Ética, Senado, Sócrates e Aristóteles!

FilósofosOs brasileiros, somos conhecidos no mundo pelas habilidades futebolísticas, pela cadência malemolente do samba e outras “mis” diversas competências.

Agora, além de abençoada por Deus e bonita por natureza, passa a pátria amada, salve, salve, a incursionar nas ágoras, inovando métodos e redefinindo conceitos, graças aos doutos filósofos senatoriais.

Leio notícia em jornalão, que a “mesa diretora do Senado Federal rejeitou denúncia do PSOL ao Conselho de Ética do Senado, contra um senador – nome não declinado”.

Suas (deles) ex-celências argumentam, vejam só caras-pálidas, “que os fatos apontados ocorreram antes do exercício do mandato” do referido senador. Uáu!

Fica assim instituída no Brasil a ética com prazo de validade.
Ouviu Sócrates? Preste atenção Aristóteles!

Ps. Esclareço aos Senadores, a título de ilustração, que embora no início desse “post” tenha me referido ao futebol, o Sócrates aí acima citado não é o excepcional ex-meio campo da seleção Brasileira.


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Tópicos do dia – 03/08/2012

10:23:42
O Lula já está morto politicamente.

Espero que morra fisicamente para que as viúvas furibundas sem assunto, parem de “encher o saco” com a mania de não largarem do pé do inútil. P**! Vira e mexe tem alguém culpando o analfa até pelas varicoceles dos bodes do Cazaquistão. Não tem outro alvo não?

10:29:43
Aristóteles e eleições 2012 no Brasil.

O filósofo grego, contemplando o panorama eleitoral na taba dos Tupiniquins, consideraria que continuamos os brasileiros, na metafórica caverna de Platão, contemplando sombras, abstraídos da realidade.

10:39:26
Eleições 2012 e reciclagem

Falta uma lixeira, deveria ser a maior de todas, para os votos inconseqüentes, de compadrio, do ‘é meu chapa’, prometeu emprego pro meu irmão, e do que “votei nele por que é sobrinho do tio da afilhada do primo do cabo do destacamento de Xorroxó do Norte”

12:36:00
Mensalão: Roberto Gurgel, Procurador Geral da República, informa que não pedirá impedimento do ministro Dias Toffoli.

O procurador geral, e qualquer dos advogados de defesa são partes competentes para argüir o impedimento do ministro Toffoli, pelo fato do mesmo já haver sido advogado do PT.
Segundo o procurador geral, tal medida iria contribuir para atrasar o cronograma do julgamento estabelecido pelo STF.
Afirmou Gurgel: “Achei que não deveria o Ministério Público tomar uma iniciativa que iria provocar, necessariamente, a suspensão do julgamento e, talvez, até sua inviabilização”.


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Comissão da verdade em um governo cheio de mentirosos?

E não comunicou o novo endereço…

Desconfio até do nome. Comissão da Verdade?

Que coisa mais incompatível com um governo recheado de mentirosos públicos.

Desde quando, senhores, a verdade se tornou instrumento da política?

Talvez não exista nessa atividade algo tão seviciado e tão fracionado em metades e quartas partes.

Eleitoralmente, a mentira funciona muito melhor do que a verdade.

A ideia de formar uma comissão de sete pessoas (essa conta só pode ser ato falho) designadas por uma oitava diretamente interessada nos rumos do trabalho contraria elementares princípios metodológicos.

Ademais, se para escolher seus ministros, supostamente um colegiado sobre o qual incidem exigências superiores, a presidente andou na escuridão, quem lhe entregará uma boa lanterna para designar essa versão tupiniquim dos sete sábios da Grécia?[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Pois é. Mas o Congresso Nacional julgou tudo muito bem pensado e aprovou sem pestanejar, com os votos do governo e muitos – valha-nos Deus! – da oposição. De fato, a racionalidade foi embora e não comunicou o novo endereço.

Não estou dizendo que seja desnecessário ou inconveniente esclarecer a situação de mortos e desaparecidos. Há famílias interessadas em tais respostas e é justo buscá-las. Mas essa questão, profundamente humana, é apenas marginal nas motivações.

O que queriam mesmo, desde que se tornaram hegemônicos, era acabar com a anistia e levar a julgamento seus inimigos de então. Como o STF não deixou, criaram o próprio tribunal e, cautelosamente, reservaram a seus crimes solene indulgência plenária: “Nós fora! Lutávamos pela democracia!”.

Haverá quem acredite? Não só não eram democratas como escarneciam de quem fosse. Por outro lado, as lições de pensadores como Aristóteles, Tomás de Aquino e Francisco de Vitória sobre o direito de resistência à tirania em nada os socorrem. Faltava-lhes condição essencial de legitimidade, representada pela luta por uma causa nobre.

A causa deles, financiados e treinados pelo comunismo internacional, não tinha nobreza alguma. Mundo afora, produzia vítimas aos milhões. Era radicalmente totalitária.

O povo, por isso, jamais os apoiou. É preciso ter perdido o senso de realidade para afirmar diferente. Moviam-se pelo mesmo ódio que inspirava Che Guevara, guerrilheiro modelo, quando discorria sobre o “ódio como fator de luta” para transformar o militante em “fria máquina de matar”. O mesmo que ensinava Marighella, o venerado camarada, em seu manualzinho do guerrilheiro urbano.

A anistia, com seus efeitos jurídicos e políticos, seguiu um princípio ético e político superior – o princípio do perdão. E lhes franqueou o poder. Mas quem assume o ódio como categoria do seu ser político não consegue operar sem ele.

A comissão é filha desse sentimento. Longe de mim, que fique claro, proteger torturadores de direita ou guerrilheiros e terroristas de esquerda. Suas maldades os credenciam a cantos bem quentes do inferno. O objetivo dessa comissão, já bem verbalizado, é um acerto unilateral de contas.

Não reconheceriam a verdade nem se trombassem com ela, nua e crua, numa tarde ensolarada. Mas a definirão em reunião caseira, tomando chimarrão. Estabelecerão um tribunal de exceção. Arbitrariamente e à margem do ordenamento jurídico, submeterão pessoas a linchamento moral (pena de exposição pública, sem julgamento formal nem direito de defesa). O que fará o Poder Judiciário ante uma zorra dessas?

Para concluir. Merece pouco crédito o apreço por direitos humanos de quem, periodicamente, vai a Cuba soluçar nostalgias no cangote de Fidel Castro.

Aliás, se em vez de brasileiros fossem cubanos e criassem, por lá, uma comissão da verdade, iriam investigar sabem o quê? Os crimes de Fulgêncio Batista…
Percival Puggina/Tribuna da Imprensa