Quando a mídia atropela reputações

Você acreditaria mais numa foto ou nas palavras de um político? O comportamento-padrão nos leva a escolher a primeira opção.

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Afinal, estamos vendo algo, tendo algum contato com o fato, enquanto que as falas dos políticos são tão fugidias quanto a areia que escorre pelos dedos! Sim, a maioria das pessoas age e raciocina assim, o que não é condenável; é apenas sinal dos tempos. Entretanto, pense ainda que tal foto mostre um vereador acessando conteúdos pornográficos em plena sessão da Câmara e que ele justifique estar com seu computador infectado por vírus.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O quadro não muda, não é verdade? Aliás, só piora, pois o flagrante ajuda a revelar uma faceta ainda desconhecida daquele representante político e sua ousadia em praticar atos distantes de sua função pública na frente de todos! Mas vamos adiante um pouco mais. Imagine ainda que o vereador flagrado seja o único representante de um partido de oposição, em rápido processo de deterioração de imagem, e a tal foto seja espalhada pela mídia a poucos meses das eleições municipais. Tenha em conta ainda que a imagem não foi captada originalmente pelos repórteres fotográficos dos meios que cobrem as sessões da Câmara, mas reproduzida a partir de um site menor, pouco conhecido.

Infelizmente, este episódio não é fictício. Aconteceu no final de abril em Florianópolis, tendo como pivô da discussão o vereador Lino Peres (PT) e uma fotografia publicada inicialmente na página do Facebook do site Fl0r1p4M1lGr4u, e replicada em sites e jornais de todo o Brasil! Sem crédito de autoria, a imagem mostra o vereador de costas para a câmera diante do computador, cuja tela exibe mulheres nuas. A cena se passa no plenário da Câmara Municipal de Florianópolis em meio à sessão ordinária do dia 26 de abril. Divulgada na fanpage no dia seguinte, a fotografia “viralizou”, e foi reproduzida sem qualquer pudor ou rigor jornalístico em meios de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia, Piauí, Mato Grosso do Sul, Alagoas, Rio Grande do Norte, Tocantins, e em portais nacionais como o Yahoo! Notícias e o R7.

Embora a imagem não indicasse como foi feita nem quem a produziu, e ainda que o Fl0r1p4M1lGr4u se considere uma página de humor, a mídia fez a festa, apoiando o noticiário na fotografia apócrifa e sem mais detalhes.

Ainda no dia 27 de abril, a assessoria do vereador se apressou a divulgar nota negando a intenção de acesso àqueles conteúdos e ainda forneceu trecho da gravação em vídeo do momento em que Lino Peres comunicou à mesa diretora que algo estava errado com seu computador. O PT também lançou uma nota pública, repudiando os ataques ao correligionário, condenando o “oportunismo” e a “espetacularização” da divulgação em massa.

Nas redes sociais e nos portais noticiosos, a imagem se espalhou sem controle, e o político foi massacrado nos comentários raivosos, irônicos e moralistas.

Lino Peres registrou boletim de ocorrência e solicitou ao setor de tecnologia da informação da Câmara avaliação do equipamento. Dois laudos distintos foram feitos e os peritos comprovaram que o vereador não fez busca por site impróprio no computador nem navegou naqueles conteúdos durante a fatídica sessão. Comprovada a fraude, o político convocou uma coletiva de imprensa para apresentar o resultado da perícia, mas o estrago já estava feito.

Cadê os limites?

Se isso aconteceu com um político – que geralmente tem mais condições de defesa – por que não aconteceria com um cidadão comum? É bem verdade que um episódio cujo protagonista é um homem público pode ter tornado a narrativa mais atraente para os jornalistas e interessados no escândalo. Adicionem-se a isso algumas doses de moralismo (afinal, era um site pornográfico) e a carga política que se poderia dar ao caso. Diversos sites fizeram questão de trazer nas manchetes que o vereador acusado era do PT, e o BlastingNews, foi além, relacionando o ocorrido com outras polêmicas do partido:

Sem títuloAlguns veículos de informação deram a versão inicial do político – a suspeita de vírus – e ainda ouviram os responsáveis pela página Fl0r1p4M1lGr4u, que atestaram que a fotografia era “real” e havia sido feita no dia da sessão. Mas os administradores da fanpage não disseram quem fez o registro nem como. Fica evidente que os veículos não certificaram a autenticidade da foto – poderia ser uma montagem! – confiaram na declaração do site de humor, e reproduziram o conteúdo, contribuindo para uma impiedosa espiral de pré-julgamento do vereador.

