Chico Anysio e a TV Globo

Bozó - Personagem "Global" do imortal Chico Anysio

Fim da vida de Chico Anysio foi triste, ele morreu amargurado com os diretores da TV Globo

A gente ainda estava sob o impacto da morte de Chico Anysio, quando Millôr Fernandes também decidiu nos deixar, espalhando uma tristeza e um desânimo insuportáveis, em função da importância que eles tinham para praticamente todos nós.

Sobre Chico Anysio, nos últimos dias lemos muita coisa a respeito de sua vitoriosa carreira, sua genialidade exacerbada, seu extraordinário empenho para arranjar trabalho e sustentar outros comediantes e roteiristas, sua preocupação em ajudar os menos favorecidos, com um tipo de humor em que os ricos eram quase sempre ridicularizados, e por aí em diante.

Aqui no Blog chegaram a sair até comentários terríveis sobre ele, coisas que nem vale à pena mencionar.

É claro que Chico cometeu erros, ele era humano como todos nós, apenas isso, mas suas qualidades suplantavam folgadamente os defeitos, é preciso reconhecer e proclamar que ele não era apenas um artista genial, mas também um grande caráter.

O que não se falou com a clareza necessária é que Chico Anysio morreu muito amargurado. Teve um final de vida triste e infeliz. Estava absolutamente decepcionado com os dirigentes da TV Globo, que lhe pagavam um salário astronômico apenas para mantê-lo no elenco, sem aprovar nenhum programa sugerido por ele e impedindo-o de trabalhar em outra emissora, exatamente como ocorreu com outra artista extraordinária, Dercy Gonçalves, e muitos outros atores, diretores e roteiristas que fazem a diferença e podem roubar audiência da Globo, que os profissionais de TV chamam de “nave mãe”.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O calvário de Chico Anysio na TV Globo começou quando o então diretor de Jornalismo, Evandro Carlos de Andrade, decidiu acabar com o quadro que o comediante mantinha desde a estréia do Fantástico. Quando o programa foi ao ar pela primeira vez, em 5 de agosto de 1973, tinha como subtítulo “Um programa de Chico Anysio e Marília Pera”.

Evandro não sabia disso nem se interessava por isso. Seu maior defeito era a vaidade, e orgulhava-se de se portar de forma autoritária. A desculpa de Evandro para afastar o genial comediante, depois de mais de 30 anos de sucesso absoluto no programa do domingo, foi de uma frieza invulgar: “Isso não é humor para o Fantástico” – disse secamente, e essa justificativa atingiu Chico Anysio como uma chicotada.

Foi a partir daí que a TV Globo começou então a ter dois tipos de programas humorísticos – o velho humor de Chico Anysio e seus geniais contemporâneos, totalmente desprestigiados, e o novo humor dos comediantes da TV Pirata, Casseta e Planeta etc., todos considerados geniais.

Como se vê, foi uma discriminação absolutamente estúpida e negativa. Aliás, não é por coincidência que desde então a TV Globo vem perdendo audiência. Para ser mais preciso, já perdeu cerca de 35% da audiência “share” (percentual de aparelhos ligados) nos últimos 20 anos.

E não foi por falta de aviso. Desde essa época, Chico Anysio vivia insistindo que só existem dois tipos de humorismo – o que tem graça e o que não tem graça. E é verdade. Não existe novo humorismo e velho humorismo, e pensar o contrário é uma idiotice que chega a ser realmente inacreditável, especialmente no caso de um profissional experiente e capaz como Evandro Carlos de Andrade.

O mais incrível é que ninguém ouviu os sábios conselhos de Chico Anysio. Ele não foi levado em consideração nem pela TV Globo nem pelas emissoras concorrentes, que até hoje continuam a insistir em imitar a Vênus Platinada em tudo, até mesmo nos erros, que não poucos.

Se alguma emissora tivesse raciocinado sobre a procedência das sugestões de Chico Anysio, passando a investir pesado na vertente do humor, sem dúvida os índices de audiência da TV Globo teriam caído ainda mais, não há a menor dúvida. Mas ninguém se interessou em ouvir quem mais entendia do assunto.
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa 

Audiência da TV ladeira abaixo

TV- Perdendo Audiência

Por Hildeberto Aleluia 1

Faz tempo que a TV vem perdendo audiência no Brasil. Muito antes da Internet, começou o processo de desencanto. Todos devem se lembrar que nas décadas de 70 e 80 as manhãs eram tomadas por programas infantis, em todas as estações. Primeiro foi Os Trapalhões, ainda na velha Rede Tupi de TV e que depois passou para a TV Globo. Nesta havia ainda o programa do TOPO GIGIO que fazia tanto sucesso com as crianças e acabou por ganhar os adultos e o horário nobre. Algum tempo depois vieram todos os outros. O SBT com o programa do Bozo, da Mara, do Sergio Malandro, da Eliana e depois veio a Rede Manchete (hoje Rede TV), com o programa da Xuxa, depois da Angélica, entre outros. Isto sem contar com o programa do Sítio do Pica Pau Amarelo. A Rede de TV do governo também enveredou pelo rico filão. Dava audiência e faturamento. Alguns canais entravam pelas tardes com as mesmas atrações. A criança e o adolescente ditavam a programação. Tanto era assim que nos programas humorísticos da noite, os personagens infantis viraram atração e neles apareciam com freqüência.

Essa programação era tão forte que suscitava no país uma ampla discussão entre psicólogos e educadores sobre a escravização da criança pela tela da TV. Escravizar não escravizou, mas a TV instituiu entre nós a erotização da infância através de sua programação. E se foram trapalhões, bozos e companhias das manhãs. A programação infantil tal como era acabou. Veio um outro tipo de atração, mas sem a força do faturamento da outra.Hoje a criança está curtindo desenho na TV aberta ou por assinatura, ou vai para a Internet. E faz isso tanto em casa quanto na escola.Os jogos e DVDs ocupam o que sobra de tempo. Já o adolescente foi direto para a Internet mesmo. Foi o primeiro susto na TV. E agora não para de chegar safanões.

O Terra TV, canal do site provedor do mesmo nome, existe há três anos e reúne 9 milhões de usuários mês.

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