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Lider Palestina: transferir embaixada brasileira para Jerusalém seria ‘irresponsável’

Teria ‘sérias consequências’Hanan Ashrawi,Palestina,Israel,Brasil,Diplomacia,Trump,Embaixada,Comércio Internacional,EconomiaUN Photo

‘Se acontecer, haverá sérias consequências; esperamos que seja apenas retórica e que não seja implementada’, disse Hanan Ashrawi

DANIELA KRESCH
 

A integrante do comitê executivo da Organização para Libertação da Palestina (OLP) e do Conselho Legislativo Palestino, Hanan Ashrawi, considera que a decisão de transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém é uma decisão “irresponsável” do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL-RJ). 

Líder do departamento de Cultura e Informação da OLP,  a ex-deputada palestina espera que a medida não se transforme em realidade. “Não seria bom testar as consequências”, afirma na entrevista exclusiva à RFI Brasil.

O que a senhora pensa sobre essa decisão do presidente eleito do Brasil de transferir a embaixada brasileira para Jerusalém?

Esperamos que isso seja apenas conversa e não se transforme em ação, porque se trata de uma decisão ilegal e muito irresponsável. Seria um passo provocativo e ilegal.

Haverá consequências no relacionamento entre Brasil e os palestinos?

Se acontecer, haverá sérias consequências. Esperamos que seja apenas retórica e que não seja implementada. Não seria bom para o Brasil.

Como assim?

Não seria bom para as relações comerciais do Brasil com o resto do mundo. Não apenas com o mundo árabe ou o mundo islâmico, mas com todo o mundo. O Brasil seria visto como um país que dá um passo ilegal e contra as exigências da paz.

Mas a transferência foi uma promessa de campanha de Jair Bolsonaro.

As pessoas dizem muitas coisas durante as campanhas. O fato de que ele prometeu não torna a promessa implementável. O [presidente norte-americano Donald] Trump prometeu muitas coisas em sua campanha, mas não implementou todas. Trump é repudiado em todo o mundo. Então, não acho que ele queira estar na companhia de Trump e de [primeiro-ministro de Israel, Benjamin] Netanyahu como violadores da lei.

O Brasil ficará isolado, caso isso aconteça?

Sim, claro. A transferência teria consequências diplomáticas e econômicas, além de outras consequências. Ainda há tempo de voltar atrás. Lembro que o Paraguai chegou a transferir a embaixada para Jerusalém e voltou atrás. Tudo é reversível.

A senhora acredita que seria uma mudança muito profunda na diplomacia brasileira no Oriente Médio?

Parece-me que o Brasil sempre teve uma posição de legalidade e moralidade e boas relações com a Palestina e com o mundo árabe, independentemente de diferenças individuais ou de quem tenha vencido eleições. Achamos que isso deveria ser uma constante e as políticas do presidente deveriam refletir essa tradição.

Há uma tentativa da liderança palestina em tentar mudar a decisão?

Estamos apenas pedindo ao Brasil para usar sabedoria e responsabilidade e não dar esse passo. Para estar do lado da justiça e não da ilegalidade. Não seria bom testar as consequências.

Plano do G20 para excesso de aço pode gerar tensão em emergentes

g20acobricsblog-do-mesquitachinaA oferta excedente na China está transbordando para outros mercados do mundo, desencadeando medidas protecionistas da Índia aos EUA.

A iniciativa do Grupo dos 20 para acabar com o excesso mundial de aço enfrentará um grande obstáculo se os países em desenvolvimento resistirem às tentativas de eliminar os subsídios do governo aos produtores locais, de acordo com o diretor do Comitê do Aço da OCDE, que está prestes a deixar o cargo.

A oferta excedente na China está transbordando para outros mercados do mundo, desencadeando medidas protecionistas da Índia aos EUA e chamando a atenção dos líderes mundiais.

