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Os potenciais conflitos entre eólica e conservação da Caatinga

Energia Eólica,Ciência,Energia,Meio Ambiente,Blog do Mesquita 01A Caatinga é a maior e mais diversificada floresta seca das Américas, mas também abriga mais de 70% da capacidade instalada e da expansão planejada da energia eólica no Brasil. Ambas as potencialidades, se não geridas corretamente, correm o risco de se tornarem conflitantes, pois uma grande proporção de parques eólicos em operação ou planejados estão ou serão instalados em áreas classificadas como de prioridade muito alta ou extremamente alta para a conservação da biodiversidade.

Esse é o alerta do artigo Green versus green? Adverting potential conflicts between wind power generation and biodiversity conservation in Brazil (Verde versus verde? Evitando potenciais conflitos entre geração de energia eólica e conservação da biodiversidade no Brasil, em português), recentemente publicado na revista Perspectives in Ecology and Conservation. Felipe Melo, professor do Departamento de Botânica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e um dos autores do artigo, concedeu entrevista para ((o))eco, esclarecendo sobre a necessidade de diálogo e estratégias para evitar conflitos entre conservação e geração de energia limpa.

O Eco: Qual a importância da Caatinga para a geração de energia eólica no Brasil? Por que a região é tão visada pelo setor eólico?

Felipe Melo: Cerca de 78% de toda a geração eólica do Brasil se concentra na Caatinga e esse valor tende a subir no futuro para mais de 80%. Essa concentração se deve ao predomínio de ventos fortes nessa região, concentrados em dois principais eixos: a Serra do Espinhaço e suas prolongações até a Chapada do Araripe e a franja litorânea entre Rio Grande do Norte e Ceará. Portanto é uma condição natural da região Nordeste do Brasil que está dominada pela Caatinga e possui as zonas com maior potencial eólico do Brasil.

Quais os principais motivos de haver sobreposição entre áreas de interesse para instalação de aerogeradores e áreas prioritárias para conservação?

“Haver sobreposição entre áreas de interesse para conservação e geração eólica não deveria ser um problema em si, mas poderia ser visto como uma dupla oportunidade, para gerar energia limpa e conservar a biodiversidade”.
Haver sobreposição entre áreas de interesse para conservação e geração eólica não deveria ser um problema em si, mas poderia ser visto como uma dupla oportunidade, para gerar energia limpa e conservar a biodiversidade. Mas no artigo mostramos que tem sido o contrário. Ao longo desses dois principais eixos de interesse eólico estão ecossistemas sensíveis como aqueles associados a ambientes montanhosos e dunas litorâneas, portanto precisam de proteção e criação de unidades de conservação. Por outro lado, as UCs podem representar um entrave para o estabelecimento de eólicas, especialmente por exigências de estudos de impacto mais detalhados e compensações ambientais mais importantes. A geração de energia, como todo negócio que visa lucro, procura manter os custos baixos e enxergam no cumprimento de condicionantes ambientais um custo alto. Este é o problema e não a sobreposição em si.

A implantação de aerogeradores causa quais tipos de impactos negativos? Em quais termos a geração de energia eólica representa um risco para a conservação da Caatinga?

Em Pernambuco, o estado praticamente retirou a proteção permanente de áreas de altitude com o explícito intuito de favorecer eólicas. O Boqueirão da Onça [na Bahia] passou anos “de molho” porque muitos interesses atuam na zona, incluindo os das eólicas. Ainda sabemos pouco sobre os impactos das eólicas ao meio ambiente, mas já sabemos que são mais severos sobre a fauna alada: aves e morcegos, que se chocam com as pás das turbinas. Ainda, como toda obra de infraestrutura, muitas vezes é necessária a abertura de estradas novas e construção de torres de transmissão. Hoje, sabemos que mais infraestrutura humana leva a mais degradação dos ecossistemas, principalmente em países subdesenvolvidos como o Brasil. Temos também os impactos sobre as pessoas e conflitos com populações tradicionais como mostramos que acontece na Ponta Tubarão, no Rio Grande do Norte. Portanto, o maior risco que a geração de eólicas representa para a Caatinga é o de se colocar em oposição à proteção ambiental desse ecossistema em vez de apoiar sua conservação como partes de uma mesma estratégia de desenvolvimento sustentável. A geração eólica é um negócio majoritariamente privado e o empresariado brasileiro ainda tem pouca tradição de participar de agendas de conservação.

Vista aérea do parque eólico de Novo Horizonte, na Bahia. Foto: PAC/ Flickr.
Quais as formas de evitar os conflitos gerados pela expansão da energia eólica sobre áreas de importância para a conservação? É possível uma coexistência verdadeiramente sustentável?

Sabendo que há sobreposição das áreas de interesse, pois há mapas de priorização tanto para a conservação quanto para o potencial eólico, deve-se promover o diálogo e entendimento para que essas áreas cumpram com todo seu potencial e não só o de ser UC ou de ser geradora de energia eólica. Por exemplo, as compensações poderiam ser no sentido de criação e implementação de áreas protegidas nas zonas afetadas por eólicas. Acredito que a geração de energia eólica e a conservação da Caatinga podem ser partes da mesma estratégia nacional de desenvolvimento sustentável, mas não podemos tomar por inerte a instalação de centenas de turbinas eólicas numa “fazenda”. São forças poderosas economicamente que, sem diálogo, podem contrapor conservação e geração de energia limpa, como já aconteceu.

A mulher que descobriu a metamorfose e se embrenhou de espartilho na Amazônia no século 17

Merian desenvolveu uma forma diferente de enxergar a natureza. Ela é considerada a primeira ecologista do mundo. Acabou desenvolvendo uma forma diferente de pensar e enxergar a natureza e, aos 52 anos, partiu para uma perigosa aventura na América do Sul, para detalhar os ciclos de vida de borboletas, mariposas e outros insetos. Foi também uma desenhista excepcional.

Os feitos de Merian, numa época em que pouca gente desbravava o continente americano abaixo da linha do Equador – em especial as mulheres -, deram a ela a fama de primeira ecologista do mundo.

Ela nasceu na Alemanha em 1647, numa família de editores, escultores e comerciantes, e logo cedo aprendeu a arte da ilustração.

O interesse pelos insetos surgiu no próprio jardim da casa de Merian, ainda na infância.

Aos 13 anos, ela decidiu pintar o ciclo de vida de um bicho da seda numa época em que o comércio da seda era muito importante em Frankfurt.

Para registrar em imagens o bicho da seda, decidiu fazer uma pesquisa meticulosa, na qual anotava tudo o que prejudicava e ajudava sua ‘criação de lagartas’.

Colocou as lagartas em cones de papel para que os casulos fossem tecidos neles e as alimentou com alface, porque não conseguiu folhas de amoreira. Nas anotações, questionava se era melhor oferecer folhas molhadas ou secas; se tempestades faziam diferença na evolução dos casulos…

A observação cautelosa resultou em uma série completa de desenhos de todo o ciclo: ovos, lagartas, pupas, e, finalmente, borboletas e mariposas.

O interesse da infância acabou se transformando em paixão de uma vida toda.Desenho de Maria Merian

Imagem: Science Photo Library

Metamorfose: ovos, lagartas, casulos e, finalmente, borboletas

Merian se casou e teve duas filhas, sem abandonar seu fascínio pelos insetos. Passava horas investigando o próprio jardim e convencia amigos a lhe darem acesso a parques.

