O ataque cibernético “incomumente agressivo” que a Microsoft acusa a China.

Por que não é apenas uma nova crise de segurança cibernética

Dezenas de milhares de usuários do Microsoft Exchange podem ser afetados.

Um poderoso hack no serviço de e-mail da Microsoft coloca dezenas de milhares de organizações em risco.

E a escala da filtragem só começa a ser dimensionada, segundo especialistas.

A Microsoft afirma ter “alto nível de confiança” de que por trás disso está um grupo de atacantes patrocinados pela China, algo que Pequim nega.

Na semana passada, quando o ataque foi lançado, pensava-se que ele havia sido limitado, mas depois foi relatado um aumento no uso dessas táticas, talvez porque outros hackers estejam se aproveitando de fraquezas do sistema que foram tornadas públicas. De acordo com Gordon Corera, Correspondente de segurança da BBC.

Joe Tidy, um jornalista de tecnologia da BBC, diz que embora muitos possam pensar nisso apenas como mais uma crise de segurança cibernética, na verdade é um hack “extremamente sério”.

Brian Krebs, especialista em segurança de computadores, classificou o ataque como “excepcionalmente agressivo”.

Como o primeiro tweet da história gerou um leilão de um milhão de dólares
A princípio, foi dito que cerca de 30.000 organizações nos Estados Unidos poderiam ter sido afetadas.

Agora, no entanto, estima-se que poderia haver cerca de 60.000 vítimas, de acordo com um relatório da agência Bloomberg citando uma fonte anônima do governo dos Estados Unidos.

Os especialistas consideram um ataque “extremamente sério”.

As vítimas já foram relatadas fora dos Estados Unidos.

Nesta segunda-feira, a Autoridade Bancária Europeia confirmou que seus servidores de e-mail foram comprometidos devido a esse hack.

Entre os alvos do que a Microsoft considera um ataque podem estar governos locais, pequenas empresas e também grandes bancos.

O Microsoft Exchange é um serviço de e-mail amplamente utilizado por grandes empresas e governos, mas até agora poucas organizações admitiram ser as vítimas do ataque.

Como a falta de acesso aos componentes está sufocando a Huawei
No fim de semana, as autoridades americanas alertaram que a situação ainda representa uma “ameaça ativa”.

O que se sabe sobre o ataque?
Desde 2 de março, a Microsoft informou que seus sistemas estavam sob ataque.

O vazamento explora uma vulnerabilidade do Microsoft Exchange, ou roubo de senha, para se passar por alguém com acesso autorizado ao sistema.

Se você conseguir entrar dessa forma, o invasor poderá assumir o controle da conta de e-mail remotamente e roubar dados.

O vazamento pode permitir o acesso aos dados privados da vítima.

Acusações contra a China
A Microsoft apontou um grupo conhecido como Hafnium como responsável pelo ataque com o apoio do governo chinês.

A China negou as acusações.

Porta-vozes da Microsoft disseram que o Hafnium “visa principalmente entidades dos EUA”, roubando informações de organizações como “pesquisadores de doenças infecciosas, escritórios de advocacia, instituições educacionais, empresas de defesa, grupos de reflexão de políticas públicas e ONGs”.

A empresa de segurança cibernética Huntress, porém, afirma que 300 de seus parceiros que não atendem a esse perfil foram afetados.

Entre eles, ele menciona governos locais, centros de saúde, bancos e empresas de eletricidade, mas também outros “menos sexy” como uma sorveteria, pequenos hotéis e casas de repouso.

Fora dos Estados Unidos, a Autoridade Bancária Europeia relatou que havia sido infiltrada e que os invasores podem ter tido acesso a dados pessoais.

O que a Microsoft está fazendo?
A notícia do hack levou a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos Estados Unidos (Cisa) a publicar uma diretiva de emergência pedindo às agências e departamentos que tomem medidas urgentes.

Jake Sullivan, o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, pediu aos Estados Unidos que baixem os patches de segurança o mais rápido possível.

Jake Sullivan, o consultor de segurança nacional da Casa Branca, também pediu aos proprietários desses sistemas que baixem os patches de segurança o mais rápido possível.

A Microsoft não confirmou o número de vítimas relatadas, mas diz que está trabalhando em estreita colaboração com o governo dos Estados Unidos.

Ele informou a seus usuários que a “melhor proteção” é “fazer atualizações o mais rápido possível em todos os sistemas afetados”.

Ele também disse que estava implementando algumas técnicas de mitigação projetadas para ajudar aqueles que não podem atualizar rapidamente, mas alertou que elas não são “uma solução se seus servidores Exchange já foram comprometidos, nem são uma proteção total contra ataques”.

A Microsoft afirma que o ataque não está de forma alguma relacionado ao ataque SolarWinds, que atingiu as agências governamentais dos Estados Unidos no ano passado.

Análise de Joe Tidy, jornalista de tecnologia da BBC
Um leitor desavisado será perdoado se considerar que esta é apenas mais uma crise de segurança cibernética.

Afinal, o governo dos EUA ainda está lidando com os ataques generalizados à SolarWinds que ocorreram em dezembro.

Mas o hack do Microsoft Exchange é extremamente sério por uma série de razões.

O ataque ao SolarWinds foi direto. Era sobre a Rússia roubando inteligência de segurança nacional dos EUA.

No caso do Microsoft Exchange, uma equipe de hackers chinesa chamada Hafnium é culpada, mas seus motivos são menos claros.

Algumas pequenas agências governamentais podem ser afetadas, mas as vítimas aqui são um grupo muito mais diversificado de organizações, de grandes bancos a pequenas empresas.

Além disso, o número de hackers aproveitando as novas técnicas desenvolvidas pela Hafnium parece estar se multiplicando.

Os ataques relatados são tão numerosos que já há indícios de que outros grupos, incluindo gangues cibercriminosas, também podem estar se envolvendo.

É um desastre.

 

China executa ex-principal banqueiro de ativos

A mídia chinesa CCTV disse que Lai Xiaomin foi executado, poucas semanas depois de ser sentenciado à morte por aceitar subornos “extremamente grandes”, bem como por bigamia.

Lai Xiaomin foi executado três semanas depois de ser condenado à morte no início de janeiro

A mídia estatal chinesa CCTV não revelou como Lai foi executado na cidade de Tianjin, no norte do país, após ter sido permitido um encontro final com parentes próximos.

O Segundo Tribunal Popular Intermediário de Tainjin o havia condenado em 5 de janeiro à morte por aceitar subornos “extremamente altos” e por mostrar “intenções extremamente maliciosas”.

Como ex-presidente da Huarong, uma firma de gestão de ativos controlada pelo Estado criada na década de 1990, ele foi acusado de acumular ou tentar arrecadar 1,79 bilhão de yuans (US $ 260 milhões, € 215 milhões) ao longo de uma década para favores, incluindo promoções.

Armários cheios de dinheiro

Em uma audiência de sentença no início de janeiro, a CCTV mostrou imagens de cofres de apartamentos em Pequim e armários cheios de dinheiro e Lai fazendo uma suposta confissão, dizendo: “Não me atrevi a gastá-lo”.

Destituído do cargo em 2018, ele também foi considerado culpado de bigamia por morar com uma mulher fora de seu casamento.

Sob uma campanha anticorrupção iniciada pelo presidente Xi Jinping, apenas um outro oficial de alto escalão foi executado nos últimos tempos – Zhao Liping, por homicídio em 2016.