Um obstáculo a superar poderia ser a relutância dos países emergentes a abandonar iniciativas que nutrem o setor doméstico com apoio governamental, disse Risaburo Nezu, presidente do Comitê do Aço da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, que tem sede em Paris.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

A OCDE está mediando o fórum internacional do Grupo dos 20 para lidar com o excesso de capacidade, e a abundância de aço foi uma das prioridades da agenda da cúpula realizada em Hangzhou neste mês. A China, que fornece cerca de metade do aço mundial, tem tido divergências com outros grandes produtores sobre como lidar com essa questão e, nas negociações da OCDE em abril, não foi possível chegar a um acordo sobre o caminho a seguir.

Embora muitos países em desenvolvimento estejam sofrendo com o fluxo de metal chinês barato, é possível que surja no fórum um grupo que deseja “nutrir o setor siderúrgico com financiamento governamental, quando o que está sendo proposto é abolir os subsídios estatais, de acordo com os princípios do mercado”, disse Nezu, em entrevista em Tóquio, na semana passada.

“Independentemente da forma ou de quem estiver lidando com isso, nunca é fácil resolver esta questão”, disse ele, referindo-se ao novo fórum. “Muitas dificuldades vão surgir”.

Embora a China tenha se comprometido a reduzir sua capacidade em até 150 milhões de toneladas, cerca de 13 por cento do total, antes de 2020, órgãos reguladores dos EUA e da Europa argumentaram que os esforços de Pequim para limitar os subsídios foram insuficientes. No entanto, o comunicado oficial do G20 se absteve em atribuir a culpa a Pequim e descreveu o excesso de capacidade como um “problema global, que exige uma resposta coletiva”.

Contudo, regiões e países avançados, como Europa, EUA e Japão, querem acabar com os subsídios ou qualquer outra forma de apoio estatal que distorce os mercados e contribui para o excesso de capacidade, disse Nezu. Na tentativa de encontrar um modo de conciliar esse posicionamento com a China e outros países emergentes, a primeira reunião do fórum, realizada no dia 9 de setembro em Paris entre representantes da OCDE e do G20, teve um ritmo lento e nenhum plano concreto foi traçado.

“Assuntos importantes não foram discutidos na reunião”, disse Nezu. “Acho que as discussões deveriam ter sido um pouco mais profundas, mas essa abordagem foi evitada para amenizar a situação”.

Nezu anunciou que deixará o cargo no Comitê do Aço da OCDE e entregará as rédeas a Ronald Lorentzen, vice-secretário assistente de gestão de importação do Departamento do Comércio dos EUA. Nezu, que tem MBA da Harvard Business School , é um ex-funcionário público do ministério do comércio do Japão.

Especiais InfoMoney

Inaugurada ampliação do Canal do Panamá

Rota permite agora a passagem de navios com até 14 mil contêineres. Antes, o máximo eram 4.400. Obra durou nove anos e custou 5,4 bilhões de dólares.


Navio chinês Cosco Shipping Panama foi o primeiro a atravessar o canal ampliado

O presidente panamenho, Juan Carlos Varela, inaugurou a ampliação do Canal do Panamá, permitindo a passagem do navio chinês Cosco Shipping Panama.

Varela descobriu uma placa comemorativa durante um ato solene do qual participaram também familiares dos sete operários mortos durante as obras de ampliação, que duraram nove anos.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Canal é o orgulho do Panamá

O megaprojeto se tornou necessário devido ao tamanho cada vez maior dos navios de carga e custou 5,4 bilhões de dólares.

Agora podem cruzar a rota, que une o Atlântico ao Pacífico, os navios Post Panamax, que transportam até 14 mil contêineres. Antes, o máximo possível eram navios de até 4.400 contêineres.

As obras começaram em 2007 e deveriam estar concluídas em 2014, mas disputas sobre os custos e greves atrasaram o projeto.

A principal empreiteira, o Grupo Unidos por el Canal (GUPC, liderado pelo grupo espanhol Sacyr Vallehermoso) assinou em 2009 um contrato de 3,1 bilhões de dólares, mas reclama cerca de 3,4 bilhões devido a custos adicionais.