Seus registros simplesmente descreviam o que observava: “grandes números de … lagartas douradas, amarelas e pretas … na grama do poço … da Universidade de Nuremberg”.

Mas o interesse por ciclos completos fica claro nas anotações. Numa delas, ela escreveu: “Eu encontrei uma grande quantidade de limo verde nas folhas verdes dos lírios dourados … Eu toquei com a minha vara e parecia que as folhas estavam apodrecendo, e então encontrei muitas criaturas pequenas, vermelhas, semelhantes ao besouro na concha. Pequenos … Levei vários deles para investigar o que eles se tornarão”.

Ainda que na época de Merian fosse comum pintar flores e insetos para ornar porcelanas e outros objetos, era atípico o interesse sobre como esses bichos viviam, se reproduziam e se desenvolviam. Poucos faziam de tudo para observá-los na natureza e analisar como se desenvolviam.Flores e borboletas

Imagem: Science Photo Library

Merian desenvolveu um interesse peculiar que ia além da simples pintura de plantas e insetos

A metamorfose ignorada
Em 1670, Merian publicou o livro A maravilhosa transformação e peculiar alimentação das lagartas, uma obra ilustrada com 50 telas de borboletas em todas as fases do ciclo e com as plantas das quais se alimentavam.

No prefácio do livro, Merian afirmou: “Todas as lagartas, sempre quando as borboletas se acasalam de antemão, emergem de seus ovos”.

As descobertas de Merian, que registrou em texto e imagens a metamorfose, passaram quase despercebidas. O livro estava escrito em alemão e, naquela época, o idioma oficial da ciência era o latim.

Cenas do Suriname que Merian jamais encontraria no próprio jardim | Imagem: Science Photo Library
Ainda assim, a obra de Merian vendeu razoavelmente bem a ponto de lhe garantir uma renda que a permitiu embarcar para uma aventura em busca de mais detalhes do mundo insetos.

Destino: América do Sul
Em 1699, Merian tinha 52 anos e a filha caçula, Dorotea, 21. As duas embarcaram sozinhas de Amsterdã com destino ao Suriname, país vizinho da Venezuela e do Brasil.

A alemã tinha visto insetos da América do Sul em coleções europeias e viajou decidida a observar algo a mais: as coisas que não existiam em seu jardim europeu e que ainda não haviam sido catalogadas.Desenho de Maria Merian

Imagem: Science Photo Library

Três etapas da metamorfose, na ilustração de Maria Merian. Mãe e filha ficaram dois anos no Suriname.

Viajaram pelo interior do país, explorando e desenhando não apenas insetos como também cenas da vida real.

Apesar do calor tropical e da umidade, Merian continuava usando as roupas europeias com anágua e espartilho. Vestida assim, ela desbravava a selva amazônica à procura de lagartas. Fez isso mais de um século antes de Charles Darwin fazer fama ao cruzar o Atlântico.

Ainda adolescente, Maria Merian registrou a metamorfose sob a forma de desenhos que capturavam cenas do próprio jardim
Os desenhos de Merian no Suriname, assim como os que fizera na Europa, destoavam dos trabalhos de sua época. Em vez de fazer associações religiosas, muito comuns naquela época, ela simplesmente descreveu o que via.

Enquanto alguns pesquisadores tentavam separar e catalogar espécies, ela procurava o que os animais tinham em comum e tentava descobrir como faziam para sobreviver.

Os registros de Merian ainda hoje são considerados os mais completos de algumas espécies do Suriname.Aranhas e formigasAs ilustrações de Merian não se limitavam a lagartas e borboletas
As ilustrações e anotações da alemã podem ser usadas para entender como os insetos se adaptaram às mudanças climáticas nos últimos 300 anos, uma vez que ela desbravou o Suriname antes de muitas intervenções humanas.

O trabalho dela continua sendo relevante para o universo acadêmico e para a preservação do meio ambiente. Por isso, muita gente a considera a primeira ecologista do mundo.Desenho de Maria Merian no Suriname

Imagem: Science Photo Library

Merian ainda é pouco reconhecida por suas descobertas científicas
Além disso, os desenhos e escritos dessa alemã que descobriu a metamorfose jogaram por terra a ideia de geração espontânea. Repolhos deixaram de ser vistos como produtores de lagartas.

No entanto, o nome de Maria Merian continua sendo pouco lembrado pela ciência.desenho de uma penca de banana

Imagem: Science Photo Library

Merian ficou dois anos no Suriname
Um dos seus grandes talentos acabou sendo um dos seus pontos mais fracos.

As pinturas de Merian eram tão deslumbrantes que acabaram ofuscando suas descobertas científicas. À medida em que os livros foram sendo reeditados e reimpressos, os textos científicos acabaram sendo eliminados, ficando somente as imagens.

Merian morreu em 1717. Três séculos depois de sua morte, a borboleta pode, finalmente, estar saindo do casulo.

Ciência,Redes Sociais,Telecomunicações,Tecnologia,Comportamento,Tecnologia

Uma semana com o Punkt, o ‘anticelular’

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Imagem em que a companhia anuncia que se esgotaram as unidades do telefone. PUNKT

A ideia era tentadora: experimentar um celular de alta tecnologia que não tivesse Internet — e, portanto, nem redes sociais nem WhatsApp. Um celular como os de antigamente, daqueles que só fazem e recebem ligações. Do jeito que somos bombardeados por notificações, transformar-se em uma espécie de eremita 2.0, ainda que temporariamente, é um desafio que parece muito difícil recusar. A fabricante suíça Punkt trouxe em 2017 para o mercado essa ideia maluca de um celular que ajudasse as pessoas a se desconectar, e agora lançou sua segunda versão, MP 02, que por enquanto está com o aviso de “estoque esgotado” em sua loja online.

É um celular marcante, e isso se nota assim que é retirado da caixa: é como voltar para 1999, quando a gente inseria o SIM em um Nokia 3210 de tela monocromática. E realmente não há grandes diferenças no primeiro impacto: o Punkt oferece a mesma estrutura, com teclado numérico e tela de uma só cor, sem nenhuma concessão para entretenimento ou distrações, porque é disso que se trata. O próprio nome, Punkt, significa “ponto” em alemão — um ponto final nas distrações e a volta a um novo mundo em que a única notificação no celular é a dos telefonemas e mensagens SMS.

Uma desconexão ‘premium’

A segunda geração do Punkt revive a sensação de ter um aparelho que, apesar de suas funcionalidades espartanas, é de alta tecnologia: bem acabado e com um encaixe na mão que já tínhamos esquecido. Como não tem uma tela dedicada ao entretenimento, o Punkt pode ser segurado facilmente e cabe em qualquer bolso. O fato de ser tão austero em benefícios tem uma segunda vantagem, mais interessante: sua bateria dura, teoricamente, 12 dias com uma só carga. Mas sempre há algo que nos lembra de que estamos em 2019: a fabricante alerta para a existência de uma atualização importante do firmware do dispositivo, que chega sem fio (OTA) quando ele se conecta a uma rede WiFi. A porta USB-C também mostra que o aparelho está muito à frente daquele mítico Nokia.

