O círculo vicioso e vergonhoso da impunidade no Brasil

A impunidade que grassas com uma praga insaciável na Taba dos Tupiniquins, humilha a sociedade e causa prejuízo a todos.

Estamos atolados no perigoso sentimento de que as penas, a aplicação das penas, a morosidade da justiça e as leis demasiadamente protecionistas ao criminoso estão destruindo o que ainda resta de esperança no povo brasileiro.

Não é possível que o braço pesado da lei aplique punição ao indivíduo que pratica um ato ilícito somente aos que habitam a base da pirâmide, e não seja aplicada com rigor e efetividade para todos, sem distinção de cor, raça, sexo, condição social, origem, religião ou idade.
O Editor


 

Há um padrão criminoso no Brasil que desmoraliza os governos, a justiça e a democracia.

É o poder dos chefões do tráfico de drogas e de outras organizações criminosas, ao comandar suas quadrilhas de dentro dos presídios. Esses bandidos continuam administrando seus negócios, ganhando dinheiro, desfrutando mordomias, debochando da justiça e ameaçando e mandando eliminar adversários.

Este mesmo padrão se repete na política brasileira. Quando um chefão graúdo da política é flagrado e denunciado por corrupção, a punição que recebe é ser afastado do cargo. E sempre com homenagens e agradecimentos pelos relevantes serviços prestados.

Depois, o que acontece com o chefão da corrupção? Ele continua no poder, fazendo os mesmos negócios escusos, ganhando mais dinheiro, instalado em gabinetes e hotéis de luxo, apoiando correligionários e perseguindo adversários. E zombando da justiça, rindo da nossa cara, das pessoas que trabalham e pagam impostos.

Ah! Tem uma diferença! Tem uma diferença importante! Eles nem chegam a ser julgados, nem condenados e muito menos são presos. Vivem livres e soltos, mandando e desmandando, adulados por seus partidos e outros beneficiários da corrupção. São até mesmo nomeados para outras funções de destaque e outros cargos públicos. Depois são apoiados com propaganda e com todo o dinheiro que precisam para se reeleger.

E o pior de tudo: os chefões da corrupção indicam, promovem, impõem a nomeação de juízes para os tribunais que deveriam julgá-los e condená-los.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Este é o círculo vicioso e vergonhoso da corrupção e da impunidade no Brasil.

Corrupção – em escala menor ou maior – existe em todo lugar e desde que o mundo é mundo. A diferença no Brasil de hoje é que a corrupção se tornou uma pandemia disseminada como estratégia de poder, que contaminou todos os níveis e todas as esferas do governo e dos serviços e políticas públicas.

A corrupção passou a ser imposta à sociedade como a única forma de fazer política no Brasil e de governar. Tudo e todos têm de pagar o imposto da corrupção, que rouba o dinheiro da saúde, da segurança, da merenda escolar e da educação.

É para lutar contra isso que estão sendo organizadas manifestações nesta quarta-feira, dia 12 de outubro em todo o país. É para construir um sistema político melhor, que puna a corrupção e combata a impunidade.

É por isso, que a agenda dos movimentos contra a corrupção começa pela aplicação da Lei da Ficha Limpa, pelo fim do voto secreto no Congresso Nacional, pelo limite à imunidade parlamentar, pela agilidade de julgamento nos casos de corrupção e pelo aumento das penas para corruptos e corruptores.

É por isso que não basta demissão. Tem de ter prisão!

Esta será uma campanha dura e longa. Há uma grande inércia política no país. Milhões de pessoas são beneficiárias desse sistema de poder corrupto. Muitos querem manter a qualquer preço empregos, bolsas, contratos e privilégios. Outros tantos temem sofrer retaliações.

Mas nós vamos perseverar, vamos aumentar a grande onda contra a corrupção e a impunidade. Vamos mobilizar mais gente e organizações, vamos convocar entidades independentes como a ABI, a OAB e a CNBB, que fizeram um manifesto no dia 7 de setembro, mas precisam se envolver mais nesta luta.

Vamos em frente na rede e nas ruas! Vamos vencer os chefões da corrupção e afirmar a democracia no Brasil! Vamos por cada vez mais pressão nos bandidos do poder!