“Essa rota de trânsito é a ponta do iceberg de um ambicioso plano destinado a converter o Panamá no centro logístico das Américas e representa uma oportunidade significativa para os países da região de melhorar suas infraestruturas, fazer crescer suas exportações e ativar seu crescimento econômico em conjunto com o nosso país”, afirmou o administrador do canal, Jorge Quijano.

O novo Canal de Suez: a obra faraônica que o Egito fez em um ano

É uma obra faraônica concluída em apenas um ano. Trata-se do novo Canal de Suez, no Egito, que, após testes, será inaugurado oficialmente no dia 6 de agosto. A obra é considerada essencial para o comércio regional e global.

Reuters
O teste no novo canal foi realizado sob um forte esquema de segurança, com helicópteros e navios militares

A construção da nova via, que passa ao lado da maior parte do canal original, começou há menos de um ano.

A rota de 72 km permite a navegação em dois sentidos de barcos de grande porte.

Vários navios com contêineres de todo o mundo, escoltados por helicópteros e embarcações militares, passaram pelo canal desde o último sábado como parte desse ensaio.

O esquema de segurança tem suas razões, segundo autoridades egípcias.

A península do Sinai, nas imediações do canal, é uma região com atividade intensa de grupos islâmicos extremistas. Os militantes mataram centenas de civis desde o golpe militar que derrubou o presidente Mohammed Morsi em 2013.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Estímulo ao comércio

O canal de Suez original, inaugurado há quase 150 anos, une os mares Mediterrâneo e Vermelho.

Canal de Suez,Egito,Blog do Mesquita

O atual presidente do Egito, Abdel Fattah al Sisi, afirma que a expansão de uma das rotas de navegacão comercial mais importantes do mundo dará forte impulso à economia do país.

Pelo canal de Suez passa atualmente 7% do comércio mundial baseado em navegação.

A via é ainda uma das principais fontes de recursos para o Egito.

Estima-se que a construção do novo canal tenha custado US$ 8,5 bilhões. As obras – realizadas em regime de 24 horas – ficaram a cargo das Forças Armadas.

A passagem será inaugurada em 6 de agosto, exatamente um ano depois do começo dos trabalhos, seguindo a meta ambiciosa do presidente Al Sisi.

O chefe da Autoridade do Canal de Suez, almirante Mohab Mameesh, disse que o projeto significa um “renascimento” para o Egito.

Mas há quem critique a ideia. Alguns especialistas questionam os lucros projetados pelo governo e dizem que o dinheiro poderia ter sido gasto em demandas mais urgentes.

“É, sobretudo, um projeto patriótico, e isso é muito difícil de quantificar”, afirmou à BBC o analista financeiro britânico Angus Blair, baseado no Cairo.

No último final de semana, o almirante Mameesh anunciou planos de construir outro canal mais próximo de Port Said, no Mediterrâneo.

A estimativa é que esse projeto consuma US$ 60 milhões, com extensão de 9,5 km, segundo a agência de notícias Reuters.

Acordos bilionários representam nova ordem mundial liderada pela China

País asiático se destaca no movimento político e econômico que faz frente aos EUAEncontro de Dilma e Li-Keqiang celebra 37 atos entre Brasil e ChinaEncontro de Dilma e Li-Keqiang celebra 37 atos entre Brasil e China

O acordo dos chineses no valor de US$ 53 bilhões com oBrasil representa uma nova ordem mundial liderada pela expansão econômica e política da China frente aos Estados Unidos. Na América, o país asiático já é o principal parceiro econômico, tanto de nações da América do Sul quanto da América do Norte, mantendo fortes relações com Canadá, México e Estados Unidos.

Já na Europa, os acordos econômicos e a presença chinesa podem ser comparados ao período denominado “Rota da Seda”, segundo o professor titular do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília Argemiro Procópio.