Três outros membros seniores do Partido Comunista que enfrentam sentenças de morte receberam posteriormente indenizações.

‘Melhor executor do mundo’ da China

A Anistia Internacional, no entanto, classifica a China “entre os principais executores do mundo”, dizendo que sentenças de morte, muitas vezes decretadas em segredo, chegam a “milhares” a cada ano – “mais do que todos os outros países do mundo juntos”.

Apesar das alegações da China de progresso em direção à transparência judicial, a maioria das informações sobre a pena de morte é classificada como “segredos de estado”, acrescentou a Anistia.

Sob a repressão iniciada em 2012 sob Xi, centenas de funcionários de entidades governamentais foram capturados, incluindo um ex-chefe do regulador de seguros da China.

Os tribunais chineses têm uma taxa de condenação de mais de 99%.

‘Não temos nada a esconder’: cientista estrela de Wuhan convida OMS para visitar laboratório no centro de polêmica por origem de coronavírus

Virologista chinesa Shi Zhengali aceitou visita da OMS a seu laboratório GETTY IMAGES

A cientista Shi Zhengli disse à BBC estar disposta a abrir as portas do polêmico laboratório na cidade chinesa de Wuhan para descartar as alegações de que foi lá que o coronavírus foi criado.

A declaração ocorre quando uma equipe da Organização Mundial da Saúde (OMS) se prepara para viajar a Wuhan em janeiro para fazer pesquisas sobre as origens do vírus SARS-CoV-2.

O remoto distrito de Tongguan, na província de Yunnan, sudoeste da China, é, na melhor das hipóteses, de difícil acesso. Quando tentamos visitá-lo recentemente, não conseguimos.

Policiais à paisana e em carros não identificados nos seguiram por quilômetros ao longo de estradas estreitas e acidentadas, parando quando parávamos e nos acompanhando quando fomos forçados a dar meia-volta.

Encontramos obstáculos em nosso caminho, incluindo um caminhão “quebrado”, que os moradores confirmaram ter sido colocado do outro lado da estrada alguns minutos antes de nossa chegada.

E nos deparamos com postos de controle onde homens não identificados nos disseram que seu trabalho era nos manter distantes dali.

À primeira vista, tudo isso pode parecer um esforço desproporcional dado o nosso destino pretendido, uma mina de cobre abandonada e indefinida onde, em 2012, seis trabalhadores sucumbiram a uma doença misteriosa que acabou ceifando a vida de três deles.

Mas a pandemia de covid-19 deu um novo significado a essa tragédia, que quase certamente teria sido amplamente esquecida.

Essas três mortes estão agora no centro de uma grande controvérsia científica sobre as origens do vírus e a questão de saber se ele veio da natureza ou de um laboratório.

E as tentativas das autoridades chinesas de nos impedir de chegar ao local são um sinal de como estão se empenhando para controlar a narrativa.

BBC encontrou estradas “bloqueadas” na China.

Estudo de campo

Por mais de uma década, as colinas cobertas de selva de Yunnan e os sistemas de cavernas dentro delas têm sido o foco de um gigantesco estudo de campo científico.

O estudo foi conduzido pela professora Shi Zhengli, do Instituto de Virologia de Wuhan (IVW).

A professora Shi foi elogiada internacionalmente por sua descoberta de que a doença conhecida como SARS, que matou mais de 700 pessoas em 2003, foi causada por um vírus que provavelmente veio de uma espécie de morcego em uma caverna de Yunnan.

Desde então, a professora Shi, conhecida como a “Mulher-morcego da China”, tem estado na vanguarda de um projeto para tentar prever e prevenir novos surtos desse tipo.

Ao capturar morcegos, retirar amostras de fezes deles e, em seguida, levar essas amostras para o laboratório em Wuhan, a 1,6 mil quilômetros de distância, a equipe por trás do projeto identificou centenas de novos coronavírus em morcegos.

Mas o fato de Wuhan agora abrigar o principal centro de pesquisa de coronavírus do mundo, bem como ser a primeira cidade atingida por um surto de uma nova e mortal pandemia, alimentou as suspeitas de que esses dois elementos pudessem estar conectados.

‘Boas-vindas’

O governo chinês, o IVW e a professora Shi rejeitaram fortemente a acusação de que o vírus chamado de SARS-CoV2 causador da covid-19 tenha saído do laboratório de Wuhan.

Mas com a chegada de cientistas indicados pela OMS para visitar Wuhan em janeiro para uma investigação sobre a origem da pandemia, a professora Shi, que pouco falou com a imprensa, respondeu a uma série de perguntas da BBC por email.

“Entrei em contato com os especialistas da OMS duas vezes”, escreveu ela, quando questionada se uma investigação poderia ajudar a descartar um vazamento de laboratório e acabar com as especulações. “Expressei pessoal e claramente que gostaria de recebê-los em uma visita ao IVW”, disse.

Questionada se isso incluiria uma investigação formal com acesso aos registros de laboratório do IVW e dados experimentais, ela afirmou: “Aceitaria pessoamente qualquer forma de visita baseada em um processo aberto, transparente, confiável e de diálogo razoável. Mas o plano específico não é minha decisão.”

Posteriormente, a BBC recebeu uma ligação da assessoria de imprensa do IVW, dizendo que a professora Shi estava falando a título pessoal e que suas respostas não haviam sido aprovadas pelo IVW.

A BBC rejeitou o pedido de enviar uma cópia desta reportagem com antecedência.

‘Teoria da conspiração’

Muitos cientistas acreditam que o cenário mais provável é que o SARS-Cov-2 saltou naturalmente dos morcegos para os humanos, possivelmente através de uma espécie intermediária.

E apesar da oferta da professora Shi, por enquanto parece haver pouca chance de que a OMS investigue a teoria de que o vírus saiu do laboratório.

GETTY IMAGES – Mercado de Huanan, em Wuhan, foi associado aos primeiros casos de coronavírus

Os termos de referência de pesquisa da OMS não mencionam a teoria e alguns membros da equipe de 10 pessoas praticamente a descartaram.

Peter Daszak, zoólogo britânico, foi escolhido como parte da equipe devido ao seu papel de liderança em um projeto internacional multimilionário para colher amostras de vírus selvagens.

Esse projeto envolveu uma estreita colaboração com a professora Shi Zhengli em sua amostragem em massa de morcegos na China, e Daszak já havia se referido à teoria de fuga de laboratório como uma “teoria da conspiração” e como “um absurdo absoluto”.

“Ainda não vi nenhuma evidência de vazamento de laboratório ou envolvimento de laboratório neste surto”, disse ele.

“Tenho visto evidências substanciais de que esses são fenômenos naturais causados pela invasão humana no habitat da vida selvagem, que é claramente observada no sudeste da Ásia.”

Quando questionado sobre ter acesso ao laboratório de Wuhan para descartar a teoria do vazamento de laboratório, ele diz: “Não é meu trabalho fazer isso.”

“A OMS negociou os termos de referência e dizem que vamos seguir as evidências e é isso que temos que fazer”, acrescentou.

O foco da investigação será um mercado em Wuhan que era conhecido pelo comércio de animais selvagens e estava relacionado a uma série de casos iniciais, embora as autoridades chinesas pareçam ter descartado esse mercado como fonte do vírus.

Daszak diz que a equipe da OMS “examinará esses grupos de casos, examinará os contatos, verá de onde vieram os animais do mercado e verá aonde isso nos leva”.

