“A revolução dos bichos” de Orwell: quem são os porcos?

Obra do jornalista e escritor britânico aborda a revolução soviética de forma satírica. Apesar de ter sido escrito nos últimos anos da Segunda Guerra Mundial, romance segue mais atual do que nunca, 75 anos depois.

Cartaz promovendo a versão animada de “Animal Farm”

A fábula de George Orwell se passa numa fazenda: “O Sr. Jones, proprietário da Granja do Solar, fechou o galinheiro à noite, mas estava bêbado demais para lembrar-se de fechar também as vigias”.

É com palavras simples que o britânico George Orwell (1903-1950), cujo nome verdadeiro era Eric Arthur Blair, começa sua narrativa sobre os animais de uma fazenda que planejam uma revolução contra o proprietário explorador. O mestre da crítica social jamais poderia imaginar que A revolução dos bichos se tornaria um clássico da literatura política.

Orwell escreveu o livro entre fins de 1943 e 1944. Em seu país natal, porém, ele não encontrou nenhuma editora que o publicasse, pois o que a princípio parecia uma história infantil inofensiva era, na verdade, uma sátira sombria e uma dura acusação contra a ditadura de Stalin na União Soviética.

E como a URSS era aliada do Reino Unido contra a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial ainda em curso, a publicação de tal história não parecia nada oportuna. Em 1945, Animal Farm foi finalmente lançada pela Secker & Warburg.

Alguns são mais iguais que os outros

E de que trata a fábula? Com um discurso impressionante, o idoso e respeitado javali Velho Major abre os olhos dos animais da fazenda para a incompetência do proprietário Sr. Jones, um fazendeiro constantemente bêbado, e classifica os humanos como exploradores que precisavam ser expulsos por uma revolução. Mas ele também adverte sobre o risco de se tornar igual aos humanos: “Todos os animais são iguais, independentemente de sua força ou inteligência.”

Quando o Velho Major morre logo após o discurso, os animais aproveitam a oportunidade para expulsar o fazendeiro Jones da fazenda, sob a liderança dos porcos Napoleão e Bola de Neve. No começo, todos os animais governam juntos e tudo fica melhor: eles trabalham duro porque trabalham para si próprios e são solidários uns com os outros.

A Granja do Solar é então rebatizada Granja dos Bichos. Os espertos porcos, porém, logo assumem o comando e gradualmente transformam sua supremacia em ditadura, ofuscando tudo aquilo de que os animais queriam se livrar. Os porcos justificam seu poder com o slogan: “Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros”.

As diferenças entre humanos e porcos como governantes se diluem no final do romance – também de forma visual. Os outros animais da fazenda não conseguem mais reconhecer quem é gente e quem é porco, ou quem é capitalista e quem é socialista.

A revolução dos bichos descreve o curso de uma revolução condenada ao fracasso. Orwell acreditava que as revoluções são capazes de mudar o poder de mãos. As estruturas sociais básicas, entretanto, permanecem intocadas: os poucos poderosos continuam a explorar uma maioria sem direitos.

O Grande Irmão está de olho em você! Ator John Hurt em cena de uma adaptação cinematográfica de “1984”

CIA compra direitos do filme

A revolução dos bichos foi estritamente proibida na União Soviética e seus Estados-satélites. E no entanto George Orwell era um esquerdista convicto: membro do Partido Trabalhista Independente inglês, que na Guerra Civil Espanhola chegou a lutar nas fileiras do Partido Operário de Unificação Marxista (POUM), um grupo comunista visto como concorrência pelo stalinismo soviético.

A primeira tradução alemã do livro apareceu em 1946. Na República Democrática da Alemanha (RDA), no entanto, o livro extremamente desconfortável permaneceu censurado até a queda do Muro de Berlim e a dissolução da Alemanha Oriental, em 1989, assim como outra obra de Orwell, 1984.

Após a morte de Orwell, em 1950, o serviço americano de inteligência CIA comprou os direitos do filme para ganhar vantagem contra a União Soviética na Guerra Fria. O desenho animado A revolução dos bichos foi produzido no Reino Unido entre 1951 e 1954 por John Halas e Joy Batchelor.

Embora guiando-se basicamente pelo original, o enredo desemboca numa segunda revolução contra o domínio dos porcos. Afinal, em plena Guerra Fria, a CIA dificilmente deixaria capitalistas e socialistas em condição de pé de igualdade, como Orwell fez no final do romance.

Cena do desenho animado “A Revolução dos Bichos”, de 1954

Na adaptação cinematográfica de 1999, John Stephenson mudou o enredo consideravelmente ao incorporar o colapso da União Soviética em 1989 e terminar com um final feliz próprio para crianças: após anos sob o domínio dos porcos, novos humanos reassumem o controle da fazenda. Os animais gritam: “… e finalmente ficamos livres!”

Com seus livros, o jornalista e escritor britânico George Orwell queria chamar a atenção para as mazelas políticas, muitas vezes empregando para tal a forma de sátira. A revolução dos bichos e 1984, publicado em 1949, estão entre suas obras mais famosas. Neste último, ele também demonstrou o que significa viver num Estado autoritário em que há vigilância total e onde os cidadãos são manipulados pela propaganda.

A revolução dos bichos é uma fábula que se encaixa em qualquer sistema totalitário. E que, apesar de seus 75 anos de existência, permanece tristemente atual.

Guerra Híbrida; você sabe o que é isso?

Entenda o que é a guerra híbrida: a nova guerra do século 21 tem o Brasil no epicentro. 

Nos manuais norte-americanos as ações não-convencionais contra “forças hostis” a Washington. A centralidade do Pré-Sal no impeachment. Como os super-ricos cooptam a velha classe média.

O Brasil no epicentro da Guerra Híbrida

Revoluções coloridas nunca são demais. Os Estados Unidos, ou o Excepcionalistão, estão sempre atrás de atualizações de suas estratégias para perpetuar a hegemonia do seu Império do Caos.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A matriz ideológica e o modus operandi das revoluções coloridas já são, a essa altura, de domínio público. Nem tanto, ainda, o conceito de Guerra Não-Convencional (UW, na sigla em inglês).

Esse conceito surgiu em 2010, derivado do Manual para Guerras Não-Convencionais das Forças Especiais. Eis a citação-chave: “O objetivo dos esforços dos EUA nesse tipo de guerra é explorar as vulnerabilidades políticas, militares, econômicas e psicológicas de potências hostis, desenvolvendo e apoiando forças de resistência para atingir os objetivos estratégicos dos Estados Unidos. […] Num futuro previsível, as forças dos EUA se engajarão predominantemente em operações de guerras irregulares (IW, na sigla em inglês)”.

“Potências hostis” são entendidas aqui não apenas no sentido militar; qualquer país que ouse desafiar um fundamento da “ordem” mundial centrada em Washington pode ser rotulado como “hostil” – do Sudão à Argentina.

As ligações perigosas entre as revoluções coloridas e o conceito de Guerra Não-Convencional já desabrocharam, transformando-se em Guerra Híbrida; caso perverso de Flores do Mal. Revolução colorida nada mais é que o primeiro estágio daquilo que se tornará a Guerra Híbrida. E Guerra Híbrida pode ser interpretada essencialmente como a Teoria do Caos armada – um conceito absoluto queridinho dos militares norte-americanos (“a política é a continuidade da guerra por meios linguísticos”). Meu livro Império do Caos, de 2014, trata essencialmente de rastrear uma miríade de suas ramificações.

Essa bem fundamentada tese em três partes esclarece o objetivo central por trás de uma Guerra Híbrida em larga escala: “destruir projetos conectados transnacionais multipolares por meio de conflitos provocados externamente (étnicos, religiosos, políticos etc.) dentro de um país alvo”.

Os países do BRICS (Brasil Rússia, Índia, China e África do Sul) – uma sigla/conceito amaldiçoada no eixo Casa Branca-Wall Street – só tinham de ser os primeiros alvos da Guerra Híbrida. Por uma miríade de razões, entre elas: o plano de realizar comércio e negócios em suas próprias moedas, evitando o dólar norte-americano; a criação do banco de desenvolvimento dos BRICS; a declarada intenção de aumentar a integração na Eurásia, simbolizada pela hoje convergente “Rota da Seda”, liderada pela China – Um Cinturão, Uma Estrada (OBOR, na sigla em inglês), na terminologia oficial – e pela União Econômica da Eurásia, liderada pela Rússia (EEU, na sigla em inglês).

Isso implica em que, mais cedo do que tarde, a Guerra Híbrida atingirá a Ásia Central; o Quirguistão é o candidato ideal a primeiro laboratório para as experiências tipo revolução colorida dos Estados Unidos, ou o Excepcionalistão.

No estágio atual, a Guerra Híbrida está muito ativa nas fronteiras ocidentais da Rússia (Ucrânia), mas ainda embrionária em Xinjiang, oeste longínquo da China, que Pequim microgerencia como um falcão. A Guerra Híbrida também já está sendo aplicada para evitar o estratagema da construção de um oleoduto crucial, a construção do Ramo da Turquia. E será também totalmente aplicada para interromper a Rota da Seda nos Bálcãs – vital para a integração comercial da China com a Europa Oriental.

Uma vez que os BRICS são a única e verdadeira força em contraposição ao Excepcionalistão, foi necessário desenvolver uma estratégia para cada um de seus principais personagens. O jogo foi pesado contra a Rússia – de sanções à completa demonização, passando por um ataque frontal a sua moeda, uma guerra de preços do petróleo e até mesmo uma (patética) tentativa de iniciar uma revolução colorida nas ruas de Moscou. Para um membro mais fraco dos BRICS foi preciso utilizar uma estratégia mais sutil, o que nos leva à complexidade da Guerra Híbrida aplicada à atual, maciça desestabilização política e econômica do Brasil.

