Eleições 2018: PT se ‘autoassassinou’ e governo está em fase terminal, diz ex-ministro de Lula

(Foto: Pedro França/Ag. Senado)Há pouco mais de dez anos, o senador Cristovam Buarque deixou o PT após uma série de desgastes que levaram à sua demissão, por telefone, do cargo de ministro da Educação e no embalo da eclosão do escândalo do mensalão – ele foi um dos integrantes que não concordaram com a resposta dada pelo partido e pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva às irregularidades reveladas à época. 

Para Cristovam Buarque, é preciso discutir que governo o Brasil terá – com ou sem Dilma

Hoje, ensaia um novo desembarque, desta vez do PDT, que, nas palavras de Cristovam, “não existe” como partido, pois virou um “puxadinho do PT” controlado pelo ex-ministro Carlos Lupi que já colocou como candidato à próxima corrida presidencial um nome escolhido por Lula – Ciro Gomes – para “preencher o vazio” caso o petismo não se recupere a tempo de 2018.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Segundo o senador, “o PT se autoassassinou” ao desconsiderar a meritocracia na nomeação de cargos e não pensar um projeto de longo prazo para o país.

Diz ainda que o “fracasso” da gestão Dilma Rousseff se deve principalmente a erros cometidos pela presidente em seu governo, que está em “fase terminal”.

Aos 71 anos, o ex-governador do Distrito Federal e ex-reitor da UnB (Universidade de Brasília) defende, porém, que se pense menos no resultado do pedido de impeachment da presidente, e mais em que governo o país terá após o processo – com ou sem Dilma.

Confira trechos da entrevista à BBC Brasil, feita por telefone.

BBC Brasil – A ex-senadora Marina Silva defendeu ao jornal Folha de S.Pauloque se agilize o processo contra a presidente Dilma Rousseff no TSE (Dilma e seu vice, Michel Temer, podem ter o mandato cassado se o Tribunal Superior Eleitoral entender que a chapa cometeu irregularidades na campanha), em detrimento ao pedido de impeachment em curso no Congresso. Como vê isso?

Cristovam Buarque – Para mim, o importante não é saber como isso termina, mas como começa o próximo momento. O chamado day after (dia seguinte). Acho que lamentavelmente a Marina não trabalha com o day after. Estou menos preocupado com se isso vai terminar com a continuação da Dilma, o impeachment ou a cassação.

Teremos o dia seguinte com o Temer em um governo de unidade nacional? Ou com a Dilma, com um governo de coalizão nacional? Se houver a cassação, a eleição em 90 dias vai permitir a construção dessa coalizão com um projeto alternativo? Essa é a minha preocupação.

Leia também: Crise política derruba Brasil para sua pior posição em ranking de qualidade democrática

(Foto: Marcelo Camargo/Ag. Brasil)
A presidente Dilma Rousseff enfrentará processo de impeachment neste ano
Image copyright Ag. Brasil

BBC Brasil – Qual seria o cenário ideal?

Cristovam Buarque – Hoje, e nós dissemos isso a ela em agosto, a melhor alternativa seria a Dilma, mas com um governo que não fosse da Dilma. Ela sendo a “Itamar” dela própria. No que consiste isso: ela dizer que não é mais do PT, nem de qualquer outro partido, a não ser do “Partido do Brasil”.

Dizer que precisa da oposição e de todos para governar, compor um ministério de unidade e com um programa de unidade, no qual a estabilidade monetária seja objetivo imediato, desde que não sacrifique conquistas sociais nem investimentos em infraestrutura. Definindo quem vai se sacrificar para que o Brasil seja reorientado e como vamos atravessar os três anos até a próxima eleição.

Seria a continuidade do governo Dilma sem Dilma, uma espécie de presidente sem ser chefe de governo, com um “primeiro-ministro” – entre aspas, não precisa de parlamentarismo para isso. O Itamar (Franco, ex-presidente) conseguiu: o Fernando Henrique (Cardoso) foi o primeiro-ministro. Isso seria o ideal.