Relação com vírus RaTG13

A morte dos três trabalhadores de Tongguan após a exposição em um poço de extração cheio de morcegos levantou suspeitas de que eles tivessem sucumbido a um tipo de coronavírus transmitido por esse animal.

Foi exatamente o tipo de “derramamento” – passagem – de animal para humano que estava levando o IVW a colher mostras de morcegos em Yunnan.

GETTY IMAGES – China impôs fortes restrições a Wuhan para deter o vírus

Não é de se surpreender que, após essas mortes, os cientistas do IVW começaram a coletar amostras de morcegos na mina de Tongguan, fazendo várias visitas nos três anos seguintes e detectando 293 coronavírus.

Mas, além de um pequeno artigo, muito pouco foi publicado sobre os vírus que coletaram nessas viagens.

Em janeiro deste ano, a professora Shi Zhengli se tornou uma das primeiras pessoas no mundo a sequenciar a SARS-Cov-2, que já se espalhava rapidamente pelas ruas e casas de sua cidade.

Ele então comparou a longa sequência de letras que representam o código genético único do vírus com o extenso registro de outros vírus coletados e armazenados ao longo dos anos.

E descobriu que o banco de dados continha o parente mais próximo conhecido do SARS CoV-2: o RaTG13.

O RaTG13 é um vírus cujo nome deriva do morcego do qual foi extraído (Rhinolophus affinis, Ra), do local onde foi encontrado (Tongguan, TG) e do ano em que foi identificado, 2013.

Sete anos depois de ser encontrado naquela mina, RaTG13 estava prestes a se tornar um dos assuntos científicos mais polêmicos de nosso tempo.

Possibilidade descartada

Houve muitos casos bem documentados de vírus escapando de laboratórios.

O primeiro vírus da SARS, por exemplo, vazou duas vezes do Instituto Nacional de Virologia de Pequim em 2004, muito depois de o surto ter sido controlado.

GETTY IMAGES – Médicos e cientistas lutaram para conter pandemia em Wuhan

A prática de manipular geneticamente os vírus também não é nova, permitindo aos cientistas torná-los mais infecciosos ou mortais, para que possam avaliar a ameaça e, talvez, desenvolver tratamentos ou vacinas.

E desde o momento em que foi isolado e sequenciado, os cientistas ficaram surpresos com a notável capacidade do SARS-Cov-2 de infectar humanos.

A possibilidade de adquirir essa habilidade como resultado da manipulação em um laboratório foi levada a sério o suficiente para que um grupo influente de cientistas internacionais a investigassem.

O RaTG13 desempenha um papel importante no que se tornou o artigo definitivo que exclui a possibilidade de um vazamento de laboratório.

Publicado em março na revista Nature Medicine, ele sugere que, se houvesse um vazamento, a professora Shi Zhengli teria encontrado uma correspondência muito mais próxima em seu banco de dados do que o RaTG13.

Embora o RaTG13 seja o parente mais próximo conhecido, com 96,2% de similaridade, ainda está muito longe para ter sido manipulado e transformado em SARS-Cov-2.

Era provável que o SARS-Cov-2, concluíram os autores, teria ganhado sua eficiência única por meio de um longo período de circulação não detectado em humanos ou animais de um vírus precursor natural e mais brando que eventualmente evoluiu para o potente e mortal identificado pela primeira vez em Wuhan em 2019.

No entanto, alguns cientistas estão começando a se perguntar onde estão os reservatórios de uma infecção natural anterior.

Busca por vírus precursores

Daniel Lucey é médico e professor de doenças infecciosas no Georgetown Medical Center em Washington DC e um veterano de muitas pandemias: SARS na China, Ebola na África, Zika no Brasil.

Daniel Lucey diz acreditar que SARS-CoV-2 provavelmente surgiu naturalmente, mas não quer descartar outras possibilidades

Ele tem certeza de que a China já realizou pesquisas extensas por evidências de vírus precursores em amostras humanas armazenadas em hospitais e em populações de animais.

“Eles têm a habilidade, os recursos e a motivação, então é claro que fizeram estudos com animais e humanos”, diz ele.

Encontrar a fonte de um surto é vital, acrescenta Lucey, não apenas para uma compreensão científica mais ampla, mas também para evitar que ele ressurja.

“Devíamos pesquisar até encontrar. Acho que pode ser encontrado e acho muito possível que já tenha sido encontrado”, diz. “Mas então surge a pergunta, por que não foi revelado?”

Lucey diz acreditar que o SARS-Cov-2 provavelmente surgiu naturalmente, mas não quer descartar outras possibilidades.

“Então, aqui estamos, 12, 13 meses após o primeiro caso reconhecido de covid-19 e não encontramos a origem animal”, diz ele. “Então, para mim, é mais um motivo para investigar explicações alternativas.”

Um laboratório chinês poderia ter um vírus geneticamente mais próximo do SARS-Cov-2? E eles nos diriam agora se o fizessem? “Nem tudo o que é feito é publicado”, diz Lucey.

Legenda da foto,Peter Daszak diz não ter visto nenhuma evidência de que o que aconteceu foi um vazamento de um laboratório

Essa é uma pergunta que fiz a Peter Daszak, membro da equipe da OMS para o estudo das origens do vírus.

“Trabalho com o IVW há uma década ou mais”, diz ele. “Conheço algumas pessoas de lá muito bem e tenho visitado os laboratórios com frequência, encontrando-me e jantando com eles por 15 anos.”

“Estou trabalhando na China com meus olhos bem abertos e estou quebrando minha cabeça no tempo em busca do menor indício de algo estranho. E eu nunca vi isso”, acrescenta.

Quando questionado se essas amizades e relações de financiamento com o IVW representavam um conflito de interesses por seu papel na investigação, ele diz: “Nossos documentos estão arquivados; tudo está à vista de todos”.

“Isso me torna uma das pessoas no planeta que mais sabe sobre as origens desses coronavírus de morcegos na China”, acrescenta, sobre sua colaboração com o IVW.

A China pode ter fornecido apenas dados limitados sobre sua busca pela origem do SARS-Cov-2, mas começou a promover uma teoria própria.

Com base em alguns estudos inconclusivos de cientistas europeus, sugerindo que a covid-19 pode ter circulado antes do que se pensava, a propaganda estatal está repleta de histórias que sugerem que o vírus não começou na China.

“Não temos nada a esconder”

Na ausência de dados adequados, é provável que as especulações aumentem, muitas das quais centradas no RaTG13 e suas origens em um poço de mineração Tongguan.

Desde a morte dos mineiros em Tongguan, os cientistas do IVW detectaram pelo menos 293 coronavírus

Artigos acadêmicos antigos foram desenterrados online e parecem diferir das declarações do IVW sobre mineiros doentes, incluindo uma tese de um estudante da Universidade do Hospital de Kunming.

“Acabei de baixar a tese de mestrado do aluno da Universidade do Hospital Kunming e li”, diz a professora Shi à BBC.

“A narrativa não faz sentido”, assinala. “A conclusão não é baseada em evidências ou lógica. Mas os teóricos da conspiração a usam para duvidar de mim. Se você fosse eu, o que faria?”, questiona.

A professora Shi também enfrentou dúvidas sobre por que o banco de dados de vírus online público IVW foi repentinamente retirado do ar.

Shi explica à BBC que o site do IVW e o trabalho da equipe e e-mails pessoais foram hackeados.

