Qual a consequência da apologia às drogas?

Artigo do deputado Daniel Messac (PSDB) publicado no jornal Diário da Manhã.

As pessoas que exercem influência na sociedade, os chamados formadores de opinião e aqueles que têm algum tipo de exposição pública, por sua representatividade ou profissão devem ter um elevado grau de responsabilidade em suas declarações e comportamentos.

É extremamente prejudicial, especialmente à formação das crianças e dos adolescentes, a exibição pela mídia de entrevistas, declarações, filmes, novelas, músicas ou comerciais, difundindo a droga como algo positivo, charmoso e até inofensivo.

Isso acaba reforçando a posição do dependente químico e estimulando pessoas que, de outra forma, não teriam disposição para experimentar um entorpecente.

E quando um ministro de Estado aparece fazendo apologia ao consumo de drogas?

Embora as condutas referentes aos usuários de drogas, bem como àqueles que se dedicam ao tráfico ilícito estejam expressamente tipificadas como crime, como prescreve a Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2.006, há pessoas influentes na sociedade que defendem, por exemplo, o uso da maconha.

Como explicar, racionalmente, alguém defender aquilo que causa tantos malefícios à juventude e que é porta aberta para a disseminação do uso de outras drogas de maior gravidade, como a cocaína e o crack?

Vale esclarecer a propósito que, segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, a Lei de Tóxicos não implicou na extinção do delito de posse de drogas para consumo pessoal, como muitos imaginam.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Essa conduta continua sendo crime sob a égide da lei. O que ocorreu foi uma despenalização, ou seja, a exclusão de penas privativas de liberdade como sanção principal.

Os usuários e dependentes não estão mais sujeitos à prisão, mas a lei permite que eles cumpram penas alternativas, como prestação de serviços à comunidade, conforme definição dos juizados especiais. O texto legal separa o usuário do traficante e estabelece que ele terá atendimento na rede pública de saúde.

A realidade, porém, ainda é bem diferente. Essa lei está em vigor há mais de 3 anos e até hoje não temos programas específicos, com garantia de tratamento digno e individualizado por parte do serviço de saúde pública.

A intenção do legislador seria de ampliar esses serviços, mas, falta estrutura e disponibilidade de pessoal qualificado. Resultado: dependentes de baixo poder aquisitivo sem assistência e as famílias não sabem a quem recorrer.

As pessoas que exercem função pública devem estar muito atentas ao problema da apologia ao consumo de drogas. A Lei 11.343/06 estabelece pena de um a três anos de prisão para quem: induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga. Já o Código Penal, prevê detenção de três a seis meses para quem fizer publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime.

Não obstante, a história recente registra alguns fatos profundamente lamentáveis. O ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil admitiu, durante uma sessão de entrevistas para o jornal Folha de São Paulo, quando ainda ocupava o cargo que fumou maconha até os 50 anos e defendeu que ela não deveria ser proibida.

São declarações que despertam nos jovens interesse em experimentar drogas. O mesmo ministro foi acusado pela ONG Mensagem Subliminar de fazer apologia ao uso da maconha no videoclipe da música Kaya NGan Daya e nas capas do CD e DVD de mesmo título.

O péssimo exemplo também foi protagonizado por outro ministro de Estado. Na Marcha da Maconha, realizada em maio passado, em Ipanema, na zona sul do Rio para pedir a legalização da droga, lá estava o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

O mesmo que, durante show realizado pela banda de reggae Tribo de Jah, em Alto Paraíso, na Chapada dos Veadeiros, fez um discurso em que pediu aos presentes para fecharem os olhos e darem as mãos, celebrando a paz; entoou vivas ao reggae, Bob Marley, Tribo de Jah e Chico Mendes, e defendeu a descriminalização da maconha.

Detentores de cargos públicos, formadores de opinião, artistas e profissionais da mídia deveriam se voltar mais à conscientização da população para os perigos que as drogas representam para toda sociedade e exaltar o trabalho dos heróis anônimos, que são os voluntários de entidades assistenciais, voltadas à prevenção e reabilitação de dependentes.

Afinal, a questão das drogas está na origem de grande parte dos nossos problemas, como: violência, criminalidade, corrupção, desagregação familiar, acidentes de trabalho e de trânsito.

* Daniel Messac é deputado estadual pelo PSDB
Extraído de: Assembléia Legislativa do Estado de Goiás

O roubo do cofre de Ademar de Barros não teve participação de Dona Dilma, e até agora não descobri onde ela teria sido presa e torturada

Marreta:

“Helio, quem roubou a amante de Ademar? Quanto havia nesse cofre? O que foi feito do dinheiro: Dona Dilma participou mesmo da operação? E de quem foi a ideia?”

