Edmar Moreira, o deputado do castelo, é absolvido no conselho de ética

Brasil: “só dói quando eu rio”!

Pois é Tupiniquins. Se vocês pensavam que ainda existiam virgens na zona, ledo engano. Os “donos”, ops, os guardiões, da ética e da moral na Câmara dos Deputados, foram encantados pelo encanto do senhor do castelo mineiro.

Assim, a imoralidade está normatizada na câmara dos deputados. Santo Agostinho, na idade média, mesmo sem desconfiar que um dia houvesse essa cambada, já sentenciava: “o que não é moral não é legal”. E, para ficarmos na seara do grandes teólogos e pregadores, lembro de Seronato, um personagem do Padre Antonio Vieira, sobre o qual comenta Sidônio Apolinar:

“Seronato está sempre ocupado em duas coisas: em castigar furtos e em os fazer. Não era zelo de justiça senão inveja. Queria acabar com todos os ladrões do mundo para roubar ele só”.

Simples assim!

O editor

PS. Assim votou o Conselho em relação ao parecer do relator do processo que pedia a cassação de Edmar Moreira:
Hugo Leal (PSC-RJ) – contra relator
Mauro Lopes (PMDB-MG) – contra o relator
Nelson Meurer (PP-PR) – contra o relator
Pedro Eugênio (PT-PE) – ausente
Sergio Moraes (PTB-RS) – contra o relator
Wladmir Costa – contra o relator
ACM Neto (DEM-BA) – ausente
Moreira Mendes (PPS-RO) – contra o relator
Urzeni Rocha (PSDB-RR) – contra o relatório
Abelardo Camarinha (PSB-SP) – abstenção
Sergio Brito (PDT-BA) – contra o relatório
Lucio do Vale (PR-PA) – contra
Ruy Pauletti (PSDB-RS) – a favor
Solange Amaral (DEM-RJ) – a favor

Roberto Magalhães (DEM-PE) – a favor
Nazareno Fonteles (PT-PI) – a favor

Guardem o nominho deles. Em 2010, tem o trôco!


Conselho de Ética, em transe, absolve Edmar Moreira

A política já não espanta. Os repórteres acompanham a coisa com olhos de enfado. Habituaram-se ao inaceitável.

A última reunião do Conselho de (a)Ética da Câmara exige a presença de um roteirista de cinema, um Glauber Rocha redivivo.

Plano geral na sala do conselho. Voz de locutor: “Corrupção é bom? Os escândalos são bons? Vêm para o bem? É saudável que aconteçam?”

Olhos rútilos. Bocas. Dentes de deputados rindo. Sob holofotes, uma barriga ceveda a verbas da Sudene sussurra: “Seremos crucificados pela imprensa”.

Um estômago nutrido a cotas de gabinete replica: “Bobagem. A corrupção anda tão generalizada que ofensivo agora é ser chamado de incorruptível”.

O barriga de Sudene: “Mas a eleição é no ano que vem”. E o estômago de cotas: “Tô me lixando. Com o dinheiro da corrupção eu compro um caráter sem jaça”.

Voz de locutor: “Os escândalos são bons porque funcioanam como um desmascaramento. Se vêm à tona é sinal de que os criminosos foram pilhados”.

Corta para o castelo de R$ 25 milhões, nos fundões de uma Minas Gerias feudal. Música de Vila Lobos. Fecha numa barata à borda da piscina. Cazuza.

Câmera de volta para o conselho. Zoom na cara de Edmar Moreira. Semblante cool, clean, despreocupado. Ao fundos, os rostos de repórteres cansados.

Ouve-se a voz inquisidora do relator Nazareno Fonteles (PT-PI): “O colega violou os os princípios constitucionais da legalidade, da impessoalidade e da moralidade”.

Close nos lábios do deputado Moreira Mendes (PPS-RO): “O mandato é meu e vou votar de acordo com minha consciência…”

“…O Edmar cometeu ato atentatório contra o decoro parlamentar, mas não incompatível com o decoro”.

Imagens de deputados votando. O presidente José Carlos Araújo (PR-BA) anuncia o resultado. Nove votos pela absolvição. Quatro pela condenação. Uma abstenção.

Edmar Moreira sorri o riso infinito. Nada fora comprovado, exceto uma coisa: não há culpados no Congresso; só inocentes e cúmplices.

Uma mosca solitária voa no plenário do Conselho de (a)Ética. Voz do locutor: “Essa lição já não havia sido aprendida? O país já não mudara?…”

“…Não ficara combinado que os políticos não delinquiriam mais. Não ficara estabelecido que os eleitores não votariam em bandidos?”

