Tecnologia: Cientistas contra robôs armados

A inteligência artificial está atingindo um desenvolvimento tão intenso que inquieta até seus pesquisadores pelo uso indevido que se pode fazer dela.

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Mais de 1.000 cientistas e especialistas em inteligência artificial e outras tecnologias assinaram uma carta aberta contra o desenvolvimento de robôs militares autônomos, que prescindam da intervenção humana para seu funcionamento.

O físico Stephen Hawking, o cofundador da Apple Steve Wozniak, e o do PayPal, Elon Musk, estão entre os signatários do texto, que foi apresentado na terça-feira em Buenos Aires, na Conferência Internacional de Inteligência Artificial, um congresso onde estão sendo apresentados mais de 500 trabalhos dessa especialidade e ao qual comparecem vários signatários do manifesto.

O documento não se refere aos drones nem aos mísseis comandados por humanos, mas a armas autônomas que dentro de poucos anos a tecnologia de inteligência artificial poderá desenvolver e isso significaria uma “terceira revolução nas guerras, depois da pólvora e das armas nucleares”.

Especialistas reconhecem que existem argumentos a favor dos robôs militares, como o fato de que reduziriam as perdas humanas em conflitos bélicos. Ao contrário das armas nucleares, as autônomas não apresentam custos elevados e nem requerem matérias-primas difíceis de obter para sua construção, de acordo com os signatários. Por isso eles advertem que é “apenas uma questão de tempo” para que essa tecnologia apareça no “mercado negro e nas mãos de terroristas, ditadores e senhores da guerra”.

“Elas são ideais para assassinatos, desestabilização de nações, subjugação de populações e crimes seletivos de determinadas etnias”, alertam os cientistas, que propõem que a inteligência artificial seja usada para proteger seres humanos, especialmente civis, nos campos de batalha. “Começar uma carreira militar nas armas de inteligência artificial é uma má ideia”, advertem. Os cientistas comparam essa tecnologia com as bombas químicas ou biológicas.

“Não se trata de limitar a inteligência artificial, mas de introduzir limites éticos nos robôs, torná-los capazes de viver em sociedade e, sim, rejeitar claramente as armas autônomas sem controle humano”, explica Francesca Rossi, presidenta da conferência internacional e uma das signatárias do texto.

“Com a carta queremos tranquilizar as pessoas que a partir de fora deste mundo olham a inteligência artificial com uma preocupação às vezes exagerada. Nós também estamos interessados em limites éticos. Queremos reunir não apenas especialistas no assunto, mas filósofos e psicólogos para conseguir impor limites éticos aos robôs semelhantes aos dos seres humanos”, enfatiza.

O perigo de reprogramar

O argentino Guillermo Simari, da Universidade Nacional del Sur, organizador do congresso, compartilha da filosofia da carta. “As máquinas podem tomar decisões com as quais o ser humano não está de acordo. Os homens têm filtros éticos. É possível programar um filtro ético para a máquina, mas é muito fácil removê-lo”.

Simari acredita que o grande problema é a facilidade com que se pode reprogramar uma máquina. “Para fazer uma bomba atômica é preciso urânio enriquecido, que é muito difícil de conseguir. Para reprogramar uma máquina militar basta alguém com um computador digitando programas”.

No congresso também estão presentes aqueles que são contra a filosofia da carta. “Estão aqui os que acreditam que devemos continuar desenvolvendo a inteligência artificial e que ela pode ser controlada”, diz Ricardo Rodríguez, professor da Universidade de Buenos Aires e organizador do encontro. O debate entre os cientistas está vivo e agora passará para toda a sociedade.
Carlos E. Cuê/A.Rebossio

Guerra Fria emerge no Báltico

A Escandinávia parece estar vivendo um episódio tirado de um romance de John Le Carré ou um dos protagonizados por Kurt Wallander


Imagem de um objeto no mar próximo a Estocolmo / Reuters

A Escandinávia parece estar vivendo um episódio tirado de um romance de John Le Carré ou um dos protagonizados por Kurt Wallander. Há quatro dias, a Marinha sueca procura, nas profundezas do arquipélago de Estocolmo, um suposto submarino-espião soviético que foi, por falha russa, avistado no transcurso de uma missão secreta, apesar de não haver confirmação oficial sobre este incidente revelado pela imprensa sueca.

A trama inclui fotografias confusas de um “objeto fabricado pelo homem”, testemunhas anônimas, um tripulante vestido de preto, um deslocamento militar sem precedentes que inclui o abandono de várias ilhas, mensagens cifradas da base de Kaliningrado (sede da frota russa no Báltico), Moscou afirmando que o aparato é dos holandeses – que negam esta versão – , e mistério, muito mistério.

