.

Mas os materiais naturais também não são necessariamente sustentáveis, se exigirem grandes quantidades de água, corante e transporte. O algodão orgânico pode ser melhor para os trabalhadores rurais que, de outra forma, seriam expostos a enormes níveis de pesticidas, mas a pressão sobre a água permanece.

No entanto, há muita inovação na criação de tecidos de menor impacto.

Biocouture, ou moda feita com materiais mais ambientalmente sustentáveis, é cada vez mais um grande negócio. Algumas empresas estão procurando usar resíduos de madeira, frutas e outros materiais naturais para criar seus têxteis. Outros estão tentando formas alternativas de tingir seus tecidos ou procurando materiais que se biodegradem mais facilmente quando jogados fora.Trocar roupas com os amigos pode refrescar seu guarda-roupa e trazer uma nova dimensão interessante à sua amizade (Crédito: Getty Images / Javier Hirschfeld)

Mas a pegada de carbono de nossas roupas também pode ser reduzida de outras maneiras. A forma como compramos tem um grande impacto.

Algumas pesquisas sugeriram que as compras on-line podem ter uma pegada de carbono menor do que viajar para lojas tradicionais para comprar produtos, principalmente se os consumidores moram longe. Mas o aumento das compras on-line também levou a mudanças no comportamento do consumidor, contribuindo para uma cultura de moda rápida, na qual os consumidores compram mais do que precisam, entregam à sua porta e depois devolvem uma grande proporção de suas compras depois de experimentá-las.

A devolução de itens pode efetivamente dobrar as emissões do transporte de suas mercadorias e, se você levar em conta coleções e entregas com falha, esse número poderá aumentar ainda mais.

Também pode ser mais barato para os varejistas da Internet e marcas de moda despejar ou queimar mercadorias devolvidas, em vez de tentar encontrar outra casa para elas. Isso não significa apenas que as emissões de gases de efeito estufa produzidas na fabricação de roupas são desperdiçadas, mas outras emissões são liberadas à medida que apodrece ou queima. A Agência de Proteção Ambiental dos EUA estima que em 2017 10,2 milhões de toneladas de têxteis acabaram em aterros, enquanto outras 2,9 milhões de toneladas foram incineradas. No Reino Unido, cerca de 350.000 toneladas de roupas acabam em aterros sanitários a cada ano.

Piskova periodicamente troca de roupa com as amigas, o que não apenas permite que elas atualizem seus próprios guarda-roupas, mas também as ajuda a se sentirem mais próximas.
Uma maneira simples de reduzir a presença de compras on-line é encomendar apenas o que realmente queremos e pretendemos manter. Segundo o Banco Mundial, 40% das roupas compradas em alguns países nunca são usadas.

Piskova tentou se afastar da cultura da moda rápida aprendendo a apreciar o que ela já tem e não o que ela poderia ter. Mas desapegar-se de uma mentalidade obcecada por moda não tem sido fácil. Para ajudar, Piskova resiste a ir a lugares onde sente pressão para consumir, como shopping centers. Ela também troca roupas periodicamente com as amigas, o que não apenas permite que elas atualizem seus próprios guarda-roupas, mas também as ajuda a se sentirem mais próximas. E ela também aprendeu a abraçar pequenas manchas em suas roupas, em vez de vê-las como uma desculpa para comprar mais.

“As pessoas são muito cuidadosas com suas roupas, gostam de não arranhar ou ter buracos ou o que for”, diz Piskova. “Mas quando você pensa sobre isso, isso faz parte das roupas. Você se lembra daquela vez em que foi a um festival, onde rasgou sua camisa ou algo assim, e é uma boa lembrança. ”

O número de vezes que você veste uma peça de roupa também pode fazer uma grande diferença em sua pegada de carbono geral. Pesquisas feitas por cientistas do Instituto de Tecnologia Chalmers, em Gotemburgo, na Suécia, descobriram que uma camiseta de algodão comum pode liberar pouco mais de 2 kg de equivalente de dióxido de carbono na atmosfera, enquanto um vestido de poliéster liberaria o equivalente a quase 17 kg de dióxido de carbono.Às vezes, a melhor maneira de reduzir o impacto de suas escolhas de moda no meio ambiente é libertar-se do rebanho (Crédito: Getty Images / Javier Hirschfeld)

Eles estimaram, no entanto, que a camiseta média na Suécia é usada cerca de 22 vezes em um ano, enquanto o vestido médio é usado apenas 10 vezes. Isso significaria que a quantidade de carbono liberada por desgaste é muitas vezes maior para o vestido.

Segundo a Ellen MacArthur Foundation, o número médio de vezes que uma peça de roupa é usada diminuiu 36% entre 2000 e 2015. No mesmo período, a produção de roupas dobrou. Esses ganhos vieram à custa da qualidade e longevidade das peças de vestuário.