Uma semana com o Punkt, o ‘anticelular’

Mas a provocação chega em forma de vertigem no primeiro dia de uma semana não apta para os mais engajados nas redes sociais e no WhatsApp. Quando retiramos o SIM do smartphone e o inserimos neste ousado dispositivo, foi como apagar a luz em um teatro: o silêncio absoluto e a certeza de estar condenado a uma angustiante ou agradável (dependendo do ponto de vista) desconexão. “O mundo de hoje é dominado pela tecnologia e estamos excessivamente distraídos com ela”, afirma o fundador da Punkt, Petter Neby, que destaca o espírito do dispositivo: recuperar o tempo que perdemos por culpa da evolução da tecnologia. E será que podemos alcançar essa desconexão sem “morrer” digitalmente? Porque desaparecer do mundo virtual é simples: basta jogar o smartphone no lixo e reviver algum Nokia antigo que acumula pó em uma gaveta.

Mas não é isso o que a Punkt propõe. A empresa inverte essa abordagem, e é aqui que o assunto fica realmente interessante: se quisermos acessar a Internete ficar conectados de novo, o MP 02 permite, mas para isso devemos usar um segundo dispositivo (PC ou tablet), ao qual ele dará conexão à rede. Sim, o Punkt serve como hot spot 4G que nos dará acesso à Internet a partir do dispositivo portátil se realmente precisarmos, como por exemplo em um aeroporto ou em uma escapada de fim de semana. O Punkt é, na verdade, um celular Android que usa a plataforma segura do BlackBerry, que garante que nossos dados fiquem fora do alcance dos hackers.

Um Android com BlackBerry, conexão 4G e dirigido a um segmento premium… Sim, o Punkt não é exatamente barato se o medirmos nos termos de um celular não inteligente: 379 euros (1.659 reais) pelo aparelho que permite uma desconexão de luxo.

Estar desconectado dá a sensação de estar sempre perdendo algo e de que os entes queridos estão em uma situação de risco enquanto passeamos no parque sem mais distrações do que o canto dos pássaros. Trata-se do temido FOMO (Fear of Missing Out), o medo de estar perdendo algo, um distúrbio do qual, infelizmente, quase ninguém escapa.

Uma semana com o Punkt, o ‘anticelular’

Ao conectar o celular ao laptop, foram chegando as mensagens e os alertas de todos os tipos, e sim, nada era realmente importante, pelo menos não o suficiente para ficar com o coração na mão olhando a tela o a todo momento. Ao fechar o laptop, a calma e o silêncio retornam. De repente, percebemos que temos mais tempo para tudo e descobrimos a grande armadilha na qual caímos com tanto prazer: não precisamos realmente nem do Instagram, nem do correio eletrônico, nem do WhatsApp, pelo menos não 24 horas por dia nem em nossos bolsos. Se algo for urgente, vão nos telefonar.

Os dias passaram e a curiosidade inicial do teste se transformou em tédio: certo, não há nenhum problema em se desconectar, mas como é bom receber aquele WhatsApp dos amigos ou passar alguns minutos olhando fotos no Instagram. O Punkt é muito bom como segundo celular ou como dispositivo de luxo. Qual o privilégio maior que não ter que depender do WhatsApp? O aparelho é top e também pode ser um símbolo de status. Mas a experiência fica nisso, uma aventura, e voltar a estar conectado foi simplesmente delicioso. Punkto e vírgula.
JOSÉ MENDIOLA ZURIARRAIN

Ciência,EUA,China,Tecnologia,Computação Quântica

Entenda o que é tecnologia quântica, novo campo de batalha entre EUA e China

Ciência,EUA,China,Tecnologia,Computação QuânticaTecnologia quântica substituiria o sistema binário usado na computação atualmente 

A informação circulou apenas em veículos especializados: o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia dos Estados Unidos publicou, em setembro, sua nova estratégia para o desenvolvimento da Ciência da Informação Quântica (CIC).

O relatório de 15 páginas recomenda objetivos que o governo de Donald Trump deve perseguir para desenvolver e fortalecer suas capacidades de tecnologia quântica – que, basicamente, consiste em trocar o sistema binário atual da computação tradicional por um sistema baseado em pequenas moléculas, o que permitiria uma ampliação exponencial na forma como se processa informação.

Para discutir as estratégias apresentadas, foram convidados à Casa Branca funcionários do governo e representantes das grandes empresas tecnológicas e financeiras do país, como Alphabet (holding que engloba o Google), IBM, JP Morgan Chase, Lockheed Martin, Honeywell e Northrop Grumman (essas três últimas dedicadas à indústria aeroespacial e de defesa).

Também foi anunciado um investimento de US$ 249 milhões (R$ 966,5 milhões) para levar a cabo 118 projetos vinculados a esse campo científico.

Do outro lado do mundo, na China, está em curso um movimento similar: o governo de Pequim está construindo um novo Laboratório Nacional de Ciências da Informação Quântica em Hefei, a um custo de US$ 10 bilhões, que deve ser inaugurado em 2020.

Isso ocorre após o lançamento, há dois anos, do que foi descrito como o primeiro satélite quântico de comunicações, e do anúncio, em 2017, da criação de uma rede de comunicações supostamente “impossível de ser invadida” e à qual só têm acesso 200 usuários: militares, servidores públicos e funcionários de empresas privadas em cargos sênior.

Mapa da China sobre sequência bináriaDireito de imagem REUTERS
A China tem investido em satélite quântico e em laboratório científico

O fato de as duas maiores potências globais estarem competindo no desenvolvimento de tecnologia quântica demonstra a importância desse campo que, para alguns teóricos, é tão poderoso que pode transformar o mundo.

O que é a computação quântica?

Em vez de usar “um” e “zero” em sequências longas, como na computação clássica, um bit quântico – ou qubit – usa as propriedades das partículas subatômicas.

Elétrons ou fótons podem estar, por exemplo, em dois estados ao mesmo tempo – um fenômeno chamado superposição. Como resultado, um computador de qubit pode fazer cálculos muito mais rapidamente que um computador convencional.

“Se você tem um computador de dois qubits e você adiciona dois qubits, terá um computador de quatro qubits, mas não vai dobrar a potência do computador – vai fazer com que cresça exponencialmente”, explicou à BBC Martin Giles, chefe do escritório de San Francisco da publicação MIT Technology Review.

Dessa forma, as tecnologias quânticas prometem uma revolução na forma como se processa a informação, afirma Alejandro Pozas-Kerstjens, pesquisador do Instituto de Ciências Fotônicas de Barcelona, na Espanha, e do Grupo de Teoria da Informação Quântica.

“Toda a informação se codifica em um sistema binário – em zeros e uns -, mas, por volta dos anos 1960, descobriu-se que o lugar onde essa informação é armazenada pode levar a diferenças no que se pode fazer com ela”, diz.

“Ou seja, posso gravar uma informação clássica em um chip de computador, como fazemos atualmente, mas também podemos armanezar esses zeros e uns em outros sistemas menores, a exemplo de átomos únicos ou pequenas moléculas. O comportamento desses átomos e moléculas, por serem tão pequenos, é ditado por outras regras: as do mundo quântico.”

O objetivo da Ciência da Informação Quântica, portanto, é usar essas novas propriedades quânticas para melhorar o processamento e a transmissão da informação, entre outros benefícios.

código binárioDireito de imagem GETTY IMAGES
Uso da tecnologia quântica permitiria processamento de informação muito superior ao do sistema binário

A promessa é de que a CIC sejam uma revolução na forma como processamos as informações, o que deve abrir milhares de possibilidades em setores como saúde, ciência e sistemas de defesa. É por esses motivos que as nações mais poderosas do mundo têm competido pela dianteira nessa área.

Satélite quântico

A julgar pelos avanços apresentados até agora no campo da tecnologia quântica, talvez a China esteja um passo à frente.

