Eleições 2014: Debate presidencial foi briga de pátio de escola

Debates Campanha Política PSDB PTNão há outra definição. Foi mesmo uma briga de pátio de escola. Os contendores se ofenderam como garotos. Não eram adversários de pouca expressão. De um lado, a presidente da República. Do outro, o presidente do principal partido de oposição. Dilma Rousseff e Aécio Neves jogaram lama um no outro. Brandiram argumentos para provar que os dois são mentirosos, levianos e malfeitores. Indignos, portanto, do amor da República. Um espetáculo deprimente.

Ficou entendido que, para Aécio, os corruptos são encontrados em vários partidos, quase todos no PT. Para Dilma, os escândalos estrelados pelo PSDB são tantos que acabaram até com o benefício da dúvida. No segundo round, quando a briga descambou para a corrupção, foi impossível mudar de assunto. Mudou-se apenas de escândalo.

A certa altura, Aécio soltou os punhos: “Todos nós, brasileiros, acordamos a cada dia surpresos com novas denúncias. Em relação à Petrobras é algo absolutamente inacreditável. Eu vi um momento apenas de indignação da candidata ao longo de todo esse período em que essas denúncias sucessivas chegaram aos brasileiros. Foi no momento em que houve o vazamento de alguns depoimentos nesses últimos dias. Não vi a mesma indignação em relação ao conteúdo desses vazamentos.”

Dilma levantou a guarda: “A minha indignação em relação a tudo o que acontece, inclusive no caso da Petrobras, é a mesma de todos os brasileiros. A minha determinação de punir todos os investigados que sejam culpados, os corruptos e os corruptores, é total.” Empulhação! A fase em que Dilma podia punir alguém já passou. No caso da Petrobras, só o Judiciário pode providenciar a verdadeira punição.

Chama-se Paulo Roberto Costa o principal personagem do escândalo. Ex-diretor da estatal petrolífera, ele prestou depoimento à Justiça Federal na semana passada. O conteúdo foi divulgado regularmente, não “vazado” como disse Aécio.

Indicado para a diretoria de Abastecimento da Petrobras pelo Partido Progressista, Paulo Roberto foi nomeado sob Lula, em 2004. Deixou o posto no segundo ano do mandato de Dilma, em 2011. Hoje, é um corrupto confesso. Em troca de redução da pena, ele abre o jogo para a Polícia Federal, a Procuradoria e o juiz Sérgio Moro, responsável pelo caso.

Aécio socou novamente: “No momento em que o diretor nomeado por seu governo está devolvendo R$ 70 milhões aos cofres públicos, assume que roubou, que desviou dinheiro da Petrobras, quero saber: quais foram os bons serviços prestados por esse diretor, segundo atesta o seu ato de exoneração da Petrobras?”

Dilma esquivou-se: “O que eu considero é que é fundamental que nós saibamos tudo sobre esse processo da Operação Lava Jato.” Conversa mole. O pedaço da investigação que ela quer conhecer, por força da delação, corre em segredo. Envolve a nata do governismo. Só deve ganhar os refletores em 2015.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“Considero ainda que é fundamental que o país pare de ter impunidade”, partiu para o ataque Dilma. “Investiga ou finge investigar e não pune. Nós mudamos essa realidade.” Ela esfregou na face de Aécio os principais escândalos da Era FHC.

Dilma repetiu cinco vezes a mesma pergunta: “Onde estão os envolvidos…?” Nas pegadas de cada interrogação, surgia o nome do escândalo: “..Onde estão os envolvidos no caso Sivam, na compra de votos da reeleição, na pasta rosa, no mensalão tucano mineiro, no caso do cartel do metrô de São Paulo…” Para cada caso, a mesma invariável resposta: “Todos soltos!”

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Debates entre Dilma e Aécio no segundo turno23 fotos 6 / 23
14.out.2014 – Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) se cumprimentam antes do debate da Band, o primeiro entre os presidenciáveis que concorrem no segundo turno das eleições presidenciais, na noite desta terça-feira Leia mais Nelson Antoine/Frame/Estadão Conteúdo
A adversária de Aécio passara o dia sob intenso treinamento. Sabia que, em matéria de escândalo, jamais ganharia na qualidade. Na Petrobras, as mutretas mordem percentuais de contratos bilionários. Bem marquetada, Dilma apostou na quantidade de escândalos atribuídos ao tucanato. E provocou: “Quero todos aqueles culpados presos. É essa a minha indignação, que o senhor não enxerga.”