Várias pesquisas públicas também sugerem que muitos de nós têm roupas em nossos guarda-roupas que quase nunca usamos. De acordo com uma pesquisa, quase metade das roupas no guarda-roupa de uma pessoa média do Reino Unido nunca é usada, principalmente porque elas não se encaixam ou saem de moda. Outro descobriu que um quinto dos itens pertencentes a consumidores norte-americanos não foi usado.

É claro que investir em roupas de alta qualidade, vesti-las com mais frequência e segurá-las por mais tempo, é a arma não tão secreta para combater a pegada de carbono de suas roupas. No Reino Unido, continuar usando ativamente uma peça de vestuário por apenas nove meses a mais pode diminuir seus impactos ambientais em 20 a 30%.

Naturalmente, algumas empresas de roupas descobriram uma oportunidade aqui. Os serviços de aluguel de roupas, por exemplo, são especialmente atraentes na era das mídias sociais, onde algumas pessoas relutam em ser vistas online usando a mesma roupa mais de uma vez. Para quem quer ter uma boa aparência em suas fotos on-line, mas tem um impacto ainda menor no meio ambiente, existe a tendência efêmera da moda digital, ou roupas projetadas para aparecer apenas online, sobrepostas às suas imagens.

A camiseta média na Suécia é usada cerca de 22 vezes em um ano, enquanto o vestido médio é usado apenas 10 vezes
Comprar menos também significa cuidar mais da roupa. Sites como o Love Your Clothes, criado pela organização de caridade britânica WRAP, oferecem dicas sobre como reparar e prolongar a vida útil das roupas, o que pode reduzir a pegada de carbono das roupas.

Mas abordar as razões subjacentes pelas quais compramos roupas em excesso, ainda que subutilizadas, também pode ajudar. Em uma sociedade consumista, as pessoas são treinadas para achar a moda rápida agradável e viciante.

“Muitas das coisas que compramos cumprem algum tipo de função em nós mesmos – principalmente itens de moda”, diz Mike Kyrios, psicólogo clínico que pesquisa distúrbios mentais na Universidade Flinders da Austrália. As pessoas que têm baixa auto-estima ou se preocupam com seu status têm maior probabilidade de usar os gastos excessivos como uma rota para sentir que “pertencem”, ele explica. Assim como as pessoas sensíveis às recompensas – os centros de recompensa no cérebro são os mais ativados pelas compras por impulso.

Compras on-line também significam que o impulso de comprar é mais difícil de controlar, já que as lojas na Internet estão abertas 24 horas por dia, 7 dias por semana – incluindo, como diz Kyrios, os momentos em que “seus recursos de tomada de decisão são mínimos”.

Embora as estimativas variem, uma é que cerca de 5% da população exibe comportamento de compra compulsivo. “O problema é que está bem escondido”, diz Kyrios. “As pessoas não comparecem ao tratamento, não reconhecem que é um problema.”

Uma solução pode ser simplesmente racionar o tempo que você gasta olhando roupas on-line, mas talvez uma abordagem melhor seja encontrar maneiras menos dispendiosas de alcançar o senso de recompensa que os gastadores em excesso estão buscando. Os consumidores comuns podem se interessar por roupas novas comprando em lojas de roupas vintage e de segunda mão.Usar nossas roupas por apenas alguns meses a mais pode reduzir o impacto que elas causam no planeta (Crédito: Alamy / Javier Hirschfeld)

“Roupas de segunda mão estão dando uma segunda vida às roupas e estão desacelerando o ciclo da moda rápida”, diz Fee Gilfeather, especialista em moda sustentável da Oxfam. “Então, eu diria que a roupa de segunda mão é realmente uma das soluções para o desafio do consumo excessivo”.

Reduzir a lavagem também pode ajudar a reduzir ainda mais a pegada de carbono do seu guarda-roupa, além de ajudar a diminuir o uso de água e o número de microfibras eliminadas na máquina de lavar.

“Você não precisa lavar as roupas com a frequência que pensa”, diz Gilfeather. Ela pendura alguns de seus vestidos ao ar, por exemplo, em vez de lavá-los após cada uso. “Reduzir a quantidade de lavagem que você precisa fazer é a melhor maneira de garantir que os plásticos não entrem no sistema de água”.

Jogando as roupas fora para que elas acabem em aterros ou sendo incineradas, simplesmente leva a mais emissões
Como você descarta as roupas no final de sua vida útil também é importante. Jogá-los fora para que acabem em aterros sanitários ou sejam incinerados simplesmente leva a mais emissões. Talvez a melhor abordagem seja repassá-los a amigos ou levá-los a lojas de caridade, se ainda forem bons o suficiente para serem usados. No entanto, os indivíduos devem ter cuidado para não usar isso como uma maneira de liberar espaço simplesmente para comprar roupas novas, o que a pesquisa de Wilson sugere que seja comum.