Por causa disso, diz ela, o banco de dados foi retirado do ar por motivos de segurança.

“Todos os resultados de nossas pesquisas são publicados em periódicos ingleses na forma de artigos”, destaca. “As sequências de vírus também são armazenadas no banco de dados GenBank (gerenciado pelos EUA). É completamente transparente. Não temos nada a esconder”, completa.

Mais obstáculos ao longo do caminho

Há perguntas importantes a serem feitas no interior de Yunnan, não apenas por cientistas, mas também por jornalistas.

Após uma década de amostragem e experimentação com vírus coletados de morcegos, sabemos agora que em 2013 foi descoberto o ancestral mais próximo conhecido de uma ameaça futura que ceifaria mais de 1 milhão de vidas e devastaria a economia global.

No entanto, o IVW, de acordo com informações publicadas, não fez nada com ele, exceto sequenciá-lo e inseri-lo em um banco de dados.

Isso deveria questionar a própria premissa em que se baseia a cara, e alguns diriam arriscada, amostragem em massa de vírus selvagens?

“Dizer que não fizemos o suficiente é absolutamente correto”, diz Peter Daszak à BBC. “Dizer que falhamos não é justo. O que deveríamos ter feito é trabalhar dez vezes com esses vírus.”

Tanto Daszak quanto a professora Shi insistem que a pesquisa sobre prevenção de pandemias é um trabalho vital e urgente.

“Nossa pesquisa é voltada para o futuro e é difícil para os não profissionais entenderem”, escreve Shi por e-mail. “Diante dos inúmeros microorganismos que existem na natureza, os humanos são muito pequenos”.

A OMS promete uma investigação de “mente aberta” sobre as origens do novo coronavírus, mas o governo chinês não está interessado em perguntas, pelo menos não de jornalistas.

Depois de deixar Tongguan, a equipe da BBC tentou dirigir algumas horas ao norte até a caverna onde a professora Shi realizou sua pesquisa inovadora sobre a SARS quase uma década atrás.

Ainda sendo seguidos por vários carros sem identificação, batemos em outro obstáculo e fomos informados de que não havia como passar por ele.

Algumas horas depois, descobrimos que o tráfego local havia sido desviado para uma estrada de terra que contornava o obstáculo, mas quando tentamos usar o mesmo caminho, encontramos outro carro “quebrado” em nosso caminho.

Ficamos presos em um campo por mais de uma hora, antes de sermos finalmente forçados a ir para o aeroporto.

China lança investigação anti-monopólio no Alibaba

A investigação surge logo após um IPO no Ant Group, uma subsidiária do Alibaba, ser interrompido por Pequim. A China disse que está reprimindo empresas que podem considerar monopólios.

Órgãos de controle chineses anunciaram na quinta-feira que estavam iniciando uma investigação antimonopólio no gigante do comércio eletrônico Alibaba.

A Administração Estatal de Regulação do Mercado disse em um comunicado que estava investigando o Alibaba por “suspeitas de práticas monopolistas”. O órgão regulador do mercado disse que estava examinando especialmente a política do Alibaba de “escolher um entre dois”, que exige que os parceiros de negócios evitem trabalhar com concorrentes.

Os reguladores acrescentaram que também manterão conversas de “supervisão e orientação” com a subsidiária de serviços financeiros do Alibaba, Ant Group, poucas semanas depois de seu IPO recorde ter sido interrompido por Pequim.

O Ant Group divulgou um comunicado dizendo que iria “estudar diligentemente e cumprir estritamente as solicitações dos departamentos reguladores”.

As ações do Alibaba caíram 8% no comércio de Hong Kong após o anúncio.

Gigantes se expandem

Os líderes chineses disseram anteriormente que reforçariam sua aplicação antimonopólio. Eles estavam especialmente preocupados com o Alibaba e outras grandes empresas de internet que estão se expandindo para finanças e saúde.

O Ant Group tornou-se massivo graças ao seu produto principal, Alipay, uma plataforma de pagamentos online que se consolidou na economia chinesa. Ela se expandiu oferecendo empréstimos, crédito, investimentos e seguros para centenas de milhões de pessoas e pequenas empresas.

A mídia estatal também pediu uma supervisão mais rígida. O jornal estatal People’s Daily divulgou um comentário na quinta-feira, dizendo: “Esta é uma medida importante para o nosso país fortalecer a supervisão antimonopólio no setor da Internet, o que conduz a … promover o desenvolvimento de longo prazo e saudável da economia de plataforma.”

Jack Ma, founder of Alibaba, has previously expressed his frustration at China’s financial systems before

Jack Ma, Alibaba founder and China’s richest man, previously showed his frustration with China’s financial system. Ma called state-owned banks “pawn shops” in an October speech that led him to be summoned for regulatory talks just before Ant Group’s IPO was suspended.

China e outros 14 países criam maior pacto comercial do mundo

Tratado entre economias da região Ásia-Pacífico deixa EUA de fora, abarca um terço da economia mundial e mais de 2,2 bilhões de pessoas. Com ele, Pequim amplia ainda mais sua influência.

Uma cerimônia on-line, que teve Hanói como “sede”, selou a maior parceria comercial do mundo.

Foi oficializada neste domingo (15/11), em conferência virtual, a criação do maior tratado comercial do mundo, que envolve a China e outros 14 países da região Ásia-Pacífico, deixa de fora os Estados Unidos e abarca uma área onde vivem mais de 2,2 bilhões de pessoas.

O tratado RCEP (Parceria Regional Econômica Abrangente) abrangerá um terço da atividade comercial do planeta, e seus signatários esperam que sua criação ajude os países a sair mais rápido da turbulência imposta pela pandemia de coronavírus.

“Tenho o prazer de dizer que, após oito anos de trabalho duro, a partir de hoje, concluímos oficialmente as negociações da RCEP para a assinatura”, afirmou o primeiro-ministro do Vietnã, Nguyen Xuan Phuc, “país-anfitrião” da cúpula online.

Segundo o premiê, a conclusão das negociações da RCEP envia uma mensagem forte ao mundo, ao “reafirmar o papel de liderança da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) em defesa do multilateralismo.”

“O acordo apoia o sistema comercial multilateral, criando uma nova estrutura comercial na região, permitindo a facilitação do comércio sustentável, revitalizando as cadeias de abastecimento interrompidas pela covid-19 e ajudando na recuperação pós-pandêmica”, completou Phuc.

Além dos dez membros da Asean, o tratado inclui China, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia. As autoridades dizem que o acordo deixa a porta aberta para que a Índia, que desistiu devido a uma oposição interna feroz às abertura de mercado, volte a aderir ao bloco.

Menos integração que a UE

O acordo prevê reduzir as já baixas tarifas ao comércio entre os países-membros, mas é menos abrangente do que o Tratado Transpacífico, que envolvia 11 países e do qual o presidente americano, Donald Trump, se retirou logo após tomar posse.

Não se espera que o tratado selado neste domingo vá tão longe quanto a União Europeia na integração das economias nacionais, mas sim que se baseie nos acordos de livre-comércio já existentes para facilitar as trocas entre os países.

O acordo tem fortes ramificações simbólicas, ao mostrar que, quase quatro anos após Trump ter lançado sua política “America First”, de forjar acordos comerciais com países de forma individual, a Ásia continua comprometida com o multilateralismo.

Antes da reunião deste domingo, o primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, disse que transmitiria com firmeza o apoio de seu governo “à ampliação de uma zona econômica livre e justa, incluindo a possibilidade de um futuro retorno da Índia ao acordo, e a esperança de ganhar apoio dos outros países”.