Aécio teve a oportunidade de aplicar um nocaute verbal em sua oponente. Bastaria que tivesse dito algo assim: “Pois é, só que quem está atrás das grandes são os mensaleiros do PT.” Deu uma resposta nada impactante, contudo. “A senhora busca comparar coisas muito diferentes. Não queira nos igualar, candidata.”

Igualar era tudo o que Dilma desejava. Impossibilitada de elevar a estatura ética do seu governo, ela seguiu à risca a orientação de rebaixar o teto do adversário. “Candidato, gostaria muito que o senhor explicasse aqui para o telespectador por que aquilo tudo que eu listei é outra coisa. É outra coisa porque não foi investigado nem punido.”

Aécio tentou elevar o pé-direito: “O que acontece na Petrobras é algo extremamente grave, que jamais ocorreu nessa República. E a senhora não responde a minha pergunta: aqui está, na minha frente, a ata em que o diretor Paulo Roberto renuncia. Ao contrário do que a senhora disse na propaganda eleitoral e em outros debates, ele não foi demitido. Eis a ata da Petrobras.”

“No final está dito o seguinte”, prosseguiu Aécio, abrindo aspas: “Agradecemos o senhor Paulo Roberto pelos relevantes serviços prestados à companhia. Quero saber: quais foram o relevantes serviços? Foi sua relação com o tesoureiro do partido [o petista João Vaccari Neto]? […] Candidata, é preciso muito mais do que um conjunto de boas intenções em final de governo para o resgate da credibilidade na vida pública. A senhora, infelizmente, não tem tomado a atitude que o Brasil espera nesse caso.”

Dilma abespinhou-se: “Candidato, eu tenho uma vida toda de absoluto combate à corrupção e de nenhum envolvimento com malfeitos. Quero dizer ao senhor que, quando este diretor [Paulo Roberto] foi demitido, o Conselho da Petrobras não sabia dos atos. Ele foi demitido em abril de 2012. E os fatos estão ocorrendo, graças ao meu governo e à minha investigação, em 2014.”

Nesse ponto, Dilma soou desconexa. Nos contratos da Petrobras, o dinheiro saía pelo ladrão porque ladrões entraram nos contatos da estatal. Nessa matéria, a principal contribuição do governo foi a de nomear os apadrinhados dos partidos. Quanto à investigação, ocorre à revelia de Dilma. Chamar de “minha investigação” é ofensa à lógica.

A presidente foi aos estúdios da Band, palco da refrega, decidida a demonstrar que, a seu juízo, Aécio frequenta o debate sobre ética na condição de afogado, não de nadador. “Seria importante também que o senhor relatasse para o telespectador o que ocorreu em Cláudio, quando o senhor construiu um aeroporto na fazenda de um familiar e entregou a chave pra ele.”

Dilma acionou os punhos contra o queixo de vidro do adversário: “Como o senhor explica ter construído um aeorporto que na época custava R$ 13,9 milhões e que agora custa R$ 18 milhões, a preços de hoje? Como explica que esse aeroporto foi construído num terreno do seu tio e a chave fica em poder dele?”

O aeroporto da cidade de Cláudio foi construído na época em que Aécio era governador. Como governar é desenhar sem borracha, ele vem tentando ajeitar a moldura do quadro desde que a obra virou manchete.

“Quero responder à candidata Dilma olhando nos seus olhos”, disse Aécio, fitando a contendora: “A senhora está sendo leviana, candidata. Le-vi-a-na. O Ministério Público Federal atestou a regularidade dessa obra.” Ante a meia verdade de Aécio, Dilma cuidou de difundir a metade do fato que mais lhe interessava.

“O Ministerio Público não aceitou a ação criminal”, ela rememorou. “Mas mandou investigar a obra do aeroporto de Cláudio no que se refere a improbidade administrativa.” Dilma caprichou no didatismo: “Sabem o que é improbidade administrativa? É mau uso do dinheiro público.”