Em 2016, Pequim anunciou que havia lançado o primeiro satélite de comunicações quântico e, um ano depois, declarou que havia conseguido utilizar esse satélite para estabelecer comunicações criptografadas que não poderiam ser decifradas por agentes externos.

“Foram dois experimentos: o primeiro conseguiu uma comunicação quântica com o satélite a partir da Terra e, depois, aproveitou-se esse satélite para realizar comunicação entre dois pontos em terra, com sinal criptografado quanticamente”, explica Pozas-Kerstjens.

Essa capacidade de saber se uma informação foi interceptada ou se chegou corretamente a seu destino não pode ser obtida com as tecnologias tradicionais nem com os métodos de transferência de informação que usamos atualmente.

Os experimentos chineses ainda são, no entanto, projetos-piloto. “Eles provaram que pode ser feito, mas, no momento, não se alcançou a viabilidade para aplicações amplas (em escala) industrial”, diz Pozas-Kerstjens.

Ilustração de computadorDireito de imagem GETTY IMAGES
Computador quântico é por enquanto uma espécie de ‘Santo Graal’ que países e empresas buscam desenvolver

‘Santo Graal’

Tampouco se alcançou essa viabilidade no campo da computação quântica. Várias empresas de diversos países estão tentando desenvolvê-la – algo que, por enquanto, está no nível experimental, mas não comercial.

“O computador quântico é, por enquanto, um Santo Graal”, prossegue Pozas-Kerstjens. “É a direção na qual se movem, direta ou indiretamente, todos os esforços no campo da Ciência da Informação Quântica.”

A computação clássica, que trabalha em bits, opera a informação só em dois estados: zero ou um (aceso ou apagado). Já a quântica, por sua vez, trabalha também com a superposição de ambos estados e usa o movimento de partículas subatômicas para processar dados em quantidades impossíveis para a computação clássica.

Embora atualmente essa tecnologia esteja ainda em nível teórico, a expectativa é de que, em algum momento, sejam concluídos os cálculos que farão os computadores tradicionais parecerem obsoletos.

Nos Estados Unidos, empresas como IBM, Google e Microsoft estão desenvolvendo seus próprios computadores quânticos. O mesmo está acontecendo na China, com empresas locais como Alibaba e Baidu.

Mas não é nada fácil construir computadores quânticos: o principal problema é o número de bits quânticos que um computador será capaz de alcançar. Há relatos de que o Google esteja na dianteira, com o desenvolvimento de um processador com potência de qubits.

Além disso, existem obstáculos de manutenção, uma vez que esses futuros computadores exigem temperaturas extremamente baixas para conseguirem operar. O desenvolvimento de computadores quânticos que funcionem a temperatura ambiente é um dos pontos principais das pesquisas em curso.

Revolução

Para Pozas-Kerstjens, a tecnologia quântica tem potencial revolucionário semelhante ao dos primeiros computadores pessoais, por mudar a forma como “fazemos coisas que hoje custam muito caro, como a fabricação de medicamentos ou a otimização de rotas de tráfego para reduzir o gasto com combustíveis”.

ComputaçãoDireito de imagem GETTY IMAGES
Para especialista, tecnologia quântica tem potencial revolucionário semelhante ao dos primeiros computadores pessoais

“Esse tipo de coisa será um problema solucionável com um computador quântico”, diz ele.

Mas talvez o maior interesse dos governos seja pelo potencial quântico no âmbito da defesa – desde realizar comunicações mais seguras até conseguir deter aeronaves intrusas.

E será que alguém está de fato ganhando essa disputa? Para Pozas-Kerstjens, é uma “corrida de muitas cabeças” competindo bem de perto.

“Talvez possamos dizer que na computação quântica a dianteira seja dos Estados Unidos, mas, no campo das comunicações quânticas, é a China”.

Medicina: Canabidiol e epilepsia

Cannabidiol reduz convulsões em 86% das crianças com epilepsia

Flor de maconha, planta da qual é extraído o cannabidiol, substância química sem efeitos psicotrópicos.
 
Substância sem efeitos psicotrópicos derivada da maconha reduziu pela metade a ocorrência de ataques epilépticos em crianças que sofrem com a síndrome de Lennonx-Gastaut, em estudo realizado no México.
 
O tratamento com cannabidiol, um derivado da maconha sem efeitos psicotrópicos, reduziu pela metade a ocorrência de ataques epilépticos em 86% das crianças que sofrem com a síndrome de Lennonx-Gastaut e que participam de um estudo cujos resultados foram divulgados nesta terça-feira (14/03) no México.

“Pelo menos 80% dos casos tiveram a frequência das crises reduzida pela metade. E isso é muito difícil de conseguir em uma população que tem tal quantidade de problemas”, disse em entrevista coletiva o neuropediatra Sául Garza, responsável pela pesquisa e coordenador da Unidade de Neurodesenvolvimento do Hospital Espanhol da Cidade do México.

O estudo, pioneiro no país com crianças com essa rara doença, foi realizado com 38 pacientes. Eles receberam durante um ano o RHSO-X 5000mg, um produto do cannabidiol puro derivado do cânhamo e recentemente aprovado pela Comissão Federal Contra Riscos Sanitários do México (Cofepris).

De acordo com os resultados, 33 pacientes (86%) tiveram uma melhoria de 50% nas crises. Desses, 21 atingiram uma redução dos ataques epilépticos de até 75%. Em cinco casos, as convulsões desapareceram totalmente.

Por outro lado, o tratamento falhou para outros cinco crianças.

“Os cinco meninos que não responderam ao óleo de cannabidiol continuaram com seu tratamento habitual, sem que a saúde deles fosse menosprezada”, afirmou Garza.

Além da redução das crises, o uso do medicamento gerou outros benefícios nas crianças, disse o líder da pesquisa, como uma melhora no estado de alerta e a interação social.

Agência Efe

Raúl Elizaalde, representante da Fundação Por Grace, Saúl Garza Morales e Carlos González, representante da HempMeds México, especializada em produtos com canabidiol

No entanto, o remédio também teve efeitos colaterais, com 30% das crianças sofrendo de diarreia ou insônia, problemas que também são complicações geradas por outros tratamentos convencionais.

O especialista indicou que o estudo provocou que o cannabidiol é um tratamento seguro para os pacientes com Lennox-Gastaut e mais eficiente que os remédios tradicionais contra epilepsia.

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‘Faço doutorado e vivo de doação’: atraso em bolsas faz cientistas passarem necessidade em MG

A pesquisadora Letícia precisa importar livros da França para terminar seu doutorado em psicologia, pois não existem traduções das obras para o português. 

Angélica Samer
A pesquisadora Angélica Samer está deixando de ir à universidade para economizar | Foto: Arquivo pessoal

Mas ela conta que nos últimos meses teve preocupações mais urgentes e básicas: como conseguir comida?

Já Angélica Samer, doutoranda em biologia, está evitando ir à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde estuda, para economizar R$ 16 da passagem de ônibus.

Elas estão entre os 7 mil bolsistas de iniciação científica e pós-graduação da Fapemig (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais). Recebem R$ 2,2 mil mensais para produzir suas pesquisas, mas os constantes atrasos de pagamento do auxílio estão criando dificuldades que elas não imaginavam passar nessa fase da vida acadêmica.

