Tentativa de anistia para políticos flagrados com caixa dois expõe níveis de corrupção dos líderes do congresso

Em uma atitude que chocou até os observadores de política mais experientes das tramas que assolam a corrompida Brasília, os líderes da Câmara dos Deputados tentaram inserir de forma sorrateira na agenda de votação uma lei que oferece anistia a eles mesmos por violações das leis de financiamento de campanhas eleitorais.

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Embora a trama tenha sido barrada pela oposição veemente liderada principalmente por dois partidos relativamente pequenos (PSOL e Rede) e apoiada por alguns membros de outros partidos, a tentativa, por si só, representa bem a nova facção que tomou o poder após o impeachment da presidente eleita.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

A anistia retroativa que tentaram passar diz respeito ao conhecido “caixa dois”: os fundos não divulgados recebidos por candidatos, usados em suas campanhas sem declará-los oficialmente como gastos ou doações. Usada há tempos por políticos para obter doações de grandes corporações e oligarcas sem qualquer detecção ou responsabilização legal,  a prática obscura teve mais detalhes revelados nas amplas investigações de corrupção da Lava Jato.

Por esse motivo, os políticos em questão querem imunizar-se de forma retroativa de suas consequências: muitos dos mais poderosos membros do congresso brasileiro — incluindo aqueles que usaram o argumento da corrupção enquanto lideravam os esforços em favor do impeachment de Dilma — encontram-se envolvidos e, portanto, ameaçados por terem violado tais leis.

Agora, tentam passar uma nova lei que impediria sua própria punição, destacando exatamente aquilo que os contrários ao impeachment alertavam (e admitido pelo aliado próximo de Temer, Romero Jucá, em gravação secreta) ser o verdadeiro objetivo por trás da remoção de Dilma: permitir que políticos verdadeiramente corruptos usem o poder recém-adquirido de forma anti-democrática para se protegerem de investigações e acusações.

O aspecto mais importante dos eventos recentes é a lista de quem se encontra ameaçado por estar envolvido nessa forma específica de corrupção eleitoral.

Ela inclui o próprio presidente em exercício, Michel Temer, acusado de receber milhões de reais na forma de doações; seu Ministro das Relações Exteriores, José Serra, que é acusado de ter recebido R$ 23 milhões da empreiteira Odebrecht; o líder do governo Temer no Senado, Senador Aloysio Nunes, acusado por dois delatores de ter recebido doações ilegais; o Senador Aécio Neves, candidato à presidência derrotado por Dilma em 2014, que supostamente recebeu R$ 1 milhão em doações ilegais de campanha; e o atual Presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, também do partido de Temer, considerado o maior beneficiário, por ter recebido R$ 32 milhões.

 

O beneficiário mais importante de todos nessa lista é o novo Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que agora é investigado formalmente pelo Procurador Geral da República, após ter sido gravado pedindo ao presidente da empreiteira OAS, que se encontra preso no momento, R$ 250 mil nunca declarados em seus formulários de campanha. Após a revelação da gravação. Rodrigo Maia alega que as doações recebidas não eram para sua campanha, mas para a de seu pai.

Todos os políticos envolvidos nesta violação votaram em favor do impeachment de Dilma. O impedimento da presidente aumentou drasticamente o poder nas mãos desse grupo que forma a coalizão de centro-direita e que, embora não tenha vencido eleições presidenciais, assumiu o governo após a saída de Dilma.

Todos fizeram discursos presunçosos sobre a necessidade de combater a corrupção na política como justificativa para o apoio ao impeachment. E, agora, com o poder obtido através do impeachment, se articulam para se protegerem das investigações de corrupção e consequências das violações (é importante observar que membros importantes do PT também se encontram envolvidos em investigações de caixa dois, e, portanto, o partido também pareceu apoiar a lei de anistia, embora alguns membros em particular tenham se juntado à oposição).

Talvez o aspecto mais impressionante disso tudo seja que os envolvidos sabem perfeitamente que a aprovação de tal anistia seria uma medida obscena e corrupta. Alguns jornalistas tentaram — sem sucesso — descobrir quem teria sido responsável por inserir essa pauta na agenda de votação no congresso.

Mas, conforme contou o jornalista do UOL, Josias de Souza, Mansur, primeiro responsabilizou Rodrigo Maia, depois literalmente se recusou a dizer quem era o responsável pela inserção da pauta no calendário de votação, alegando de forma surpreendente que “não sabia” e — usando o verbo no passado de forma quase cômica — que diria apenas que o “projeto foi colocado na pauta”.

As motivações aqui observadas são tão descaradas que chega a ser impressionante. Como contou Josias de Souza, “além de invisível, o projeto é órfão. Não há vestígio dos pais da manobra.

Eles parecem ter vergonha de si mesmos. E não lhes faltam motivos.” O líder do PSOL, Ivan Valente se posicionou da seguinte forma ao tentar bloquear a medida: “É inaceitável, intolerável, um escândalo, um escárnio, uma falcatrua, uma bandalheira.

Mas essa é a verdadeira face da inenarrável corrupção da facção que tomou o poder em Brasília de forma anti-democrática, ironicamente, em nome da luta contra a corrupção.

Não é preciso nem dizer que o movimento contra a corrupção que liderou os protestos pela saída de Dilma encontra-se desaparecido e em silêncio, como é de costume quando a corrupção é de centro-direita, porque sempre foram motivados por ideologia e pela subversão da democracia na busca pelo impeachment, e não pela luta contra a corrupção.

E uma coisa é certa: essa tentativa de blindar a corrupção e dar mais poder aos corruptos sofreu uma derrota apenas temporária. Essa facção — que deve seu poder à negação da democracia, em vez do exercício dela — mostrou não ter vergonha alguma na cara. Convencida de seu próprio direito e capacidade de agir sem maiores consequências, não há dúvida de que tentarão cobrir-se de anistias novamente quando não estiverem sendo observados.
Glenn Greenwaldo

Por que (e como) agências de publicidade se envolvem em escândalos de corrupção no Brasil?

Uma nova operação da Polícia Federal voltou a colocar em evidência nesta semana a participação de agências de publicidade em escândalos de corrupção.

Notas de cinquenta e cem reaisAgências de publicidade são cada vez mais frequentes em ações relacionadas à Lava Jato e outros esquemas de corrupção
Image copyrightVINICIUS TUPINAMBA | THINKSTOCK

Na terça-feira, policiais fizeram buscas em escritórios da Propeg – uma das maiores empresas do ramo no país – em Salvador e em Brasília, como parte de investigação sobre um possível esquema para desviar dinheiro público para financiamento ilegal de campanhas eleitorais e outro envolvendo fraudes em licitações e contratos publicitários do Ministério das Cidades nos governos petistas.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Antes da Propeg, agências como a Borghi/Loewe já haviam sido implicadas na Operação Lava Jato, além dos publicitários João Santana e Monica Moura. Muito antes disso, em 2013, o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza foi condenado pelo mensalão do PT – preso, ele também é réu no processo do mensalão tucano mineiro e na Lava Jato.

