Estampas Japonesas (Ukiyo-e)

As estampas japonesas, cujo nome original é ukiyo-e, são uns dos maiores legados culturais do Japão.

Acima, A Grande Onda de Kanagawa, do artista Katsushika Hokusai (1760–1849), é uma das imagens mais conhecidas do mundo.

O pintor holandês Vincent Van Gogh pendurou algumas estampas japonesas em seu quarto em Arles e fez uma versão da obra A ponte sob a chuva, do artista Hiroshige (1797-1858). Suas mais famosas pinturas — como Quarto em Arles e Autorretrato — possuem traços desta arte japonesa (cores chapadas, ondulações, etc).

O ukiyo-e também marcou o movimento impressionista. Claude Monet, fundador do movimento, inspirou-se nas cores das estampas para compor várias de suas obras; também construiu uma ponte japonesa nos jardins de sua propriedade e lhe dedicou seis quadros.

À esquerda, a obra Retrato Emile Zola, de Édouard Manet (1832-1883), exibe uma estampa ukiyo-e na parede. No lado direito, a obra La Japonaise, de Claude Monet (1840-1926): o autor retratou sua esposa em trajes japoneses.

O Japão passou três séculos isolado do ocidente, fato que favoreceu um estilo original de expressão artística. Após a abertura cultural e as exposições internacionais em Londres e Paris (entre 1862 e 1878), a influência cultural do Japão na arte ocidental foi expressiva, principalmente devido ao ukiyo-e. O crítico Jules Claretie criou o termo “japonismo” para se referir a esta influência.

Ukiyo-e: modo de produção

O ukiyo-e é um tipo de xilogravura. Por isso, a produção não se limita ao ilustrador, mas também ao gravurista, que talha a arte na madeira, e ao impressor, que a transfere para o papel ou tecido. A matriz de impressão em madeira permite criar uma linha de produção artesanal.

Ao observar A Grande Onda de Kanagawa – fot no topodo post – pode-se perceber nos traços do desenho a preocupação do ilustrador com o trabalho do gravurista (que fará a matriz de madeira) e do impressor (que irá depositar a tinta e pressionar a matriz no papel ou tecido).

Breve história do ukiyo-e

As origens estéticas do ukiyo-e estão ligadas às tradições da pintura japonesa, que remontam ao Período Heian (794 – 1185). Nessa época, o processo de xilogravura era utilizado apenas de forma religiosa para imprimir selos budistas; o ukiyo-e de fato ainda não existia. Contudo, a partir do século XVI surgiram as primeiras publicações de livros ilustrados com talha de madeira.

Gravura de Okumura Masanobu (1686 – 1764).

Inicialmente Okumura se dedicou à publicação de livros e posteriormente migrou para o ukiyo-e.

A partir do Período Edo (1603-1868), marcado pela prosperidade e surgimento de uma classe mercantil, a demanda por ilustrações impressas popularizou a xilogravura e consolidou o ukiyo-e como gênero artístico. O termo significa, literalmente, “mundo flutuante”, utilizado inicialmente para referir-se ao estilo de vida das classes abastadas da cidade de Edo, antigo nome de Tóquio.

O ukiyo-e se popularizou durante o Período Edo, marcado pela prosperidade e ascensão de uma elite econômica que desejava uma arte que retratasse seu estilo de vida.

Com o aumento da demanda e a exigência de ilustrações coloridas, os artistas passaram a dominar o uso das cores. As estampas coloridas exigiam vários blocos para impressão, entretanto, também permitiram variedade de estilos.

Ainda que o nome ukiyo-e se refira originalmente à forma de vida da elite econômica, posteriormente os artistas se dedicaram a retratar paisagens, batalhas, animais, folclore, cenas urbanas, guerras, beleza feminina e o teatro kabuki.

O trabalho do artista Kobayashi Kiyochika (1847-1915) mostra a evolução da técnica das estampas japonesas.

Durante o Período Meiji (1868-1912), marcado pela modernização e pelo contato com o Ocidente, o ukiyo-e declinou e a xilogravura voltou-se para o jornalismo, além de perder espaço para a fotografia. Assim, passou a ser visto como patrimônio cultural e arte tradicional japonesa.

Contudo, a abertura cultural ocorrida no século XIX permitiu ao Ocidente conhecer as estampas japonesas, que em grande medida foram responsáveis pelo imaginário do país mundo afora, além de influenciar artistas como Vincent Van Gogh, Paul Gauguin, Édouard Manet, Claude Monet e o movimento impressionista na França.

Existiram movimentos contemporâneos de ukiyo-e. O movimento Sōsaku-hanga (1912-1989) é um tipo de renascimento, primando pela individualidade da expressão artística, exigindo que o artista domine todas as fases de produção (ilustração, talha em madeira e impressão). O movimento Shin-hanga (1915 – 1942) foi uma revitalização inspirada nos artistas europeus.

Atualmente, o ukiyo-e não é apenas uma das (várias) identidades culturais do Japão: sua estética também marcou a produção dos animes e mangás que atraem jovens do mundo todo. A Viagem de Chihiro, animação ganhadora do Oscar de 2003, é considerado um dos cinquenta melhores filmes animados do mundo, sendo herdeiro da beleza e do imaginário transmitido pelas estampas japonesas.

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Henri Fantin Latour – Artes Plásticas – Pintura

Henri Fantin-Latour foi um pintor francês mais conhecido
por suas representações delicadas
e agudamente observadas de flores,
naturezas-mortas e retratos de grupo.

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Embora associado aos impressionistas e Édouard Manet em particular, Fantin-Latour permaneceu um pintor acadêmico tradicional ao longo de sua carreira.

Nascido em 14 de janeiro de 1836 em Grenoble, na França, estudou na École des Beaux-Arts e copiava pinturas do Velho Mestre no Louvre.

As obras de Fantin-Latour estão nas coleções do Instituto de Arte de Chicago, no Hermitage Museum em São Petersburgo, no Metropolitan Museum of Art em Nova York, no Musée d’Orsay em Paris, no Rijksmuseum em Amsterdã e na Tate Gallery em Londres, entre outros.

Ele morreu em 25 de agosto de 1904 em Buré, França.

Arte – Pintura Johan Jongkind

Para alguns estudiosos o artista holandês Johan Barthold Jongkind – 1819/1891 – que foi rejeitado na Primeira Mostra de Arte Impressionista, em Paris, foi responsável por influenciar artistas como Monet, Manet e Camille Pissarro.
Edouard Manet chamou-lhe o “pai das paisagens modernas” e Claude Monet foi seu pupilo. Charles Baudelaire e Emile Zola também elogiaram o seu trabalho. Catorze anos antes de a corrente do mesmo nome surgir, já Johan Jongkind mostrava nas suas telas traços do que seria o Impressionismo.

Morreu pobre e em vida não teve seu trabalho reconhecido, não tendo suas telas alcançado preços que o livrassem da miséria. No entanto, somente 10 meses após sua morte, seus quadros se valorizaram exponencialmente, chegando alguns trabalhos a valer 200 vezes mais do que enquanto estava vivo.

© Johan Jongkind, "Casas ao longo de um canal perto de Crooswijk" (Wikicommons)
© Johan Jongkind, "Paisagem perto de Roterdão" (Wikicommons).
© Johan Jongkind, "Roterdão" (Wikicommons).
© Johan Jongkind, "Paisagem perto de Nevers" (Wikicommons).
© Johan Jongkind, "Moinhos perto Roterdão" (Wikicommons).
© Johan Jongkind, "Luar em Roterdão" (Wikicommons).
© Johan Jongkind, "Porto de Roterdão" (Wikicommons)

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