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Meio Ambiente: Pesquisadores vivem ameaças como na ditadura

Radicada na Bélgica, professora da USP que estuda papel nocivo dos agrotóxicos na produção de alimentos diz que ficou impossível permanecer no Brasil em meio a “terrorismo psicológico”.

Foram dois anos em que a geógrafa brasileira Larissa Mies Bombardi, professora da Universidade de São Paulo (USP), não conseguia dormir em paz. O pesadelo começou com o lançamento, na Europa, da versão em inglês do seu atlas Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia.

Ao levar para fora do país o cenário dos agrotóxicos na produção de alimentos no Brasil, ela contribuiu para aumentar a pressão internacional sobre o setor. “A maior rede de orgânicos da Escandinávia passou a boicotar produtos brasileiros por conta do meu trabalho”, relata.

A geógrafa passou a viver uma rotina de ameaças e enfrentou uma série de posicionamentos contrários de instituições ligadas ao setor agropecuário.

“Teve um e-mail de uma pessoa que se identificou como piloto de avião. Era uma mensagem muito ambígua, falava que ‘se a professora diz que pulverização aérea não é uma coisa segura, então eu convido a professora a dar uma voltinha no avião pra ver como tem segurança'”, conta.

No ano passado, sua casa foi assaltada. Bombardi tomou a decisão de sair do país. Transferiu-se para a Bélgica e segue sua carreira acadêmica na Universidade Livre de Bruxelas. Em entrevista à DW Brasil, ela dá detalhes sobre as ameças sofridas.

DW Brasil: Ameaças e um assalto… Quando você percebeu que era hora de deixar o Brasil?

Larissa Mies Bombardi: Depois que eu lancei em inglês o atlas [Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia], em 2019, foi a primeira vez que perdi o sono. Entendi que havia um risco e começaram as intimidações, umas mais veladas, outras menos. Precisava me proteger, proteger meus filhos e ficar fora do Brasil.

Pode descrever alguma ameaça que recebeu?

Foram várias coisas, mas teve um e-mail de uma pessoa que se identificou como piloto de avião. Era uma mensagem muito ambígua, falava que “se a professora diz que pulverização aérea não é uma coisa segura, então eu convido a professora a dar uma voltinha no avião pra ver como tem segurança”. […] Então a maior rede de orgânicos da Escandinávia [a Paradiset, da Suécia] passou a boicotar produtos brasileiros por conta do meu trabalho. Um professor da USP, Wagner Ribeiro, falou que eu não podia lidar com isso sozinha.

Como a USP se posicionou?

Esse professor contatou a diretora da faculdade [Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, a FFLCH], que nos recebeu e pediu um dossiê. Na manhã seguinte, ela contatou o reitor, que concordou que eu precisava deixar o país, seguir por um período meu percurso acadêmico fora. A reitoria se mostrou sensível e ofereceu a guarda universitária para me proteger. Não quis, achei que emocionalmente seria muito pesado lidar com isso. Recebi orientações de lideranças de movimentos sociais para evitar as mesmas rotinas, os mesmos caminhos.

No fim do ano [de 2019], fui convidada a falar no Parlamento Europeu, numa conferência sobre o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Ali me falaram que lidar com esses temas no Brasil era muito perigoso. Eu respondi que nunca tinha sido efetivamente ameaçada. “Mas não precisa, as coisas não acontecem com aviso sempre”, ouvi de volta.

Fiquei gelada, mas ainda falei: “Sou professora universitária, branca, tenho esse viés de classe e, infelizmente, do racismo estrutural que existe no Brasil.” Ouvi então que “Zuzu Angel [(1921-1976), estilista, vítima da ditadura brasileira] também era branca”. O plano passou a ser me mudar [para a Europa] em março [de 2020]. Mas aí veio a pandemia, precisamos adiar.

Em agosto do ano passado, sua casa foi assaltada… Acredita que uma coisa tenha relação com a outra?

Nunca vou saber se foi relacionado ao meu trabalho ou não. Mas levaram pouquíssimas coisas, o laptop que eu usava, que era velho. Não tinha sentido, estava defasado. Mas vasculharam minha casa por três horas, mantendo minha mãe e me mantendo sob tortura psicológica. Foi horrível. Vasculharam a casa inteira. Foi muito pesado, mas não sei se tem a ver com uma tentativa de intimidação ou com uma busca de dados.

Você está na Bélgica neste ano de 2021. Segue vinculada à USP?

Aprovei um projeto de pós-doutorado na Universidade Livre de Bruxelas, é um projeto sobre green criminology na Amazônia, um trabalho sobre conflitos ambientais. A reitoria [da USP] autorizou meu afastamento e estou trabalhando neste tema. Em maio lancei um novo atlas no Parlamento Europeu sobre as relações comerciais entre Mercosul e União Europeia. Chama-se Geografia das assimetrias, colonialismo molecular e círculo de envenenamento.

O que significam esses conceitos?

Mostro esse lugar de colônia que o Mercosul ocupa dentro da economia mundial, em especial na relação com a União Europeia. Colonialismo molecular, porque, se antes havia esse saque das riquezas naturais da América Latina, agora ele continua mas não é só um impacto físico, é um impacto químico, por causa dos agrotóxicos. Colonialismo molecular porque essas substâncias atingem nossas moléculas, causam um dano sem precedentes, de uma crueldade que a gente nunca tinha visto.

Essa suposta modernidade da agricultura, ela traz um ônus que nos oblitera, que potencialmente altera nossos corpos por conta de substâncias que não são autorizadas na União Europeia mas são vendidas por empresas da União Europeia, sem pudor em vender [para países como o Brasil] substâncias que são proibidas em seus próprios países por conta dos danos à saúde e ao meio ambiente.

Como foi a pressão sofrida quando você publicou uma pesquisa relacionando a covid-19 à suinocultura?

Publicamos no ano passado dois artigos sobre as possíveis correlações entre suinocultura e covid-19. Vimos uma certa correspondência espacial em Santa Catarina, ou seja, áreas com maior densidade de criação de porcos também eram áreas com maior número de casos, proporcionalmente, de covid. Ficou um trabalho interessante, mas apenas levantamos a hipótese de que os vírus não teriam sido trazidos pelos morcegos, mas pelos porcos, via morcegos, já que há muitas similaridades [dos humanos] com os porcos. E os porcos vivem praticamente imunodeprimidos, com todos os animais criados de maneira intensiva. Eles não têm como exercer seus hábitos mais básicos e então — vou falar com cuidado, entre aspas — eles “podem ser” laboratórios de vírus. São animais que defecam e comem no mesmo local […].

Associação Brasileira de Proteína Animal escreveu uma carta para a USP [desqualificando o trabalho da professora], a Embrapa também produziu uma nota técnica… Mas a gente estava trabalhando com uma hipótese, em momento algum afirmando ser algo definitivo. Encerramos o texto dizendo que é preciso mais pesquisas. Não tem outro jeito de caminhar na ciência se não for buscando hipóteses, né? É assim que a gente caminha. Estou há quase 15 anos na USP e nunca vi isso de perto, como estou vendo. Essa atmosfera invasiva das entidades se acharem no direito de contestar pesquisa, de fazer ameaça… Isso é ameaça à minha carreira.

Você se considera exilada?

Sim, de alguma forma me considero exilada porque [faz uma longa pausa] simplesmente ficou impossível permanecer no Brasil lidando com essa temática. É um terrorismo psicológico gigante, e eu precisava proteger a mim e aos meus filhos. Foi um alívio gigante sair do Brasil, e isso ilustra a condição de exílio.