“Em fevereiro a fome bateu, cara. Passei fome, sim. Olhei o armário e não tinha carne, não tinha arroz, farinha”, conta Letícia, de 40 anos. A seu pedido, seu nome verdadeiro foi trocado nesta reportagem pois ela teme sofrer represálias.

A acadêmica começou a receber o auxílio da Fapemig em 2016, quando iniciou o doutorado em psicologia na UFMG. Ela e outros estudantes de universidades públicas de Minas contam histórias semelhantes: até meados de 2016, as bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado eram pagas em dia.

Então elas começaram a chegar poucos dias após o prazo – a data oficial de pagamento chegou a ser postergada para evitar atrasos. A partir de outubro do ano passado, a situação piorou: as bolsas passaram a atrasar por mais de um mês.

As de janeiro de 2018 só foram pagas em meados de março e os auxílios de fevereiro ainda não caíram. Após o contato da reportagem, na sexta-feira, a Fapemig afirmou que a verba começará a ser paga nos próximos dias.

Alunos de pós-graduação de Minas Gerais
Membros da Associação Nacional dos Pós-Graduandos fizeram reuniões para cobrar regularização dos pagamentos | Foto: Divulgação

Essas bolsas são do tipo “dedicação exclusiva”. Para consegui-la, o estudante assina um contrato se comprometendo a não ter outra atividade remunerada que não seja a pesquisa – ele deve dedicar 40 horas por semanas à academia.

Caso descumpra e consiga um trabalho, por exemplo, o bolsista perde automaticamente o benefício e pode ter de devolver toda a verba que recebeu, por meio de processo. Ele também precisa publicar artigos acadêmicos em revistas científicas e participar de congressos.

Letícia é um desses casos. Não pode trabalhar até terminar seu doutorado. O problema é que a bolsa tem atrasado cada vez mais – ela parou de comprar os livros de que precisa. “Sou uma pessoa pobre. Tenho de comprar comida, pagar aluguel, comprar os livros. Como vou fazer isso se a bolsa não é paga?”, diz ela, que se mudou para Belo Horizonte para trilhar carreira acadêmica.

Sem o pagamento, as contas se acumularam e o cheque especial passou a cobrar os juros.

Em fevereiro, quando viu seu armário vazio e a conta bancária negativa, ela pediu ajuda a colegas. Pesquisadores de outras universidades arrecadaram dinheiro e alimentos para ajudá-la . “A Fapemig diz que você não pode trabalhar, que precisa se dedicar, escrever artigos. Mas não te paga a bolsa. Eles são muito rígidos em tudo, menos em pagar o nosso dinheiro”, conta.

‘Tinha o sonho de ser cientista’

Também doutoranda na UFMG, a bióloga Angélica Samer, de 26 anos, estuda a incidência de dengue e zika em Minas Gerais, mas não consegue ir à universidade por falta de dinheiro – também desistiu das aulas de inglês e do plano de saúde. Os constantes atrasos da bolsa desanimaram a estudante.

“Sempre tive o sonho de ser uma cientista: fiz graduação, mestrado e, agora, doutorado. Mas o que faço agora? Estou perdida. Me sinto qualificada para trabalhar, mas não posso por causa da bolsa”, diz.

Campus da Universidade Federal de Minas Gerais
Estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais foram afetados pelos atrasos do pagamento de bolsas | Foto: Foca Lisboa/UFMG

Ela cita o cientista britânico Stephen Hawking, que morreu na semana passada. “As pessoas ficaram comovidas com a morte dele. Infelizmente, elas não sabem das dificuldades que os pesquisadores brasileiros passam para produzir ciência.”

Renata (nome fictício), doutoranda em agronomia na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), tem sentimento parecido. “Não desisto porque quero muito terminar, mas me sinto completamente desestimulada. Eu poderia ganhar muito mais atuando no mercado”, diz ela.

A agrônoma conta que, durante sua pesquisa de campo, acabou sem dinheiro para coletar o material que precisava para finalizar seu estudo. Ela também evita se deslocar à universidade, a 23 km de sua casa. “É humilhante você estar no doutorado e ter de pedir dinheiro a sua mãe para comprar produtos básicos de higiene”, conta Renata, de 30 anos. Ela tem uma filha de um ano e quatro meses.

Estudante de geografia, Gustavo também tem dificuldades para se manter no campus da UFU em Ituiutaba, no interior de Minas, cidade para onde ele se mudou por causa da graduação. Ele recebe uma bolsa de R$ 400 para realizar uma pesquisa de iniciação científica – usa parte do dinheiro para pagar o aluguel.

“Sonho em fazer mestrado e doutorado, mas já na graduação enfrento essas dificuldades. É muito frustrante. Quando eu me formar, talvez eu vá trabalhar no mercado”, diz.

Governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel
A Fapemig recebe recursos do Estado de Minas Gerais, governado pelo petista Fernando Pimentel | Foto: Marcelo Sant’Anna / Agência MG

Crise financeira

A Fapemig é mantida pelo Estado de Minas Gerais, hoje governado pelo petista Fernando Pimentel. A fundação foi criada há 32 anos para apoiar “projetos de natureza científica, tecnológica e de inovação considerados estratégicos para o desenvolvimento do Estado”, diz a descrição em seu site.

Segundo a fundação, as bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado custaram R$ 58,6 milhões aos cofres públicos em 2017, apesar dos atrasos. O orçamento total do órgão foi de R$ 295 milhões.

A instituição diz que sua verba é passada pelo governo estadual, que “está em crise financeira.”

“A Fapemig tem como prioridade manter em dia o pagamento das bolsas concedidas pela Fundação. A direção da Fapemig tem efetuado diversas ações junto ao tesouro estadual, fonte dos recursos para pagamento das bolsas, a fim de assegurar esse pagamento”, afirmou a instituição, em nota.

Membro Associação Nacional de Pós-Graduandos, Laís Moreira faz uma crítica à forma como os governos estaduais e federal tratam a produção científica no Brasil. Ela aponta, por exemplo, o fato de o presidente Michel Temer (PMDB) ter fundido o antigo Ministério da Ciência e Tecnologia com o de Comunicações, em 2016, e, no ano seguinte, anunciado um corte de verbas na pasta.

“A desvalorização da pós-graduação ocorre no Brasil inteiro. Nossa luta não é corporativista, a bolsa não é um salário. Não existe saída para a crise por meio de desenvolvimento econômico e inovação sem passar pela pós-graduação “, diz Laís.

Monsanto: 25 doenças que podem ser causadas pelo agrotóxico glifosato

Cientistas descobriram que pessoas doentes tinham maiores níveis de glifosato em seu corpo do que as pessoas sadias. Conheça os resultados destas pesquisas

reprodução

A Monsanto investiu no herbicida glifosato e o levou ao mercado com o nome comercial de Roundup em 1974, após a proibição do DDT. Mas foi no final dos anos 1990 que o uso do Roundup se massificou graças a uma engenhosa estratégia de marketing da Monsanto. A estratégia? Sementes geneticamente modificadas para cultivos alimentares que podiam tolerar altas doses de Roundup. Com a introdução dessas sementes geneticamente modificadas, os agricultores podiam controlar facilmente as pragas em suas culturas de milho, soja, algodão, colza, beterraba açucareira, alfafa; cultivos que se desenvolviam bem enquanto as pragas em seu redor eram erradicadas pelo Roundup.

