A democracia liberal, em declive

Novas leis de mordaça e a pretendida proteção de identidades e crenças corroem o sistema.

Oliver Wendell Holmes, juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos.Oliver Wendell Holmes
juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos.

Um estudo do Pew Research Center, especializado em observar os estados de ânimo da opinião pública norte-americana, chegou recentemente a uma conclusão muito chamativa: os jovens norte-americanos (18 a 34 anos) são muito mais favoráveis (40%) do que seus pais e avós (27% e 12%, respectivamente) a que os governos possam impedir que as pessoas digam coisas ofensivas contra as minorias.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Alguém pode pensar que, aparentemente, é uma boa notícia que os jovens se sintam mais próximos das minorias, sejam raciais, sexuais ou de qualquer tipo, mas o importante dessa pesquisa não está nisso, mas sim na notável aceitação que existe à ideia de que o governo deve tomar medidas para limitar a liberdade de expressão.

E isso é importante porque é um dos índices mais aceitos para avaliar a saúde das democracias: os ataques à liberdade de expressão, junto com os nacionalismos e tribalismos de todo tipo, o aumento descontrolado das desigualdades e o aparecimento de movimentos que contrariam as normas democráticas são as quatro grandes pestes que debilitam, e provocam o declive, da democracia liberal.

Dessa forma, se alguém lê com cuidado revistas e sites de análises políticas em meio mundo começa a observar que quase já não se fala do afundamento da social-democracia ou do desaparecimento do socialismo, inclusive das consequências da crise econômica, o tema que nos sufocava até bem pouco tempo, mas sim de como se corrói, pouco a pouco, a democracia liberal, muito especialmente através das novas leis de mordaça e da pretendida proteção de identidades e crenças.

Significativamente, um encontro organizado este mês pelo cientista político norte-americano Francis Fukuyama e David Runciman, diretor do Departamento de Política da Universidade de Cambridge, se chamou: Democracia: inclusive as melhores ideias podem desaparecer.

As duas vias mais rápidas para aprofundar essa deterioração são o aumento da desigualdade, que faz com que milhões de pessoas sintam que a democracia foi capturada pelas elites econômicas e financeiras capazes de vetar tudo que prejudica seus próprios interesses (Francis Fukuyama), e a perigosa ideia de que os governos devem impedir que circulem ideias ou opiniões, segundo sejam boas ou ruins.

Como disse Oliver Holmes, juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos em 1919: “A verdade ou falsidade das ideias ou das opiniões se mede no mercado das ideias, não nos tribunais, por meio da demonstração de sua veracidade ou falsidade”.

É curioso que em uma época em que se estende vorazmente a chamada pós-verdade, e políticos e personagens públicos de todo tipo e lugar são capazes de negar, sem o menor piscar e com premeditação, fatos, dados e evidências incontestáveis, se pretenda, ao mesmo tempo, impedir que se difundam ideias e opiniões, com a advertência de que não serão consentidas as que resultem de mau gosto e vexatórias ou que provoquem “dano moral” a pessoas públicas ou de relevância pública.

Curioso porque se supunha que a democracia liberal se baseava justamente no contrário: não se pode falsificar intencionalmente a realidade, mas se pode difundir ideias por mais ofensivas que possam parecer.

A questão não é menor.

Na Espanha, por exemplo, e graças à lei da mordaça ainda em vigor, se pretende castigar hoje com penas severas de prisão um grupo de anarquistas veganos, baseando-se fundamentalmente em suas opiniões e mensagens distribuídas por redes sociais, algo que seguramente teria escandalizado o próprio juiz Holmes no princípio do século XX. Claro que naquela época quase ninguém nos Estado Unidos teria pensado em um título: A democracia liberal, em declive.
Soledad Gallego Diaz

A TV e a nova mídia

Convergência de mídias,Blog do Mesquita,tecnologia da InformaçãoHenry Jenkins é professor de Ciências Humanas e coordenador do Programa de Estudos de Mídia Comparada do prestigiado MIT – Massachusetts Institute of Technology.