Aécio tentou passar o ouvido da audiência a limpo: “Essa obra de Cláudio, que a senhora insiste em repetir de forma leviana na sua propagnada eleitoral, tanto que o TSE a retirou do ar, foi uma obra feita numa área desapropriada em desfavor de um tio-avô meu, para beneficiar uma região próspera, onde estão mais de 150 indústrias. O Estado determinou o valor da desapropriação em R$ 1 milhao. Esse senhor, de mais de 90 anos, reinvindica até hoje R$ 9 milhões por esse terreno. Não foi beneficiado. Benefiada foi a população de Minas.”

Na sua vez de atacar, Aécio tratou Dilma como alguém que não tem condições de jogar pedras. Parece considerar que no caso dela não é o queixo, mas o governo inteiro que é de vidro. “Recentemente, o TCU disse que na, Refinaria Abreu e Lima, quando a senhora era presidente do Conselho de Administração da Petrobras, não fuja dessa responsabilidade, foi feito o sobrepreço para pagar propinas. Propinas para partidos políticos que a apoiam, propinas para o seu partido político. A minha vida pública é uma vida honrada, candidata. É uma vida digna.”

Em resposta, Dilma referiu-se a Aécio como um líder que, aspirando uma pompa nacional, tropeça nas circunstâncias paroquiais. “Hoje, no Brasil, é proibido o nepotismo”, disse ela. “E o senhor tem: uma irmã, um tio, três primos e três primas no governo [de Minas Gerais]. Pode olhar o governo federal. Não vai achar um parente meu.”

Aécio subiu o tom: “A senhora está com a obrigação, agora, de dizer onde a minha irmã trabalha. Não pode, candidata, fazer uma campanha com tantas inverdades. É mentira atrás de mentira. A sua propaganda é só mentira. A senhora mente aos brasileiros para ficar no governo. Não pode ser esse vale-tudo em que a senhora transformou a campanha eleitoral. …Eleve o nível desse debate.”

De repente, Aécio pareceu enxergar em Dilma uma versão feminina de Getúlio Vargas. “Não respondo a nenhum processo, candidata. Ao contrário do seu governo, que virou um mar de lama. […] Sabe qual é a palavra que mais tenho ouvido? É libertação. O que os brasileiros têm me pedido é o seguinte: Aécio, nos liberte desse governo do PT! Nós não merecemos tanta irresponsabilidade, tanto descompromisso com a ética e tanta incompetência.”

Agora responda: foi ou não foi uma briga de pátio de escola? O pior é que não houve um nocaute verbal. Foi uma briga para ser decidida nos pontos retóricos. A última cena injetou comédia na tragédia: Dilma e Aécio cumprimentaram-se amistosamente. Trocaram beijinhos. Quem teve saco para assistir até o final foi dormir com uma dúvida: no Brasil de hoje, o que é pior, o pesadelo ou o despertar? A resposta é um empate técnico. Dentro da margem de erro. Que é de infinitos pontos. Para baixo, não para cima.
Blog Josias de Souza

Eleições 2010 e debates. A farsa se repete. Em forma de farsa!

Será que a tendência de um eleitor pode mudar em função da pantomima dos debates televisivos? A estratégia de todos os participantes é a do cinismo explícito. Mentem nas promessas que não cumprirão se eleitos, mentem ao dizer que o adversário é que mente.

Suas (deles) ex-celências representam ridículos mamulengos, mal e porcamente manipulados por marqueteiros, habitantes de um universo surrealista.
O Editor


A mesma farsa de sempre
Promover debates entre Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva será sempre uma festa para as elites.
Para os mais críticos, uma farsa.

Porque apesar de divergências periféricas e até de farpas lançadas aqui e ali, os três pretendentes à presidência da República falam a mesma língua.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Exaltam o capitalismo, celebram a globalização, sustentam o modelo econômico da especulação financeira e da livre competição entre quantidades distintas e enaltecem a prática que vai tornando os ricos mais ricos e os pobres, mais pobres.

Do máximo que falam é da assistência social.

Mudar o mundo, mesmo, só Plínio de Arruda Sampaio, por isso excluído dos debates mais recentes.

