A guerra de Trump com a imprensa dos EUA

Presidente eleito prefere mensagem de vídeo em vez de entrevista coletiva e rompe com práticas tradicionais da relação entre governantes e imprensa numa democracia. CNN e “New York Times” são alvos preferenciais.

Donald Trump nunca fez segredo de sua rejeição a boa parte da mídiaDonald Trump nunca fez segredo de sua rejeição a boa parte da mídia

Doze dias após a eleição: o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, convida pouco mais de 20 apresentadores e diretores de grandes emissoras de TV do país para uma reunião na sua torre em Nova York.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

O encontro será off the record, como se diz no jargão jornalístico, o que significa que o conteúdo não seria tornado público pelos participantes. Será que Trump pretende detalhar o acesso que os jornalistas terão à Casa Branca durante o mandato dele?

Nada disso. Um participante relatou ao jornal sensacionalista New York Post que o encontro parecia “um pelotão de fuzilamento”. Segundo ele, Trump chamou os presentes de mentirosos e atacou principalmente a emissora CNN.

“Eu odeio a sua emissora”, teria dito o presidente eleito ao presidente da empresa. Durante a campanha eleitoral, Trump pôde ver e ler muita coisa negativa sobre sua pessoa, e não somente por parte da emissora de notícias de Atlanta, que várias vezes o acusou de mentir.

O encontro foi mesmo assim? É algo imaginável, pelo menos. Pois, mesmo em público, o futuro presidente americano não faz nenhum segredo de sua rejeição a boa parte da imprensa do país.

No Twitter de Trump lê-se sobre a crooked media, ou “mídia corrupta”, o que na Alemanha corresponderia à Lügenpresse, ou “imprensa da mentira”. Desde que anunciou a sua candidatura, em 2015, ele atacou mais de 60 vezes somente o New York Times.

Em vídeo, Trump divulga metas para os 100 primeiros dias de governo

Treze dias depois da eleição: Trump se dirige aos seus conterrâneos por meio de uma mensagem de vídeo. Desde a sua vitória eleitoral, ele não convocou nenhuma entrevista coletiva para a imprensa, o que significa que jornalistas dos mais diversos meios de comunicação ainda não tiveram a oportunidade de lhe fazer perguntas.

Algo pouco comum para presidentes eleitos. Mas mensagens de vídeo têm uma vantagem: pode-se explicar os seus planos para os primeiros cem dias no cargo sem interrupções e sem ser confrontado com perguntas críticas.

“Ele é a sua própria empresa de comunicação e não precisa da imprensa”, comenta Mary E. Stuckey, professora de comunicação da Universidade da Geórgia, em Atlanta. “Trump parece não dar muita importância às regras democráticas e, portanto, também não respeita o papel dos jornalistas.”

Mudança já na era Obama

O trabalho de imprensa da presidência dos EUA já havia passado por uma mudança considerável durante o governo de Barack Obama. Ele foi o primeiro chefe de Estado americano a conseguir se comunicar diretamente com a população, através da internet, sem o filtro das empresas de mídia tradicionais. Só na semana passada, a equipe de mídia de Obama colocou 17 vídeos no canal da Casa Branca no YouTube, que registra regularmente milhões de visualizações.

Mais de 12 milhões de pessoas seguem o POTUS (presidente dos EUA, na sigla em inglês) no Twitter, e quase 20 milhões de usuários acompanham quando Obama aparece em mais um vídeo engraçado no YouTube.

Críticos afirmam que se trata de uma agência de mídia nas mãos do governo. “Obama utiliza o Twitter, Facebook e companhia para ampliar a divulgação de mensagens que já havia anunciado pela imprensa”, avalia Stuckey. “Já Trump simplesmente ignora os canais tradicionais de comunicação.” Ao menos Obama convoca regularmente entrevistas coletivas, responde perguntas e permite que jornalistas o acompanhem.

Trump parece romper também com essa prática. Na terça-feira da semana passada, por exemplo, o presidente se dirigiu numa caravana de carros, acompanhado da esposa, da filha e do cunhado, para o Club 21 em Nova York, onde os jornalistas o viram, por acaso, comendo batatas fritas e um hambúrguer. Pouco antes, a equipe de mídia do futuro presidente havia dito à imprensa que, naquela noite, Trump havia encerrado o expediente e ficaria em sua torre. Pode até parecer uma atitude simpática para alguns, mas não para a associação de correspondentes da Casa Branca.

“É inaceitável que o próximo presidente americano circule sem um pool de jornalistas que possa informar a opinião pública sobre o seu paradeiro”, afirma Jeff Mason, correspondente da agência de notícias Reuters e chefe da Associação de Correspondentes da Casa Branca. Segundo ele, espera-se que a equipe de Trump cumpra a promessa de possibilitar que um pool de jornalistas acompanhe o presidente eleito.

Comportamento que funciona para Trump

Catorze dias após a eleição: nesta terça-feira (22/11), Trump tem um encontro marcado com jornalistas e diretores do New York Times, antes de partir para o feriado de Ação de Graças em seu clube Mar-a-Lago em Palm Beach. O jornal nova-iorquino havia anunciado que colunistas e repórteres do renomado diário teriam a oportunidade, após uma rápida conversa introdutória off the record, de fazer perguntas ao magnata republicano e de anotar e publicar suas respostas. Ou seja, praticar o jornalismo dentro dos costumes dos governos democráticos.

Mas, poucas horas antes do encontro, o próprio Trump o cancelou. Pelo Twitter, o futuro presidente afirmou que o New York Times teria pedido mudanças no fluxo de comunicação. “Nada agradável”, comentou o presidente eleito, que gosta de chamar o maior e mais influente jornal dos Estados Unidos de “fracassado”.