No manual da Guerra Híbrida, a percepção da influência de uma vasta “classe média não-engajada” é essencial para chegar ao sucesso, de forma que esses não-engajados tornem-se, mais cedo ou mais tarde, contrários a seus líderes políticos. O processo inclui tudo, de “apoio à insurgência” (como na Síria) a “ampliação do descontentamento por meio de propaganda e esforços políticos e psicológicos para desacreditar o governo” (como no Brasil). E conforme cresce a insurreição, cresce também a “intensificação da propaganda; e a preparação psicológica da população para a rebelião.” Esse, em resumo, tem sido o caso brasileiro.

Um dos maiores objetivos estratégicos do Excepcionalistão é em geral um mix de revolução colorida e Guerra Híbrida. Mas a sociedade brasileira e sua vibrante democracia eram muito sofisticadas para métodos tipo hard, tais como sanções ou a “responsabilidade de proteger” (R2P, na sigla em inglês).

Não por acaso, São Paulo tornou-se o epicentro da Guerra Híbrida contra o Brasil. Capital do estado mais rico do Brasil e também capital econômico-financeira da América Latina, São Paulo é o nódulo central de uma estrutura de poder interconectada nacional e internacionalmente.

O sistema financeiro global centrado em Wall Street – que domina virtualmente o Ocidente inteiro – não podia simplesmente aceitar a soberania nacional, em sua completa expressão, de um ator regional da importância do Brasil.

A “Primavera Brasileira” foi virtualmente invisível, no início, um fenômeno exclusivo das mídias sociais – tal qual a Síria, no começo de 2011.

Foi quando, em junho de 2013, Edward Snowden revelou as famosas práticas de espionagem da NSA. No Brasil, a questão era espionar a Petrobras. E então, num passe de mágica, um juiz regional de primeira instância, Sérgio Moro, com base numa única fonte – um doleiro, operador de câmbio no mercado negro – teve acesso a um grande volume de documentos sobre a Petrobras. Até o momento, a investigação de dois anos da Lava Jato não revelou como eles conseguiram saber tanto sobre o que chamaram de “célula criminosa” que agia dentro da Petrobras.

O importante é que o modus operandi da revolução colorida – a luta contra a corrupção e “em defesa da democracia” – já estava sendo colocada em prática. Aquele era o primeiro passo da Guerra Híbrida.

Como cunhado pelos Excepcionalistas, há “bons” e “maus” terroristas causando estragos em toda a “Siraq”; no Brasil há uma explosão das figuras do corrupto “bom” e do corrupto “ruim”.

O Wikileaks revelou também como os Excepcionalistas duvidaram da capacidade do Brasil de projetar um submarino nuclear – uma questão de segurança nacional. Como a construtora Odebrecht tornava-se global. Como a Petrobras desenvolveu, por conta própria, a tecnologia para explorar depósitos do pré sal – a maior descoberta de petróleo deste jovem século 21, da qual as Grandes Petrolíferas dos EUA foram excluídas por ninguém menos que Lula.

Então, como resultado das revelações de Snowden, a administração Roussef exigiu que todas as agências do governo usassem empresas estatais em seus serviços de tecnologia. Isso poderia significar que as companhias norte-americanas perderiam até US$ 35 bilhões de receita em dois anos, ao ser excluídos de negociar na 7ª maior economia do mundo – como descobriu o grupo de pesquisa Fundação para a Informação, Tecnologia & Inovação (Information Technology & Innovation Foundation).

O futuro acontece agora.

A marcha em direção à Guerra Híbrida no Brasil teve pouco a ver com as tendências políticas de direita ou esquerda. Foi basicamente sobre a mobilização de algumas famílias ultra ricas que governam de fato o país; da compra de grandes parcelas do Congresso; do controle dos meios de comunicação; do comportamento de donos de escravos do século 19 (a escravidão ainda permeia todas as relações sociais no Brasil); e de legitimar tudo isso por meio de uma robusta, embora espúria tradição intelectual.

Eles dariam o sinal para a mobilização da classe média. O sociólogo Jesse de Souza identificou uma freudiana “gratificação substitutiva”, fenômeno pelo qual a classe média brasileira – grande parte da qual clama agora pela mudança do regime – imita os poucos ultra ricos, embora seja impiedosamente explorada por eles, através de um monte de impostos e altíssimas taxas de juros.

Os 0,0001% ultra ricos e as classes médias precisavam de um Outro para demonizar – no estilo Excepcionalista. E nada poderia ser mais perfeito para o velho complexo da elite judicial-policial-midiática do que a figura de um Saddam Hussein tropical: o ex-presidente Lula.

“Movimentos” de ultra direita financiados pelos nefastos Irmãos Kock pipocaram repentinamente nas redes sociais e nos protestos de rua. O procurador geral de justiça do Brasil visitou o Império do Caos chefiando uma equipe da Lava Jato para distribuir informações sobre a Petrobras que poderiam sustentar acusações do Ministério da Justiça. A Lava Jato e o – imensamente corrupto – Congresso brasileiro, que irá agora deliberar sobre o possível impeachment da presidente Roussef, revelaram-se uma coisa só.

Àquela altura, os roteiristas estavar seguros de que a infra-estrutura social para a mudança de regime já havia produzido uma massa crítica anti-governo, permitindo assim o pleno florescimento da revolução colorida. O caminho para um golpe soft estava pavimentado – sem ter sequer de recorrer ao mortal terrorismo urbano (como na Ucrânia). O problema era que, se o golpe soft falhasse – como parece ser pelo menos possível, agora – seria muito difícil desencadear um golpe duro, estilo Pinochet, através da UW, contra a administração sitiada de Roussef; ou seja, executando finalmente a Guerra Híbrida Total.

No nível socioeconômico, a Lava Jato seria um “sucesso” total somente se fosse espelhada por um abrandamento das leis brasileiras que regulam a exploração do petróleo, abrindo-a para as Grandes Petrolíferas dos EUA. Paralelamente, todos os investimentos em programas sociais teriam de ser esmagados.

Ao contrário, o que está acontecendo agora é a mobilização progressiva da sociedade civil brasileira contra o cenário de golpe branco/golpe soft/mudança de regime. Atores cruciais da sociedade brasileira estão se posicionando firmemente contra o impeachment da presidente Rousseff, da igreja católica aos evangélicos; professores universitários do primeiro escalão; ao menos 15 governadores estaduais; massas de trabalhadores sindicalizados e trabalhadores da “economia informal”; artistas; intelectuais de destaque; juristas; a grande maioria dos advogados; e por último, mas não menos importante, o “Brasil profundo” que elegeu Rousseff legalmente, com 54,5 milhões de votos.

A disputa não chegará ao fim até que se ouça o canto de algum homem gordo do Supremo Tribunal Federal. Certo é que os acadêmicos brasileiros independentes já estão lançando as bases para pesquisar a Lava Jato não como uma operação anti-corrupção simples e maciça; mas como estudo de caso final da estratégia geopolítica dos Exceptionalistas, aplicada a um ambiente globalizado sofisticado, dominado por tecnologia da informação e redes sociais. Todo o mundo em desenvolvimento deveria ficar inteiramente alerta – e aprender as relevantes lições, já que o Brasil está fadado a ser visto como último caso da Soft Guerra Híbrida.

CIA considera Wikileaks agência hostil

O Senado americano quer enquadrar a Wikileaks como “Agência de Inteligência Hostil”Julian Assange,WikiLeaks,Blog do Mesquita

Já foi fácil torcer pelo WikiLeaks. Mas, desde 2010, muitos – eu, inclusive – assistiram com um certo desânimo a derrocada do site, que foi de organização corajosa, capaz de dar guarida aos vazamentos de Chelsea Manning, a uma miscelânea de campanhas de má-fé e revelações para chamar a atenção da mídia.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Chegamos ao ponto em que o WikiLeaks sustenta a teoria da conspiração conhecida como Pizzagate (segundo a qual o ex-diretor de campanha de Hillary Clinton estaria por trás de uma rede de pedofilia). Julian Assange não consegue nem mesmo escrever um tweet sobre óculos escuros sem um viés conspiracionista.

Nesse contexto, dá para entender quem pensa que o fundador do site é movido não só pelo zelo à transparência como também pelas várias contas que tem a acertar. Mas mesmo os críticos mais duros do WikiLeaks devem se opor à tentativa do Senado norte-americano de rotulá-lo como “agência de inteligência não-estatal e hostil” no projeto de lei que define o orçamento deste ano para os serviços de inteligência dos EUA.

Ron Wyden, por exemplo, não é exatamente um amigo do WikiLeaks. Em maio, o gabinete do senador de Oregon publicou no Twitter que era “um fato estabelecido” que “Trump estimulou ativamente os russos e o WikiLeaks a atacar a democracia [norte-americana]”.

Também destacou os suspeitos elogios de Trump ao WikiLeaks durante a campanha eleitoral. Assim como seus colegas democratas do Comitê de Inteligência do Senado, Wyden aderiu à linguagem dura, usada no projeto de lei, para se referir à intromissão russa.

Mas, diferentemente de seus pares, votou contra o texto por conta da seguinte frase: “O Congresso entende que o WikiLeaks e a liderança do WikiLeaks se assemelham a um serviço de inteligência não-estatal e hostil, frequentemente apoiado por agentes do Estado, e devem ser tratados como tal pelos Estados Unidos”.

Mas então, o que é exatamente um “serviço de inteligência não-estatal e hostil”? Excelente pergunta. “Serviço de inteligência” significa agência de espionagem. E agências de espionagem, por sua vez, são ferramentas do governo – ou seja, nunca são não-estatais.

