Meio Ambiente: Protejam as metrópoles dos carros

Em muitos países, o confinamento está sendo relaxado, e a população, voltando ao trabalho. Uma oportunidade única de mudar radicalmente as grandes cidades: em paraísos para ciclistas e pedestres.

Como muitas outras cidades atingidas pelo coronavírus, Londres se tornou um oásis de paz nas últimas semanas. Mal se vê um carro nas ruas principais, onde o trânsito geralmente é tão intenso que os cruzamentos ficam regularmente congestionados.

Mesmo no centro da cidade a primeira visão matinal pela janela é agradável: um céu realmente azul! Não aquele azul urbano nublado por smog, pela mistura de neblina e poluição como de costume, mas um azul de férias. Nem mesmo rastros de condensação das aeronaves encobrem a paisagem de cartão-postal.

Em vez de carros, veem-se agora ciclistas por todos os lados, inclusive muitos novatos que ainda trafegam um pouco inseguros e trêmulos pelas ruas. Eles agora se atrevem a sair para onde costumavam ter medo. Porque, embora existam ciclovias e essas também tenham sido ampliadas nos últimos anos, Londres ainda é uma cidade voltada principalmente para os motoristas.

Os ciclistas precisam estar constantemente alertas, são odiados por carros e, principalmente, por taxistas, sendo até atacados. Geralmente, as ciclovias são demarcadas apenas simbolicamente nas ruas ou terminam sem aviso: o ciclista é repentinamente jogado no meio do tráfego de uma via principal, porque o distrito vizinho não considera necessário continuar a demarcação.

Os pedestres também precisam temer por suas vidas em muitos lugares, mesmo vizinho às escolas de meus filhos, os semáforos são direcionados apenas para motoristas. Não há sinalização para a passagem de pedestres, de forma que as crianças precisam se apressar e atravessar o trânsito pelas brechas. Dificilmente um aluno vai à escola de bicicleta em Londres, especialmente sem os pais.

Agora, durante o confinamento, as crianças se movimentam mais, meus filhos adolescentes também estão se aventurando pela cidade por conta própria de bicicleta, desfrutando suas novas liberdades. Há longas filas em frente às lojas de bicicletas, que mal conseguem dar conta das encomendas. Quero que o final do bloqueio não seja o fim do boom desse meio de transporte. Pois o trânsito nas vias principais já está aumentando novamente.

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, prometeu agora fechar para carros algumas ruas principais e abrir mais vias para ciclistas e pedestres. Alguns distritos londrinos já entraram em ação, acalmando o tráfego com grandes jarros de flores, alargando as calçadas. No distrito financeiro, a chamada City, os carros quase não têm vez. Outras grandes cidades como Paris ou Milão têm projetos semelhantes. Eles precisam agora ser implementados rapidamente antes que cada vez pessoas retornem motorizadas ao trabalho, por medo de contrair o vírus em ônibus e trens.

A oportunidade é única. A crise mostrou que nossa sociedade pode mudar radicalmente, quase da noite para o dia, caso reconheça a necessidade para tal. O céu também está azul em Nova Délhi, as emissões de CO2 da Índia caíram pela primeira vez em 40 anos. O ar também está mais limpo em muitas cidades do Sudeste Asiático, como Cingapura, Jacarta e Bangcoc.

Já estamos vendo efeitos positivos: o Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (Crea) estima que, desde o início da crise de covid-19, seis mil crianças em toda a Europa não desenvolveram asma, que 1,9 mil pessoas não tiveram de ser atendidas nos serviços de emergência e que 600 bebês não chegaram prematuramente ao mundo.

A economia também sairá ganhando se a política agir agora com rapidez e no interesse do meio ambiente. Especialistas em todo o mundo exigem que os governos promovam principalmente projetos de responsabilidade ambiental para revitalizar a economia após a crise de coronavírus.

Um novo estudo da Universidade de Oxford concluiu que projetos ecológicos criam mais empregos e maiores retornos do que a promoção de tecnologias e produtos tradicionais. Isso também inclui a criação de uma nova infraestrutura mais verde de transporte.

Não há mais desculpas!

Covid-19, menu degustação da crise climática

O abismo no qual um coronavírus precipitou muitos países ilustra o custo humano da negligência em relação a um perigo já perfeitamente identificado.

Evocar o destino não pode esconder o óbvio: prevenir é melhor que remediar. Os adiamentos atuais na luta para mitigar o aquecimento global, porém, podem levar a fenômenos muito mais dramáticos. Em março de 2020, a crise da saúde relegou as notícias sobre o clima para longe das manchetes. No entanto, este mês será marcado como o décimo consecutivo com uma temperatura média acima do normal na França. “Uma série de dez meses ‘quentes’ consecutivos em escala nacional é sem precedentes”, observa a Météo France, cujos dados permitem voltar até 1900.

O inverno passado bateu todos os recordes, com temperaturas 2 °C acima do normal em dezembro e janeiro e 3 °C em fevereiro. Como forma de se tranquilizar, as pessoas preferiram lembrar a espetacular melhoria na transparência atmosférica. Vislumbres de esperança: o Himalaia tornou-se de novo visível no horizonte de cidades do norte da Índia, assim como o Mont Blanc nas planícies de Lyon.

Não há dúvida de que a interrupção de grande parte da produção levará a uma redução sem precedentes nas emissões de gases de efeito estufa. Mas podemos realmente acreditar que um declínio histórico vai começar? Ao revelar a vulnerabilidade de nossa civilização e as fragilidades associadas ao modelo de crescimento econômico globalizado, por causa da hiperespecialização e dos fluxos incessantes de pessoas, bens e capitais, a Covid-19 causará um eletrochoque salutar? A crise econômica e financeira de 2008 também gerou uma queda significativa nas emissões, mas em seguida elas rapidamente voltaram a subir, quebrando novos recordes…

Prenúncio de possíveis colapsos mais sérios, o atual naufrágio sanitário pode ser visto ao mesmo tempo como um modelo em escala e como uma experiência acelerada do caos climático que se aproxima. Antes de se tornar um problema de saúde, a multiplicação de vírus patogênicos remete também a uma questão ecológica: o efeito das atividades humanas na natureza.2 A exploração interminável de novas terras perturba o equilíbrio do mundo selvagem, enquanto a concentração de animais nas fazendas favorece as epidemias.