Onde as roupas foram usadas ou danificadas sem reparo, a maneira mais ambientalmente correta de descartá-las é enviá-las para reciclagem. A reciclagem de roupas ainda é relativamente nova para muitos tecidos, mas cada vez mais roupas de algodão e poliéster podem agora ser transformadas em roupas novas ou outros itens. Agora, alguns dos principais fabricantes começaram a usar tecidos reciclados, mas muitas vezes é difícil para os consumidores encontrar lugares para tirar suas roupas velhas.

Muitas das mudanças necessárias para tornar as roupas mais sustentáveis ​​precisam ser implementadas pelos fabricantes e pelas grandes empresas que controlam a indústria da moda. Mas, como consumidores, as mudanças que todos nós fazemos em nosso comportamento não apenas aumentam, mas também podem gerar mudanças no setor.

De acordo com Gilfeather, todos podemos fazer a diferença sendo mais atenciosos como consumidores.

A Guerra que as Espécies Humanas não Podem Perder

“Até 2035, o ponto sem retorno poderá ser ultrapassado”, escreveu Matthew Burrows, ex-diretor do Conselho Nacional de Inteligência, em um relatório no ano passado sobre riscos globais nos próximos quinze anos. Esse é o ponto após o qual impedir que a temperatura da Terra suba dois graus Celsius – ou 3,6 graus Fahrenheit – será extremamente difícil, se não impossível.

O gelo na Antártida está derretendo seis vezes mais rápido do que quarenta anos atrás, resultando em mais partos de icebergs – com riscos existenciais.

O iceberg que afundou o Titanic no Atlântico, em 1912, foi considerado um mero “pedaço de energia”, ou um pedaço menor de gelo flutuante; derreteu dentro de alguns anos. Os que vimos na Antártida eram enormes.

A Antártida é geralmente um continente poderosamente silencioso, exceto pelos ventos fortes ou pelas ondas no litoral.

“Os seres humanos serão apenas um pontinho no espaço da história da Terra”, disse Wayne Ranney, naturalista e geólogo. A única questão é quanto tempo o blip será.”

Na semana passada, a temperatura na Antártica atingiu quase setenta graus – a mais quente da história. Não foi por acaso de um dia. Famoso por suas paisagens de neve, o continente mais frio, selvagem, ventoso, mais alto e mais misterioso da Terra tem experimentado uma onda de calor. Alguns dias antes, uma estação meteorológica antártica registrou temperaturas em meados dos anos sessenta. Estava mais frio em Washington, DC. Imagens do norte da Antártica capturavam vastas faixas de terreno marrom estéril, desprovido de gelo e com apenas pequenos trechos de neve em forma de poça.

O problema não é se um novo recorde foi estabelecido: “é a tendência de longo prazo que torna mais provável a ocorrência desses registros com mais frequência”, John Nielsen-Gammon, diretor do Centro de Estudos Climáticos do Texas no Texas A. & M Universidade, disse esta semana. “É como uma floresta em que as árvores crescem constantemente e as árvores morrem, mas se elas começarem a morrer mais rápido do que podem voltar a crescer, você acabará perdendo a floresta”. “O mesmo se aplica às geleiras. As geleiras fluem para o oceano e se rompem, mas se elas se quebram mais rapidamente, a geleira recua e você perde gelo – e então o nível do mar sobe ao redor do mundo.”

O iceberg que sai da Antártica faz parte de um processo chamado parto. É normal e é uma etapa necessária no ciclo da natureza, exceto que agora está acontecendo muito mais rápido e em partes maiores – com riscos existenciais. Agora, o gelo na Antártica está derretendo seis vezes mais rápido do que há quarenta anos, afirma Eric Rignot, cientista da Terra na Universidade da Califórnia, Irvine, e co-autor de um grande estudo sobre a saúde do gelo no continente.

À medida que o clima esquenta, quanto e com que rapidez as geleiras da Terra derreterão?

Neste mês, um iceberg medindo mais de 160 quilômetros quadrados – o tamanho da ilha mediterrânea de Malta ou o dobro do tamanho de Washington, DC – interrompeu a geleira Pine Island (carinhosamente conhecida como porco, abreviada) na Antártida Ocidental. Em seguida, dividiu-se em pequenos “leitões”, de acordo com a Agência Espacial Européia, que os rastreava por satélite. O maior leitão tinha quase quarenta quilômetros quadrados.

O continente congelado é dividido em Antártica Ocidental e Antártica Oriental. (O Pólo Sul fica na Antártida Oriental.) A maior parte do derretimento e grande parte dos grandes partos aconteceu no oeste e ao longo de sua península de oitocentas milhas. Mas, em setembro, um iceberg de mais de seiscentos quilômetros quadrados – ou vinte e sete vezes o tamanho de Manhattan – partiu da plataforma de gelo Amery, na Antártida Oriental.

Dois outros grandes icebergs estão sendo rastreados à medida que suas fendas se tornam visíveis do espaço. Um é um porco no oeste, o outro está se formando na plataforma de gelo Brunt, no leste.