Ansiosa por vender seu emblemático herbicida, a Monsanto também incentivou os agricultores a usar o Roundup como agente dessecante, para secar seus cultivos e assim fazer a colheita mais rapidamente. De modo que o Roundup é usado rotineira e diretamente em grande quantidade de cultivos de organismos não modificados geneticamente, incluindo trigo, cevada, aveia, colza, linho, ervilha, lentilha, soja, feijão e beterraba açucareira.

Entre 1996 e 2011, o tão difundido uso de cultivos de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) Roundup aumentou o uso de herbicidas nos Estados Unidos em 243 milhões de kg – ainda que a Monsanto tenha assegurado que os cultivos de OGM reduziriam o uso de pesticidas e herbicidas.

A Monsanto falsificou dados sobre a segurança do Roundup e o vendeu para departamentos municipais de parques e jardins e também a consumidores como sendo biodegradável e estando de acordo com o meio ambiente, promovendo seu uso em valetas, parques infantis, campos de golf, pátios de escola, gramados e jardins privados. Um tribunal francês sentenciou que esse marketing equivalia a publicidade enganosa.

Nos quase 20 anos de intensa exposição, os cientistas documentaram as consequências para a saúde do Roundup e do glifosato na nossa comida, na água que bebemos, no ar que respiramos e nos lugares em que nossas crianças brincam.

Descobriram que as pessoas doentes têm maiores níveis de glifosato em seu corpo do que as pessoas sadias.
Também encontraram os seguintes problemas de saúde que eles atribuem à exposição ao Roundup e/ou ao glifosato:

1) TDHA: nas comunidades agrícolas, existe uma forte relação entre a exposição ao Roundup e o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, provavelmente devido à capacidade do glifosato de afetar as funções hormonais da tireoide.

2) Alzheimer: no laboratório, o Roundup causa o mesmo estresse oxidativo e morte de células neurais observados no Alzheimer. Isso afeta a CaMKII, uma proteína cuja desregulação também foi associada à doença.

3) Anencefalia (defeito de nascimento): uma pesquisa sobre os defeitos no tubo neural de bebês cujas mães viviam em um raio de mil metros de distância de onde se aplicava o pesticida mostrou uma associação entre o glifosato e a anencefalia; a ausência de uma grande porção do cérebro, do crânio e do pericrânio formado durante o desenvolvimento do embrião.

4) Autismo: o glifosato tem um número de efeitos biológicos alinhados a conhecidas patologias associadas ao autismo. Um desses paralelismos é a disbiose observada em crianças autistas e a toxicidade do glifosato para bactérias benéficas que combatem bactérias patológicas, assim como a alta resistência de bactérias patógenas ao glifosato. Além disso, a capacidade do glifosato de facilitar a acumulação de alumínio no cérebro poderia fazer deste a principal causa de autismo nos EUA.
 
5) Defeitos de nascença: o Roundup e o glifosato podem alterar a vitamina A (ácido retinoico), uma via de comunicação celular crucial para o desenvolvimento normal do feto. Os bebês cujas mães viviam em um rádio de 1 km em relação a campos com glifosato tiveram mais que o dobro de possibilidade de ter defeitos de nascença segundo um estudo paraguaio. Os defeitos congênitos se quadruplicaram na década seguinte a que os cultivos com Roundup chegaram ao Chaco, uma província da Argentina na qual o glifosato é utilizado entre 8 e 10 vezes mais por acre do que nos EUA. Um estudo em uma família agricultora nos EUA documentou elevados níveis de glifosato e defeitos de nascença em crianças, tais como ânus não perfurados, deficiências no crescimento hormonal, hipospádias (relacionada à normalidade da abertura urinária), defeitos no coração e micropênis.

6) Câncer cerebral: em um estudo comparativo entre crianças sadias e crianças com câncer cerebral, os pesquisadores detectaram que, se um dos pais estivera exposto ao Roundup dois anos antes do nascimento da criança, as possibilidades de ela desenvolver câncer no cérebro dobravam.

7) Câncer de mama: o glifosato induz o crescimento de células cancerígenas no peito por meio de receptores estrógenos. O único estudo em animais a longo prazo de exposição ao glifosato produziu ratas com tumores mamários e reduziu a expectativa de vida.

8) Câncer: pesquisas de porta em porta com 65 mil pessoas em comunidades agrárias da Argentina nas quais o Roundup foi utilizado – conhecidas como cidades fumigadas – mostraram médias de câncer entre duas e quatro vezes maiores do que a média nacional, com altos índices de câncer de mama, próstata e pulmão. Em uma comparação entre dois povos, naquele em que o Roundup fora aplicado, 31% dos moradores tinham algum familiar com câncer, ao passo que só 3% o tinham em um povoado sem Roundup. As médias mais elevadas de câncer entre as pessoas expostas ao Roundup provavelmente surgem da reconhecida capacidade do glifosato de induzir danos ao DNA, algo que foi demonstrado em inúmeras pesquisas de laboratório.

9) Intolerância ao glúten e doença celíaca: peixes expostos ao glifosato desenvolveram problemas digestivos que são reminiscentes da doença celíaca. Existem relações entre as características da doença celíaca e os conhecidos efeitos do glifosato. Isso inclui desajustes nas bactérias das tripas, deslocamento de enzimas implicadas na eliminação de toxinas, deficiências minerais e redução dos aminoácidos.

10) Doença crônica nos rins: os aumentos no uso do glifosato poderiam explicar as recentes ocorrências de falências renais entre os agricultores da América Central, do Sri Lanka e da Índia. Os cientistas concluíram que, “embora o glifosato por si só não provoque uma epidemia de doença renal crônica, parece que ele adquiriu a capacidade de destruir os tecidos renais de milhares de agricultores quando forma complexos com água calcária e metais nefrotóxicos”.

11) Colite: a toxidade do glifosato sobre bactérias benéficas que eliminam a clostridia, assim como a alta resistência da clostridia ao glifosato, poderia ser um fator significativo na predisposição ao sobrecrescimento da clostridia. O sobrecrescimento da clostridia, especialmente da colite pseudomembranosa, foi comprovado como causa da colite.

12) Depressão: o glifosato altera os processos químicos que influem na produção da serotonina, um importante neurotransmissor que regula o ânimo, o apetite e o sono. O desajuste da serotonina é vinculado à depressão.

13) Diabetes: Os níveis baixos de testosterona são um fator de risco para o tipo 2 de diabetes. Ratos alimentadas com doses significativas de Roundup em um período de 30 dias, abrangendo o começo da puberdade, tiveram uma redução na produção de testosterona suficiente para alterar a morfologia das células testiculares e o início da puberdade.

14) Doença cardíaca: o glifosato pode alterar as enzimas do corpo, causando disfunção lisossomal, um fator importante nas doenças e falências cardíacas.

15) Hipotireoidismo: uma pesquisa realizada de porta em porta com 65 mil pessoas em comunidades agrícolas na Argentina nas quais se usa o Roundup encontrou médias mais elevadas de hipotireoidismo.

16) Doença inflamatória intestinal: o glifosato pode induzir a deficiência severa do triptófano, que pode levar a uma grave doença inflamatória intestinal que desajusta severamente a capacidade de absorver nutrientes por meio do aparato digestivo devido à inflamação, hemorragias ou diarreia.

17) Doença hepática: doses muito baixas do Roundup podem alterar as funções das células no fígado, segundo um estudo publicado em 2009 na “Toxicology”.

18) Doença de Lou Gehrig: a deficiência de sulfato no cérebro foi associada à Esclerose Lateral Amiotrófica. O glifosato altera a transmissão de sulfato do aparelho digestivo ao fígado, e poderia levar a uma deficiência de sulfato em todos os tecidos, incluindo o cérebro.