Comentário de Helio Fernandes:

Lógico, Marreta não é nome, mas o assunto é importante. Merece resposta, simples e rigorosamente verdadeira. Sem poder me alongar, mas o suficiente para um esclarecimento, pela ordem das perguntas.

Foi um grupo de estudantes, chamados equivocadamente na época de “guerrilheiros” ou “terroristas”. Tinham conhecimento dos fatos e dos locais, circulavam em grupos que conheciam o “caso” de Ademar de Barros e o “Doutor Rui”. (Nome usado para esconder ou mistificar a relação, naquela época já se gravava muito o telefone, não com a técnica de hoje).[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Inicialmente foi apenas UM, mas depois a tarefa se tornou tão difícil que juntou mais 4 ou 5 idealistas, nenhum com objetivo político ou de enriquecimento pessoal.

Ninguém soube ou sabe, principalmente agora, passados 31 anos. Inicialmente foi uma “operação diversão”, pura emoção ou realização. Depois, com a sedução do dinheiro e pela dificuldade da execução, outros aderiram, principalmente os que sequestraram o embaixador dos EUA. Só para refletir: o cofre pesava mais de 400 quilos, estava no interior de uma casa, num bairro privilegiado (Santa Tereza).

O dinheiro, qualquer que seja o total, foi utilizado para financiar a operação anti-ditadura. E os sequestradores tiveram a idéia genial de executar a operação contra o embaixador dos EUA.

Se fosse o embaixador, digamos, da Tanzânia, da França, do Afeganistão ou da Espanha, não haveria nada. Mas os EUA, que sempre disseram arrogantemente, “não negociamos com terroristas”, negociaram imediatamente. E concederam tanto, que o mundo se surpreendeu e os protestos só não foram maiores, porque haviam “tocado na própria carne”.

Para os que não se lembram, não eram nascidos, ou desconheceram e desconhecem os fatos, vejam o comportamento do governo dos EUA. Autoridades importantes da Matriz, telefonaram para autoridades importantes da Filial, com a ordem: “Cumpram tudo da forma como foi exigido”.

Menos de 24 horas depois, telefonavam daqui para lá, protestando e lamentando: “Eles querem que libertemos 39 presos políticos e guerrilheiros, e mandemos ler numa cadeia nacional de televisão, um manifesto contra os que estão no Poder”. (Na verdade falavam em DITADURA, mas não quiseram repetir).

Nem acabaram de receber a comunicação daqui e vinha a ordem: “Já dissemos, CUMPRAM TUDO”. Então, inesperadamente, o cidadão que não sabia de nada, assistiu estarrecido à leitura daquele panfleto oficial contra os que estavam no Poder.

E como naquela época a televisão não tinha muita penetração, o fato apareceria, mas pouco visto. Só que no dia seguinte, (internet nem pensar) na Primeira de todos os jornalões, a foto dos 39 presos políticos sendo embarcados para o exterior. A ordem não era dos sequestradores, e sim dos nossos “AMIGOS DOS ESTADOS UNIDOS”.

A questão da participação de Dona Dilma. Ela não soube de nada na época, foi conhecer o episódio muito depois. Já disse várias vezes, “fui seqüestrada e torturada durante três anos”. Ora, ninguém é TORTURADO POR 3 ANOS. Por dois motivos.

1 – Ninguém suporta. De 1937 a 1945, e depois, de 1964 a 1979, milhares e milhares foram torturados barbaramente, mas não por três anos.

2 – Só grandes personalidade são TORTURADAS por um período como esse. Dona Dilma foi presa sem que ninguém soubesse, e não tinha status ou projeção para ser TORTURADA por esse período.

E na verdade, nas duas ditaduras, só um homem foi TORTURADO SELVAGEMENTE por um período como esse ou até um pouco maior: Prestes, de 1936 a 1940. Outro barbaramente torturado foi Apolônio de Carvalho, de 1969 a 1970.

Prestes, preso por acaso em 1936, menos de 3 meses depois da “Intentona Vermelha”, (despropósito da imprensa daquela época, que tinha mau gosto pior do que hoje) sofreu horrores até 1940. Nesse ano, Stalin mandou um embaixador especial pedir ao ditador Getulio Vargas a libertação de Prestes. (Lógico, o Brasil e a União Soviética já eram quase “aliados” na Segunda Guerra Mundial).