É exatamente por isso que Wyden, apesar de se opor ao WikiLeaks e de estar determinado a investigar a interferência russa no processo eleitoral, saiu em defesa do site. Resoluções oficiais são perigosas quando ninguém sabe ao certo a que se aplicam. Pode até ser que a expressão seja puramente simbólica. Mas a cláusula pode ser bem mais nociva, ameaçando muitas publicações que consideramos que não têm nada a ver com interferência externa.

O jornal “The Hill” relata que Wyden se opos ao uso da “frase heterodoxa” para definir o WikiLeaks porque o termo ambíguo “pode ter consequências legais, constitucionais e políticas, principalmente se for aplicado a jornalistas que estejam investigando assuntos sigilosos”.

Wyden afirma ainda que a ideia de que “o governo dos EUA tenha um plano de ação não declarado contra ‘serviços de inteligência não-estatais e hostis’ é igualmente perturbadora”. Quando o diretor da CIA Mike Pompeo usou essa mesma expressão para descrever o WikiLeaks durante uma palestra em um think tank, em abril, as palavras já haviam soado bem obscuras.

Nada mudou quatro meses depois, a não ser a possibilidade de esse tipo de linguagem se tornar de fato uma política de governo. Isso é muito sintomático e preocupante, mesmo que você odeie o WikiLeaks.

O assessor de imprensa de Wyden, Keith Chu, afirma que, apesar de o senador “ter reiteradamente criticado o WikiLeaks pelo papel a que se prestou na última eleição, de ferramenta da Rússia”, é fácil imaginar “como esse tipo de classificação poderia vir a ser empregado contra veículos de imprensa legítimos ou contra jornalistas que tenham usado materiais publicados pelo WikiLeaks”.

Resumindo, independentemente da opinião que alguém possa ter sobre Assange e seu site, “o precedente aberto por essa nova categoria de inimigo dos EUA é perigoso”.

O governo dos Estados Unidos abomina o WikiLeaks pelo menos desde 2010, quando o grupo divulgou mais de meio milhão de documentos que revelaram segredos de décadas da diplomacia norte-americana e das guerras do Iraque e do Afeganistão. Esse desprezo oficial não é segredo para ninguém.

O site existe para antagonizar e constranger governos do mundo inteiro, mas o poder norte-americano sempre foi seu principal alvo – e a bête noire de Assange. O ódio ao fundador do WikiLeaks e o desejo de vê-lo fracassar são comuns a políticos de todo o espectro norte-americano, eleitos ou não. São sentimentos amplamente conhecidos da opinião pública – assim como a hostilidade irredutível de Assange aos Estados Unidos.

O que permanece nas sombras é uma prova clara de que o WikiLeaks seja um “serviço de inteligência não-estatal e hostil”, o que quer que isso signifique. A versão não-sigilosa do relatório da Comunidade de Inteligência dos EUA sobre a suposta interferência russa no processo eleitoral diz: “Avaliamos, com um alto grau de certeza, que a inteligência militar russa (o Departamento Central de Inteligência ou GRU) obteve material via operações cibernéticas, de maneira pública, e via veículos de mídia, de maneira reservada, e o repassou ao WikiLeaks”.

O relatório aponta que “é muito provável que Moscou tenha escolhido o WikiLeaks por conta de sua autoproclamada reputação de autenticidade”, mas não diz mais sobre a colaboração entre as duas entidades. É importante estabelecer a diferença entre endossar uma ação e fazer de fato parte dela. Se não houvesse distinção entre os dois, a redação do Breibart News, portal de notícias de extrema-direita, ficaria numa barraca no próprio Jardim Sul da Casa Branca.

Parece bem plausível que o WikiLeaks tenha em alguma medida conspirado com parte do governo russo. O hacker de pseudônimo Guccifer 2.0, considerado por analistas privados e pelo governo dos EUA como uma invenção da inteligência russa, foi transparente quanto à sua colaboração com o WikiLeaks (no verão passado, Guccifer 2.0 me disse que eles estavam prestes a repassar informações sobre o Partido Democrata para o WikiLeaks, o que de fato aconteceu pouco depois).

O alinhamento de Putin, Assange e Trump em termos de valores e objetivos também é inegável. Por essa razão, ao longo do último ano, o site angariou muitos e firmes opositores (e, para ser justo, apoiadores também). Mas nada disso descarta a possibilidade de Assange ter recebido material de hackers russos sem se preocupar com a origem, com o único objetivo de constranger e desestabilizar sua arqui-inimiga Hillary Clinton.

A partir daí, seria válido um debate público sobre se Assange está pessoalmente envolvido demais. Mas será que a simples suspeita sobre o que motiva uma publicação deveria mesmo virar lei? Assange pode até ser um picareta com um projeto bem claro e pouquíssimos escrúpulos, mas ele está longe de ser o único.

O lendário advogado Floyd Abrams, especialista em Primeira Emenda, afirmou a The Intercept que ele é “bastante crítico” do comportamento do WikiLeaks. Mas que “a questão de saber exatamente o que WikiLeaks fez, que contatos tem ou teve com adversários do país e tudo o mais” não pode se misturar à questão de uma classificação oficial por parte do governo:

A questão maior é se o governo [dos EUA] deveria classificar uma entidade como agência de inteligência não-estatal e hostil. Ainda não sei ao certo quais são as consequências pretendidas com esse tipo de classificação. Mas tenho certeza de que poderia deixar o WikiLeaks vulnerável a ameaças e talvez até à violência. Soa como se fosse uma descoberta oficial, mas não é; com um significado legal, que também não existe. Então apesar de eu não ter nenhuma objeção a oficiais de inteligência de alta patente criticarem o WikiLeaks, eu ficaria longe de falsas denominações oficiais.

Trevor Timm, diretor-executivo da Freedom of the Press Foundation, organização sem fins lucrativos que financia e apoia a liberdade de imprensa, disse a The Intercept que “Ron Wyden tem razão, a cláusula sobre o WikiLeaks é inédita, obscura e potencialmente muito perigosa”:

Não importa se você ama ou odeia o WikiLeaks. O fato de o Congresso visar uma publicação usando uma expressão tão vaga e inventada quanto “serviço de inteligência não-estatal e hostil” para potencialmente reprimir direitos previstos na Primeira Emenda, abrindo a porta para aumentar o monitoramento de fontes, deveria preocupar todos os jornalistas. É uma pena que outros membros do Congresso não consigam enxergar esse perigo tão óbvio.

(Freedom of the Press Foundation recebe recursos da empresa controladora de The Intercept.)

Para resumir, ainda que você ache que Julian Assange não passa de um sórdido, um  mentiroso, um putinista – e mesmo que de fato fosse tudo isso –, ele publica informações autênticas às quais ele não deveria ter acesso.

Por motivações políticas, sem dúvidas, mas publica. Considerar uma pessoa como essa inimiga do Estado coloca em perigo qualquer outro veículo de mídia que esteja trabalhando ou interessado em trabalhar com materiais e informações aos quais não deveria ter acesso. Em 2017, isso significa quase todos os veículos.

Do Departamento de Justiça à Casa Branca e ao Congresso, a moda é ser antivazamentos, e o uso de termos abertamente ameaçadores para definir os que publicam informações verdadeiras é sem precedentes. O WikiLeaks é o alvo perfeito para defensores de segredos de Estado porque a reputação do site está na lama fora da Trumplândia. Mas vamos pesar as consequências disso.

“Serviço de inteligência não-estatal e hostil” não significa tecnicamente nada. O que impediria um jornal como o New York Times (ou qualquer parceiro ou concorrente dele) de cair nessa definição ao fazer reportagens sobre e-mails hackeados pelo WikiLeaks?

Qual é exatamente o status legal de um “serviço de inteligência não-estatal e hostil”? Uma doação para o WikiLeaks poderia ser considerada assistência material ao inimigo?

E quanto aos muitos e respeitáveis jornalistas que já trabalharam em parceria com o WikiLeaks, do New York Times ao Der Spiegel? Eles agora serão considerados culpados de ter colaborado com um “serviço de inteligência não-estatal e hostil”?

Se o WikiLeaks vier a publicar um vazamento tão revolucionário e valioso quanto o que foi feito por Chelsea Manning, e aí? Jornalistas poderiam escrever reportagens sobre o que tiver sido obtido por essa agência espiã inimiga?

São perguntas sem respostas. A estratégia de rotular o WikiLeaks, além de arriscada, contribuirá pouco para reformar ou mudar significativamente Assange ou o próprio WikiLeaks. O mais provável é que o fundador do site veja nisso tudo mais uma prova de que ele é vítima de perseguição por parte do governo dos EUA.

A nova classificação não adiantaria muito, no entanto, para convencê-lo de que promover Marine Le Pen ou espalhar falsas teorias da conspiração sobre cozinha ritualística não são de interesse público. Mas poderia ser um balde de água fria nos que estão trabalhando para valer. Não dê a Assange, ou a Pompeo, essa vitória.

Foto em destaque: Julian Assange após conversar com a mídia da varanda da Embaixada do Equador em Londres (19/05/2017).

