Economia: China despeja investimentos no Brasil

‘China Daily’: China se torna o maior investidor do Brasil até agora em 2017

Investidores gastaram US $ 5,67 bilhões em fusões e aquisições no país

Segundo a reportagem nos primeiros quatro meses e meio de 2017, investidores chineses gastaram US $ 5,67 bilhões em fusões e aquisições, representando 37,5% do investimento total no país.

O investimento chinês no Brasil até meados de abril representa quase a metade dos US $ 11,92 bilhões que a China gastou em 2016, destaca o China Daily.

O investimento chinês no Brasil até meados de abril representa quase a metade dos US $ 11,92 bilhões que a China gastou em 2016, destaca oChina Daily
O investimento chinês no Brasil até meados de abril representa quase a metade dos US $ 11,92 bilhões que a China gastou em 2016, destaca o China Daily

A China foi seguida pela Argentina e Holanda, com US $ 1,6 bilhão e US $ 1,1 bilhão, respectivamente, descreve o diário chinês.

O noticiário aponta que o aumento do investimento chinês ocorre em um momento em que o Brasil está melhorando sua balança comercial com a China, graças ao aumento das exportações de ferro e petróleo.

A balança comercial positiva do Brasil passou de US $ 1 bilhão no primeiro trimestre do ano passado para US $ 5,5 bilhões no mesmo período deste ano, de acordo com o Ministério da Indústria e Comércio Exterior, finaliza o China Daily.

China Daily

Economia: “Brasil precisa abandonar a pura fixação por crescimento”

Pesquisador alemão diz que país precisa partir para desenvolvimento sustentável e não ficar dependente da exportação de matérias-primas: “Emergentes não podem cometer mesmos erros históricos dos países industrializados.”

Países perseguem o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) como condição necessária para o desenvolvimento e a redução da pobreza. Devido às crises políticas e econômicas, o Brasil está há dois anos em recessão – e os prognósticos para o futuro ainda não são muito positivos.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Mas para Reinhard Loske, professor de política, sustentabilidade e dinâmica da transformação da Universidade de Witten/Herdeck, na Alemanha, o Brasil, por conta do seu potencial e recursos naturais disponíveis, tem as melhores possibilidades para se desenvolver de forma positiva ao se concentrar no desenvolvimento interno e na economia regional, e não somente na exportação de matérias-primas.

“Meu conselho seria abandonar essa pura fixação por crescimento e partir para um desenvolvimento sustentável e social-inclusivo”, afirma Loske, que foi deputado federal pelo Partido Verde de 1998 a 2007 e secretário estadual de meio ambiente e transporte do estado de Bremen.

DW Brasil: Todos os países perseguem o crescimento econômico. Por que, em sua opinião, o decrescimento da economia poder ser positivo?

Reinhard Loske: Historicamente, essa fixação pelo crescimento econômico é nova. Essa concepção de steady state economy se espalhou dos anos 1930 até 2000. O crescimento em países industrializados já está saturado e, hoje, não é mais o crescimento que está em causa, mas a sustentabilidade – quer dizer, desenvolver a economia de uma forma que, essencialmente, seja necessário usar menos recursos como energia, recursos, territórios etc.

Já nos países em desenvolvimento, eu vejo diferente. Existe a necessidade de desenvolver a economia para uma grande camada da população que ainda não tem acesso a recursos. Mas, com uma estratégia de crescimento estritamente pura, isso não é possível. Esse desenvolvimento descampado como os países industrializados fizeram é incompatível com a sustentabilidade. Eu recomendo que países como Brasil, África do Sul, Índia e China tentem se desenvolver o máximo possível de forma sustentável e, ao mesmo tempo, zelem fortemente pela justiça social.

O Brasil está há dois anos em recessão. O desemprego aumenta, e a renda cai. Como um político pode “vender” um cenário como esse de forma positiva?

Pesquisas sobre bem-estar mostram que é necessário um certo nível material para que todos possam viver decentemente. E, a partir de um ponto, a correlação entre felicidade da população e valor do PIB já não existe mais. Em países como Brasil há algumas camadas da população que são pobres e, por isso, precisam do desenvolvimento. Mas nestas nações há também uma classe de consumidores que vivem com certo nível material que, a longo prazo, não é sustentável para o mundo.

Por isso, eu aposto numa estratégia na qual sustentabilidade, desenvolvimento e justiça social sejam igualmente importantes. A atual crise econômica no país tem causas internas, como a corrupção estrutural e má governança. Além disso, a estratégia do extrativismo, de depender somente da extração de matérias-primas, é problemática. É preciso implementar mudanças mais profundas como a produção regional, cooperativas regionais de práticas agrícolas etc. Isso porque uma orientação baseada somente na exportação descampada de recursos não trouxe nada realmente a longo prazo para nenhum país.

Na Europa, e principalmente na Alemanha, há um debate sobre o tipo do crescimento econômico. Há, juntamente com o PIB, outros indicadores para medir o crescimento que serão mais importantes no futuro?

Sim. As principais críticas sobre o crescimento na Europa e América do Norte são: o limite ecológico do crescimento; o limite sócio-cultural – que diz que a felicidade das pessoas, em certo ponto, não se correlaciona mais com o crescimento; e se o PIB realmente mede, de forma adequada, o nosso bem-estar. Hoje se discute alguns indicadores de bem-estar alternativos ou complementares ao PIB como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Índice de Bem-Estar Econômico Sustentável (ISEW, em inglês) e o Happy Planet Index (HPI) – sobre este último sou um pouco crítico. Mas, por toda parte está a ideia de que a economia é importante, mas não é tudo.

É importante também medir a qualidade do meio ambiente, saúde, educação, participação social e, quando nós observamos estes indicadores alternativos, concluímos que não é nos países mais ricos onde estão as pessoas mais felizes, mas onde é possível tirar muita felicidade a partir de poucas coisas materiais. Na Alemanha, temos a capacidade de tirar pouca felicidade de muita prosperidade. Quer dizer, há bons indicadores alternativos de bem-estar muito bons que incluem aspectos sociais, ecológicos e econômicos que cujas afirmações são mais sólidas do que só o PIB.

Tecnologia também traz desvantagens: mesmo mais econômicos, população tem cada vez mais eletroeletrônicos

Como é possível combinar proteção ao meio ambiente e interesses político-econômicos?

A economia verde é, a médio prazo, uma boa estratégia. Trata-se da expansão das fontes de energias renováveis, melhoria da eficiência energética, eficiência dos recursos e da economia da reciclagem que, por meio de novos serviços, possam gerar bem-estar econômico, uma certa prosperidade e contribuição para a sustentabilidade. Porém, ela também tem desvantagens devido ao desenvolvimento tecnológico: nós temos carros econômicos, mas cada vez mais automóveis. Nós temos aparelhos elétricos que consomem pouco, mas cada vez mais eletroeletrônicos em casa. Entre o médio e longo prazo precisaremos de um novo complemento à estratégia da economia verde e da steady state economy, onde a sustentabilidade seja mais importante do que o crescimento.