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Aquecimento global – 2019 – O ano mais quente da hitória

Desde a década de 1980, cada década tem sido mais quente que a anterior. A ONU alertou que as emissões precisam cair 7,6% ao ano para salvar o planeta.    

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As Nações Unidas alertaram na quarta-feira que a década passada foi a mais quente já registrada, com 2019 confirmado como o segundo ano mais quente da história.

O ano mais quente já registrado foi 2016.

“Desde a década de 1980, cada década tem sido mais quente que a anterior”, disse a Organização Meteorológica Mundial (OMM) em comunicado, acrescentando que “essa tendência deve continuar”.

As conclusões da OMM são baseadas nos principais conjuntos de dados de todo o mundo.

“O ano de 2020 começou de onde parou 2019 – com clima de alto impacto e eventos relacionados ao clima”, disse o chefe da OMM Petteri Taalas. “Infelizmente, esperamos ver muito clima extremo ao longo de 2020 e nas próximas décadas, alimentado por níveis recordes de gases de efeito estufa que retêm o calor na atmosfera”.

Taalas apontou especificamente para os incêndios que assolam a Austrália, que mataram pelo menos 28 pessoas, deslocaram dezenas de milhares e mataram até 1 bilhão de animais.

A ONU disse que as emissões feitas pelo homem precisam diminuir 7,6% ao ano até 2030 para limitar o aumento da temperatura a 1,5 graus Celsius (2,7 graus Fahrenheit), uma promessa que muitos países assinaram no acordo climático de Paris.

A manutenção do registro climático moderno começou em 1850. Segundo Taalas, a temperatura média global aumentou 1,1 graus Celsius desde então.

Como a maior parte do calor do mundo é armazenada em seus oceanos, a vida marinha e os ecossistemas foram os mais atingidos, evidenciados pela morte em massa de peixes e pelo amplo branqueamento de corais.

“No atual caminho das emissões de dióxido de carbono, estamos caminhando para um aumento de temperatura de três a cinco graus Celsius até o final do século”, disse Taalas.Seca,Nordeste,Brasil,Clima,Blog do Mesquita

Greta Thunberg lidera protestos contra mudanças climáticasGreta Thunberg,Meio Ambiente,Blog do Mesquita

Aquecimento Global?

Europeus terão que se habituar a extremos climáticos, dizem cientistasChuva em Berlim

Chuvas intensas caíram sobre Berlim nos últimos dias

Calor seguido de chuvas intensas tem marcado o verão em Berlim e em outras regiões da Alemanha.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Segundo pesquisadores, efeitos do aquecimento global se farão sentir cada vez mais na Europa.

Pela segunda vez em menos de um mês, os bombeiros de Berlim decretaram “estado de emergência” no fim de semana passado.

Chuvas torrenciais inundaram várias ruas da capital alemã, e em algumas delas a altura da água alcançou mais de 1 metro.

Os bombeiros não conseguiram dar conta de todos os chamados.

Segundo um jornal, foram mais de 185 operações em apenas uma hora e meia.

Na região do Lago de Constança, no sul da Alemanha, as tempestades derrubaram árvores e causaram deslizamentos de terra em áreas montanhosas, o que bloqueou o trânsito de trens.

Para cientistas, os alemães terão que se acostumar com esse tipo de situação.

Os gases do efeito estufa não apenas levam ao derretimento de gelo nos polos e ao aumento do nível do mar, mas têm efeitos cada vez maiores também na Europa Central.

“Nós já havíamos previsto há muito tempo essas repentinas mudanças de tempo, de calor seco para chuvas torrenciais, e agora isso se torna mais claro a cada ano”, diz o pesquisador Mojib Latif, do Centro Helmholtz de Oceanografia (Geomar), em Kiel.

Assistir ao vídeo01:01

Tempestade gera caos em Berlim

“Na Alemanha, a temperatura anual média subiu 1,4 °C desde 1880, e é claro que isso tem consequências”, afirma.

Por um lado, o aquecimento global intensifica o Anticiclone dos Açores, um grande centro de altas pressões atmosféricas localizado no Atlântico Norte. Por outro, a Europa não está imune aos efeitos das regiões de baixa pressão atmosférica, aponta Latif.

“Cada grau a mais nas temperaturas médias eleva a possível intensidade da chuva em 7%”, diz o especialista.

Segundo ele, por muito tempo mediu-se apenas a quantidade de chuva ao longo de muitos dias ou semanas. Só que o problema, agora, é a grande quantidade de água em pouco tempo. “Nesse ponto faltam dados de medição para previsões exatas.” O princípio, porém, é claro: ar mais quente pode armazenar mais água, e as pancadas de chuva ficam mais fortes.

Tempestades derrubaram árvores em Berlim, como no bairro de NeuköllnTempestades derrubaram árvores em Berlim, como no bairro de Neukölln

Chuva no centro, seca no sul

Segundo o meteorologista Peter Hoffmann, do Instituto de Pesquisas Climáticas de Potsdam, o Ártico se aquece muito mais rápido do que outras regiões devido às mudanças climáticas.