Está muito desesperador e eu sei que não sou só eu, há outros pesquisadores que passam por coisas parecidas, de ameaças institucionais a ameaças externas. Isso ficou muito claro a partir do governo [do atual presidente Jair] Bolsonaro, ficou nítido. É uma indecência, a gente não tem tranquilidade para fazer pesquisa. A última vez que a gente viu isso foi quando? Na ditadura. A única diferença é que agora aparentemente vivemos num regime democrático. Mas, no fundo, estamos vivendo um período de exceção.

Planeja um dia voltar ao Brasil?

Não. Pelo menos não até o fim deste governo.

Pesticidas vetados na UE são detectados em frutas vindas do Brasil

Greenpeace identifica substâncias proibidas na Europa em frutas brasileiras vendidas na Alemanha, algumas produzidas por empresas alemãs. Organização critica “dupla moral” e alerta para efeitos do acordo UE-Mercosul.

Beleza tóxica? Estudo acusou agrotóxicos em 59 de 70 frutas tropicais analisadas

A organização ambiental Greenpeace mandou examinar amostras de frutas do Brasil comercializadas na Alemanha em busca de vestígios de agrotóxicos, e o alarmante resultado foi apresentado num relatório nesta quarta-feira (19/05): de 70 vegetais testados, 59 acusaram a presença de 35 diferentes substâncias pesticidas, sendo 11 delas não permitidas na União Europeia.

As mangas, mamãos, melões, figos e limões verdes comprados entre abril e maio em diversas partes da Alemanha foram submetidos a dois laboratórios independentes. Dois terços das amostras, continham resíduos de mais de um pesticida, com um mamão chegando a apresentar nove tipos diferentes. Em quatro casos os níveis ultrapassavam os limites permitidos.

Mais da metade das substâncias detectadas, 21 de 35, pertencem ao grupo dos pesticidas classificados como altamente perigosos para a saúde e o meio ambiente (HHP, na sigla em inglês).

Entre as substâncias detectadas que não são permitidas na União Europeia estão os inseticidas Imidacloprid e Chlorfenapyr, fabricadas pelas alemãs Bayer e Basf. No total, a Bayer fabrica 12 dos agrotóxicos encontrados, e a Basf, sete.

“Também as gigantes alemãs da química prejudicam seres humanos, animais e a natureza no Brasil. Um ciclo tóxico, pois, por sua vez, os vegetais contaminados vão parar na nossa salada de frutas na Alemanha”, criticou Jürgen Knirsch, especialista em comércio da Greenpeace, citado pelo jornal Süddeutsche Zeitung.

O relatório do Greenpeace destaca que o Brasil é o terceiro maior consumidor de pesticidas do mundo e utiliza muitas substâncias que não são permitidas na UE. Em 2019, 44% das substâncias aprovadas no Brasil não eram liberadas na UE. Além disso, 70% dos pesticidas usados no Brasil são classificados como altamente perigosos.

“Em abril de 2021, 3.231 pesticidas eram aprovados no Brasil. O governo Bolsonaro emitiu o recorde de 1.172 autorizações em apenas 845 dias de governo, sendo responsável por 36% de todos os pesticidas que podem ser comercializados legalmente no Brasil”, diz o texto.

Golpe para o acordo UE-Mercosul?

O achado é especialmente explosivo no contexto do planejado acordo de livre comércio UE-Mercosul. Com ele, o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai esperam obter melhores chances para seus produtos agrários nos mercados da Europa, enquanto os Estados-membros da UE contam exportar mais pesticidas, automóveis e outras mercadorias.

O Greenpeace reivindica uma suspensão do acordo, sobre o qual os ministros europeus do Comércio deverão deliberar ainda nesta penúltima semana de maio, em Bruxelas. O tratado UE-Mercosul é controverso: mesmo entre os governos europeus e no Parlamento Europeu encontra-se resistência veemente a ele.

Críticos acusam o governo brasileiro de promover o desmatamento na Amazônia, e que um acordo comercial poderia ainda agravar o problema. O mesmo se aplicaria à venda de pesticidas para a América do Sul: segundo o Greenpeace, em 2019 foi exportado um volume de pelo menos 915 bilhões de euros para os países do Mercosul.

Depois do Reino Unido e da França, a Alemanha é a terceira maior exportadora do setor para a região: em 2020, cerca de 12% dos agrotóxicos permitidos no Brasil foram vendidos pela Bayer e a Basf. O Greenpeace condena a “dupla moral alemã”.

“Mais de dois terços das substâncias vendidas por firmas alemãs no Brasil são classificadas como pesticidas altamente perigosos”, diz Knirsch. Diversos deles estão proibidos na UE, “apesar disso, a Alemanha permite a exportação de pesticidas tóxicos para o Brasil, e os conglomerados químicos alemães lucram com isso”.

As fabricantes se defenderam das acusações: segundo um porta-voz, “já desde 2012, a Bayer não vende mais agrotóxicos classificados como altamente tóxicos pela Organização Mundial de Saúde”. Tanto ela quanto a Basf ofereceriam há anos, em todo o mundo, cursos para que os agricultores empreguem os pesticidas devidamente.

Segundo o Süddeutsche Zeitung, uma representante da Basf declarou: “A segurança dos gêneros alimentícios é essencial para nós. Confiamos nas autoridades e nos sistemas de monitoramento de alimentos para examinarem e assegurarem a disponibilidade de produtos seguros e saudáveis.”

Maria, preciso te contar sobre Bolsonaro, o fazedor de órfãos

Uma imagem de arquivo feita pelo premiado fotógrafo Lilo Clareto, que morreu em 21 de abril.LILO CLARETO / ACERVO PESSOAL
Por Eliane Brum/ElPais

Maria, você tem apenas 2 anos. Um, dois. E apenas esses dois anos separam seu nascimento da morte do seu pai. Lilo Clareto morreu em 21 de abril. A causa oficial da certidão de óbito é: “sepse grave, pneumonia associada à ventilação e covid (tardia)”. Mas essa é apenas a verdade parcial sobre a morte do seu pai. Eu olho para você, Maria, e me preparo para a conversa que um dia teremos, aquela em que precisarei contar a você a verdade inteira.

Maria, seu pai foi vítima de extermínio. Seu pai é um dos mais de 410.000 brasileiros que tombaram por um crime contra a humanidade entre os anos de 2020 e 2021. Enquanto eu escrevo essa carta para você, os assassinatos seguem acontecendo a uma média de quase 2.400 cadáveres por dia. Eu olho para você, Maria, e você ainda diz, os olhos escancarados de expectativa, quando alguém faz barulho na porta da frente: “pa!”. E, então, decepcionada: “pa?”.

Não, Maria, seu pai não entrará mais pela porta da casa cantando e com as mãos estendidas para pegar você no colo. Enquanto escrevo essa carta para você, Maria, seu pai virou cinzas. Essas cinzas serão um dia jogadas na boca do Riozinho, lá onde esse rio, só pequeno no nome, encontra o Iriri, na Terra do Meio, na Amazônia.

Sei que mesmo que eu espere até você ficar muito mais velha, Maria, você não será capaz de entender por completo. Você já poderá compreender o pensamento de Davi Kopenawa, Sueli Carneiro e Paul Preciado, mas não terá como compreender o pensamento de um homem que, na maior crise sanitária da história do Brasil, trabalhou para disseminar um vírus que pode matar. E mata.