19) Esclerose múltipla: encontrou-se uma correlação entre uma incidência aumentada de inflamação de intestino e a Esclerose Múltipla. O glifosato poderia ser um fator causal. A hipótese é que a inflamação intestinal induzida pelo glifosato faz com que bactérias do aparelho digestivo se infiltrem no sistema circulatório, ativando uma reação imune e, como consequência, uma desordem autoimune, resultando na destruição da bainha de mielina.

20) Linfoma Não-Hodgkin: uma revisão sistemática e uma série de meta-análises de quase três décadas de pesquisas epidemiológicas sobre a relação entre o linfoma não-hodgkin e a exposição a pesticidas agrícolas concluiu que o linfoma de célula B tinha uma associação positiva com o glifosato.

21) Doença de Parkinson: os efeitos danosos dos herbicidas sobre o cérebro foram reconhecidos como o principal fator ambiental associado a desordens neurodegenerativas, incluindo a doença de Parkinson. O início de Parkinson após a exposição ao glifosato foi bem documentado, e estudos em laboratório mostram que o glifosato provoca morte celular característica da doença.

22) Problemas na gravidez (infertilidade, morte fetal, aborto espontâneo): o glifosato é tóxico para as células da placenta, o que, segundo os cientistas, explicaria os problemas na gravidez de trabalhadoras agrícolas expostas ao herbicida.

23) Obesidade: uma experiência consistente na transmissão de uma bactéria do aparelho digestivo de um humano obeso para os aparelhos digestivos de ratos provocou obesidade nos ratos. Tendo o glifosato produzido uma mudança nas bactérias do aparelho digestivo de produtores de endotoxinas, a exposição ao glifosato poderia, dessa forma, contribuir com a obesidade.

24) Problemas reprodutivos: estudos de laboratório em animais concluíram que os ratos machos expostos a altos níveis de glifosato, tanto no desenvolvimento pré-natal ou da puberdade, padecem de problemas reprodutivos, incluindo o atraso na puberdade, a baixa produção de esperma e a baixa produção de testosterona.

25) Doenças respiratórias: as mesmas pesquisas com 65 mil pessoas na Argentina descobriram médias mais elevadas de doenças respiratórias crônicas. 
Alexis Baden-Mayer é editor do Organic Consumers Fund. 
Tradução de Daniella Cambaúva.

Indústria do Açúcar manipula a Ciência

Estudos que relacionam o açúcar a doenças cardiovasculares chegaram a ser interrompidos no passado

saúde
A indústria do açúcar ocultou durante cerca de 50 anos estudos efetuados com animais que sugeriam os efeitos negativos que a sacarose tem na saúde.
Foto MARK R. CRISTINO EFE

Durante a história da humanidade morrer de câncer de pulmão era uma verdadeira raridade. No entanto, o consumo em massa de tabaco, que começou no final do século XIX, causou uma epidemia mundial. A relação entre o hábito de fumar e o câncer começou a ser demonstrada nos anos 40, e no final dos 50 as provas já eram irrefutáveis. Em 1960, porém, somente um terço dos médicos dos Estados Unidos acreditavam que o vínculo entre a doença e o tabagismo fosse real. Para essa confusão dos médicos e da população a ciência também contribuiu. Em 1954, o pesquisador Robert Hockett foi contratado pelo Comitê de Investigação da Indústria do Tabaco, dos EUA, para pôr em dúvida a solidez dos estudos sobre os malefícios dos cigarros.

Apesar dos esforços daquela indústria, a acumulação de provas conseguiu fazer com que a consciência sobre os perigos de fumar seja quase universal e que as campanhas tenham reduzido significativamente o número de fumantes. Mas o negócio do tabaco não é o único que manipulou a ciência para proteger seus lucros. Como o tabagismo, o consumo desenfreado de açúcar é um hábito doentio moderno. E embora a consciência sobre os danos do açúcar seja algo muito mais recente, parece que a própria indústria está ciente deles há muito tempo. De fato, Hockett, antes de buscar a proteção do tabaco por meio da confusão, tinha feito o mesmo com o açúcar. Nesse caso, ao não poder negar a relação entre a sacarose e as cáries, tentava promover intervenções de saúde pública que reduzissem os dados no açúcar em vez de restringir seu consumo.

Companhias como Pepsi deixaram de financiar estudos ao observar que podiam demonstrar o dano de seus produtos

Esta semana, uma equipe da qual participam Cristin Kearns e Stanton Glantz, pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco conhecidos por apontar as maracutaias do negócio açucareiro, recuperou antigos documentos que mostram sua forma de trabalhar. Segundo explicam em um artigo publicado na revista PLOS Biology, a Sugar Research Foundation (SRF), conhecida agora como Sugar Association, financiou em 1965 uma revisão no New England Journal of Medicine na qual eram descartados indícios que relacionavam o consumo de açúcar, os níveis de gordura no sangue e doenças cardíacas. Essa mesma fundação também realizou estudos em animais em 1970 para analisar esses vínculos. Seus resultados encontraram um maior nível de colesterol em ratos alimentados com açúcar em relação a outros alimentados com amido, uma diferença que atribuíam a distintas reações dos micróbios de seu intestino. Quando a SRF conheceu os dados, que indicavam uma relação entre o consumo de açúcar e as doenças cardíacas, e até um maior risco de câncer de bexiga, interrompeu as pesquisas e nunca publicou seus resultados.

Glatz e seus colegas comentam que este tipo de trabalho propagandístico, direcionado a semear dúvidas sobre qualquer relação entre o consumo de sacarose e as doenças crônicas, continua hoje. Como exemplo citam uma nota à imprensa divulgada pela Sugar Association em 2016 como resposta a um estudo publicado na revisa Cancer Research. Nela, eram questionados os dados obtidos por uma equipe do Centro para o Câncer MD Anderson da Universidade do Texas, nos quais se observou em ratos que o consumo de açúcar favorecia o crescimento de tumores e a metástase.

Estratégias em vigor

As estratégias da indústria açucareira do passado continuam vigentes. Como quando Hockett propunha mitigar o impacto do consumo do açúcar nas cáries sem reduzir seu consumo, hoje, empresas como a Coca-Cola focam na necessidade de se fazer exercícios para reduzir a obesidade, deixando de lado a de diminuir o consumo de açúcar.

Em uma entrevista a El País, Dana Small, uma cientista da Universidade Yale que trabalha para entender a maneira como o entorno moderno, desde a alimentação à poluição, favorece a obesidade, comentou sua experiência colaborando com a Pepsi. Apesar de reconhecer que os dirigentes da empresa tinham boas intenções quando começaram a financiar projetos sobre alimentação e saúde, conta que tudo andou bem até que tiveram “resultados que indicavam que seus produtos poderiam estar causando danos”. Não podiam assumir que conheciam os perigos de seus produtos para a saúde porque essa informação poderia ser utilizada contra eles em futuras ações judiciais. “Deixaram de financiar-me na semana seguinte e confiscaram os computadores dos cientistas com os quais estava trabalhando”, relatou.

Glanz considera que a atitude das entidades açucareiras “questiona os estudos financiados pela indústria do açúcar como uma fonte confiável de informação para a elaboração de políticas públicas”. Small, no entanto, considera que a indústria do açúcar e a da alimentação em geral são grandes demais para serem ignoradas. Em sua opinião é necessário buscar meios de proteger este tipo de colaboração de tal maneira que ambas as partes possam trabalhar de forma honesta “sem ter que se preocupar com segredos comerciais ou ser alvo de ações judiciais”.