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa

Eleições 2010: Índio, o vice de Serra, desce a borduna em Dilma Rousseff

É lamentável ver o PSDB ter que se sujeitar aos tacapes verbais do vice de Serra, que só tem contribuído para derrubar a candidatura tucana. Serra poderia ter procurado aliado mais equilibrado. O Índio acha mesmo que a Dilma irá responder alguma coisa sobre a possível ligação do PT com as FARC? Nunquinha! Pra complicar mais ainda o calvário do PSDB, a Folha de São Paulo publica na coluna ‘Painel’, que Paulo Preto — até há pouco tesoureiro da campanha de Serra — entrará com queixa-crime contra os tucanos Eduardo Jorge, José Aníbal e Evandro Losacco, tesoureiro-adjunto do PSDB, pela acusação de ter desaparecido com os R$ 4 milhões da campanha do Serra.
O Editor


Índio bate em Dilma por MST e Farc em debate de vices

O deputado Índio da Costa (DEM-RJ), candidato a vice na chapa de José Serra (PSDB) à Presidência da República, manteve a posição de guerrilha verbal contra a candidata do PT, Dilma Rousseff, questionando sua relação com o MST e com a guerrilha colombiana Farc em debate de vices nesta terça-feira em São Paulo.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O deputado lembrou que em abril Dilma colocou o boné com logo do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Recentemente, o fundador do MST, João Pedro Stédile, disse em entrevista à Reuters, que o Brasil viverá um aumento das ocupações de terra se a petista vencer as eleições e um crescimento da violência no campo caso o tucano José Serra seja o escolhido.

“Esse governo foi frouxo com as invasões de terra”, afirmou Índio.

O vice de Dilma, o deputado Michel Temer (PMDB-SP), declarou não haver objeções em relação aos movimentos sociais. “Eles são bem-vindos para nossa campanha, desde que nos limites da lei”, afirmou.

“O que está fora da lei não estará, não será tolerado pela nossa coligação”, disse.

Segundo Temer, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva consegui “pacificar os movimentos sociais”. “O trânsito já não para mais em Brasília. Vamos para as eleições com todos os setores sociais tranquilizados.”

Indio também voltou à carga na acusação de ligação do PT com as Forças Revolucionárias Armadas da Colômbia (Farc).

“Até agora a Dilma não respondeu se vê ligação entre as Farc e as drogas”, afirmou.

“A Dilma tem que explicar por que o PT é ligado às Farc”, disse. “A questão é: o PT tem ligação com as Farc, que têm ligação com o narcotráfico”, acrescentou.

Reuters

Eleições 2010:Serra muda de opinião sobre importância de debates entre candidatos

Parece que o fato de não estar liderando a corrida presidencial com a margem de preferência esperada, tem provocado confusão na cabeça, cada vez mais confusa, de José Serra. Para alguns analistas os estrategistas da campanha de Serra cometem os mesmos erros da eleição anterior.

A pergunta que fica é: qual a razão de Serra se mostrar tão nervoso se ele já participou de vários debates?
O Editor


Agora, Serra afirma que debate ‘não é coisa decisiva’

O homem, como se sabe, é o único animal que dispõe do dom da fala. Porém, quando solto na selva política, por vezes diz palavras desconexas.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Tome-se o exemplo dos tucanos. Passaram a fase de pré-campanha alerdeando a tese segundo a qual os debates teriam importância capital na sucessão.

No tetê-à-tête com Dilma Rousseff, José Serra daria um baile. Pois bem. Agora, às vésperas do primeiro embate, o próprio Serra reformula a prosa.

“Está-se exagerando o caráter decisivo do debate. É um ponto importante, mas [é apenas] um ponto na trajetória da informação para o público”.

Declarou-se “tranquilo”. E quanto à insinuação de Dilma de que, nervoso, teria de recorrer ao Lexotan?

“É só você olhar pra mim”, Serra ironizou.

Nesta quarta (4), o presidenciável tucano esteve, de novo, em Minas. Acompanhado de Aécio Neves e Cia., foi a Poços de Caldas.

A agenda previa uma esticada até Três Corações. Mas Serra preferiu retornar a São Paulo. A assessoria insinuou que teria compromissos particulares.

E Aécio: “Estava previsto que ele retornaria a São Paulo para se preparar para um outro momento importante da campanha, que é o debate em uma rede de TV.”

Debate “não é coisa decisiva”. Mas não convém facilitar.

blog Josias de Souza