Os filhos e os filhos dos presidentes do Brasil

Na história recente da pobre e depauperada taba dos Tupiniquins, somente os inefáveis Fernando Henrique Cardoso e Lula, não deixaram de oferecer as tetas do nepotismo aos seus (deles) filhotes. Deveriam ter seguido a exemplar conduta de seriedade no trato da coisa pública, dado pelos Generais Presidentes do período do governo militar.

De Castelo Branco a João Figueiredo, passando por Costa e Silva, Médici e Geisel, os exemplos dados pelos generais são dignificantes.
O Editor


Getúlio Vargas tinha filhos quando tomou o poder, em 1930. Cresceram com ele, mesmo na ditadura de 37, mas em momento algum valeram-se dos privilégios do pai. Alzira tornou-se sua secretária particular, acompanhou a trajetória do “patrão”, como o chamava.

Getulinho morreu de poliomielite e o pai não pode comparecer ao funeral: viajou em segredo para Natal dizendo que o futuro o compreenderia. Era 1942 e foi encontrar-se com o presidente Franklin Roosevelt, que voltava do Norte da África, quando acertaram o ingresso do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Lutero, médico ortopedista de renome, alistou-se na Força Aérea Brasileira e foi lutar na Itália.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

No governo constitucional iniciado em 1951, teve o apoio de todos, sem que nenhum se valesse de sua liderança para fazer negócios. Maneco cuidava da fazenda, no Rio Grande do Sul, sem apelar para créditos do Banco do Brasil, enquanto Alzira, casada com Amaral Peixoto, governador do Estado do Rio, só atravessava a baía da Guanabara em momentos de crise.

Café Filho tinha um filho adolescente. Quando afastado da presidência, retirou o menino do Colégio São José, dos melhores do Rio, por impossibilidade de continuar pagando as mensalidades. Sabendo disso, os Irmãos Maristas passaram a não cobrar, até a formatura.

Juscelino Kubitschek buscava manter as meninas Marcia e Maristela sob controle, mas certo dia, irritado porque elas exigiam freqüentar bailes, mostrou-lhes a faixa presidencial dizendo: “com esse “trem” aqui eu controlo o Brasil, mas vocês são incontroláveis”.

Jânio Quadros deixava a “Tutu” por conta de dona Eloá, mas rompeu com a filha, recém-casada, porque o jovem marido aceitara o lugar de relações públicas na Volkswagen.

João Goulart era capaz de interromper reuniões ministeriais no palácio Laranjeiras quando o pequeno João Vicente exigia que fossem para o sítio da família, em Jacarepaguá. Denise, menor ainda, gostava quando o pai levava a família para acampar e pescar em Mato Grosso, ele mesmo cuidando das refeições.

Castello Branco, ao assumir o governo, nem por isso chamou para sua assessoria o filho mais velho, comandante da Marinha de Guerra. A filha substituía a falecida mulher, dona Argentina, nos banquetes e recepções.

Costa e Silva adorava os netos, mas o filho, major Álcio, continuava em suas funções no Exército, sem ser privilegiado com comissões e promoções.

Garrastazu Médici trouxe os dois filhos, engenheiros, de Porto Alegre para o Rio, um para secretário particular, Sérgio, outro assessor especial, Roberto. Terminado o governo, ambos retornaram à capital gaúcha, como professores universitários.

Ernesto Geisel era tão rigoroso com a filha única, Amália Lucy, a ponto de exigir que não faltasse a nenhuma refeição em família.

João Figueiredo não gostou quando viu a empresa de publicidade de seus dois filhos crescer no ranking pela abundância de novos clientes, mas alertou para a queda no faturamento assim que deixasse de ser presidente, coisa que aconteceu.

Tancredo Neves não nomeou o Tancredinho para nada, limitando-se a aproveitar o neto, Aécio, como seu secretário particular, sem poupar-lhe reprimendas geradas pelo açodamento da juventude.

José Sarney estimulou Zequinha e Roseana a entrarem para a política, reservando ao terceiro filho o comando dos negócios da família.