“O acordo é também uma vitória para a China, de longe o maior mercado da região com mais de 1,3 bilhão de pessoas. Ele permite que Pequim se lance como líder da globalização e da cooperação multilateral e lhe dá maior influência sobre as regras que regem o comércio regional”, escreveu o economista Gareth Leather, especialista em mercado asiático em relatório do instituto Capital Economics.

China: “Vitória do multilateralismo”

A agência oficial chinesa Xinhua News Agency citou o primeiro-ministro Li Keqiang saudando o acordo como uma vitória contra o protecionismo.

“A assinatura do RCEP não é apenas uma conquista marcante da cooperação regional da Ásia Oriental, mas também uma vitória do multilateralismo e do livre-comércio”, disse Li.

Agora que o oponente do Trump, Joe Biden, foi declarado presidente eleito, a região está atenta para ver como a política americana sobre comércio e outras questões vai evoluir.

Analistas são céticos de que Biden vai se esforçar muito para aderir novamente ao pacto comercial Transpacífico ou para reverter muitas das sanções comerciais impostas à China pelo governo Trump, dada a frustração generalizada com os dados comerciais e de direitos humanos de Pequim e as acusações de espionagem e roubo de tecnologia.

Críticos dizem que acordos de livre-comércio tendem a encorajar as empresas a transferir empregos da indústria local para o exterior. E essa é uma preocupação do eleitorado, por exemplo, das regiões de Michigan e Pensilvânia, que Biden precisou conquistar para vencer as eleições de 3 de novembro.

Mas dada a preocupação com a crescente influência da China, avaliam especialistas, Biden provavelmente buscará muito mais envolvimento com o Sudeste Asiático para proteger os EUA.

O mercado do Sudeste Asiático, em rápido crescimento e cada vez mais influente, tem 650 milhões de pessoas e, duramente atingido pela pandemia, está procurando urgentemente novos motores para o crescimento.

O tratado RCEP originalmente teria incluído cerca de 3,6 bilhões de pessoas e abrangia cerca de um terço do comércio mundial e do PIB global. Sem a Índia, ainda cobre mais de 2 bilhões de pessoas e cerca de um terço de toda a atividade comercial do mundo.

RPR/apafp

Agenda comercial de Trump e Bolsonaro não é boa para os negócios e nem para o Brasil

Aposta do líder da extrema-direita brasileira na adesão a qualquer custo aos interesses dos EUA expõe o agronegócio. O risco é que a compra de produtos como a soja seja vetada no futuro pelo gigante asiático. Enquanto isso, Pequim fecha acordos comerciais com a Argentina e Tanzânia para ter alternativas, ao mesmo tempo que reforça aliança com a Rússia para adquirir o “feijão chinês” plantado na Sibéria. China responde por 68% do superávit da balança comercial brasileira. Salto positivo ultrapassa US$ 28,8 bilhões, e déficit com os EUA chega a US$ 3,1 bilhões
Jair Bolsonaro e Donald Trump: Obediência cega do brasileiro está ampliando os riscos para acordos comerciais entre Brasil e outros parceiros, como a China, o maior comprador de soja do mundo

Bolsonaro transforma país em joguete dos EUA na guerra contra China
Com acordos bilaterais, Trump manipula Bolsonaro para atacar China
Bolsonarismo mantém ataque à China e ameaça exportações
Agressões do bolsonarismo à China são ofensivas e irresponsáveis
Efeitos do governo Bolsonaro: Rússia ameaça sanção à soja brasileira

Enquanto os Estados Unidos mantêm o Brasil no cabresto, com o presidente Jair Bolsonaro submisso à Casa Branca e fazendo todas as vontades de Donald Trump, sem se importar se essas atendem aos interesses nacionais, o maior parceiro comercial do país está buscando oportunidades de negócios em novas frentes. Os sinais emitidos pela China nas últimas semanas são desastrosos para o agronegócio brasileiro.

Pequim anunciou na semana passada que passará a comprar soja da Tanzânia, além de elevar a importação do mesmo produto da Argentina, enquanto lançou desconfiança sobre a carne suína brasileira – contaminada por Covid-19. Ao mesmo tempo, o Partido Comunista Chinês estabeleceu uma parceria cada vez mais sólida com a Rússia, o que pareceria improvável há pouco mais de 10 anos. Os chineses fazem de tudo para depender cada vez menos de um único país fornecedor de matéria-prima.

Maior parceiro comercial brasileiro, a China é também o país que mais importa a soja nacional

Curioso que o Planalto faça o movimento de aderir a qualquer agenda de Washington para agradar Trump – inclusive banir a empresa chinesa Huawei da concorrência pelo 5G em 2021 –, mesmo que tais esforços não tenham resultado em nenhum dividendos para o Brasil. Entre janeiro e setembro de 2020, por exemplo, as exportações brasileiras para a China somaram nada menos que 68% de todo o superávit comercial do país.

Este ano, o superávit do Brasil com a China chegou até setembro a US$ 28,8 bilhões. Enquanto isso, o comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos no mesmo período registrou a pior queda dos últimos 11 anos. A tendência é que o Brasil registre em 2020 o maior déficit comercial com os EUA dos últimos seis anos. Até agora, o prejuízo acumulado pela balança comercial brasileira é de US$ 3,1 bilhões. Estamos comprando mais e vendendo menos.

Ou seja, Brasília faz de tudo para agradar Washington, que vem definindo sua política internacional sempre com Bolsonaro colocando o Brasil de joelhos, mas não deu até agora ao líder da extrema-direita nacional nenhum motivo para comemorar. “É uma vergonha”, critica a presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR). “Deixamos de ter uma atuação estratégica com parceiros tradicionais do BRICS – além do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – para nos tornarmos um vira-latas que sofre na ponta a política de porrete dos Estados Unidos”.

Gleisi Hoffmann: “Deixamos de ter uma atuação estratégica com parceiros tradicionais do BRICS para nos tornarmos um vira-latas que sofre na ponta a política de porrete dos Estados Unidos”

A líder petista tem razão. A submissão do Brasil a Washington nãp tem sido benéfica ao país. Tanto que, no acumulado de 2020, as exportações brasileiras para os EUA caíram 31,5% em comparação com o mesmo período de 2019, chegando ao total de US$ 15,2 bilhões. É o menor valor desde 2010. Em termos relativos, os EUA foram os mais afetados entre os 10 principais destinos de exportação do Brasil em 2020. Por isso, é curioso que o agronegócio brasileiro aceite a condução dada pelo Palácio do Planalto à política comercial brasileira.

A expectativa é que Bolsonaro vai fechar as portas para os produtos verde-amarelos no mercado estrangeiro – isso para não falar nos problemas que o país enfrenta na Europa, arredia à política ambiental suicida conduzida por Ricardo Salles e Bolsonaro. Diversas marcas e produtos nacionais estão sendo alvo de campanhas e boicotes na União Europeia por conta da relação direta do desmatamento e queimadas na Amazônia.

China: Novas parcerias, novos negócios

Enquanto isso, a boiada e os negócios vão passando longe das porteiras de empresários brasileiros. A começar pelo namoro de Pequim com outros mercados. Uma opção desenhada para a compra de soja foi definida ainda em 2014, quando a beligerante política de Trump passou a abrir a possibilidade de negócios do gigante asiático com a Rússia.