Existe a possibilidade de uma economia se orientar na queda da produção e do consumo?

É preciso ver o caso de cada país. Em países ocidentais ricos como EUA, Alemanha e Reino Unido, pode-se dizer que 80% da população vivem de forma confortável, e 20%, em um nível crítico. Já em nações como o Brasil é diferente: 30% vivem no mesmo nível da classe consumidora como aqui na Alemanha, e 70% à parte disso. E esta última parte argumenta pelo crescimento econômico. E isso não é totalmente falso. Para garantir as necessidades básicas para estes países ou grupos de população é preciso uma estratégia de sustentabilidade que contemple três objetivos: social, econômico e ecológico.

Acredito que um político no Brasil não vai ter sucesso se dizer que quer menos postos de trabalho ou menos desenvolvimento econômico, isso é muito idealista. Mas se pode dizer que se deseja um tipo de desenvolvimento compatível com o clima, sustentabilidade e que inclua o maior número de pessoas possível. Nos países desenvolvidos do Ocidente podemos falar da tendência de queda da taxa de crescimento, que está em forte regressão – e isso não é de se admirar, pois o nível absoluto [de riqueza] já é muito alto.

Nos países em desenvolvimento temos duas grandes tarefas: considerar melhor o limite ecológico e não deixar que as disparidades de renda aumentem. Um pequeno grupo da sociedade detém todos os meios de produção e a outra grande parte não consegue praticamente gerar renda, e isso não é bom no longo prazo. O Brasil, devido ao seu potencial e recursos naturais disponíveis, tem as melhores possibilidades para se desenvolver positivamente. Mas minha recomendação é se concentrar fortemente no desenvolvimento interno, na economia regional e não somente, de forma unilateral, na exportação de matérias-primas. Deve-se manter uma boa parte da economia no país para que a população em geral tenha benefícios – e não somente uma pequena elite. Meu conselho seria abandonar essa pura fixação por crescimento e partir para um desenvolvimento sustentável e social-inclusivo.

Países industrializados como a Alemanha deveriam, então, renunciar ao crescimento econômico para que países como Brasil e China possam se desenvolver?

Sim. Os países industrializados precisam diminuir o consumo de energia, minerais, superfícies de terra de 80% a 90% nas próximas duas ou três décadas. De forma prática temos que dar espaço para o desenvolvimento econômico de outras partes do mundo. Os países ricos precisam dar menos importância ao crescimento econômico e se alinhar mais à sustentabilidade. Já os emergentes e em desenvolvimento não podem cometer os mesmos erros históricos dos industrializados: usar um modelo de desenvolvimento pautado no uso de recursos naturais e energia que, no longo prazo, não é sustentável. Mesmo com essa redução de 80% a 90% nas próximas duas ou três décadas, os países industrializados vão conseguir viver muito bem se conseguirem extrair mais felicidade a partir do menor consumo de recursos.

Por que o Brasil está procurando uma saída para o Pacífico

Mais um projeto para escoar produtos brasileiros pelo Pacífico está entre os temas que a presidente Dilma Rousseff deve levar ao encontro com o líder equatoriano, Rafael Correa, nesta terça-feira, segundo autoridades brasileiras. 

Dilma se encontra com Rafael Correa nesta terça; integração do Brasil ao Pacífico está entre os temas a serem discutidos.
Img. Copyright Roberto Stuckert Fº

Trata-se da rota que liga o Norte do Brasil ao porto equatoriano de Manta – conhecido como eixo Manta-Manaus.

Nos últimos anos, foram elaborados diversos projetos para criar a infraestrutura necessária para que os produtos brasileiros possam cruzar para o outro lado da América do Sul. O que está mais avançado é a chamada rodovia interoceânica, que liga a fronteira do Brasil, no Acre, com três portos no Peru, passando pelos Andes e pela Amazônia peruana.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Em 2014, os presidentes do Brasil, Peru e China assinaram um memorando de entendimento, para construir a ferrovia transcontinental, ligando o Rio de Janeiro à costa peruana, mas o projeto ainda não saiu do papel.

O eixo multimodal Manta-Manaus, que é visto com ceticismo por alguns analistas, seria um corredor logístico unindo o porto equatoriano de Manta a Manaus por rios e estradas. Sua implementação exige a construção de portos fluviais e a dragagem do rio Napos, na Amazônia equatoriana.

O projeto foi incluído ainda nos anos 2000 no portfólio da Iniciativa para a Integração Regional Sul-Americana (IIRSA), embora em mais de uma década apenas algumas de suas obras tenham sido finalizadas.

“Esperamos que (nesse encontro bilateral) possa haver avanços na finalização do eixo multimodal Manta-Manaus”, disse o subsecretário-geral do Itamaraty para a América do Sul, Paulo Estivallet, em entrevista coletiva para comentar a agenda da reunião entre Dilma e Correa.

Mas por que, afinal, o país estaria interessado em mais um projeto de ligação com o Pacífico?

 

Porto de Manta, no Equador, seria rota alternativa ao Canal do Panamá, mas projeto requer diversas obras – Image copyright Thinkstock

Mais rápido do que pelo Panamá

Segundo Estivallet, “funcionando adequadamente”, o eixo “Manta-Manaus” permitiria “o transporte (de produtos) com uma redução de até dez dias com relação ao transporte pelo Canal do Panamá, que é a atual rota para o Pacífico.

“Isso abre uma possibilidade importante não só para o comércio entre os dois países, mas também para a exportação de produtos brasileiros, principalmente da região Norte para o Pacifico, via esse porto no Equador”, disse.

Segundo autoridades dos dois países, a ideia é que esse eixo também ajude a ativar o comércio pelas regiões em que passa.

“O Equador e o norte do Peru, por exemplo, podem vender ao Norte do Brasil produtos como frutas, cimento e outros, que hoje vêm do Nordeste a um preço maior”, explicou uma fonte ligada ao Itamaraty.

“Isso interessa aos equatorianos porque ajudaria a dar um equilíbrio maior para o comércio local – atualmente exportamos para o Equador quatro ou cinco vezes mais do que importamos desse país.”

Hoje, boa parte das ligações entre os países sul-americanos é pouco confiável como rota comercial. O comércio é feito principalmente por meio de barcos que contornam a costa brasileira e atravessam para o Pacífico pelo Canal do Panamá, o que é caro e leva muito tempo.