Vargas, o estrategista da insensibilidade, da falta de caráter e do oportunismo, não libertou Prestes. Mas mandou transferi-lo para a Penitenciária da Frei Caneca. Foi construída uma casa de madeira para ele, recebia visitas, correspondência. Cinco anos depois, ali mesmo recebia o CORRUPTÍSSIMO Hugo Borchi para negociar o apoio ao ditador, através da CONSTITUINTE COM VARGAS.

Apolônio de Carvalho, TORTURADÍSSIMO, era importantíssimo. Participou da Revolução da Espanha (de 1936 a 1939), só saiu de lá quando o general Franco (depois, GENERALÍSSIMO, como Fulgêncio Batista em Cuba, sendo que este começou como sargento) tomou o poder que utilizaria por quase 50 anos.

Como conhecia guerra e logo se colocou contra a ditadura em 1964, foi para a clandestinidade, mas acabou preso, e só foi solto e banido do país no episódio da troca pelo embaixador americano.

Não conheço ninguém na História do Brasil que tenha sido tão VIOLENTADO quanto esses dois. E não consegui descobrir nem onde Dona Dilma teria ficado presa e torturada.

***

PS – Dona Dilma não participou de nada, ou não estaria viva. (Não participei das guerrilhas, fui sempre contra, por questões práticas e estratégicas). Os que lutaram BRAVAMENTE eram muito poucos, só iriam reforçar os efetivos da ditadura. QUASE TODOS MORRERAM, LUTARAM EM VÃO, não tiveram nem oportunidade de contestar os que estavam no Poder.

PS2 – Em relação ao episódio do ROUBO DO COFRE, Dona Dilma só falou “MENAS” verdade. Como em outros episódios de sua formação, quando mistificou descaradamente, apresentando números, dados e informações que teve que desmentir.

PS3 – O deputado e ex-ministro Carlos Minc, que participou da operação “amante-cofre-do-Ademar-de-Barros”, teve que desmenti-la publicamente. Minc também participou por pouco tempo, e espertamente, sem se expor muito. Ministro do Meio Ambiente, Minc teve atuação tão ATIVA E POSITIVA, que me surpreendeu.

PS4 – Quem teve a idéia (só ele tinha todos os dados), foi um jovem de 20 anos, riquíssimo, aristocrata, (de vários brasões), morava numa bela mansão da família em Santa Tereza.

PS5 – Em 1972 foi para Paris, onde mora até hoje, estudando e vivendo como gosta. Durante muito tempo escreveu pelo menos duas vezes por semana para a Tribuna da Imprensa. Artigos excelentes e opinativos.

PS6 – Por questão mais do que compreensível, não revelarei seu nome. Se os meios de comunicação não estivessem tão censurados e gravados, poderia consultá-lo. E tenho certeza que diria, “pode publicar, Helio”.

Hélio Fernandes/Tribuna da Imprensa

Agronegócio: entrevista com a Senadora Katia Abreu

Contra os preconceitos

A senadora e presidente da entidade que representa os produtores rurais diz que o sucessor de Lula precisa assumir um compromisso com a propriedade privada

“A norma usada pelo governo para definir trabalho escravo é uma punição à existência da propriedade privada no campo”

Sobre a mesa da presidência da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), em Brasília, há um grande coelho azul igual ao que a Mônica, personagem do cartunista Mauricio de Sousa, utiliza para bater naqueles que a provocam. O bicho de pelúcia foi um presente que a equipe da CNA deu à presidente da entidade, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), de 48 anos, como brincadeira em referência à sua fama de briguenta. No Senado ou no comando da confederação, ela tem procurado provar que muitas das medidas do governo que atrapalham o desenvolvimento do agronegócio e aumentam a insegurança jurídica no país são orientadas por preconceito ideológico .

Agropecuarista desde os 25 anos de idade, quando, grávida do terceiro filho, ficou viúva e teve de assumir a fazenda do marido, a senadora concedeu a seguinte entrevista a VEJA.

Qual é a imagem que os brasileiros têm dos produtores rurais?[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A ideia prevalente, e errada, é que o agronegócio exporta tudo o que produz, cabendo aos pequenos produtores abastecer o mercado interno. Pequenos, médios e grandes produtores destinam ao mercado interno 70% de tudo o que colhem ou criam. Também é muito forte e igualmente errada a noção de que fazendeiro vive de destruir a natureza e escravizar trabalhadores. Obviamente, como em qualquer atividade, ocorrem alguns abusos no campo. Mas o jogo duro de nossos adversários isolou os produtores do debate e espalhou essa ideia terrorista sobre a nossa atividade. Esses preconceitos precisam ser desfeitos.