O vírus afetou primeiro os países mais desenvolvidos, porque sua velocidade de propagação permanece intimamente ligada às redes de comércio marítimas e sobretudo aéreas, cujo desenvolvimento constitui igualmente um dos vetores crescentes das emissões de gases de efeito estufa. A lógica do curto prazo, do just in time, e a extinção das precauções mostram a capacidade autodestrutiva aos seres humanos da primazia concedida ao ganho individual, à vantagem comparativa e à competição.

Ainda que certas populações ou regiões se mostrem mais vulneráveis que outras, a pandemia afeta gradualmente todo o planeta, assim como o aquecimento global não se limita aos países que emitem mais CO2. A cooperação internacional se torna então essencial: frear o vírus ou as emissões de gases do efeito estufa localmente será inútil se o vizinho não fizer o mesmo.

Difícil fingir ignorância diante do acúmulo de diagnósticos. A intensidade da pesquisa e do debate científico tornou a maioria das informações acessíveis, e a precisão destas está sendo constantemente refinada. No caso da Covid-19, vários especialistas alertam sobre ela há anos, em particular o professor Philippe Sansonetti, docente do Collège de France, que apresenta a emergência infecciosa como um grande desafio do século XXI.

Não faltaram alarmes claros: vírus da influenza como o H5N1 em 1997 e o H1N1 em 2009; coronavírus como o COV-1 em 2003, depois o Mers em 2012. Da mesma forma, o relatório Charney, enviado ao Senado dos Estados Unidos há quarenta anos, já alertava sobre as possíveis consequências climáticas do aumento da quantidade de gases de efeito estufa na atmosfera. As estruturas multilaterais de compartilhamento de conhecimento e ação conjunta existem há cerca de trinta anos, com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e, depois, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC). Finalmente, os cientistas não evitam esforços para informar os tomadores de decisão e as empresas sobre a ameaça de um aquecimento que se acelera.

Os cenários de crise também são conhecidos. Muito rapidamente após o aparecimento da Covid-19, vários pesquisadores e autoridades de saúde alertaram para o perigo de uma pandemia. A ironia da situação é que, em meados de abril de 2020, os países menos afetados são os vizinhos mais próximos da China: Taiwan, seis mortos; Cingapura, dez mortos; Hong Kong, quatro mortos; Macau, zero. Escaldados pelo episódio da Sars em 2003 e conscientes do risco da epidemia, eles imediatamente colocaram em prática as medidas necessárias para reduzi-la: controles sanitários nas entradas, testes em quantidade, isolamento de pacientes e quarentena para os potenciais contaminados, uso generalizado de máscara etc.Aquecimento Global,Ambiente,Meio Ambiente,BlogdoMesquita 01

Na Europa, os governos continuaram a administrar o que consideravam suas prioridades: reforma previdenciária na França, Brexit do outro lado do Canal da Mancha, crise política quase perpétua na Itália… Então, para as semanas que estavam por vir, eles prometeram ações ou meios que já deveriam ter aplicado meses antes! Esse descuido os levou a tomar medidas muito mais drásticas que aquelas que poderiam ter sido suficientes no devido tempo, não sem maiores consequências no plano econômico, social ou das liberdades públicas. Sempre deixando para amanhã o cumprimento de seus compromissos assumidos em 2015 no âmbito do Acordo de Paris sobre o clima – ou negando a assinatura dele por seu país, como fez o presidente norte-americano –, os Estados procuram ganhar tempo. Na verdade, eles o estão perdendo!

Cavando nossa dívida ambiental

A súbita aceleração experimentada pela propagação do vírus na Europa antes do confinamento deveria deixar uma impressão duradoura nas pessoas. Os sistemas naturais raramente evoluem de maneira linear em resposta a distúrbios significativos. Nesse tipo de situação, é preciso saber detectar e levar em consideração os primeiros sinais de desequilíbrio antes de se confrontar com acelerações incontroláveis que podem levar a pontos de não retorno. Quando cuidadores ou funcionários de casas de repouso, deixados sem proteção e sem rastreamento, tornam-se eles próprios portadores do vírus, isso cria focos de contaminação em ambientes altamente sensíveis, que podem levar ao colapso dos sistemas de saúde, o que impõe um confinamento generalizado.

Da mesma forma, em termos de mudança climática, efeitos de retardo e retroações positivas – efeitos de retorno que amplificam a causa de partida – aprofundam nossa dívida ambiental, como um tomador de empréstimo sem dinheiro cujos novas contratações para pagar uma dívida antiga seriam feitas a uma taxa cada vez mais alta. A diminuição da cobertura de neve e o derretimento das geleiras se traduzem no desaparecimento de superfícies que refletem naturalmente a radiação solar, criando condições para uma aceleração do aumento da temperatura nas regiões envolvidas, resultando em um derretimento ainda mais reforçado que alimenta ele próprio o aquecimento. Assim, o derretimento do permafrost do Ártico – que cobre uma área duas vezes maior que a Europa – poderia levar a emissões maciças de metano, um poderoso gás de efeito estufa que multiplicaria por dez o aquecimento global.