Por isso, os projetos de rotas que atravessam o território brasileiro ao de países vizinhos sempre foram vistos como uma alternativa para o acesso a mercados da Ásia e da própria América Latina – como o Equador – principalmente diante da sobrecarga dos portos mais tradicionais brasileiros, como o de Santos.

Críticas e ceticismo

Há quem critique esses projetos, porém, dizendo que não adianta o Brasil querer a abertura de estradas e hidrovias em países vizinhos se as conexões das grandes áreas produtoras e exportadoras com as fronteiras ainda são precárias.

Até em função da existência desses outros projetos de saída para o Pacífico, o economista e especialista em relações internacionais equatoriano Marco Romero é cético sobre a possibilidade uma finalização do eixo Manta-Manaus.

“O Brasil já tem esse outro projeto de acesso ao Pacífico pelo Peru, que está mais avançado, então seria mais fácil apostar nessa alternativa em um contexto de orçamento apertado”, diz ele.

“A questão é que, se o eixo Manta-Manaus não andou em tempos de vacas gordas, quando os dois países tinham dinheiro para gastar, vai ser mais difícil que caminhe agora, quando o Brasil está em recessão e o governo equatoriano tem menos recursos em função da queda do petróleo. A história nos mostra que nas crises econômicas há retração e até crise de identidade nas iniciativas de integração.”

Um dos temas “pendentes” no que diz respeito a esse projeto é que uma das obras que complementaria o eixo seria a ampliação e modernização do porto marítimo de Manta, cuja licitação foi ganha pela empresa brasileira Odebrecht em 2014 (com financiamento do BNDES), mas não avançou.

Segundo a imprensa equatoriana, o contrato para essa obra não foi firmado por falta de acordos sobre a questão econômica. Após divulgar que não assinaria o contrato, o Ministério do Transporte equatoriano anunciou uma redução no valor máximo a ser aplicado na fase inicial da obra – de US$ 180 para 160 milhões.

“Então esse é um dos temas que também poderiam estar na pauta (da reunião bilateral). O Brasil pode sugerir que o projeto seja retomado ainda que em uma escala um pouco menor”, disse uma fonte próxima ao governo brasileiro.

Dependência do Canal do Panamá encarece e dificulta rota para o Pacífico

Odebrecht e relações bilaterais

Nos últimos anos, o momento de maior tensão nas relações bilaterais foi criado pela expulsão da Odebrecht do Equador, em 2008, como lembra Michel Levi, coordenador da cátedra Brasil-Comunidade Andina da Universidade Andina Simón Bolívar.

Na época, a empresa foi acusada por Correa de responsabilidade pelas falhas estruturais da obra da hidrelétrica de São Francisco, que fizeram com que a usina tivesse de ser paralisada.

Correa também resolveu levar a arbitragem internacional termos do contrato do BNDES, que financiou a obra.

O processo foi decidido a favor do BNDES e a Odebrecht e Correa chegaram a um acordo que previa um pagamento de indenização ao governo equatoriano. Com o tempo, as relações se normalizaram – e já em 2012 o BNDES voltou ao país financiando outra hidrelétrica.

“Correa é impulsivo e acho que na época não mediu que as relações bilaterais pudessem ser abaladas desta maneira”, opina Levi.

“Mas acho que interessou aos dois lados uma retomada. O Equador se beneficia de investimentos brasileiros e também do eixo Manta-Manaus. O Brasil tem interesse em uma série de áreas de negócios no país, como mineração.”

Entre os outros temas de interesse do Brasil a serem tratados no encontro entre Dilma e Correa nesta terça-feira estão barreiras comerciais que afetam as exportações do país (em função da crise econômica o Equador impôs salvaguardas, ou taxas adicionais, a suas importações); integração energética; a cooperação em temas sociais e temas migratórios (o Equador tem ajudado o Brasil a combater grupos de coiotes que impulsionam a imigração ilegal na fronteira com o Acre).

Também, a possibilidade de se retomar a ligação aérea direta entre Brasil e Equador (há algumas semanas a companhia equatoriana Tame suspendeu o único voo direto entre São Paulo e Quito).

Já os equatorianos, segundo vem sendo divulgado por jornais do país, estariam interessados em atrair investimentos e reduzir as barreiras não tarifárias brasileiras a produtos como atum, camarão e conservas.

Para Romero, será difícil fazer um avanço significativo na área de comércio e investimento entre Brasil-Equador em um contexto de crise econômica.

Levi é mais otimista. Para ele “as crises também são oportunidades”. “Nelas, você precisa se mexer para encontrar novas alternativas, achar nichos a serem explorados. E talvez uma forma de fazer isso seja destravando antigos projetos e impulsionando a relação com vizinhos”, diz.
Ruth Costas/BBC

Economia: Os 10 países que mais compram armas pesadas (e de quem)

Prontos para a briga. São 153 os países no mundo (ou 75% do total) que importaram alguma quantidade de grandes armas entre 2010 e 2014.
Exército na Coreia do Sul

No entanto, os 5 principais responderam por um terço do volume total, com liderança da Índia. Os números foram divulgados ontem pelo Stockholm International Peace Research Institute.

Com o desenvolvimento de uma indústria de armas própria, a China tem conseguido diminuir brutalmente sua importação, mas segue em terceiro. Ela também aparece no ranking de maiores exportadores, assim como os Estados Unidos.

Em comparação com o período anterior, as importações cresceram 45% na África e 37% na Ásia e Oceania. Na Europa, caíram 36%.

Veja a seguir os 10 maiores importadores de grandes armas entre 2010 e 2014 – incluindo equipamento militar como aviões e navios – e quais são os 3 principais fornecedores de cada um:

1. Índia

ReutersÍndia
Parceiros Parcela das importações
1 Rússia 70%
2 Estados Unidos 12%
3 Israel 7%

2. Arábia Saudita

Riyadh March 26, 2014
Membros das forças especiais da Arábia Saudita treinam

Membros das forças especiais da Arábia Saudita treinam em Darma. (26/3/2014)

Parceiros Parcela das importações
1 Reino Unido 36%
2 Estados Unidos 35%
3 França 6%

3. China

Mark Ralston/AFP
Avião militar exposto na China

Avião militar exposto na China: Pequim reforça continuamente o gasto de Defesa, que subiu 11,2% em 2012 e 10,7% em 2013

Parceiros Parcela das importações
1 Rússia 61%
2 França 16%
3 Ucrânia 3%

4. Emirados Árabes Unidos

Petra News Agency/Reuters

Um jato militar F-16, dos Emirados Árabes Unidos, chega em base aérea da Jordânia