Por Altamir Tojal

Lula e a entrevista aos blogs

Para completar o surrealismo do universo politiqueiro da taba dos Tupiniquins só falta mesmo a institucionalização de blogueiros chapas brancas.

Reconhecendo o constitucional direito à liberdade de expressão, expresso aqui o meu desconforto com a subversão da independência dos blogs, nascidos como tribuna infensa ao poder econômico e à dependência política/ideológica.

Estaremos diante da versão digital da Cloaca Máxima — a mais antiga rede de esgotos do mundo, construída na antiga Roma nos finais do século VI a.C.?
O Editor


Lula recebe Cloaca e outros amigos no Planalto

Avesso a entrevistas, presidente abre agenda para falar a blogueiros chapas-brancas no palácio

Na primeira entrevista que o presidente Lula concedeu só para blogueiros, o Palácio do Planalto deu preferência a um grupo que alega representar “blogs progressistas”.

Boa parte deles aderiu a uma nova classificação e recentemente se proclamou como a turma dos “blogs sujos”. Dizem ser uma homenagem ao tucano José Serra, que assim os teria classificado durante a eleição.

Na entrevista de ontem, Lula, assim como fazem esses blogueiros, elegeu a grande imprensa como alvo principal. E não poupou críticas aos jornais brasileiros que, segundo ele, torceram contra seu governo.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Entre os convidados para o bate-papo, transmitido ao vivo pelo Blog do Planalto, havia os que usam a internet para uma espécie de guerra santa contra a cobertura das grandes empresas de comunicação.

O Cloaca News, por exemplo, avisa, logo na capa, que publica “as últimas do jornalismo de esgoto e dos coliformes da imprensa golpista”. E diz que tem a seguinte missão: “Desmascarar a máfia midiática que infesta nosso país”.

No encontro com o presidente, a assessoria apresentou o representante do blog, William Barros, como o “Senhor Cloaca”. E foi assim que Lula se dirigiu a ele: “Senhor Cloaca”.

No blog, há textos com ataques a todos que fazem críticas ao governo. Os artigos sobre Lula têm principalmente referências elogiosas a entrevistas dadas no exterior.

Há também um texto da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) com críticas ao governo. O blog fala que a CNBB liberou bispos para “esculhambarem” o governo, mas depois não assumiu.

O Cloaca resume o caso no título: “Vão arder no mármore do inferno”.

Durante a campanha, logo após o episódio em que Serra foi atingido por um objeto, o blog postou vários textos ironizando o poder de fogo de uma bolinha de papel. E até incluiu uma ficha do Dops da Bolinha, numa referência à suposta ficha da presidente eleita, Dilma Rousseff, publicada na imprensa.

Entre os convidados havia ainda o Blog do Miro, de Altamiro Borges, que diz ter montado na internet “uma trincheira contra a ditadura midiática”. Ele reproduziu no blog e-mail que circulou na internet com o título: “45 razões para não votar em Serra”.

Também participaram da entrevista Altino Machado (Blog do Altino), Maria Flor (Blog da Maria Flor), Eduardo Guimarães (Cidadania), Leandro Fortes (Brasília, Eu Vi), Pierre Lucena (Acerto de Contas), Renato Rovai (Blog do Rovai), Rodrigo Vianna (Escrevinhador) e Túlio Vianna (Blog do Túlio Vianna).

Lula pediu a um assessor para identificar os blogueiros antes de cada pergunta. Rovai explicou que a entrevista foi pedida em agosto, durante o I Encontro de Blogueiros Progressistas, em São Paulo. Foram escolhidos dez para participar do encontro.

— É a primeira vez que um presidente recebe a blogosfera no Palácio do Planalto. Isso sinaliza um outro momento no contexto midiático nacional — elogiou o jornalista.

A partir dali, o encontro se transformou numa trincheira de um dos mais duros ataques do presidente à imprensa.

Estimulado pelos blogueiros, Lula criticou a cobertura da mídia. Disse que o setor precisa de regras de atuação e defendeu restrições ao capital externo no controle de empresas de comunicação. Segundo ele, regulação não é crime; censura é que é crime:

— Tenho problemas, são públicos, na minha relação com o que vocês chamam agora de mídia antiga. De vez em quando eu digo que vou ter orgulho de ter terminado meu mandato sem ter almoçado em nenhum jornal, em nenhuma revista, em nenhum canal de televisão. Não precisei almoçar, não precisei jantar para poder sobreviver. Sei que durante muito tempo eles torceram para me derrotar. Mas eu sei que sou o resultado da liberdade de imprensa nesse país.