Parte crescente da população sente a urgência de agir, faz suas próprias máscaras, organiza ajuda para os idosos. Mas qual é o sentido de pedalar, fazer compostagem ou reduzir seu consumo de energia quando o uso de combustíveis fósseis ainda é amplamente subsidiado e sua extração alimenta o aparato de produção e os números do “crescimento”? Como sair do repetitivo fenômeno das crises amplificado pelo discurso político-midiático: negligência, agitação, terror e depois esquecimento?Aquecimento Global,Meio Ambiente,Poluição

Porque existem duas diferenças fundamentais entre a Covid-19 e as mudanças climáticas: uma diz respeito às possibilidades de regular o choque sofrido, e a outra, à nossa capacidade de se adaptar a ele. A autorregulação das epidemias por aquisição de imunidade coletiva não faz da Covid-19 uma ameaça existencial para a humanidade, que já superou a peste, o cólera ou a gripe espanhola em condições sanitárias mais difíceis.

Com uma taxa de mortalidade provavelmente situada em torno de 1% – bem inferior a outras infecções –, a população do planeta não está ameaçada de extinção. Além disso, e mesmo que tenham sido negligentes no início, os governos dispõem do conhecimento e das ferramentas apropriadas para vir em socorro dessa autorregulação natural e diminuir o choque.

Relativamente circunscrita, a crise da Covid-19 pode ser comparada em sua dinâmica aos incêndios que queimaram a floresta australiana em 2019. Há um começo e um fim, embora este último atualmente seja muito difícil de definir e um retorno sazonal da epidemia não esteja descartado. As medidas adotadas para se adaptar a ela são relativamente bem aceitas pela população, desde que sejam percebidas como temporárias.Seca,Queimadas,Ambiente,Meio Ambiente,BlogdoMesquita 03

Por outro lado, a inação em questões climáticas nos fará sair dos mecanismos de regulação sistêmicos, levando a danos graves e irreversíveis. Podemos esperar uma sucessão de choques variados, cada vez mais fortes e frequentes: ondas de calor, secas, inundações, ciclones, doenças emergentes. O gerenciamento de cada um desses choques se assemelhará ao de uma crise de saúde do tipo Covid-19, mas sua repetição nos fará entrar num universo no qual as tréguas se tornarão insuficientes para se recuperar. Imensas áreas com uma grande parte da população mundial se tornarão inviáveis para viver ou simplesmente não mais existirão, pois serão invadidas pela subida do nível das águas.

É todo o edifício de nossas sociedades que está ameaçado de colapso. O acúmulo de gases de efeito estufa em nossa atmosfera é ainda mais deletéria pelo fato de que o CO2, o mais difundido deles, só desaparecerá muito lentamente, com 40% permanecendo presente na atmosfera após cem anos e 20% após mil anos.

Cada dia perdido em reduzir nossa dependência de combustíveis fósseis torna ainda mais caras as ações a serem tomadas no dia seguinte. Cada decisão rejeitada como “difícil” hoje levará a decisões ainda mais “difíceis” amanhã, sem esperança de “cura” e sem outra escolha a não ser adaptar-se, seja qual for o caso, a um novo ambiente, cujo funcionamento teremos dificuldade para dominar.

Devemos afundar no desespero enquanto aguardamos o apocalipse? A crise da Covid-19 ensina, pelo contrário, a imperiosa utilidade da ação pública, mas também a necessária ruptura com a marcha anterior. Após uma aceleração tecnológica e financeira predatória, esse tempo suspenso se torna um momento de tomada de consciência coletiva e de questionamento de nosso modo de vida e de nossos sistemas de pensamento.

O vírus Sars-COV-2 e a molécula de CO2 são objetos nanométricos, invisíveis e inodoros para o comum dos mortais. No entanto, sua existência e seu efeito (patogênico em um caso; criador do efeito estufa no outro) são amplamente aceitos, tanto pelos tomadores de decisão como pelos cidadãos. Apesar da inconsistência do que os governos apregoam, o essencial da população rapidamente compreendeu as questões envolvidas e a necessidade de certas medidas de precaução. A ciência representa nos tempos atuais um guia precioso para a decisão, com a condição de não se tornar uma religião que foge das necessidades de demonstração e de contradição. E a racionalidade deve mais do que nunca levar à exclusão de interesses particulares.

Decrescimento de produtos insustentáveis

Todos os países dispõem de reservas estratégicas de petróleo, mas não de máscaras de proteção… A crise da saúde coloca em primeiro plano a prioridade que deve ser dada aos meios de subsistência: alimentação, saúde, moradia, meio ambiente, cultura. Ela também lembra a capacidade da maior parte das pessoas de entender o que acontece por vezes mais rapidamente que os tomadores de decisão. As primeiras máscaras caseiras apareceram assim, quando a porta-voz do governo francês, Sibeth Ndiaye, ainda considerava seu uso inútil…

Por outro lado, parecemos mais bem preparados para reagir a ameaças concretas imediatas que para construir estratégias que nos permitam fazer frente aos riscos mais distantes, com efeitos ainda pouco perceptíveis.5 Daí a importância de uma organização coletiva motivada apenas pelo interesse geral e de um planejamento que articule necessidades.

Muito mais que a Covid-19, o desafio climático leva a questionar nosso sistema socioeconômico. Como tornar aceitável uma evolução tão drástica, uma mudança ao mesmo tempo social e individual? Antes de tudo, não confundindo a atual – e deletéria – recessão com a redução benéfica de nossa produção insustentável: menos produtos exóticos, que desperdiçam muita energia, caminhões, carros, seguros; mais trens, bicicletas, camponeses, enfermeiras, pesquisadores etc. As consequências concretas desse decrescimento só se tornarão aceitáveis para o maior número de pessoas quando recolocarmos a justiça social entre as prioridades e promovermos a autonomia dos coletivos em todos os níveis.

Um teste muito concreto e rápido da capacidade dos governos de derrubar os dogmas de ontem estará em sua atitude em relação ao Tratado da Carta da Energia. Esse acordo, que entrou em vigor em 1998 e vem sendo renegociado desde novembro de 2017, criou um mercado internacional “livre” de energia que envolve 53 países. Com o objetivo de tranquilizar os investidores privados, ele lhes concede a possibilidade de processar em tribunais arbitrais com poderes exorbitantes qualquer Estado que possa tomar decisões contrárias à proteção de seus interesses, decidindo, por exemplo, sobre a interrupção do uso da energia nuclear (Alemanha), a moratória das perfurações no mar (Itália) e o fechamento de usinas a carvão (Holanda).