Uma vez na rede, qualquer conteúdo pode ser replicado ao infinito, com muito pouco a fazer para estancar seu progresso. O material pode ser uma importante e bem apurada denúncia jornalística contra os poderosos de plantão, mas também pode ser um conteúdo de origem duvidosa, fora de contexto, que induza ao erro e que fortaleça uma campanha difamatória. Foi o que ocorreu com o vereador neste caso, onde erros e deslizes éticos se acumularam.

É esperado que o jornalismo fiscalize os políticos, que morda os calcanhares dos poderosos, mas este exercício de contrapoder deve estar equilibrado em apuro técnico, em rigor investigativo, e em altos padrões éticos. Se seguir essa trilha, repórteres e editores não estarão fazendo nada além do que deles se espera – jornalismo! Mas se tropeçarem no caminho, seu trabalho estará contaminado e poderá ser questionado, e sua função na democracia terá falhado.

Uma sindicância foi aberta na Câmara de Florianópolis, inquérito policial foi instaurado e o vereador estuda acionar alguns veículos da mídia pedindo direito de resposta e danos morais.

Mas este é o caminho jurídico, que pode ser longo e incerto. Interessa também discutir pelo viés da deontologia jornalística onde teriam errado os colegas…

Jogo dos 7 erros

Pelo menos sete deslizes éticos foram cometidos no Caso Lino Peres. Não é meu propósito apontar quem errou mais e onde, mas sim discutir a natureza desses equívocos que poderiam ter sido evitados.

Erro #1: publicaram um material apócrifo e que sem checar sua autenticidade. A foto da fanpage do Fl0r1p4M1lGr4u não tinha assinatura e poderia ser resultado de manipulação de imagem, como a que El País reproduziu em janeiro de 2013 e que se revelou falsa. À época, o jornal espanhol trouxe na capa uma foto do então-presidente venezuelano Hugo Chávez entubado, o que provaria seu estado de saúde debilitado. Os editores da capa não se preocuparam em verificar a veracidade da foto, que havia sido enviada por um repórter free-lancer que prestava serviços ao jornal há algum tempo. Quando perceberam o erro, recolheram milhares de exemplares que já estavam à venda nas ruas. No caso Lino Peres, a mídia replicou uma foto sem saber quem a havia produzido, simplesmente colhendo o material no Facebook.

Erro #2: usar material de terceiros, cujas credenciais podem ser suspeitas. A foto que flagra o vereador diante do computador foi obtida numa fanpage de um site humorístico! Não se trata propriamente de uma fonte de caráter jornalístico, que prime pela exclusividade ou por alguma seriedade do tipo. Em tempos de memes, de piadas virtuais e boatos desenfreados, poderia ser mais uma armadilha. Era. Mas os jornalistas confiaram cegamente e levaram a coisa adiante.

Erro #3: publicar algo que já tenha sido publicado por um grande meio, acreditando na sua credibilidade jornalística. No Caso Lino Peres, alguns portais menores atribuíram a foto e a denúncia contra o vereador ao jornal Extra e ao Yahoo! Notícias. Impossibilitados de checar a notícia, acreditaram em veículos com mais estrutura, mais rigor ou mais proximidade. Um conhecido manipulador da mídia norte-americana, Ryan Holiday, chama a esse processo de“delegação de confiança”, estratégia simples e bastante utilizada e que revela a precariedade do sistema de verificação do jornalismo. Nem todos os elos da cadeia informativa confirmam as informações que publicam, mas confiam em veículos que pretensamente teriam tal preocupação, e nesse jogo de empurra-empurra, muitas informações podem passar pela peneira sem qualquer filtro de apuração, uma fragilidade estarrecedora.