Como?

Mostrando na prática que não somos escravocratas e que não destruímos o meio ambiente. Nós temos um projeto em parceria com a Embrapa dedicado a pesquisar e difundir boas práticas que permitam unir produção rural e proteção do ambiente. Essa história de trabalho escravo também precisa ser abordada com ações que produzam respostas práticas. Nós treinamos 200 instrutores para inspecionar fazendas pelo Brasil e avaliar as condições de vida dos empregados. Já visitamos mais de 1000 fazendas. O que se vê é uma imensa boa vontade da maioria dos proprietários de cumprir tudo o que a lei manda e seguir direito as normas reguladoras. Ocorre que a norma que rege o trabalho no campo, a NR-31, tem 252 itens. Em qualquer atividade, cumprir 252 critérios é muito difícil. Nas fazendas, isso é uma exorbitância. Até em uma fazenda-modelo um fiscal vai encontrar pelo menos um item dos 252 que não está de acordo com a norma.

Por que nas fazendas isso seria uma exorbitância?

Imagine que um determinado trabalhador seja responsável por tirar leite das vacas da fazenda. Um belo dia, o dono acha que o mais adequado é mudar a função do empregado e ele passa a, digamos, ser encarregado de roçar o pasto. Parece simples, mas não é. A norma legal determina que, para mudar de função, o trabalhador precisa antes de mais nada se submeter a um exame médico, que é apenas o primeiro passo de um complexo processo de transferência de uma vaga para outra. Bem, essa exigência seria burocrática e custosa até mesmo em um escritório de contabilidade na cidade. Nas pequenas e médias fazendas, que são 80% das propriedades rurais brasileiras, ela é um absurdo. Quem não sabe que, nessas fazendas, o mesmo trabalhador costuma exercer diversas funções no decorrer do dia? Ele tira leite de manhã cedo, trata das galinhas às 10 horas, às 4 da tarde cuida dos porcos e depois vai roçar o pasto. Outras regras abusivas e difíceis de ser cumpridas à risca por todos os fazendeiros são as que determinam as dimensões exatas dos beliches, a espessura dos colchões ou a altura das mesas nos refeitórios.

“Quero fazer um desafio aos ministros: administrar uma fazenda de qualquer tamanho em uma nova fronteira agrícola e aplicar as leis trabalhistas, ambientais e agrárias completas na propriedade”

Um produtor pode ser acusado de manter trabalho escravo apenas por descumprir detalhes como esses?

Sim. A Organização Internacional do Trabalho define o trabalho forçado como aquele feito sob armas, com proibição de ir e vir ou sem salário. Isso, sim, é trabalho escravo, e quem o pratica deve ir para a cadeia. O problema é que, pelas normas em vigor no Brasil, um beliche fora do padrão exigido pode levar o fazendeiro a responder por maus-tratos aos empregados. A NR-31 é uma punição à existência em si da propriedade privada no campo. Não estou fazendo a defesa dos que maltratam funcionários ou dos que lançam mão de trabalho infantil. Essa gente tem de ser punida mesmo. Ponto. Estou chamando atenção para o absurdo. Imagine a seguinte situação: é hora do almoço, o trabalhador desce do trator, pega a marmita e decide comer sob uma árvore. Um fiscal pode enquadrar o fazendeiro por manter trabalho escravo simplesmente porque não providenciou uma tenda para o almoço do tratorista. Isso é bem diferente de chegar a uma fazenda e encontrar o pessoal todo comendo sob o sol inclemente. São duas situações diferentes.

Mas elas provocam as mesmas punições. Isso confunde o pessoal do campo, que passa a se sentir sempre um fora da lei. Meu ponto de vista é que deveria prevalecer o bom senso. Nas minhas palestras, eu recomendo aos produtores rurais que avaliem a comida, o banheiro e o alojamento dos empregados por um critério simples: se eles forem bons o bastante para seus próprios filhos e netos, então eles são adequados também para os empregados.

Qual o interesse do governo em punir o produtor rural?

Isso é um componente ideológico da esquerda fundamentalista que conseguiu se manifestar no atual governo. Essa parcela atrasada da esquerda acredita apenas no coletivo e não admite a produção individual, privada. O que está sendo feito neste país me deixa indignada e triste, pois não é fácil de desmanchar: estão jogando os pequenos contra os grandes produtores. Isso está acontecendo no IBGE, cujo Censo Agropecuário está cheio de informações falsas, desonestas, distorcidas por razões puramente ideológicas.