Não importa a idade que você tenha e os diplomas que acumular, Maria. Ainda assim não haverá como compreender um homem que estimulou as aglomerações quando os médicos pediam que a população ficasse em casa. Um homem que vetou a obrigatoriedade de uso de máscaras quando as populações da maioria dos países do mundo usava máscaras para se proteger da contaminação. Um homem que esbanjou dinheiro público com medicamentos comprovadamente sem eficácia contra uma doença fatal e mentiu para a população que eram eficazes. Um homem que chamou o que matou seu pai e quase meio milhão de brasileiras e brasileiros (até agora) de “gripezinha”. Um homem que recusou as vacinas contra essa doença que converteu você em órfã. Não, Maria, você não poderá entender esse homem em nenhuma circunstância.

Você olhará para mim com seus olhos escuros, suas pupilas negras, em busca de esclarecimento. Eu vou olhar para você e prometo fazer o possível para não baixar os olhos. Porque, Maria, eu não tenho resposta. Muitas teorias já foram feitas sobre genocidas como Adolf Hitler, Pol Pot e Slobodan Milosevic. Eu já li algumas delas. E muitas, tenho certeza, serão feitas sobre Jair Bolsonaro. E também se escreverá muito sobre as brasileiras e brasileiros que o sustentaram no poder. Primeiro com seu voto, depois com sua crença. Assim como tantos filmes e livros foram feitos e escritos sobre os alemães medianos que sustentaram, com sua ação ou omissão, o extermínio de 6 milhões de judeus, homossexuais, ciganos e pessoas com deficiência na Alemanha dos anos 1940. Pessoas que andavam entre nós, que conversavam amenidades na fila do pão e, de repente, olhamos para elas e as descobrimos salivando com a morte. Pediam não mais pão, mas mais armas.

O que é o mal, Maria? Nos debatemos com esse dilema desde sempre. Até viver horrores como esse apenas pelos livros, eu tinha muitas dúvidas sobre nomear o mal. Me parecia simples demais, fácil demais. Mas, hoje, Maria, depois do que tenho testemunhado com meu próprio corpo, preciso dizer que o mal existe. Bolsonaro é o mal, Maria. E Bolsonaro foi engendrado nesse mundo, nessa época histórica, por essa sociedade, por essa conjunção de genes e de acasos, por essas circunstâncias.

Bolsonaro tenta fazer o mal desde que o Brasil sabe de Bolsonaro. Ele era militar do Exército e já planejava colocar bombas nos quartéis. Por interesses de um grupo e de outro, quem deveria barrá-lo não o barrou. E, de impunidade em impunidade, o mal assumiu o poder. E, por isso, seu pai perdeu a vida e você ficou sem pai. Você, Maria, e dezenas de milhares de outras crianças. Quando eu finalmente for capaz de ter essa conversa com você, talvez sejam centenas de milhares de outras filhas e filhos sem pai ou sem mãe. Porque hoje, quando escrevo essa carta para você, Maria, o mal ainda governa o Brasil.

Vou interromper o mal para falar do seu pai. Do contrário, também eu não suporto, Maria. Algumas pessoas, com a melhor das intenções, eu sei, me dizem que era a hora do seu pai, que ele já tinha cumprido sua missão nesse plano. Eu afirmo, com toda convicção: não era a hora de o Lilo morrer. Ao contrário, continuava sendo a hora de o Lilo viver. Seu pai me contava, apenas algumas semanas antes, que apesar de toda a dureza de enfrentar uma pandemia, ele vivia um dos melhores momentos da sua vida. Porque ele vivia apaixonado por sua mãe e porque ele tinha você, Maria. E ele sonhava em ensinar a você tudo o que ele sabia.

Seu pai nem ficou sabendo, Maria, mas enquanto estava em coma induzido no hospital, ele foi aprovado para o curso de Letras na Universidade Federal do Pará. Ele queria mesmo fazer Arqueologia, porque tinha se apaixonado pelo trabalho dos arqueólogos numa expedição que fizemos juntos à Estação Ecológica, na Terra do Meio. Mas não existia essa opção em Altamira. Como seu pai era poeta, das luzes e também das palavras, ele escolheu o curso de Letras. Seu pai sabia dizer por inteiro A Máquina do Mundo, poema de seu conterrâneo Carlos Drummond de Andrade. E, sempre que dizia, seus olhos boiavam em água salgada. Para o seu pai, a máquina do mundo estava sempre se abrindo como o diafragma da câmera com que ele capturava a realidade como ele a via. Desde que você nasceu, Maria, era a realidade de você que ele convertia em imagem. Você e sua mãe eram, para ele, um mundo só bom.

Não, Maria, não acredite nem por um segundo que era hora de o seu pai morrer. Não era. Seu pai, como centenas de milhares de brasileiros, morreu porque Jair Bolsonaro e seu Governo executaram um plano de disseminação do novo coronavírus para, supostamente, alcançar o que chamam de “imunidade de rebanho”. Sim, Maria, como gado. “Alguns vão morrer, lamento, essa é a vida”, era assim que o presidente do Brasil falava.

O mundo inteiro e todos os epidemiologistas respeitáveis diziam o contrário. Afirmavam que era uma insanidade, além de imoral. Dois ministros da Saúde, médicos, abandonaram o governo por não suportar a ideia de ser cúmplices desse crime. Mas Bolsonaro preferiu acreditar nele mesmo, com sua experiência de quase 30 anos se reelegendo no parlamento sem propor nada de útil, porque supostamente não queria que a “economia” fosse prejudicada e, assim, seu projeto de reeleição.

É isso que a análise de mais de 3.000 normas federais, feitas por um grupo de juristas renomados da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, provou. Na sequência, outros estudos concluindo que uma parcela significativa das mortes por covid-19 teriam sido evitadas se Bolsonaro tivesse combatido a covid-19 foram divulgados em algumas das mais importantes publicações científicas do mundo. Pesquisas internacionais mostraram que o Brasil teve a pior atuação na pandemia entre todos os países do planeta.

No momento em que escrevo essa carta para você, Maria, as ações deliberadas e as omissões deliberadas de Bolsonaro e seu Governo provocaram e seguem provocando dezenas de milhares de mortes evitáveis. Como a do seu pai, Maria. No momento em que escrevo essa carta para você, as ações deliberadas e as omissões deliberadas de Bolsonaro e seu Governo gestaram dezenas de milhares de meninas e meninos órfãos, pequenas e pequenos brasileiros que terão que crescer e viver sem pai ou sem mãe. Como você, Maria.

Butantan diz que ataques de Bolsonaro à China afetam vacinas

O presidente chinês Xi Jinping e Bolsonaro em 2019.

Presidente insinuou que chineses, principais fornecedores de matéria-prima para imunizantes ao Brasil, criaram vírus como parte de “guerra química”. “Essas declarações têm impacto”, diz diretor do Instituto Butantan.

Líder brasileiro e membros do seu círculo regularmente fazem ataques contra a China, maior parceiro comercial do Brasil

A direção do Instituto Butantan e o governador de São Paulo, João Doria, afirmaram nesta quinta-feira (06/05) que os ataques do presidente Jair Bolsonaro à China estão afetando a importação de insumos para a fabricação de vacinas contra a covid-19.

Na quarta-feira, Bolsonaro insinuou que a China teria criado o vírus em laboratório como parte de uma “guerra química” – uma acusação que contraria a Organização Mundial de Saúde (OMS), que aponta que o vírus provavelmente tem origem animal.