“Já ouvi algumas pessoas dizerem que as empresas de publicidade são as novas construtoras. Elas devem começar a aparecer mais ainda nos esquemas de corrupção”, diz Fabiano Angélico, especialista em administração pública e consultor da Transparência Internacional no Brasil.

Mas por que – e como – isso acontece?

“Os contratos entre órgãos públicos e agências trazem elementos que dificultam a identificação de fraude, porque é muito difícil estabelecer o preço de alguns trabalhos de comunicação”, explica Angélico.

“São trabalhos poucos concretos. Às vezes eles envolvem muitas subcontratações de serviços como vídeo, trilha sonora, fotografia, diagramação. E você pode fraudar isso de maneira mais fácil do que outro tipo de contrato. Esse é um dos fatores pelos quais algumas agências se envolvem.”

O presidente da Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap), Orlando Marques, diz que o órgão “sempre condenou esse tipo de prática” e orienta suas associadas sobre os procedimentos corretos. “Mas sempre tem alguém que acha que é mais esperto.”

Suspeitas

Os esquemas investigados pela PF na operação Hidra de Lerna ilustram o modo como a participação dessas empresas acontece.

Em um dos casos, a construtora OAS teria contratado ficticiamente a Pepper, especializada em campanhas políticas, para maquiar o financiamento ilegal da campanha do atual governador baiano, Rui Costa (PT). O esquema teria sido revelado pela dona da agência, Danielle Fonteles, em acordo de delação premiada.

No segundo caso, também relatado por um publicitário, a Propeg teria pago propina para obter um contrato de R$ 45 milhões do Ministério das Cidades. Pelo menos dois ex-titulares da pasta durante o governo Lula, Mario Negromonte e Márcio Fortes, teriam sido pagos por contratos fechados com agências de comunicação, segundo a PF.

Os ex-ministros negam as acusações. O Ministério das Cidades disse que, “em poder das informações (sobre a investigação), a pasta terá condições de avaliar do que se trata e capacidade de instaurar, imediatamente, processos administrativos disciplinares para investigar a denúncia”.

A Propeg, por sua vez, afirmou que “no que tange à agência, os fatos em apuração não possuem qualquer conexão com o Partido dos Trabalhadores, o Governador do Estado da Bahia e com a empresa OAS”. O PT da Bahia disse que a ação da PF, que teria arrombado as portas da sede do partido em Salvador, foi “desnecessária” e “sensacionalista”.

Carro da PF na Propeg, em Salvador, na terça-feiraDelações premiadas de publicitários têm sido usadas pela PF para investigar lavagem de dinheiro em contratos públicos – Image copyrightPOLÍCIA FEDERAL

‘Homem do meio’

“Na maioria das vezes, a agência age como ‘homem do meio’. Tira-se dinheiro dos cofres públicos através de uma contratação, esse dinheiro passa por uma agência de publicidade, que realmente fará algum serviço, e a outra parte dele vai para um político ou partido”, explica Angélico.

O que as agências costumam ganhar com a participação? Em geral, o favorecimento em licitações públicas – de modo semelhante ao que ocorre com as construtoras.

“Algo que acontece muito é ver uma agência de publicidade que fez a campanha de um candidato sendo repetidamente contratada em licitações depois que esse candidato é eleito. Isso é uma indicação clara que de que há uma relação mais próxima entre eles do que deveria”, diz o consultor da Transparência Internacional.

Em alguns casos, explica, o esquema se espalha pela cadeia da publicidade e envolve também produtoras de conteúdo – vídeo e fotografia, por exemplo – que são subcontratadas pelas agências para realizar campanhas.

Funciona, de modo simplificado, assim: a agência, contratada pelo órgão do governo, subcontrata produtoras e exige delas uma “bonificação por volume” (BV de produção, como é chamada no meio) – uma espécie de taxa informal descontada do pagamento final.

O valor dessa taxa, no entanto, é depositado em contas de terceiros, como empresas abertas por políticos ou seus familiares. Na prática, é uma maneira de pagar propina a políticos ou partidos.

‘Fragilidade’

Segundo publicitários e produtores ouvidos pela BBC Brasil – por medo de represálias no mercado, parte deles preferiu não se identificar -, a prática tornou-se mais comum nos últimos anos.

“Já trabalhei para uma agência em que tive que fazer orçamentos de mais de R$ 80 mil, mas ficava apenas com R$ 5 mil. Eu pagava meus fornecedores, pagava o BV e ainda tinha que fazer repasses para uma pessoa da agência”, disse um fotógrafo.

“Certa vez, estávamos fazendo uma campanha e me pediram um repasse mais alto além do BV. Eu reclamei, porque teria que repassar quase o dobro do que estava lucrando. E me disseram, pela primeira vez, que o cliente final, um ministério, estava querendo o repasse.”

No início de 2016, um grupo de produtoras de conteúdo publicitário pediu, em carta aberta, o fim da cobrança informal do BV por parte das agências, temendo o envolvimento em esquemas de corrupção.

“Já éramos contrários à prática do BV antes disso acontecer, mas a aparição de nomes de produtoras na Lava Jato certamente deixou mais clara nossa fragilidade”, disse à BBC Brasil Francesco Civita, diretor da produtora Prodigo Films.

Um executivo afirmou que a maioria das agências “entendeu o recado” nos últimos meses, mas que ainda há aquelas que insistem na cobrança da taxa – que não é regulamentada, mas, a rigor, não é ilegal. Uma dessas agências, segundo ele, é a Propeg.

“Tive propostas para isso, mas sempre negamos. Nunca quis pagar um terceiro sem saber quem é, para onde vai, em que rolo que estou me metendo. Quando as empresas tinham coragem de se defender, eles recuavam”, afirma.

Homem rejeitando oferta de dinheiroAssociações de publicidade e produtoras dizem estar tentando coibir práticas de mercado que podem levar ao envolvimento com corrupção
Image copyrightANDREY POPOV | THINKSTOCK

Segundo Orlando Marques, presidente da Abap, o órgão tem realizado “cursos, palestras de especialistas sobre a lei anticorrupção e sobre governança” para as agências associadas.