Erro #4: embarcar na polarização partidária e se deixar fazer uso. Com o país dividido politicamente e com a proximidade das eleições municipais, é muito provável que os mais diversos grupos queiram assumir um protagonismo no noticiário. Após o processo de impeachment de Dilma Rousseff e os desgastes dos partidos desde os protestos de junho de 2013, era esperado que o PT – que estava no poder desde 2003 e que se viu também envolvido em denúncias de corrupção – assumisse um papel central na narrativa crítica ao sistema partidário. Não foi à toa que, no caso Lino Peres, alguns veículos tenham enfatizado a legenda do político na chamada principal das matérias. O escândalo não estava apenas no desvio da função pública nem nos condenáveis conteúdos acessados, mas também na condição partidária do político…

Erro #5: não publicar a história completa. Diversos sites deram a foto do vereador, a denúncia de seu mal feito, e parte de sua justificativa, a suspeita de que havia vírus no computador. Muitos órgãos de mídia não informaram que o vereador comunicou à mesa diretora que a máquina apresentava comportamento estranho. Isso por uma razão muito simples: raríssimos são os veículos de comunicação de Florianópolis que cobrem as sessões do parlamento municipal! Com o enxugamento das redações e o fortalecimento dos gabinetes oficiais de imprensa, a mídia local decidiu se eximir de acompanhar o Legislativo de perto. Com isso, não tem mais setoristas na área (nem mesmo na Assembleia Legislativa!), confia nos press releases da assessoria de comunicação e replica conteúdos de terceiros, como no caso Lino Peres. Se houvesse um repórter cobrindo a sessão no plenário da Câmara em tempo real, evitariam embarcar na campanha difamatória…

Erro #6: superdimensionar a denúncia. De forma geral, a mídia funciona muito bem para espalhar escândalos e apontar problemas. Essa é uma função importante dos jornalistas, mas o que se percebe é que os espaços e tempos destinados a acusar e a pré-julgar são sempre mais fartos que os dedicados a pedir desculpas ou desfazer mal entendidos. Não é preciso comparar a quantidade das notícias de denúncia com o publicado contendo os desmentidos. A espetacularização em torno da foto comprometedora surtiu como uma condenação à atitude do político, sobrando muito pouco para o benefício da dúvida. Uma rápida pesquisa em mecanismos de busca na internet mostra que o escândalo ficou muito maior que o esclarecimento do episódio. De posse de dois laudos que atestavam sua inocência, o vereador convocou uma entrevista coletiva, mas meia dúzia de jornalistas foi ouvir a versão final da história (foto). Que imagem do vereador ficará gravada na memória coletiva? Quem não ousará fazer uso político dessa confusão informativa nas eleições de outubro próximo?

Legenda: Coletiva de Lino Peres em 12/05/2016. Fonte: Assessoria do vereador

Coletiva de Lino Peres em 12/05/2016. Fonte: Assessoria do vereador

Erro #7: não admitir os erros. Infelizmente, é uma tradição do jornalismo brasileiro não reconhecer erros, retificar com clareza e ênfase, ou se retratar. Na pressa e na ânsia por informar, jornalistas atropelam reputações alheias, promovendo um grande carnaval de escândalos e denúncias, muitas vezes vazias.

O Caso Lino Peres não foge à regra. O colunista do Diário Catarinense, Rafael Martini, publicou em 6 de maio a nota “Hora de pedir desculpas ao vereador Lino Peres”. A despeito do que parece, o texto com menos de dez linhas não apresenta escusas, mas terceiriza essa obrigação: “Agora, resta saber quem fotografou e distribuiu a imagem e, o mais importante, se todos aqueles que o criticaram terão a hombridez de desculpar-se”. Pois é… Embora tenha sido cuidadoso em sua nota de 28 de abril no mesmo espaço, Martini reproduziu a polêmica foto, ajudando a espalhar a suspeita contra o político…