Tradução: Carla Camargo Fanha

CIA e a arte moderna como catequese

A arte moderna como arma da CIA

A Agência Central de Inteligência usou-se da arte moderna americana, incluindo as obras de artistas como Jackson Pollock, Robert Motherwell, Willem de Kooning e Mark Rothko, como uma arma na Guerra Fria.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Quadro expressionista abstrato premiado. Vemos um quadro sem nada, exceto com alguns rabiscos numa tela.
É exatamente o que o capitalismo quer que você tenha em mente, “nada”, e para o capitalismo isso é “liberdade”.
Durante décadas nos círculos de arte isso ou era um boato ou uma piada, mas agora confirma-se como um fato.
Na forma de um príncipe da Renascença, exceto por agir secretamente, a CIA fomentou e promoveu a Pintura Expressionista Abstrata Americana em todo o mundo por mais de 20 anos.A conexão é improvável. Este foi um período, na década de 50 e 60, em que a grande maioria dos americanos não gostava ou mesmo desprezava a arte moderna, o presidente Truman resumiu o ponto de vista popular ao dizer: “Se isso é arte, então sou Hottentot”. Para os próprios artistas, muitos eram ex-comunistas que mal eram aceitos na América da era mccarthista, e certamente não o tipo de pessoas que normalmente recebiam apoio do governo americano.Por que a CIA passou a apoiá-los? Por que na guerra de propaganda contra a União Soviética, esse novo movimento artístico poderia ser apresentado como prova da criatividade, da liberdade intelectual, e o poder cultural dos EUA. A arte russa, presa na camisa de força ideológica comunista, não poderia competir.

A existência dessa política, presente em rumores e contestada por muitos anos, agora foi confirmada pela primeira vez por um ex-oficiais da CIA. Desconhecida para os artistas, a nova arte americana era secretamente promovida sob uma política conhecida como “longa coleira”, acordos semelhantes aos do apoio indireto da CIA ao jornal Encounter, editado por Stephen Spender.

A decisão de incluir a cultura e a arte no arsenal da Guerra Fria nos EUA foi tomada assim que a CIA foi fundada em 1947. Consternada com o apoio que o comunismo ainda tinha entre muitos intelectuais e artistas no ocidente, a nova agência organizou uma divisão, os Inventários Ativos de Propaganda(Propaganda Assets Inventory), que em seu auge pôde influenciar mais de 800 jornais, revistas e formadores de opinião pública. Eles brincavam dizendo que era como uma caixa de música Wurlitzer: quando a CIA apertava o botão, podia-se ouvir qualquer música tocando pelo mundo inteiro.

O próximo passo decisivo veio em 1950, quando a Divisão de Organizações Internacionais (IOD) foi instituída por Tom Braden. Foi este escritório que subsidiou a versão animada de A Revolução dos Bichos de George Orwell, que patrocinou artistas americanos de jazz, recitais de ópera, a programada turnê internacional da Orquestra Sinfônica de Boston. Seus agentes foram colocados na indústria cinematográfica, em editoras, assim como escritores viajantes para os celebrados guias Fodor. E, agora sabemos, ela promoveu o movimento de vanguarda anárquico conhecido como Expressionismo Abstrato.

Inicialmente, mais tentativas abertas foram feitas para apoiar a nova arte americana. Em 1947, o Departamento de Estado organizou e pagou por uma exibição internacional chamada “Avançando a Nova Arte Americana”, com o escopo de refutar sugestões soviéticas de que a América era um deserto cultural. Mas o show causou indignação em casa, levando a Truman e sua observação sobre Hottentott e um congressista amargurado a declarar: “Eu sou só um americano idiota que paga impostos para este tipo de lixo”. A turnê teve que ser cancelada.

O governo dos EUA agora enfrenta um dilema. Esse filistinismo, combinado com as denúncias histéricas de Joseph McCarthy de que tudo o que era de vanguarda ou não ortodoxo era profundamente embaraçoso. Ele desacreditou a ideia de que a América era uma sofisticada e culturalmente rica democracia. Ele também impediu o governo dos EUA de consolidar uma mudança de supremacia cultural de Paris para Nova Iorque desde 1930. Para resolver esse dilema, a CIA foi chamada.

A conexão não é tão estranha quanto pode parecer. Neste momento a nova agência, composta principalmente por graduados de Yale e Harvard, muitos dos quais colecionavam arte e escreviam romances em seu tempo livre, eram um refúgio do liberalismo quando comparado com um mundo político dominado por McCarthy ou com o FBI de J. Edgar Hoover. Se havia uma instituição política que estava em posição de celebrar uma coleção de leninistas, trotskistas e alcólatras que compunham a Escola de Nova Iorque, esta era a CIA.

Até agora não houve nenhuma evidência em primeira mão para provar que esta ligação foi feita, mas nela, pela primeira vez alguém oficial no caso quebrou o silêncio. Sim, como foi dito, a agência viu o Expressionismo Abstrato como uma oportunidade e sim, a agência correu com ele.

“No que diz respeito ao expressionismo abstrato, eu adoraria ser capaz de dizer que a CIA inventou isso apenas para ver o que acontece em Nova York e no centro SoHo amanhã!”, brincou. “Mas eu acho que o que fizemos realmente foi reconhecer a diferença. Foi reconhecido que o Expressionismo Abstrato era o tipo de arte que fez realismo socialista olhar ainda mais estilizado e mais rígido e confinado do que era. E essa relação foi explorada em algumas das exposições.

“De certa forma o nosso entendimento foi ajudado porque Moscou naqueles dias era muito cruel na sua denúncia de qualquer tipo de não-conformidade com os seus próprios padrões muito rígidos. Assim, pode-se de forma adequada e precisa raciocinar que qualquer coisa que eles criticavam muito e com mão pesada valia a pena ser apoiado de uma forma ou de outra”.

Para prosseguir em seu interesse clandestino na vanguarda esquerdista da América, a CIA tinha que ter certeza de que seu patrocínio não poderia ser descoberto. “Questões desse tipo só poderiam ter sido feitas em dois ou três removes”, o Sr. Jameson explicou, “de modo que não haveria qualquer questão de ter que limpar Jackson Pollock, por exemplo, ou fazer qualquer coisa que possa envolver essas pessoas com a organização. E não poderia ter sido melhor, pois a maioria deles eram pessoas que tinham muito pouco respeito pelo governo, em particular, e, certamente, nenhum pela CIA. Se você tivesse que usar pessoas que se consideravam de uma forma ou de outra mais próximas de Moscou do que Washington, bem, tanto melhor, talvez”.

Essa foi a “longa coleira”. A peça central da campanha da CIA tornou-se o Congresso pela Liberdade Cultural, um grande congresso de intelectuais, escritores, historiadores, poetas e artistas, que foi criado com recursos da CIA em 1950 e dirigido por um agente da CIA. Era a cabeça de praia a partir da qual a cultura pôde ser defendida dos ataques de Moscou e seus “colegas de viagem” no Ocidente. No seu auge, ela tinha escritórios em 35 países e publicou mais de duas dezenas de revistas, incluindo a Encounter.

O Congresso para a Liberdade Cultural também deu à CIA a frente ideal para promover sua participação secreta no Expressionismo Abstrato. Seria o patrocinador oficial de exposições itinerantes, suas revistas iriam fornecer plataformas úteis para os críticos favoráveis à nova pintura americana; e ninguém, os artistas incluídos, seria mais sábio.

Esta organização reuniu várias exposições do Expressionismo Abstrato nos anos 50. Uma das mais significativas, “A nova pintura americana”, visitou cada grande cidade europeia em 1958-59. Outros shows influentes incluindo a “Arte Moderna nos Estados Unidos”(1955) e “Obras-primas do século XX” (1952).

Pelo fato do Expressionismo Abstrato ser caro para se movimentar e apresentar, milionários e museus foram chamados para o jogo. Preeminente entre estes estava Nelson Rockefeller, cuja mãe foi cofundadora do Museu de Arte Moderna de Nova York. Como presidente do que ele chamou de “Museu da Mamãe”, Rockefeller era um dos maiores apoiadores do Expressionismo Abstrato (que ele chamou de “pintura de livre empresa”). Seu museu foi contratado para o Congresso para a Liberdade Cultural para ser organizador e curador da maioria de suas importantes mostras de arte.

O museu também estava ligado à CIA por várias outras pontes. William Paley, o presidente da difusora CBS e um dos fundadores da CIA, sentou-se na mesa de membros do Programa Internacional do museu. John Hay Whitney, que tinha servido em tempos de guerra anteriores a agência, a OSS, foi o seu presidente. E Tom Braden, primeiro chefe da Divisão de Organizações Internacionais da CIA, foi secretário-executivo do museu, em 1949.

Agora com seus oitenta anos, o Sr. Braden mora em Woodbridge, Virgínia, em uma casa repleta de trabalhos do Expressionismo Abstrato e guardada por enormes alsacianos. Ele explicou o objetivo do IOD.

“Queríamos unir todas as pessoas que eram escritoras, que eram músicos, que eram artistas, para demonstrar que o Ocidente e os Estados Unidos eram dedicados à liberdade de expressão e de realização intelectual, sem quaisquer barreiras rígidas sobre o que e como você deve escrever, e o que você deve dizer, e o que você deve fazer, e o que você deve pintar, que era o que estava acontecendo na União Soviética. Eu penso que foi a divisão mais importante que a agência tinha, e eu penso que ela desempenhou um papel enorme na Guerra Fria”.

Ele confirmou que sua divisão agiu secretamente por causa da hostilidade do público à vanguarda: “Foi muito difícil fazer o Congresso acompanhar algumas das coisas que queríamos fazer, enviar a arte ao exterior, enviar sinfonias ao exterior, publicar revistas no exterior. Essa é uma das razões por que tinha de ser feito de forma encoberta, tinha que ser um segredo. Para incentivar a abertura tivemos que ser secretos”.

Será que o Expressionismo Abstrato teria sido o movimento de arte dominante dos anos do pós-guerra sem este patrocínio? A resposta é provavelmente sim. Igualmente, seria errado sugerir que quando você olha para uma pintura expressionista abstrata você está sendo enganado pela CIA.