“Tudo o que podíamos fazer para os associados não se meterem nesse tipo de fria a gente fez. E não queremos deixar esse assunto esfriar. Mas sempre tem alguém que acha que é mais esperto que os demais. Em negócios isso é inevitável”, disse.

“A Propeg, como todas as demais agências, sabe o que é certo e o que é errado. Se fez o errado, sabia o que estava fazendo.”

Transparência

Para Fabiano Angélico, a participação das agências em escândalos é mais uma face do principal problema da corrupção na administração pública: a contratação de empresas privadas.

“Temos hoje muita transparência nos salários pagos pelo poder público no Brasil, mas o gasto na contratação de empresas não se discute. As empresas não dão detalhes e a lei só obriga que um resumo do contrato seja publicado”, diz.

“O Estado precisava identificar os tipos de contratos mais sujeitos a fraude e deixá-los bem mais transparentes, desde o edital até as propostas de cada empresa. Na maior parte das vezes, nem a justificativa para contratar alguém é tornada pública.”

Um ponto importante, diz, é deixar claro quem são os donos e sócios das empresas que estão sendo contratadas, para que seja possível entender para onde vai o dinheiro que sai dos cofres públicos – e encontrar possíveis irregularidades mais facilmente.

“Às vezes, o dono da agência abre outra empresa, com outro CNPJ para ganhar licitações. Fica difícil para os órgãos de controle rastrear a relação entre uma e outra. Daí a importância de saber quem são as pessoas por trás das empresas.”
BBC

Marqueteiro da chapa Dilma/Temer: Santana: Fila de envolvidos em caixa 2 seria maior que Muralha da China

“Práticas irregulares são consequência de um sistema eleitoral adulterado”, disse publicitário.João Santana,Brasil,Dilma,Caixa 2,Marketing Eleitoral,Blog do Mesquita

Publicitário disse que ele e a mulher são os únicos presos por receber dinheiro de caixa 2 no Brasil.

Marqueteiro da campanha eleitoral da presidente afastada Dilma Rousseff em 2010, João Santana admitiu, nesta quinta-feira (21), em depoimento de delação premiada, que errou ao aceitar pagamento por meio de caixa dois, mas que a prática é comum, apesar de ele e sua mulher, Mônica Moura, serem “os únicos presos neste país” pela prática.

As informações são da coluna de Monica Bergamo, na Folha de S.Paulo.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“Se todos que já foram remunerados com caixa 2 no Brasil fossem tratados com o mesmo rigor que eu, era para estar aqui, atrás de mim, uma fila de pessoas que chegaria a Brasília. Uma muralha humana capaz de concorrer com a muralha da China. Capaz de ser fotografada por qualquer satélite que orbita em torno da terra.Mas estaria eu aqui a defender o caixa 2? Jamais!”, afirmou.

Ainda no depoimento, Santana, que recebeu R$ 4,5 milhões da campanha petista, disse que não é o marketing eleitoral a causa das práticas irregulares, mas o próprio sistema de financiamento de campanha eleitoral “adulterado e distorcido em sua origem”, como ele destacou.

“O marketing eleitoral não cria corrupção, não corrompe, e não cobra propina. Não somos a causa de práticas eleitorais irregulares. Elas são consequência de um sistema eleitoral adulterado e distorcido em sua origem. Isto é assim aqui e na maioria esmagadora dos países. E atinge todos os partidos, sem exceção. Com generosidade, e com conhecimento de causa, eu digo que 98% das campanhas no Brasil utilizam caixa 2. Que isso envolve das pequenas às grandes campanhas. Que centenas de milhares de pessoas – quase certo que milhões – de todas as classes sociais e de dezenas de profissões são remuneradas com dinheiro de caixa 2. Mais que isso: o caixa 2 é um dos principais – senão o principal – centros de gravidade da política brasileira”, relatou o publicitário.

De acordo com a mulher de Santana, o trabalho na eleição de 2010 foi concluído, mas a campanha não pagou tudo o que devia.

Ainda segundo Mônica Moura, o casal fez cobranças insistentes ao PT. Em 2013, Mônica e João Santana foram chamados pelo então tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, que os orientou a procurar Zwi Skorniki, que tinha negócios com a Petrobras e faria os pagamentos.

De dez parcelas, nove foram pagas em uma conta não declarada no exterior.

Ainda no depoimento, Santana afirmou que tinha conhecimento sobre o modo como a dívida estava sendo saldada. O casal afirmou que não sabia que Zwi tinha contratos com a Petrobras nem que os recursos poderiam ser fruto de propina.

A presidente Dilma Rousseff não foi mencionada no depoimento, assim como não houve citação a qualquer integrante da coordenação da campanha de 2010.

Brasil: Um país bipolar

Brasil,Política,Protestos,Bipolar,Brasil,Temer,Eduardo Cunha,Fora Dilma, Impeachment,Golpe,Blog do MesquitaO que me espanta nas manifestações dos diversos grupos de Tapuias não é a classe sócio econômica dos participantes.

O estranhamento é termos pessoas “tão bem educadas” lutando contra princípios democráticos e expressando ódio por meio de cartazes e palavras de ordem, além do que circula nas redes sociais.

Espanta muito perceber que “pessoas bem educadas” possam pensar que os problemas políticos do país são ocasionados por uma única pessoa ou partido.

Eu honestamente esperava muito mais de pessoas “tão bem educadas,” porém a origem de todas as decepções é um excesso de expectativas.

Achar que um grupo tem mais direito que o outro é um erro gravíssimo!
Somos todos iguais em Direitos.

O Brasil está bi polarizado e esse tipo de desagregação só traz prejuízos para os dois lados.


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Atual modelo de doações de empresas a políticos é promíscuo, diz líder empresarial

Se o atual modelo de doações de empresas a partidos e candidatos políticos não for alterado, “corremos muitos riscos de continuar com essa relação promíscua entre público e privado na nossa sociedade”, opina Jorge Abrahão, presidente do Instituto Ethos, em entrevista à BBC Brasil.

Jorge Abrahão | Foto: Instituto Ethos
” Nós temos que aproveitar essa doença que nós temos hoje e atacar o problema do nosso organismo, do nosso sistema”, diz empresário

O instituto foi criado para incentivar práticas socialmente responsáveis no setor privado e hoje tem 558 empresas associadas – entre elas grandes doadoras de campanhas eleitorais, como os bancos Bradesco, Itaú e Santander, a construtora WTorre, a rede de frigoríficos Marfrig e até mesmo braços de grupos investigados na operação Lava Jato, como a Camargo Corrêa ou Odebrecht.