O caso Lino Peres é um exemplo de como pretensos escândalos paroquiais podem se converter em denúncias globais na internet, catalisado pelo jornalismo preguiçoso, apressado e mal intencionado, que tem privilegiado o boato, a opinião no lugar do esforço de apuração e reportagem. Espremidas entre a ânsia de fornecer todo tipo de informação ao público e suas limitações operacionais, as redações transferem às redes sociais, aos amadores e a terceiros suas funções principais: apurar com rigor e noticiar com responsabilidade. Como as redes, os amadores e os terceiros não têm credibilidade a perder, não se ocupam dessas tarefas. O jornalismo – que afrouxa seus padrões éticos e economiza em qualidade técnica – atira contra si mesmo quando renuncia a seu papel. Isso não é bom para ninguém.
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Rogério Christofoletti é professor da UFSC e pesquisador do objETHOS

Repórteres da Veja saem do Facebook após serem desmascarados por Romário

Repórteres da Veja que assinaram matéria caluniosa contra Romário recebem avalanche de críticas, ironias e questionamentos após terem suas páginas do Facebook divulgadas pelo senador. Desmascarados, os jornalistas excluíram suas contas da rede social.

Veja Romário Facebook Lauro Jardim

O senador Romário tocou de lado para que seus eleitores chutassem.

Publicou no Facebook a pergunta “inocente”:

Alguém aí tem notícias dos repórteres da revista Veja Thiago Prado e Leslie Leitão, que assinaram a matéria afirmando que tenho R$ 7,5 milhões não declarados na Suíça? E do diretor de redação Eurípedes Alcântara? Dos redatores-chefes Lauro Jardim, Fábio Altman, Policarpo Junior e Thaís Oyama? Gostaria que eles explicassem como conseguiram este documento falso.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

E tascou os links para as páginas de Facebook dos indigitados, sem sugerir nada, porque era desnecessário.

Foi uma avalanche de críticas e ironias nas páginas cujos endereços eletrônicos foram fornecidos pelo “baixinho”.

As de Thiago Prado e Leslie Leitão saíram do ar. A página de Lauro Jardim, que ainda funcionava hoje de manhã, tinha centenas de comentários que o ridicularizavam.

Certo que alguns exageradamente agressivos, mas a maioria indignados e irônicos:

E sobre o Romário Faria não vai falar nada ou vai desativar o Facebook também?
Amigo, explica como arranjaram o documento falso do Romário por gentileza? Abraço!
Quem foi o estelionatário que falsificou o documento da sua matéria contra o Romário ? Algum parceiro seu? Peixe!
É sobre o documento do Romário Faria? Sendo falso pode citar a fonte, ou será que é falsa a noticia?

E um dos mais engraçados:

Tem um vizinho meu aqui que tá me incomodando muito, já tivemos até algumas rusgas. Gostaria de saber quanto a Veja cobra para publicar uma matéria dizendo que ele tá enriquecendo urânio na casa dele?

 

 

Se não descambar para a agressão, o método “cobrança direta” estimulado por Romário talvez seja uma boa lição.

Somos responsáveis pelo que escrevemos e, se erramos, temos de reconhecer que erramos e porque o fizemos.

Disse ontem aqui que não há “sigilo de fonte” quando se trata de uma falsificação para atingir a honra alheia.

E mais: se temos o direito e o dever de em nome da apuração jornalística publicar o que temos segurança de que é verdadeiro, também temos o dever de suportar as consequências disso.

Romário tem o direito de reagir e um argumento irrespondível para os que vierem com “punhos de renda” politicamente corretos contra sua iniciativa de publicar os endereços onde seus detratores tem de ler o que se leu acima.
Por Fernando Brito/Tijolaço

Internautas que espalharam boatos sobre filho de Lula são chamados a depor

Internautas foram intimados pela justiça após espalharem mentiras sobre filho de Lula, como a que ele seria dono de castelo e tinha negócios com a Friboi. Entre os acusados está Daniel Graziano, gerente financeiro do Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC)

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Escola Superior de Agricultura de Piracicaba foi divulgada na internet como sendo o “castelo do filho de Lula”

De acordo com reportagem publicada no jornal Brasil Econômico, o filho do ex-presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, pediu a abertura de um inquérito no 78º DP, da cidade de São Paulo, para que sejam identificados os responsáveis pela circulação de boatos contra ele divulgados nas redes sociais.