Mas olhe onde esta arte acabou: nos salões de mármore dos bancos, nos aeroportos, nas prefeituras, salas de reuniões e grandes galerias. Para os guerreiros frios que a promoveram, estas pinturas foram um logotipo, uma assinatura da sua cultura e sistema que eles queriam mostrar em todos os locais possíveis. Eles conseguiram.

Operação secreta.

Em 1958, a exposição itinerante “The New American Painting ” , incluindo obras de Pollock, De Kooning , Motherwell e outros, estava em exibição em Paris. A Tate Galery fez questão de recebê-la em seguida, mas não tinha dinheiro para trazê-la. No final do dia, um milionário americano e amante de arte, Julius Fleischmann , entrou em cena com o dinheiro e a mostra foi trazida para Londres.

O dinheiro que Fleischmann forneceu, porém , não era seu, mas da CIA. Ele veio através de um órgão chamado a Fundação Farfield, da qual Fleischmann foi presidente, mas longe de ser um milionário caridoso, a fundação era um canal secreto para os fundos da CIA.

Então, desconhecida para a Tate, o público ou os artistas, a exposição foi transferida para Londres às custas dos contribuintes americanos para servir de propaganda sutil da Guerra Fria. Um ex-agente da CIA, Tom Braden, descreveu tais condutas quando a Fundação Farfield foi criada. “Nós recorreríamos a alguém em Nova York que fosse rico e bem conhecido a quem diriamos: ‘Queremos criar uma fundação’. Nós lhe contaríamos o que estávamos tentando fazer e exigiriamos dele segredo, e ele diria: ‘É claro que eu vou fazer isso’, e então você iria publicar um papel timbrado e seu nome estaria nele e haveria uma fundação. Foi um dispositivo realmente muito simples”.

Julius Fleischmann estava bem colocado para esse papel. Ele sentou-se na mesa do Programa Internacional do Museu de Arte Moderna de Nova York, como fizeram várias figuras poderosas perto da CIA.

Publicado originalmente no jornal britânico Independent

Traduzido por Cristiano Alves

BND grampeou a Casa Branca

Angela Merkel, quando descobriu que havia sido grampeada pelo Obama condenou – hahahah – a atitude do “Nigeriano Haviano” com esse cinismo: “Espionagem entre amigos é algo que não dá [para aceitar]”
José Mesquita – EditorCasa Branca

Serviço secreto alemão espionou Casa Branca, diz revista

“Der Spiegel” diz ter tido acesso a documentos que comprovam que agência de inteligência da Alemanha monitorou, durante anos, conteúdo de e-mails e telefonemas de centenas de alvos nos EUA.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Casa Branca teria sido apenas um dos alvos no governo dos EUA

O Serviço Federal de Informações da Alemanha (BND) teria espionado centenas de alvos nos Estados Unidos, incluindo empresários americanos e a Casa Branca, segundo reportagem publicada nesta quinta-feira (22/06) pela revista alemã Der Spiegel.

De acordo com a revista, o serviço secreto alemão monitorou linhas telefônicas e e-mails nos eUA usando uma lista de cerca de 4 mil termos de busca, os chamados seletores, entre 1998 e 2006. Além da Casa Branca, os alvos incluíam o Departamentos de Estado, a Força Aérea Americana e a Nasa, entre outras instituições governamentais.

Centenas de embaixadas estrangeiras em Washington e escritórios de organizações internacionais no país, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), também estiveram na mira do BND. Essas informações estariam em documentos, aos quais a revista teve acesso.

A descoberta pode causar embaraços para o governo alemão. Em 2013, quando foi revelado o escândalo de espionagem envolvendo a Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA, da qual o celular da chanceler federal teria sido alvo, Angela Merkel condenou a atitude americana.

“Espionagem entre amigos é algo que não dá [para aceitar]”, declarou Merkel na época. A indignação pegou mal meses depois, ao ser revelado que o serviço secreto alemão ajudava a NSA a espionar aliados europeus.

E agora, “como mostram os documentos, o BND também não teve inibição alguma no passado para grampear instituições governamentais em Washington”, diz a Der Spiegel.

Ao depor como testemunha na audiência final do comitê parlamentar encarregado de investigar o escândalo de espionagem envolvendo a NSA e o serviço secreto alemão, em fevereiro deste ano, Merkel desmentiu alegações de que sabia desde o início sobre a ampla espionagem de aliados por parte da NSA e do BND. Ela admitiu, porém, erros técnicos e organizacionais.

O relatório final da investigação deve ser debatido no Parlamento nas próximas semanas, mas o atual escândalo não deve pesar neste inquérito parlamentar. Procurado pela Der Spiegel, o BND se recusou a comentar a suposta espionagem.

CN/ots

Wikileaks revela o suposto método da CIA para ‘hackear’ telefones

Wikileaks - Julian Assange
Julian Assange segura um relatório da ONU na embaixada de Equador. AP

O Wikileaks, plataforma fundada por Julian Assange para divulgar informações confidenciais ou privadas, iniciou nesta terça-feira a publicação de milhares de documentos que atribui ao Centro de Inteligência Cibernética da CIA.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

O material consistiria, segundo o WikiLeaks, de detalhes e ferramentas de um programa de espionagem cibernética dos serviços de inteligência norte-americanos, cuja publicação colocaria a agência federal em sérios apuros.

“O arquivo parece ter estado circulando de forma não autorizada entre ex-hackers e prestadores de serviços do Governo, um dos quais ofereceu fragmentos ao Wikileaks”, acrescenta o site em um comunicado.
Uma parte do vazamento, ao qual o Wikileaks se refere como Ano Zero, consiste de 8.761 documentos e arquivos de uma rede isolada de alta segurança, situada no chamado Centro de Inteligência Cibernética que a CIA mantém em Langley (Virgínia), que incluem esses instrumentos de espionagem.
O chamado programa Ano Zero incluiria especificamente uma série de armas informáticas para poder grampear telefones e aparelhos produzidos por companhias norte-americanas, como os iPhones da Apple, o sistema Android do Google, o Windows da Microsoft e os televisores Samsung, que assim se tornariam microfones disfarçados.

Estes documentos serão divulgados após vazamentos relativos a partidos e políticos franceses durante a campanha eleitoral de 2012. Agentes da CIA teriam recebido ordens de averiguar conversas privadas de Nicolas Sarkozy sobre outros candidatos, assim como as estratégias de François Hollande e Marine Le Pen, as dinâmicas partidárias e suas posições com relação à política econômica.

No final do ano, as agências de inteligência dos Estados Unidos acusaram Moscou de orquestrar uma campanha de espionagem durante as eleições presidenciais de novembros nos EUA, mas numa escala muito diferente deste caso, já que acusavam o Kremlin de revelar emails do Partido Democrata – publicados pelo próprio Wikileaks – e difundir notícias falsas, entre outras estratégias, a fim de prejudicar a candidatura de Hillary Clinton e favorecer a chegada de Donald Trump ao poder.

Esse episódio contrapôs Trump, então presidente-eleito, aos seus próprios serviços de espionagem, cuja credibilidade ele colocou em dúvida. Depois de tomar posse na Casa Branca, em 20 de janeiro, voltou a enfrentar esse assunto quando a imprensa divulgou as conexões de membros da sua equipe com Moscou.

As revelações desta terça-feira, se confirmadas, darão a Trump um bom trunfo para sua tese de que a CIA está infestada de fofoqueiros que não cuidam direito da informação confidencial. Jonathan Liu, porta-voz da CIA citado pela agência AP, limitou-se dizer que não faria comentários sobre a autenticidade ou conteúdo de tais documentos.

O WikiLeaks havia planejado uma entrevista coletiva via internet para apresentar seu projeto Vault 7, mas posteriormente anunciou no Twitterque suas plataformas tinham sido atacadas e que tentará se comunicar mais tarde.

Em nota, o australiano Assange, refugiado desde 2012 na Embaixada do Equador em Londres, disse que o vazamento desta terça-feira é “excepcional do ponto de vista legal, político e forense”.

Donald Trump contraria Serviço Secreto dos EUA e ainda usa um Galaxy S3

Ninguém confirma oficialmente qual é o modelo usado por Trump, mas pelas fotos publicadas com ele e seu aparelho, tudo indica que o modelo seja um Galaxy S3, lançado pela Samsung em 2012, como indica esta análise do site Android Central. Isso é um problema sério, porque a empresa não lançou nenhuma atualização para o modelo desde a versão KitKat, lançada em 2013.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Em um perfil do novo presidente dos EUA, a jornalista Maggie Haberman, do New York Times conta que o telefone ainda é usado por Trump para usar o Twitter, e ainda é capaz de receber chamadas.

Como qualquer usuário de Android deve saber, um aparelho abandonado pela fabricante há tanto tempo já não é muito seguro para ser usado. Uma pessoa comum ainda pode aceitar o risco e continuar usando seu celular, mas quando se trata de alguém em um cargo tão alto, o perigo se torna muito maior.

Afinal de contas, Trump é um alvo de interesse de qualquer hacker no mundo, e com a ciberguerra se tornando um fator cada vez mais importante da política global, qualquer brecha é um perigo.

O Serviço Secreto orienta os novos presidentes a substituírem seus celulares ao assumirem o cargo. Barack Obama tinha um BlackBerry quando chegou ao poder, que foi substituído por outro aparelho completamente travado, incapaz de fazer fotos, enviar mensagens, reproduzir música, fazer chamadas ou se conectar a internet.

O intuito é justamente reduzir ao máximo os riscos trazidos por uma tecnologia tão pessoal (e invasiva!) quanto um celular.

Um aparelho infectado poderia se transformar em um microfone que transmite em tempo real as conversas de um presidente, ou transmitir sua localização para pessoas com más intenções 24 horas por dia.

Basta que o usuário, no caso Donald Trump, clique em um link que não deveria no Twitter.