Após um ano e meio, o Supremo Tribunal Federal retomou nesta quinta-feira o julgamento que está avaliando se doações de empresas a partidos e candidatos desrespeitam à Constituição Federal. O ministro Gilmar Mendes votou considerando improcedente a ação que questiona o financiamento privado de campanhas. Depois disso, o julgamento foi interrompido.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O placar atual do julgamento – seis votos contra as doações de empresas e dois a favor – indica que esse tipo de financiamento será proibido.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que moveu a ação, argumenta que a atuação das empresas desequilibra a disputa eleitoral, ferindo o direito constitucional à igualdade.

Abrahão reconhece que o setor privado tem hoje um poder desproporcional de influenciar as eleições. No entanto, o instituto defende que sejam criados limites muito baixos para esses repasses, em vez de proibi-los totalmente.

O presidente do Ethos critica a minirreforma política aprovada pelo Congresso, que estabeleceu teto de R$ 20 milhões por empresa. “É um valor muito alto. Essa reforma não ataca as questões principais, vamos permanecer com os mesmos problemas”, lamentou.

Gilmar Mendes, que havia pedido vista do processo em abril do ano passado, liberou seu voto um dia depois de o Congresso aprovar as novas regras. Ele deu várias indicações públicas de que estava segurando o processo para dar tempo de os parlamentares decidirem sobre a questão.

A ação movida pela OAB questiona dispositivos da Lei das Eleições (Lei 9.504/1997) e da Lei dos Partidos Políticos (Lei 9.096/1995). Não está totalmente claro se a decisão do STF nesta ação valerá também para as regras que acabaram de ser aprovadas – será preciso aguardar a conclusão do julgamento.

Por via das dúvidas, políticos contrários as essas doações, como deputados petistas, estão pressionando a presidente Dilma Rousseff a vetar o artigo da nova lei que prevê o financiamento de campanha por empresas.

Leia também: Quase 40 países já proíbem doações de empresas a campanhas políticas

Confira os principais trechos da entrevista com o presidente do Instituto Ethos:

BBC Brasil – O STF está retomando o julgamento sobre doações de empresas a candidatos. Seis ministros já votaram pela proibição. Qual a opinião do Instituto Ethos?

Jorge Abrahão – Sinalizamos que tem que haver uma mudança muita forte (no atual sistema de doações). Da forma com que funciona hoje, a influência do poder econômico nas eleições é muito grande, há muita desproporção.

BBC Brasil – Mas o instituto é contrário ou a favor de uma total proibição?

Abrahão – Tem que haver uma mudança no sentido de baratear as eleições e de haver um equilíbrio maior entre o financiamento público e o financiamento privado.

As eleições têm que ser mais baratas porque o fato de elas serem mais caras está fazendo com que esse processo se retroalimente: a necessidade de mais financiamento, a busca pelas empresas, e aí elas passam a ter uma influência muito grande. E uma outra coisa é um equilíbrio entre financiamento público e privado.

Então, o Ethos não coloca a necessidade da proibição das doações, mas de baratear a campanha e de ter mais equilíbrio entre financiamento público e privado.

BBC Brasil – Críticos das doações dizem que elas são, na verdade, um “investimento”. O senhor concorda?

Abrahão – As pesquisas têm mostrado que é assim. Existe uma pesquisa do Instituto Kellogg (da Universidade Notre Dame, nos EUA) que fala que os investimentos na campanha têm trazido retornos expressivos para as empresas.

Na prática, o que tem ocorrido é um pouco isso, e os escândalos que a gente tem visto confirmam desse processo. É um fato, é uma realidade. Isso só reforça a necessidade de uma mudança.

BBC Brasil – O instituto entende então que é possível mudar este quadro criando algumas restrições, mesmo sem a total proibição?

Abrahão – Resguardadas essas questões do equilíbrio maior entre financiamento público e privado e do barateamento das campanhas, as empresas poderiam continuar doando, com limites muito baixos em relação ao que hoje é permitido. Isso evidentemente implicaria em limites bastante reduzidos para não permitir essa influência tão grande quanto elas têm hoje.

BBC Brasil – Os críticos às doações dizem que empresa não vota, quem vota são as pessoas. Qual é a vantagem para a democracia brasileira que as empresas possam continuar doando com valores baixos? Por que essa solução é melhor do que simplesmente proibir as empresas de doar?

Abrahão –Essa defesa por parte do Ethos da permanência do financiamento – com limites muito menores e restrições fortes – tem a ver com a importância das empresas dentro do cenário econômico do país. É um pouco nesta linha, da importância das empresas, que justificaria o apoio a determinados conteúdos e projetos (das campanhas).

Agora, esse é o melhor dos mundos eu diria, do ponto de vista das empresas, que não estariam buscando retorno com isso. Por isso, hoje propomos uma redução substancial nos limites de doação, porque com isso você retoma a importância dos conteúdos (das campanhas).

Leia também: Procuradoria denuncia Cunha: seis perguntas sobre o que acontece agora

BBC Brasil – Como o senhor avalia a reforma política aprovada no Congresso que estabeleceu limite de R$ 20 milhões de doações por empresa?

Abrahão – O processo foi muito pouco transparente e participativo. Talvez este seja o tema mais importante para o país hoje e ele foi reduzido a um pequeno debate, sem participação da sociedade, das empresas.

Quanto aos conteúdos, a reforma política (que foi aprovada) de alguma forma ilude que pode haver uma redução dos custos e da influência das empresas. Isso não é verdade. Com um limite de R$ 20 milhões por empresa, você continua com o mesmo desequilíbrio, o mesmo poder das empresas influenciando as campanhas eleitorais. É um valor muito elevado.

Então, o que avançou foram propostas que não combatem os desequilíbrios econômicos e, de alguma maneira, envolvem empobrecer o debate político no país, ao reduzir o tempo de debates (a reforma aprovada reduziu o tempo de campanha de 90 dias para 45 dias).

O país não precisa de campanhas mais curtas, pelo contrário, o amadurecimento da nossa democracia está ligado à gente conseguir efetivamente debater mais esses conteúdos. Não é reduzindo o tempo de campanha que vamos reduzir o peso do financiamento privado nesse processo, isso é uma ilusão.

Essa reforma não ataca as questões principais, vamos permanecer com os mesmos problemas.

Foto: Thinkstock
Segundo Abrahão, processo para estabelecer limite de doações por empresas no Congresso foi “pouco transparente”

BBC Brasil – Entre o sistema atual e a proibição das doações de empresas, a proibição seria melhor?

Abrahão – Com o financiamento privado do jeito que está, nós corremos muitos riscos de continuar com essa relação promíscua entre público e privado, e isso não é bom para o país.