Mas não vejo na Dilma condições para isso. Tanto que nós, um grupo de senadores, fomos até ela em agosto, levamos um documento, propusemos isso, dissemos que estávamos dispostos a apoiá-la. Ela ouviu com seriedade, carinho, nos dedicou muito tempo, mas não aconteceu nada. Perdeu a chance.

BBC Brasil – Na sua visão, por que o governo chegou a esse ponto? Quem tem mais culpa, Dilma ou o PT?

Cristovam Buarque – Acho que a grande culpa é do PT. O PT se autoassassinou. Há uma diferença entre autoassassinato e suicídio: suicídio é um gesto consciente, em que existe até uma dignidade; o autoassassinato nem é consciente nem carrega dignidade.

O PT se autoassassinou por recusar o mérito nos seus dirigentes: nomeava ministro, vice-ministro, subministro, diretores apenas por interesses imediatistas, corporativos. Se autoassassinou por não pensar o médio e longo prazo do Brasil, por ficar prisioneiro da próxima eleição, por abrir mão das reformas necessárias que poderia ter feito, sobretudo com a grande liderança que era Lula.

Agora, a Dilma colaborou. Ela poderia ter se “independizado” do PT, mas continuou dependente dele, e com isso destruiu seu governo.

BBC Brasil – Como vê o papel do seu partido, o PDT, na base aliada?

Cristovam Buarque – O PDT, como partido, não existe: é uma associação, um clube de militantes sob o comando absoluto do Carlos Lupi.

Em 2007, ele assumiu o Ministério do Trabalho. De lá para cá, continua sempre junto ao governo em troca de ministério e isso destruiu o PDT como partido, fez dele o que o Pedro Taques (ex-senador e atual governador do Mato Grosso) chamava de “puxadinho do PT”.

E a situação é essa, ao ponto de hoje ele ter colocado um candidato a presidente escolhido pelo Lula, o Ciro Gomes, cujo papel é preencher o vazio que haverá se o PT e o Lula não se recuperarem do impacto.

BBC Brasil – Do impacto da Operação Lava Jato?

Cristovam Buarque – Da Lava Jato e do fracasso do governo Dilma. E é um erro achar que esse fracasso decorre da Lava Jato. Do ponto de vista ético, sim, mas também dos erros que ela cometeu na condução do governo.

Se fosse a Lava Jato sem inflação, com a economia crescendo, seria diferente: apenas o PT carregaria o problema. Mas temos recessão, inflação, infraestrutura desorganizada, crise de gestão. O problema é a soma com a crise socioeconômica.

E o PDT optou equivocadamente, e digo isso desde 2007, em vez de ser uma alternativa para o Brasil, por ser coadjuvante de um partido e de um governo em fase terminal.

BBC Brasil – O que o manteve no PDT até hoje, então?

Cristovam Buarque – Primeiro porque sair de um partido é algo muito dolorido, complicado. E você sempre fica acreditando que ele pode mudar.

E segundo, porque essa é uma crise geral dos partidos.

(Foto: Ag. Brasil)PDT pode lançar Ciro Gomes à Presidência como “estratégia” de Lula, afirma senador – Image copyright Ag. Brasil

BBC Brasil – É como se não houvesse para onde ir?

Cristovam Buarque – É isso. Não é só o PDT. O PDT perdeu a vergonha, mas os outros não demonstram ainda o vigor transformador.

Creio que um partido precisa de duas coisas: vergonha, do ponto de vista ético, e vigor transformador, do ponto de vista político. A gente sente que muitos têm vergonha na cara, mas fica se perguntando se têm esse vigor.

Além disso, é importante dizer com clareza: há três anos o Carlos Lupi diz que vai sair do governo no mês seguinte. Reunia a nós senadores e dizia: “no próximo mês nós estamos fora do governo”. Passava o mês, a gente esperava, ele nos reunia e dizia a mesma coisa. Não vou negar que cometi o erro de ficar esperando por esse mês seguinte.

BBC Brasil – A imprensa dá como certo que o senhor vai para o PPS, que o convite já foi feito.