O que há de errado no censo?

A melhor definição de agricultura familiar, utilizada até pelo Banco Central, é baseada em três princípios. Primeiro, o tamanho da terra, que deve ser de, no máximo, quatro módulos rurais. Segundo, que utilize mão de obra predominantemente familiar. Terceiro, que a maior parte do faturamento da família venha dessa propriedade. O que o IBGE fez neste governo? Matou os critérios de mão de obra e de renda da propriedade. Com isso, todos os proprietários com até quatro módulos entraram na categoria agricultura familiar. Qual o objetivo disso? Desmoralizar o agronegócio, a grande empresa e a propriedade privada.

Por que isso desmoraliza o agronegócio?

Para dar a ideia de que os pequenos produtores sustentam a produção nacional, mas recebem menos crédito agrícola que os médios e grandes, que exportam tudo. Esse argumento, baseado em estatísticas distorcidas, não traz ganhos ao país. Concordo que precisamos encontrar as diferenças entre os agricultores, mas elas devem se basear em produção e renda, para amparar toda a cadeia e não provocar um conflito entre pequenos e grandes. Afinal, existe propriedade pequena no Paraná que é muito mais produtiva e rica do que uma grande fazenda no Centro-Oeste. Além disso, as informações equivocadas do IBGE dão prejuízo ao setor, porque não se pode fazer planejamento estratégico de investimento em cima de previsões falsas. Em todos os países desenvolvidos, a pesquisa pública é um santuário. Nem a ditadura militar interferiu nos institutos de pesquisa. O IBGE e o Ipea foram aparelhados pelos ideólogos dos ministérios do Desenvolvimento Agrário e do Meio Ambiente.

“Temos uma lei que garante o investimento em portos e um decreto que o cerceia. Só encontro duas explicações: o preconceito contra a empresa privada ou a proteção a um cartel existente”

Essa é uma postura do governo Lula em geral ou apenas de uma minoria no poder?

Há pessoas no governo que não são xiitas. O ministro do Desenvolvimento Agrário (Guilherme Cassel) e o ex-titular da Pasta de Meio Ambiente (Carlos Minc), contudo, em vez de encontrar soluções para os problemas, passaram os últimos anos dividindo o país para aumentar a sua torcida. Eles não tinham o direito de fazer isso. Um ministro de estado deve proteger o Brasil, não apenas alguns brasileiros. Quero fazer um desafio aos ministros do Trabalho, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário: que eles administrem uma fazenda de qualquer tamanho em uma região de nova fronteira agrícola e tentem aplicar as legislações trabalhistas, ambientais e agrárias completas na propriedade. Mas não podem fazer milagre, porque nós vamos acompanhar. Se, depois de três anos, eles conseguirem manter o emprego e a renda nessa propriedade, fazemos uma vaquinha, compramos a terra para eles e damos o braço a torcer, reconhecendo que estavam certos.

O que mais atrapalha os negócios no campo?

A insegurança jurídica. Se não há estabilidade nem confiança, as plantas e a produção de carne recusam-se a prosperar. Nas empresas urbanas é a mesma coisa. Não se podem utilizar bandeiras sociais ou ambientais para ferir a segurança jurídica. Não vejo problema em dar terras aos índios, aos quilombolas ou aos sem-terra. Mas tudo isso precisa ser feito em concordância com o direito de propriedade. Neste mês, apresentei uma proposta ao Ministério da Justiça para estabelecer um Plano Nacional de Combate às Invasões. Existem planos do governo para coibir o tráfico de drogas, a venda ilegal de animais silvestres e a pirataria. Por que não combater também o crime organizado no campo?

A senhora é contra a reforma agrária?

Não. Sou contra a invasão. Sou contra tomar a terra com um índice de produtividade imbecil, que não é compatível com a atualidade da gestão do empresariado brasileiro. Hoje, os saudosistas de esquerda destroem pé de laranja e invadem órgãos de pesquisa porque o latifúndio improdutivo não existe mais. Os radicais não se conformam com isso. Há quarenta anos, éramos um dos maiores importadores de comida do mundo. Atualmente, não só somos autossuficientes como nos tornamos o segundo maior exportador de alimentos.

O que o produtor rural quer do próximo presidente?

Precisamos que o próximo presidente entenda que dividir o país entre pequenos e grandes é uma visão simplista e ruinosa. É necessário que ele saiba que existe uma classe média rural que não tem a escala das grandes empresas agrícolas, mas que também não se enquadra na agricultura familiar.