Na semana passada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, já havia dito que os os chineses “inventaram” o coronavírus. Não foram os únicos membros do círculo do presidente que fizeram ataques do gênero. O filho “03” do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro, e os ex-ministros Ernesto Araújo e Abraham Weintraub já haviam distribuído ataques contra os chineses ou espalhado teorias conspiratórias envolvendo o país asiático.

A China é o maior parceiro comercial do Brasil e principal país de origem dos insumos usados no envasamento de vacinas contra a covid-19 distribuídas aos brasileiros. Entre janeiro e abril, dentro do contexto dos ataques do governo Bolsonaro à China, diversas remessas de insumos com origem no país asiático que eram esperadas pela Fiocruz e pelo Butantan sofreram atrasos. Os chineses afirmaram que eram meros entraves burocráticos, mas os episódios levantaram questionamentos sobre eventuais retaliações por parte de Pequim à postura de Bolsonaro e seu círculo.

“Todas as declarações neste sentido têm repercussão. Nós já tivemos um grande problema no começo do ano e estamos enfrentando de novo esse problema”, afirmou nesta quinta-feira Dimas Covas, diretor do Butantan.

“Embora a embaixada da China no Brasil venha dizendo que não há esse tipo de problema, a nossa sensação de quem está na ponta é que existe dificuldade, uma burocracia que está sendo mais lenta do que seria habitual e com autorizações muito reduzidas e volumes. Então obviamente essas declarações têm impacto e nós ficamos à mercê dessa situação”, completou.  “Pode faltar [insumos]? Pode faltar. E aí nós temos que debitar isso principalmente ao nosso governo federal que tem remado contra. Essa é a grande conclusão”, disse Covas.

O Butantan é responsável pelo envasamento no Brasil da Coronavac, vacina desenvolvida pela empresa biofarmacêutica chinesa Sinovac. Mais de 75% das vacinas distribuídas contra covid-19 no Brasil até o momento foram envasadas pelo Butantan em parceria com os chineses.

Doria: “É lamentável e inacreditável”

O governador paulista também criticou Bolsonaro pelos recentes ataques à China e fez críticas à falta de atuação na diplomacia do governo brasileiro em relação ao país asiático.

“É lamentável que depois de o ministro Paulo Guedes falar mal da China, da vacina, criticando o governo chinês, agora o presidente Jair Bolsonaro seguindo na mesma linha. É inacreditável que, diante de uma circunstância que precisamos salvar vidas e ter mais vacinas, tenhamos alguém criticando a China, o nosso grande fornecedor de insumos para a vacina”, afirmou Doria.

Ainda na quarta-feira, Bolsonaro fez outras declarações que contrariam o consenso científico em relação à pandemia. Ele chamou de “canalhas” aqueles que se opõem ao ineficaz “tratamento precoce” promovido pelo governo e diz que o uso de máscaras já “encheu o saco”. Ele ainda ameaçou usar as Forças Armadas contra governadores e prefeitos para impedir a imposição de medidas de isolamento. A série de declarações foi encarada por analistas como uma cortina de fumaça para desviar o foco da CPI da pandemia no Senado.

Na quarta-feira, a comissão ouviu o ex-ministro da Saúde Nelson Teich, que relatou que deixou a pasta por não ter contado com autonomia para realizar seu trabalho e por se recusar a ceder à pressão do Planalto para expandir o uso de remédios ineficazes.

jps/lf (ots)

Réquiem para um governo de sacripantas, parvos, malandrões e nulidades

Enfim, caíram todas as máscaras e revelou-se por inteiro a soberba mediocridade de um governo formado na base da mentira e da hipocrisia, em nome do combate à corrupção (dos outros) e da defesa do “livre mercado” (só para eles).

De onde saiu tanto lixo humano para montar um time de mentecaptos e bandoleiros civis e militares que tomaram o país de assalto dispostos a não deixar pedra sobre pedra?

Em torno de um capitão defenestrado pelo Exército por indisciplina, parlamentar do baixo clero por três décadas, incapaz de dirigir uma bodega na Barra da Tijuca, uniram-se o grande capital e o lumpesinato da classe média ressentida, a escória que voltou às ruas neste final de semana enrolada em bandeiras verde-amarelas como se fosse um exército de ocupação.

Como se fosse pouco, querem agora fechar o Supremo e o Congresso para entronizar o “Mito” como imperador absoluto, com plenos poderes para concluir o processo de destruição das instituições e implantar uma ditadura sem disfarces.

No princípio, havia dois “superministros” para avalizar o governo do capitão, lembram-se?

Primeiro, veio o Posto Ipiranga, codinome do megalomaníaco economista pinochetista Paulo Guedes, um especulador da Bolsa, que chamou Sergio Moro, juiz provinciano deslumbrado com as glórias midiáticas da Lava Jato, para cuidar da Justiça e Segurança Pública.

Guedes assumiu com ares de primeiro-ministro e até hoje acha que, se ele sair, o governo acaba, mas com o tempo foi murchando, sem entregar nada do que prometeu, vendo seu ministério se desfazer.

Moro sonhava com uma cadeira no STF, depois achou que poderia se candidatar a presidente da República, bateu de frente com o capitão e hoje ganha a vida como consultor de uma empresa americana.

Dá até pena ver o choro de viúvas de Guedes e Moro na mídia, como se fossem freiras que, de repente, se viram no meio de um lupanar e descobriram quem eram seus ídolos.

Só se enganou com eles quem quis, porque sempre foram umas bestas fundamentais, que se achavam os reis da cocada preta, no meio de um bando de mediocridades do anti-ministério: anti-educação, anti-meio ambiente, anti-saúde, anti-direitos humanos, anti tudo.

O capitão, o economista e o juiz são os três personagens mais patéticos deste enredo de horror que nos desgoverna em meio a uma terrível pandemia.

Este governo pode acabar antes de ter começado, preocupado agora apenas em se safar da CPI do Genocídio.

A marca que a todos une é a absoluta incompetência para estar nos cargos que ocupam, a inapetência para o trabalho e a realidade paralela em que vivem, acreditando nas próprias mentiras.

São todos uns enganadores, e eles sabem disso, já nem disfarçam mais. Mas o gado gosta deles assim mesmo, tanto que sai às ruas em seus carrões para defendê-los com unhas e dentes, muitos dentes arreganhados.

Basta ver as imagens dos manifestantes em defesa do governo: parecem todos saídos do mesmo ninho, olhos arregalados, gritando contra o “comunismo” e que o Brasil nunca será uma Venezuela. Pois já é, lamento informar. O que faltaria ainda?

Só falta oficializar as milícias verde-amarelas e as muitas máfias que se organizaram em torno desse poder, que já foi circo, depois virou hospício e agora é um grande velório a céu aberto.

Era uma vez um país chamado Brasil, que tinha um grande futuro. Viramos isso aí.

Ricardo Kotscho
Colunista do UOL

O bolsonarismo não é politica, é seita religiosa perigosa.

“O bolsonarismo tornou-se uma seita perigosa. Ele disse adeus à realidade e vive em um universo onde o presidente é um semideus. Ele pode fazer o que quiser, ele está sempre certo. E qualquer um que o critique vira inimigo.”

“Acabou a Paciência”
“Não há mais sentido em discutir com bolsonaristas. A seita partiu para um universo paralelo onde 2 + 2 não é 4, mas qualquer número que seja oportuno para a narrativa deles, escreve Philip Lichterbeck.

