Crise Econômica; vamos falar de gastos públicos

Paul Krugman *O Estado de São Paulo

O índice Dow Jones está subindo até as alturas! Não, está em queda livre! Não, está em forte alta! Não, está…

Deixemos isso de lado. Enquanto o mercado de ações maníaco-depressivo domina as manchetes, a história mais importante está nas desanimadoras notícias sobre a economia real. Agora, está claro que o resgate dos bancos é apenas o começo: a economia não-financeira também precisa desesperadamente de ajuda.

E para oferecer essa ajuda, teremos de deixar de lado alguns preconceitos. Na política, está na moda falar contra os gastos do governo e exigir responsabilidade fiscal. Mas no momento, um aumento nos gastos do governo é exatamente o que o médico receitou e a preocupação com o déficit orçamentário deve ser adiada.

Antes de chegar nesse ponto, vamos falar da situação econômica. Nesta semana, aprendemos que as vendas no varejo despencaram de um precipício e o mesmo ocorreu com a produção industrial. O número de desempregados está num patamar associado a recessões graves e o índice de manufaturados medido pelo escritório do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) da Filadélfia está caindo no ritmo mais rápido em quase 20 anos. Todos os sinais apontam para um declínio econômico terrível, brutal e longo.

Quão terrível? A taxa de desemprego já está acima dos 6% (e critérios mais amplos de medição do desemprego já registram valores de dois dígitos). É agora praticamente certo que o desemprego vá superar os 7% e, possivelmente, até os 8%, fazendo desta a pior recessão do último quarto de século.

E quanto vai durar? Poderia de fato durar bastante tempo.

Continue lendo