Cristovam Buarque – O convite foi realizado pelo meu velho amigo Roberto Freire, que é meu companheiro desde a política estudantil em Pernambuco, ainda nos anos 60. Mas não vou tomar essa decisão em um período de recesso, antes de conversar com meus colegas do PDT do Distrito Federal e ouvir diferentes forças ligadas a mim.

Mas houve o convite, e eu não disse não.

BBC Brasil – O senhor foi procurado por outros partidos?

Cristovam Buarque – Outros partidos me procuraram, mas a sintonia com o PPS é maior.

(Foto: Nilson Bastian/Ag. Câmara)
Roberto Freire, presidente do PPS, convidou Cristovam a migrar para seu partido
Image copyright Ag. Camara

BBC Brasil – Está em seus planos se candidatar à Presidência em 2018?

Cristovam Buarque – Quando conversei com o Roberto Freire, ele falou nisso. Mas deixei claro: não vou para o PPS exigindo ser candidato à Presidência, e nem com o compromisso de ser candidato se o PPS quiser. Não será por essa razão (a eventual mudança).

Até porque… Eu disse a ele que, na idade da gente, antes de tomar uma decisão tão ousada como ser candidato a presidente, precisamos pensar se já não é hora de começar a pensar mais na memória do que já fez do que na aventura do que vai fazer.

BBC Brasil – O senhor tem um histórico ligado aos chamados partidos de esquerda. Indo para o PPS, migraria para uma sigla que, para muitos, está mais à direita e é criticada como uma espécie de satélite do PSDB. Seus eleitores não estranhariam esse movimento?

Cristovam Buarque – Diferencio a palavra partido da palavra sigla. Não mudo de partido. Já mudei de sigla: era PT, virei PDT, mas sem mudar de partido. Se sair do PDT, e for para outra sigla, não mudarei de partido. Meu partido é de que a gente precisa transformar a sociedade brasileira, e isso exige uma revolução. E o elemento fundamental dessa revolução é garantir escola de qualidade para todos, por o filho do trabalhador na mesma escola do filho do patrão, entre outros aspectos.

Agora, a sigla PPS vem do Partido Comunista. Você pode dizer que o Roberto Freire esteve ao lado de gente do PSDB, mas você não pode dizer que ele e os militantes do PPS são conservadores e de direita.

Continuo dividindo a política entre direita e esquerda. Mas não divido por sigla, e sim por compromissos. Para mim, compactuar com corrupção é coisa de direitista. Mesmo que seja do PT, do PC do B.

(Foto: Ag. Brasil)
Senador afirma que é errado culpar Operação Lava Jato por fracasso do governo Dilma – Image copyright Ag. Brasil

BBC Brasil – O PT vai sobreviver a essa crise?

Cristovam Buarque – Veja bem, sobreviver, vai. Mas vai sobreviver cambaleante. E a pergunta para a qual eu gostaria de ter uma resposta é sobre o que virá depois desse período em que o PT vai cambalear.

Vai cambalear para o lado dos corruptos, dos acomodados socialmente? Ou vai cambalear para o lado dos éticos e dos revolucionários? Isso não dá para saber.

BBC Brasil – A Câmara e o Senado são comandadas por parlamentares implicados na Lava Jato. Como isso influencia o funcionamento do Congresso neste ano?

Cristovam Buarque – Se continuar nesse ritmo, o impeachment será um tema para todos, não só para a Dilma. E poderá vir, sim, o povo na rua pedindo eleição geral, para todos os cargos. Porque não é só a Dilma que está sob suspeição. Todos nós, que temos mandato, estamos.

Há os “Cunhas” da vida, os outros, mas também os que não aparecem. Somos hoje um Parlamento sob suspeição, e nenhum de nós, portanto estou no meio, está fora da suspeição, da dúvida, do questionamento da população.

Temo que, se não formos capazes de cassar logo os corruptos conhecidos, vamos cair num processo de reação tão forte da população que teremos de fazer uma eleição geral para todos.

Rolezinhos desnudam a “apartação” implícita

Educação Blog do Mesquita 01Os “rolezinhos” têm sido tratados como um tema cultural: o porquê de os jovens preferirem agitar shopping centers, tirando a tranquilidade dos frequentadores e trabalhadores, em vez de praticarem outras atividades juvenis, tais como namoro, estudo, esporte, arte ou mesmo consumo.