WhatsApp salva os arrependidos

WhatsApp finalmente deixa arrependidos apagarem mensagens

WhatsApp finalmente deixa arrependidos apagarem mensagens

Após envio, usuários têm sete minutos para eliminar textos errôneos ou indesejados.

O anúncio feito há um ano finalmente se torna realidade. O aplicativo de mensagens WhatsApp introduziu uma nova função que permite eliminar de forma permanente as mensagens enviadas, desde que isso seja feito até sete minutos após o envio.

A funcionalidade permite que os usuários apaguem mensagens enviadas para uma conversa individual ou em grupo, impedindo que os demais membros leiam seu conteúdo.

As instruções para aplicar o novo recurso são detalhadas na seção de perguntas frequentes da página do WhatsApp (FAQ). Ela é especialmente útil quando a pessoa envia uma mensagem para o grupo incorreto ou se a mensagem enviada contém erros.

Estes são os passos

1. Abra o WhatsApp e vá até a conversa com a mensagem que você quer apagar.

2. Toque e segure a mensagem. Opcionalmente, toque em mais mensagens para apagar várias mensagens de uma vez.

3. Toque em Apagar na parte superior da tela > Apagar para todos

Os usuários só poderão apagar as mensagens até sete minutos após o envio. Os textos eliminados desaparecerão, mas o destinatário verá o seguinte aviso: “Esta mensagem foi apagada”.

Um último recado importante para os impacientes: você não será notificado se a sua mensagem não for eliminada com sucesso. Deverá confiar em sua própria perícia, esperar que tenha feito tudo certo e cruzar os dedos.

Tecnologia – 5G

5G, a tecnologia que mudará nossa rotina e nosso bolso.

Os avanços do 5G em um stand do MWC 2017 de Barcelona
Os avanços do 5G em um stand do MWC 2017 de Barcelona J. LAGO AFP/GETTY

Nova geração da telefonia celular terá um grande impacto sobre o crescimento econômico.Quando as empresas de telecomunicações ainda não completaram a instalação do sistema 4G em todo o seu território, acaba sendo complicado ter uma ideia de que em breve nossos celulares funcionarão de forma mais rápida e eficiente graças ao 5G, a quinta geração da telefonia móvel.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

No mundo todo, teve início uma corrida – por enquanto liderada por países asiáticos e os EUA – pela primazia no uso dessa tecnologia, a qual, pela primeira vez, revolucionará não só as comunicações, mas também o entorno tecnológico como um todo e até os sistemas de produção. É que o 5G não irá mudar apenas o cotidiano de milhões de usuários, e as implicações econômicas para as empresas ainda são difíceis de avaliar.

A seguir, algumas explicações sobre o que é o 5G, seu estado de desenvolvimento atual e suas consequências econômicas:

O que é o 5G? O 5G, ou quinta geração, é o novo padrão de banda larga sem fio que proporcionará maiores velocidades, cobertura e recursos que o atual LTE-4G.

Que velocidade alcançará? As conexões 5G serão 100 vezes mais rápidas (embora em laboratórios sejam obtidas velocidades até 250 vezes superiores), com velocidades médias de 20 Gbps (gigabits por segundo). Isso significa que o download será mais rápido inclusive que as atuais redes fixas de fibra óptica. Um filme de 1GB, por exemplo, poderá ser baixado em menos de 10 segundos.

Que é latência, e por que é fundamental? Mais que a velocidade de upload e download, a principal melhora introduzida com o 5G é a redução da latência. Trata-se do tempo de resposta de um aparelho entre receber o sinal e executar uma ordem. Quanto mais baixa, mais rápida será a reação do aparelho que acionemos à distância, seja um carro autoguiado ou uma videoconferência. No 4G, esse delay é de 10 milissegundos; o 5G o reduz a um milissegundo.

Por que o 5G é importante para a Internet das coisas? Graças à redução da latência, será possível aprimorar a chamada Internet das Coisas (IoT, pela sigla em inglês), um mundo no qual tudo, e não apenas celulares e computadores, estarão conectados – isso inclui carros, eletrodomésticos e aparelhos vestíveis. Atualmente, há sete bilhões de dispositivos conectados à Internet. A previsão para 2025, com a IoT generalizada, é de 100 bilhões de aparelhos conectados, segundo a Huawei.

E os carros autônomos? Se há algo para que o 5G é fundamental é para que os carros autônomos funcionem com segurança, porque cada veículo desses precisará processar vários terabytes de dados por dia. Diversos sensores (câmeras, sistemas Lidar e radares) recebem permanentemente informação sobre o entorno que cerca o veículo e precisam processá-la e reagir em questão de milissegundos, seja para esquivar um pedestre que atravessa a rua no lugar errado ou reconhecer uma placa de “pare” ou semáforo.

Que outras vantagens o 5G oferece sobre a rede atual? O 5G permite aproveitar com mais eficiência a banda de frequências e multiplicar por 100 o número de dispositivos conectados. Também reduz em 90% de consumo de energia da rede, permitindo que as baterias de aparelhos como alarmes e sensores durem até 10 anos.

Quais são os países mais avançados? Em geral, os países mais avançados da Ásia, como Coreia do Sul, Japão e Cingapura, e os Estados Unidos estão muito à frente dos europeus. A operadora coreana KT Telecom espera lançar a primeira oferta comercial 5G do mundo em 2018, depois de testá-la nos Jogos Olímpicos de Inverno da cidade de Pyeongchang. As norte-americanas AT&T e Verizon farão testes-piloto pré-comerciais no final de 2018, e as japonesas NTT DoCoMo e KDD esperam usar os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020 como plataforma de lançamento. Um relatório da consultora Juniper Research estima que o número de conexões 5G deve chegar a 1 bilhão em 2025, um terço delas nos Estados Unidos, e 55% nos Estados Unidos, China e Japão.

5G no Brasil – De acordo com o ministério da Ciência e Tecnologia, o País firmou um acordo com a União Europeia, os Estados Unidos, a Coreia do Sul, o Japão e a China para participar das tomadas de decisão sobre o funcionamento da tecnologia 5G no mundo, desde a pesquisa até a padronização e a implementação da plataforma. O prazo para que os usuários brasileiros usufruam desta tecnologia, no entanto, é longo. Em entrevista à Reuters, o presidente da Anatel, Juarez Quadros, afirmou que os leilões de licitação para que a tecnologia seja operada acontecerão após 2020.

Que setores produtivos terão maiores avanços? O 5G será uma tecnologia fundamental para a digitalização industrial ao gerar e fomentar casos de uso como fabricação robotizada e inteligente, jogos e entretenimento imersivos, direção autônoma, cirurgia remota, vídeo de ultra-alta definição (UHD), automatização de processos industriais, segundo a Ericsson e a Huawei, os principais desenvolvedores de redes 5G.

Qual será o impacto sobre a riqueza e o emprego? A Comissão Europeia estima que a instalação do 5G implicará um investimento de 56 bilhões de euros em 2020, que terá um impacto de 141 bilhões de euros sobre a criação de riqueza, além de criar 2,3 milhões de empregos. Nos Estados Unidos, a instalação do 5G nas smart cities poderia criar até 3 milhões de empregos e aumentar o PIB em 500 bilhões de dólares.
ElPais