E não se priva de sancionar os Estados por suas atitudes ambientalmente responsáveis: no fim de março de 2020, pelo menos 129 casos desse tipo foram objeto de uma “resolução de controvérsias”,6 um recorde em matéria de tratados de livre-comércio. Resultado: condenações para os Estados em um total de mais de US$ 51 bilhões.7 Em dezembro passado, 280 sindicatos e associações pediram à União Europeia que se retirasse desse tratado, que consideram incompatível com a aplicação do Acordo de Paris sobre o clima.Fome,Economia,Capitalismo,A vida como não deveria ser,Pobreza,Crianças,Fotografias

Trata-se menos de um plano para reviver a economia de ontem, da qual os países industrializados precisarão ao sair da crise da saúde, do que um plano de transformação em direção a uma sociedade na qual todos possam viver com dignidade, sem colocar em perigo os ecossistemas. A amplitude do recurso indispensável ao dinheiro público – que ultrapassará tudo que um dia conhecemos – oferece uma oportunidade única de condicionar apoios e investimentos à sua compatibilidade com a mitigação da mudança climática e a adaptação a essa mudança.

Philippe Descamps é jornalista do Le Monde Diplomatique; Thierry Lebel é hidroclimatologista, diretor de pesquisa do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD) e do Instituto de Geociências Ambientais (IGE, Grenoble, França) e colaborador dos trabalhos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Carros elétricos – As baterias secretas da Tesla visam refazer a matemática dos carros elétricos e da rede

Os veículos Modelo 3 fabricados pela Tesla China são vistos durante um evento de entrega em sua fábrica em Xangai, na China, em 7 de janeiro de 2020. REUTERS / Aly Song / File Photo

A fabricante de carros elétricos Tesla planeja introduzir uma nova bateria de longa duração e de baixo custo em seu sedã Modelo 3 na China ainda este ano ou no início do ano que espera que trará o custo de veículos elétricos de acordo com os modelos a gasolina e permita que as baterias EV tenham segunda e terceira vidas na rede elétrica.

Durante meses, o presidente-executivo da Tesla, Elon Musk, vem provocando investidores e rivais, com promessas de revelar avanços significativos na tecnologia de baterias durante um “Dia da Bateria” no final de maio. Novas baterias de baixo custo projetadas para durar um milhão de quilômetros de uso e permitir que a Teslas elétrica seja vendida com lucro pelo mesmo preço ou menos do que um veículo a gasolina são apenas parte da agenda de Musk, disseram à Reuters pessoas familiarizadas com os planos.

Com uma frota global de mais de 1 milhão de veículos elétricos capazes de conectar e compartilhar energia com a rede, o objetivo da Tesla é alcançar o status de uma empresa de energia, competindo com fornecedores de energia tradicionais como a Pacific Gas & Electric (PCG_pa. A) e a Tokyo Electric Power (9501.T), disseram essas fontes.

A nova bateria de “milhão de milhas” no centro da estratégia da Tesla foi desenvolvida em conjunto com a Contemporary Amperex Technology Ltd da China (CATL) (300750.SZ) e implementa a tecnologia desenvolvida pela Tesla em colaboração com uma equipe de especialistas acadêmicos em baterias recrutados por Musk, três pessoas familiarizadas com o esforço disseram.

O plano da Tesla de lançar a nova bateria primeiro na China e sua estratégia mais ampla de reposicionar a empresa não foram relatadas anteriormente. Tesla se recusou a comentar.

As novas baterias da Tesla contarão com inovações como químicas com baixo teor de cobalto e sem cobalto e o uso de aditivos, materiais e revestimentos químicos que reduzirão o estresse interno e permitirão que as baterias armazenem mais energia por períodos mais longos, disseram fontes.

A Tesla também planeja implementar novos processos de fabricação de baterias altamente automatizados e de alta velocidade, projetados para reduzir os custos de mão-de-obra e aumentar a produção em “terafábricas” maciças, cerca de 30 vezes o tamanho da extensa “gigafactory” de Nevada – uma estratégia telegrafada no final de abril para analistas por Musk.

A Tesla está trabalhando na reciclagem e recuperação de metais caros como níquel, cobalto e lítio, por meio de sua afiliada Redwood Materials, bem como em novas aplicações de “segunda vida” de baterias de veículos elétricos em sistemas de armazenamento em grade, como o que a Tesla construiu no sul Austrália em 2017. A montadora também disse que quer fornecer eletricidade a consumidores e empresas, mas não forneceu detalhes.

A Reuters informou exclusivamente em fevereiro que Tesla estava em negociações avançadas para usar as baterias de fosfato de ferro e lítio da CATL, que não usam cobalto, o metal mais caro das baterias EV.

A CATL também desenvolveu uma maneira mais simples e mais barata de empacotar células da bateria, chamada célula-para-embalagem, que elimina o passo intermediário da agregação de células. Espera-se que a Tesla use a tecnologia para ajudar a reduzir o peso e o custo da bateria.

As fontes disseram que a CATL também planeja fornecer à Tesla na China no próximo ano uma bateria melhorada de longa vida de níquel-manganês-cobalto (NMC), cujo cátodo é de 50% de níquel e apenas 20% de cobalto.

A Tesla agora produz conjuntamente baterias de níquel-cobalto-alumínio (NCA) com a Panasonic (6752.T) em uma “fábrica de giga” em Nevada e compra baterias NMC da LG Chem (051910.KS) na China. A Panasonic se recusou a comentar.

Juntos, os avanços na tecnologia de baterias, a estratégia de expandir as maneiras pelas quais as baterias de veículos elétricos podem ser usados ​​e a automação da fabricação em grande escala, todos visam o mesmo objetivo: reformular a matemática financeira que até agora havia comprado um carro elétrico mais caro para a maioria dos consumidores do que ficar com veículos de combustão interna emissores de carbono.