E as soluções propostas têm sido baseadas na esfera legal e policial. Não se viu um debate sobre as causas estruturais que permitiram a essas mobilizações aflorar: os shoppings e a internet.

Os shoppings ofereciam a natural busca de conforto nos trópicos e a necessária proteção em uma sociedade violenta nas ruas, mas também a disfarçada segregação social que caracteriza o Brasil.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Independentemente das causas que levam os jovens aos “rolezinhos”, eles não ocorreriam sem estes dois fatos irreversíveis na realidade: a existência de shopping centers e a disponibilidade da rede social.

Sem os shoppings não haveria como ocupá-los, sem as redes sociais, também não.

TRÊS ALTERNATIVAS

A sociedade tem três alternativas: conviver com os “rolezinhos” como uma prática cultural, um Carnaval fora de época e lugar; oferecer outras diversões aos jovens; ou buscar solução na explicitação da apartação, com leis que escolham os frequentadores. Essa medida será indecente moralmente e ineficiente socialmente.

Ainda se consegue fazer isso em clubes, condomínios, escolas de qualidade e hospitais caros, mas em shoppings será impossível justificar moralmente tal medida.

Além disso, as soluções policiais pela força, cercando shoppings, ou pela espionagem, bisbilhotando as redes sociais, serão impossíveis.

Até recentemente, a segregação se fazia com a convivência dócil dos excluídos, como se dizia então: os negros e os pobres sabem seus lugares. Não era necessário, como na África do Sul, explicitar em leis as calçadas e os banheiros só para brancos. No Brasil, a separação era automática, cada um sabia seu lugar.

Com o aumento da população urbana, foi preciso separar fisicamente as classes, nos shoppings e condomínios, com cercas e crachás, mas ainda sem necessidade da explicitação em leis.

Apesar de que houve propostas para proibir legalmente a entrada de imigrantes indesejados, bastava a apartação descrita no livro “O que É Apartação: O “Apartheid” Social Brasileiro”, de 1994.

Graças à internet, os “rolezinhos” desnudam o sistema de apartação implícita, sem leis.

Daqui para a frente, os shoppings existirão e terão um papel positivo no conforto social, mas a “guerrilha cibernética” é uma realidade com a qual vamos conviver. Ou assume-se a segregação explícita, ou promove-se a miscigenação social.

E, para isso, o caminho é a escola. A segregação racial se fez nas alcovas, a segregação social se faz nas escolas.

O único caminho decente e sustentável para o bom funcionamento dos espaços urbanos é a promoção da escola de qualidade em horário integral, com ofertas culturais para os jovens.
Senador Cristovam Buarque/Tribuna da Imprensa

Eleições: PSDB, PDT, Cristovam Buarque e o caixa 2

Afinal, com o correr da história se vai revelando que o famigerado caixa 2 não é prática recente na política brasileira, nem que o PT foi o inventor do “recursos não contabilizados”, aforisma criado pelo inefável Delúbio Soares, para justificar as manobras financeiras de Marcos Valério.

Convém lembrar que além dos mensaleiros e cuequeiros, também o Senador Eduardo Azeredo do PSDB responde a ação que corre no STF sobre caixa 2, tendo como coadjuvante, ainda no idos de 90, o operante Marcos Valério.

O Editor


Cristovam Buarque manobra para evitar o conselho de ética.

Numa manobra para tentar inibir denúncia contra ele no conselho de ética Senado, por suposta quebra de decoro, Cristovam Buarque fez carta ao procurador-geral da República pedindo “auditoria rigorosa” nas contas de sua campanha presidencial de 2006.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

É uma “resposta” à revelação do presidente do PDT-DF, Ezequiel Nascimento, de que sua campanha presidencial foi secretamente financiada pelo PSDB.

Testemunha

Além da credibilidade de presidente do PDT-DF, Ezequiel Nascimento participou ativamente da campanha de Cristovam para presidente.