O estreitamento da relação comercial entre Pequim e Moscou começou há alguns anos, mas tornou-se mais efetiva agora. Em agosto, a China propôs à Rússia a criação de uma “aliança da indústria da soja”, conforme aponta o jornal South China Morning Post. O ministro do Comércio chinês, Zhong Shan, pediu uma cooperação próxima com Moscou em todas as áreas da cadeia de abastecimento da soja em videoconferência com o Ministro do Desenvolvimento Econômico da Rússia, Maksim Reshetnikov.

A China é o maior consumidor de soja do mundo e depende de importações de países individuais. Por ano, a demanda é de 103 milhões de toneladas por ano – e apenas 15 milhões são produzidas no próprio país. O resto é importado. Pequim importou do Brasil 54,4 milhões de toneladas de soja do Brasil entre janeiro e agosto deste ano. É quase a metade da demanda chinesa.

Daí porque Pequim passou a apostar na diversificação de fornecedores para evitar um risco para a segurança alimentar do país. A China anunciou ainda que pretende aumentar a produção doméstica de soja. É essa estratégia que pode resultar em perda de mercado para o Brasil, atualmente o principal fornecedor de soja para aquele país.

Daí que a Rússia pretende aumentar o volume de suprimentos de soja para a China para 3,7 milhões de toneladas até 2024. Atualmente, os russos respondem por apenas 1% das importações chinesas. Parece pouco, mas as exportações agrícolas russas cresceram, especialmente de soja. A venda do ‘feijão chinês’ produzido na Rússia aumentou mais de 10 vezes em quatro anos, chegando a quase 1 milhão de toneladas.

Xi Jinping e Vladimir Putin: Aliança entre os dois países pode representar uma nova fronteira agrícola na Sibéria.

Com a Rússia, um acordo sólido e promissor

No caso da Rússia, a aposta comercial da China interessa aos governos dos dois países. O crescimento do comércio entre as duas nações é sustentado pelos esforços pessoais do presidente chinês Xi Jinping e do seu colega russo Vladimir Putin, que cultivaram uma parceria com o objetivo de desafiar Washington de forma diplomática com efeitos econômicos.

Pior para o Brasil, que segue Trump a qualquer custo sem perceber que a cegueira ideológica de Bolsonaro está atrapalhando a agricultura brasileira. Enquanto isso, China continua à procura de parceiros, ampliando sua lista de fornecedores. Em setembro, o país abriu o mercado de farelo de soja para a Argentina em acordo considerado “histórico”. Ponto para o governo de Alberto Fernández. Um golpe no agronegócio brasileiro e na bancada rural, que apoia Bolsonaro de maneira cega, sem perceber que o mundo dos negócios não tem tempo a perder com fanfarrões.

O tabuleiro geopolítico internacional não é para amadores como Bolsonaro ou o chanceler Ernesto Araújo. O pragmatismo no comércio internacional é uma lição que os americanos adoram exercitar há mais de um século. Pergunte a Trump por que não deixa de comprar petróleo da Venezuela. Ou por que continua a vender carne de frango para Cuba. Ele responderá que não pode deixar a política atrapalhar os negócios.

Buscando reduzir sua dependência do Brasil, China começa a comprar soja da Tanzânia

Analista afirma que o país está tentando reduzir a dependência dos EUA e do Brasil, mas os níveis de produção na África estão baixos demais para fazer uma diferença real.
A soja é a principal fonte de proteína para ração animal na China. Foto: AFP

É a última nação africana a assinar acordo de produtos agrícolas com Pequim, que prometeu ampliar as importações. A China, o maior importador mundial de soja, está abrindo seu mercado para a Tanzânia à medida que busca reduzir sua dependência dos Estados Unidos e do Brasil para o fornecimento da semente oleaginosa.

Wu Peng, diretor de assuntos africanos do Ministério das Relações Exteriores da China, disse que um acordo foi alcançado na segunda-feira para a Tanzânia começar a exportar soja para o país.
Ele disse que estava de acordo com a promessa de Pequim de apoiar as nações africanas, expandindo as importações – especialmente além dos recursos naturais – feita durante o Fórum de Cooperação China-África em 2018.
“Tanto a China quanto a África podem se beneficiar de laços comerciais mais fortes”, acrescentou Wu.
Atualmente, as importações da China da África são dominadas por recursos naturais, como petróleo bruto, cobre, cobalto, minério de ferro e diamantes, que compra para atender às suas necessidades industriais e de manufatura.

Em troca, a África importa maquinário, eletrônicos e bens de consumo manufaturados da China.

A Tanzania é a última nação africana a assinar um acordo com Pequim permitindo as exportações agrícolas para o país, ajudando a reduzir o déficit comercial que tem sido principalmente a favor da China. Outros países africanos com tais negócios incluem Quênia (abacate, chá, café e rosas), Etiópia (café e soja), Namíbia (carne bovina), Botswana (carne bovina e subprodutos), África do Sul (frutas) e Ruanda (café).

A soja é a principal fonte de proteína para ração animal na China.

O feijão de soja é uma importante fonte de proteína para ração animal na China. Foto: AFP

A soja é a principal fonte de proteína para ração animal na China.

A China, o maior importador mundial de soja, está abrindo seu mercado para a Tanzânia à medida que busca reduzir sua dependência dos Estados Unidos e do Brasil para o fornecimento da semente oleaginosa.
Wu Peng, diretor de assuntos africanos do Ministério das Relações Exteriores da China, disse que um acordo foi alcançado na segunda-feira para a Tanzânia começar a exportar soja para o país.
Ele disse que estava de acordo com a promessa de Pequim de apoiar as nações africanas, expandindo as importações – especialmente além dos recursos naturais – feita durante o Fórum de Cooperação China-África em 2018.

“Tanto a China quanto a África podem se beneficiar de laços comerciais mais fortes”, acrescentou Wu.
Atualmente, as importações da China da África são dominadas por recursos naturais, como petróleo bruto, cobre, cobalto, minério de ferro e diamantes, que compra para atender às suas necessidades industriais e de manufatura.

Em troca, a África importa maquinário, eletrônicos e bens de consumo manufaturados da China.

China investe bilhões na África

A Tanzânia é a última nação africana a assinar um acordo com Pequim permitindo as exportações agrícolas para o país, ajudando a reduzir o déficit comercial que tem sido principalmente a favor da China. Outros países africanos com tais negócios incluem Quênia (abacate, chá, café e rosas), Etiópia (café e soja), Namíbia (carne bovina), Botswana (carne bovina e subprodutos), África do Sul (frutas) e Ruanda (café).

Existe uma lacuna comercial considerável entre a Tanzânia e a China. Em 2018, a China comprou produtos no valor de US $ 393,92 milhões da Tanzânia – principalmente gergelim, sisal, tabaco e castanhas de caju, de acordo com a China Africa Research Initiative da Escola de Estudos Internacionais Avançados da Universidade Johns Hopkins. Enquanto isso, Pequim exportou bens no valor de US $ 3,59 bilhões para a Tanzânia naquele ano.
China clama por “aliança da indústria de soja” com o parceiro estratégico Rússia.

Mbelwa Kairuki, embaixador da Tanzânia na China, disse à consultoria Development Reimagined em uma entrevista no início deste mês que a China estava em quinto lugar na lista de exportação da Tanzânia e respondia por 3,9 por cento das exportações totais do país.
A China também é o principal comprador de sementes de gergelim da Tanzânia, respondendo por 80 por cento das exportações, disse ele.
“Em 2019, faturamos US $ 164,5 milhões somente com nossas exportações de gergelim para a China”, disse Kairuki, segundo a publicação.