Lula apontou o dia do acidente com o avião da TAM, em SP, como o mais triste dos 8 anos de governo. Críticos responsabilizaram a fiscalização das condições da pista — e portanto, o governo — pelo acidente.

— O dia em que sofri mais foi no acidente do avião da TAM em Congonhas. Nunca vi tanta leviandade… Foi o dia mais nervoso da minha vida. Não quero que isso se repita — disse Lula.

Segundo ele, o governo deve preparar um projeto até o fim do ano para que Dilma encaminhe ao Congresso.

Lula sustenta que é necessário criar mecanismos que permitam a punição de autores de denúncias falsas.

O Globo/Blog do Noblat

Panfletos contra o PT foram feitos em gráfica de partidário do PSDB

A Polícia Federal apreendeu ontem, por determinação da Justiça Eleitoral, cerca de 1 milhão de panfletos que pregam voto contra o PT devido à posição favorável à descriminalização do aborto.

A gráfica que imprimia os jornais pertence à irmã do coordenador de infraestrutura da campanha de José Serra (PSDB), Sérgio Kobayashi.

Arlety Satiko Kobayashi é dona de 50% da Editora Gráfica Pana Ltda, localizada no Cambuci, na capital paulista.

A empresária é filiada ao PSDB desde março de 1991, segundo registro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O ministro do TSE Henrique Neves concedeu liminar para a apreensão dos panfletos atendendo a representação do PT para apuração de crime de difamação.

O partido também pede investigação sobre quem pagou a impressão do material.

Sérgio Kobayashi atribuiu ontem a uma coincidência o fato de a gráfica Pana ter sua irmã como sócia. A assessoria da campanha de Serra negou qualquer relação entre o candidato e a produção dos panfletos, nem por meio de encomenda, financiamento ou indicação de gráfica.

“A campanha de José Serra não aceita a insinuação de conluio de qualquer tipo entre a atividade eleitoral e a Igreja Católica. É um desrespeito à Diocese de Guarulhos e à própria Igreja imaginar que possam ser correia de transmissão de qualquer candidatura. A Igreja Católica não é a CUT”, diz a nota.

Responsável pelo contato com a gráfica, Kelmon Luís de Souza afirmou que encomendou 20 milhões de panfletos em nome da diocese e que o dinheiro para a impressão veio de “doações pesadas de quatro ou cinco fiéis”.

NOTA DA CNBB

Bispos do braço paulista da CNBB divulgaram nota ontem na qual dizem que “não patrocinam a impressão e a difusão de folhetos”.

Contudo, o bispo que assina a nota de ontem, dom Nelson Westrupp (de Santo André), presidente a Regional Sul 1 da CNBB, é um dos que assina o texto reproduzido nos panfletos apreendidos.

“O Regional Sul 1 da CNBB desaprova a instrumentalização de suas declarações e notas e enfatiza que não patrocina a impressão e a difusão de folhetos a favor ou contra candidatos”, diz a nota divulgada ontem em Indaiatuba (SP).

Os bispos que comandam a regional não quiseram falar após a apreensão dos panfletos.

Cerca de 50 bispos paulistas se reuniram durante duas horas anteontem para redigir a nota que demonstra o recuo da regional. Eles avaliaram que o erro do texto de agosto, já retirado do site da regional, foi ter citado o PT e ter feito referência a Dilma.

“O erro que foi a apresentação de siglas partidárias. Isso não poderia ter acontecido”, disse o bispo de Limeira, d. Vilson Dias de Oliveira.

Breno Costa/Folha de S.Paulo

Eleições 2010: Igreja volta a meter a colher no caldeirão da política

E prossegue a perigosa mistura de religião e política. Todos os regimes fundamentalistas, seja qual for o credo que os motive, desaguam em ditadura. A Igreja Católica, instituição que está atolada até o último botão das vestes em pedofilia, não deveria ter o desplante de apontar o dedo acusador contra qualquer pecador.

Esse arcebispo, Aldo Pagotto, não é a pessoa mais apropriada para fazer cobranças a ninguém. Agora lhe calçariam bem as sandálias da humildade em lugar das vestes de Torquemada.