De acordo com internautas, Fábio da Silva deveria “estar cuidando de suas fazendas ou administrando os negócios da Friboi” ao invés de acompanhar o pai durante a entrevista.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Entre os vários boatos que têm o filho do ex-presidente como alvo, o mais conhecido é o de que ele seria dono de um “castelo” (foto acima), quando, na verdade, o imóvel que ilustra a foto é a Escola Superior de Agricultura (Elsalq), de Piracicaba (SP).

Outras postagens dão conta de que Fábio da Silva é dono de aviões, empresas e grandes lotes de terra.

Até o momento, seis internautas já foram convocados para depor, deles, apenas um ainda não compareceu: trata-se de Daniel Graziano, gerente administrativo e financeiro do Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC).

Roger Lapan, Adrito Dutra Maciel, Silvio Neves, Paulo Cesar Andrade Prado e Sueli Vicente Ortega já foram interrogados, e declararam que acreditavam serem verdadeiras as histórias a respeito das posses do filho de Lula e que “não pensaram” na hora de fazer as postagens.

O advogado de Fábio Luís Lula da Silva declarou que vai aguardar o resultado das investigações para então decidir se vai propor uma ação contra as pessoas que difamaram o seu cliente.

Tião Viana Governador do Acre Processa Secretaria de Justiça de S.Paul

Fábio Pozzebom/ABr

O governador petista do Acre, Tião Viana, protocolou nesta segunda-fiera (28) uma ação judicial contra Eloisa de Souza Arruda, secretária de Justiça e Defesa da Cidadania.

cusou-a da prática dos crimes de “injúria” e “difamação”.

Reivindica uma indenização por “danos morais”. Seus advogados atribuíram à causa o valor de R$ 40 mil.

O pano de fundo da discórdia é a crise que opõe São Paulo ao Acre por conta do envio de imigrantes haitianos para a capital paulista. Incomodada com o aumento do fluxo de refugiados, Eloisa chamou Viana de “irresponsável”. Ao saber que o governo acriano banca as viagens, ela comparou o governador a um “coiote”.

“A vontade de injuriar é manifesta”, anota a petição do governador do Acre, subscrita pelos advogados Odilardo José Brito Marques e Gomercindo Clovis Garcia Rodrigues. A dupla sustenta que a secretária de Alckmin não estava interessada na “solução do problema”, mas em “atingir a honra pessoal” de Viana.

Os advogados classificam a manifestação de Eloisa Arruda de “virulenta”. Anotam que ela revelou um “insuperável escárnio e desprezível atitude” ao atacar “a dignidade e o decoro” do governador. Acrescentam que “as críticas e as ofensas da chegaram a limites intoleráveis e inaceitáveis.”

A petição tem 16 folhas. As cinco primeiras páginas foram dedicadas à descrição dos fatos, segundo a ótica do governador. De saída, os advogados realçam que “o Estado do Acre, economicamente, é um dos mais pobres da federação”. Informam que a situação de penúria se agravou com as recentes cheias do rio Madeira.

O transbordamento do rio “isolou quase que completamente o acesso ao Estado por via terrestre”, anota o documento. De acordo com os advogados, a única Estrada que liga o Acre ao resto do país “foi inundada pelas águas.” Com isso, inrrompeu-se por quase 90 dias “o fluxo de imigração” para outros Estados.

Os advogados recordam que os refugiados chegam ao município acriano de Brasiléia, em ritmo diário, desde o final 2010. Eles vêm “do Haiti, Senegal e de outros países”. Diz o texto que “o destino de quase a totalidade dos imigrantes não era o Estado do Acre mas, sim, outros Estados da federação mais desenvolvidos.”

Com a interdição da Estrada, interromperam-se as viagens dos imigrantes para “o destino final”.  Com isso, “os abrigos ficaram superlotados e as condições oferecidas passaram a ser insuficientes.” Na narrativa dos doutores, “os imigrantes solicitaram ao governo do Estado que lhes desse condições de viajar a seus destinos.”