Via The Guardian

CIA libera 13 milhões de documentos secretos que incluem relatos sobre óvnis e experiências psíquicas

O arquivo da CIA agora pode ser analisado por qualquer um, e a qualquer hora

Símbolo da CIADireito de imagemGETTY IMAGES

A CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos, liberou para o acesso público cerca de 13 milhões de documentos secretos.

Os documentos foram liberados na internet nesta quarta-feira depois de muita pressão de defensores das leis de liberdade de informação e de um processo contra a agência.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Entre os documentos estão comunicados internos, pesquisas, relatos de avistamentos de óvnis e até mesmo experiências psíquicas.

Trata-se de quase 800 mil arquivos, que totalizam 13 milhões de páginas – eles podem ser acessados aqui.

Entre os documentos estão registros de Henry Kissinger, secretário de Estado americano durante os mandatos dos presidentes Richard Nixon e Gerald Ford, além de centenas de milhares de páginas de análises de informações secretas e pesquisas científicas.

Stargate

Entre os registros considerados mais “exóticos” estão os documentos do chamado programa Stargate, que analisava poderes psíquicos e percepções extrassensoriais.

Nesses documentos estão incluídos os testes feitos para analisar as habilidades psíquicas de Uri Geller em 1973, quando ele já era famoso por apresentações demonstrando seus “poderes”.

Os testes psíquicos de Uri GellerNos documentos disponibilizados pela CIA estão detalhes dos resultados de testes realizados em Uri Geller, nos quais ele tentou copiar desenhos feitos por pesquisadores em outra sala

Os memorandos detalham como Geller conseguiu reproduzir em parte figuras que foram desenhadas por outras pessoas em uma sala separada de onde ele estava.

Ele reproduziu os desenhos com graus variáveis de precisão – em algumas vezes, replicando o que estava sendo criado por outras pessoas.

Isso levou os pesquisadores a escrever que Geller “demonstrou sua habilidade perceptiva paranormal de uma forma convincente e sem ambiguidade”.

Os documentos também incluem uma série de relatos de avistamento de discos voadores e os recibos de compra de tinta invisível.

Acesso difícil

Boa parte das informações liberadas já podia ser acessada pelo público desde o meio da década de 1990, mas de uma forma muito difícil.

Os documentos só estavam disponíveis a partir de computadores localizados nos fundos de uma biblioteca nos Arquivos Nacionais, em Maryland. E a consulta só podia entre as 9h e as 16h30.

Representação de discos voadores
Relatos de óvnis também estão inclusos nos documentos divulgados
Direito de imagemSCIENCE PHOTO LIBRARY

O grupo sem fins lucrativos MuckRock, defensor da liberdade de informação, processou a CIA para obrigar o serviço secreto a disponibilizar a coleção de documentos online, um procedimento que demorou mais de dois anos.

Ao mesmo tempo, o jornalista Mike Best usou outra estratégia para pressionar a agência.

Por meio de crowdfunding (“vaquinha virtual”), Best conseguiu US$ 15 mil (mais de R$ 48 mil) para visitar o local, imprimir esses arquivos e então divulgá-los para o público, um por um.

Em sua página de crowdfunding, Best explica que o orçamento para o projeto foi relativamente pequeno porque a “CIA está reembolsando os Arquivos Nacionais pelo custo do papel e da tinta – a impressão dos documentos é de graça”.

“Ao escanear e imprimir os arquivos às custas da CIA, consegui começar a torná-los disponíveis para o público e dar à agência um incentivo financeiro para simplesmente colocar o banco de dados online”, escreveu o jornalista em um blog.

Donald Trump e Putin: Conspiração?

Conspiração ou espionagem? O que se sabe sobre a acusação de que a Rússia interferiu na eleição de Trump

Trump sorrindo
Tuítes recentes de Trump ajudaram a inflamar ainda mais a polêmica sobre a suposta espionagem russa – Image copyrightAP

Com um tuíte, o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, inflamou ainda mais a polêmica sobre as suspeitas de que hackers russos influenciaram a eleição presidencial.

“Você consegue imaginar se o resultado da eleição fosse o oposto e NÓS estivéssemos tentando usar a carta da Rússia/CIA. Isso seria chamado de teoria da conspiração!”[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

No fim de semana, as duas principais agências de segurança dos EUA – o FBI (Agência Federal de Investigações) e a CIA (Agência Central de Inteligência) – teriam descoberto intervenções da Rússia nas eleições do país para promover a vitória de Trump. As informações foram divulgadas em dois importantes jornais dos EUA com base em relatórios das duas agências.

Em outubro, o governo dos EUA já havia apontado a responsabilidade da Rússia nesses ataques e acusado o país de interferir na campanha do Partido Democrata. Mas, segundo as novas informações divulgadas pela imprensa americana, a Rússia tinha como motivação ajudar Trump.

Mas o que se sabe até o momento sobre a acusação de que Moscou, de fato, agiu para promover a vitória do bilionário?

O que diz Trump

Em entrevista à TV e também em seu Twitter, o republicano criticou e colocou em xeque as informações contidas nos relatórios do FBI e da CIA.

Falando à rede Fox News, Trump disse que os democratas estavam divulgando documentos “ridículos” porque estavam envergonhados com a escala da derrota que sofreram nas eleições.

Ele disse que a Rússia poderia estar por trás dos ataques, mas que era impossível saber. “Eles não fazem ideia se foi a Rússia, a China ou alguém sentado em uma cama em algum outro lugar.”

Trump caminhando ao lado de MelaniaTrump e sua equipe não pouparam críticas às agências de inteligência dos Estados Unidos – Image copyrightAP

A equipe do presidente eleito também criticou agências de inteligência dos Estados Unidos: “Essas são as mesmas pessoas que disseram que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa”.

O presidente eleito usou seu Twitter para questionar o porquê de as acusações não terem sido divulgadas antes da eleição.

“A não ser que você pegue os hackers no ato, é muito difícil determinar quem estava por trás da ação. Por que então isso não veio à tona antes?”, tuitou nesta segunda-feira.

O que dizem outros republicanos

Republicanos experientes têm se juntado aos democratas para pedir investigações sobre o caso. O senador republicano John McCain disse, em um comunicado conjunto com líderes democratas, que o relatório da CIA “deveria deixar qualquer americano alarmado”.

Ele afirmou que o Congresso deveria abrir uma investigação e que esta deveria ser ainda mais minuciosa do que a que será conduzida pela Casa Branca.

Nesta semana, o presidente Barack Obama, que deixa o cargo em 20 de janeiro, ordenou uma apuração sobre uma série de ataques cibernéticos que teriam sido promovidos pela Rússia durante a campanha eleitoral nos EUA.

De acordo com a Casa Branca, o relatório – que deve ser finalizado até o fim do mandato do democrata – será uma “sondagem profunda sobre um possível padrão de uma crescente atividade maliciosa na internet durante a temporada eleitoral”.

As acusações foram negadas por funcionários do governo russo.

O que dizem os relatórios, segundo a imprensa

De acordo com o jornal The New York Times, os dois órgãos concluíram que “seguramente houve uma participação russa para hackear essas informações”.

Segundo o jornal, entre os documentos obtidos pelos hackers estariam as contas de e-mails do Comitê Nacional Democrata e do presidente da campanha de Hillary Clinton, John Podesta.

O NYT afirma ainda que as agências de inteligência acreditam que essas informações teriam sido repassadas pelos russos ao WikiLeaks, que vazou o conteúdo.

O Washington Post afirma que um relatório da CIA chegou a informações parecidas. O jornal cita um oficial do governo dos EUA para afirmar que “a análise das agências de inteligência é de que o objetivo da Rússia era favorecer um candidato sobre o outro e ajudar na vitória de Trump”.

Hillary e Trump durante debateE-mails de Hillary Clinton e de seus assessores foram hackeados

Os novos detalhes teriam surgido durante a apresentação dos relatórios pelas agências de inteligência aos senadores na semana passada.

A reunião teria ocorrido com portas fechadas, mas, segundo o Washington Post, as informações teriam sido passadas por um funcionário do governo que não quis se identificar.

O que dizem os democratas

Na época da campanha eleitoral, e-mails da candidata democrata Hillary Clinton e de seus assessores foram sido hackeados, e o conteúdo, enviado ao WikiLeaks e postado online.

A divulgação causou problemas à campanha dos democratas. A então candidata passou boa parte dos debates se explicando sobre os emails, especialmente a descoberta de que ela quebrou regras oficiais ao trabalhar com informações secretas usando um servidor privado em sua casa em Nova York quando ainda era secretária de Estado.

Hillary e sua equipe não se cansaram de acusar o rival republicano e de que os russos estavam por trás da invasão às contas de email dos democratas.

John PodestaPodesta fez duras acusações contra russos e a campanha de Trump
Image copyrightAP

Um dos críticos mais severos foi John Podesta, chefe de campanha de Hillary, cuja conta também foi invadida. Na época, ele acusou o governo russo de responsabilidade pelo vazamento e disse que a campanha de Trump já sabia a respeito.

O que diz analista da BBC

Para o correspondente da BBC em Washington, Anthony Zurcher, apesar de Trump dizer o contrário, ele entrará na Casa Branca em uma situação complicada – e a derrota na votação popular de 2,8 milhões de votos é apenas um dos fatores que colaboram para isso.

“Esse cenário provavelmente explica o porquê de a equipe de Trump estar respondendo de maneira tão incisiva as acusações de que hackers russos influenciaram a política americana em uma tentativa para favorecer o republicano. Assim como a recontagem dos votos, isso pode ser visto como outra maneira de minar a legitimidade da vitória de Trump”, afirmou o correspondente.