Parceiros Parcela das importações
1 Estados Unidos 58%
2 França 9%
3 Rússia 9%

5. Paquistão

AFP
Soldados fazem uma operação contra militantes do taleban no Paquistão

Soldados fazem uma operação contra militantes do taleban no Paquistão

Parceiros Parcela das importações
1 China 51%
2 Estados Unidos 30%
3 Suécia 5%

6. Austrália

Exército da Austrália / Wikimedia Commons
Soldado australiano em treinamento com o lança-granadas M203 acoplado a um fuzil
Parceiros Parcela das importações
1 Estados Unidos 68%
2 Espanha 19%
3 França 6%

7. Turquia

Mustafa Ozer/AFP
Helicóptero militar turco sobrevoa a região de Hakkari, perto da fronteira com o Iraque

Helicóptero militar turco sobrevoa a região de Hakkari, perto da fronteira com o Iraque

Parceiros Parcela das importações
1 Estados Unidos 58%
2 Coreia do Sul 13%
3 Espanha 8%

8. Estados Unidos

Lockheed Martin
O carro-robô SMSS, usado pelo exército americano
Parceiros Parcela das importações
1 Alemanha 18%
2 Reino Unido 15%
3 Canadá 13%

9. Coreia do Sul

AFP / Kim Jae-Hwan
Tanques sul-coreanos avançam durante as manobras militares conjuntas com os Estados Unidos

Tanques sul-coreanos avançam durante as manobras militares conjuntas com os Estados Unidos

Parceiros Parcela das importações
1 Estados Unidos 89%
2 Alemanha 5%
3 Suécia 2%

10. Singapura

Wikimedia Commons
4º - Singapura
Parceiros Parcela das importações
1 Estados Unidos 71%
2 Alemanha 10%
3 Suécia 6%
Fonte:Exame

Empresas brasileiras em Cuba: otimismo e cautela com reaproximação com EUA

Empresas brasileiras com negócios em Cuba ouvidas pela BBC Brasil veem com otimismo moderado a reaproximação entre a ilha comunista e os Estados Unidos, em meio a incertezas sobre o grau de abertura política e econômica a ser promovido pelo regime castrista

Crédito: AP
Construída por empresa brasileira, porto de Mariel é considerado peça importante na redirecionamento da economia cubana.

Empresas brasileiras com negócios em Cuba ouvidas pela BBC Brasil veem com otimismo moderado a reaproximação entre a ilha comunista e os Estados Unidos, em meio a incertezas sobre o grau de abertura política e econômica a ser promovido pelo regime castrista.

Parte delas diz esperar uma alta das vendas de olho no mercado interno cubano, enquanto outras planejam usar o país como uma espécie de entreposto comercial para o restante da América Central e do Caribe, além dos Estados Unidos.

Por trás dessa estratégia, está o porto de Mariel, construído pela brasileira Odebrecht por meio de empréstimos subsidiados pelo BNDES.

Há ainda um terceiro grupo que, menos otimista, teme sofrer concorrência de produtos de outros países, sobretudo americanos.

Qualquer cenário, no entanto, só se concretizaria com o fim do embargo econômico, decretado pelos Estados Unidos contra Cuba em 1962 e vigente até hoje, ponderam.

Entre 2003 e 2013, o intercâmbio comercial entre Brasil e Cuba cresceu praticamente sete vezes, passando de US$ 92 milhões em 2003 para US$ 625 milhões em 2013. Atualmente, o Brasil é o terceiro maior parceiro comercial de Cuba, após a China e a Venezuela.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Durante o período, várias empresas brasileiras iniciaram ou mesmo aumentaram as exportações para o país, impulsionadas pela sintonia ideológica entre os dois governos.

Para o empresário Ênio Luiz Martinazzo, da Metalurgia Martinazzo, de Garibaldi, no Rio Grande do Sul, o fim do embargo “aceleraria as oportunidades de negócios”. A empresa exporta talheres e utensílios de cozinha para mais de 15 países e vem participando das últimas edições da Feira Internacional de Havana (FIHAV), que acontece anualmente na capital cubana.

“O fim do embargo certamente alavancaria as oportunidades de negócios para empresários brasileiros em Cuba. No entanto, disso dependerá o grau de abertura econômica promovido pelo governo. Ainda há muita burocracia para atuar lá”, diz ele à BBC Brasil.

A burocracia a que Martinazzo se refere envolve as restrições impostas pelo regime castrista para o comércio exterior. Todas as negociações são feitas com o governo.

“O mercado cubano é muito particular. Apesar de negociarmos apenas com o governo do país, há várias agências governamentais que ‘concorrem’ entre si oferecendo contratos com preços diferentes. A eventual derrubada do embargo pode trazer benefícios para a população e possivelmente alavancar nossas vendas”, diz Maria Prado, gerente de exportação da Fame, que fabrica chuveiros elétricos e exporta para Cuba há mais de 20 anos.

“No entanto, ainda é muito incerto como se dará essa abertura econômica. O governo continuará como comprador exclusivo? Além disso, a renda do cubano ainda é muito baixa e o mercado interno, apesar de considerável, vai demorar para atingir o nível de consumo de outros países”, acrescenta.

Cuba tem mais de 11 milhões de habitantes, mas o salário médio da população, segundo dados oficiais, não ultrapassa o equivalente a R$ 50.

Na avaliação de Abel Pina, representante da Kerry, de Três Corações, em Minas Gerais, que fabrica leite em pó de gordura vegetal e também participou da FIHAV, o comércio com Cuba ainda é “inviável”. Ele é menos otimista com o futuro da ilha.

“Tentamos de todas as formas vender para o mercado cubano, mas não conseguimos. Ainda há muitas barreiras, não só burocráticas, mas econômicas”, diz ele.

“O fim do embargo pode gerar uma expectativa frustrada, pois tudo dependerá do nível de abertura da economia cubana”, pondera.

Pina explica que, por causa do bloqueio econômico imposto pelos EUA, o acesso a dólares em Cuba é restrito, o que prejudica as negociações com os exportadores.

“Atualmente, o governo brasileiro concede linhas de crédito a Cuba, que usa o dinheiro para pagar os exportadores, mas não há qualquer certeza de que a dívida será paga”, diz.

“Além disso, temos pouca liberdade para negociar já que só existe uma única estatal responsável por comprar alimentos, a Alimport”, acrescenta.

Leia mais: EUA-Cuba: Brasil tem ‘ganho político’, mas benefício econômico ‘ainda é incerto’

Mariel

Crédito: AFP
Parte das empresas brasileiras está de olho no mercado interno cubano, de 11 milhões de pessoas

Dênis Mauro Sponton, diretor da fabricante de eletrodos Uniweld, demonstra otimismo com a reaproximação entre Cuba e Estados Unidos, mas diz acreditar que o crescimento das vendas vai depender da “melhoria na infraestrutura” do país.