Fizeram isso porque “o fluxo de entrada de novos imigrantes no Estado do Acre continuava acontecendo de forma mais acelerada e as condições desumanas que estavam vivendo tendiam a se agravar.”

Ainda de acordo com os advogados, foi diante do pedido dos próprios imigrantes que Tião Viana, “movido por uma razão humanitária”, determinou que fossem fornecidas passagens “a todos os imigrantes que formalmente fizessem tal solicitação.” Os haitianos foram para “diversos Estados”, anotam os advogados. Apenas “20% tinham como destino final a cidade de São Paulo.”

Nesse ponto, a petição se volta para a auxiliar de Alckmin: “Ocorre que a chegada de aproximadamente 400 imigrantes haitianos na cidade de São Paulo foi o suficiente para a senhora Eloisa de Souza Arruda, secretária de Justiça e da Defesa da Cidadania de Sao Paulo, utilizar vários meios de comunicação de massa para proferir injúrias e difamações” contra Viana.

O ação foi protocolada na Justiça Estadual do Acre. Invocou-se o artigo 100 do Código de Processo Civil que fixa “o lugar do ato ou fato” como foro para as ações judiciais de reparação de danos. Enumeram-se decisões do STJ nas quais o tribunal definiu que “o lugar do ato ou fato” é a “localidade em que reside e trabalham as pessoas prejudicadas.”

O jornalismo diante do assassinato de reputações

Marat,Blog do Mesquita,Mídia,ImpensaO jornalismo está sendo colocado diante de um novo e pra lá de complexo dilema.

Trata-se do delicado problema da gestão de reputações pessoais e institucionais na internet, uma área da comunicação pública que passou a ser considerada estratégica pelos principais organismos de segurança de nações, como os Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Inglaterra. [Estes países formam a Five Eyes Alliance (Aliança dos Cinco Olhos); detalhes aqui.]

Documentos confidenciais do ultrasecreto JTRIG (Joint Threat Research Intelligence Group – Grupo Conjunto de Pesquisas e Inteligência sobre Ameaças) revelam como já está desenvolvida a estratégia de desmoralizar pessoas e organizações por meio da “fabricação” de informações para veiculação em redes sociais – e daí para a imprensa.

O documento foi publicado pelo site Intercept e integra o material entregue por Edward Snowden ao jornalista Glenn Greenwald.

Trata-se de mais um front da guerra cibernética onde os objetivos estratégicos são cada vez mais de natureza imaterial, ou seja, a eliminação física está sendo substituída pelo chamado “assassinato” de reputações graças à manipulação de dados e informações.

A nova estratégia, embora incruenta, não é menos letal, já que destrói a imagem e a credibilidade pública de pessoas e instituições sem a necessidade de processo criminal prévio.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A imprensa, consciente ou inconscientemente, é parte essencial nesse processo porque é ela que leva até as pessoas as notícias sobre as quais serão construídas decisões e opiniões.

Esta não é uma função nova, só que na era da internet a forma como fatos, dados e eventos passam a circular em redes sociais, por exemplo, é muito menos transparente do que antes, e a mídia acaba pescando matéria-prima informativa em ambientes muitas vezes nebulosos.

Isso torna extremamente difícil a identificação da origem e reais objetivos de uma informação que é inserida num blog irrelevante, de onde vai para o Twitter ou Facebook, e daí para o correio eletrônico de algum repórter, editor ou de um jornalista blogueiro. Este processo pode ser instantâneo, dependendo da natureza e formatação do material veiculado.

É quase impossível fazer uma distinção clara e efetiva do material voltado para o assassinato de reputações das informações de genuíno interesse social. O certo é que ambos passam pela imprensa, apesar de atualmente eles estarem cada vez mais circulando sem mediação jornalística.

Muitos lamentam o fato de a imprensa ter perdido o monopólio da certificação de origem de notícias, mas isdo já não é mais materialmente possível diante da superoferta informativa gerada pela internet.