Rede 5G, o Brasil diante de um falso dilema

Na implementação da rede de telefonia móvel de quinta geração, país não precisa optar por China ou EUA, mas seguir sua tradição de permanecer independente.

Poucos assuntos têm sido tão debatidos nos meios da política e economia brasileiras quanto a concorrência para a rede 5G, a quinta geração do padrão de telefonia móvel.

No país, como em outros tantos por todo o mundo, o que está em jogo é se a operadora chinesa Huawei deve ser admitida ou não como fornecedora das multinacionais de telecomunicações. Os Estados Unidos pressionam todos os seus aliados ocidentais – portanto também o Brasil – contra a participação da Huawei, sob a alegação de que a China empregaria a tecnologia da firma para fins de espionagem.

No entanto, a decisão pró ou contra Pequim ou Washington é um falso dilema. O Brasil deveria seguir dialogando com ambos. Em sua história, o país provou repetidamente que também é capaz disso sob pressão, e na maioria dos casos se saiu bem.

Esse foi o caso antes da Segunda Guerra Mundial, quando o Brasil conseguiu se manter neutro entre os Aliados e as potências do Eixo. Seus parceiros industriais importantes foram, sucessivamente, os EUA (indústria de base), depois a Europa (automóveis) e, em seguida, Japão (mineração), sem que, apesar da competição ferrenha, eles entrassem em atrito no país.

Na década de 70, os militares, apesar de próximos aos EUA, entregaram à Alemanha o contrato para a usina atômica de Angra dos Reis – uma afronta a Washington. O alcance dessa decisão na época é, em parte, comparável ao atual, entre a Huawei e as operadoras ocidentais.

Também na época estava em jogo o estabelecimento de padrões internacionais e, portanto, da predominância industrial. Quem quer que controle o padrão global para novas tecnologias tem, a seguir, uma enorme vantagem estratégica em diversos setores, possivelmente por décadas.

Assim foi, na época, com a usina nuclear. Hoje, com o 5G, a coisa é ainda mais dramática, pois a rede será a base para o desenvolvimento de novas tecnologias. Tão mais importante, portanto, é o Brasil defender seus interesses perante os EUA e a China. Pois o país é capaz disso, já que, diferente de outros, joga numa categoria própria:

– O Brasil está entre as 12 maiores economias mundiais. Em superfície e população, ocupa o quinto e sexto lugares.

– É um dos poucos Estados que têm um grande superávit da balança comercial com a China. Isso o fortalece e torna menos chantageável.

– Também os EUA são um importante investidor e parceiro comercial e tecnológico do Brasil. Num mundo polarizado entre chineses e americanos, um Brasil neutro ganha automaticamente mais peso.

– O Brasil é um mercado-chave para a 5G. A concorrência para a rede de telefonia móvel será uma das maiores entre os mercados emergentes. Desde já, o país possui uma densidade de conexões de banda larga maior do que a maioria das economias fora dos EUA e Europa.

Resumindo: a neutralidade brasileira estabeleceria um sinal geopolítico. Não é de espantar que Pequim e Washington adotem a política de “cenoura e pau” perante o governo e autoridades do país: por um lado, atraem com financiamentos e parcerias estratégicas; por outro, ameaçam com a suspensão dos investimentos.

Isso é normal, e o Brasil não deve se deixar impressionar. Até porque é ingênuo crer que operadoras ocidentais automaticamente reduziriam o risco de espionagem ou hackeamento. Afinal, os serviços secretos dos EUA monitoraram tanto a presidente Dilma Rousseff quanto a Petrobras.

Além disso, de 30% a 40% do equipamento da rede móvel brasileira já se compõe de peças da Huawei. A eliminação destas e exclusão do conglomerado chinês atrasaria em anos o urgentemente necessário impulso de produtividade com a implementação da rede 5G. Uma competição acirrada entre os fornecedores, por outro lado, possivelmente tornaria mais fácil controlar as redes.

O Brasil deve tentar procurar parceiros por todo o mundo – na Ásia, América Latina, mas, acima de tudo, na Europa – que igualmente se vejam diante de um falso dilema e se preocupem com a polarização crescente.

Contudo, resistir à pressão e encontrar um caminho do meio é trabalho árduo, sobretudo para os diplomatas brasileiros. “O Brasil vai ter que usar na diplomacia algo que não está acostumado a fazer de uns tempos para cá”, comenta Marcos Azambuja, ex-embaixador e decano dos diplomatas do Brasil: “A cabeça…”

O socialismo étnico da China

O Ditador Genocida Xi Jinping tratado como presidente, como se presidente fosse, e não um ditador cínico

E o capital, amoral e cínico, chama o ditador genocida Xi Jinping de presidente. – os campos de concentração de Xinjianang não são visíveis por Wall Street. Ditadores, na ótica dos filhotes obtusos de Mises, Hayek e demais porcarias, ditadores – e o são tanto quanto – somente Maduro, Venezuela; Castro,Cuba; Alexander Lukashenko, Belarus são ditadores.

 “Os chineses não estão apenas ocupados em adquirir as matérias primas locais, mas também em espalhar a sua influência estratégica sobre aqueles países, com um toque neocolonial. Com os bilhões de investimentos, naquela região europeia, Pequim aumenta a sua influência sobre a Europa, principalmente na Sérvia, entre os portos da região grega do Pireu e a Alemanha.”  

“Campo de reeducação” na região autônoma de Xinjiang

Recentemente, foi revelado que a China está impondo trabalho forçado a milhares de pessoas no Tibete. Desde a anexação do montanhoso país budista em 1950, a República Popular fez de tudo para isolar o Tibete e eliminar sua independência cultural. No mundo livre, a pessoa do Dalai Lama é o símbolo mundial das consequências das atividades chinesas. Ao mesmo tempo, ao longo de décadas passamos a nos acostumar a isso.

No entanto, não é possível mais se ignorar que a liderança comunista de Xi Jinping, que, ao contrário de seus antecessores, tem uma interpretação étnica do socialismo chinês, discrimina e oprime as minorias em muitos lugares de seu enorme país. Há apenas algumas semanas, chegou a notícia terrível da Mongólia Interior de que a independência cultural dos mongóis deve ser drasticamente restringida.

Um milhão em campos de concentração

Tudo isso, no entanto, é ofuscado pelas atrocidades que a China está perpetrando em Xinjiang, onde mais de um milhão de pessoas estão presas em campos de concentração por causa de sua etnia e religião. Os relatos vão de lavagem cerebral a abortos forçados. Por isso, o Congresso dos EUA já está a ponto de classificar a situação em Xinjiang como genocídio.

Em Xinjiang, na Mongólia Interior e no Tibete, as pessoas que tradicionalmente habitam essas regiões pertencem a um grupo étnico diferente da maioria da população do país, da etnia han. Todas as 56 etnias da China gozavam de alguma igualdade perante a lei até o presidente Xi assumir o cargo em 2012. Xi Jinping, que será eleito presidente vitalício em 2023 se tudo der errado, acabou com isso.