Para boi dormir

A “auditoria rigorosa” verificará se a prestação de contas de Cristovam ao TSE, em 2006, está regular. Exclui o que não foi contabilizado.

Batom na cueca

O PSDB declarou ao TSE haver feito pagamentos de R$ 200 mil à F2 Filmes, produtora da campanha de Cristovam Buarque (PDT) na TV.

coluna Claudio Humberto

PSDB financiou campanha de Cristovam Buarque contra Lula em 2006

“Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá.”
Mais uma vestal perde o manto da pureza.

E Zé Bêdêu – o derradeiro abestado crédulo da Praça do ferreira, em Fortaleza – acreditava, por todos os juros, que caixa 2 era coisa privativa do PT e que Marcos Valério não tinha sido “inaugurado” na campanha do atual senador do PSDB, Eduardo Azeredo. Pobres trópicos

Ah!, os sepulcros caiados. Ética? Há, há, há.
O Editor


A candidatura do senador Cristovam Buarque (DF) à presidência da República pelo PDT, em 2006, recebeu doações financeiras da campanha presidencial de Geraldo Alckmin (PSDB), segundo revelou a esta coluna o próprio presidente do PDT-DF, Ezequiel Nascimento.

Ele diz que no total foram R$ 950 mil.

O PSDB investia na candidatura de Cristovam para tirar votos de Lula (PT), que disputava a reeleição.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Caixa 2

Ezequiel Nascimento afirmou que a campanha de Cristovam recebeu R$ 250 mil oficialmente e R$ 700 mil no “caixa 2” de origem tucana.

Intermediação

As doações da campanha do PSDB à Cristovam Buarque teriam sido realizadas por uma produtora que trabalhava para os tucanos.

Colaboração

Ezequiel Nascimento se coloca à disposição do conselho de ética do Senado para investigar Cristovam pela suposta quebra de decoro.

Pressão

O presidente do PDT-DF denunciou o financiamento tucano a Cristovam irritado com a pressão do senador para retirá-lo do cargo.

coluna Claudio Humberto

Senadores solidários com Eduardo Azeredo

De Adriana Mendes, de O Globo:

O presidente da Comissão da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), durante a reunião da comissão na manhã desta quinta-feira recebeu a solidariedade dos colegas Cristovam Buarque (PDT-DF), Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) , Paulo Duque (PMDB-RJ), Heráclito Fortes (DEM-PI), Geraldo Mesquita (PMDB-AC) e Eduardo Suplicy (PT-SP).

Azeredo é acusado de montar um esquema de desvio de dinheiro público, quando era governador de Minas Gerais e concorria à reeleição, o inquérito é conhecido como o “mensalão mineiro”. O caso está sendo julgado no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Joaquim Barbosa, relator do inquérito no Supremo, votou na quarta-feira pela abertura de ação penal contra o senador tucano.

(Comentário meu: Por que a onda de solidariedade a Azeredo?

Por que ele é um cara simpático?

Por que os senadores examinaram todas as provas e evidências colhidas pela polícia e o Ministério Público e concluíram que ele é inocente no caso do mensalão mineiro?

Por que ele é senador como os outros que lhe prestaram solidariedade?

Por que o “eu não sabia” dele está valendo menos que o “eu não sabia” de Lula?

Por que todos os políticos ou a maioria deles se vale de Caixa 2 e, portanto, não é justo que só Azeredo pague a conta?

Por que? Por que?)

Eleições 2010: Tasso Jereissati, Arthur Virgílio e Marcondes Perillo na mira de Lula

Lula mira Tasso, Virgílio e Perillo

Presidente articula palanques regionais para evitar a reeleição de senadores considerados inimigos políticos

A agenda eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não trata só da articulação de palanques regionais fortes para a candidata oficial, Dilma Rousseff. O planejamento estratégico também cuida de uma espécie de “lista negra” com alvos a abater nas urnas. A lista tem três senadores tucanos – Marconi Perillo (GO), Tasso Jereissati (CE) e Arthur Virgílio (AM).