“Isso muda a relação entre áreas de alta e baixa pressão, e também o deslocamento delas pela Europa Central”, diz Hoffmann. “E agora temos uma área de baixa pressão sobre a Europa Central, que permanece por muitos dias e é responsável pelas chuvas fortes e repentinas.” Ele destaca ainda uma outra relação: chuvas fortes na Europa Central significam secas extremas no sul europeu.

De fato, as autoridades de Roma soaram o alarme por causa da falta de água. A capital da Itália está sendo castigada por altas temperaturas e ar seco. As autoridades já pensaram até em cortar a água residencial por algumas horas depois de o Lago de Bracciano, uma das principais fontes de abastecimento de água potável, ter ficado 160 centímetros abaixo do nível normal. E, por causa da escassez, o Vaticano desligou os chafarizes da Praça de São Pedro e as fontes de água dos seus jardins.

Os dois cientistas ressalvam: os habitantes da Europa Central terão que se acostumar aos extremos climáticos. “Não é assim tão fácil reverter a situação”, diz Hoffmann. E Latif acrescenta: “É verdade que o clima costuma ser um sistema caótico, mas teremos que nos habituar à rápida alternância entre calor extremo e fortes chuvas.”

Nível do mar subiu em média 8 centímetros desde 1992

O nível do mar subiu, em média, quase 8 centímetros em todo o mundo desde 1992 devido ao aquecimento global, informou nessa quarta-feira (26) a agência especial norte-americana (Nasa, a sigla em inglês), alertando que a tendência deverá manter-se nos próximos anos.

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Um grupo de cientistas da agência apresentou os mais recentes dados sobre o aumento do nível da água do mar em todo o mundo – que foi, em média, 7,62 centímetros superior ao de 1992 -, apesar de o panorama variar em diferentes regiões. Em alguns casos, o nível chegou a superar os 22 centímetros.

A Nasa também publicou um vídeo, com os dados obtidos pelos seus satélites, em que se verifica, por uma gradação de cores, a evolução em cada parte do mundo nos últimos 23 anos.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

As costas da Ásia e Oceania, no Pacífico, juntamente com o Mediterrâneo Oriental e a costa da América, foram as mais prejudicadas pela subida do nível do mar.

O aquecimento global, provocado principalmente pela atividade humana, é o principal culpado pelo aumento do nível dos oceanos e dos mares, na medida em que é responsável pelo degelo da Antártida e pela subida da temperatura da água.

“É muito provável que a situação piore no futuro”, alertou Steve Nerem, geofísico da Universidade do Colorado, durante a apresentação dos dados.

Os cientistas alertaram que mesmo que sejam tomadas medidas para tentar reverter a situação, seriam necessários séculos para voltar aos níveis anteriores às alterações climáticas.

A subida do nível da água do mar põe em risco o futuro de inúmeras cidades e povoações costeiras, ameaçando fazer desaparecer uma série de ilhas e, no caso do Pacífico em especial, países inteiros.
Agência Brasil

Nível do mar pode subir seis metros mesmo se aquecimento global for contido

Regiões costeiras e pequenas ilhas no oceano podem ser engolidas, alertam cientistas

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O nível do mar pode subir ao menos seis metros a longo prazo, encobrindo áreas costeiras da Flórida e Bangladesh, mesmo se os governos alcançarem metas para conter o aquecimento global, diz um estudo publicado nesta quinta-feira (9).

Grandes geleiras na Groenlândia e na Antártica derreteram quando as temperaturas estavam ao redor ou um pouco acima do que estão hoje em degelos antigos nos últimos três milhões de anos, escreveu uma equipe liderada pelos Estados Unidos na revista Science.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

E o mundo pode estar se encaminhando para uma repetição desse fenômeno, mesmo se governos conseguirem cortar as emissões de gases do efeito estufa para limitar o aquecimento global, cuja meta estabelecida pela Organização das Nações Unidas é de até 2 graus Celsius acima do período pré-industrial.

Alguns gases do efeito estufa podem durar por séculos na atmosfera.

Andrea Dutton, da Universidade da Flórida e autora-líder do artigo, disse que pode levar muitos séculos para um aumento de seis metros no nível do mar, apesar de algumas evidências antigas de que há possibilidade de mudanças mais rápidas.

“Esta é uma projeção de longo prazo. Não vai acontecer depois de amanhã”, disse ela.

Um painel da ONU com cientistas climáticos disse em 2013 que o aquecimento global pode elevar os níveis do mar em 26 a 82 centímetros até o fim do século 21, acumulado a um ganho de 19 centímetros desde 1900.
Fonte:Reuters

Petróleo. O pré-sal e capacidade militar

A dimensão militar da pré-sal

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Em breve, o governo apresenta o novo marco regulatório para explorar a camada pré-sal sem ter estimulado o debate público sobre as graves implicações de o Brasil se transformar em um dos maiores produtores mundiais de óleo. A história prova que integrar o grande jogo mundial do petróleo gera repercussões geopolíticas, militares e financeiras globais.