“As estradas do país são péssimas e a indústria está completamente sucateada. Não adianta nada ser amigo dos Estados Unidos se não houver dinheiro. É preciso que o governo cubano coloque em prática um plano de melhorias”, afirma.

Na opinião de Sponton, por outro lado, Cuba pode se aproveitar da “zona de desenvolvimento especial” do porto de Mariel, construído pela brasileira Odebrecht, por meio de empréstimos subsidiados pelo BNDES.

Ali vigora um sistema diferente do resto da ilha, onde empresas têm poucas restrições para contratar, contam com isenção de impostos e não são obrigadas a se associar a companhias estatais.

Inaugurado em janeiro deste ano, o porto de Mariel é operado por uma empresa de Cingapura. De grande profundidade, o terminal pode receber navios gigantes, capacidade que poucos portos da região têm, inclusive na costa americana. Além disso, vem sendo modernizado no mesmo momento em que são realizadas obras de ampliação do canal do Panamá, que passará a receber navios que transportam até o triplo da carga dos navios atuais.

“Logicamente, nenhuma empresa que se instale ali vai comprar matéria-prima de Cuba. O objetivo é aproveitar a localização estratégica do país como centro de distribuição para o resto da América Central e os Estados Unidos”, acrescenta Sponton, que afirma que isso só será possível com o fim do embargo.

Por trás dessa estratégia, está a mão de obra cubana, barata e educada, avaliam os empresários.

“Construímos parte do porto de Mariel e muitos dos pedreiros eram engenheiros civis. A grande maioria dos cubanos tem ensino universitário, o que facilita a capacitação”, diz Luiz Angelo Pereira, da Medabil, empresa que fabrica estruturas metálicas e já atua em Cuba.

“Isso, claro, pode ter um impacto considerável na produtividade a longo prazo”, acrescenta ele, que diz acreditar que o fim do embargo possa “ampliar a aceitação do governo em relação ao investimento estrangeiro”.

“Hoje, no entanto, ainda há uma série de entraves. Eu não consigo, por exemplo, levar operários brasileiros para Cuba, apenas técnicos e supervisores, tampouco tenho liberdade para definir salários”, explica.

Leia mais: EUA-Cuba: por que agora?

Tigre caribenho?

Crédito: AFP
Mão de obra barata e educada é vantagem competitiva para Cuba, dizem empresários

Pereira, que diz já ter recebido pedidos de orçamento de “15 a 20 empresas brasileiras” interessadas em estudar a viabilidade dos negócios em Cuba, acredita que o país possa se tornar uma espécie de “entreposto comercial”.

“Uma empresa brasileira pode aproveitar a localização estratégica do país para instalar ali uma linha de produção, montando, por exemplo, um produto cujas peças venham de outros países”, avalia.

Nessa hipótese, Cuba poderia seguir pelo mesmo caminho dos tigres asiáticos, que, na década de 80, usaram a mão de obra barata e a educação de qualidade como vantagem competitiva para impulsionar suas economias.

“Nenhum empresário vai fechar a fábrica no Brasil e transferi-la para Cuba. Mas por que produzir mais caro aqui para vender para a América Central e para os Estados Unidos e se eu posso fazer isso de lá com custos menores?”, questiona Sponton, da Uniweld, que critica o chamado “Custo Brasil”.

Leia mais: EUA-Cuba: uma relação complicada desde o século 19

Temor

Há, em contrapartida, uma preocupação de que o fim do embargo mude “as regras do jogo”.

Algumas empresas temem que, com a abertura econômica, o Brasil possa perder o “tratamento privilegiado” recebido do governo cubano.

“O cenário é incerto, pois ninguém sabe o que vai acontecer depois do fim do embargo”, diz Pereira, da Medabil.

“Mesmo que as regras do jogo mudem, já temos uma experiência no mercado cubano, o que nos favoreceria frente a eventuais novos competidores”, pondera.

No entanto, um representante de uma fornecedora de aves brasileira que vende para Cuba vê como “prejudicial” a abertura econômica do país.

“No nosso setor, o fim do embargo é ruim, porque sofreríamos concorrência de outras empresas, especialmente dos Estados Unidos, que são os maiores produtores de frango do mundo”, afirmou o executivo, que não quis se identificar.
Luís Guilherme Barrucho/BBC

Economia, política, os outros e o Brasil

Faca quente na manteiga

O Valor Econômico publicou um especial do governo que sai, com um recurso visual esclarecedor. Perfilou na capa do caderno gráficos com os principais indicadores destes oito anos. Foi autoexplicativo.

Também esta semana, a Economist traz conteúdo editorial sobre o deslocamento da esperança do eixo Europa-Estados Unidos para os emergentes.

Os bons resultados e as boas expectativas do Brasil e dos emergentes repousam numa curiosidade histórica e também na aritmética.

Os emergentes no conjunto (ou quase) beneficiam-se de ter colocado a casa em ordem, depois de sucessivas crises de raiz fiscal.

Foi a receita recomendada pelos desenvolvidos, que entretanto fizeram o contrário. E hoje o assim chamado Primeiro Mundo patina para escapar da desconfiança e da falta de vontade de consumir.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Essa é a curiosidade. E a aritmética? Ela é simples. Quem tem mais pobres, mais gente fora do mercado, tem também mais potencial de formação de novos consumidores e mais potencial de crescimento incomprimível do consumo.

Uma coisa é o sujeito abrir mão de trocar o carro todo ano porque tem medo de perder o emprego. Outra coisa, bem diferente, é renunciar a comer carne todo dia.

Os emergentes, Brasil incluído, aceleram o passo para tentar chegar onde americanos e europeus já estão. E quem vem depois colhe vantagens e desvantagens.

Pode haver críticas à moldura social da revolução industrial chinesa, mas ela não se compara ao ambiente de horrores, por exemplo, da Revolução Industrial inglesa. Nas esferas social e ambiental, a industrialização da periferia corre bem mais civilizadamente que a do centro.

A desvantagem óbvia é a concorrência. O mundo emergente chega num palco já congestionado. As polêmicas ambientais têm sido termômetro. Diz a cartilha ambientalista que o planeta não suportaria chineses, indianos, brasileiros e africanos emitindo carbono nos níveis da média do europeu e do norte-americano. Eis um problema.

A China, no seu estilo habitual, vai cozinhando o galo e esperando a inércia carregar o gigante asiático para o lugar merecido na produção e no consumo globais. O modo de ser chinês, nesse ponto, é um ativo da humanidade. Se o compartilhamento de riqueza e poder entre as superpotências puder ser alcançado de modo pacífico, vai ser melhor para todo mundo.

Já nós, pelos menos nos últimos dezesseis anos, parecemos conformados com a reafirmação do nosso papel subalterno na divisão internacional do trabalho. Social-democratas e socialistas chegaram ao poder e apenas aprofundaram a subalternidade. Falamos grosso para os microfones e câmeras, mas ainda somos na essência extratores e vendedores de matérias primas.