“A China de hoje não é mais a mesma, ela passou por uma grande revolução que a transformou em uma potência com abertura econômica, mas que permaneceu internamente um país comunista”, completa Procópio, que também é autor do livro “O Capitalismo Amarelo”, da Editora Juruá. A publicação mapeia a filosofia produtiva do país que, segundo o autor, para ser a primeira potência mundial, sabe o quanto sua democracia precisa se reinventar.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Além de crescer como potência e “suplantar os Estados Unidos”, segundo Procópio, o país evoluiu sua maneira de investir, o que pode pode ser observado nos acordos com o Brasil, que têm foco em investimentos de infraestrutura e não mais somente em garantir suprimento de matéria primas para suas indústrias. Quem faz este destaque é o professor de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Célio Hiratuka.

“Tradicionalmente, a China era focada em garantir suprimento de matéria prima de países em desenvolvimento. Agora ela está em um segundo passo, que é o de investir em infraestrutura e inserir nesses países empresas suas que oferecem esse tipo de serviço. O terceiro passo na influência, é o de inserir empresas de bens de consumo”. O professor comenta que o foco chinês é tentar “criar canais de articulação com outros países em desenvolvimento através de investimentos, mas também preservar sua influência sobre eles”.

A “economia de mercado com características chinesas” coloca o país em destaque como força política, representada pelo Partido Comunista ainda que, segundo Argemiro Procópio, após a queda do Muro de Berlim, os partidos de esquerda tenham criado “vida própria”, deixando de ser dependentes de países como Rússia e a própria China.

Em escala mundial, os asiáticos podem representar como potência econômica um movimento de expansão de políticas de esquerda. Mesmo que quando se fale em “esquerda”, possa-se enxergar diversas vertentes e filosofias distintas, ela emerge de países que não foram totalmente contemplados pelo capitalismo como na América do Sul, da qual boa parte dos países é governado por partidos identificados como de esquerda. No Equador, Rafael Correa; na Bolívia, Evo Morales; no Brasil, Dilma Rousseff; no Uruguai, Tabaré Vazquez; na Venezuela, Nicolás Maduro; no Chile, Michelle Bachelet.

A eleição de políticos de esquerda na América do Sul já não é, entretanto, novidade. Mas o avanço de tal filosofia tem se estendido ao resto do mundo e causado surpresa principalmente na Europa, que sofre de elevado endividamento desde 2011 e alguns dos países mais afetados têm servido de “porta de entrada” para tais políticas na na Zona do Euro, como a Espanha e a Grécia.

Na Grécia, Aléxis Tsípras, líder do Syriza, foi eleito primeiro-ministro. Já na Espanha, os eleitores elevaram aos postos da prefeitura de Madri e Barcelona, Manuela Carmena e Ada Colau, do Partido Comunista e do Podemos, respectivamente.

Célio Hiratuka enxerga esses avanços da esquerda como uma reação ás condições colocadas pelo ajuste econômico provocados pela crise, assim como o professor de Ciências Políticas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Marcelo de Almeida Medeiros. Para ele, “os Estados-membros da União Europeia, afetados simultaneamente pela crise econômica e pela pressão migratória, reagem diferentemente”, com os governos de esquerda “rejeitando o enquadramento econômico ortodoxo” vindo de Bruxelas.

El País comenta a visita de Dilma aos EUA

No próximo dia 30 de junho, a presidenta Dilma estará em Washington, em visita oficial a Barack Obama.O colunista do El País, Juan de Onis, fez algumas observaçõespertinentes a este encontro. Como Onis não é diretamente ligado às nossas futricas domésticas, achei interessante recortar e reproduzir aqui trechos de seu texto.