Todos os acordos eleitorais patrocinados pelo Planalto nas regiões desses candidatos miram a derrota dos inimigos políticos. O jogo do Planalto fica visível sobretudo no Ceará, onde o presidente não esconde nem dos velhos aliados de Tasso a disposição de tirar-lhe a cadeira de senador.

Como são duas vagas em cada Estado, além de apoiar a eleição do peemedebista Eunício Oliveira, o presidente decidiu lançar a candidatura de seu ministro da Previdência Social, deputado José Pimentel (PT). Não satisfeito, ainda procurou os irmãos Gomes – o governador cearense, Cid Gomes (PSB), e o pré-candidato do PSB a presidente, deputado Ciro Gomes – pedindo apoio para Pimentel.

Fechados com Eunício, os irmãos acusaram a pressão, argumentando que gostariam de manter apenas um compromisso, para poder compor informalmente com o parceiro de sempre, Tasso. “Mas é este mesmo que eu quero derrotar”, teria dito Lula, segundo relato da conversa levado ao senador tucano. “O Lula está articulando com o fígado, contra os que lhe fazem oposição”, protesta Tasso, que na eleição passada rompeu com o candidato tucano ao governo, Lúcio Alcântara, e conservou a parceria com Cid e Ciro. “Não sei se o presidente se move por puro rancor ou se a estratégia dele é para diminuir a oposição e o Brasil ficar cada vez mais parecido com a Venezuela de Chávez.”

Não por acaso, quem encabeça a lista negra há quase quatro anos é Perillo. Lula não perdoa o fato de o ex-governador de Goiás ter “jogado” para derrubá-lo da Presidência nos tempos difíceis da crise do mensalão, quando chegou-se a falar em impeachment.

Na campanha de 2006, quando Lula jurava não ter conhecimento do pagamento de uma espécie de mesada para comprar votos de aliados na Câmara, Perillo engrossou o coro do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) e revelou que alertara o presidente sobre o mensalão.

O troco está sendo dado agora, com o apoio do Planalto aos principais adversários de Perillo no Estado. Além da parceria com o PMDB do prefeito de Goiânia, Iris Resende, Lula também está empenhado em lançar o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ao governo de Goiás, só para dificultar ainda mais a volta do tucano ao governo estadual.

Virgílio é outro que Lula faz gosto em despejar do Senado. Ele foi para a lista negra quando, em meio a uma explosão de indignação com a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o dossiê da Casa Civil contra tucanos, subiu à tribuna e ameaçou “bater na cara” do presidente.

MAIS ALVOS

Há outros nomes que o presidente pretende abater nas urnas, como o líder do DEM, José Agripino (RN), e o ex-petista Cristovam Buarque (PDT-DF).

Os petistas dizem que o presidente “acumula” raiva contra Agripino. Lula já subiu nos palanques de Natal determinado a derrotar a candidata de Agripino, Micarla de Souza, mas ela se elegeu prefeita em 2008.

A motivação maior do rancor contra Agripino foi o caixa, já que o presidente responsabiliza o líder do DEM pela derrubada da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) – o imposto do cheque, que daria ao governo mais R$ 40 bilhões anuais. Lula disse à época que o parlamentar virou os votos de alguns indecisos, como o senador Romeu Tuma (PTB-SP).

Ex-ministro e ex-petista, Cristovam também se queixa da intervenção de Lula na política do Distrito Federal. Em Brasília, petistas falam até em aliança com o PMDB do ex-governador Joaquim Roriz, justamente aquele que derrotou Cristovam no projeto do próprio PT de reeleição para o governo do DF.

“De fato, Lula está usando um certo ódio pessoal que pode atrapalhar os arranjos locais”, acusa o senador pedetista. Ele diz que a sua ideia era disputar uma vaga de senador com o apoio do PT local, mas o cenário mudou. “Hoje, essa aliança está praticamente descartada.”

Estadão – Christiane Samarco

STF não aceita pedido de reabertura de ações contra Sarney

Após um embate da água contra o rochedo — caseiro Francenildo X Palocci. Aliás, Palocci teve direito a advogado de defesa para fazer sustentação oral na sessão do STF, e o caseiro teve negado esse direito. Como disse brilhantemente o Ministro Marco Aurélio “o caseiro era um cidadão desafortunado” —, agora quem escapa de mais uma é o “imexível” Sarney.