No nosso “outro mundo possível”, por enquanto, deixamos relativamente de exportar grãos, minério e carne para o “Norte” e agora fazemo-lo para o “Sul”. Que avanço monumental! Na última grande crise, entre um e outro discurso sobre a necessária reforma multilateral das finanças planetárias, nossos governantes cruzavam os dedos na torcida pela recuperação rápida do ritmo chinês.

Na eleição deste ano, o progressismo pátrio reagiu com virulência ao protagonismo eleitoral das igrejas, a Católica e as evangélicas. Mas pelo menos uma religião escapou e vem escapando ilesa de qualquer crítica. A Assembleia dos Protetores do Real Forte, os Adoradores das Importações, os teólogos do juro exorbitante.

A cena era – e é – repetitiva. O sujeito vai entrevistar o governante, nos diversos niveis, para tratar das exportações em baixa, da degeneração da balança comercial, do buraco crescente nas contas correntes, da incapacidade de elevar os investimentos públicos, da extorsão financeira. Mas a única angústia do perguntador é arrancar garantias de que tudo permanecerá exatamente como está, de que nada vai mudar.

Duvida? Procure nos arquivos do Senado pela tramitação nos dias recentes do novo presidente do Banco Central. Faca na manteiga, confraternização geral. Uma festa.

blog do Alon

Eleições 2010: José Serra, diplomacia e comércio exterior

O uso de diplomatas como agentes de negócios entre as nações é uma pratica consagra há muito tempo pelas nações do chamado primeiro mundo. Nas últimas décadas o Brasil deu um salto quantitativo com a competente atuação dos diplomatas do Itamaraty para vender o país. Esse é um método vencedor e todos os países do primeiro mundo o utilizam de maneira agressiva. Não sei se será recomendável que os negócios internacionais geridos pelos embaixadores brasileiros tenham antes que passa antes por uma Camex.
O Editor


Com Serra, uma diplomacia clássica
A meta tucana é dar uma guinada, para longe do Irã, de Chávez, de Cuba. E com o comércio gerido por uma SuperCamex, sem o Itamaraty.

Rever o Mercosul, afastar-se de países não-democráticos como Cuba, Irã e ditaduras africanas, e abandonar o viés ideológico da política comercial são as linhas-mestras da plataforma de política externa do candidato José Serra (PSDB). Mas o assunto está longe de ter um grande destaque nas propostas de governo dos dois candidatos da oposição.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Mas, segundo apurou o Estado, as diretrizes do tucano vão propor a flexibilização do Mercosul, liberando o Brasil para buscar acordos bilaterais, e a criação de uma SuperCamex, nos moldes do United States Trade Representative (USTR), que daria à política comercial do País status de ministério, subordinado à Presidência. De quebra, seria uma maneira de “despolitizar” a política comercial e acabar com a grande influência do Itamaraty sobre o assunto.

Não existe um núcleo formal dentro da campanha de Serra para debater o assunto, mas há três nomes ouvidos pelo candidato e que apresentam sugestões. Na área de comércio exterior, Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington e atual presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da FIESP, e Roberto Giannetti da Fonseca, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da FIESP e ex-secretário executivo da Camex no governo FHC. Para política externa, o mais ouvido é Sérgio Amaral, que foi porta-voz do governo FHC e cotado para ser chanceler em um eventual governo tucano. Xico Graziano, o coordenador do programa de governo de Serra, supervisiona.

Os tucanos minimizam a política de diversificar os destinos de exportação brasileira, uma das grandes bandeiras do governo Lula. Para os petistas, foi essa diversificação que permitiu ao Brasil passar quase incólume pela crise financeira mundial. Os tucanos afirmam que a estratégia seguiu motivos políticos e não trouxe benefícios concretos, pois as vendas para África e Oriente Médio, por exemplo, continuam sendo minúsculas. Uma aposta mais acertada, argumentam, seria aprofundar os acordos na América do Sul, liberar o Brasil para mais acordos bilaterais e intensificar as relações com os EUA.

Na visão dos tucanos, a diplomacia da era Lula associou o Brasil a nações não democráticas, prejudicando seu “soft power” e sua capacidade de liderança global. Serra já afirmou que o líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad, integra a “turma de ditadores” da história, como Adolf Hitler e Josef Stalin. “O que ganhamos com essa aproximação? Nada. E perdemos muito em imagem e credibilidade”, diz Sérgio Amaral. “Este governo tem a tendência de ver o mundo através de afinidades ideológicas, e nem sempre é assim.”

Para Amaral, apostar no G-20 é exemplo de atuação construtiva do Brasil, que deve se aprofundar, enquanto associar-se ao Irã na questão nuclear não é. Os tucanos minimizam o fato de o Brasil ter adquirido um destaque maior no cenário internacional durante o governo Lula. As diretrizes de Serra devem abordar o que a campanha chama de “falso protagonismo” do Brasil, ao se oferecer de mediador de assuntos polêmicos como o conflito do Oriente Médio e a questão nuclear no Irã.

Amaral admite que o carisma do presidente Lula ajudou o Brasil a conseguir mais espaço no cenário internacional, mas entende que os presidentes dos outros países são pragmáticos. “Se o novo presidente, seja quem for, levar adiante políticas que são importantes, será respeitado internacionalmente”, diz . Sua avaliação é que o Brasil tem a desempenhar, na América do Sul, um papel que até agora não conseguiu. “Se você não consegue propor uma visão para a América do Sul e atuar em conflitos aqui, como o das papeleiras (conflito entre Uruguai e Argentina por causa de instalação de indústrias de celulose na fronteira), qual é o sentido de tentar resolver o conflito no Oriente Médio?”

A cobrança já foi comentada por José Eduardo Dutra, presidente do PT. “O efeito principal da política externa se dá na economia, nas relações comerciais. Dizia-se que, se a gente não embarcasse na Alca, seria uma tragédia para o Brasil. A Alca já foi sepultada. E qual o resultado de nossa política externa? Até 2002, 60% das exportações brasileiras eram para a União Europeia, Estados Unidos e Japão. Hoje, esses três representam menos de 40%. Tivemos uma diversificação que permitiu um desempenho melhor durante a crise.”

Um dos projetos centrais dos tucanos, em um eventual governo Serra, é despolitizar a política comercial – criando uma SuperCamex, órgão com status de ministério dedicado a conduzir a política comercial do País. “Hoje em dia, o Itamaraty tem o controle da política comercial”, diz Rubens Barbosa.