Corta para uma feira. Azáfama, algaravia, muvuca. Jornais enrolam peixes. Corta para o Congresso. Cenas aéreas de um Legislativo também aéreo.

Fecha na cuia virada para cima. Súbito, uma fenda se abre no solo seco e quebradiço de Brasília.

O chão engole o pedaço da edificação de Niemeyer em formato de empada. Corta para o castelo mineiro. Festa de Edmar.

O deputado inocente se esconde atrás de uma cascata de camarões. Forma-se diante dele uma fila de cumprimentos: gordos deputados, colunistas sociais…

…Lobistas melífluos, achacadores cheirosos, burocratas prestativos. Um brinde coletivo. Nada havia sido comprovado.

Cenas finais: convidados retardatários cruzam a ponte levadiça do castelo em suas mercedes e BMWs. Uma rotativa imprime o jornal do dia seguinte.

“A nova moral”, eis a manchete. O roteirista dá nome ao filme: Política em Transe. Suspita. E digita a última palavra: Fim.

blog do Josias de Souza

Miguezim de Princesa – Versos na tarde

Os cômodos do castelo
Miguezim de Princesa¹

I
Eu, que trabalhei na roça,
Aprendi a capinar,
A puxar cobra pros pés,
Arroz e feijão plantar;
Jornalista e Delegado,
Inda não fui contemplado
Com castelo pra morar.

II
Já morei em quitinete,
Em apartamento belo,
Em casa de bairro pobre,
Em quichó pé-de-chinelo
(De Asa Sul e Asa Norte),
Mas nunca tive essa sorte
De morar em um castelo.

III
Eu nunca juntei dinheiro,
Mas sempre pude gastar:
Quando recebia salário,
Saía para festejar
(Homem ou menino amarelo,
Nunca encontrei um castelo
Onde pudesse morar).

IV
Mais eis que surge em Brasília
O grande corregedor
Que corrige os deputados
Ultrajantes do pudor
E põe nos classificados,
Por um valor amuado,
Um castelo tentador.

V
E eu, que sempre sonhava
Em ter um castelo assim,
Fico só me perguntando
Por que a sorte é ruim?
Pra uns é ave agoureira,
Porém pra Edmar Moreira
Deu o que tirou de mim?

VI
São 25 milhões
De dólares americanos,
Que deixam brilhando os olhos
De petistas e tucanos,
DEM e peemedebistas,
Radicais e comunistas,
Não há quem não faça planos.

VII
Uma centena de cômodos
(Todos podem se espalhar).
No castelo do Moreira,
Vaga é que não vai faltar:
Do presidente ao prefeito,
Do suplente e do eleito,
Todos podem se arranchar.

VIII
Lula fica na suíte
(Se é com Marisa eu não sei),
Temer fica noutro quarto
(Tem até quarto pra gay),
Mas a segunda suíte,
Que é coisa de elite,
Vai ser quarto de Sarney.

IX
Moreira, que é elitista,
Reservou só um quartinho
Para Jeany Mary Córner
Trazer Professor Luizinho
E se juntar com Burati,
Palocci vem de arremate
E ninguém fica sozinho.

X
Se é lavagem de dinheiro,
Disso eu não tenho certeza,
Mas nesse Brasil inteiro
Anda grande a safadeza.
Antes que eu morra de infarto,
Ali só não vai ter quarto
Pra Miguezim de Princesa!

¹Miguel Lucena
* 1967 d.C
Poeta, cordelista, jornalista, bacharel em direito e delegado de polícia.

Corregedor da Câmara gasta verba com segurança pessoal

Brasil: da série “O tamanho do buraco”!

Pois é meus caros, e botem caro nisso, súditos, infelizes membros da ralé brasileira. Fiquem sabendo que o seu, o meu, o nosso sofrido dinheirinho, aquele mirrado caraminguá, está pagando a proteção de sua (dele) ex-celentíssima e principesca figura do nobilíssimo Deputado Edmar Moreira, do DEM — sei não! Continuo achando que o nome desse partido só pode ser gozação. Democratas com Marco Maciel, Bonhauser, Ronaldo Caiado, todos os ACMs “et caterva”?

Pois bem. Voltando ao assunto. Aquele “desvalido depufede”, cidadão sofrido, possuidor de uma tapera de “exiguos” 17 mil e quinhentos metros quadrados. Afinal, manter 35 suítes, piscinas, torres, almeias, cavalariças, quadras esportivas e sei lá mais quantos cômodos no palácio das minas gerais, custa caro e, nada mais natural que usar dinheiro público para ajudar. Não é mesmo?