“Precisamos realmente garantir uma rampa muito íngreme na produção de baterias e continuar melhorando o custo por quilowatt-hora das baterias – isso é muito fundamental e extremamente difícil”, disse Musk aos investidores em janeiro. “Temos que escalar a produção de baterias para níveis loucos que as pessoas nem conseguem entender hoje.”

A Tesla divulgou lucros operacionais por três trimestres consecutivos, impulsionando quase o dobro do preço de suas ações este ano. Ainda assim, os ambiciosos planos de expansão de Musk dependem do aumento das margens de lucro e do volume de vendas.

Vários dos avanços técnicos feitos pela Tesla e pelo CATL em

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Estudo alerta para significativa emissão de CO² em margens de rios e lagos secos

Para a manutenção da vida na Terra, apenas 0,03% de gás carbônico (CO2) na atmosfera terrestre é suficiente.

Mesmo apesar de todos esforços científicos e também educacionais, presenciamos todos os dias noticiários sobre o aumento do desmatamento, onde só piora mais ainda esse fator. Já se falam também em uma nova Pandemia mais devastadora do que a que nós estamos vivenciando. E a que se vivência atualmente é só um ensaio para a próxima! Onde iremos parar se não começarmos a pensar? Na destruição do Globo em massa! É lamentável depois de tudo isso nada ser mudado, avaliado, pensado…. É lamentável!

O seu excesso faz com que a temperatura global aumente provocando desequilíbrios – o aumento de 3,5 °C da temperatura do planeta é capaz de promover a extinção de 70% de todas as espécies, de acordo com uma projeção da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).Desmatamento,Amazônia,Ambiente,Blog do Mesquita 03

Um estudo, realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em parceria com o Helmholtz Centre for Environmental Research (UFZ) na Alemanha e o Catalan Institute for Water Research (ICRA) na Espanha, descobriu que as taxas de emissão de CO2 em áreas secas de ambientes aquáticos, como bordas de rios, lagos e reservatórios, que secam em períodos de estiagem, são significativas em escala global.

De acordo com o pesquisador do Programa de Pós-graduação em Biodiversidade da UFJF, Nathan Barros: “Nos modelos atuais, estes fluxos não são considerados e diziam que eram insignificantes. Nossa hipótese era que os fluxos não eram insignificantes”.

A razão disso é que os sedimentos expostos pela dessecação de ambientes aquáticos podem contribuir para elevar as taxas de emissões de CO2 para a atmosfera mais do que a superfície da água durante períodos inundados.

Os pesquisadores testaram essa hipótese realizando uma investigação em escala global para quantificar os fluxos de CO2 em 196 áreas secas de ambientes aquáticos de todos os continentes, com exceção da Antártica, em diferentes tipos de ecossistemas de águas interiores e zonas climáticas.

Os resultados sugerem que as áreas investigadas, consideradas “insignificantes”, emitem mais CO2 do que áreas de lagos e lagoas inundadas. Barros explica que é importante entender os fluxos dos gases de efeito estufa causadores das mudanças climáticas e o tamanho dessa emissão.

Aquecimento Global: Potenciais ataques fatais de calor e umidade em alta

Cientistas identificam milhares de eventos extremos, sugerindo alertas severos sobre aquecimento global já estão chegando.

O número de eventos potencialmente fatais de umidade e calor dobrou entre 1979 e 2017 e está aumentando em frequência e intensidade. Foto: Dave Hunt / AAP

Surtos intoleráveis ​​de umidade e calor extremos que podem ameaçar a sobrevivência humana estão aumentando em todo o mundo, sugerindo que os piores cenários de alerta sobre as consequências do aquecimento global já estão ocorrendo, revelou um novo estudo. Um bilhão de pessoas viverá em um calor insuportável dentro de 50 anos.

Os cientistas identificaram milhares de surtos não detectados anteriormente da combinação de clima mortal em partes da Ásia, África, Austrália, América do Sul e América do Norte, incluindo vários pontos quentes ao longo da costa do Golfo dos EUA.

A umidade é mais perigosa do que o calor seco, porque prejudica a transpiração – o sistema de refrigeração natural do corpo que salva vidas.

O número de eventos potencialmente fatais de umidade e calor dobrou entre 1979 e 2017 e está aumentando em frequência e intensidade, de acordo com o estudo publicado na Science Advances.

Nos EUA, a região costeira do sudeste do Texas ao Panhandle da Flórida experimentou condições extremas dezenas de vezes, com Nova Orleans e Biloxi, Mississippi, as mais atingidas.

Os incidentes mais extremos ocorreram ao longo do Golfo Pérsico, onde a combinação de calor e umidade ultrapassou o limite teórico de sobrevivência humana em 14 ocasiões. Doha, capital do Catar, onde a Copa do Mundo será realizada em 2022, estava entre os lugares para sofrer – ainda que brevemente – esses eventos climáticos potencialmente fatais.

As descobertas ameaçadoras são uma surpresa para os cientistas, pois estudos anteriores haviam projetado que eventos climáticos extremos ocorreriam no final do século, principalmente em partes dos trópicos e subtrópicos, onde a umidade já é um problema.

“Estudos anteriores projetaram que isso aconteceria daqui a várias décadas, mas isso mostra que está acontecendo agora”, disse o principal autor Colin Raymond, do Observatório da Terra da Universidade Columbia, de Lamont-Doherty. “Os últimos tempos desses eventos aumentarão e as áreas que afetam crescerão em correlação direta com o aquecimento global”.Aquecimento Global,Ambiente,Meio Ambiente,BlogdoMesquita 01

Os estudos anteriores contaram com o calor e a umidade médios registrados durante várias horas em grandes áreas, enquanto a equipe da Columbia analisou dados horários de 7.877 estações meteorológicas individuais, permitindo identificar incidentes curtos e localizados.