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Chaves para a histórica visita de Dilma aos EUA

A viagem da presidenta a Washington pode ser boa não só para o Brasil, mas para toda a América Latina, incluindo Cuba

(…) O mundo financeiro norte-americano, que tem investimentos no valor de 60 bilhões de dólares no Brasil (cerca de 190 bilhões de reais), não quer nem ouvir falar de impeachment. O que deseja é uma recuperação econômica rápida. Obama, certamente, oferecerá seu apoio às medidas de ajuste fiscal das deterioradas finanças brasileiras, que Dilma está conduzindo com uma nova equipe econômica liderada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

(…)
Há consenso em Washington que o programa de ajuste fiscal depende da recuperação da confiança na economia brasileira. Isso ficou claro durante a visita ao Brasil em maio de Christine Lagarde, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI). Depois de elogiar a redução da pobreza e da desigualdade graças aos programas sociais do Brasil, Lagarde apoiou incondicionalmente o programa econômico de Dilma: “Avaliei com satisfação o ambicioso plano de ajuste fiscal do Governo.

Este irá ajudar a estabilizar a dívida pública e, posteriormente, reduzi-la. Isso é acompanhado de uma política monetária disciplinada, destinada a impedir o aumento da inflação”.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

(…) O Brasil continua sendo um mercado importante para os bens e serviços tecnológicos importados dos EUA, embora pudesse substituir muitas dessas importações com produção doméstica nacional se melhorasse sua eficiência e competitividade. O aumento das exportações brasileiras também depende dessas reformas internas.

(…) E a China escolheu o Brasil como seu parceiro estratégico na América Latina, com um plano de investimentos de mais de 50 bilhões de dólares em infraestrutura e tecnologia. Durante sua viagem em maio ao Brasil, Colômbia, Peru e Chile, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, deixou claro que o grande projeto de Pequim é aumentar a influência chinesa na região, através da construção de ferrovias, portos e infraestrutura de telecomunicações que integrem a logística continental, um antigo desejo sul-americano que nunca se concretizou.

Esse movimento da China no xadrez geopolítico global não é visto com indiferença pelos Estados Unidos e abre novos horizontes econômicos em uma região tradicionalmente mais próxima dos investimentos norte-americanos. A China não vai jogar os EUA para escanteio na região, mas será um novo ator com grande peso financeiro. Haverá colaboração suficiente entre os dois para promover o desenvolvimento latino-americano? É sobre isso — e especificamente sobre o Brasil — que Dilma e Obama vão discutir em 30 de junho.

(…) Ao eliminar Cuba de sua lista de países que praticam o terrorismo, os EUA estão preparando o terreno para novos investimentos privados na ilha. Outros países, como Espanha e Canadá, já estão aproveitando as oportunidades de turismo e comércio com Cuba. Mas o Brasil ultrapassou os EUA com um financiamento de 400 milhões de dólares para a construção de um grande porto no Mariel, na costa norte de Cuba.

(…) Além da grande indústria agrícola, o Brasil conduziu uma política bem desenvolvida de apoio à agricultura familiar, com mais de três milhões de pequenos proprietários rurais que recebem empréstimos subsidiados e assistência técnica para produzir alimentos.

(…) Esta é uma grande oportunidade para que Brasil e Estados Unidos colaborem para impulsionar a economia cubana, oferecendo financiamento e tecnologias que Cuba necessita. Seria um exemplo de que a aproximação vai além de apertos de mão e fotos sorridentes de Obama com Raúl Castro. Cuba precisa de acesso ao mercado vizinho dos EUA para sair do fundo do poço, mas para isso também necessita produzir mais e exportar mais de forma competitiva. É outra questão que Dilma poderia discutir com Obama, se houver uma vontade real de cooperar.

***
Por Miguel do Rosário/Tijolaço

Eu destaquei em itálico um trecho em que o colunista, sem querer, fez um alerta: há, obviamente, conflitos de interesses entre Brasil e EUA, ou mesmo entre Brasil e China. Interessa a esses gigantes que nós continuemos importando produtos tecnológicos, então esse é um cuidado que devemos ter: precisamos jogar o jogo da geopolítica sem comprometer o investimento interno em novas tecnologias, para não ficarmos para trás.

Por outro lado, a visita de Dilma à Obama pode representar um importante trunfo político do governo. Novos acordos comerciais e políticos com a maior potência mundial corresponderiam ao fim de alguns barulhos golpistas aqui dentro, porque o grande capital exigiria um mínimo de estabilidade para obter retorno de seus investimentos.