Para Zurcher, não importa que seja bem pouco provável que a recontagem altere os resultados das eleições ou que os ataques hackers estejam lá no fim da lista de motivos que causaram a derrota de Hillary.

“Os tuítes raivosos de Trump e a indignação de seus partidários são evidência suficiente de que o presidente eleito se sente ameaçado. No caso da Rússia, no entanto, os comentários raivosos de Trump podem custar um alto preço político.”

Reunião na CIA em janeiro de 2015 e de Novembro de 2016

Em uma sala de reuniões ampla, com cortinas fechadas em um de seus lados, vê-se no centro da sala, uma mesa retangular em torno da qual estão umas vinte pessoas acomodadas em cadeiras confortáveis.

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Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia

Cada pessoa tem à sua frente um mesmo dossiê. O cidadão da cabeceira começa a falar.

– Não serão feitas apresentações e não precisam se identificar ao falar. Todos sabem do que iremos tratar. Por favor, comece.

Esta última frase é dita enquanto olha para o cidadão ao seu lado. Este toma a palavra.

– Hoje, o Brasil não é somente um mercado para o consumo dos bens e serviços das nossas empresas, além de um grande fornecedor de grãos e minérios de baixo valor no mercado internacional. Com a descoberta por parte deles da enorme jazida do Pré-Sal, mais as novas províncias petrolíferas, que ainda irão ser descobertas, na área que os nacionalistas brasileiros chamam de território marítimo brasileiro, que vai além do seu mar territorial, o Brasil poderá se tornar o maior exportador mundial de petróleo, acima da Arábia Saudita e da Venezuela.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

– Os nativos sabem disso?

– Não. A grande massa não sabe de nada. Pouquíssimos brasileiros nacionalistas sabem. Alguns dos nossos aliados no país sabem da possível extensão das províncias petrolíferas que o país possui, porque os informamos. Mas só demos estas informações aos confiáveis.

Neste ponto, o coordenador interrompe a apresentação para dizer:

– Seria melhor se as perguntas fossem anotadas e feitas no final. Continue, por favor.

– Creio que todos aqui sabem que o petróleo ainda será vital para as economias mundiais por no mínimo uns 50 anos, os desenvolvimentos tecnológicos para fornecimento de calor e movimento para as sociedades não encontrarão competidores em custo com os derivados de petróleo, a menos que restrições ambientais sejam impostas. Sumariamente, o petróleo continuará sendo um insumo essencial para as economias mundiais. Além disso, o petróleo do Brasil terá papel primordial no futuro do mercado internacional de petróleo, porque no resto do globo só ocorrerão descobertas de petróleo caro e, quando for de petróleo acessível, elas serão em regiões conflituosas.

O coordenador da reunião agradece a exposição do último interlocutor e passa a palavra a outro presente, dizendo:

– Assim, chegamos ao objetivo principal da nossa reunião. Tenha a palavra.

– Ocorreu recentemente, no final de 2014, a eleição para presidente do Brasil e, apesar de todos os esforços por nós despendidos, que não foram poucos, a presidente Dilma foi reeleita. Não vou fazer uma análise profunda do que ocorreu, para não roubar tempo do que é principal para este reunião. Mas, faço questão de frisar, até porque será útil para qualquer ação futura nossa, que existe no Brasil hoje um fator que nos desestabiliza. Trata-se do ex-presidente Lula. Ele é um fenômeno na capacidade de comunicação com as massas e, hoje, é muito mais perigoso que no passado. Nós erramos em 2002, quando dissemos que não importaria, se ele ganhasse a Presidência naquele ano. Não imaginávamos que o Lula de 2002 evoluiria para um político que valoriza o nacionalismo. Possivelmente, o contato com lideres da China, Rússia, Índia e de outros países, a interferência do seu chanceler Celso Amorim e o entendimento da riqueza que representa o Pré-Sal o levaram a ser mais consciente da questão geopolítica.

– Encaminhe a nossa proposta de reversão desta perda eleitoral. É preciso deixar claro que para nós é inconcebível o Pré-Sal não ficar aberto a nossas empresas.

– Obviamente, temos que recuperar o poder para as nossas mãos. Um golpe através dos militares não é mais viável porque, primeiro, eles saíram muito marcados do período recente em que estiveram no poder, pois a população guarda lembrança de torturas e assassinatos de lideranças neste período e, em segundo lugar, não sabemos ao certo como pensa, atualmente, o militar brasileiro. Temos a nosso dispor para ajudar em qualquer projeto que decidirmos a mídia comercial local, que é nossa, o empresariado brasileiro, com raríssimas exceções, a grande maioria dos políticos do país, que são sem escrúpulos e corruptíveis. Temos também parcela do judiciário local, que é uma casta complexa em que residem egos avantajados. Temos uma arma secreta que é o treinamento de pessoal da Justiça e de ocupantes do Ministério da Justiça aqui, conosco. O mote para nossas ações a ser transmitido para todos os brasileiros será a luta contra a corrupção. A verdade é que a corrupção vem acontecendo no Brasil há anos. Por exemplo, somos conhecedores da corrupção dentro da Petrobras desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, mas, se tivermos que entregar a nossos aliados no Brasil, divulgaremos só os fatos dos períodos Lula e Dilma. Aliás, um ponto que precisa ser providenciado urgentemente é quebrar esta empresa, por tudo que ela representa. Ela é o próprio “vírus” nacionalista. Não podemos deixar no Brasil uma concorrente das nossas empresas querendo roubar o Pré-Sal de nós. O pior que pode nos acontecer é nosso plano ser identificado como contrário aos interesses brasileiros. Não se pode deixar o sentimento nacionalista brotar. Por isso, é recomendável não se aliar a ninguém que tenha algum compromisso nacionalista por mínimo que seja, a menos de torcer pela seleção de futebol do Brasil. Devemos reconhecer que o período neoliberal globalizante, cujo auge foi durante o governo de Fernando Henrique, alijou quase por completo qualquer sentimento nacionalista. Trabalhamos bem, então. A partir daí, o nacionalismo foi vinculado ao atraso, ao passado distante e ao autoritarismo. Depois desta época, candidatos têm procurado reabilitar as teses nacionalistas, mas têm sido massacrados nas eleições. Naquela época, o brasileiro “foi conquistado”, em grande parte graças à nossa mídia “brasileira”, que nos ajuda muito.

– Acabou, Greg? Porque creio que chegou a hora de falarmos dos suportes financeiros para as ações que desenvolveremos. Antes, é preciso deixar claro que todas as ações de inteligência e o suporte das embaixadas serão dados sem custo algum. Mesmo o custo para corromper será rateado entre as nossas empresas beneficiadas e o nosso governo. Falará, agora, nosso especialista em compor estruturas de financiamento de projetos.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

– Obrigado. Representantes de todas as grandes empresas com interesses econômicos no Brasil foram chamadas. Trata-se de investir neste projeto, agora, para podermos usufruir principalmente de recursos minerais a preços baixos por horizonte confortável, alem de usufruir com a venda de nossos produtos no mercado brasileiro. Obviamente, não há certeza absoluta do sucesso do projeto, mas se trabalharmos de forma inteligente sem nos atrapalharmos, a grande probabilidade é que, logo, logo, fecharemos contratos de 30 a 40 anos que serão usados para garantir o processo de dominação. A qualquer época, eles serão acenados como contratos juridicamente perfeitos que precisam ser honrados. As petrolíferas, por serem grandes beneficiárias, serão as que contribuirão com maiores parcelas. Não vamos entrar em detalhes agora. Mas este material está à disposição das empresas. A boa notícia é que os deputados e senadores brasileiros eleitos junto com a presidente Dilma, na sua maioria, são nossos e não foram baratos para nós. Inclusive esta “compra” já foi feita e os senhores não precisam mais contribuir. A partir de agora, sabemos que, para cada projeto específico, eles serão favoráveis, bastando acertar algum valor adicional. O grande projeto de retirada do poder das mãos de Dilma e entrega a pessoa de nossa confiança ainda está sendo planejado. Tudo leva a crer que será uma obra intrincada envolvendo o Judiciário, Ministérios do governo, a mídia comercial, políticos das duas Casas do Congresso do Brasil e movimentos sociais financiados por nós. Contudo, a mídia terá o papel principal, pois irá gerar a novela da deposição da presidente, consistente e compreensível pelo grande público.

– Muito bem. Acho que chegamos ao fim da reunião. Comunicaremos sempre fatos relevantes. Quaisquer informações que tenham, por favor, nos passem. Este processo será um pouco demorado. Leiam os jornais e tudo que inocentemente acontecer podem ter certeza que foi providenciado.