Fernando Collor manteve os dois filhos do primeiro casamento afastados do Brasil, estudando na Suíça.

Itamar Franco, divorciado, era cheio de cuidados para com as duas filhas já casadas, que em momento algum valeram-se da influência do pai para alavancar carreira e negócios dos maridos.

Fernando Henrique não conseguiu evitar que o filho Paulo Henrique fosse seduzido por empresários ávidos de participar das privatizações, abrigando-o em suas diretorias. Desiludiu-se ao nomear um genro para a Agência Nacional de Petróleo e assistir o fim do casamento com uma de suas filhas.

Da penca de filhos do Lula, melhor será aguardar para ver como retornarão com ele ao apartamento em São Bernardo, “menor do que uma só sala deste palácio”, como tem repetido. Estas curtas notas servem para lembrar que filhos, é bom tê-los, para presidentes da República. Mas imprescindível, vigiá-los.

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa

Eleições 2010. Tasso Jereissati:”Vice? Nunquinha!”

Estranho. Muito estranho essa situação em que se encontra a vaga para vice na chapa de José Serra. Até agora um desfile de desistências, e desconvites, assombra a campanha tucana. Se o “mineiríssimo” Aécio Neves não quis embarcar na tucana nau, porque Tasso Jereissati o faria?

Estranho. Muito estranho! Por que ninguém quer o cargo? Afinal, na taba dos Tupiniquins, os vices na história do Brasil — Floriano Peixoto, Afonso Pena, Delfim Moreira, Fco. Alvares Bueno de Souza, Café Filho, João Goulart, Pedro Aleixo, Itamar Franco, José Sarney — terminaram por se tornar titulares.

Fica a impressão de que uma parte do tucanato não gosta do Serra e quer que ele naufrague. Pode-se pensar, também, que as cautelosas aves vislumbrem do alto do poleiro tempestades futuras que recomendam não alçarem voo.

O Editor


Tasso rejeita vice de Serra: ‘Sou candidato a senador’

Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse que não cogita comparecer às urnas de 2010 como candidato a vice na chapa do presidenciável tucano José Serra.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]
“Eu não penso nisso. Sou candidato a senador. Quero continuar trabalhando aqui no Ceará”, disse.
A declaração foi feita sexta-feira (28), no município cearense de Paracuru, distante 85 km da capital, Fortaleza.

O nome de Tasso fora mencionado como alternativa de vice pelo presidente do PSDB e coordenador da campanha de Serra, Sérgio Guerra (PE).

Ao rejeitar a idéia, Tasso mimetiza Aécio Neves. O grão-duque do tucanato mineiro também reafirmou, na quinta (27), que é candidato ao Senado, não a vice.

Conforme já noticiado aqui, a escolha do companheiro de chapa de Serra deve ser empurrada para o final do mês que vem.

Marcada para 12 de junho, a convenção nacional do PSDB deve aprovar apenas o nome de José Serra, sem definir o segundo da chapa.

Com a saída de Aécio do páreo, a cúpula do DEM voltou a reivindicar a vaga. E cogita esticar a negociação até 28 de junho, data de sua convenção.

Serra admitiu a hipótese de adiamento. Deu-se em Recife, no ato de lançamento da candidatura de Jarbas Vasconcelos (PMDB) ao governo pernambucano.

Ao discursar, Serra disse que não há pior coisa para um presidente do que “vice que faz aporrinhação”.

Citou como modelo o ex-vice de Fernando Henrique Cardoso, o senador Marco Maciel (DEM-PE), presente à cerimônia de lançamento de Jarbas.

Secretário-geral do PSDB federal, o deputado Rodrigo de Castro (MG), também declarou que a convenção de 12 de junho não é data fatal para a escolha do vice.

“Dá pra segurar mais um tempo”, disse Rodrigo, que integra o grupo de Aécio.

Que dá para segurar, não há dúvida. A lei não impede.

Mas a delonga vai à crônica da sucessão como um problema, não como opção.

blog Josias de Souza