Em seu livro Cultura da Convergência, ao contrário de Bill Gates e Rudolph Murdoch, não imagina o mundo sem televisão em seus estudos e pesquisas.

Acredita mesmo que todas as mídias permanecerão, apesar da Internet. E profetiza a tal da convergência onde as velhas e novas mídias sobreviverão complementando-se e a interatividade será o combustível de todas. É difícil discordar do mestre. Mas a busca por um modelo de comunicação, com interatividade, é frenética e alucinante na TV.

O problema é o modelo, ou os modelos. Nos EUA, as experiências vão do Survivor ao Aprendiz. Todo dia surge uma ideia, porém insuficiente. Todas moduladas na velha fórmula das TVs, um falando para todos. Pelo tipo de veículo é difícil estabelecer um modelo de interação que satisfaça ao telespectador, até mesmo por questões tecnológicas. Mas o tempo dirá. Aqui entre nós no Brasil as experiências são primárias, insuficientes ainda.

Causa espanto aos que desejam atribuir ao programa Big Brother a marca de interação. Sucesso de venda e faturamento, ele nada tem de interação. É o último suspiro de sucesso da velha fórmula.

No Brasil a experiência mais realista foi o Fala Que Eu Te Escuto, um programa evangélico, na Rede Record. No começo era muito interessante. E a interação era via telefone. Aliás, a área evangélica, na TV, é a que mais se permite experiência de interatividade. Já vimos de tudo, mas nada que supere o Fala Que Eu Te Escuto no seu início. Ali, os fiéis colocavam suas dúvidas, sugestões e críticas, sem edição.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A experiência deu tão certo que rendeu até um senador para a igreja universal, no Rio de Janeiro. Daqui para frente veremos cada vez mais a TV buscando a participação do telespectador.

No jornal, bem, o jornal parece era mais dificuldades para sobreviver. Assim sinaliza o mercado. Mais a frente veremos o porquê.

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Redes sociais não são o fim das assessorias de imprensa

Não é o fim da assessoria de imprensa, pelo contrário. O conteúdo gerado pelo usuário e as redes sociais não vão tornar o assessor de imprensa uma figura obsoleta – desde que ele se ligue e comece a olhar para webanalytics e business intelligence.

Por Stivy Malty Soares – WebInseider

O futuro incerto frente ao presente pseudo-caótico da comunicação tem deixado jornalistas e assessores de imprensa de cabelos em pé. Qual o futuro dos “press releasers” e das agências de assessoria, agora que informação é gerada em tempo real também pelo próprio mercado?

Bloggers, diretores de empresas e o próprio público têm ou não capacidade para seguir com a mesma qualidade de serviços? Isso tem importância para o leitor?

É fato que o volume de informações geradas informalmente hoje supera muito o volume formalmente desenvolvido pelos profissionais da comunicação. O que se discute não é a qualidade com a qual essa nova informação é apresentada, mas o fato de que ela acontece em tempo real e parece suprir a necessidade de consumo do público.

Como diz uma das máximas do mercado, o ótimo é inimigo do bom. E o bom supre a demanda.

Os blogs, as mídias sociais e até o próprio e-mail podem transmitir a informação de forma muito rápida e imparcial – e isto é o que o público procura, diferente da mensagem perfeitamente formatada, que cria a aura de produção e sugere uma imagem de falsidade e direcionamento de interesses.

O público demonstra que a mensagem realmente consumida é a que circula nos meios informais. Jornais, revistas e a própria TV continuam importantes e servem para que o público confirme aquilo que já foi lido durante o dia, na web.

Em rodas de jornalistas, o comentário é o de que os diplomas podem ser jogados no lixo e que estudaram tanto para nada. Mas calma, não é bem assim!

Não é o fim da assessoria de imprensa e do jornalismo formal. O fim da reserva de mercado já ocorreu em várias profissões e faz parte da evolução das espécies. Quem evolui junto ao mercado sobrevive; quem bate o pé na areia movediça se enterra cada vez mais. Nas rodas é fácil identificar quem tende a se reciclar e quem resiste e vai ficar para trás.