Novo corregedor da Câmara gasta 80% com segurança
do site Contas Abertas

A semana realmente não é das melhores para o novo corregedor da Câmara Federal, deputado Edmar Moreira (DEM-MG). Como se não bastasse a polêmica envolvendo o castelo localizado no interior de Minas Gerais, avaliado em pelo menos R$ 20 milhões, o parlamentar terá de se explicar quanto aos gastos realizados com a verba indenizatória.

Dono de três empresas que oferecem serviços de segurança privada, Moreira utilizou o dinheiro a que tem direito como parlamentar para contratar segurança.

No ano passado, por exemplo, dos R$ 180 mil gastos com a verba, R$ 144 mil, 80% do total, serviram para pagar esse tipo de serviço.

Corregedor da Câmara é acusado de sonegação de impostos

Brasil: da série “O tamanho do buraco”!

Suas (deles) ex-celências, não se cansam de nos surpreender. Pra pior.

Os Tupiniquins, acreditávamoas que a corja política brasileira já havia esgotado o repertório de marmotas, falcatruas e afins.

Mas, qual o quê! Lêdo Ivo engano. Agora é o Corregedor da Câmara dos Deputados quem nos causa espanto. Vejam só, que o referido cidadão é o Corregedor da Câmara dos Deputados. Isso mesmo. O “ínclito deputado” é o guardião da moral e dos bons costumes dos demais parlamentares, responsável por vigiar os deslizes das outras ex-celências.

Achando pouca, sua (dele) ex-celência, é possuidor de um castelo no interior de Minas Gerais. Não vocês não estão lendo errado não! É um castelo mesmo. Não é figura de linguagem.

São 7.500 metros quadrados de área construída (maior que o Castelo de Neuschwanstein, nos Alpes da Baviera, que inspirou o castelo da Cinderela de Walt Disney), 32 suítes, dezoito salas, oito torres, 275 janelas, uma piscina com cascata, fontes e espelhos d’água. Fica no distrito de Carlos Alves, vilarejo de pouco mais de 1.000 habitantes e 300 casas, no município de São João Nepomuceno, a 70 quilômetros de Juiz de Fora.

Fotografias,Castelo do Deputado Edmar Moreira,Corregedor da Câmara dos DeputadosClique para ampliar
Castelo do Deputado Edmar Moreira, corregedor da Câmara dos Deputados.
Avaliado por corretores entre 20 a 25 milhões de reais.

O nobre deputado, sim, nobre, afinal o homem tem um castelo, declarou ao TRE que a propriedade vale ínfimos R&17.500,00 – dezessete mil e quinhentos reais! Uáu!!!

Argh!

Corregedor da Câmara é acusado de fraudar a Previdência

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Deputado Edmar Moreira

O novo corregedor da Câmara, Edmar Moreira (DEM-MG), foi denunciado à Justiça em dezembro de 2007 pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, acusado de se apropriar ilegalmente de contribuições ao INSS feitas por seus empregados em uma empresa de vigilância.

Na denúncia, o procurador diz que os impostos foram descontados dos funcionários da F.Moreira Empresa de Segurança e Vigilância Ltda., sediada em São Paulo, mas não repassados ao governo. Esta dívida, segundo a Previdência, é de R$ 1 milhão (valor de 2005, incluindo o imposto não pago, juros e multas).

Moreira é investigado em inquérito aberto em 2007 no Supremo Tribunal Federal. Se o relator do caso, Eros Grau, aceitar a denúncia, o deputado passará a ser réu e responderá a processo criminal por apropriação indébita. Grau ainda não se pronunciou.

No inquérito, o advogado do congressista, Alberto Felício Júnior, reconhece a dívida e justifica o não-pagamento informando que “a empresa vem passando por dificuldades decorrentes de constantes atrasos em seus recebimentos”. Com capital social de R$ 2,7 milhões, segundo a Junta Comercial de São Paulo, a F.Moreira foi a principal doadora das últimas campanhas do deputado. Conforme declarações entregues ao Tribunal Superior Eleitoral, em 2002, a empresa bancou 61% dos gastos da campanha dele (R$ 168 mil), e, em 2006, 39% (R$ 79 mil).

Na investigação, também há a informação de que são cobrados da F. Moreira R$ 8,2 milhões em outros processos por não recolhimento de impostos. A defesa nega essas dívidas.

A história iniciou em 2000, quando a empresa de Moreira foi multada por não recolher os tributos descontados de março de 1997 a dezembro de 1998.

da Folha de São Paulo

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