O episódio despertou os fantasmas da Guerra Fria, quando eram frequentes os avistamentos de submarinos da URSS nas costas suecas. O caso mais grave, que depois 33 anos ainda é lembrado por muitos, foi o do U137, um submarino nuclear soviético que ficou 11 dias encalhado em Karlskrona, no litoral sudeste da Suécia, o que originou um incidente diplomático que levou o então primeiro-ministro, Thorbjon Falldin, a ordenar que o Exército defendesse a fronteira enquanto a frota do Kremlin se aproximava do aparato, que teve que ser escoltado até águas internacionais.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A caçada ao submarino é o resultado de meses de tensões entre a Rússia e sua antiga esfera de influência no Mar Báltico, temerosa de ser o próximo alvo do Kremlin após a anexação da Crimeia, que pôs fim à arquitetura de segurança europeia consagrada na Ata de Helsinque. “Este tipo de incidente não afeta só a Suécia, mas também o resto da região”, declarou à Reuters Anna Wieslander, presidente do Instituto Sueco de Relações Internacionais. “Os recentes eventos territoriais suecos poderiam significar uma mudança de jogo na região do Mar Báltico”, escreveu o ministro das Relações Exteriores letão, Edgars Rinkevics, em sua conta no Twitter.

A Finlândia e a Suécia, que fazem parte da União Europeia desde 1994 e que agora querem se aproximar da Otan, sofreram interceptações de navios e violações de seu espaço aéreo. A mais grave foi no dia 17 de setembro, quando dois caças Su-Fencer 24sobrevoaram a ilha sueca de Osland. O então ministro das Relações Exteriores, Carl Bildt, apresentou uma queixa formal à Embaixada russa em Estocolmo, a primeira, segundo ele, em oito anos no cargo. A tensão se agrava porque essa é uma prova de fogo para o novo Governo do social-democrata Stefan Lofven.

Desde sua independência, em 1991, Estônia, Letônia e Lituânia olham apreensivamente para Moscou. E as tensões fronteiriças dispararam em 2014. No final de setembro, o Financial Timespublicou que a Letônia registrou 150 incidentes relacionados a aviões de guerra russos este ano; e que a Estônia sofreu cinco violações de seu espaço aéreo no mesmo período, contra apenas sete durante os oito anos anteriores.

Qualquer incidente adquire dimensões inesperadas. A Rússia capturou um navio lituano, no dia 18 de setembro, acusado de pescar caranguejos em suas águas ilegalmente. Dois antigos agentes da KGB foram detidos cruzando a Estônia pelo rio Narva em outubro; eles garantem que estavam pescando. Mas o principal incidente aconteceu no dia 5 de setembro, com a detenção de Eston Kohver, um agente de contraespionagem estoniano.

Ele foi capturado por russos nas remotas florestas entre os dois países e portava uma pistola e 5.000 euros (cerca de 15.700 reais). Tallinn afirma que o agente estava no lado estoniano da fronteira e que trabalhava em uma operação contra o contrabando de imigrantes e drogas; Moscou o acusa de ter cruzado para seu lado com fins obscuros. Kohver está na prisão moscovita de Lefortovo esperando um julgamento por espionagem que pode condená-lo a 20 anos de prisão. “Isto não tinha ocorrido em 50 ou 70 anos”, declarou Hanno Pevkur, ministro do Interior estoniano.

Há alguns meses, episódios dignos da atuação de detetives acontecem com frequência no Báltico. Na sexta-feira, a Polônia anunciou a captura de dois supostos espiões da Rússia. Um é funcionário do Ministério da Defesa polonês; o outro, um advogado de Varsóvia. Ambos terão prisão preventiva decretada por três meses.
Fonte: El Pais

Brasil – Da série “Acorda Brasil”

O neo-caudilho das Caraíbas, o coronel Hugo Chavez, entre arroubos e bravatas, vai, como costumam dizer os repóteres policiais, na “calada da noite”, armando a Venezuela. O populismo do Presidente Venezuelano não é suficiente para garantir a sua (dele) permanência eterna no poder. Para garantir o apoio das forças armadas, um bem articulado plano de rearmamento está sendo posto em execução.

O projeto, de médio e longo prazo, começou com a compra de 24 ultra-modernos caças Sukhoi, de fabricação Russa, formando uma esquadrilha que por si só, é mais poderosa que qualquer força aérea existente na América Latina. Brasil aí incluso, com seus “matusalêmicos” Mirages.

No mesmo pacote a Venezuela comprou oito (Su-30), 53 helicópteros, 5 mil rifles de precisão Dragunov, além de uma quantidade ainda não revelada de baterias antiaéreas que usam o míssil Tor-M1 e 100 mil fuzis Kalashnikov, todos de fabricação russa.

As publicações internacionais que versam sobre assuntos estratégicos e militares, informam que até 2010, Chavez quer ter contratos que garantam o fornecimento de outros 120 aviões de combate, 15 submarinos lançadores de mísseis, 138 navios, 25 radares tridimensionais e fábricas inteiras para produção de sistemas de defesa.

Nos planos do coronel está incluso alguma capacidade nuclear. Quando esteve em Moscou a cerca de 4 mêses, Chavez disse que é para gerar energia elétrica. Para tal incursão na área nuclear a Venezuela flerta com dois prováveis parceiros. Um é a Rússia, que já fornece a maioria das encomendas dos novos equipamentos de defesa da Venezuela. O outro provável “compañero bolivariano” é o Irã, de Mahmud Ahmadinejad, que ofereceu os préstimos da tecnologia atômica iraniana.