Metas para os objetivos da comunicação

Por conta das novas necessidades de organização da informação e do direcionamento de conteúdo pertinente e aderente a cada perfil de consumidor, técnicas e ferramentas de database marketing, business intelligence, webanalytics e de marketing direto têm auxiliado as agências de comunicação a se reinventarem através da chamada “Comunicação Multidirecional”.

Crie indicadores

As técnicas de BI e de estatística ajudam a criar e a gerir novos indicadores importantes e que realmente interessam ao mercado, não mais resultados irrelevantes.

As técnicas de database marketing ajudam a definir o público alvo para cada tipo de informação, com base em seu perfil e interesses, sempre com foco nos objetivos da comunicação.

* O que foi entregue e o que foi de fato consumido?

* Que tipo de cliente responde melhor a cada método de comunicação?

* Que tipo de cliente responde melhor a cada meio de comunicação?

* Como melhorar os resultados e o índice de interesse do público?

Métricas

As técnicas de webanalytics auxiliam a medir os resultados de cada mídia online. Associadas às técnicas de Web Intelligence, formam uma base tecnológica perfeita para as agências entrarem com segurança no meio digital. Além disso, já existem ferramentas que ajudam a medir os resultados de imagem através de mídias sociais.

* O que estão dizendo sobre minha empresa?

* É positivo ou negativo?

* Esse conteúdo informal tem afetado o valor de minha empresa? E as vendas?

* Como reverter comentários negativos e amplificar os positivos?

Conteúdo para diferentes canais

O marketing estratégico e o marketing direto auxiliam as assessorias de imprensa a formatar a comunicação de modo a ser interpretada e consumida por cada tipo de público, de forma coerente e através de canais pertinentes.

* Que tipo de informação deve circular em blogs, Twitter e em redes sociais?

* Que tipo de informação deve ser divulgada através de e-mail marketing aos clientes?

* Que tipo de informação deve apenas gerar conteúdo para ser indexado em sites de buscas e ficar disponível para quem pesquisar?

* O que deve ir para jornais, revistas e para a TV? Como e com que tipo de linguagem?

Com tudo isso, a “comunicação multidirecional” é uma das soluções mais rápidas e de resultados mais expressivos para que as assessorias de imprensa recuperem o fôlego, não apenas da geração de conteúdo, mas principalmente pela distribuição e medição de resultados.

Comunicação sem métricas já não faz mais sentido, assim como a exposição de conteúdo de forma aleatória.

Quem conseguir associar todas essas técnicas de comunicação, está com um bom futuro garantido. É isso que o público deseja, mesmo sem ter consciência.

Marketing Digital e a publicidade ‘analógica’

Economia Vendas Consumidor DigitalEmpresas erram ao usar modelo publicitário “analógico” no mundo digital da internet

O autor e especialista em marketing Seth Godin é conhecido por dar títulos hilários, criativos e provocativos às suas obras. Meatball Sundae (”Sundae de almôndegas”) é sua nova criação.

Na esteira de A Vaca Roxa e Todo Marqueteiro É Mentiroso (dois de seus livros anteriores), Seth criou a nova expressão para descrever o marketing tal como é praticado hoje na internet por 90% das empresas. Para Godin, almôndegas e sorvete são duas perfeições alimentícias, mas que, misturadas, dão uma braba indigestão.

Em sua analogia culinária, as “almôndegas” são os produtos médios, feitos em grande quantidade, a preços baixos, destinados ao “público médio”. Pense numa cerveja da Budweiser ou num carro da GM. Eles são as almôndegas, que prosperam num mercado de massa. O “sundae” seria o novo marketing – que utiliza as ferramentas da internet, como vídeos no YouTube, blogs e sites de relacionamento.[ad#Retangulo – Anuncios – Duplo]

O sundae de almôndegas, por sua vez, é o uso dessas ferramentas para promover produtos, marcas ou serviços do tipo “médio”. Exemplos? A tentativa frustrada da Budweiser de criar um canal próprio de relacionamento com o consumidor na internet, a BudTV. Lançado com estardalhaço, com meta de atingir 2 milhões de espectadores por mês, é acessado por meros 50 mil internautas mensalmente. Outro caso de insucesso digital é o do Wal-Mart, cujo site voltado ao público jovem, TheHub.com, encerrou as atividades em 2006 depois de uma seqüência de ibopes pífios. Lançado em janeiro, Meatball Sundae recebeu fartos elogios da Business Week e do Financial Times.