Em condições secas, o corpo transpira o excesso de calor pela pele, onde evapora. A umidade impede a evaporação e pode até detê-la completamente em condições extremas. Se o núcleo do corpo superaquecer, os órgãos podem rapidamente começar a falhar e levar à morte em poucas horas.

Os meteorologistas medem o efeito de calor / umidade na escala Centígrada chamada “bulbo úmido”, conhecida como “índice de calor” ou leituras Fahrenheit “reais” nos EUA.

Mesmo as pessoas mais fortes e bem adaptadas não podem realizar atividades comuns ao ar livre, como caminhar ou cavar uma vez que a lâmpada úmida atinge 32 ° C, embora a maioria tenha dificuldades antes disso. Em teoria, os seres humanos não podem sobreviver acima de 35 ° C na escala de bulbo úmido – o pico sofrido em pequenas áreas da Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos, segundo o estudo.

Surtos ligeiramente menos extremos, mas mais frequentes, foram detectados na Índia, Bangladesh e Paquistão, noroeste da Austrália e regiões costeiras ao longo do Mar Vermelho e no Golfo da Califórnia, no México.Ambiente,Meio ambiente,Ecologia,Mudanças Climáticas,Aquecimento Global,Água,Seca,Blog do Mesquita

“Podemos estar mais próximos de um ponto de inflexão real do que pensamos”, disse o co-autor Radley Horton.

O ar condicionado deve ajudar a mitigar o impacto de algumas pessoas em países ricos, como EUA e Catar, mas períodos mais longos em ambientes fechados podem ter conseqüências econômicas devastadoras, segundo Horton. O ar condicionado também não é uma opção para a maioria das pessoas nos países mais pobres de alto risco, onde a agricultura de subsistência continua sendo comum.

Kristina Dahl, climatologista da Union of Concerned Scientists nos EUA, disse que o novo artigo mostra “quão próximas as comunidades ao redor do mundo estão dos limites”.

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Estudo prevê que Um Bilhão de pessoas viverá em um calor insuportável dentro de 50 anos

O custo humano da crise climática será mais difícil e mais cedo do que se pensava anteriormente, revela pesquisa.

Um agricultor indiano atravessa o leito de uma lagoa que secou durante uma crise de água. Foto: Sanjay Kanojia / AFP via Getty Images

O custo humano da crise climática será mais difícil, mais amplo e mais cedo do que se pensava anteriormente, de acordo com um estudo que mostra que um bilhão de pessoas serão deslocadas ou forçadas a suportar calor insuportável a cada aumento adicional de 1C na temperatura global.

No pior cenário de aceleração de emissões, as áreas que atualmente abrigam um terço da população mundial serão tão quentes quanto as partes mais quentes do Saara em 50 anos, alerta o jornal. Mesmo na perspectiva mais otimista, 1,2 bilhão de pessoas ficará fora do confortável “nicho climático” em que os humanos prosperam por pelo menos 6.000 anos.

Os autores do estudo disseram que ficaram “chocados” e “impressionados” com os resultados, porque não esperavam que nossa espécie fosse tão vulnerável.

“Os números são espantosos. Eu literalmente dei uma olhada dupla quando os vi pela primeira vez ”, disse Tim Lenton, da Exeter University. “Eu já estudei pontos críticos do clima, que geralmente são considerados apocalípticos. Mas isso chegou em casa com mais força. Isso coloca a ameaça em termos muito humanos.”

Em vez de considerar a mudança climática como um problema de física ou economia, o artigo, publicado no Proceedings da Academia Nacional de Ciências, examina como ela afeta o habitat humano.

A grande maioria da humanidade sempre viveu em regiões onde as temperaturas médias anuais estão entre 6 ° C e 43 ° C, o que é ideal para a saúde humana e a produção de alimentos. Mas esse ponto ideal está mudando e diminuindo como resultado do aquecimento global causado pelo homem, o que coloca mais pessoas no que os autores descrevem como extremos “quase imperdoáveis”.Ambiente,Meio ambiente,Ecologia,Mudanças Climáticas,Aquecimento Global,Água,Seca,Blog do Mesquita

A humanidade é particularmente sensível porque estamos concentrados na terra – que está aquecendo mais rápido que os oceanos – e porque o maior crescimento futuro da população estará nas regiões já quentes da África e da Ásia. Como resultado desses fatores demográficos, o ser humano médio experimentará um aumento de temperatura de 7,5 ° C quando a temperatura global atingir 3 ° C, prevista para o final deste século.

Nesse nível, cerca de 30% da população do mundo viveria em calor extremo – definido como uma temperatura média de 29 ° C (84 ° F). Essas condições são extremamente raras fora das partes mais devastadas do Saara, mas com o aquecimento global de 3C, elas devem envolver 1,2 bilhão de pessoas na Índia, 485 milhões na Nigéria e mais de 100 milhões no Paquistão, Indonésia e Sudão.

Isso aumentaria enormemente as pressões migratórias e colocaria desafios aos sistemas de produção de alimentos.

“Acho justo dizer que as temperaturas médias acima de 29 ° C são inabitáveis. Você teria que se mudar ou se adaptar. Mas há limites para a adaptação. Se você tiver dinheiro e energia suficientes, poderá usar o ar-condicionado e voar com os alimentos e poderá ficar bem. Mas esse não é o caso da maioria das pessoas ”, disse um dos principais autores do estudo, Prof Marten Scheffer, da Universidade de Wageningen.

Ecologista em treinamento, Scheffer disse que o estudo começou como um experimento mental. Ele já estudara a distribuição climática de florestas tropicais e savanas e imaginou qual seria o resultado se aplicasse a mesma metodologia aos seres humanos.

“Sabemos que os habitats da maioria das criaturas são limitados pela temperatura. Por exemplo, os pingüins são encontrados apenas em água fria e os corais somente em água morna. Mas não esperávamos que os humanos fossem tão sensíveis. Nós nos consideramos muito adaptáveis ​​porque usamos roupas, aquecimento e ar condicionado. Mas, de fato, a grande maioria das pessoas vive – e sempre viveu – dentro de um nicho climático que agora está se movendo como nunca antes.”