Essa classe média rural é vulnerável às oscilações de preços e de clima, mas não tem condições de se proteger sozinha disso. Nesse ponto, o estado pode ajudar. Mas a primeira pergunta que faremos aos candidatos será: o que eles pensam a respeito da propriedade privada?

Que medidas podem servir a todos esses três estratos sociais da agricultura?

A medida universal é investir na infraestrutura. Se a movimentação nos portos continuar crescendo à taxa atual, de 12% ao ano, em oito anos nós precisaremos de um outro Brasil portuário. A ironia é que o Brasil tem uma das leis de portos mais avançadas do mundo. Mas, em 2008, o governo aprovou um decreto que vem impedindo novos investimentos privados na construção de portos. O decreto interessa basicamente a empresários que participaram da privatização dos portos públicos, sendo Daniel Dantas o maior deles, e que não querem a abertura da concorrência. Isso faria cair as tarifas, e os portos ficaria m mais eficientes. Para resumir, temos uma lei que garante o investimento e um decreto que o cerceia. Só encontro duas explicações possíveis: o preconceito contra a empresa privada ou a proteção a um cartel existente.

A senhora sonha em ser candidata a vice-presidente na chapa de José Serra?

Preciso deixar que a decisão partidária prevaleça. Ninguém pode querer ser vice de alguém. As pessoas querem ser o personagem principal, aquele que terá a caneta na mão para implementar as suas decisões, ideais e planos. O vice é apenas um coadjuvante. Mas fico orgulhosa quando meu nome é citado por eu ser de um estado novo, o Tocantins, por ser mulher e por representar o setor agropecuário, que nunca teve muito espaço nas chapas majoritárias e na política nacional.

Diogo Schelp/Veja

Eleições 2010: Marina Silva, o Partido Verde e Sarney

Olhem só.

A Senadora Marina Silva, caso se mude para o Partido Verde para poder ser candidata à presidência da república, vai encontrar a maior pedreira.

Além de ter que apoiada pela esquadrilha da fumaça, Gabeira e Carlos Minc, vai ter que se envolver com a “famiglia” do bigodudo.

Aliás, a amazônica senadora está nos devendo, aos Tupiniquins, uma palavrinha que seja sobre o  Zé Sarney. Né não?

O editor

O empreiteiro amigo dos Sarney e o PV do Maranhão

Vai abaixo a nota de abertura da coluna “Painel”, editada pela repórter Renata Lo Prete e veiculada na Folha. É leitura obrigatória para Marina Silva:

– O fiador: “Dono da empreiteira que bancou apartamentos usados pela família Sarney em São Paulo, o empresário Rogério Frota de Araújo é o braço financeiro do PV do Maranhão. Filiado ao partido, já ensaiou voos na política via município de Imperatriz, base eleitoral do deputado verde e amigo Zequinha Sarney.

As candidaturas, entretanto, não emplacaram porque dividiriam votos com outros aliados do clã. Depois das eleições de 2004, quando adiou mais uma vez o sonho de entrar para a política, Frota aproximou-se de Fernando, o outro filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Em quatro anos, ganhou leilões e multiplicou contratos no setor elétrico”.

blog Josias de Souza

Eleições 2010: Ministro Carlos Minc ameaça com desastre ambiental/eleitoral

O sinistro, ops!, ministro Carlos Minc,o inefável, também conhecido como ministro da droga ou uma droga de ministro, ameaça deixar o cargo em março de 2010.

Sua (dele) ex-celência que polui atualmente o Ministério do Meio Ambiente com os inacreditáveis coletes, tá de olho numa boquinha parlamentar. Qualquer uma. Quer se eleger deputado estadual no Rio de Janeiro. Será um autêntico desastre ambiental/eleitoral.

Se for contar com os votos dos coleguinhas de fumacê que participaram da apológica marcha da maconha, tá eleito.

Isto é: caso os “brothers” se lembrem de votar no dia das eleições.

Carlos Minc: fazemos qualquer negócio pelo poder

Apesar de ter levado um puxão de orelhas, ou melhor, de colete, do Presidente da República, o midiático Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, aceita fazer qualquer negócio para não sair da ribalta.

Minc, após participar da enfumaçada marcha pela maconha, agora, para permanecer no poder, é bem capaz  fazer seus alegres coletes virarem fumaça.

O ministro Carlos Minc e a maconha

O midiático ministro dos coletes bregas, Carlos Minc, vai ser chamado às falas pela Câmara dos Deputados. Vai ter que explicar porque liderou a marcha da maconha, numa clara ação de apologia ao crime.