O colunista enfatiza que os investidores americanos “não querem nem ouvir falar de impeachment no Brasil”, porque entendem (pelo jeito, mais do que a nossa mídia irresponsável) que isso corresponderia a um longo período de instabilidades e caos, gerando prejuízos incalculáveis para todos que têm dinheiro investido em negócios aqui, e os americanos têm, segundo o colunista, quase R$ 200 bilhões investidos aqui dentro.

Essa informação nos ajuda a entender o recuo do PSDB. O Tio Sam deve ter puxado a orelha de alguns tucanos, alertando que impeachment é coisa de república de banana. Diante da magnitude dos investimentos feitos por empresas norte-americanas no Brasil nos últimos anos, uma aventura irresponsável desse porte não encontraria suporte político nem da comunidade de investidores, nem do governo dos Estados Unidos.

A teoria confirma o que eu vinha observando desde que o presidente do BID, Luis Alberto Moreno, fez elogios ao governo Dilma. O mundo encheu o saco do pessimismo golpista da nossa mídia. O Brasil tem uma grande economia, repleta de anticorpos para todo o tipo de dificuldade, e o país voltará a crescer em breve.

Não interessa a ninguém, nem aos EUA, nem à China, nem sobretudo aos brasileiros, essas campanhas golpistas de desestabilização.

Canal da Nicarágua, um marco no comércio latino com a China

Começa na segunda-feira a obra de construção do segundo canal de navegação entre o Oceano Atlântico e o Pacífico, o Canal da Nicarágua.
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Aqui, o assunto é praticamente ignorado, embora a China seja hoje a maior parceira comercial do Brasil.

E a potência comercial em maior expansão no mundo.

O canal, com 278 quilômetros – 105 deles aproveitando o Lago Nicarágua, próximo à costa Oeste daquele país e sua abertura é iniciada exatamente um século da inauguração do Canal do Panamá, que atendeu aos interesses estratégicos dos Estados Unidos.

(Para se ter uma idéia, o Panamá nasceu por causa do canal, pois a área pertencia à Colômbia e os rebeldes da região panamenha só puderam proclamar sua independência porque Theodore Roosevelt mandou para lá uma baita canhoneira americana que fez os colombianos engolirem a perda de território)

A obra, de US$ 50 bilhões, é oficialmente contratada pela  Xinwei Telecom Technology, do megaempresário Wang Jing, mas ninguém duvida que este tem o governo chinês a garanti-lo.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Mas o que faz os chineses se lançarem a um empreitada deste vulto se já existe – a 600 km de distância – o Canal do Panamá e que, embora sobrecarregado, está em vias de inaugurar uma ampliação, inclusive com a ampliação da capacidade de operar grandes navios sendo dobrada, para até 150 mil toneladas de porte bruto ou até 13 mil conteiners?

Não é só porque por ali poderão passar navios de até 330 mil toneladas ou 30 mil conteiners, o que certamente tornará muito mais econômicas as viagens de minério, petróleo e outras mercadorias e porque, com navios maiores, o custo do transporte da  carga chega a cair 60%.

Os chineses, com interesses russos a reboque, não querem depender do controle – militar ou econômico – norte-americano sobre sua rota mais curta com o ocidente: a América Latina e até, no caso de uma deterioração das condições políticas no Golfo de Suez, com a Europa e o Norte da África.

Para o  Brasil (e para Venezuela, Colômbia e Cuba, além de todo o Caribe) as possibilidades de ampliação do comércio com os chineses (e Russia, Austrália e o Sudeste Asiático) são imensas.

Mas aqui, pouca ou nenhuma atenção se presta a isso.

Os eixos de poder econômico no mundo estão mudando e, com eles, os de poder político.
Fernando Brito /Tijolaço

Tópicos do dia – 03/07/2012

08:08:28
Somos todos iguais: família de Joaquim Roriz agora é PT desde criancinha.