Eileen Murphy, vice-chefe de comunicação do jornal nova-iorquino, contrapôs: não foi o New York Times, mas a equipe de Trump que pediu mudanças. Entre outras, que nada da conversa fosse divulgada ao público. Aí aconteceu o cancelamento do cancelamento, e o encontro foi novamente confirmado e de fato aconteceu.

Para Stuckey, Trump continuará ignorando as regras tradicionais do tratamento com a imprensa. “Ele não tem nenhuma razão para mudar o seu comportamento”, afirma a especialista. “Até agora, isso tem funcionado bem para ele. Somente quando esse não for mais o caso ou se a resistência for muito grande, vamos ver um Trump diferente.”
BBC

Tecnologia e Educação:A ciência da computação vai virar o novo inglês?

Futura CodeFutura Code School: cursos incluem desde oficinas, de dois dias, até cursos regulares, de até 3 anos.

Nigri é fundador e sócio de uma escola de programação, a Futura Code School. A ideia de começar esse negócio surgiu depois de um pedido do presidente Barack Obama a crianças americanas: “Não comprem um novo videogame. Desenvolvam um”.

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Nem jovem, nem programador, Nigri ouviu as palavras do presidente. “Quando assisti [ao vídeo no qual Obama diz isso], pensei: ‘É o Obama se dirigindo às crianças e pedindo para que elas aprendam a programar. O que isso significa?’”, conta a EXAME.com.

O pedido de Obama fazia parte do projeto “Hour of Code”, que conta com ícones como Bill Gates, cofundador da Microsoft, e Mark Zuckerberg, cofundador e CEO do Facebook. Com as palavras de Obama ainda ecoando em sua cabeça, Nigri uniu-se ao sócio e físico Mário Menezes. Da parceria nasceu a escola que ensina ao público de seis a 17 anos os conceitos da programação.

Localizada no bairro de Perdizes, em São Paulo, a escola oferece cursos usando um sistema de aprendizado simples e lúdico. As aulas têm como base a criação de jogos e aplicativos. Para isso, são utilizadas plataformas como Scratch, Blockly e Stencyl, que “ilustram” códigos por meio de blocos. A ideia é ensinar a lógica da programação antes das linguagens em si.

A Futura Code também atende a escolas que desejam incluir a programação em sua grade curricular. A instituição tem uma vertente social que inclui parcerias com ONGs e oferece aulas gratuitas para crianças que não têm condições de pagar.

SuperGeeksSuperGeeks: o curso regular se divide em nove fases e envolve uma imersão por todas as áreas – Foto:Divulgação/SuperGeeks Jardins

Mais do que uma brincadeira

Também adotando plataformas de programação em blocos, a Supergeeks é outra escola que investe na tendência. O fundador Marco Giroto morou nos Estados Unidos e percebeu que a presença da disciplina nas escolas já estava mais consolidada.

“Quando cheguei, notei um movimento em prol da ciência da computação. Quis trazer a ideia ao Brasil”, relembra. Marco aprendeu a programar aos 12 anos e acredita que a experiência foi importante. “Aprender a programar fez com que meu pensamento se tornasse lógico, com facilidade para resolução de problemas. A criatividade também é constantemente usada e treinada.”

Ele e a esposa, Vanessa Ban, deram início ao projeto no final de 2013. A ideia era oferecer aulas a escolas, mas nenhuma instituição procurada se interessou. A alternativa foi abrir uma unidade própria; hoje já são mais de 30 pelo país. A escola atende a alunos de sete a 16 anos e a duração dos cursos varia de um mês a cinco anos (este é dividido em nove fases e envolve programação avançada).

EXAME.com acompanhou uma aula na unidade SuperGeeks Jardins, em São Paulo. Turmas de até 12 alunos integram um jogo online estilo RPG no qual cada aluno é um personagem. Participar positivamente, como respondendo a perguntas, dá pontos ao aluno e faz com que ele suba de nível. O oposto ocorre caso o aluno atrapalhe a aula.

O fundador enfatiza que a habilidade não deve ser encarada somente como rumo profissional. “A programação não serve só para a criança se tornar programadora; não aprendemos matemática para sermos matemáticos e biologia para sermos biólogos. São coisas relacionadas à nossa vida, e com a programação não é diferente.”

Reinventando o tradicional

A expansão dessa área tem feito com que instituições tradicionais se adaptem. O Colégio Elvira Brandão, de São Paulo, reestruturou as disciplinas de tecnologia e passou a incluir a programação no cotidiano dos estudantes.

Enquanto no ensino integral os alunos têm um currículo extra dedicado à tecnologia, no regular os professores incluem a programação como ferramenta no ensino das matérias escolares.

“A escola tem 112 anos e está consciente de que, se não se reinventar, não sobrevive mais 100 anos”, explica Renato Judice, diretor da instituição. Ele detalha que as mudanças, adotadas a partir de 2015, estão sendo aos poucos absorvidas pelos alunos. “Muitos dão retorno positivo e demonstram empolgação; outros ainda estão se acostumando”, explica.

O novo inglês?

Mitchel Resnick, diretor do grupo Lifelong Kindergarten, do MIT Media Lab, defendeu que aprender programação é tão importante quanto ler ou escrever. Já no Brasil, tem sido comum comparar a importância dessa habilidade com a do aprendizado de inglês.

“Há 20, 30 anos, houve o boom das escolas de inglês, que não eram consideradas tão importantes. Com o tempo, essa habilidade passou a ser mais necessária”, diz Jayme Nigri, da Futura Code. “A programação é, também, uma linguagem universal, mas não tenho a convicção de que chegou para substituir o inglês.”