Por que o marketing na internet vira um sorvete de almôndegas? A resposta é simples, diz Godin. Na era da conectividade, regras fundamentais da era da comunicação de massa foram quebradas para sempre, e as empresas tradicionais terão dificuldade de se ajustar aos novos tempos. O ciberespaço virou arena de diálogo não só dos consumidores com a empresa, mas deles entre si. “A empresa sempre esteve protegida. Um presidente de banco não está acostumado a ouvir um cliente que perdeu a casa. Uma estrela do rock não está acostumada a lidar com 55 mil amigos do MySpace”, diz. Outra regra defunta é a da oferta limitada. O consumidor quer todas as opções à sua disposição. “Senão, ele nos deixa.”

Frente à nova realidade, o marketing canhestro das almôndegas tem uma causa comum: as empresas tentam implantar um modelo de comunicação “analógico” ao mundo digital. A Budweiser estava acostumada a ter seus divertidos comerciais de TV bem recebidos pelo público. Tentou criar um canal de TV pela internet que copiasse o humor debochado das peças publicitárias. Não vingou. Seria mais útil criar vídeos de marketing viral e disponibilizá-los no YouTube. Muitos se perguntam sobre o futuro das empresas do tipo “almôndega”.

Para Godin, um produto não é em si necessariamente uma “almôndega” ou um “sundae”. Isso depende de posicionamento estratégico. Dá o exemplo das companhias aéreas. “O que a JetBlue fez para conquistar o consumidor? Colocou TVs nos assentos, contratou pessoas que gostam de falar sobre o serviço. Quando lidamos com a JetBlue na internet ou por telefone, é um tipo de companhia aérea “sundae”. E ela está no mesmo negócio que a American Airlines” (empresa com serviço tipo “almôndega”, nas palavras do autor).

Empresas de ponta tornam-se líderes. Num podcast à Business Week, Seth citou o caso de uma pequena empresa do meio-oeste americano que abocanhou o mercado de EVDO (tecnologia que permite a conexão de celulares e laptops à internet por satélite). Além de contar com uma equipe especializada no formato, ela abriga em seu site o principal grupo de discussão sobre EVDO nos EUA.

Com a dupla tacada, virou um ímã da comunidade. “O negócio poderia ter sido iniciado por qualquer companhia de telecomunicação. E nenhuma o fez, achando que o formato não teria público ou que seria preciso criar uma cadeia de suporte ao consumidor. Tratava-se da velha abordagem a um novo produto. Seria transformar o EVDO numa almôndega”, afirma.

do IFD Blogautor: Álvaro Oppermann – fonte: Mercado Competitivo

O labirinto da internet e as eleições

Eleição,Internet,blog do MesquitaOs deputados erraram onde não poderiam. Mas era um erro previsível. A internet é o meio mais perturbador que já surgiu na comunicação.
Por João Santana ¹

UM PARADOXO da cultura contemporânea é a incapacidade da maioria dos políticos de entender a comunicação política. Essa disfunção provoca, muitas vezes, resultados trágicos.

É o caso da lei votada pela Câmara dos Deputados para regular o uso da internet nas eleições. Se aprovada sem mudanças pelo Senado, vai provocar um forte retrocesso numa área em que o Brasil, quase milagrosamente, se destaca no mundo -sua legislação de comunicação eleitoral. Sim, a despeito da má vontade de alguns e, a partir daí, de certos equívocos interpretativos, o Brasil tem uma das mais modernas legislações de comunicação eleitoral do mundo.