Dilma Rousseff erra ao não assumir o que defendia quando ministra do governo Lula. Deveria discutir a descriminalização do aborto às claras. Não tem porque temer essa onda fundamentalista. A cada 22 segundos, dados da OMS, uma mulher faz aborto no Brasil, e a cada dois dias uma morre. As que podem abortam em clínicas sofisticadas, enquanto as Marias, Josefas e Raimundas se arriscam nos barracos abortivos espalhados na periferia das grandes cidades, muito apropriadamente apelidados de “fábricas de anjos”.

Aborto não é questão de religião. É questão de saúde pública. Fingir que essa realidade não existe é tão criminoso quanto o aborto em si.

É lastimável que o Brasil, Estado laico, volte a debates que jaziam incinerados na inquisição da idade média. Debate falso e eleitoreiro, enquanto as questões cruciais que afligem os Tupiniquins são deixadas de lado pelos dois ilusionistas candidatos à presidência da república, farinhas estragadas do mesmo saco, Serra e Dilma.
O Editor
PS 1. O menos alfabetizado dos brasileiros sabe que a legislação sobre aborto é competência do Congresso Nacional e não do Presidente da República. Seja ele(a) quem for.
PS 2. Pessoalmente sou contra o aborto. Em quaisquer circunstâncias. Inclusive nos casos admitidos previsto no Código Penal Brasileiro, art. 128.


Arcebispo da Paraíba acusa PT e Dilma de mentirem

Mesmo empenhados em convencer o eleitorado cristão de que sempre foi contra o aborto, a candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, foi novamente criticada por um religioso acerca do assunto.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Em vídeo de 15 minutos divulgado no Youtube, o arcebispo metropolitano da Paraíba, dom Aldo Pagotto, acusa a candidata de mentir para eleitores sobre seus verdadeiros projetos para a país.

Segundo o bispo, o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio das ações de seu governo, contraria uma carta que ele teria escrito de próprio punho e encaminhado à Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB) negando que estivesse disposto a legalizar o aborto no país.

– Estamos diante de um partido (o PT) que está institucionalmente comprometido com a instalação da cultura do morte no nosso país, que proíbe seus membros de seguirem suas próprias consciências e que se utiliza calculadamente da mentira para enganar eleitores sobre seus verdadeiros projetos à Nação.

Não podemos nos calar. A verdade nos libertará – advertiu dom Pagotto no vídeo.

O arcebispo lembra ainda que, em 2007, o PT aprovou uma resolução que incluindo a legalização do aborto e um novo estatuto que exigia, como requisito para ser candidato pela legenda, a concordância com as normas e resoluções partidárias.

Ele destacou também que em 2008 os deputados petistas Luiz Bassuma e Henrique Afonso foram acusados e condenados de terem ferido a ética do partido, após se posicionarem contra a aprovação do projeto de lei que legalizaria o aborto no país.

Adriana Vasconcelos/O Globo

Comissão da CNBB sai em defesa de Dilma

A Comissão Brasileira Justiça e Paz, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), manifestou-se, por meio de nota, “preocupada com o momento político na sua relação com a religião”.

“Muitos grupos, em nome da fé cristã, têm criado dificuldades para o voto livre e consciente”, afirmou a entidade, no comunicado.

A manifestação deve endereço certo: o bispo de Guarulhos (SP), d. Luiz Gonzaga Bergonzini, que tem pregado o voto contrário à candidata petista Dilma Rousseff e um debate sobre o aborto que tomou conta das campanhas dos dois candidatos à Presidência.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

“Dos males, o menor”, tem dito d. Luiz Gonzaga, ao defender o voto contrário a Dilma que, segundo ele, apoia o aborto.

O bispo tem usado suas missas para acusar Dilma e o PT de terem incluído em seu programa de governo a defesa do aborto. Guarulhos, na Grande São Paulo, tem 1,3 milhão de habitantes.

Para o secretário-executivo da Comissão Justiça e Paz, Daniel Veitel, Dilma foi a única candidata que se declarou claramente a favor da vida. “O José Serra (presidenciável do PSDB) não tem uma posição clara”, criticou.

Veitel lembrou que a CNBB não impôs veto a ninguém nas eleições.