Ficamos impressionados com a magnitude ”, ele disse. “Haverá mais mudanças nos próximos 50 anos do que nos últimos 6.000.”

Os autores disseram que suas descobertas devem estimular os formuladores de políticas a acelerar cortes de emissões e trabalhar em conjunto para lidar com a migração, porque cada grau de aquecimento que pode ser evitado salvará um bilhão de pessoas de sair do nicho climático da humanidade.

“Claramente precisaremos de uma abordagem global para proteger nossos filhos contra as tensões sociais potencialmente enormes que a mudança projetada poderia invocar”, disse outro dos autores, Xu Chi, da Universidade de Nanjing.

Desmatamento na Amazônia atinge nível recorde no primeiro trimestre de 2020

O primeiro trimestre de cada ano costuma ser o que apresenta os níveis mais baixos de desmatamento na Amazônia, devido às chuvas fortes que marcam o inverno amazônico e dificultam a propagação de incêndios e a própria operação de desmate.

Este ano, entretanto, nem a chuva impediu que o desmatamento na Amazônia Legal entre janeiro e março alcançasse a marca recorde para o período de 796,08 km², de acordo com os alertas do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Os 796 km² desmatados no trimestre, o equivalente a quase 80 mil campos de futebol oficiais, representam um aumento de 51% em relação aos três primeiros meses de 2019 e um recorde para o período desde que o Deter adotou a metodologia atual, há 5 anos. “O mais preocupante é que no acumulado de agosto de 2019 até março de 2020, o nível do desmatamento mais do que dobrou. Isso é o mais preocupante”, ressalta o coordenador-geral do Projeto de Mapeamento Anual da Cobertura e Uso do Solo no Brasil (MapBiomas), Tasso Azevedo.

Entre agosto de 2019 e março de 2020, período referência para o cálculo da taxa anual de desmatamento, o acumulado foi de 5.260,18 km² de área desmatada. No período anterior do ano anterior, entre agosto de 2018 a março de 2019, o acumulado foi de 2.525,5 km².

“Esse aumento no primeiro trimestre tem muito a ver com o ritmo que o desmatamento vinha já desde o ano passado por conta de todas as políticas que afrouxaram a fiscalização, das restrições que houve às operações de fiscalização, da redução do número de multas e tudo mais. O que estamos vendo é um reflexo disso”, analisa o coordenador.

Os estados que lideraram o desmatamento no primeiro trimestre de 2020 foram o Mato Grosso, com 267,07 km² desmatados, e o Pará, com 257,24 km². No Pará também está o município que mais desmatou no trimestre, Altamira, onde foram detectados quase 90 km² de perda de cobertura florestal. Amazonas, Roraima e Rondônia completam o pódio dos 5 estados que mais derrubaram florestas entre 1 de janeiro e 31 de março de 2020.

No ranking das áreas protegidas da Amazônia brasileira com maiores índices de desmatamento em primeiro está a Floresta Nacional do Jamanxim (5,43km²), seguida pela Área de Proteção Ambiental do Tapajós (5,11km²), ambas unidades de conservação localizadas no Pará e, em terceiro, a Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre (3,53km²).

O coordenador do MapBiomas esclarece que os dados levantados pelo DETER mostram o quanto de desmatamento foi detectado nesses meses e não o que efetivamente foi desmatado no período. “Um desmatamento pode ter começado em outubro e terminado em fevereiro, mas o DETER só conseguir detectá-lo em março”.

Ilhas de calor urbano não são um acidente

Um novo estudo vincula a política racista de habitação à exposição desigual ao calor extremo.

Robert Bullard estuda justiça ambiental desde a década de 1970. De fato, ele inventou. O “pai da justiça ambiental” inaugurou o campo com seu livro de 1990, Dumping in Dixie. E a mensagem dele é simples: “Eles são todos do mesmo mapa”.

Os mapas, é claro, mostram a distribuição geográfica da raça, copa das árvores e indicadores de saúde nas cidades dos EUA. Muitas pesquisas nas últimas quatro décadas revelaram que os riscos ambientais e a falta de acesso ao espaço verde afetam principalmente as comunidades de cor de baixa renda. À medida que as mudanças climáticas tornam as cidades mais quentes, os bairros de baixa renda podem ficar até 13 ° F mais quentes do que seus colegas mais ricos e brancos, com consequências mortais, de acordo com um estudo recente da revista Climate.

O artigo é o primeiro a vincular explicitamente uma política governamental racista à exposição desigual ao calor extremo. Noventa e quatro por cento das cidades incluídas no estudo exibiram temperaturas mais altas da superfície terrestre em áreas anteriormente “redline” em comparação com áreas não redline e com a média da cidade.

Redlining era uma política federal de habitação na década de 1930 que desviou fundos de bairros de baixa renda e atraía grandes projetos de infraestrutura, como estradas e aterros sanitários, para essas mesmas áreas. A Corporação de Empregados Domésticos (HOLC) refinanciava as hipotecas e distribuía empréstimos de acordo com mapas codificados por cores de 239 cidades que classificavam os bairros entre A e D. Os bairros com pontuação A eram os “melhores”, B eram “ainda desejáveis”, C eram ” definitivamente em declínio “e D eram” perigosos “. A política induziu o desinvestimento sistêmico em áreas consideradas “em declínio” e “perigosas”.

Redlining foi proibido no Fair Housing Act de 1968, mas seu legado permanece escrito na paisagem. “Seus tentáculos estão por toda parte”, diz Cate Mingoya, diretora de capacitação da Groundwork USA, que educa e mobiliza as comunidades sobre a resiliência climática.