O nosso modelo de propaganda gratuita, via renúncia fiscal, é tão conceitualmente poderoso que se sobressai a alguns anacronismos da lei, como o excesso de propaganda partidária em anos não eleitorais ou a ridícula proibição de imagens externas em comerciais de TV.

Os deputados decidiram errar onde não poderiam. Mas era um erro previsível. A internet é o meio mais perturbador que já surgiu na comunicação.

Para nós da área, ela abre fronteiras tão imprevisíveis e desconcertantes como foram a Teoria da Relatividade para a física, a descoberta do código genético para a biologia, o inconsciente para a psicologia ou a atonalidade para a música.

Na comunicação política, a internet é rota ainda difícil de navegar. Somos neogrumetes de Sagres em mares bravios. Não por acaso, o mundo está infestado de curandeiros internáuticos a apregoar milagres. E a mídia potencializa resultados reais ou imaginários – ”Ah, a campanha do Obama!”, “Ah, as eleições no Irã” – sem que se consiga aferir a real dimensão do fenômeno.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Se é perturbadora para nós do meio, por que não o seria para legisladores e juízes? Principalmente para os políticos, que, como se sabe, sofrem desconforto com a comunicação política desde o surgimento dos meios modernos.

Desde sua origem nas cavernas, o modo de expressão política tem dado pulos evolutivos sempre que surge um novo meio.

De Aristóteles, patrono dos marqueteiros, passando pelos áureos tempos da santa madre igreja, que já deteve a mais poderosa máquina de propaganda política – é a criadora do termo com sua “Congregatio de Propaganda Fide”-, até os dias de hoje, a comunicação politica é feita por meio de uma simbiose entre o que se diz – o conteúdo retórico-persuasivo – e seu suporte de expressão, as ferramentas comunicacionais. Um influenciando o outro e os dois influenciando, sem parar, as sociedades e instituições.

Foram enormes os pulos causados pela imprensa, pelo rádio, pelo cinema e pela TV na forma e no modo de fazer política. Mas nada perto dos efeitos que trará a internet.

Não só por ser uma multimídia de altíssima concentração, mas também porque sua capilaridade e interatividade planetária farão dela não apenas uma transformadora das técnicas de indução do voto mas o primeiro meio na história a mudar a maneira de votar. Ou seja, vai transformar o formato e a cara da democracia.

No futuro, o eleitor não vai ser apenas persuadido, por meio da internet, a votar naquele ou naquela candidata.

Ele simplesmente vai votar pela internet de forma contínua e constante.

Com as vantagens e desvantagens que isso pode trazer.

As cibervias não estão criando só “novas ágoras”. Criam também novas urnas. Do tamanho do mundo. Vão ajudar a produzir uma nova democracia tão radicalmente diferente que não poderá ser adjetivada ou definida com termos do nosso presente-passado, tipo “representativa” ou “direta”.

Sendo assim, creio que nossos legisladores não vão querer passar para a história como os que imprimiram um sinete medieval em ondas cibernéticas. Não é só o erro, como já se disse, de encarar um meio novo com modelos de regulação tradicional. É porque a internet, no caso da comunicação política, nasceu indomável. E sua força libertadora tem de ser estimulada, e não equivocadamente reprimida.

Já há um consenso do que deve ser modificado na proposta da Câmara. O Senado, que vive profunda crise de imagem, tem um bom tema de agenda positiva. Mas não é por oportunismo que urge corrigir os equívocos da Câmara. É simplesmente pelo prazer de estar conectado com o futuro.

Folha de S. Paulo

¹ JOÃO SANTANA, 56, é jornalista, publicitário e consultor político. Já coordenou o marketing de dezenas de campanhas estaduais e municipais (como a de Marta Suplicy em 2008), além de três campanhas presidenciais, no Brasil (Lula em 2006), na Argentina e em El Salvador.