Afirmou ainda que alguns grupos continuam induzindo erroneamente os fiéis a acreditarem nisso.

“Constrangem nossa consciência cidadã, como cristãos, atos, gestos e discursos que ferem a maturidade da democracia, desrespeitam o direito de livre decisão, confundindo os cristãos e comprometendo a comunhão eclesial”, afirma a nota da comissão.

João Domingos, Agência Estado

Bispo brasileiro troca a Teologia da Libertação pela Teologia da Inseminação e apóia Lugo, o fornicador de batina

Dom Tomás Balduino, bispo emérito de Goiás, é presidente da CPT (Comissão Pastoral da Terra). A CPT segue os ensinamentos da Escatologia da Libertação e é parceira do MST em alguns de seus crimes – além de apoiar todos os outros. A versão rural da Escatologia da Libertação é o que já batizei aqui de “Teologia Babuínica” – com todo respeito àqueles nossos parentes que têm a cara feia e o traseiro colorido.

Pois bem. Balduíno teve a coragem de enviar uma carta de solidariedade ao grande “pai” do Paraguai, o presidente rompedor Fernando Lugo. Assim, como a gente vê, Balduíno troca a Teologia da Libertação dos pobres pela Teologia da Inseminação (como disse um leitor) das “pobras”.

Acompanho política há um bom tempo. Lembro-me de poucos picaretas da estirpe deste tal Lugo. Ontem, como viram, distorceu o sentido de uma frase de Terêncio – “Sou homem: nada do que é humano me é estranho” – para tentar justificar as próprias imposturas. O dramaturgo e poeta latino nos deu um emblema de tolerância com as diferenças, não uma licença para a amoralidade. Mais: Lugo mergulhou fundo na canalhice: “pessoa humana imperfeita, resultado de processos históricos, perfil da minha cultura, assumirei com todas as responsabilidades as situações que me concernem”. Essa glossolalia quer dizer que o ex-bispo fornicador considera que todo o Paraguai – quiçá as “veias abertas” da América Latina… – é responsável por aquilo que ele faz com o seu bigolim, com a sua minhoquinha descuidada. Esse cara-de-pau, já coroa, já bispo, fez sexo com uma garota de 16 anos que ele havia crismado – ou que crismou depois… Não sei o que consegue ser pior.

A carta de Balduíno é pura pornografia moral. Elogia Lugo por ter reconhecido o filho (um deles…) e recomenda: “Continue assim, caro Irmão, coerente com a inspiração evangélica, ao testemunhar, com clarividência e humanidade, o inestimável valor do relacionamento entre o homem e a mulher”. Os bispos paraguaios pediram perdão à população do país pelos atos de Lugo – que, afinal de contas, era um deles. Balduíno trata assim a hierarquia católica: “receio que este pedido de perdão não se refira às omissões da Igreja com relação aos poderosos da política e ao sofrimento do povo durante os anos de tirania do governo paraguaio.” E, claro, culpa a “mídia” por tudo – sobra até para a “mídia brasileira”…

Os inimigos que estão fora de nossas fileiras inimigos são. Os que estão dentro são demônios. Balduíno se coloca como inimigo da Igreja e está dentro dela. Como se vê, as sandices do MST e da CPT no Brasil se explicam também pelas palavras de seu pastor. Essa gente corrói a Igreja por dentro. Segue a carta de Balduíno a Lugo, a quem ele abraça com “fraterna amizade” (cuidado com o estômago):

do blog do Reinaldo Azevedo

Caro Amigo Presidente Fernando Lugo,

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Igreja pega leve com Fernando Lugo

Palpiteira e dogmática em todo e qualquer assunto — até dos que não entende, por não praticar, como o casamento — a igreja católica, qual um PSDB teológico, opta pela dissimulação quando é chamada a se manifestar a respeito do seu (dela) ex-bispo. Nada contra, mas até que entre em vigor algum novo decreto canônico o celibato é questão fechada na taba de Herr Ratzinger.

Os Tupiniquins, que não perdem a chance de uma gaiatice, já apelidam o país vizinho de Pairaguai.

O editor

Igreja pega leve com Lugo

Filhos fora do casamento, todos nós os temos, não é mesmo? É o tipo de “acidente de percurso” que pega até os mais cautelosos na curva e que não faz distinção entre pessoas de bom ou mau caráter. E, muitas vezes, pela graça de Deus, o rebento não planejado acaba se tornando uma bênção na vida dos pais.