Porém, a informação de que petróleo e guerra necessariamente andam juntos está sendo escamoteada pelo discurso ufanista de que os recursos advindos da exploração do petróleo resolverão todos as injustiças sociais que marcam a trajetória do povo brasileiro. Falta a grandeza dos estadistas para tornar público o debate sobre os rumos que esta nação deseja para si. A mobilização em torno da institucionalidade do pré-sal seria um ótimo momento para fazê-lo.

Explorar estas reservas, que podem chegar à onírica marca dos 100 bilhões de baris de óleo de excelente qualidade, não vai apenas garantir o ingresso de centenas de bilhões de dólares para o Estado brasileiro. Petróleo não é uma mercadoria como outra qualquer. Fundamentalmente, ele é o principal energético utilizado no mundo e tudo que o envolve impacta as finanças internacionais, podendo gerar crises de resultados imprevisíveis.

[ad name=”Retangulo – Anuncios – Esquerda”]A exploração desta riqueza nos dará a responsabilidade de integrar o reduzido grupo de nações que definem os rumos de toda a humanidade. Teremos bônus e ônus decorrentes da condição de grande jogador e precisamos ter ciência e consciência do que isto representa. Mas, quantas pessoas sabem disso?

Ter reservas extraordinárias de petróleo e exportá-las mundo afora exige vontade de Nação de usar capacidade militar para garantir os canais de comercialização do óleo em qualquer parte do mundo. Frequentemente estaremos em guerra e seremos convocados a intervir com força sempre que nosso petróleo estiver ameaçado.

Essa é a lógica desse setor, estimulada inclusive porque as indústrias militar e de petróleo são interconectadas. Fazer guerra para garantir o óleo dá um enorme ganho de escala ao seleto grupo de empresas como a estadunidense Halliburton, que lucram em ambos os lados do problema e chegam a influenciar eleições presidenciais.

A defesa e a exploração da pré-sal, além da exportação em larga de óleo, abre espaço para que alguém reivindique a adoção pelo Brasil de capacidade atômica para dissuadir outros atores internacionais interessados em projetar o seu próprio poder sobre nossas reservas, meios de transporte e armazenamento de petróleo (cerca de 2/3 do petróleo brasileiro já são armazenadas nos navios da Petrobras, o que coloca a suscita o desenvolvimento de submarinos atômicos).

Seguindo a lógica do petróleo&guerra, teríamos até de modificar a Constituição para permitir a adoção do poder atômico militar pelo País. Eventualmente, mesmo a ratificação do Tratado de Não Proliferação de Armas Atômicas seria questionada.

É isso o que realmente desejamos?

Só para se ter uma idéia do terreno que estamos adentrando. Nos anos 1980, os EUA pressionaram legal e também ilegalmente os grandes em níveis baixos os preços do produto. O objetivo era enfraquecer economicamente a então União Soviética, que tinha na exportação de gás natural e petróleo sua maior fonte de divisas internacionais, e que a duras penas conseguia até aquele momento rivalizar militarmente com os americanos.

Com os preços mantidos artificialmente em baixa durante anos, devido à grande disponibilidade no mercado internacional, o ingresso de moedas fortes para os soviéticos caiu e, com ele, a própria URSS se desmanchou em 1991.

Além do aumento das emissões de gases causadores do Efeito Estufa (uma contradição com a aposta no etanol) a discussão sobre a dimensão militar da pré-sal é tão difícil quanto urgente. O Brasil está às vésperas de tomar decisões que terão impacto sobre a atual e as futuras gerações de brasileiros, mas nenhuma instituição se dispõe à trabalhosa e inadiável tarefa de ouvir o povo brasileiro.

Carlos Tautz é jornalista
blog do Noblat

Não existe aquecimento global, diz representante da OMM na América do Sul

Eis uma rara oportunidade conhecermos uma opinião, solidamente assentada sobre o debate do clima na terra, como contraponto à enxurrada midiática difundida pelos eco chatos. Pode até ser que exista algo com que devamos nos preocupar em relação ao uso racional dos recursos naturais do planeta. Contudo, na entrevista reproduzida abaixo, o professor Molion, com números irrefutáveis, desaquece o que existe de mito em torno da questão ambiental.

Outro cientista, Bjorn Lomborg, cientista político da Universidade da Dinamarca, é “persona non grata” para todos os abandonados do clima do raciocínio lógico. Bjorn vai contra a maré catastrofista com um discurso totalmente contrário ao que se faz na Cop15.

Enquanto do porteiro, ao laureado cientista ecologicamente engajado, só se discute o corte de emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa, Lomborg argumenta que de nada adiantará os países selarem um acordo ao final da semana que vem. A razão? Simples: eles não conseguirão cumpri-lo.