Precisamos ter uma inflexão. O que a sociedade tem que discutir é isso: ou essa inflexão será uma proibição ou será uma redução com limites muito fortes (para as doações). O Ethos defende que as empresas financiem com limites.

BBC Brasil – Qual seria esse limite?

Abrahão – Não definimos isso. Nas últimas eleições, cerca de 20 mil empresas financiaram (campanhas). Nas eleições municipais, esse número é maior, porque é mais pulverizado. O Brasil tem umas 5 milhões de empresas, ou seja, a grande maioria não financia.

E, dentro desse número pequeno que doa, 1% (200 empresas) são responsáveis por 60% do financiamento. São pouquíssimas empresas financiando muito. Por isso que a criação do limite é importante, porque você vai poder reduzir efetivamente o financiamento desse grupo de empresas que atualmente tem um peso muito grande e, via de regra, é onde tem gerado esses problemas na relação público/privado.

É cada vez mais claro esse conflito de interesses. Por exemplo, empresas que prestam serviços públicos não poderiam financiar.

BBC Brasil – A reforma aprovada no Congresso prevê que empresas que têm contratos de execução de obras públicas não possam doar.

Abrahão – Isso é uma distorção. Não é só empresa que faz obra (que tem que ser proibida), a empresa que fornece merenda ou medicamento também. Se você for ligado à educação, à saúde, os mercadores do poder público na verdade geram riscos.

Esse setor (de obras públicas) é o que está aparecendo agora, mas temos um problema sistêmico. E se não enfrentarmos isso, nós vamos estar nos iludindo. Temos que aproveitar essa doença que temos hoje e atacar o problema do nosso organismo, do nosso sistema. Não é uma questão pontual. E estamos vivendo um momento muito duro para comportar soluções que (durem apenas) algumas horas, que fiquem em determinados setores.

Leia também: Quase 40 países já proíbem doações de empresas a campanhas políticas

BBC Brasil – A crise atual é culpa do governo petista ou de todo o sistema político?

Abrahão – Não é uma culpa de um determinado partido. Essas denúncias ocorrem em diferentes setores, em diferentes níveis de governo, governos estaduais, municipais, envolvendo a quase totalidade dos partidos. Temos uma oportunidade muito grande de enfrentar um problema que é gerador os desequilíbrios muito grandes no país. É ilusão achar que isso é por conta de um determinado partido.

Na verdade, o que a gente vive é o reconhecimento da nossa incapacidade nossa de construir um sistema que fosse mais correto, transparente, íntegro. Nós como sociedade não conseguimos construir isso.

Embora você possa ter responsabilidades diferenciadas, partidos que tenham tido momentos em que tiveram mais recursos, é um problema do sistema comum da nossa política.

Coloco isso como uma oportunidade de reconhecer nossa incapacidade e enfrentar esse problema de frente. Qual é a nova ordenação que nós temos que ter, que demonstre transparência, integridade e que não tenha desequilíbrio entre os atores que participam desse processo?

BBC Brasil – Voltou a ganhar fôlego a discussão em torno de um impeachment da presidente. Qual a posição do instituto?

Abrahão – Como instituto, não temos posição sobre isso. O que o Ethos tem defendido é sempre o reforço das instituições, de legalidade, é por aí que nós temos caminhando sempre.

*Esta reportagem foi atualizada às 19h de 16 de setembro, com o voto do ministro Gilmar Mendes e o novo placar de votação”

PT X PT: Pimentel pede a Cardozo que investigue atuação da Polícia Federal

No livro as viagens de Gulliver o autor J. Swift faz uma crítica interessante sobre a condição humana. No livro, o gigante Gulliver é amarrado por gente miúda. Assim está o Brasil. Um gigante dominado por gente miúda e mesquinha.
José Mesquita


 

Fernando Pimentel,PT, Blog do MesquitaO governador petista de Minas Gerais, Fernando Pimentel, formalizará nesta segunda-feira junto ao ministro José Eduardo Cardozo, seu companheiro de PT, um pedido de abertura de investigação contra a Polícia Federal. Acusa o órgão de “politizar” uma investigação. Pede a identificação do responsável pelo vazamento de relatório em que a PF o apresenta como suspeito de chefiar uma “organização criminosa”. O documento estava protegido pelo “segredo de Justiça”.

Ao lado de sua mulher, Carolina Oliveira, Pimentel é protagonista de uma operação que a PF batizou de Acrônimo. Contratou para defendê-lo o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. Além de se dirigir a Cardozo, o defensor do governador mineiro protocolará uma petição no gabinete do ministro Herman Benjamin, relator do processo aberto contra Pimentel no STJ. Na peça, ele reforçará o pedido para que sejam apurados o vazamento do texto sigiloso e o que chama de “instrumentalização” do inquérito policial.

Pimentel não é o único petista irritado com a Polícia Federal. Reunida há cinco dias em São Paulo, a Executiva Nacional do PT decidiu convidar José Eduardo Cardozo para dar explicações sobre a desenvoltura com que a PF atua nas operações Lava Jato e Acrônimo. O partido atribui à tibieza do ministro da Justiça a permanência do ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto na cadeia, em Curitiba, e a batida policial feita num escritório político de Pimentel, em Belo Horizonte.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O compartamento do petismo é irracional e paradoxal. É irracional porque Cardozo, mesmo que desejasse, não tem poderes para dirigir inquéritos feitos sob supervisão do Ministério Público, com anuência da Justiça. É paradoxal porque Dilma Rousseff e Lula costumam atribuir a proliferação dos inquéritos anticorrupção à autonomia que seus governos deram à PF. Quando essa autonomia exibe os calcanhares de vidro de companheiros, o PT faz pose de vítima de violações e abusos.

Kakay, o advogado de Pimentel, diferencia sua atuação da iniciativa do PT. “Lutamos muito para que a Polícia Federal tivesse autonomia”, afirma. “Não somos contra a investigação. Temos resposta para todas as questões. Nossa contrariedade é com a forma como tudo se deu. A ação da Polícia Federal tem vícios muito nítidos. E causou prejuízos irreparáveis ao governador Pimentel.”

Nas petições que encaminhará à pasta da Justiça e ao STJ, Kakay fará um inventário dos alegados “prejuízos”. Segundo ele, “a Polícia Federal produziu um relatório político, não técnico.” Pediu para fazer busca e apreensão em 34 endereços. A Procuradoria foi a favor de 25. E o ministro do STJ autorizou 17. Excluiu, por exemplo, o BNDES e a sede do governo de Minas.”