Marcha da Maconha
Câmara convoca Minc para explicar ida à marcha

A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou hoje um requerimento convocando o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, para explicar sua participação no Rio de Janeiro da “Marcha da Maconha”. O autor do requerimento, Laerte Bessa (PMDB-DF), deseja a presença do ministro já na próxima semana, mas a audiência ainda não foi marcada.

No requerimento, Bessa afirma que o evento foi organizado por uma entidade “clandestina” e fazia apologia ao uso da substância. “O ministro Carlos Minc, ao pregar a liberalização da maconha, acaba por fazer propaganda genérica que induz a utilização de entorpecentes ou drogas afins, configurando o tipo penal de apologia ao crime“, afirma o peemedebista.

Política – É preciso botar ordem

Brasil: da série “só dói quando eu rio”!

No Ceará, costuma-se dizer que quando os passageiros estão dando problemas dentro de um ônibus, o motorista tem que “dar um freio de arrumação”.

Da maneira como os caciques estão desarrumados na taba do grande chefe dos Tupimiquins, só mesmo um “freio de arrumação”.

Carlos Chagas – Tribuna da Imprensa

Nem tudo são ideais, bons propósitos e entendimento no ministério. Reinhold Stephanes, da Agricultura, está em choque com Celso Amorin, das Relações Exteriores, um achando que as conversações na Organização Mundial de Comércio não valem nada, outro perguntando se está fazendo papel de bobo naquelas reuniões. Ao mesmo tempo Carlos Minc, do Meio Ambiente, não troca uma palavra sequer com Mangabeira Unger, do Futuro e coordenador do programa Amazônia Sustentável.

Tarso Genro, da Justiça, bate de frente com Dilma Rousseff, da Casa Civil, mesmo por questões ligadas à sucessão de 2010. A Petrobras enfrenta Edison Lobão, das Minas e Energia, que deseja criar uma nova empresa para gerir os novos campos de petróleo descobertos no mar. Guido Mantega, da Fazenda, ressente-se da independência com que Henrique Meirelles conduz a política monetária e aumenta juros de que o colega toma conhecimento pelos telejornais. Não está na hora de o presidente Lula botar ordem na confusão?

Amazônia, para Mangabeira Unger, não é assunto só para ambientalistas

Em entrevista, parte reproduzida abaixo, Mangabeira Unger, Ministro de Assuntos Estratégicos – o popular Sealopra – expõe interessantes reflexões no que representa a amazônia para o Brasil. Já tendo batido de frente com a conservacionista eco-radical ex- Ministra Marina Silva, o ex-guru de Ciro Gomes, coloca a discussão no plano racional.

De Evandro Éboli e Bernardo Mello FrancoO Globo

Em sintonia com o pensamento militar, o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, criticou a política indigenista do governo, que distribui terra mas nega aos indígenas oportunidades econômicas. “Por isso, estão se afundando na depressão, no alcoolismo e no suicídio”, disse durante entrevista em seu gabinete no Comando do Exército, em Brasília.

Qual a opinião do senhor sobre a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol?

MANGABEIRA UNGER: A orientação do presidente é aguardar a decisão do STF. Mas direi duas coisas: o Estado de Roraima tem o direito de gozar de todas as condições de uma vida vigorosa e independente dentro da federação. Outra coisa: temos a obrigação de repensar as diretrizes de nossa política indigenista. O Brasil reserva 13% de seu território e mais de 20% da Amazônia aos indígenas. Uma generosidade louvável. Mas, paradoxalmente, nega aos índios instrumentos e oportunidades da atividade econômica. Muitas vezes, por isso, estão afundando na depressão, no suicídio, no alcoolismo e na desagregação moral e social. Temos a obrigação de consertar isso. Temos um compromisso sagrado com os índios, que são pessoas, e todas as pessoas são espíritos que desejam transcender.

Qual seria o melhor órgão de repressão a desmatadores? O ministro Carlos Minc propôs a criação de uma Guarda Nacional Ambiental…

MANGABEIRA: Quero resguardar a minha opinião. Nada de julgamentos apressados. Estamos numa tarefa de imensa seriedade, e o objetivo não é produzir efeitos midiáticos, é resolver problemas graves do país. Também tem que ficar claro que não queremos militarizar a Amazônia. É um equívoco pensar na Amazônia só como assunto de meio ambiente ou do Ministério do Meio Ambiente. Quase todos os ministérios estão envolvidos com a Amazônia. A Amazônia não é só assunto de ambientalistas. Os amazônios ficam indignados com isso.