Já para Marco Giroto, da SuperGeeks, o inglês corre o risco de perder sua posição. “Vejo o aprendizado da ciência da computação como mais importante”, diz. Ele destaca que a nova geração tem motivos para ir atrás desse aprendizado. “O pessoal que vai estar trabalhando daqui a 10 anos, terá dificuldade maior de arrumar emprego se não tiver esse conhecimento. A língua mais falada no mundo é o mandarim, mas poderíamos dizer que é o binário.”
Ana Laura Prado/EXAME.com

Republicanos cobram explicação sobre US$ 1,7 bilhão em espécie ao Irã

Pagamento em “dinheiro vivo” coincidiu com libertação de prisioneiros americanos, o que leva congressistas a questionar se foi entregue resgate. Casa Branca nega.

O pagamento de 1,7 bilhão de dólares em “dinheiro vivo” ao Irã, pelo governo dos Estados Unidos, no início deste ano, levou congressistas republicanos a novamente cobrar explicações à administração do presidente Barack Obama nesta quinta-feira (08/09).[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O dinheiro foi entregue em três parcelas, nos dias 17 e 22 de janeiro e 5 de fevereiro. O pagamento da primeira parcela coincide com a libertação de quatro prisioneiros americanos, o que levou os republicanos a questionar se os Estados Unidos teriam pagado um resgate ao Irã.

Entre os libertados está o repórter Jason Rezaian, do Washington Post.

A Casa Branca argumentou que o valor de 1,7 bilhão de dólares foi alcançado num acordo extrajudicial referente a uma encomenda de armas feita pelo Irã no início de 1979, ainda nos tempos do xá.

Com a Revolução Islâmica, a encomenda nunca foi entregue, e o Irã levou o caso a um tribunal em Haia. O valor se refere aos 400 milhões de dólares da encomenda e mais 1,3 bilhão de juros.

Segundo autoridades americanas, as condições do acordo extrajudicial são melhores para os Estados Unidos do que as que seriam arbitradas pelo tribunal.

Elas também disseram que o Irã solicitou acesso imediato ao dinheiro, o que explica a inusitada operação de transferência.

Depois de serem depositadas pelos Estados Unidos num banco europeu, as três parcelas foram convertidas em euros, francos suíços e outras moedas e enviadas por avião, em espécie, de Genebra para Teerã.

As autoridades da administração Obama defenderam o procedimento, argumentando que as sanções internacionais isolaram o Irã do sistema financeiro internacional.

A Casa Branca ressalvou que o pagamento e a libertação dos reféns são casos separados, mas admitiu que reteve o dinheiro até que os americanos fossem libertados. A acusação de que houve pagamento de resgate, porém, foi descartada.

KG/ap/ots

Economia: O temor de uma recessão global prolongada

Larry Summers,Blog do MesquitaLarry Summers, secretário do Tesouro de William Clinton, fez pouco amigos na vida.

<=Larry Summers / Foto Wikimedia / CC

Quando ocupava aquele cargo, teve um papel decisivo na revogação da Lei Glass-Steagall, que em 1933 estabeleceu reformas bancárias para controlar a especulação, com a separação entre bancos de depósito e bancos de investimento.

A abolição dessa lei liberou uma enxurrada de dinheiro que deu origem ao atual sistema financeiro.

Summers também foi economista-chefe do Banco Mundial, de onde saiu em meio a polêmicas. Tornou-se presidente da prestigiosa Academia de Harvard, de onde foi obrigado a sair devido a um problema de gênero.

Com o presidente Barack Obama, foi diretor do Conselho Econômico Nacional, onde suas posições favoráveis aos negócios criaram novas polêmicas.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Pode ser que por todos esses motivos muito poucas pessoas prestaram atenção às suas previsões a respeito da “nova economia”, uma expressão criada após a crise de 2009 para indicar que o desemprego é algo normal, que o mercado é o centro da economia e das finanças e que as medidas sociais e de bem-estar não mais seriam uma preocupação da economia.

Larry Summers adverte para uma “estagnação secular”. Em outras palavras, o crescimento anêmico nos acompanhará durante muito tempo. Seus alertas se baseavam no fato de que não existe uma ação política concreta para criar estímulos e que “num mundo que está apenas à beira de uma recessão global, muito pouco foi decidido sobre como estimular a demanda.

As autoridades dos bancos centrais comunicaram o sentimento de que pouco mais podem fazer para fortalecer o crescimento ou controlar a inflação”. Foi assim que Summers comentou a última reunião de ministros das Finanças do G20 (no dia 26 de fevereiro), quando estes não conseguiram chegar a um acordo sobre qualquer tipo de ação, concluindo com uma declaração dizendo que “os mercados estão se preocupando demais”.

“Uma expropriação gigantesca do norte para beneficiar o sul”

A dimensão da recente volatilidade do mercado não refletiu os fundamentos subjacentes do pântano em que está atolada a economia mundial, declarou Lou Jiwei, ministro das Finanças da China, que acolheu a reunião do G20 em Xangai.

O rígido ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, bloqueou uma proposta em favor do estímulo das reformas, defendida pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jack Lew, insistindo que agora é um momento para reformas exclusivamente estruturais, e não para uma política fiscal e monetária de estímulo.

O caso da Grécia estava presente na cabeça de todo mundo. Mais tarde, ao comentar a enorme carga de refugiados bloqueados numa Grécia exausta, Schäuble declarou que embora esta tragédia humana necessite atenção, “não deveria desviar Atenas da aplicação de seu programa de reformas estruturais”.

Alguns dias depois, Mario Draghi [banqueiro e economista italiano e atual presidente do Banco Central Europeu – BCE] apresentou um grande programa de estímulo fiscal do BCE que está adotando o custo zero do dinheiro, ao mesmo tempo em que pretende aumentar a injeção de dinheiro de 60 a 80 bilhões de euros [de R$ 250 bilhões a 340 bilhões] por mês. De início, os mercados reagiram positivamente, em seguida desceram e agora estão novamente positivos.