“Copenhague vai resultar em desperdício de dinheiro, diz Lomborg”

O debate teleológico que está posto em Copenhague, pelo exposto, não contribui para o debate científico.

O Editor


Não existe aquecimento global, diz representante da OMM na América do Sul
Por Carlos Madeiro/UOL

Com 40 anos de experiência em estudos do clima no planeta, o meteorologista da Universidade Federal de Alagoas Luiz Carlos Molion apresenta ao mundo o discurso inverso ao apresentado pela maioria dos climatologistas. Representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Molion assegura que o homem e suas emissões na atmosfera são incapazes de causar um aquecimento global. Ele também diz que há manipulação dos dados da temperatura terrestre e garante: a Terra vai esfriar nos próximos 22 anos

Em entrevista ao UOL, Molion foi irônico ao ser questionado sobre uma possível ida a Copenhague: “perder meu tempo?” Segundo ele, somente o Brasil, dentre os países emergentes, dá importância à conferência da ONU. O metereologista defende que a discussão deixou de ser científica para se tornar política e econômica, e que as potências mundiais estariam preocupadas em frear a evolução dos países em desenvolvimento.

UOL: Enquanto todos os países discutem formas de reduzir a emissão de gases na atmosfera para conter o aquecimento global, o senhor afirma que a Terra está esfriando. Por quê?

Luiz Carlos Molion: Essas variações não são cíclicas, mas são repetitivas. O certo é que quem comanda o clima global não é o CO2. Pelo contrário! Ele é uma resposta. Isso já foi mostrado por vários experimentos. Se não é o CO2, o que controla o clima? O sol, que é a fonte principal de energia para todo sistema climático. E há um período de 90 anos, aproximadamente, em que ele passa de atividade máxima para mínima. Registros de atividade solar, da época de Galileu, mostram que, por exemplo, o sol esteve em baixa atividade em 1820, no final do século 19 e no inicio do século 20. Agora o sol deve repetir esse pico, passando os próximos 22, 24 anos, com baixa atividade.

UOL: Isso vai diminuir a temperatura da Terra?

Molion: Vai diminuir a radiação que chega e isso vai contribuir para diminuir a temperatura global. Mas tem outro fator interno que vai reduzir o clima global: os oceanos e a grande quantidade de calor armazenada neles. Hoje em dia, existem boias que têm a capacidade de mergulhar até 2.000 metros de profundidade e se deslocar com as correntes. Elas vão registrando temperatura, salinidade, e fazem uma amostragem. Essas boias indicam que os oceanos estão perdendo calor. Como eles constituem 71% da superfície terrestre, claro que têm um papel importante no clima da Terra. O [oceano] Pacífico representa 35% da superfície, e ele tem dado mostras de que está se resfriando desde 1999, 2000. Da última vez que ele ficou frio na região tropical foi entre 1947 e 1976. Portanto, permaneceu 30 anos resfriado.

UOL: Esse resfriamento vai se repetir, então, nos próximos anos?

Molion: Naquela época houve redução de temperatura, e houve a coincidência da segunda Guerra Mundial, quando a globalização começou pra valer. Para produzir, os países tinham que consumir mais petróleo e carvão, e as emissões de carbono se intensificaram. Mas durante 30 anos houve resfriamento e se falava até em uma nova era glacial. Depois, por coincidência, na metade de 1976 o oceano ficou quente e houve um aquecimento da temperatura global. Surgiram então umas pessoas – algumas das que falavam da nova era glacial – que disseram que estava ocorrendo um aquecimento e que o homem era responsável por isso.

UOL: O senhor diz que o Pacífico esfriou, mas as temperaturas médias Terra estão maiores, segundo a maioria dos estudos apresentados.

Molion: Depende de como se mede.

UOL: Mede-se errado hoje?

Molion: Não é um problema de medir, em si, mas as estações estão sendo utilizadas, infelizmente, com um viés de que há aquecimento.

UOL: O senhor está afirmando que há direcionamento?

Molion: Há. Há umas seis semanas, hackers entraram nos computadores da East Anglia, na Inglaterra, que é um braço direto do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática], e eles baixaram mais de mil e-mails. Alguns deles são comprometedores. Manipularam uma série para que, ao invés de mostrar um resfriamento, mostrassem um aquecimento.

UOL: Então o senhor garante existir uma manipulação?

Molion: Se você não quiser usar um termo tão forte, digamos que eles são ajustados para mostrar um aquecimento, que não é verdadeiro.

UOL: Se há tantos dados técnicos, por que essa discussão de aquecimento global? Os governos têm conhecimento disso ou eles também são enganados?

Molion: Essa é a grande dúvida. Na verdade, o aquecimento não é mais um assunto científico, embora alguns cientistas se engajem nisso. Ele passou a ser uma plataforma política e econômica. Da maneira como vejo, reduzir as emissões é reduzir a geração da energia elétrica, que é a base do desenvolvimento em qualquer lugar do mundo. Como existem países que têm a sua matriz calcada nos combustíveis fósseis, não há como diminuir a geração de energia elétrica sem reduzir a produção.