Neste nosso canto de mundo, não damos muita bola para o que as pessoas fazem entre os lençóis. Arrisco dizer que, se Bill Clinton tivesse sido presidente do Brasil ou do Paraguai, seu maior problema em relação ao affair Monica Lewinsky teria sido renovar a fleuma ao abrir o jornal a cada café da manhã, a fim de digerir as piadas do Zé Simão.

Vejo em uma pesquisa informal realizada por um site de notícias que a maioria dos internautas tapuias que se dispuseram a responder não vê nada de mais no fato de o presidente do Paraguai, o ex-bispo da Igreja Católica Fernando Lugo, 57, ser pai de um número até agora incerto de filhos bastardos.

Apenas 5,36% acham que ele deveria perder seus direitos políticos. A maioria, 34,18%, acredita que Lugo deve ser obrigado a pagar pensão e não se fala mais nisso. Bem, só faltaria o presidente, que está sendo chamado de “o pai do Paraguai”, não se ter conscientizado de que terá de fazer muita hora extra se quiser ver toda a prole na universidade.

Acontece que, além de presidente, Fernando Lugo é ex-clérigo. E que os filhos (aparentemente, existiriam até seis reivindicações conhecidas de paternidade até o momento) foram gerados quando ele ainda era representante da igreja.

Na quarta-feira, a terceira mulher veio a público para revelar que teve um filho com ele. A ex-coordenadora de uma pastoral paraguaia, Damiana Morán, 39, disse que um de seus meninos, de um ano, é fruto de “uma explosão de sentimento” perpetrada em sintonia com o ex-bispo. O nome do rebento? Juan Pablo, em homenagem ao papa João Paulo 2º.

Não é irônico que o bebê com o nome do santo padre tenha sido concebido no que a Igreja Católica define como pecado?

De minha parte, folgo em saber que um ex-bispo e uma mulher aparentemente mais devota do que a média são tão falíveis quanto o resto de nós, que, por mais que nos esforcemos, estamos sempre operando aquém das expectativas da igreja.

Essa mesma igreja que, na quarta-feira, por meio de dom Orani Tempesta, um dos porta-vozes da CNBB, emitiu a seguinte opinião sobre o caso: “Cada pessoa responde à fidelidade ou à infidelidade daquilo que promete. Acho que não cabe à igreja julgar ninguém, mas a cada um de nós, vendo as coisas, dizer se está sendo fiel àquilo com que se comprometeu”.

Êpa, ôpa! Sinto aí um certo corporativismo em defesa do ex-colega. Se entendi direito, o bispo que virou presidente pode errar e se arrepender e não caberá a ninguém julgá-lo. Mas, quando os africanos decidem ser fiéis à ideia de usar preservativos para se defenderem de doenças sexualmente transmissíveis, aí a danação do inferno cai sobre eles. Ou, quando a mãe de uma menina estuprada pelo padrasto decide que a filha deve abortar, ela corre o risco de ser excomungada. E, quando os gays… Bem, deixa para lá, não é preciso ser teólogo para entender que existe tratamento VIP para uns e cadeira na geral do inferno para os menos privilegiados.

blog da Barbara Gancia

CNBB considera excomunhão ligada ao aborto ‘excepcionais’

Suas (deles) Eminências parecem estar sendo iluminadas pelo Espírito Santo. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil,CNBB, se manifestade forma mais “branda” sobre o caso do aborto que envolveu a criança de nove anos que foi estuprada.

‘Excomunhões ligadas ao aborto de PE foram excepcionais’

Sem desautorizar o arcebispo de Recife, membros da CNBB classificam o caso como ‘dramático’

Apesar de terem apoiado a manifestação do bispo de Recife e Olinda sobre a excomunhão das pessoas envolvidas no aborto de uma menina de nove anos, estuprada pelo padrasto, duas autoridades da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) destacaram que o caso foi “excepcional” e “dramático”.

Sem desautorizar o arcebispo de Recife, o secretário-geral da CNBB, D. Dimas Lara da Rosa, disse que não considera que os pais da menina, que autorizaram o aborto, estão excomungados. Afirmou ainda que “não há elementos para dizer que qual médico esta excomungado e que qual não está”. Segundo D. Dimas, só estarão excomungados os profissionais “conscientes e contumazes” da prática do aborto.