Entretanto, Draghi advertiu, como sempre, que os bancos centrais não podem fazer o trabalho dos governos. A inflação faz parte do crescimento desde que não exceda 2%, mas até agora vem sendo de 0,1%. Avalia-se que o crescimento na zona do euro será de 1,4% em 2016 e espera-se que seja de 1,7% em 2017. Passaram-se cinco anos que, na prática, se entrou na estagnação e a Europa ainda não recuperou o nível econômico de antes da crise.

É claro que isto provocou enorme gritaria na Alemanha. Wolfgang Schäuble, que transformou a economia num ramo da ciência moral, declarou que “o dinheiro fácil leva à perdição”.

A choradeira geral é que o BCE está adotando uma política para resgatar os países endividados do sul da Europa às custas da Alemanha e dos demais países do norte da Europa, que não necessitam uma política monetária de custo zero.

O ministro alemão do Comércio Externo, Anton Börner, declarou: “Para a população alemã é uma catástrofe. Sua poupança foi expropriada. Trata-se de uma expropriação gigantesca do norte para beneficiar o sul”.

Maior país europeu só olha para seus interesses imediatos

É verdade que os alemães são grandes poupadores. Em suas contas, há mais de 2 bilhões de euros (R$ 8,4 bilhões), um terço do total da zona do euro. Com juro zero, o Union Investment [braço de investimentos do DZ Bank AG] calculou que irá perder 224 bilhões [R$ 940 bilhões], numa comparação com o que iria ganhar se fosse mantida a média do juro histórico dos depósitos.

O DZ Bank publicou um estudo segundo o qual o Tesouro italiano poupa 53 bilhões de euros [R$ 220 bilhões], em comparação com 9,5 bilhões [40 bilhões] da Alemanha. A Espanha também pouparia uma quantia semelhante: 42 bilhões de euros [R$ 175 bilhões].

O diretor do prestigioso Instituto de Pesquisa Econômica [Institut für Wirtschaftsforschung], de Munique, declarou: “Estamos diante de uma política de subsídios a bancos zumbis e aos Estado à beira da bancarrota.”

Tudo isso é mais uma prova de como o sonho de um projeto europeu está desaparecendo.

As queixas dos alemães são lógicas, mas unicamente a partir de um ponto de vista muito míope e egocêntrico. A Alemanha não pode ignorar que não é uma receita para o futuro: ela é uma ilha de prosperidade numa região que lhe proporciona um superávit constante na balança comercial e uma permanente fonte de receita de custo inferior ao de pedir dinheiro emprestado devido a seu saldo positivo em relação a outros países europeus.

Foto Flickr / CC

Se a zona do euro continuar com um índice de crescimento anêmico e uma taxa de inflação muito baixa, a estagnação se estabelecerá por muito tempo.

É fácil receitar reformas econômicas, mas de acordo com a União Europeia, os Estados Unidos, a China, os Brics e todos os outros, a |Alemanha deveria utilizar seu superávit pelo menos para investir em custos estruturais, como infraestruturas, para, dessa forma, estimular o crescimento. Por seu lado, o governo alemão mantém firmemente seus benefícios e considera que seu destino não tem nada a ver com o dos outros.

Está pronto para forçar a União Europeia a desembolsar 6 bilhões de euros [R$ 25 bilhões] para a Turquia, para que este país mantenha os refugiados fora até que a porta de admissão volte a ser aberta – algo que até agora foi rejeitado pela população alemã. A diferença entre o norte e o sul da Europa não é apenas o resultado da falta de disciplina do sul: é também resultado de que o maior país europeu olha unicamente, e cada vez mais, para seus interesses imediatos.

O que se discute são as contas de poupança

A opinião de Larry Summers parece cada vez mais realista. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o custo do petróleo vai aumentar. O número de plataformas de petróleo nos Estados Unidos caiu a seu nível mais baixo nos últimos seis anos, pois o preço baixo faz com que os equipamentos de alto custo sejam antieconômicos. O número de plataformas de petróleo e de gáschegou a 1.761, o número mais baixo desde 2002.

Isso em nada irá a ajudar a África, como um todo, à essencial recuperação chinesa e a um grande número de países latino-americanos e asiáticos, além da Europa. O comércio, que é um indicador econômicos fundamental, estagnou durante os últimos cinco anos. Tudo isto representa um conjunto de dados sem precedentes.

O debate sobre as reformas estruturais, por oposição ao dos estímulos econômicos e financeiros, parece um beco sem saída que está paralisando a comunidade internacional. O que acontecerá se “o principal choque produzido por uma recessão global” passa agora a ter origem na paralisia europeia? Estamos entrando na quarta revolução industrial, aquela em que os robôs substituirão os trabalhadores.

Segundo o último livro de Klaus Schwab, engenheiro e economista alemão e também fundador do Fórum Econômico Mundial de Davos, dentro de uma década os robôs representarão 52% da produção industrial, em relação aos atuais 12%. Isto irá aumentar a concentração da riqueza e a desigualdade social.

O debate sobre o nosso futuro simplesmente não existe nos círculos políticos. O que se discute agora são as contas de poupança…

***

Roberto Savio é  jornalista ítalo-argentino, co-fundador e ex-diretor-geral da Inter Press Service e criador do projeto Other News, jornalismo sem fins lucrativos

Obama em Cuba: quando um “fake” se torna realidade

A frase premonitória que Fidel nunca disse sobre Obama, o Papa e CubaA frase premonitória que Fidel nunca disse sobre Obama, o Papa e CubaA frase, atribuída ao líder cubano em 1973, é boa, mas era só uma piada

Com a visita de Barack Obama a Cuba, voltou a circular na Internet um comentário sarcástico supostamente feito por Fidel Castro em 1973 e que teria de transformado em uma assombrosa premonição involuntária:

“Os Estados Unidos só irão dialogar conosco quando tiverem um presidente negro e houver no mundo um Papa latino-americano”.