No início, quando o bolsonarismo ainda era jovem, eu achava difícil ter paciência. Para mim, parecia absurdo, uma insanidade, que houvesse realmente brasileiros que quisessem tornar seu presidente um homem com tal biografia – sem méritos políticos, mas com muito barulho, que expressava publicamente fantasias violentas e tinha uma estranha propensão a falar constantemente de homossexuais.

Depois de quase 58 milhões de brasileiros terem discordado de mim, mudei minha postura. Eu queria entender o que havia acontecido. E comecei a ouvir bolsonaristas, acompanhando seus grupos e conversando com eles, sem sair imediatamente de mim quando eles apresentavam suas opiniões radicais e teorias grosseiras.

Essa fase, agora, acabou de vez. Quem pensa democrática e humanisticamente e leva a ciência mais a sério do que a religião; quem considera a solidariedade mais importante do que o egoísmo; quem acredita que a Floresta Amazônica vale mais a longo prazo do que as pastagens de gado e os campos de soja; quem não quer que o Brasil se torne um país cheio de gente armada; quem quer um Brasil que seja levado a sério internacionalmente; quem é contra a corrupção e as milícias; quem acredita que o Brasil deve tirar as consequências do desastre do coronavírus, que este governo causou e custou ao país quase meio milhão de vidas; quem, simplesmente, quer a civilização e o progresso em vez da barbárie e da regressão, não pode mais ter a mínima compreensão por esse movimento.

O bolsonarismo tornou-se uma seita perigosa. Ele disse adeus à realidade e vive em um universo onde o presidente é um semideus. Ele pode fazer o que quiser, ele está sempre certo. E qualquer um que o critique vira inimigo.

O deputado Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do presidente, deixou claro o caminho que está sendo seguido: em direção à América Central. Ele elogiou Nayib Bukele, o homem forte de El Salvador, que já enviou soldados à Assembleia Legislativa para ameaçar os parlamentares. Bukele conseguiu a destituição de juízes da Suprema Corte e do procurador-geral da República por obstruir sua agenda.

Eduardo Bolsonaro retuitou um post de Bukele que dizia: “Estamos limpiando nuestra casa”. Não importa que Bukele tenha mandado depor os juízes para impor um duro lockdown contra a pandemia (Eduardo, é claro, esconde esse fato). Mais uma vez, o pensamento autoritário e antidemocrático do bolsonarismo foi revelado como o núcleo deste movimento.

O bolsonarista já não é capaz de ver o mundo objetivamente. 2 + 2 não é 4 para ele, mas qualquer número que encaixe na narrativa bolsonarista. Se o ídolo afirma que o governo levou a pandemia a sério desde cedo e se esforçou para obter vacinas, acredita-se.

Quando se apresenta citações e fatos que provam o contrário, se é ignorado. O semideus está sempre certo, não importa quão errado ele esteja. Não há mais nenhuma base para negociação com essas pessoas porque não há mais nada para negociar.

São pessoas que ainda afirmam que essa pandemia que parou o mundo inteiro foi inventada para prejudicar o semideus deles; que as mais de 400 mil mortes foram inventadas pela mídia. Portanto, se acham no direito de destruir as cruzes que foram erguidas para lembrar os mortos. Andam de metrô e em shoppings sem máscara, e se você chamar a atenção deles, se tornam violentos ou fazem piadas.

O potencial de violência inerente a este culto não deve ser subestimado. É possível supor que os caras que sacam armas para ameaçar outros no trânsito, por exemplo, votaram em Bolsonaro. Os guarda-costas de Bolsonaro tentam intimidar jornalistas com suas armas. Também não acho que seja meramente uma coincidência que o suspeito de matar o menino Henry Borel, o vereador Dr. Jairinho, seja bolsonarista. Ele foi eleito na onda bolsonarista, apesar de ser acusado de diversos crimes violentos que vão desde agressões contra mulheres e crianças até envolvimento com milícia e tortura de jornalistas. Quem votou nele aprovou essa violência.

No início, eu pensava que o bolsonarismo era uma reação radical, mas de alguma forma compreensível, aos enormes escândalos de corrupção que vieram à tona nos últimos anos e causaram indignação. Hoje é claro que o bolsonarismo nunca foi uma questão de combate à corrupção.

O bolsonarismo surgiu das entranhas da história brasileira, na qual os mais fortes sempre enriqueceram pela força e defendem esse status até hoje – também pela força, se necessário. E não é mais uma ameaça abstrata. Aqueles que acompanham os grupos bolsonaristas sabem que eles não aceitarão resultado que não seja a vitória bolsonarista nas eleições de 2022. É certeza para eles que a vitória de outro candidato só pode acontecer por meio de fraude eleitoral. A suposta prova: não há voto impresso. A narrativa já está definida antes da eleição e fornece a justificativa para uma possível explosão de obstruções e violência.

Quem ainda não se afastou do “mito” após dois anos e meio, com todos os absurdos e delírios diários, a destruição das instituições estatais e da Floresta Amazônica, o irracionalismo radical, a corrupção dentro da família B., e mais de 400 mil mortes por coronavírus, não pode mais ser ajudado. É uma perda de tempo dialogar com pessoas que justificam o injustificável.

queria abrir um novo capítulo em sua vida quando se mudou de Berlim para o Rio, em 2012. Desde então, ele colabora com reportagens sobre o Brasil e demais países da América Latina para jornais na Alemanha, Suíça e Áustria. Ele viaja frequentemente entre Alemanha, Brasil e outros países do continente americano.

Fatos & Fotos – 29/04/2021

Para embalar este fim de noite desta quinta-feira fiquem com Georges Moustaki & Zazie – “Le métèque”


Boa noite.
Poema
Eustáquio Gorgone

Vejo Minas, chove.
Há Cristos de lama nas igrejas
e fardas no cinema.
Vejo águas, Gerais.
Há cidades imersas nos rios,
peixes nos hotéis de luxo.
Vejo Minas Gerais.
Depois da soleira,
o vento é de mármore.
Além das minas,
os amantes são estrábicos.

Do livro: Minas, 1983


Catavaggio – Cristo Flagelado – detalhe


Da série: “Querido diário do Apocalipse”

  1. ‘Nunca ouve alguém tão focado na sua missão como o capitão. Parabéns presidente. Rumo ao Abismo.’
  2. Agora vai? Calos “Carluxo Bananinha” Bolsonaro perde foro privilegiado.
  3. O governo “esqueceu” que tinha 100 mil doses escondidas da vacina. Só lembrou depois que pegou mal a fala do ministro que reclamou da longevidade das pessoas. Entenderam?
  4. Que diabos de gororoba esse sujeito bebe?
    Delirante, ministro da (des)educação diz que “crianças não leem, mas sabem colocar camisinha”. É do carvalho!
  5. Uma CPI incomoda muita gente, duas CPIs incomodam muito mais!!! Vem aí a do Meio Ambiente/Crimes do Ministro Ricardo Salles. Vai ser interessante: terça e quinta, CPI do Genocídio. Segunda e quarta, CPI do Ecocídio.
  6. raduzir “take away e grab and go” parece difícil demais? O curioso caso de demência coletiva que levou muitos brasileiros a esquecer a expressão “para viagem”, que já estava na boca do povo antes da pandemia.
  7. Cansei de alertar: fumar alfafa estragada atrofia o único neurônio do nano presidente. O Vereador Federal, louvando as belezas do Brasil em um vídeo, citou:
    1. A Amazônia, que ele tá ajudando a destruir;
    2. A Antártida, que fica no extremo sul do planeta.
    Essa trajetória de excelência intelectual começou no Jardim de Infância Coelhinho Fascista.
  8. STF e Censo; sem nenhuma vênia considero a decisão do Ministro Marco Aurélio equivocada. O ocaso pataético de um magistrado.
    Ps. Operacionalmente a realização do censo nesse momento é absolutamente inviável.
  9. A chegada de uma 3ª onda da Covid no Brasil não é questão de “se”, mas de “quando”, de acordo com pesquisadores. Baixa vacinação e flexibilização das restrições são apontados cm fatores para novo pico no país, que tem mais de 70% da população suscetível a se contaminar pelo vírus. O Covidão esfrega as mãos.
  10. Como soi acontecer no (des)governo de estúpidos e farsantes, na surdina o governo prepara a criação de um novo imposto sobre transações financeiras feitas por aplicativos, de bancos, de lojas, entre outros. É a volta da CPMF.
  11. Bolsonaristas estão tentando tumultuar o meio de campo da CPI, mas Renan Calheiros já matou a bola no peito e botou no chão.
  12. Canalhas! Canalhas! Canalhas! Senadores governistas se mobilizam para evitar convocação de Wajngarten, pela CPI do Genocídio por atuação na compra de vacinas da Pfizer.
  13. O Brasil é um país “onde as vidas e as mortes de pessoas supostamente menos humanas parecem pouco importar”. Opinião de Ynaê Lopes dos Santos, Mestre e Doutora em História Social pela USP.