O editor

Decisão de Eros Grau é provisória; julgamento não tem data marcada.

Conselho de Ética arquivou todas as ações contra presidente do Senado.

O ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta sexta-feira (28) pedido para que as representações apresentadas por senadores da oposição contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), fossem levadas para análise no plenário da Casa Legislativa.

Ao analisar o mandado de segurança no qual sete senadores pedem que o STF determine a reabertura de representações arquivadas na semana passada, Eros Grau rejeitou o pedido em caráter liminar (provisório). O julgamento definitivo do caso ocorrerá em data ainda não definida.

O relator do processo é Joaquim Barbosa. Ele não analisou o pedido de liminar, porque está de licença médica. Assim, a ação acabou distribuída na tarde desta sexta para o gabinete de Eros Grau. O teor da decisão tomada na noite desta sexta ainda não foi divulgado pelo Supremo.

No mandado de segurança, os adversários de Sarney questionam a decisão da segunda vice-presidente do Senado, Serys Shlessarenko (PT-MT), de impedir que o recurso contra o arquivamento de cinco representações feitas por PSDB e PSOL chegasse ao plenário.

Na ocasião, Serys argumentou que a Mesa Diretora não poderia alterar decisão do Conselho de Ética. O recurso não trata das seis denúncias feitas pelos senadores Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Cristovam Buarque (PDT-DF), também arquivadas.

O recurso foi assinado por José Nery (PSOL-PA), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Jefferson Praia (PDT-AM), Kátia Abreu (DEM-TO), Pedro Simon (PMDB-RS), Renato Casagrande (PSB-ES) e Demóstenes Torres (DEM-GO).

Acusações

O recurso da quinta-feira contempla cinco representações. A primeira, do PSDB, trata da denúncia de que um neto de Sarney teria usado seu prestígio para intermediar convênios para a operação de crédito consignado com a Casa. Em nota, quando da divulgação da denúncia, o neto de Sarney negou favorecimento.

Outra representação dos tucanos diz respeito aos atos secretos. A ação acusa Sarney pela edição dos atos secretos e anexava gravações de conversas telefônicas que mostram Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, conversando com sua filha sobre a nomeação de um namorado. Em discurso em plenário, Sarney negou envolvimento com os atos e criticou a divulgação das gravações.

A última acusação feita pelo PSDB dizia respeito à Fundação José Sarney. Há suspeitas de que a Fundação possa ter fraudado um contrato de patrocínio de R$ 1,3 milhão com a Petrobras. A Fundação classifica as acusações de “levianas” e diz que a estatal fiscalizou o projeto.

A primeira das acusações do PSOL trata dos atos secretos em termos semelhantes à do PSDB. A representação culpava o presidente do Senado pelos atos não publicados e anexava posteriormente as gravações.

A outra representação do PSOL mandada ao arquivo reúnia alguns temas. O primeiro é o fato de Sarney ter ocultado de sua declaração de bens à Justiça eleitoral uma mansão de R$ 4 milhões. O presidente do Senado chegou a dizer que a não declaração foi um “equívoco” do contador, mas depois disse que o fato aconteceu por “esquecimento.”

Outra acusação constante da mesma representação era referente à Fundação José Sarney, em termos semelhantes aos da ação do PSDB.

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Diego Abreu – G1

Renan Calheiros X Arthur Virgílio e FHC de contra peso

Brasil: da série “Só dói quando eu rio”!

Na pocilga, nem tudo é gripe. Lá, a corja não se envergonha de falar em decoro e ética.

Os Tupiniquins, queremos saber: suas (deles) ex-celências só descobriram as “malinações”, um do outro, agora?

Enquanto isso, em Fortaleza, FHC, o sociólogo da entregação, usa a boca mole pra falar, vejam só, em resgate de valores elementares como a decência e a igualdade perante a lei.” Quá, quá,quá.

Tá esquecido da compra de votos pra aprovar a emenda da reeleição — graças a ela é que o apedeuta tá aí até hoje — e/ou das estripulias do genro na Petrobrás, ex-celência?