No trecho que deixou Pimentel e seu advogado mais abespinhados, o documento anota: “Fernando Pimentel seria o chefe da organização criminosa operada financeiramente por Benedito [Oliveira Neto], grupo criminoso este especializado em lavagem de capitais oriundos de desvio de recursos públicos e aplicação de parte dos valores branqueados em campanhas eleitorais…”

Para Kakay, o texto da PF “foi politizado de propósito, para produzir escândalo na imprensa.” Ele tachou de “inaceitável” o vazamento do relatório. A revista Época reproduziu trechos. “Numa reprodução, está escrito acima do texto, no cabeçalho da folha: ‘segredo de Justiça’. Parece um escárnio”, disse o advogado. “Isso é muito grave. Alguém vazou. Não posso fazer acusações. Seria leviano. Mas temos alguns indícios. E vamos pedir que tudo seja apurado.”

Pimentel foi à alça de mira da PF em outubro do ano passado. Numa batida realizada no aeroporto de Brasília, agentes federais apreenderam R$ 113 mil em dinheiro vivo dentro de um avião particular. A bordo, entre outros passageiros, o proprietário da aeronave, Benedito Oliveira. Homem de muitos negócios, Bené, como é conhecido, é dono de uma gráfica que prestava serviços à campanha de Pimentel ao governo de Minas.

Puxando o fio dessa meada, a PF deflagrou a Operação Acrônimo. Mirou primeiro em Carolina, a mulher do governador mineiro (foto ao lado). Depois, mediante autorização do STJ, concentrou-se também em Pimentel. Sustenta que o casal está envolvido num esquema operado por Bené. Tenta provar que a dupla praticou os crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.Carolina Pimentel, Blog do Mesquita

De acordo com a PF, uma empresa de Carolina, a Oli Comunicação, e uma consultoria que atuou em parceira com ela receberam, entre 2011 e 2014, R$ 3,6 milhões de empresas que são clientes do BNDES. Nessa época, Pimentel era ministro do Desenvolvimento, pasta que carrega o BNDES no seu organograma.

Para a PF, parte desses recursos “poderiam ter, em última análise, como destinatário o então ministro de Estado”, ou seja, Pimentel. Ainda de acordo com a PF, os grupos Marfrig e Casino (controlador do Pão de Açúcar) teriam repassado à Oli R$ 595 mil e R$ 362,8 mil, respectivamente.

Embora defenda apenas Pimentel, não a mulher dele, Kakay afirma que a empresa de Carolina não emitiu nenhuma nota em nome do Margrig nem do Casino. Essas empresas contrataram, na verdade, a MR Consultoria, do jornalista e gestor de crises Mário Rosa. Porém, a firma da mulher de Pimentel, uma jornalista sem nenhuma projeção, recebeu R$ 2,4 milhões da MR Consultoria entre 2012 e 2014.

“Quando Mário Rosa contratou a Carolina, em março de 2012, ela já tinha saído do Ministério do Desenvolvimento. Saiu em dezembro de 2011. Abriu a empresa”, disse Kakay. Por que o consultor contratou a firma de Carolina? “Isso a Polícia Federal vai ter que perguntar para ele”, disse o advogado do governador.

A PF investiga também a suspeita de caixa dois na campanha de Pimentel ao governo de Minas. Benedito Oliveira, o Bené, teria subfaturado serviços gráficos. “A prestação de contas do comitê do governador foi aprovada pela Justiça Eleitoral”, afirma Kakay. “Se o Benedito praticou alguma irregularidade é ele quem precisa responder.”

Numa evidência dos vínculos que unem o governador mineiro ao amigo Bené, a PF colecionou documentos que mostram que o empresário pagou a estadia de Pimentel e sua mulher no Kiaroa Resort, luxuosa hospedaria assentada na praia baiana de Maraú. Desembolsou R$ 12.127,50 por um final de semana, em 2013. E cedeu o jatinho para que o casal voasse de Brasília para a Bahia.

Segundo Kakay, Carolina é amiga da mulher de Bené, Juliana. Comentou com ela que desejava hospedar-se no tal resort. “A Juliana disse que tinha um crédito naquele hotel. Ela disse para a Carolina: ‘usa esse crédito’. Carolina usou. O Pimentel, que era namorado dela, foi junto. De fato, utilizaram o jatinho. Estamos reconhecendo isso. Se é errado ou não, vamos discutir no processo.”
Blog Josias de Souza

Ex-diretor citou em delação 28 políticos beneficiários de esquema na Petrobrás

Corrupção Ratos Políticos Blog do MesquitaPaulo Roberto Costa relata em 80 depoimentos relação que inclui ministro e ex-ministros da gestão Dilma Rousseff, governador, ex-governadores e parlamentares; são, ao todo, 10 nomes do PP, 8 do PT, 8 do PMDB, 1 do PSB e 1 do PSDB

Primeiro delator da Lava Jato, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa citou em 80 depoimentos que se estenderam por duas semanas, entre agosto e setembro, uma lista de 28 políticos – que inclui ministro e ex-ministros do governo Dilma Rousseff (PT), deputados, senadores, governador e ex-governadores.

O Estado obteve a lista completa dos citados. A relação inclui ainda parlamentares que integram a base aliada do Palácio do Planalto no Congresso como supostos beneficiários do esquema de corrupção e caixa 2 que se instalou na petrolífera entre 2004 e 2012.

Há nomes que até aqui ainda não haviam sido revelados, como o governador do Acre, Tião Viana (PT), reeleito em 2014, além dos deputados Vander Luiz dos Santos Loubet (PT-MS), Alexandre José dos Santos (PMDB-RJ), Luiz Fernando Faria (PP-MG) e José Otávio Germano (PP-RS). Entre os congressistas, ao todo foram mencionados sete senadores e onze deputados federais.

O perfil da lista reflete o consórcio partidário que mantinha Costa no cargo e contratos bilionários da estatal sob sua tutela – são 8 políticos do PMDB, 10 do PP, 8 do PT, 1 do PSB e 1 do PSDB. Alguns, segundo o ex-diretor de Abastecimento, recebiam repasses com frequência ou valores que chegaram a superar R$ 1 milhão – dinheiro que teria sido usado em campanhas eleitorais. Outros receberam esporadicamente – caso, segundo ele, do ex-senador Sérgio Guerra, que foi presidente nacional do PSDB e em 2009 teria pedido R$ 10 milhões para arquivar uma CPI da Petrobrás no Senado.

delacao-costa

Sobre vários políticos, o ex-diretor da estatal apenas mencionou o nome. Não revelou valores que teriam sido distribuídos a eles ou a suas agremiações.

Foram citados os ex-governadores do Rio Sérgio Cabral (PMDB), do Maranhão Roseana Sarney (PMDB) e de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) – que morreu em um acidente aéreo em 13 de agosto, durante campanha presidencial.