Alina Khrapchynska, Turung – s/d


Hoje, faz 30 anos sem o talento de Gonzaguinha e 4 anos que Belchior já não está mais por aqui. Dois gênios da nossa música. O legado deles é gigantesco.


Steampunk XXXIX


O movimento steampunk, misto de ficçãocientífica e arte, foi adotado p/ artistas no anos 80 e, a partir da “atmosfera” de “Blade Runner”.
Muito dos objetos desembocaram em peças que adornaram filmes como Mad Max e, Guerra nas Estrelas.
Quem quiser conhecer melhor o movimento “steampunk” há uma matéria no Boston Globe, que disserta sobre o movimento.


Ao meio do dia desta quinta-feira com Peggy Lee – Benny Goodman – Why Don’t You Do Right – Orch 1943


Olga Seminova
Um dia sem dançar é um dia perdido


“Importação da Sputnik V foi recusada por ‘precaução'”, diz gerente da Anvisa Gustavo Mendes.
Parece a mesma lógica usada pelo Bolsonaro no caso da cloroquina, mas com sinal invertido.
“Nós não podemos provar que replica, mas eles também não provaram que não replica.”
Falseabilidade foi pro espaço. Karl Popper se revira no túmulo.


No dia de hoje, mas em 1182, São Francisco de Assis (+03/10/1226) fundou a Ordem dos Franciscanos.

Pintura de Cândido Portinari.
São Francisco,1941
Óleo sobre tela
73,3 x 62 x 2 cm
MASP:Doação Assis Chateaubriand, 1947


Brasil da série:”sem humor não dá pra aguentar o tranco nesse hospício”
Bennet na Folha de S.Paulo


Cusco, Peru – Inti Raymi Festival
Foto de Sergio Pessolano


Design,Adereços,ÁfricaDesign,Adereços,África,Fotografias,Blog do Mesquita


Jesse Scales
Um dia sem dançar é um dia perdido


Ivan Shishkin
Coppice Noon,1872


Ivan Shishkin
The Sun lit Pines,1886


Qiao Yinan
Nanquim sobre papel arroz,1986



Vincent van Gogh,1853-1890 s/t s/d


 

Foto do dia -Tumblr


Château de Fontainebleau, França


Pinturas de Jan Davidszoon de Heem

Guirlande de fleurs et de fruits
avec le portrait de Guillaume III dOrange

Table daparat avec perroquets,1650

Eucharistie dans une guirlande, 1648

Vase de fleurs, 1645

Máscara Cerimonial
Costa do Marfim, África


Fotografia de Benoit Courti

Fatos & Fotos – 28/04/2021

Para embalar este fim de noite desta quarta-feira fiquem com Louis Armstrong – Basin Street Blues


Da série: “Querido diário do Apocalipse”

  1. Lembram de quando os liberais nos garantiam que Moro e Guedes seriam os freios democráticos do Bolsonaro?
  2. Revista Nature destaca ‘desastre completo’ do combate à pandemia no Brasil. Esgotamento de cientistas e desmandos de Bolsonaro viram reportagem na mais prestigiada publicação científica do mundo.
  3. Operadora de saúde Hapvida é multada em R$ 468 mil por forçar médicos a receitar cloroquina.
  4. Sabe a China que é agredida por Bolsonaro há anos? É o país da Coronavac que representa 84% das vacinas aplicadas no Brasil até agora.
  5. PGR agora mira em acordos internacionais da Lava-Jato. Deltan na alça de mira. Corregedora-geral do MPF mandou abrir sindicância para apurar procedimentos da força-tarefa.
  6. A Globo vai usar a CPI para construir Mandetta como vice de seu candidato indefinido.
  7. Não sei se vocês observaram, mas ontem o Brasil comprou briga com a Rússia e a China simultaneamente.
  8. Quando imaginaríamos que seríamos governados por figuras tão toscas – uns tipos terrivelmente fascistas – como Bolsonaro e Guedes? Nem nos nossos piores pesadelos, não é? Eu avisei, mas preferia ter errado em cada linha.
  9. TRF-4 revoga prisão preventiva de Eduardo Cunha.
  10. Logo logo, inventam o verbo homeoffiçar. “Estou homeoffiçando hoje”.
  11. Imprensa internacional destaca desgaste para Bolsonaro – o nano presidente e vereador federal – na CPI da Covid. A única coisa que o abilolado ex-sinistro das Alucinações Exterioresa, Arnesto – argh! – Araujo certou foi quando disse que seríamos os párias do mundo.
  12. “Xépôco”! “Privatização dos Correios deve ocorrer em 2022, estima BNDES.
  13. Sem humor não dá! “Após defender isolamento social, Flávio Bolsonaro será contratado pelo Sensacionalista mas terá que devolver 20% do salário”
  14. Cansei de alertar: fumar alfafa estragada atrofia o único neurônio do nano presidente. O Vereador Federal, louvando as belezas do Brasil em um vídeo, citou:
    1. A Amazônia, que ele tá ajudando a destruir;
    2. A Antártida, que fica no extremo sul do planeta.
    Essa trajetória de excelência intelectual começou no Jardim de Infância Coelhinho Fascista.
  15. Quando o Ministro-Chefe da Casa Civil admite que tomou vacina escondido, a gente pode concluir que o discurso negacionista é oficial. A CPI tem que partir desse pressuposto. Não é de incompetência apenas que se trata.
  16. O mercado é um santo, né Guedes? Quem armou o Exército Nazista? Quem endeusou a figura de Hitler? Quem construiu os campos de concentração? Quem se beneficiou da mão-de-obra escrava?
  17. As revelações sobre o “cara da casa de vidro” deixaram o Brasil como?!
  18. Eu sei que todo “yuppie” e “startupeiro” que resolveu se aventurar na política a partir de 2013 acha-se o suprassumo da clarividência, a quintessência disruptiva da política nacional. A verdade é que vocês foram cavalgadura, queridos, montados, esporados e, agora, mandados pastar.
  19. Caro MBL, sua geração, de fato, fracassou miseravelmente, mas não porque a política tradicional está voltando a funcionar. O fracasso moral e político da sua geração deu-se quando vocês ofereceram o lombo para que o rebotalho da política nacional galopasse rumo o Planalto.
  20. Um afirma que a China inventou o vírus, o outro confessa que tomou vacina escondido. Parece piada, mas é o alto escalão do Governo Federal.