A reputação e imagem pessoais passaram a ser o alvo mais estratégico na política cibernética depois que grupos de crackers [programadores que destroem senhas para invadir ilegalmente bancos de dados; não confundir com hackers, que são pesquisadores em computação, geralmente jovens] passaram a usar seus conhecimentos em computação e telemática para invadir bancos de dados, extrair informações comprometedoras e publicá-las nas redes sociais de forma anônima.

Foram eles os responsáveis pelo surgimento do Anonymous, um grupo sobre o qual se tem muito pouca informação e que pode ser considerado uma síntese das contradições da política na internet: visibilidade e anonimato ao mesmo tempo.

O Anonymous , objeto de uma pesquisa da antropóloga norte-americana Gabriela Coleman, professora da Universidade McGill, ganhou o status de um fantasma cibernético – perfil que, paradoxalmente, acabou sendo adotado também pelos serviços de inteligência da Aliança dos Cinco Olhos.

Ambos procuram visibilidade para seus atos porque estão interessados no efeito midiático dos mesmos, já que usam intensamente um elemento que a imprensa supervaloriza: o segredo. Mas mostram uma preocupação obsessiva com o anonimato porque estão conscientes de que seus métodos são socialmente condenáveis.

Tanto um quanto outro busca a destruição de reputações.

O Anonymous revelando os segredos sujos de governos, empresas e personalidades, enquanto organizações como a JTRIG criam perfis falsos, dados incorretos, versões adulteradas e notícias inverídicas para confundir o público e neutralizar adversários por meio do descrédito. Matar implica um alto custo social, ao passo que o descrédito rende juros altos.

O problema é que tudo isso acaba se transformando em matéria-prima para o jornalista, que se torna corresponsável por crimes de imagem e reputação, sobre os quais ele, na maioria dos casos, não tem a menor consciência.
Carlos Castilho/Observatório da Imprensa

Google não é responsável por conteúdo ofensivo publicado em rede social

A 1ª câmara de Direito privado do TJ/SP deu provimento a recurso do Google, que reivindicava improcedência de danos morais em ação ajuizada contra o provedor por homem que alegava veiculação de conteúdo ofensivo em site de relacionamento de propriedade da empresa.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Em 1ª instância, o pedido foi parcialmente provido e determinou-se que o réu suprimisse a publicidade das páginas hospedadas no “Orkut” que ainda contenham expressões ofensivas à honra do autor.

Além disso, o Google foi condenado ao pagamento de indenização por danos morais, no valor de R$ 16.600.

O réu, então, interpôs recurso sustentando a improcedência da ação, ou a redução do valor atribuído à indenização. De forma adesiva, o autor apelou, requerendo a majoração da verba indenizatória.

Ao conhecer os recursos, o desembargador Paulo Eduardo Razuk, relator, entendeu que a veiculação de conteúdo desabonador sobre o autor não é de responsabilidade do réu Google, já que ele apenas hospeda páginas pessoais e websites, não exercendo controle editorial prévio sobre o teor destes.

Segundo Paulo Eduador Razuk, o “provedor de conteúdo de terceiros não é responsável pelas informações veiculadas justamente por tais terceiros, uma vez que apenas disponibiliza os meios físicos conquanto acessíveis em ambiente virtual de disponibilização de conteúdo“.

Concluiu-se, então, pela ausência de ilicitude por parte do Google e pelo provimento ao seu recurso, para afastá-lo da condenação em danos morais e pelo não provimento ao recurso adesivo do autor.

Processo: 0035940-51.2009.8.26.0506

Confira a íntegra do acórdão.
Fonte:Jusbrasil.com.br

Rastreando ofensas na internet

Direito Digital - Blog do MesquitaAvisando aos iracundos de diversos matizes. Cautela com o que postam!

Existem escritórios de advocacia contratando especialistas em tecnologia da Informação, para fazer rastreamento em blogs e redes sociais em busca de ofensas, calúnias, difamação e injúria.

Os clientes desses escritórios são Empresas, Personalidades Públicas diversas, principalmente políticos, artistas, e, vá lá, uma categoria nominada de “socialites”, seja lá o que for isso.


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