Como cantava o Sílvio Brito “pare o mundo que eu quero descer”!

Uáu!

PMDB retaliará Virgílio com até quatro representações

A guerra deflagrada entre o PSDB e o PMDB na apresentação de representações no Conselho de Ética do Senado não vai terminar tão cedo. A presidente em exercício do PMDB, deputada Íris Araújo (GO), e o líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL), anunciaram ontem formalmente que vão entrar com representação contra o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), no início da próxima semana. A ideia é protocolar de três a quatro ações por falta de decoro parlamentar.

Por sua vez, Virgílio estuda encaminhar nova denúncia, desta vez contra Renan. Ele avalia que o líder peemedebista feriu o decoro ao ameaçar denunciá-lo ao conselho, caso o PSDB insistisse em pressionar pela saída de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado. “Não podemos esquecer que ele ia ser cassado por corrupção e depois ficou no plenário implorando por votos para se salvar”, disse ontem Virgílio.

Sarney é alvo de 11 ações no conselho: cinco representações (duas do PSOL e três do PSDB) e seis denúncias – quatro só de Virgílio e duas assinadas pelo tucano e pelo senador Cristovam Buarque (PMDB-DF).

“A partir do momento que o PSDB assinou embaixo as representações contra o presidente Sarney, não deixou outro caminho ao PMDB a não ser protocolar as ações contra o Arthur Virgílio”, disse ontem Renan, ao argumentar que a quantidade de ações contra Sarney “é a marcha da insensatez”.

Segundo Renan, o PMDB entrará no conselho apenas contra o líder tucano. “Vão ser de três a quatro representações”, explicou o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), um dos integrantes da tropa de choque de Sarney. A presidente em exercício do PMDB disse que a assessoria jurídica do partido estuda a melhor forma de encaminhar as acusações.

Eugênia Lopes e Carol Pires – Estadão

Contra o projeto dos deputados dos imigrantes

Brasileiros no exterior contestam projeto de ‘deputados dos imigrantes’

Os brasileiros João Domingos Fassarella Jr. e Arnaldo Lulu pretendem criar nos EUA um movimento contra o projeto de lei do senador Cristóvam Buarque (PDT-DF), aprovado em primeiro turno, para que imigrantes elejam deputados federais que os representem no exterior.

Arnaldo considera a iniciativa inútil: “Vários deputados e senadores americanos têm lutado pelos imigrantes sem conseguir nada.” Fassarella critica o “alto custo” do projeto, cerca de R$25 milhões por mandato, para quatro deputados federais. E instiga os defensores da iniciativa:

“Pergunte se a lei americana permite a interferência de algum político brasileiro aqui dentro.” Ambos, porém, são favoráveis à contratação de um defensor público e da ampliação de postos consulares, para “aproveitar melhor o dinheiro”.

Outra questão incomoda os dois imigrantes brasileiros: os representantes teriam conhecimentos suficientes da lei e da língua inglesa para negociar com as autoridades americanas? As informações são do site Comunidade News.

PSDB e PT unidos contra quebra de sigilos de políticos

Brasil: da série “Perguntar não ofende”.

Na hora do vamos ver, mais uma vez, o PT e PSDB, confirmam que são siameses no corporativismo para manter a “gentalha” de fora do butim.

O que essa turma tem a esconder?

Da coluna Claudio Humberto

PT e PSDB contra a quebra de sigilos

Algo de “estranho” acontece ao projeto do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) que extingue sigilos bancário e fiscal de políticos no exercício do mandato. PT e tucanos como Tasso Jereissati (CE) se uniram contra a proposta, e Aloizio Mercadante (PT-SP) pediu “vista”, emperrando sua tramitação. Já o relator Pedro Simon (PMDB-RS), que parece favorável à idéia, quebrou o braço, foi operado e vai demorar a fazer seu parecer.

Ele, de novo
Quando parecia que o projeto de quebra de sigilos ia andar, Eduardo Suplicy (PT-SP) pediu para discuti-lo e se demorou até acabar a sessão.