Michael Collins, astronauta da Apollo 11, morre aos 90 Collins. Conhecido como o ‘astronauta esquecido’, manteve o módulo de comando voando enquanto Neil Armstrong e Buzz Aldrin caminhavam na lua.
Michael Collins, no centro, com Neil Armstrong, à esquerda, e Buzz Aldrin em maio de 1969. Armstrong tinha 82 anos quando morreu em 2012. Aldrin ainda está vivo e mora em Nova Jersey, aos 91. Fotografia: Arquivo Nasa / EPA

 


Magi Puig – s/t s/d


Grafiti – autor não identificado


Fotografia de Claire Mallet, Nu, s/d


Na hora do almoços fiquem com Mozart: Oboe Quartet


Quer conhecer o caráter de uma pessoa ? Pergunte de quem é a culpa da gestão da pandemia no Brasil. Se falar Governadores e STF, corre, e não olha pra trás.


Da série “Monalisas” – LXXX


Paulo Guedes

A moral pública de ministro Guedes é repleta de ressentimento. Já falou das trabalhadoras domésticas que iriam a Disney. Agora é sobre o desejo de vida longa. É, o povo comum quer vida e ócio. Quer ainda comida e trabalho. E o mais urgente: quer vacina.


O General-ministro – já conhecido como o escondidinho – que tomou vacina às escondidas me lembrou o conto “A igreja do diabo”, de Machado de Assis. Os fiéis da seita prometiam praticar o mal. Mas alguns fraquejavam e procuravam fazer a coisa certa. Só tinham que tomar cuidado para que ninguém soubesse. O “Bruxo do Cosme Velho” continua mais contemporâneo do que nunca!


Importante oração. Oremos com fervor.


Pintura de Russell Case, s/t s/d


Diário do Apocalipse

  1. Paulo Guedes falou indignado que todo mundo quer viver 100 anos. Para ele, esse desejo não pode existir porque a economia vai quebrar com tanta gente idosa. Que sistema é esse que prefere que pessoas morram no lugar de cuidar delas?
  2. Paulo Guedes falou indignado que todo mundo quer viver 100 anos. Para ele, esse desejo não pode existir porque a economia vai quebrar com tanta gente idosa. Que sistema é esse que prefere que pessoas morram no lugar de cuidar delas?
  3. O Brasil não tem um governo. O que há em Brasília é um bando de arruaceiros incompetentes. Pensem assim: é como se os bagunceiros do fundão assumissem a direção da escola.
  4. “Que gente é essa?”, diz Míriam Leitão sobre o chefe da Casa Civil, general Luiz Ramos, e o sinistro Paulo Guedes. Essa é fácil de responder “madame”; é essa que você ajudou a colocar no poder quando festejou e blindou o corrupto e venal Sergio Moro. É essa gente que você ajuda a manter no poder quando defende com unhas e dentes o Teto de #Gastos. Foram estes monstros que você alimentou enquanto demonizava a esquerda. Desenho?

Bruce Chapin – The Philosopher
Escultura em madeira


No dia de hoje, mas em 1908 nascia Oskar Schindler, industrial alemão que salvou da morte pelos nazista 1.100 judeus. Morreu em 9 de outubro de 1974. Sua história foi retratata em um filmeA Lista de Schindler – com Liam Neeson, Ben Kingsley e Ralph Fiennes. Schindler era um sujeito oportunista, sedutor, “armador”, simpático, comerciante no mercado negro, mas, acima de tudo, um homem que se relacionava muito bem com o regime nazista, tanto que era membro do próprio Partido Nazista (o que não o impediu de ser preso algumas vezes, mas sempre o libertavam rapidamente, em razão dos seus contatos). No entanto, apesar dos seus defeitos, ele amava o ser humano e assim fez o impossível, a ponto de perder a sua fortuna mas conseguir salvar mais de mil judeus dos campos de concentração.
Dirigido por Steven Spielberg o foi filme vencedor do #Oscar de melhor ator – Lian Nelson – filme, diretor, ator coadjuvante, direção de arte, fotografia, roteiro adaptado, montagem e trilha sonora em 1994.


Escultura de Thomas Houseago



Encantando essa manhã de quarta-feira com Sunshine – Avalon Jazz Band


Foto do dia -Tumblr


Um afirma que a China inventou o vírus, o outro confessa que tomou vacina escondido.
Parece piada, mas é o alto escalão do Governo Federal.

Fatos & Fotos – 27/04/2021

Para embalar este fim de noite desta terça-feira com Charles Aznavour e Willie Nelson “Yesterday When Was Young”


Isaac Israëls (1865-1934) s/t s/d

 


Diário do apocalipse:

  1. Uma semana a gente vibra com o Gilmar Mendes no STF e na outra com o Renan Calheiros no Senado… sei lá viu, ta tudo bagunçado hahaha.
  2. Quando você se achar a pessoa mais burra do mundo, lembre do Bolsonaro, que fez uma lista dos próprios crimes e se tornou réu confesso.
  3. Ficaremos surpresos se no final da CPI da Covid no relatório constar que o genocídio no Brasil foi planejado? Não né?
  4. A Miriam Leitão criticava a economia nos governos Lula e Dilma, elogia o ministro ogro Paulo Guedes e idolatra o ex-juiz ladrão Sérgio Moro. Pensa num dedo podre.
  5. Bolsonaro negligenciou a pandemia que se instalara no Brasil no início de 2020 e persiste até hoje. O mesmo, afirmava ser apenas uma gripezinha, desprezou o uso de máscara e por várias vezes estimulou as aglomerações. Bolsonaro precisa ser responsabilizado.
  6. Guedes critica: “todo mundo quer viver até os 100 anos”. Fique à vontade, Guedes. Vc não precisa querer. Só pare de tirar esse direito de todos os outros brasileiros e brasileiras. Sem noção.
  7. A mídia interessadíssima no celular da mãe do Henry, e nenhum interesse no celular do Adriano, amigo do homem da casa de vidro.
  8. Ainda bem que a Anvisa barrou a Sputnik neste momento de super safra de vacinas no país. Além disso, o Gamaleya é um instituto altamente suspeito. Foi lá que Albert Sabin, de mulher brasileira, registrou a vacina contra poliomielite. Foi desenvolvida lá a que erradicou o ebola.
  9. Do ministro Paulo Guedes, hoje: 1) “O chinês inventou o vírus”. 2) “Vacina deles é menos efetiva que a dos americanos.” 3) “Nós do governo não teremos capacidade de cuidar da saúde do povo”. O Brasil nas mãos de mentirosos, preconceituosos e incompetentes.
  10. O responsável pela economia – Paulo Guedes – brasileira acusa o principal parceiro comercial do país de “inventar o vírus”Depois das declarações do energúmeno Paulo Jegues cooperações sino-brasileiras vão reduzir-se a um pedido de perdão ajoelhado do Nefasto de Brasilia.
  11. Bateu o desespero! Flávio Bolsonaro agora defende o trabalho remoto e o isolamento social. O que uma CPI não faz…
  12. Gente comprando a briga da Anvisa porque ela é formada por pessoal “técnico e concursado”. Eu me pergunto se isso significa alguma coisa num governo que se caracteriza pela falta de transparência e de respeito ao cidadão.

