Cursos de Jornalismo. Acabou a reserva de mercado

Toda reserva de mercado implica no fim da meritocracia. Vamos esperar que a próxima queda seja a do famigerado exame da OAB, que somente serve para enriquecer os advogados donos de cursinhos preparatórios. Saibam que 97% dos aprovados no exame da OAB são oriundos de cursinhos. Ou seja: as faculdades de direito não estão formando bacharéis capazes de passarem no exame, sem um “pit stop” em algum cursinho.

Essa mesma tinhosa mania de reserva de mercado impera também na corretagem de imóveis. Você aí, Tupiniquin, sabia que se você quiser vender a sua Oca, ou vá lá, tapera, para um seu irmão Tapuia, tem que haver a intermediação de um corretor de imóveis, devidamente credenciado por um tal de CRECI?
Pois tem!!!

Esse intrometido irá receber uma comissão sobre o valor da transação feita entre você e seu irmão.
Caso esteja achando que é gozação, saiba que já existe tramitando na Câmara Federal, projeto para a obrigatoriedade de diploma de curso superior para quem quiser excercer as profissões de cabeleireiro, modelo de passarela e, “tchan tchan tchan tchan”… m a n i c u r e!
Argh!

O editor

Liberdade! Abriram-se as portas da senzala ideológica

O mercado contratante é que deveria estar interessado em profissionais com formação específica nisso ou naquilo, não é mesmo? Alguém precisa fazer faculdade para ser um publicitário criativo? Ora… Mas uma faculdade de publicidade que realmente produzisse saber de ponta certamente atrairia os melhores candidatos e despertaria a atenção da agências: “Quem passa por tal curso sai realmente com formação de primeira linha”.

Entenderam? Em vez de se ter um cartório de faculdades de jornalismo, todas elas abraçadas a sua preguiça, teríamos um esforço pela busca da excelência. Isso deve valer para qualquer profissão cujo desempenho dependa principalmente do talento. “Você é a favor da desregulação também para advogados?” É claro que sim. Tenho sérias dúvidas se alguém sem formação específica conseguirá lidar com o cipoal da Justiça — tenho a impressão de que não. Mas a defesa puramente corporativa da reserva de mercado é uma tolice.

As coisas caminham para a pura e simples maluquice na área da regulamentação. Há proposta para regulamentar, calculem!, a profissão de “escritor”, de “poeta”, de “repentista”… Exceção feita às atividades que oferecem risco para terceiros ou para a coletividade, dêem-me um bom motivo para se exigir um diploma…

E, é certo, ele não é garantia absoluta de competência em nenhum caso. É só um indicador de que o candidato a piloto de um jato, por exemplo, passou por um treinamento específico.

No caso do jornalismo, não tenho dúvida de que se abre a possibilidade de cursos de especialização, na modalidade de uma pós-graduação, que podem conciliar saber e tecnologia de ponta. E as empresas vão buscar esses profissionais.

Liberdade!

E, espero, caminha para a obsolescência o que já era obsoleto: cursos de jornalismo pautados apenas pela discurseira ideológica, pela “desconstrução” (termo pomposo para “picaretagem intelectual”) dos meios de comunicação e pela pregação da “resistência” (???) à “mídia”. Sei do que falo porque conheço estudantes, filhos de amigos ou do círculo familiar ampliado, submetidos a essa estupidez. “Professores” se empenham não em formar jornalistas, mas em formar militantes. É como se um piloto fizesse um curso não para ser o melhor condutor de um jato, mas para se tornar sindicalista ou sabotador de aviões, entenderam?

Por que alguém precisa pagar por isso — numa faculdade pública (que sempre é paga) ou privada? Não precisa mais!

Assim, saibam os estudantes de jornalismo — e as faculdades não foram extintas, é bom lembrar: tão logo o professor comece com discurseira ideológica em vez de ensinar o que é um bom lead ou técnicas de apuração, denunciem a malandragem ou caiam fora. Vocês não são mais obrigados a passar por isso. Estão livres! As portas da senzala ideológica foram abertas.

blog Reinaldo Azevedo