Hong Kong também é conflito étnico

A maioria do povo de Hong Kong também não é de chineses han, mas de cantoneses, também um grupo étnico diferente. O furor de Pequim, com o qual são minados a independência da cidade e os direitos de seus residentes, previstos em acordos internacionais, em parte também pode ser atribuída à política étnica implementada por Xi e sua nomenclatura. No mundo livre, as pessoas ainda não entenderam por que Pequim não esperou até 2047. Este ano é quando expiraria de qualquer forma o princípio “um país, dois sistemas”, que dá direitos democráticos a Hong Kong. A China teria vencido então.

Para a China, porém, o que importa nesse ponto não é uma política racional, mas a ideologia, que considera haver uma primazia, uma supremacia dos han sobre as outras etnias. As pessoas do outro lado do tratado, neste caso Hong Kong, Tibete, Mongólia Interior e Xinjiang, não são vistas como parceiras. Isso explica o comportamento desumano que o PC mostra para com as pessoas que, na verdade, são todas cidadãs da China.

Taiwan é exceção

A única exceção aqui é Taiwan. O país democrático que emergiu da guerra civil é habitado por 23 milhões de pessoas, a grande maioria das quais é de chineses han. Talvez a República Popular esteja hesitante em atacar o Estado insular porque tal ataque seria entendido pelos militares como uma nova versão da guerra civil que ocorreu há mais de 70 anos.

O verdadeiro problema de Xi Jinping com a democrática Taiwan é que milhões de pessoas vivem com sucesso e felizes em uma democracia livre – um estilo de vida que o presidente chinês afirma ser estranho aos chineses, por causa de sua herança cultural. Não se pode falar em genocídio contra os taiwaneses, pois a China teria primeiro de ocupar a ilha. Xi ameaçou isso várias vezes. Uma vez que os EUA deram à nação insular uma espécie de garantia de segurança, embora não esteja claro se também inclui a opção de guerra, o conflito de Taiwan permanece em um certo limbo. É totalmente óbvio que se a China invadisse Taiwan, a cultura liberal e a democracia do lugar também seriam destruídas.

Cinco genocídios

A China de Xi, portanto, tem cinco genocídios em andamento, que estão em diferentes estágios de conclusão. Cada pessoa do mundo livre deve sentir um frio na espinha ao imaginar isso. A discussão sobre como devemos lidar com a China no futuro, portanto, não é de forma alguma prematura.

Em retrospecto, parece, infelizmente, ter sido um erro a inclusão da China na ciranda do mundo civilizado, que após o horror da Revolução Cultural se preparou para abrir um novo capítulo com o país, especialmente sob a impressão dos sucessos do reformador Deng Xiaoping. “Um país, dois sistemas” está morto, assim como a política “Uma China”, que foi enterrada no momento em que Pequim lançou suas ameaças de guerra contra Taiwan. Sob Xi Jinping, o país não é mais uma esperança para a economia mundial, mas uma ameaça à paz mundial.

Alexander Görlach é membro sênior do Carnegie Council for Ethics in International Affairs e pesquisador associado do Instituto de Religião e Estudos Internacionais da Universidade de Cambridge.

A Alemanha pretende continuar cooperando com a Huawei, apesar das tentativas de Washington de evitar a participação do gigante chinês

A recusa de Angela Merkel em banir ou restringir as atividades do gigante tecnológico chinês é um exemplo para a Europa e um desafio à política dos EUA, dizem especialistas.

A Alemanha pretende continuar cooperando com a Huawei, apesar das tentativas de Washington de evitar a participação do gigante chinês, dizem especialistas entrevistados pela Sputnik Alemanha.

Atualmente, o governo alemão está formulando regras de segurança para sua rede 5G. A chanceler alemã Angela Merkel não quer excluir a Huawei da construção da rede 5G na Alemanha por essa ser uma empresa chinesa, apesar da pressão dos “falcões da segurança” no país, informou a agência Bloomberg citando fontes anônimas.

O anúncio da chefe de Estado alemã pode servir de exemplo para outros países da União Europeia (UE) construírem suas relações com o gigante lógico chinês, opina o jornal Global Times.

Assim, a recusa pela Alemanha de impor uma proibição à admissão da Huawei em seu mercado com o pretexto de garantir sua segurança nacional, uma vez que os critérios para esta segurança ainda estão sendo desenvolvidos, é também um desafio à política europeia dos EUA, pois atualmente Berlim detém a presidência no Conselho da UE.

A abordagem da Alemanha relativamente à Huawei seria ditada não apenas pelos interesses da Alemanha, mas também pelos da UE, observa Mikhail Belyaev, especialista do Instituto Russo de Estudos Estratégicos, em entrevista à Sputnik.

“Neste caso estamos falando de apenas uma empresa, a Huawei, a maior empresa, que detém as posições de liderança no setor e que tem nas suas mãos, podemos dizer, o futuro. É claro que a Alemanha está abrindo portas para esta empresa tanto em seu próprio país quanto na UE, entendendo que esse vetor trará benefícios significativos tanto para a própria Alemanha quanto para toda a UE”, comenta.

Desvantagens sem a Huawei

A revista alemã de informação política Focus nomeou a Huawei como uma das líderes no campo da tecnologia 5G, sendo muito atraente em termos de relação preço-qualidade. Metade das antenas utilizadas pelas operadoras de telecomunicação Deutsche Telekom e Vodafone para construir as redes 5G são fabricadas pela Huawei.

A publicação estima que as operadoras alemãs perderão bilhões de euros e deixarão outros países para trás na construção do 5G se a Alemanha tiver que abrir mão desses serviços por causa de eventuais regulamentos de segurança. A Huawei tem negado repetidamente as acusações por parte dos EUA de ignorar os requisitos de segurança.

Entrevistado pela Sputnik China, Hu Chunchun, vice-diretor do Centro de Estudos Alemães da Universidade Tongji em Tientsin, China, observou que a cooperação da Huawei com a Alemanha continuará, apesar das dificuldades:

“A Alemanha não se recusa a envolver a Huawei na construção de redes 5G no país, o que a China considera bem-vindo. É incompreensível, mas os EUA transformaram sem provas a Huawei e o 5G em um problema de segurança nacional. Mesmo que deixemos de lado a teoria da conspiração, estas são acusações infundadas e unilaterais contra a China por parte dos EUA.

“Nesse contexto, é muito difícil para a Alemanha, ocupando a presidência rotativa da UE, resistir à pressão dos Estados Unidos e fazer um julgamento relativamente justo. Esperamos que os círculos políticos na Alemanha realmente cumpram as intenções da chanceler Merkel.”

O especialista, no entanto, alerta que Washington pode impedir uma cooperação real entre Berlim e Pequim.

“Espero que a chanceler Merkel faça julgamentos políticos racionais que reflitam a opinião da parte principal da sociedade alemã.”

Confronto indireto entre Washington e Berlim

Mikhail Belyaev avalia que a Alemanha se envolveu em um complexo jogo geopolítico com os EUA devido a sua cooperação com a Huawei, mas não vai recuar:

“A América compreende o impacto que a política europeia da China pode ter nas posições americanas no mundo, tanto econômicas quanto políticas e morais. O fortalecimento da Europa, o fortalecimento da China e o fortalecimento dos laços Europa–China minam o domínio da América no mundo de muitas maneiras.”

Como prevê o especialista do Instituto Russo de Estudos Estratégicos, a Alemanha continuará sob pressão dos EUA em meio a sua rápida perda de influência no mundo.

“[A Alemanha] manterá sua posição relativamente à Huawei, enquanto a América não conseguirá nada com sua pressão sobre ela”, afirma.