Da série “Monalisas” – LXXIX


Pra não esquecer nunca! Mas nunca mesmo! No dia de hoje, mas em 1940 começa a construção do campo de concentração de Auschwitz.


Jan Davidszoon de Heem
Table d’aparat avec perroquets,1650


Dale Nichols,American,1904-1995,
Road to Adventure,1940.


Escândalos sobre Samuel Klein e Bolsonaro da “Casa de Vidro” são ignorados pela grande mídia.
Porquê?


Os generais Heleno, Braga Netto, Ramos, Azevedo e Silva e Pujol precisam explicar como um sujeito que não sabia o que era o SUS se tornou ministro da Saúde



O mesmo que sair “pelado” pra ir comprar cueca. São irrecuperáveis! Como foi aprovado no Mobral?



Encantando essa manhã de terça-feira com Duke Ellington & Johnny Hodges – Passion Flower


Queridos vacinados e vacinados, a ciência é maravilhosa, mas já avisou q não vacilem, não se sintam livres das medidas de segurança pós vacina! É possível sim, se infectar após primeira dose e também segunda! Não durmam no ponto!Tenho casos próximos!A saída é vacina e vigilância!


Foto do dia
Fotografia de Trevor Grimshaw


Mourão diz que o Exército não pode ser julgado pela atuação de Pazuello na pandemia. Entenderam, né? Um general da ativa do exército, que ganhou um cargo por ser do exército, não é do exército…


Ilustrando o futurista George Orwell.
“Tudo menos o trabalho era proibido: andar na rua, divertir-se, cantar, dançar, encontrar-se,
tudo foi proibido”


Em 2018, o Brasil elegeu um cara do submundo do crime do Rio de Janeiro. É se como tivesse elegido o Marcola, que talvez fosse um presidente melhor do que Bolsonaro. Pelo menos no manejo da lógica.

Pecuária,Agricultura,Meio Ambiente,Desmatamento,Poluição,Aquecimento Global,Blog do Mesquita

Desmatamento ameaça cortar ao meio faixa de floresta que mantém umidade na Amazônia

A derrubada de árvores desenfreada ameaça dividir ao meio o Corredor de Áreas Protegidas do Xingu, que conecta a parte da floresta densa no Pará com uma região de transição nas cabeceiras do Xingu, muito importante para a regulação do clima e chuvas.

Imagens de satélite mostram que o processo de destruição se intensificou entre os anos de 2018 e 2020, principalmente, durante o Governo Bolsonaro. O sistema de monitoramento de desmatamento Sirad X, da Rede Xingu+, detectou a devastação de 513,5 mil hectares de floresta no período, área equiv alente a 5x o município de Belém (PA). É como se a cada minuto, 149 árvores fossem derrubadas.

“Por meio do monitoramento do Sirad X, foi possível acompanhar de perto a evolução do desmatamento das Áreas Protegidas e seu entorno na bacia do Xingu nos últimos três anos, período em que houve a transição de governo e mudanças nas políticas ambientais”, conclui o relatório “Xingu sob Bolsonaro”.

Discursos favoráveis pela redução inconstitucional de terras indígenas e a legalização de atividades destrutivas como o garimpo, além do enfraquecimento das ações de fiscalização, promovem um cenário de total impunidade.

A divisão em duas partes desse grande maciço que forma um dos maiores mosaicos contínuo de Terras Indígenas e Unidades de Conservação preocupa quanto às perdas de biodiversidade e ampliação de áreas desmatadas, pois ele tem um papel crucial na proteção da Amazônia e do clima.

Espécies animais também correm risco com o empobrecimento da floresta que vai fragilizar ainda mais sua capacidade de resistir às mudanças ao seu redor. Se a Amazônia atingir um ponto de não-retorno, dará lugar a uma vegetação mais seca e vulnerável, sem capacidade para continuar exercendo sua condição de provedora de chuva, essencial para toda américa do sul.

Proteção ambiental

A região presta serviços ambientais inestimáveis ao planeta, da proteção de rios e nascentes à regulação do clima a nível local, regional e global. Suas vastas florestas representam uma das maiores e mais estáveis reservas de carbono na Amazônia oriental, estocam aproximadamente 16 bilhões de toneladas de CO2.

Estima-se que suas árvores lancem para a atmosfera, por meio da evapotranspiração e da produção de compostos orgânicos voláteis que atuam como núcleos de condensação de chuva, de 880 milhões a 1 bilhão de toneladas de água por dia, um volume similar ao que o rio Xingu despeja no Amazonas no mesmo período.

A água é transportada pelos chamados “rios voadores” para as regiões centro-oeste, sudeste e sul do Brasil, fornecendo a chuva para cidades e campos, essencial para a manutenção da atividade agropecuária.

Com 23 Terras Indígenas e nove Unidades de Conservação, o Corredor é considerado uma das regiões com maior sociobiodiversidade no mundo, abrigando 26 povos indígenas e centenas de comunidades ribeirinhas.

Há séculos esses povos tradicionais manejam e protegem suas florestas, que comportam um imenso conjunto de espécies de plantas e animais, algumas ainda desconhecidas pela ciência. Com uma área de mais de 26,5 milhões de hectares, o Corredor tem um papel crucial na proteção da Amazônia e do clima.

Xingu sob Bolsonaro

O relatório expõe também a situação desoladora das comunidades indígenas que vivem na região, pois com a pressão do desmatamento, são ameaçadas por outros tipos de agressões indissociáveis a esse cenário, como a invasão de terras, grilagem, impacto de grandes obras de infraestrutura e mineração ilegal.

Entre 2018 e 2020, verificou-se o aumento do desmatamento dentro das Terras Indígenas e Unidades de Conservação, evidenciado, principalmente, no ano de 2019, em decorrência da intensificação de invasões de Áreas Protegidas e do recrudescimento da mineração ilegal.

Atualmente, o Xingu é a bacia mais ameaçada da Amazônia brasileira, concentrando as Áreas Protegidas recordistas em desmatamento dos últimos anos como a APA Triunfo do Xingu e as Terras Indígenas Cachoeira Seca, Ituna Itatá e Apyterewa.

A região paraense da bacia concentrou os maiores índices de desmatamento, devido, principalmente, à contribuição dos municípios de Altamira e São Félix do Xingu.

Altamira compreende áreas intensamente desmatadas devido à pressão de grandes empreendimentos de infraestrutura como a UHE de Belo Monte, e São Félix do Xingu é o município que mais emite gases de efeito estufa do Brasil, tanto pelas altas taxas de derrubada de floresta como pelo maior rebanho bovino do país.

Os discursos do governo favoráveis à redução de Áreas Protegidas, a expectativa da legalização de atividades criminais, como o garimpo mecanizado dentro de Terras Indígenas (PL 191/2020), assim como a ostensiva diminuição das ações de fiscalização, foram um fator importante na atração de invasores nas TIs Apyterewa, Cachoeira Seca, Ituna Itatá, Trincheira Bacajá e Kayapó.

A expectativa de regularização das terras griladas (PL 2633/20 e PL 510/21) também têm impulsionado invasões nas UCs Flona de Altamira, FES do Iriri, Esec da Terra do Meio e na APA Triunfo do Xingu. Sem plano de manejo nem zoneamento, a APA Triunfo do Xingu é a Unidade de Conservação mais desmatada de todo o Brasil nos últimos 10 anos, sendo epicentro de pressões e ameaças para as Áreas Protegidas em seu entorno.

Fonte: ISA/Rede Xingu+