Twitter obriga a atividade jornalística a mudar o foco

Jornalismo e novas mídias Blog do MesquitaTwitter pressiona uma mudança no foco da atividade jornalística

Há menos de um mês alguns parlamentares ingleses estavam passando para seus eleitores e simpatizantes os resultados de uma votação legislativa ignorando o papel da imprensa como mediador entre tomadores de decisões e o público.

As sessões do parlamento já são transmitidas ao vivo pelo rádio que é onde a imprensa monitora o trabalho legislativo.

Mas o Twitter alterou essas mediação ao estabelecer contato direto entre a fonte da notícia e o consumidor de informações.

A moda deve pegar porque os tomadores de decisões têm agora um canal direto com a opinião pública, sem terem que enfrentar os questionamentos e as idiossincrasias da imprensa.

Aqui no Brasil já temos quase todos os políticos inscritos pelo Twitter.[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]

Isto pode aproximar o público dos tomadores de decisões, em especial os membros do poder legislativo, do seu público alvo.

Trata-se de uma aproximação de mão dupla porque os eleitores também estão criando os seus canais de cobrança e monitoramento da atividade parlamentar, o que pode contribuir para o saneamento tanto do Senado como da Câmara de Deputados.

Mas também vão surgir problemas.

No caso dos parlamentares britânicos Tom Watson e Jim Knight, na pressa de avisar seus eleitores, eles acabaram passando resultados equivocados da votação e tiveram que voltar atrás.

Outra possibilidade real é o surgimento de uma cacofonia informativa pelo Twitter, tornando necessária uma depuração e contextualização das notícias transmitidas pelo sistema de micro-mensagens.

Para os repórteres e editores, a ampliação do uso do Twitter marca mais um passo na direção do fim da era do furo jornalístico.

É também um novo empurrão no sentido da transformação dos profissionais em orientadores e contextualizadores das informações passadas ao público pelos tomadores de decisões e formadores de opiniões.

A grande diferença é que o foco dos jornalistas deixa de ser a simbiose com o poder político e econômico para voltar-se cada vez mais para o público, reconstituindo aquilo que está na origem do jornalismo, o caráter social da atividade informativa.
Carlos Castilho – Observatório da Imprensa

Hugo Chavéz após Twitter, investe em blog

O doidivanas do Caribe investe pesado em comunicação nas redes sociais.

O coronel bolivariano, assim como vários dirigentes mundiais, presidentes, ditadores, chefetes etc. já descobriu o potencial de interação das redes sociais.

O Editor


O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou o lançamento de um blog pessoal nesta terça-feira, pouco mais de um mês após a criação de sua conta no Twitter – que se tornou a mais seguida do país.

“Decidimos criar um blog oficial, deste seu servidor”, disse Chávez durante reunião da direção do partido do governo, o PSUV, na noite da segunda-feira.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

De acordo com Chávez, o novo blog www.hugochavez.org.ve será um espaço para seus simpatizantes publicarem comentários, denúncias e ter acesso a noticias relacionadas a seu projeto de governo.

“A página vai contar com várias sessões. Chávez punho e letra, as Linhas de Chávez, transcrição de discursos, Alô Presidente, as Reflexões de Fidel (Castro) e o muro do povo, para que as pessoas escrevam ali”, disse Chávez.

Chávez argumenta que o blog foi criado para proteger a identidade de seus simpatizantes, que segundo ele estariam expondo seus dados pessoais, como números telefônicos e endereço, ao comentar seus posts no Twitter.

” O blog vai oferecer segurança a quem me segue através do Twitter”, afirmou o mandatário.

“Algumas pessoas estão se queixando de que ligam para enganá-las ou até para fraudá-las”, disse.

Criada no final de abril, a conta de Chávez no serviço de microblogging Twitter é a mais seguida da Venezuela, com mais de 432,9 mil seguidores.

Neste espaço, Chávez recebe diariamente elogios, críticas, insultos, denúncias de má administração pública e pedidos de ajuda.

“Isso é todos os dias, compadre, isso é trabalho adicional para mim”, afirmou Chávez na noite da segunda-feira, enquanto acessava sua conta no Twitter, @chavezcandanga.