O problema é que Castro nunca disse isso.

Este é um dos memes que estão sendo compartilhados no Twitter, em espanhol.

Segundo o site Snopes, que se dedica a investigar e desmentir lendas urbanas, essa frase começou a ser espalhada como verídica por causa de um artigo do escritor argentino Pedro Jorge Solans publicado no jornal El Diario, também da Argentina, há pouco mais de um ano.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Nesse texto, Solans diz que a história lhe foi contada por Eduardo de la Torre, então estudante universitário e hoje taxista em Cuba.

Fidel Castro teria dito a frase numa entrevista coletiva, em resposta a uma pergunta do jornalista britânico Bryan Davis.

– Quando o senhor acha que poderão ser restabelecidas as relações entre Cuba e Estados Unidos, dois países tão distantes apesar da proximidade geográfica?

Fidel Castro, segundo essa versão, o olhou fixamente e respondeu para todos os que estavam na sala:

– Os Estados Unidos só irão dialogar conosco quando tiverem um presidente negro e houver no mundo um Papa latino-americano.

Em meados de 2015, a frase foi publicada como verídica na imprensa da Espanha e América Latina, como recorda o site argentino Periodismo.com.

O problema é que não há nenhuma outra fonte nem qualquer registro oficial da frase, segundo o Snopes. Tampouco se sabe qualquer coisa a respeito de Bryan Davis, o jornalista que teria feito a pergunta a Castro, segundo o site Skeptics.

E tampouco há rastro dessa frase antes de dezembro de 2014, como recordam oThe Guardian e o Periodismo.com.

Ou seja, ela surgiu na mesma época em que Estados Unidos e Cuba anunciaram o restabelecimento das suas relações diplomáticas.

Na verdade, todas as referências anteriores ao artigo do El Diario apresentam a frase como uma piada que era contada naqueles dias na ilha, como no caso da coluna publicada em 22 de dezembro pelo jornalista Ortiz Tejeda, no jornal mexicano La Jornada.

Nessa versão, Castro não responde a nenhum jornalista, e sim ao próprio Che Guevara, e a conversa ocorre em 1961:

– Fidel, alguma vez voltaremos a ter relações diplomáticas com os ianques?

Fidel responde:

– Isso só será possível no dia em que o presidente dos Estados Unidos for negro e o Papa argentino, como você…

O jornal Havana Times também menciona o ocorrido alguns dias mais tarde, em 27 de dezembro de 2014, afirmando se tratar de uma piada que aproveita a coincidência de três fatos que todos antes consideravam impensáveis.

“Washington e Havana só retomarão as relações ‘no dia em que o presidente dos Estados Unidos for negro e o Papa argentino”, diz uma piada comum nos últimos dias na ilha, colocada na boca de um fictício Fidel Castro dos anos sessenta, e que resume muito bem as mudanças que ocorreram no mundo desde então e a imensa agitação política presenciada agora.
El País/Jaime Hancock

Eleições USA: O que Silvio Berlusconi ensina sobre Donald Trump

As semelhanças entre os dois magnatas falastrões que ascenderam na política são impressionantes.

O que Silvio Berlusconi ensina sobre Donald Trump
Os EUA estão aptos a eleger Trump, assim como a Itália estava pronta para abraçar Berlusconi em 1990 (Foto: Reprodução)
Ninguém que acompanhou a trajetória do ex-premier italiano Silvio Berlusconi pode deixar de ficar impressionado com as semelhanças entre ele e o pré-candidato republicano à presidência Donald Trump.
Não é apenas a trajetória profissional em comum — do mercado imobiliário à televisão –, nem a admiração que compartilham por Vladimir Putin. Também não se resume à fama de playboy ou de falastrão, ou à obsessão com a própria virilidade e o preconceito. Não é a fortuna, nem o conhecimento de mídia que lhes ensinaram que ninguém perde quando aposta na estupidez humana. Não é nada disso.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Os EUA estão “maduros” para Trump, assim como a Itália estava pronta para abraçar Berlusconi na década de 1990. Como o italiano, Trump representa uma reação ao velho sistema político em uma sociedade onde a frustração econômica com empregos exportados para a China é alta.

Ele surge depois de duas guerras perdidas, e no momento em que o poder e a influência americana estão em declínio no mundo, enquanto outros governos assumem o palco global.

Ele chega num cenário de paralisia política partidária, em um sistema corrompido pelo dinheiro. Ao contrário do estilo contido de Barack Obama, Trump propõe uma política de ressurreição dos EUA enquanto superpotência. Sua resposta à racionalidade é a raiva.

Da mesma forma, Berlusconi emergiu quando a Itália deixava de ser um pivô da Guerra Fria, quando o alinhamento político democrata-cristão do pós-guerra implodia no país.

Tudo estava em fluxo quando a investigação “Mãos Limpas” foi iniciada por procuradores de Milão, em 1992, e expôs o que todos já sabiam: que a corrupção era pedra angular da política italiana.

Não importava que Berlusconi também foi alvo da investigação: ele era diferente, ele não media a fala, ele iria invocar algo novo!

Tanto Trump como Berlusconi entraram para a política como autodenominados “antipolíticos”, empresários de sucesso que se opunham à apatia de políticos profissionais que nunca viram uma folha de pagamento.

Mas, se Trump for eleito presidente, terá o dedo sobre o botão nuclear. Berlusconi não tinha. Trump será o líder do mundo livre.