De Luciana Nunes Leal, de O Estado de S. Paulo

Bento XVI, excomunhão, má jornalismo,eleições 2010 e corrupção

Notas “pescadas” do sempre lúcido e incisivo jornalista Hélio Fernandes. Embaixo da rua ladrilhada com brilhantes pela mídia subserviente, o grande jornalista mostra que subsiste o lodo.

A depressão dos católicos diante da excomunhão determinada pelo Vaticano assustadora. Não há explicação para a imprudência e a subserviência.

O mundo capitalista se ajoelha diante da China “comunista” e pede socorro. Não estão satisfeitos com o pacote de 585 BILHÕES, que serviriam principalmente para a importação. A China prometeu rever o total, até agora, nada. Os “capitalistas” pedem muito.

O governo da China não está “irritado ou revoltado” com a insatisfação capitalista. Pelo contrário. Gosta de se sentir “fiel da balança”, desculpem a rotina. Mas é assim mesmo. A China poderosa e se fortalecendo com a crise.

Warren Buffet para o “New York Times”: “Os Estados Unidos levarão 5 anos para a recuperação”. Nota mil. Venho dizendo isso há muito tempo, antes da posse de Obama.

Seria ilógico e não compreensível que essa “crise colossal” pudesse se recuperar em apenas 1 ano, ou seja, até o fim de 2009. Em 2015 a crise ainda estará visível.

Bento XVI em reuniões longas e incessantes, por causa da excomunhão de médicos e da mãe da menina estuprada. Falou pelo telefone com membros da CNBB, não há solução.

Larry Rother, que foi correspondente do “New York Times”, no Brasil, diz em entrevista: “O governo Lula é o mais corrupto da História”. Pelo visto, Rother não aprendeu nada aqui e esqueceu o pouco que sabia.

O governo mais corrupto dos 509 anos do Brasil (vá lá, excluídas as ditaduras) é o de FHC. Não quero defender o governo Lula. Mas cada uma das DOAÇÕES-PRIVATIZAÇÕES de FHC representa o roubo do nosso patrimônio. I-n-c-o-m-p-a-r-á-v-e-l.

O jornalista dos EUA, visivelmente, quer se vingar do equívoco colossal do governo Lula, ao tentar expulsá-lo. Faz jornalismo com ódio, devia fazer com informação e opinião.

Brasília parece o futebol, uma “caixinha de surpresa”. Agora é oficial: a capital tem a renda per capita, desculpem, mais alta do País. Centro da corrupção, da mordomia e do desperdício, talvez isso tudo impulsione os números.

Surpreendente: Serra mais preocupado com a sua própria sucessão em SP do que com a condição de presidenciável. Motivo: quem comandará a máquina administrativa em 2010?

Não tem a menor confiança no ex-stalinista Goldman, que assumirá em 31 de março de 2010. O que fazer com Kassab e Alckmin, um favorecido o outro prejudicado? E queria José Anibal?

CNBB bate duro no Ministro Gilmar Mendes

Comissão da CNBB acusa Gilmar Mendes de ser “parcial”

Nota distribuída pela Secretaria Nacional da Comissão Pastoral da Terra da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil:

“Ai dos que coam mosquitos e engolem camelos” (MT 23,24)

A Coordenação Nacional da CPT diante das manifestações do presidente do STF, Gilmar Mendes, vem a público se manifestar.

No dia 25 de fevereiro, à raiz da morte de quatro seguranças armados de fazendas no Pernambuco e de ocupações de terras no Pontal do Paranapanema, o ministro acusou os movimentos de praticarem ações ilegais e criticou o poder executivo de cometer ato ilícito por repassar recursos públicos para quem, segundo ele, pratica ações ilegais. Cobrou do Ministério Público investigação sobre tais repasses.

No dia 4 de março, voltou à carga discordando do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, para quem o repasse de dinheiro público a entidades que “invadem” propriedades públicas ou privadas, como o MST, não deve ser classificado automaticamente como crime.O ministro, então, anunciou a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do qual ele mesmo é presidente, de recomendar aos tribunais de todo o país que seja dada prioridade a ações sobre conflitos fundiários.