“É mais trabalho que antes, mas eu assumo”, acrescentou.

Chávez e novas mídias

Dias depois de se render à nova ferramenta de comunicação, antes criticada por ele, Chávez anunciou a contratação de 200 pessoas para ajudá-lo a responder as milhares de mensagens recebidas em seu twitter.

O uso de novas ferramentas de comunicação coincide com o ano eleitoral, considerado decisivo para o chavismo. Em setembro, os venezuelanos vão às urnas decidir a nova composição do Congresso, pleito no qual a oposição pode recuperar espaços abandonados em 2005, quando decidiram retirar suas candidaturas ao Parlamento.

Recentemente Chávez anunciou por meio de sua conta, durante a madrugada, o afundamento de uma plataforma de gás venezuelana e já interrompeu atos públicos para escrever a seus seguidores no twitter.

Desde o golpe de Estado de 2002 contra seu governo, Chávez tem aumentado sua presença na área de comunicação, com o objetivo de fazer frente ao que chama a “guerra midiática” que acusa a oposição de travar contra ele.

Desde então, seu governo apoiou a ampliação da rede de tvs e rádios comunitárias no país, criou os canais ViVe TV, o Teves – que substituiu o canal opositor RCTV no sinal aberto depois que sua concessão não foi renovada – a multiestatal Telesur e Ávila TV, uma espécie de MTV para os jovens venezuelanos.

Pouco antes de lançar sua conta no Twitter, Chávez criou o programa Guerrilha Comunicacional, no qual centenas de jovens, munidos de spray e cartolina, espalham grafites por toda a capital, Caracas.

O bicentenário da independência do país, críticas ao governo dos Estados Unidos e ao candidato presidencial na Colômbia, Juan Manuel Santos, foram pintadas recentemente nos muros da cidade.

Claudia Jardim/BBC

Internet, redes sociais e as empresas

Apenas 17% das empresas paulistanas estão nas redes sociais, diz pesquisa

Instituições financeiras são as mais ‘conectadas’ a esse ambiente.

Apesar da baixa presença, 51% dizem monitorar o que é dito na web.

Mensagens sobre a empresa na internet podem levar a demissão por justa causa

Pesquisa diz que 83% das mulheres da classe C usam a web diariamente

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]A maioria das empresas da cidade de São Paulo não está presente nas redes sociais, como Twitter, Orkut e Facebook. Segundo levantamento feito para a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), apenas 17% das empresas da cidade têm cadastros nessas redes.

As instituições financeiras são as mais “conectadas” a esse ambiente, com 26% fazendo parte dessas redes. Já no comércio, essa fatia é de apenas 12%.

O objetivo principal das empresas, segundo o levantamento, é melhorar o relacionamento com o cliente, seguido pelo acesso a novos clientes e pela busca de informações de mercado.

Apesar da baixa presença nas redes, 51% das empresas consultadas diz monitorar o que é dito sobre elas na web. “No entanto, 68% admitem não responder aos comentários feitos sobre elas nas redes sociais”, diz Sandra Turchi, superintendente de Marketing da ACSP.

G1

Tiwtter “bate” os 100 milhões de usuários

O microblog que começou como um despretensioso diário de adolescentes, hoje assume a posição de importante plataforma de negócios. O Twitter, assim como outras plataformas sociais, impressiona pelo poder ‘viral’ — multiplicação de informações de forma imediata, rápida e de alcance global — e pela ocupação de espaços antes cativos das mídias tradicionais.

O Brasil, com cerca de 10 milhões de contas,  já ocupa o 2º lugar entre os países com maior número de ‘twitteiros’. 36 mil twitts – mensagens – por minuto são postadas em todo o planeta por uma intricada rede de seguidores e seguidos.

Outro dado interessante é  que 5% dos usuários respondem por 75% dos twitts. A maioria dos que têm conta do Twitter, nunca, ou quase nunca, postam alguma coisa.

Gráficos: Revista Super Interessante


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