Berlusconi governou de uma cidade, Roma, cuja lição é que os dias de glória de uma superpotência não duram para sempre.

O que Berlusconi ensina é que Trump pode chegar à Casa Branca em uma nação sedenta de uma nova política.

Berlusconi acabou condenado por fraude fiscal e por fazer sexo com uma prostituta menor de idade — mas levou 17 anos de escândalos intermitentes e incompetência, de 1994 a 2011, para a Itália esfregar a poeira estelar de seus olhos e enxergar a verdade.

Tome nota, EUA, antes que a sorte seja lançada.

Fontes:
Opinião&Notícia

The New York Times – The Trump-Berlusconi Syndrome

10 coisas que você precisa saber sobre as eleições nos EUA

Prévia nos Estado de Iowa marca pontapé inicial da luta pela definição do candidato dos dois grandes partidos americanos.

As prévias se encerram em junho, quando os políticos escolhidos para representar os partidos Democrata e Republicano passam a disputar entre si. A BBC Brasil elaborou uma lista com dez pontos para entender e acompanhar a escolha do sucessor do presidente Barack Obama.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

1. Quem são os principais candidatos

Republicanos

Donald Trump: O megaempresário é hoje o candidato preferido de 41% dos Republicanos, segundo a última pesquisa da CNN. Entre suas principais propostas estão construir um muro na fronteira com o México, barrar temporariamente a entrada de muçulmanos e ampliar as taxas sobre produtos chineses.

Ted Cruz: Filho de um pastor evangélico cubano, o senador pelo Texas conta hoje com 19% das intenções de voto entre os Republicanos. Suas principais bandeiras incluem bombardear as áreas controladas pelo grupo Estado Islâmico, acabar com os subsídios federais a planos de saúde e reduzir o imposto de renda.

Marco Rubio: Filho de cubanos, o senador pela Flórida tem hoje 8% dos votos entre os eleitores do partido. Ele diz que, se eleito, ampliará os gastos com defesa, reduzirá impostos e flexibilizará as leis trabalhistas. Muitos analistas o consideram o candidato Republicano mais competitivo.

Democratas

Ted Cruz, Marco Rubio e Donald Trump são os principais pré-candidatos do Partido Republicanos

Hillary Clinton: A ex-secretária de Estado e ex-primeira dama tem hoje 52% das intenções de voto entre os eleitores Democratas. Hillary se apresenta como a sucessora natural de Obama, prometendo aumentar os salários da classe trabalhadora, investir em infraestrutura e combater as mortes por armas de fogo.

Bernie Sanders: O senador por Vermont, que se define como socialista, conta hoje com 38% das preferências dos eleitores do partido. Sanders tem, entre suas principais bandeiras, ampliar o controle sobre os bancos, universalizar o sistema de saúde e reduzir a influência política de lobistas e grandes doadores.

2. Primárias X ‘caucuses’

Estados adotam dois sistemas distintos para escolher seus candidatos nas prévias: as primárias e os “caucuses” (convenções partidárias).

Nas primárias, adotadas por 40 dos 50 Estados, os partidos Democrata e Republicano realizam votações secretas para escolher os candidatos.

Em alguns Estados, as primárias de cada partido se restringem a eleitores cadastrados nessas agremiações; em outros, são abertas a todos os eleitores.

No “caucus”, eleitores se manifestam publicamente sobre suas preferências, levantando as mãos ou se dividindo em grupos. Em geral, só eleitores cadastrados nos partidos podem participar da escolha.

3. Alguns Estados recebem atenção desproporcional

Primeiros Estados a realizar prévias, Iowa e New Hampshire somam apenas 1,6% da população americana, mas é lá que os pré-candidatos passam grande parte do início da corrida eleitoral.

Os resultados nos dois Estados têm muito impacto no resto da campanha, já que podem enterrar candidaturas e dar grande impulso aos vencedores.

Encerrada a fase das primárias, os candidatos vitoriosos passam a enfocar os chamados “Estados-pêndulos”, onde a disputa entre Republicanos e Democratas costuma ser mais equilibrada.

Ao priorizar esses locais, eles tendem a deixar de lado Estados muito identificados com um dos dois partidos. Para um candidato Democrata, por exemplo, fazer campanha em Oklahoma pode não ser tão vantajoso, já que o Estado costuma dar largas vitórias ao partido rival. Alguns dos principais Estados-pêndulo são Flórida, Virgínia, Colorado e Pensilvânia.

4. A importância da ‘Superterça’

As prévias se encerram em junho, mas geralmente o momento mais importante do processo ocorre em fevereiro ou março, quando praticamente metade dos Estados realiza suas consultas num único dia, uma terça-feira.

Ex-secretária de Estado Hillary Clinton e Bernie Sanders disputam preferência dos Democratas

Neste ano, a “Superterça” ocorrerá em 1º de março. Além de ter grande impacto no resultado final das primárias, a maratona de votações é considerada o primeiro grande teste nacional enfrentado pelos pré-candidatos.

5. A eleição é indireta

A eleição presidencial nos EUA é indireta, realizada por 538 delegados eleitorais, distribuídos pelos Estados conforme sua população.

Em 48 dos 50 Estados americanos (as exceções são Maine e Nebraska), o candidato vitorioso recebe todos os votos dos delegados desses Estados. Ganha a votação o candidato que somar ao menos 270 delegados.

6. Nem sempre o vitorioso é o mais votado

Segundo o site FactCheck.org, ao menos quatro vezes os EUA elegeram presidentes que não tiveram a maioria dos votos.

Isso ocorre porque, mesmo ao derrotar o rival por uma margem mínima de votos num Estado, o candidato vitorioso fica com todos os seus delegados eleitorais.