Esta medida de dar prioridade aos conflitos agrários era mais do que necessária. Quem sabe com ela aconteça o julgamento das apelações dos responsáveis pelo massacre de Eldorado de Carajás, (PA), sucedido em 1996; tenha um desfecho o processo do massacre de Corumbiara, (RO), (1995); seja por fim julgada a chacina dos fiscais do Ministério do Trabalho, em Unaí, MG (2004); seja também julgado o massacre de sem terras, em Felisburgo (MG) 2004; o mesmo acontecendo com o arrastado julgamento do assassinato de Irmã Dorothy Stang, em Anapu (PA) no ano de2005, e cuja federalização foi negada pelo STJ, em 2005.

Quem sabe com esta medida possam ser analisados os mais de mil e quinhentos casos de assassinato de trabalhadores do campo. A CPT, com efeito, registrou de 1985 a 2007, 1.117 ocorrências de conflitos com a morte de 1.493 trabalhadores. (Em 2008, ainda dados parciais, são 23 os assassinatos). Destas 1.117 ocorrências, só 85 foram julgadas até hoje, tendo sido condenados 71 executores dos crimes e absolvidos 49 e condenados somente 19 mandantes, dos quais nenhum se encontra preso. Ou aguardam julgamento das apelações em liberdade, ou fugiram da prisão, muitas vezes pela porta da frente, ou morreram.

Causa estranheza, porém, o fato desta medida estar sendo tomada neste momento. A prioridade pedida pelo CNJ será para o conjunto dos conflitos fundiários ou para levantar as ações dos sem terra a fim de incriminá-los? Pelo que se pode deduzir da fala do presidente do STF, “faltam só dois anos para o fim do governo Lula”… e não se pode esperar, “pois estamos falando de mortes” nos parece ser a segunda alternativa, pois conflitos fundiários, seguidos de mortes, são constantes. Alguém já viu, por acaso, este presidente do Supremo se levantar contra a violência que se abate sobre os trabalhadores do campo, ou denunciar a grilagem de terras públicas, ou cobrar medidas contra os fazendeiros que exploram mão-de-obra escrava?

Ao contrário, o ministro vem se mostrando insistentemente zeloso em cobrar do governo as migalhas repassadas aos movimentos que hoje abastecem dezenas de cidades brasileiras com os produtos dos seus assentamentos, que conseguiram, com sua produção, elevar a renda de diversos municípios, além de suprirem o poder público em ações de educação, de assistência técnica, e em ações comunitárias. O ministro não faz a mesma cobrança em relação ao repasse de vultosos recursos ao agronegócio e às suas entidades de classe.

Pelas intervenções do ministro se deduz que ele vê na organização dos trabalhadores sem terra, sobretudo no MST, uma ameaça constante aos direitos constitucionais.

O ministro Gilmar Mendes não esconde sua parcialidade e de que lado está. Como grande proprietário de terra no Mato Grosso ele é um representante das elites brasileiras, ciosas dos seus privilégios. Para ele e para elas os que valem, são os que impulsionam o “progresso”, embora ao preço do desvio de recursos, da grilagem de terras, da destruição do meio-ambiente, e da exploração da mão de obra em condições análogas às de trabalho escravo.

Gilmar Mendes escancara aos olhos da Nação a realidade do poder judiciário que, com raras exceções, vem colocando o direito à propriedade da terra como um direito absoluto e relativiza a sua função social. O poder judiciário, na maioria das vezes leniente com a classe dominante é agílimo para atender suas demandas contra os pequenos e extremamente lento ou omisso em face das justas reivindicações destes. Exemplo disso foi a veloz libertação do banqueiro Daniel Dantas, também grande latifundiário no Pará, mesmo pesando sobre ele acusações muito sérias, inclusive de tentativa de corrupção.

O Evangelho é incisivo ao denunciar a hipocrisia reinante nas altas esferas do poder: “Ai de vocês, guias cegos, vocês coam um mosquito, mas engolem um camelo” (MT 23,23-24).

Que o Deus de Justiça ilumine nosso País e o livre de juízes como Gilmar Mendes!

Goiânia, 6 de março de 2009.

Dom Xavier Gilles de Maupeou d’Ableiges, Presidente da Comissão Pastoral da Terra