A família do ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, se aliou ao PT de Goiás na disputa pela Prefeitura de Luziania. Trata-se da pré-candidatura do deputado Cristóvão Tormin (PSD), que é primo de segundo grau do ex-governador, e que terá como vice na chapa o deputado estadual petista, Didi Viana. Despreocupado, Tormin afirmou nesta segunda (2) à Coluna que a aliança com o PT não prejudica sua imagem no município. “A realidade aqui é diferente em relação ao DF. Se a gente ficar pensando em picuinhas, é complicado. Temos que pensar grande”, disse o parlamentar. “Luziânia é maior que picuinhas políticas partidárias”, completou. A convenção do partido, que ocorreu no último final de semana, contou com a presença de alguns parlamentares do DF, entre eles, a deputada Liliane Roriz (PSD).
coluna Claudio Humberto

08:46:12
Brasil: da série “Ilações de um abestado”! Acordo comercial Usa-Paraguai

Dividir para reinar.
O previsto acordo de livre comércio USA/Paraguai, não é o que parece. O mercado Paraguaio é insignificante para os “abestados ” acima do rio Grande. O objetivo, sutil como um elefante em loja de louças é dividir o Mercusul. Simples, e maquiavélico assim!

09:51:16
Eleições 2012: Caixa 2. A volta dos que não foram

Vixe! Tem um certo DD operando caixa 2, ops, recursos não contabilizados, para a reeeeeleição do peba de Garanhuns.
Ps. Pq peba? Peba no nordeste, tatú nas demais regiões do Brasil, não sobe em árvore. Quando um for avistado no topo de uma árvore, já dizia o sábio político cearense Manoel de Castro, “é por que alguém colocou ele lá. Ou vai cair ou quem o colou vai derruba-lo de lá.”


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Obama: visita “dá um polimento” na imagem de Dilma Rousseff

Obama, o Barack, que de tolo não tem nada, veio afagar o ego dos Tupiniquins e ao mesmo tempo, como fazia Lula, mostra o seu (dele) lado mascate no cenário globalizado. Além de querer vender as bugigangas ‘gringas’, veio garantir o petróleo, uma vez que os ditadores amigos das arábias estão despencando do poder.

Mas, não se enganem os descendentes da pátria lusa: ainda vai nascer o país que leve vantagem comerciando com o grande irmão do norte.

O Editor


Obama vira ‘cereja’ do plano de marketing de Dilma

A visita de Barack Obama ao Brasil desce à crônica dos primeiros três meses do governo Dilma Rousseff como “cereja” de um bolo levado ao forno em janeiro.

Dilma executa um plano de marketing concebido por João Santana. Responsável pela campanha do PT, ele se tornou conselheiro de imagem da presidente.

Desde a posse, age para converter traços da personalidade de Dilma num ativo político que a distinga de Lula.

A política externa é parte da estratégia. E a passagem relâmpago de Obama pelo país é celebrada como um divisor de águas.

Opera-se uma guinada que distancia Dilma do “terceiro-mundismo” de Lula.

Sem renegar África e Oriente Médio, a nova gestão prioriza Amérca do Sul, EUA e China.

Sob Dilma, o Itamaraty iça à superfície o pragmatismo comercial que a ideologia da Era Lula havia soterrado.

Em movimentos calculados, Dilma tomou distância do ditador iraniano Marmud Armadinejad, personagem ao qual Lula se achegara.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

No Planalto, atribui-se a visita de Obama ao reconhecimento dos gestos de Dilma.

Em conversa com o blog, um auxiliar da presidente celebrou um detalhe:

“Sempre que um novo presidente assumia no Brasil, a primeira providência era agendar uma visista aos EUA. Agora, a Casa Branca veio ao nosso reino”.

O vocábulo “reino” orna à perfeição com o conceito que norteia a marquetagem de João Santana, um jornalista de formação.

O escultor da imagem de Dilma costuma dizer que Lula, dono de popularidade lunar, deixou no imaginário popular um “vazio oceânico”.