“Queremos uma espécie de USTR, subordinado à Presidência, que seria uma Camex fortalecida.” Para Barbosa e Roberto Giannetti, a Camex vive relegada a um comando de terceiro escalão. Se fosse promovida a ministério, daria maior prioridade à política comercial. “Os outros ministérios como o da Agricultura e o Itamaraty, precisam se subordinar à Camex para decisões de comércio exterior”, diz Barbosa. “Se o Itamaraty, por exemplo, quer um acordo com a Rússia, precisa passar pela Camex.” Uma ideia seria o próprio Serra coordenar essa SuperCamex nos primeiros seis meses de governo.

O candidato tucano avalia que o Mercosul tem falhas graves. Define-o como “uma farsa” e “uma barreira para que o Brasil possa fazer acordos comerciais”. Não se trata de extingui-lo, avisa Rubens Barbosa, mas de flexibilizá-lo: “Precisamos liberar o País para procurar acordos bilaterais”. Hoje em dia, o Mercosul é uma união aduaneira, estrutura que exige concordância de todos os sócios para se fechar um acordo comercial, e uma tarifa externa comum para importação de terceiros países. Giannetti e Barbosa defendem retroceder a um estágio anterior, apenas de livre comércio, liberando os países do bloco para fazer acordos bilaterais.

Essa ideia de flexibilização deverá constar das diretrizes de política externa do programa de Serra. “Nos últimos cinco anos, 100 acordos bilaterais de comércio foram fechados no mundo, mas o Brasil fechou apenas um, com Israel”, diz o texto proposto.

Na relação com a Argentina, os tucanos pregam um endurecimento. Esse país, na avaliação de Barbosa, “está desrespeitando regras da Organização Mundial de Comércio (OMC), violando o tratado com as sucessivas medidas protecionistas contra produtos brasileiros”. A decisão do governo brasileiro de ceder ao Paraguai na renegociação das tarifas de energia excedente de Itaipu é para ele “outro exemplo da política de generosidade do governo”.

Serra também tem feito críticas ao governo do presidente boliviano Evo Morales: os bolivianos, em seu entender, estariam fazendo “corpo mole” em relação ao tráfico de drogas e o governo seria “cúmplice” disso. O governo Lula reagiu com ironias. “Serra está tentando ser o exterminador do futuro da política externa. Já destruiu o Mercosul, quer destruir nosso relacionamento com a Bolívia e já disse que Mahmoud Ahmadinejad é um Hitler”, comentou o assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia.

O melhor caminho, segundo os tucanos, seria aprofundar os acordos existentes na América do Sul, enquanto se buscam novos acordos bilaterais. E Amaral diz que é preciso fazer valer as regras do bloco. “A Argentina impõe barreiras, nós entendemos. A Bolívia se apropria da Petrobrás, o Brasil entende. Não dá para só compreender e tolerar; sendo condescendentes com a violação das regras, nós estamos desfazendo as instituições do bloco”, diz o ex-porta-voz de FHC.

A Rodada Doha de negociações comerciais, outra prioridade no governo Lula, poderia ficar de molho em um governo tucano. “No governo Lula, ficaram oito anos preocupados com Doha e descuidaram do resto”, ataca Barbosa. “A ideia é esquecer Doha por enquanto e agilizar acordos bilaterais”, sugere Amaral. O governo atual, diz ele, orienta-se “por uma realidade ultrapassada, com uma mentalidade pré-fim da Guerra Fria”. Um exemplo disso, segundo ele, são as alianças de países de Terceiro Mundo para chegar a mudanças. A China fez outra coisa: “Abandonou essa visão norte e sul e atua em simbiose com os EUA. A Índia também, e foi reconhecida como potência nuclear ao assinar um acordo nuclear com Washington.”

Ele também acha que está na hora de o Brasil reativar o relacionamento com os EUA. “Por muito tempo os EUA foram vistos com desconfiança, e com motivo, por causa de suas ingerências em questões financeiras, de comércio e política interna dos países da região”, diz. “Mas hoje as circunstâncias são totalmente diferentes. O novo presidente tem uma proposta de não ingerência nos assuntos dos países, de multilateralismo. Ele representa muito do que nós queríamos. Podemos adotar uma política de confiança.”

A relação com a Casa Branca, que azedou após divergências no caso de Honduras e do Irã, precisa ser resgatada, acredita a oposição. O Brasil costurou com a Turquia um acordo para troca de combustível nuclear do Irã. Para os EUA, o acordo era insuficiente e ameaçava o consenso necessário à adoção de sanções contra os iranianos no Conselho de Segurança da ONU. A posição do Departamento de Estado era que o Brasil mostrava-se “ingênuo” e estava sendo usado pelo Irã – cujo objetivo, segundo eles, era apenas ganhar tempo. A secretária de Estado americana , Hillary Clinton, anunciou sanções um dia depois de o Itamaraty comemorar o acordo com a Turquia – o que irritou profundamente o governo brasileiro.

Essa decisão deu origem a várias críticas contra o presidente Barack Obama. O governo brasileiro se sentiu traído pela Casa Branca, que não esperou os resultados do acordo mediado pelo Brasil. Lula entendeu que Obama estava dando um tiro no pé ao endurecer contra o Irã. “Não foi uma atitude de quem ganhou o Nobel da Paz”, afirmou.

Outra divergência ocorre no caso de Honduras. Os americanos acham que o Brasil tem sido duro demais com o presidente eleito, Porfírio Lobo, e intransigente em sua defesa do líder deposto Manuel Zelaya – o que estaria atrapalhando a reconstrução da estabilidade política dos hondurenhos.

A Casa Branca vê os movimentos do Brasil com reservas. Uma das consequências disso é que a visita de Obama ao País deve ficar para o próximo governo. Amaral resume o impasse: “Não dá para ter uma política de defesa da democracia em Honduras, e uma diferente em Cuba”.

Patrícia Campos Mello/O Estado de S.Paulo

Venezuela: empresas brasileiras temem calote de Cháves

Pois é Tupiniquins. O maluquete das Caraíbas começa a colher os resultados da política “bolivariana” que empurrou goela abaixo da Venezuela.
O coronel megalomaníaco está empurrando a Venezuela para o fundo poço. Que não é o do petróleo. Ao contrário! Cháves conseguiu a proeza de ser o único país exportador de petróleo que não tem dólares para que os empresários venezuelanos possam importar matéria prima para suas empresas funcionarem.
Agora, as empresas brasileiras foram para lá por livre e espontânea vontade. Se não fizeram análise de risco agora não podem reclamar. A velha máxima de “quanto maior o lucro maior o risco”, continua valendo.
O Editor
PS. A maioria dos investimentos de empresas brasileiras na Venezuela foi feita com financiamento do BNDES. Se o Cháves der o ‘cano’, adivinhem quem irá pagar a conta?