De Maiá Menezes:

O recado foi direto: uma semana após o jornal “The New York Times” questionar a capacidade do Brasil de gerir a Floresta Amazônica, e no dia seguinte à revelação de que um empresário sueco teria avaliado a Amazônia em US$ 50 bilhões, o presidente Luiz Inácio da Silva fez uma defesa veemente da soberania brasileira. Em discurso para economistas, políticos e empresários, no auditório do BNDES, no Rio, Lula foi enfático:

– O mundo precisa entender que a Amazônia brasileira tem dono, e que o dono da Amazônia é o povo brasileiro. São os índios, são os seringueiros, são os pescadores e também nós, que somos brasileiros e temos consciência de que é preciso diminuir o desmatamento, as queimadas, mas também temos consciência de que precisamos desenvolver a Amazônia – disse Lula, na abertura do XX Fórum Nacional do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae).

Amazônia sem Marina Silva

O jornalista André Petry da revista Veja, faz uma reflexão sobre a saída da Ministra Marina Silva, seu substituto, — Carlos Minc, ainda não confirmado, mas que revelando o que se pode esperar declarou “não conhecer o Brasil” —, e a Amazônia. Com Marina ou sem Marina, o despreparo do Brasil para lidar com a exploração racional da floresta, continua.

De André Petry:

A ministra Marina Silva saiu do Ministério do Meio Ambiente – e isso não quer dizer nada. Ou melhor: quer dizer apenas que continuamos sem ver o essencial.

A miopia ambiental brasileira é chocante. O país abençoado por Deus e bonito por natureza pode não ser tudo isso que a música celebra, mas tem tudo para ser uma potência ambiental. Afinal, o Brasil tem 60% da Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, com 30.000 espécies vegetais. O Brasil tem a maior planície inundável do mundo, o Pantanal, com mais espécies de aves do que a América do Norte e mais espécies de peixes do que a Europa. O Brasil tem o maior volume de água doce superficial do mundo. Quase 14% do estoque do planeta. São números estonteantes, bonitos por natureza.

E não é só. O brasileiro também acrescentou seu trabalho à natureza. Hoje, 45% da energia consumida no país vem de fontes renováveis, como as hidrelétricas e os biocombustíveis, atualmente tão em moda. A terra brasileira alimenta boa parte do mundo, da laranja à carne bovina. Agricultura e pecuária são meio ambiente. A indústria automobilística colocou na rua uma enorme frota de veículos movidos a álcool ou movidos a dois combustíveis. É meio ambiente.

A miopia oficial é o que impede o país de ser uma potência ambiental – coisa que só pode ser confundida com ataque ao crescimento econômico quando se pensa que crescimento econômico é só ataque ao meio ambiente. Hoje, aos olhos míopes, ser uma potência ambiental é uma bandeira de gente chata que quer deixar 1 milhão de pessoas sem luz para salvar um bagre. No mundo de hoje, no mundo visto além da miopia governamental, ser uma potência ambiental é muito relevante. Amanhã, será mais do que isso. Será decisivo. Será como ter o maior estoque de ogivas nucleares nos tempos da Guerra Fria.

Exagero? Todas as crises mundiais escondem uma natureza ambiental – no início, no meio ou no fim. Um dos temas mais discutidos hoje é a mudança climática. É tema ambiental. Um dos grandes temores da humanidade é que, no futuro, venha a faltar água no planeta. É outra questão ambiental. A atual crise mundial de alimentos está revivendo a ameaça da fome. Outra questão ambiental. Terremoto, queimadas, tsunami, pandemias, pobreza, é tudo ambiental. O drama energético é ambiental. Discutem-se o petróleo, o preço do barril, por quanto tempo as atuais reservas serão capazes de manter a petrocivilização do século XX. É tudo meio ambiente, no início, no meio ou no fim.

O economista Jeffrey Sachs atualmente comanda o Instituto da Terra, na Universidade Colúmbia, em Nova York. Em seu último livro, ele diz que a sociedade global tem três desafios para o século XXI, que comprometem a sobrevivência da humanidade no planeta: eliminar a pobreza extrema, conter o crescimento populacional e trabalhar bem com o meio ambiente. Não é protegê-lo numa redoma como relíquia intocável. É lidar com ele, avançar sem matá-lo. É ser verde.

Marina Silva sempre foi festejada como símbolo da defesa da Amazônia. Em cinco anos no ministério, não reduziu um grau que fosse a miopia ambiental do governo. Era só símbolo. Agora, com Carlos Minc, sob esse aspecto, não muda nada. Só não teremos nem símbolo mais.