O último caso ocorreu em 2000, na releeição de George W. Bush, que assumiu o posto mesmo tendo recebido 540 mil votos a menos na contagem geral que seu concorrente Democrata, Al Gore.

7. Votar pode ser complexo

O voto é facultativo nos EUA, e eleitores que queiram participar do pleito precisam se registrar (exceto na Dakota do Norte).

Certos Estados permitem que o registro ocorra no dia da eleição, mas outros adotam regras que, segundo analistas, desencorajam a votação e discriminam minorias. Alguns Estados proíbem, por exemplo, que grupos (partidários ou não) promovam campanhas para registrar eleitores, prática especialmente comum em comunidades pobres.

Placa de carro comemorativa celebra primária de Iowa neste 1º de fevereiro
Image copyright ThinkStock

Nos últimos anos, alguns Estados postergaram o início do horário da votação. Segundo ativistas, a decisão cria dificuldades para igrejas frequentadas por negros, que costumam organizar excursões para levar seus fiéis às urnas após o culto matinal.

8. Nem todos os americanos podem votar

Embora sejam cidadãos americanos, os cerca de 4 milhões de habitantes dos territórios de Porto Rico, Guam, Ilhas Virgens Americanas, Ilhas Mariana e Samoa Americana não têm o direito de votar para presidente, já que esses territórios não têm delegados no Colégio Eleitoral.

Mas os territórios participam das primárias e ajudam a definir os candidatos que concorrem à Presidência.

9. Há vários candidatos desconhecidos

Os candidatos Democrata e Republicano concentram as atenções na eleição, mas não são os únicos concorrentes. Vários candidatos costumam se lançar por outros partidos ou como candidatos independentes. Às vezes, eles influenciam no resultado final.

Na eleição de 2000, o candidato do Partido Verde, Ralph Nader, recebeu 97 mil votos na Flórida. Como Bush venceu Al Gore naquele Estado por apenas 537 votos de diferença, alguns atribuíram sua vitória à participação de Nader, que teria “roubado” votos do Democrata. Se Bush não tivesse vencido na Flórida, Gore teria conquistado a Presidência.

10. As campanhas são bilionárias

Na eleição de 2012, os chamados “Super PACs” arrecadaram US$ 828 milhões (R$ 3,3 bilhões) para atividades de campanha.

Em tese, PACs (comitês de ação política) são comitês independentes articulados para promover causas, candidatos ou projetos legislativos. Na prática, têm sido usados pelos candidatos para arrecadar quantias ilimitadas de dinheiro, driblando as normas que limitam a US$ 2.700 (R$ 10,7 mil) as doações individuais feitas diretamente às campanhas.

Entre os principais competidores deste ano, apenas o democrata Bernie Sanders e o republicano Donald Trump dizem competir sem o apoio de Super PACs. Enquanto Sanders tem contato com pequenas doações de eleitores, Trump tem recorrido à própria fortuna para financiar suas atividades.
João Fellet – @joaofelletDa BBC Brasil em Washington

USA: O mundo em meio a uma corrida nuclear

O governo de Barack Obama tem um projeto de US$ 1 trilhão para modernizar o arsenal nuclear do país. 

O mundo em meio a uma corrida nuclear
Planos de fabricar um novo míssil nuclear de longo alcance (LRSO) estão sendo criticados (Foto: Wikipedia)
Há 25 anos, telespectadores do mundo inteiro assistiram à exibição da tecnologia de mísseis de cruzeiro dos Estados Unidos. Enquanto os jornalistas escreviam suas reportagens no teto do hotel Al Rashid em Bagdá, os mísseis Tomahawk surgiram na tela percorrendo as ruas da cidade em seu caminho para atingir alvos com uma precisão fantástica.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]
Fabricado no auge da Guerra Fria como um míssil nuclear, que podia carregar uma ogiva nuclear ou uma carga explosiva comum, o míssil Tomahawk tem estado na vanguarda da maioria dos ataques aéreos dos EUA desde a primeira Guerra do Golfo.

No entanto, os planos de fabricar um novo míssil nuclear de longo alcance (LRSO), antes que os antigos sejam retirados de circulação em 2030, como parte do projeto do governo Obama de renovar o complexo nuclear obsoleto do país e expandir a produção de armas nucleares nos próximos 30 anos com um custo de $1 trilhão, estão sendo criticados.

William Perry, secretário de Defesa de 1994 a 1997, encarregado do projeto do míssil de cruzeiro no Pentágono no final da década de 1970, e Andrew Weber, secretário-adjunto de Defesa responsável pelos programas de defesa nuclear, química e biológica de 2009 a 2014, causaram surpresa em outubro ao defender o cancelamento dos planos de fabricar mil mísseis nucleares. Esse cancelamento representaria uma economia de US$25 bilhões ao país.

Segundo Perry e Weber, os mísseis nucleares de cruzeiro são “armas desestabilizadoras”, porque os inimigos em potencial não conseguem distinguir se estão sendo atacados com uma carga explosiva convencional ou com uma ogiva nuclear.

O fato de não produzirmos o LRSO, disseram, “não diminuirá o enorme poder de dissuasão nuclear dos EUA”. Especialistas em controles de armas receiam que as justificativas do Pentágono para a fabricação de novos mísseis e da nova bomba atômica extremamente precisa, sugerem que as doutrinas da Guerra Fria, controversas na época, como o aumento do controle e do limite das guerras nucleares, estão sendo retomadas.

Hillary Clinton, que em geral tem uma postura mais incisiva e enérgica do que Barack Obama, ao lhe perguntarem em Iowa qual era sua opinião sobre o projeto de US$1 trilhão para modernizar o arsenal nuclear americano respondeu, “Bem, ouvi comentários. Vou procurar me informar com mais detalhes. Mas para mim não faz sentido”.