Primeiro escalão. A lista inclui também o ex-ministro Antonio Palocci (PT), que ocupou a Esplanada nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma; os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o atual ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, e ex-ministros Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Mário Negromonte (Cidades).[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Os 28 nomes são exclusivamente de políticos que teriam sido beneficiários dos negócios da diretoria de Costa. A Polícia Federal e a Procuradoria da República trabalham com outros nomes de políticos que se relacionavam com os ex-diretores da estatal Renato Duque (Serviços) e Internacional (Nestor Cerveró).

As revelações foram feitas em depoimentos prestados por Costa à força tarefa da Lava Jato e fazem parte do acordo de delação premiada firmado pelo ex-diretor com o Ministério Público Federal em troca de redução da pena. Desde que sua delação foi aceita pelo Supremo Tribunal Federal, ele cumpre prisão em regime domiciliar, no Rio.

Alguns nomes dessa lista também aparecem na relação fornecida pelo doleiro Alberto Youssef, que firmou acordo semelhante – ainda não homologado pelo ministro Teori Zavascki, do STF. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve denunciar os envolvidos no esquema de desvios da estatal em fevereiro, quando tem início a nova legislatura (mais informações no texto abaixo).

A delação do ex-diretor da Petrobrás, já homologada pelo Supremo, estava com Janot desde novembro. Ele aguarda o teor do depoimento de Youssef para cruzar os nomes citados, o que deverá ser realizado até o início da próxima legislatura.

Foro. Na troca da composição do Congresso, alguns dos citados perdem foro privilegiado e passam a ser julgados pela Justiça de primeira instância. Por decisão do ministro Teori Zavascki, as investigações permanecem divididas entre a Suprema Corte e a Justiça Federal no Paraná, onde serão investigados os acusados que não têm mandato.

A lista de 28 nomes foi revelada por Costa exclusivamente no âmbito da delação premiada. Como são citados políticos com foro privilegiado, o caso foi parar no STF. Em depoimentos à primeira instância da Justiça Federal, o ex-diretor da Petrobrás não falou de políticos, mas citou que o PP, o PMDB e o PT recebiam de 1% a 3% sobre o valor dos contratos da estatal para abastecer caixa de campanha.

A investigação desvendou uma trama de repasses a políticos na estatal. A Lava Jato foi desencadeada em março e identificou a parceria de Costa com o doleiro Youssef. Na última fase da operação, deflagrada em 14 de novembro, foram presos os principais executivos e dirigentes das maiores empreiteiras do País, todos réus em ações penais por corrupção ativa, lavagem de dinheiro, crimes de cartel e fraudes a licitações.
Estadão/ FAUSTO MACEDO, RICARDO BRANDT, JULIA AFFONSO e FÁBIO FABRINI

MPF aponta que esquema na Petrobras começou ‘há pelo menos 15 anos’

PT,PSDB,02, Blog do MesquitaMPF aponta que esquema na Petrobras investigado pela Operação Lava Jato existe pelo menos desde 1999. Informação foi divulgada por procuradores ao pedirem o bloqueio de bens das empreiteiras envolvidas no caso
corrupção petrobras lava jato

No parecer em que pede à Justiça Federal do Paraná o bloqueio dos bens das empreiteiras alvo da fase “Juízo Final” da Operação Lava Jato, o Ministério Público Federal afirma que o esquema criminoso investigado atua na estatal ao menos desde 1999.

Subscrito pelo procurador regional Carlos Fernando dos Santos Lima e pelos procuradores Roberson Henrique Pozzobon e Diogo Castor de Mattos, o pedido é um dos tópicos da peça de 98 páginas em que o MPF resume as provas e indícios contra as empreiteiras produzidos pela Polícia Federal.

Na página 97, afirmam os procuradores: “Muito embora não seja possível dimensionar o valor total do dano é possível afirmar que o esquema criminoso atuava há pelo menos 15 anos na Petrobras, pelo que a medida proposta (sequestro patrimonial das empresas) ora intentada não se mostra excessiva”.

De acordo com o MPF, as empreiteiras a terem no mínimo 10% de seus ativos bloqueados firmaram juntas ao menos 59,5 bilhões de reais em contratos com a Petrobras.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O juiz Sergio Moro negou o pedido de bloqueio dos ativos das empresas, temendo a quebra das companhias.

Argumenta o juiz: “Considerando a magnitude dos crimes e o tempo pelo qual se estenderam, não há condições de bloquear de imediato 5% ou 10% do montante dos contratos celebrados com a Petrobras ou mesmo sobre estimado ganho ilícito da empresa, sob pena de imediatos problemas de liquidez e de possível quebra das empresas, sendo de se lembrar que tratam-se das maiores empreiteiras do país e ainda envolvidas em diversas obras públicas espalhadas no território nacional, com o que a medida teria impactos significativos também para terceiros.”

Embora tenha negado o pleito do MPF, Moro concordou em bloquear valores em nome de 17 investigados, sendo o limite máximo para bloqueio de 20 milhões de reais para cada alvo.

No documento em que pede o bloqueio das contas de Camargo Corrêa, OAS, Mendes Junior, Engevix, Queiroz Galvão, Iesa Óleo e Gás e Galvão Engenharia, os procuradores também detalham como atuavam cada uma das empresas em conluio com o doleiro Alberto Youssef.

Abaixo as empresas e quanto o MPF pedia que fosse bloqueado:

Camargo Corrêa – R$ 6,1 bilhões e US$ 17,17 milhões
OAS – R$ 10 bilhões e US$ 8,4 milhões
Mendes Junior – R$ 3,1 bilhões
Engevix – R$ 4,1 bilhões
Queiroz Galvão – R$ 8,9 bilhões e US$ 233,7 milhões
Galvão Engenharia – R$ 7,6 bilhões e US$ 5,6 milhões
Iesa Óleo e Gás – R$ 4,5 bilhões
Por Fábio Serapião

Das capitanias hereditárias aos porões de alguns empreiteiros

Corrupção Ratos Políticos Blog do MesquitaNasce na colônia, por determinação do Rei de Portugal D. João III, segue no Império com outra roupagem, sobrevive na Primeira República e aprimora-se nos dias atuais. As capitanias hereditárias e seus capitães-donatários são marca indelével do Brasil de todos os tempos. E em todas as suas formas com um objetivo comum entre si: a pilhagem do bem público.

As semelhanças entre ontem e hoje são inúmeras. Em outro sistema, os das sesmarias, pagava-se um dízimo à Coroa. Agora, o dinheiro enche os bolsos dos políticos, de quase todos os partidos que compõem e representam o Estado Brasileiro.