Reunião Novembro de 2016

Em torno de imensa mesa, no escritório central desta agência, em Langley, estão acomodadas cerca de vinte pessoas. Em uma cabeceira, está o anfitrião que inicia a reunião:[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]
– Faz um ano e dez meses que nos reunimos nesta mesma sala. Tivemos enorme sucesso com a nossa trama, elaborada a partir daquela reunião. Muitos dos que aqui estavam no passado voltaram hoje. Devemos analisar a situação do Brasil, novamente, e discutirmos ações para não perdermos o controle. Contudo, é interessante recapitular o que conseguimos realizar no período entre as duas reuniões, inclusive para situar novos integrantes. Por favor, tenha a palavra, Greg.
– Pois não. A nossa grande vitória, no período, foi a expulsão da presidente eleita e a colocação em seu lugar de um colaborador antigo nosso. A trama arquitetada funcionou esplendidamente. Os representantes do Judiciário, do Ministério Público, da Polícia e da classe política, por nós cooptados e treinados representaram seus papéis magistralmente. A mídia, dominada há anos por nós, atuou também com extrema perfeição, conseguindo convencer a maioria da população que a honesta presidente tinha participado de deslizes éticos. É conhecido que a mídia dominada faz o povo do país agir contra seus próprios interesses
. Além disso, a dominação através da mídia é mais barata do que a militar e tem a vantagem de deixar a população satisfeita, dentro do mundo irreal criado por ela, o que não acontece com a dominação através da força bruta.
– Seria interessante, agora, você nos expor o que acontece atualmente no Brasil.
– Sim. Infelizmente, o vice na chapa da presidente eleita, que tomou posse após nossa trama, não é das mentes mais brilhantes e não seria a nossa preferência, se fosse possível escolher. Apesar dos esforços que nossa mídia fez para melhorar a sua imagem, a maioria da população o rejeita e a seu governo. Sabíamos sobre as suas limitações, tanto que mandamos mensagem a ele que quem iria governar de fato seria o Ministro da Fazenda, mas como uma “eminência parda”. Não tínhamos outra opção, a menos que o golpe pudesse ficar bem mais caracterizado.
– Não se esqueça de explicar o que nos surpreendeu.
– Certo. Em parte por causa do mau ator que está na Presidência, mas também devido a uma resposta rápida de sindicalistas, movimentos sociais, associações de classe, artistas, intelectuais, partidos e militantes de esquerda ou nacionalistas, através da mídia alternativa, nossa trama começou a ser desmascarada.
– Não houve controle da mídia alternativa?
– Está-se tentando este controle, tanto que muitas delas estão pedindo suporte financeiro aos leitores. Consta que a única revista semanal de esquerda, Carta Capital, e uma das mais antigas revistas mensais de esquerda, Caros Amigos, correm o risco de sair do mercado. Vejam bem, essas mídias têm motivação ideológica, pois são capazes de quebrar a serem cooptados. Por outro lado, havíamos abandonado nossa mídia, porque eles, sentindo-se muito importantes, estavam reivindicando mais retorno. Nosso mau ator ou alguém que trabalha com ele estava criando dificuldades. Mas isso já foi corrigido e, como exemplo, a Globo e a Abril acabaram de receber quantias vultosas.
– Podemos ficar tranquilos que o pior já passou e a dominação continuará?
– Não. Por uma razão simples. A esquerda realmente tem o interesse de satisfazer a sociedade. Alguns de seus representantes andaram metendo os pés pelas mãos, para felicidade nossa. Assim, se são dadas explicações verdadeiras à sociedade, ela vai querer o que é melhor para ela. Nós precisamos de grande dose de criatividade para declarar objetivos, que não são os nossos verdadeiros, e conseguir ludibriar a população. No nosso caso, qualquer mínimo tropeço pode ser fatal. Por exemplo, o cidadão que colocamos na Presidência pensou em nos satisfazer e está propondo virar o Brasil de cabeça para baixo do dia para noite. Ele pensa que não existirá a solidariedade entre os desafortunados? Que não ficará óbvia a nossa trama? O pessoal que será prejudicado com os cortes na saúde se solidarizará com os que terão seus salários, pensões e aposentadorias comprimidas, ambos se solidarizarão com os estudantes que perderão uma boa educação, todos marcharão junto aos petroleiros em protesto contra a dilaceração da Petrobras e, por aí, vai. Está sendo provado que as esquerdas não se solidarizam só na cadeia. Solidarizam-se também em momentos de grande opressão, como o que está sendo providenciado, hoje, pelo mau ator e, também, pelo Ministro da Fazenda.
– Como assim?
– Vamos analisar, em detalhe, o momento atual. Foram mandados para o Congresso, simultaneamente, propostas de emenda à Constituição (PEC), projetos de lei (PL) e medidas provisórias (MP), sobre uma variedade de temas. Há a PEC que reduz os gastos públicos nos próximos 20 anos, permitindo cortes em orçamentos deste período, na educação, saúde, mobilidade urbana e outras áreas. Existe a MP que reformula o ensino médio. Acabou de ser aprovado o PL que “flexibiliza” a exploração do Pré-Sal. Fala-se muito da reforma da previdência, que certamente é o tema mais sensível de todos. Está-se providenciando também a reforma política, de enorme interesse dos próprios votantes desta reforma. Está na lista de espera também a reforma trabalhista, quase tão explosiva quanto a previdenciária, onde se ouve falar que o acordado irá prevalecer sobre o legislado. Para aumentar a confusão, o presidente do Senado ameaça colocar em pauta o projeto de lei relativo ao abuso de autoridade.
– E o povo o que acha?
– O brasileiro, que é um povo bastante dócil, não deve aguentar tanto massacre! Estas reformas são comunicadas, à exaustão, como sendo necessárias para a retomada do crescimento. Porem, esta retomada nunca virá por estas providências. Todas elas visam garantir os recursos para o pagamento de uma dívida, que talvez seja inexistente. Servem também para aumentar os lucros dos empresários à custa da pauperização dos trabalhadores. Como já foi dito, Meirelles é um homem de confiança nosso e ele acha possível a implantação deste plano tão excludente com essa rapidez. Houve discussão entre nós, pois uma corrente achava que este massacre iria acordar as massas brasileiras. Outros apostavam em que a nossa mídia iria camuflar tudo e o povo aceitaria o sofrimento na esperança de chegar algo, que verdadeiramente nunca ocorrerá. O comando resolveu aceitar a posição do Ministro. Enquanto isso, piorando o clima político, o ator desastrado fez mais, pois nomeou seu ministério sem nenhuma mulher e nenhum negro, deu aumentos polpudos para juízes e outras classes privilegiadas, enquanto o aumento do salário do povo era mínimo, nomeou ministros polêmicos, como o da Educação, que prega a “Escola sem partido”, dentre outras medidas.
– Mas, nos digam o que vai resultar de tudo isso?
– Esta pergunta é difícil de responder exatamente porque optamos pelo caminho mais rápido, com maiores incertezas. Tudo vai depender da conscientização do povo, que é função da capacidade de enganar da mídia tradicional, principalmente dos telejornais, grande influenciador da opinião das massas, da interferência da mídia alternativa na mesma formação de opinião das massas, do comportamento de grandes lideranças etc. Estamos tendo desavenças entre grupos de nossos apoiadores, todos com interesses nas eleições de 2018. Não podemos, com grande antecipação, apoiar qualquer grupo que deseja chegar à Presidência. Já apoiamos o PSDB no passado. Aliás, fomos responsáveis por sua chegada à Presidência com o perfeito plano de conquista do poder proporcionado pelo real. E, nesta época, o PSDB cumpriu todas as promessas que fez conosco. Agora, o PMDB passou a ter também um projeto de poder para 2018, possivelmente com o atual presidente. Este quer chegar em 2018 com todas as reformas que indicamos implantadas e exigir reciprocidade. Por isso ele tem pressa em fazê-las passar, para demonstrar competência.
– Mas, ele não é corrupto também?
– É o que um delator da Lava Jato diz! No Brasil, há muito tempo, tem corrupção na política com raras exceções. Em quase todos os partidos, há corruptos, sim! Nosso plano de chamar a atenção para os casos do PT deu certo. Não queremos mais o PT, nem Lula e nem Dilma no poder. E, sobre este tópico, existe uma versão errada: não queremos mais eles à frente do Brasil, não pela inclusão social que eles promoveram desde que ela não comprometesse as retiradas dos nossos investidores no Brasil. Não os queremos pelas iniciativas de soberania com desafio à nossa hegemonia. Paralisaram as privatizações. Elaboraram um Plano Nacional de Defesa, no qual os potenciais inimigos não eram mais os comunistas brasileiros, os narcotraficantes colombianos e o MST. Passaram a considerar como inimigas as Forças Armadas estrangeiras que buscariam se apropriar do Pré-Sal ou de área da Amazônia. Ousaram ter submarino nuclear, caças com o conhecimento da tecnologia e a ultracentrifugação de urânio. Participaram da criação dos BRICS. Aventaram a possibilidade de fazerem comércio só com as cinco moedas do bloco e, não, com o dólar. Criaram o Banco e o Fundo Monetário dos BRICS. Incrementaram o comércio com a África e com os países árabes. Participaram ativamente do MERCOSUL. Criaram a UNASUL e a CELAC. Colocaram-se como mediador entre o Irã e os Estados Unidos, quando deveriam nos apoiar. As empresas de engenharia brasileiras passaram a receber financiamento para os serviços vendidos no exterior, deslocando empresas norte-americanas. Criaram um novo marco regulatório para o Pré-Sal, quando deveria continuar valendo a Lei das Concessões. Enfim, o Brasil estava tomando posições de um nascente hegemon. E futuros competidores devem ser frustrados ao nascer, enquanto ainda são frágeis.
– E o tal juiz Moro e os procuradores de Curitiba? Onde ficam neste contexto?
– Eles fazem parte do sistema implantado. Está certo que eles tiveram e têm papéis fundamentais, que estão sendo bem desempenhados. Mas são só peças no tabuleiro.
– Uma pergunta que todos devem estar formulando. Com a nova administração Trump, tudo muda?
– Como representante do governo norte-americano, eu não sei lhe responder. Pensamos, inclusive, em cancelar esta reunião. Mas, como a havíamos convocado, há muito tempo, não quisemos mudar.
– Vocês pensaram que a Hillary iria ganhar! Mas o que vai acontecer agora?
– A partir de agora, abstraindo-se das eventuais novas diretrizes, dois caminhos poderão ser trilhados e eles se diferenciam pela percepção ou não da sociedade brasileira do que está ocorrendo. Se ela perceber, muito do que conseguimos até agora poderá ser perdido. No entanto, se continuarmos a ludibriar a sociedade, teremos a vitória total. E o Brasil será uma simples colônia.