A observação da Sra. Clinton traiu a pressão que tem sofrido por parte do candidato democrata de esquerda e seu rival nas pesquisas de intenções de votos, Bernie Sanders.

Mas muitos democratas decepcionaram-se por Obama não ter se mantido fiel ao projeto de um mundo sem armas nucleares, como descreveu no discurso em Praga no ano de 2009, que lhe ajudou a ganhar o prêmio Nobel da Paz, talvez uma escolha um pouco prematura.
Fonte: Opinião&Notícia

O prisioneiro que se nega a abandonar Guantánamo apesar de estar livre para sair

Muhammad Bawazir passou os últimos 14 anos de sua vida recluso na prisão norte-americana de Guantánamo, em Cuba.

O número de detentos na prisão de Guantánamo caiu de 242 para 91 nos últimos sete anos, mas o centro continua em funcionamento

Nesta semana, ele teve a chance de pegar um avião e abandonar o centro de detenção para sempre – como fizeram outros dois detentos – mas decidiu ficar.

Esse iemenita de 35 anos recusou a oferta de recomeçar a vida em um país que havia aceitado acolhê-lo, pois não tinha parentes por lá.

A decisão surpreendeu o advogado de Bawazir, John Chandler, que disse ter passado meses tentando convencê-lo a deixar o centro de detenção.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O caso vem a público sete anos após o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ter assinado uma ordem para fechar a prisão de Guantánamo.

Muhammad Bawazir em foto do Departamento de Estado dos EUA divulgada pelo jornal New York Times e pela organização WikiLeaks

A base é usada por autoridades americanas desde 2002 para conter suspeitos de terrorismo, e é alvo de campanhas de entidades de defesa de direitos humanos, por indícios de tortura e maus-tratos contra os presos.

A ordem de Obama é de 22 de janeiro de 2009, mas a cadeia continua em funcionamento.

“É cara, desnecessária e serve apenas como propaganda de recrutamento para nossos inimigos”, disse Obama no último dia 12, em seu discurso anual sobre o Estado da União.

Problemas legais, oposição no Congresso e dificuldade em conseguir países para acolher os presos são fatores que impediram Obama de cumprir sua promessa.

Apesar disso, o número de presos na base caiu nos últimos anos de 242 para 91 – número que hoje seria 90 se Bawazir não tivesse se recusado a subir no avião no último momento.

Um preso teimoso

Bawazir chegou a Guantánamo aos 21 anos, após ser preso no Afeganistão.

Em 2008, ainda no governo George W. Bush (2001-2008), sua liberação foi aprovada, mas não pôde ser colocada em prática porque Washington se recusava a enviar prisioneiros ao Iêmen, temendo que alguns deles voltassem a representar ameaça aos EUA.

Hoje, não é possível enviar detentos para lá porque o Iêmen está em meio a uma guerra civil.

Nos 14 anos em Guantánamo, Bawazir protagonizou diversas greves de fome.

Em uma delas, chegou a pesar 41 quilos, o que levou autoridades a alimentá-lo à força para evitar sua morte.

“Ele está apavorado por ter que ir a um país onde não tem apoio garantido”, disse o advogado John Chandler ao explicar a decisão de seu cliente.

Ele disse ter tentado por meses convencer Bawazir a aceitar a oferta, e que ele tinha concordado na noite de terça-feira – mas voltou atrás no dia seguinte.

“Não sei explicar a lógica da posição dele. É simplesmente uma reação muito emocional de um homem que está preso há 14 anos.”

Depressão

O advogado afirmou que Bawazir estava deprimido e o comparou ao personagem do filme Um Sonho de Liberdade (1994) que não consegue acertar sua vida após passar muitos anos preso.

Problemas legais, oposição no Congresso e dificuldade em fechar acordos diplomáticos impediram o fechamento da prisão. Image copyright Getty

“Ele sempre foi muito sensível. Quando estava em greve de fome me disse: ‘Tudo que quero é morrer’. Ele não aguentava o lugar”, disse Chandler.

As autoridades americanas não informaram o nome do país que aceitou acolher o prisioneiro, mas o advogado disse ser “um país que eu iria sem pensar duas vezes”.

O desejo de Bawazir era viver em um local onde possui parentes, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita ou Indonésia, mas aparentemente o governo dos EUA não conseguiu fechar acordo com esses países para que recebessem detentos de Guantánamo.

Agora, diante da decisão, há dúvidas sobre o destino do prisioneiro. O advogado disse estar preocupado com a situação, sobretudo depois que Obama deixar a Casa Branca, no começo de 2017.

Lobby das armas dos EUA se nega a debater com Obama

Obama,Blog do Mesquita,USAO poderoso grupo de pressão americano das armas, o National Rifle Association (NRA), negou-se a participar junto com o presidente Barack Obama em um programa organizado pela rede CNN e que será transmitido na noite desta quinta-feira.

Obama: “A NRA não vê qualquer razão para participar em uma operação de relações públicas orquestada pela Casa Branca”

Obama apresentou na terça-feira, em um emocionado discurso, uma série de medidas que visam a superar as falhas do sistema em vigor para o controle de antecedentes judiciais e psicológicos dos compradores de armas.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

No debate que será transmitido ao vivo da Universidade George Mason, em Fairfax (Virginia), espera-se que o presidente defenda sua iniciativa e critique novamente a inação de seus adversários republicanos, majoritários no Congresso e que se negam a lesgislar sobre o tema.

“A NRA não vê qualquer razão para participar em uma operação de relações públicas orquestada pela Casa Branca”, declarou Andrew Arulanandam, porta-voz da organização, que reivindica cinco milhões de membros em um país de 322 milhões de habitantes.
AFP