‘Risco Chávez’ assusta firmas do Brasil na Venezuela

É dura a vida das empresas estrangeiras que se aventuram a investir em países autocráticos.

Tome-se o exemplo da Venezuela. Ali, os investidores de toda parte, inclusive os do Brasil, são assediados pelo “risco Chávez”.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Convivem com o atraso nos pagamentos e com a aprovação repentina de leis que mudam as regras do jogo com a partida em andamento.

Como dinheiro é bicho medroso, procura logo a rota de fuga ais próxima.

A brasileira Braskem fechara com a estatal venezuelana Pequiven parcerias para a abertura de duas companhias. Coisa de US$ 3,5 bilhões.

Uma, a Propilsur, foi adiada por um ano. Outra, a Polimérica, teve o investimento podado à metade.

Das três dezenas de pessoas que a Brasken deslocara para a Venezuela, restarão cinco. Parte dos executivos já está voltando para o Brasil.

Grandes logomarcas brasileiras do mundo das obras convive com a perspectiva de um calote companheiro. Entre elas a Odebrecht, a Andrade Gutierrez e a Camargo Correa.

A Assembléia Nacional venezuelana, Casa em que Hugo Chávez manda e, sobretudo, desmanda, acaba de aprovar uma nova lei de “Contratações”.

Entre outras excentricidades, autoriza o governo a confiscar máquinas e se apossar de canteiros de obras que, a seu juízo, estejam atrasadas.

Para entrar em vigor, a lei ainda precisa ser votada em segundo turno. Não há dúvidas quanto à aprovação.

A notícia vem à luz num dia em que Lula se encontra em Caracas. Foi tratar do conflito Venezuela X Colômbia.

A capacidade de Chávez de produzir encrencas é ilimitada. A personalidade do companheiro é 100% constituída de alucinações.

blog Josias de Souza

McCain quer desonerar o etanol brasileiro

Para analistas brasileiros, sempre que tem eleições para a presidência dos Estados Unidos, a opinião é a de que a vitória de uma candidato republicano, é melhor para o Brasil. Argumentam que os republicanos são mais liberais em matéria de comércio exterior.

Como esperado, o candidato republicano John McCain, já revela que terá um tratamento diferenciado, para melhor, em relação ao etanol brasileiro e, principalmente, acena com a possibilidade da entrada do Brasil no Conselho de Segurança da ONU.

McCain quer se aproximar do Brasil
Do O Estado de S.Paulo – De Patrícia Campos Mello

O candidato republicano John McCain quer acabar com a tarifa de importação sobre o etanol brasileiro e eliminar o subsídio ao etanol de milho americano. Ele também apóia a entrada do Brasil no Conselho de Segurança da ONU e no G-8.

Durante três dias da semana passada, a reportagem do Estado acompanhou McCain em campanha por Nova York, Boston, Filadélfia e Washington. E constatou que o republicano tem mais ligações com o Brasil que os brasileiros imaginam.

Seu jatinho de campanha é um Embraer 190, da Jet Blue. McCain já esteve várias vezes no Rio de Janeiro nos anos 50, quando namorou uma carioca.

Se for eleito presidente dos EUA, o candidato republicano deve se aproximar do Brasil, nação que elogia por sua política de energia limpa.

“Cometemos uma série de erros ao não adotar uma política energética sustentável – um deles são os subsídios para o etanol de milho, que eu avisei em Iowa que iriam destruir o mercado e foi de fato o que aconteceu: o etanol de milho está causando um sério problema de inflação”, disse McCain em entrevista ao Estado em Boston.

“Além disso, está errado impor uma tarifa de US$ 0,54 por galão de etanol de cana brasileiro, que é muito mais eficiente do que o etanol de milho.”

Já o candidato democrata Barack Obama defende uma cooperação energética com o Brasil, mas não quer acabar com a tarifa nem com o subsídio.

Gigante da América do Sul está acordando, diz jornal The Guardian

Matéria do jornal inglês The Guardian, reproduzida pelo portal G1, o Brasil, com e sem “z”, analisa que a terra dos Tupiniquins pode está caminhado para o mundo dos desenvolvidos e que deverá ter muita influência na política mundial.

Fotos flagrantes do Brasil por Douglas Engle/Ap

Foto: Dougles Engle/AP

‘The Guardian’ diz que Brasil finalmente está caminhando para o futuro. O jornal britânico The Guardian dedica uma página inteira ao “país do futuro”, o Brasil, explicando por que muitos acreditam que finalmente “o gigante adormecido da América do Sul” está acordando.

O diário diz que muitos empresários e políticos brasileiros estão convencidos de que o Brasil está caminhando para um lugar de destaque no cenário internacional graças aos avanços na situação econômica do país.

“Graças em grande parte ao ‘boom’ mundial das commodities, esta região de plantação de soja (o Mato Grosso) se transformou na vanguarda da marcha do Brasil rumo ao palco mundial”, começa dizendo a matéria, assinada pelo repórter Tom Phillips. Ele lembra que apesar de o Brasil ter sido conhecido como o país do futuro há muito tempo, uma série de crises econômicas e políticas, além de 21 anos de ditadura militar, evitaram com que o país chegasse lá.

Momento favorável
“Agora as coisas parecem estar mudando. A moeda brasileira atingiu a maior alta dos últimos nove anos em relação ao dólar, a inflação está sob controle e milhões de brasileiros estão sendo empurrados em direção a uma nova classe média”, afirma Phillips. Ele também lembra que na semana passada, a agência Standard & Poor’s revisou para cima o rating concedido ao Brasil, melhorando a classificação geral para grau de investimento. 

“De laranjas e minério de ferro a biocombustíveis, as exportações do Brasil estão estourando, criando uma nova geração de magnatas. O clube de milionários do Brasil aumentou de 130 mil em 2006 para 190 mil no ano passado – uma das taxas mais rápidas do mundo, de acordo com um estudo do Boston Consulting Group“, afirma a matéria. 

O texto do The Guardian também lembra das recentes descobertas de grandes reservas de petróleo pela Petrobras, que deram o apelido de “xeique Lula” ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva “e indicam a possibilidade de o Brasil se tornar um grande produtor de petróleo em breve”. 

O repórter encerra a matéria ressaltando que analistas acreditam que uma queda nos preços dos commodities pode acabar com o ritmo acelerado de crescimento do Brasil e outros questionam se os sistemas de infra-estrutura e educação são fortes o suficiente para manter o bom momento econômico. 

“Tudo isso não significa que você tem crescimento econômico garantido. O Brasil ainda tem problemas estruturais sérios. Existem algumas armadilhas sérias que comprometem este crescimento: educação, ter uma mão-de-obra qualificada, saúde”, ressaltou a economista da Fundação Getúlio Vargas, Lia Valls, citada na matéria.