Acha que a eleição de uma mulher abriu espaço para acomodar na presidência algo inteiramente novo.

Santana chama a “cadeira vazia” de Lula de “cadeira da rainha”. Na campanha, Dilma era vista pelo eleitorado pobre como espécie de “esposa do rei”.

Tenta-se agora grudar nela a imagem de “soberana” com qualidades próprias –uma gestora capaz de combinar a sensibilidade feminina com o rigor administrativo.

Um rigor que a faz contrariar as centrais sindicais (salário mínimo), impor limites ao rateio de cargos (Furnas e Eduardo Cunha)…

…Passar a lâmina no Orçamento (corte de R$ 50 bilhões) e fixar prioridades (adiamento da compra dos caças da FAB).

Tudo isso sem descuidar do essencial (combate à miséria) e sem fechar os olhos para novas demandas (promesa de dar atenção à classe média).

Neste sábado, Lula deu uma inestimável contribuição à estratégia de sua sucessora. O ex-soberano faltou ao almoço em homenagem a Obama.

Melhor: à ausência de Lula somou-se a presença de FHC, inserido na lista de convidados como evidência da “vocação republicana” de Dilma.

Melhor ainda: ao discursar para empresários, em Brasília, Obama reconheceu o novo status que o Brasil adquiriu no mundo.

Atribuiu a nova condição de sétima economia do planeta ao trabalho dos brasileiros e à combinação das políticas implementadas sob FHC e Lula. Citou ambos.

E afirmou que, sob Dilma, a Casa Branca tem de dispensar ao Brasil um tratamento análogo ao da China e Índia, as outras nações emergentes.

De olho nas obras da Copa e da Olimpíada, atento às oportunidades do pré-sal, Obama abriu em Brasília a maleta de mascate.

Em termos práticos, a visita do presidente americano não produziu nada além de um comunicado conjunto com cara de carta de intenções.

No campo da simbologia, porém, injetou-se na atmosfera uma aura de prestígio que coroa a estratégia propagandística “da nova cara”,

blog Josias de Souza

Portugal diz que pode ter de abandonar o euro

Imaginem quando chegar a vez da taba dos Tupiniquins!

O fracasso em obter uma coalizão governista ampla para enfrentar a crise financeira poderia forçar Portugal a abandonar o euro, disse o ministro das Relações Exteriores em entrevista publicada neste sábado.

A oposição e governo devem se unir para lidar com uma “situação extrema”, Luís Amado disse ao semanário Expresso.

Portugal viu uma perda acentuada da confiança dos investidores nas últimas semanas, em meio a crescentes preocupações com a frágil situação do orçamento da Irlanda, empurrando os prêmios de risco de Portugal aos níveis mais altos desde que adotaram o euro.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

“O país precisa de uma grande coalizão que nos permita superar a situação atual”, Amado disse à publicação semanal.

“Acredito que os partidos (políticos) compreendem que a alternativa para a situação que enfrentamos é, eventualmente, sair do euro”, disse ele. “Essa é uma situação que poderíamos ser inevitavelmente obrigados pelo mercado a considerar.”

Grande parte da preocupação com os esforços de Portugal para reduzir o seu déficit orçamentário nas últimas semanas vieram de dúvidas sobre se a oposição social-democrata iria apoiar o plano austero de orçamento de 2011 no parlamento.

As medidas do governo socialista que não tem maioria no parlamento precisam do aval da oposição para serem aprovadas.

Os socialistas e social-democratas finalmente chegaram a um acordo que levaram à aprovação do primeiro esboço do orçamento de 2011 no Parlamento este mês, mas os investidores estão observando atentamente até a votação final em 24 de novembro.

Analistas disseram duvidar que os socialistas consigam se manter no governo até o fim de seu mandato que termina em 2013, especialmente agora que os social-democratas lideram as pesquisas de opinião, mas em Portugal, eleições antecipadas Constituição não pode ser realizada antes de maio.

Reuters/O Globo/Brasil Online