UOL: Isso traria um reflexo maior aos países ricos ou pobres?

Molion: O efeito maior seria aos países em desenvolvimento, certamente. Os desenvolvidos já têm uma estabilidade e podem reduzir marginalmente, por exemplo, melhorando o consumo dos aparelhos elétricos. Mas o aumento populacional vai exigir maior consumo. Se minha visão estiver correta, os paises fora dos trópicos vão sofrer um resfriamento global. E vão ter que consumir mais energia para não morrer de frio. E isso atinge todos os países desenvolvidos.

UOL: O senhor, então, contesta qualquer influência do homem na mudança de temperatura da Terra?

Molion: Os fluxos naturais dos oceanos, polos, vulcões e vegetação somam 200 bilhões de emissões por ano. A incerteza que temos desse número é de 40 bilhões para cima ou para baixo. O homem coloca apenas 6 bilhões, portanto a emissões humanas representam 3%. Se nessa conferência conseguirem reduzir a emissão pela metade, o que são 3 bilhões de toneladas em meio a 200 bilhões?Não vai mudar absolutamente nada no clima.

UOL: O senhor defende, então, que o Brasil não deveria assinar esse novo protocolo?

Molion: Dos quatro do bloco do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o único que aceita as coisas, que “abana o rabo” para essas questões. A Rússia não está nem aí, a China vai assinar por aparência. No Brasil, a maior parte das nossas emissões vem da queimadas, que significa a destruição das florestas. Tomara que nessa conferência saia alguma coisa boa para reduzir a destruição das florestas.

UOL: Mas a redução de emissões não traria nenhum benefício à humanidade?

Molion: A mídia coloca o CO2 como vilão, como um poluente, e não é. Ele é o gás da vida. Está provado que quando você dobra o CO2, a produção das plantas aumenta. Eu concordo que combustíveis fósseis sejam poluentes. Mas não por conta do CO2, e sim por causa dos outros constituintes, como o enxofre, por exemplo. Quando liberado, ele se combina com a umidade do ar e se transforma em gotícula de ácido sulfúrico e as pessoas inalam isso. Aí vêm os problemas pulmonares.

UOL: Se não há mecanismos capazes de medir a temperatura média da Terra, como o senhor prova que a temperatura está baixando?

Molion: A gente vê o resfriamento com invernos mais frios, geadas mais fortes, tardias e antecipadas. Veja o que aconteceu este ano no Canadá. Eles plantaram em abril, como sempre, e em 10 de junho houve uma geada severa que matou tudo e eles tiveram que replantar. Mas era fim da primavera, inicio de verão, e deveria ser quente. O Brasil sofre a mesma coisa. Em 1947, última vez que passamos por uma situação dessas, a frequência de geadas foi tão grande que acabou com a plantação de café no Paraná.

UOL: E quanto ao derretimento das geleiras?

Molion: Essa afirmação é fantasiosa. Na realidade, o que derrete é o gelo flutuante. E ele não aumenta o nível do mar.

UOL: Mas o mar não está avançando?

Molion: Não está. Há uma foto feita por desbravadores da Austrália em 1841 de uma marca onde estava o nível do mar, e hoje ela está no mesmo nível. Existem os lugares onde o mar avança e outros onde ele retrocede, mas não tem relação com a temperatura global.

UOL: O senhor viu algum avanço com o Protocolo de Kyoto?

Molion: Nenhum. Entre 2002 e 2008, se propunham a reduzir em 5,2% as emissões e até agora as emissões continuam aumentando. Na Europa não houve redução nenhuma. Virou discursos de políticos que querem ser amigos do ambiente e ao mesmo tempo fazer crer que países subdesenvolvidos ou emergentes vão contribuir com um aquecimento. Considero como uma atitude neocolonialista.

UOL: O que a convenção de Copenhague poderia discutir de útil para o meio ambiente?

Molion: Certamente não seriam as emissões. Carbono não controla o clima. O que poderia ser discutido seria: melhorar as condições de prever os eventos, como grandes tempestades, furacões, secas; e buscar produzir adaptações do ser humano a isso, como produções de plantas que se adaptassem ao sertão nordestino, como menor necessidade de água. E com isso, reduzir as desigualdades sociais do mundo.

UOL: O senhor se sente uma voz solitária nesse discurso contra o aquecimento global?

Molion: Aqui no Brasil há algumas, e é crescente o número de pessoas contra o aquecimento global. O que posso dizer é que sou pioneiro. Um problema é que quem não é a favor do aquecimento global sofre retaliações, têm seus projetos reprovados e seus artigos não são aceitos para publicação. E eles [governos] estão prejudicando a Nação, a sociedade, e não a minha pessoa.