Fala-se em 70 parlamentares. Supera-se a história de Ali Babá. Nela eram só 40 ladrões.

Caminhar no tempo da história da corrupção crônica nacional há de tirar dos perplexos a perplexidade que lhes assalta o espírito com o que vem à tona no escândalo da Petrobras. Resta-lhes a indignação.

O Brasil sempre foi guiado pela imoral e ilegal concessão de bens e serviços a famílias privilegiadas. Disso nos indignamos há séculos.

A quem duvida, um conselho: visite a Biblioteca Nacional, no Cento do Rio, e vasculhe os arquivos da imprensa.

Outro conselho: só faça isso se você tiver muitos, mas muitos cabelos, porque eles vão, um a um, se arrepiar diante de tantos escândalos. Então, se você é do tipo que insinua uma calvície, desista: haverá na biblioteca mais bandalheiras do que cabelos em sua cabeça.

Naquela época, ganhar cartório do poder era um troco.

Então vejamos para lembrar e refletir: o que aconteceu com os barões do café? O presidente Getulio Vargas determinou afundar nossos estoques de café para valorizar o preço. Era o nosso mais forte produto na pauta de exportação. Representava 80% das exportações brasileiras. Afundaram o café e prejudicaram o produtor. Em compensação, o que recebeu aviso para afundar, fundou um dos maiores bancos do Brasil.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

E as licenças de importação na época da guerra? Quem tinha esse privilégio? Os amigos dos homens da Cechin?

Quais foram as consequências para os que ganharam na bacia das almas autorizações para exploração de minerais, alguns de grande valor militar como o nióbio? Nenhuma.

E aqueles privilegiados com as cotas de exportação de aço? Pagaram por seus privilégios? Não se tem notícia.

E as concessões na aviação que impediram nossa competitividade no setor e puniu e pune os consumidores até hoje? Elas vão bem e nelas não há quem ouse mexer.

Como também não se toca nas concessões das comunicações. A concentração de poder de alguns grupos é inimaginável em qualquer democracia avançada ou mesmo abaixo da Linha do Equador, e poderia ser considerada de muito privilégio.

Recentemente, essa interminável cadeia de privilégios manifestou-se na privatização de muitas empresas nacionais, seja na área de telefonia ou de mineração, caso da Vale. Em um caso, escaparam escutas telefônicas em que agentes do estado admitiam estar no limite da irresponsabilidade na condução do processo privatista. Em outro, vendeu-se um ativo de monumental riqueza do povo brasileiro pelo preço de um cacho de bananas em fim de feira.

E as operações de café com o nome de mulheres? O que aconteceu?

Os crimes dos precatórios de Alagoas e Recife, o que aconteceu?

E a operação Banestado? Filhos, mãe de governadores, políticos, empresários que lavaram dinheiro. O que aconteceu? Não houve caducidade. Ainda há tempo de prender esses corruptos.

O que se sucedeu com os autores destas manobras? Nada. Vivem hoje muito bem, estão ricos, entraram para o sistema financeiro, criaram consultorias pagas a preço de ouro e se divertem com seus cavalos de raça no exterior.

Nem D. João III teria ideia lá nos idos de 1534 de todos os males de seu ato. Monarca conhecido com “O Piedoso”, qual seria a reação de D. João III se pudesse olhar através dos séculos os danos que sua política de concessões faria àquela longínqua e promissora colônia chamada Brasil? Imaginaria que até emenda para permitir uma reeleição seria comprada no Congresso? Claro que não.

Nem de longe haveria de lhe passar pela cabeça, que mais de cinco séculos depois, rentistas falidos seriam socorridos pelo estado num estranho programa chamado Proer, aquele que se não salvou bancos, salvou banqueiros.

Alguns, que deixaram seus correntistas em apuros e seus funcionários à míngua, estão à porta da felicidade e prestes a tomar do tesouro quantias na ordem de 5 bilhões de reais e com a ajuda de um operador político recentemente condenado. Gente sem qualquer piedade com o semelhante. Passadores de cheques sem fundo com autoridade de poder ministerial em pleno governo de exceção.

Para ilustrar: um desses banqueiros era contumaz viajante à Europa. Na sede de sua empresa, servia-lhe um elevador particular. Que parava no dia em que se dirigia ao aeroporto e só voltava a funcionar no seu retorno. Não importa se neste período os outros ascensores quebrassem. Que os demais usassem a escada. Mais do que extravagância, pura arrogância e prepotência.

É na corrente desta miríade de falcatruas que o Brasil está chacoalhado, humilhado e avacalhado hoje pelo escândalo da Petrobras.

Empreiteiros que sempre praticaram ilicitudes ao longo de décadas e diferentes governos, são pilhados pela Justiça por uma sangria de bilhões de dólares dos cofres da maior estatal verde-amarela. Alguns flagrados até com simples anúncio de jornal.

Corromperam funcionários públicos, políticos de diversas agremiações e juram, despudoradamente, ter feito as obras dentro das regras e dos parâmetros legais. Quem quiser acreditar nisso, que acredite em qualquer coisa. Especialmente nos cínicos.

Destes empresários, sabe-se agora pelo noticiário, que um tomou para si a tarefa de organizar o butim contra a Petrobras. Reunia os demais malfeitores e, sob sua liderança, combinava com os pares quem ficava com o “a mais” e em qual obra. A isso ele denominava de O Clube. Sim, talvez o “Clube dos Cafajestes”, não aquele de boêmios, mas os cafajestes da contravenção.

Seriam mais de 10 bilhões ilegalmente desviados. Mas o congelamento de seus bens e empresas, pelas primeiras medidas judiciais, chegam a 720 milhões, nem um décimo do total desviado. Por que não bloquear também o patrimônio de suas empresas? No Aeroporto da Pampulha, alguns deles já estão transferindo suas aeronaves de milhões de dólares para outros laranjas. Donos de estádios de futebol, donos de companhias de comunicação, donos de estradas e de aeroportos. Aí, há justificativa porque debocham do superfaturamento, são avisados que vão ser presos, pegam as estradas sem serem molestados e fogem de seus aeroportos sem serem vistos.

Mas seja como for, nesta hora estão quase todos no Paraná, sem champanhe importada, carrões e poucas mudas de roupa.

Mas conta a lenda que mesmo na cela, o Clube continua a atuar e na última ata de reunião destes malfeitores, assinada por todos, cantarolavam o conhecido refrão:

“Oh Zum, zum, zum, zum… está faltando um”.

A esta altura o faltoso já perdeu o sono.

Por: W. C. Farrel – Investidor e Analista de Investimentos