O estudo Climate realizou uma análise GIS de 108 áreas urbanas usando mapas HOLC digitalizados e dados de temperatura da superfície terrestre do US Geological Survey. Ele descobriu que Portland, Oregon e Denver, Colorado, tinham as maiores diferenças de temperatura entre os bairros classificados como A e D, enquanto os bairros anteriormente redline em Chattanooga, Tennessee e Baltimore, Maryland, eram os mais quentes em relação à média da cidade. Em todo o país, os bairros com classificação D eram, em média, 2,6 ° C mais quentes que os bairros com classificação A.

As ondas de calor exacerbadas pelas mudanças climáticas abafam essas ilhas de calor urbanas, matando mais pessoas a cada ano do que qualquer outro desastre natural. Muitas mortes ocorrem à noite, uma vez que o corpo não pode termorregular durante o sono REM. As pessoas simplesmente não acordam.

A investigação revela tendências em escala macro. Vivek Shandas, professor de estudos e planejamento urbanos da Universidade Estadual de Portland e um dos co-autores do estudo, está liderando um esforço de ciência cidadã em mais de uma dúzia de cidades para explicar diferenças de temperatura e uso de terra mais específicas, bloco a bloco. Jeremy Hoffman, cientista-chefe do Museu de Ciência da Virgínia e outro co-autor, diz que está ansioso pelos resultados dessa abordagem mais granular, pois pode apontar soluções específicas para a comunidade. “Se queremos entender coisas relacionadas aos impactos das ondas de calor na saúde, como a qualidade do ar nessas áreas, precisamos. . . descrições mais detalhadas do uso da terra nessas áreas ”, diz ele.

O resfriamento de ilhas de calor urbano pode ser um desafio. Para alívio imediato, algumas cidades abrem centros de refrigeração em igrejas ou prédios municipais. Mas Shandas diz que os centros de refrigeração coletam muitas informações pessoais dos visitantes, o que impede algumas pessoas que têm medo de repercussões na imigração. Além disso, jogar mais ar condicionado no calor consome apenas mais energia, o que exacerba o problema climático que o tornou tão quente em primeiro lugar.

A médio prazo, existem muitas maneiras de tornar os bairros mais resilientes ao calor. Especialistas dizem que as soluções devem ser personalizadas por cidade. O plantio de árvores, telhados verdes e a redução da abundância de superfícies impermeáveis, como estradas, são algumas das estratégias mais conhecidas. Além disso, os arranha-céus podem criar “desfiladeiros urbanos” que proporcionam sombra, e a variação das alturas dos edifícios pode permitir que o ar se mova pela cidade. Mas Shandas fica frustrado quando as pessoas dizem: “Oh, apenas plante uma árvore”. Ele está procurando estratégias mais robustas que reflitam as visões de longo prazo dos cidadãos para suas comunidades.

O mesmo acontece com Mingoya, da Groundwork USA, cuja parceria de bairros seguros para o clima envolve comunidades em cinco cidades em um processo de aproximadamente três etapas. A primeira é a educação, para ajudar os moradores a entender que seus bairros não parecem assim por acidente. Os jovens locais de Richmond, Virgínia, vão de porta em porta com mapas da cidade impressos em papel transparente: um mapa de linhas redondas, um mapa de calor, um mapa de copa de árvores e um mapa impermeável da calçada. Eles convidam os residentes a sobrepor as transparências.

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Jeff Bezos, da Amazon, promete US $ 10 bilhões para combater as mudanças climáticas

Embora a iniciativa do Bezos Earth Fund tenha sido aplaudida por muitos, críticos questionaram o apoio da Amazon aos negócios de petróleo e gás. Ele está seguindo um caminho semelhante a outros magnatas como Bill Gates e Warren Buffett.

O CEO da Amazon, Jeff Bezos, comprometeu na segunda-feira US $ 10 bilhões de sua fortuna para criar um fundo destinado a enfrentar a crise climática, semanas depois que centenas de seus funcionários assinaram um blog exigindo que o gigante do varejo online tomasse medidas drásticas para reduzir sua pegada de carbono.

O fundo, chamado Bezos Earth Fund, começará a emitir doações para cientistas e ativistas neste verão, anunciou o homem mais rico do mundo em um post no Instagram.

“A mudança climática é a maior ameaça ao nosso planeta. Quero trabalhar ao lado de outras pessoas para ampliar maneiras conhecidas e explorar novas maneiras de combater o impacto devastador da mudança climática neste planeta que todos compartilhamos”, disse Bezos, cujo patrimônio líquido é estimado em US $ 130 bilhões.

“Esta iniciativa global financiará cientistas, ativistas, ONGs – qualquer esforço que ofereça uma possibilidade real de ajudar a preservar e proteger o mundo natural. Nós podemos salvar a Terra. Ela tomará ações coletivas de grandes empresas, pequenas empresas, estados nacionais, globais. organizações e indivíduos “, afirmou.

A doação pessoal de Bezos segue o “Compromisso Climático” da Amazon no ano passado, que visa tornar a empresa neutra em carbono até 2040. Como parte do compromisso, ele disse que a Amazon cumprirá as metas do Acordo de Paris no mesmo ano, dez anos antes de programação – também prometendo comprar 100.000 vans de entrega elétrica.

A tarefa de reduzir sua pegada de carbono será desafiadora para a maior empresa de comércio eletrônico do mundo, que entrega 10 bilhões de itens por ano. O enorme consumo de energia dos farms de servidores usados pelos negócios de computação em nuvem da Amazon aumenta ainda mais suas emissões de efeito estufa.

Um grupo de defesa, Funcionários da Amazon para Justiça Climática, disse que aplaudiu a iniciativa de Bezos, mas acrescentou que “uma mão não pode dar o que a outra está tirando“. O grupo também questionou o apoio da empresa aos negócios de petróleo e gás.

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Entrevista: Christiana Figueres sobre a emergência climática: “Esta é a década e nós somos a geração”

A líder do acordo de Paris de 2015 fala sobre seu novo livro, “O futuro que escolhemos”, e por que é hora da crise da humanidade.

Christiana Figueres. Foto: © Jimena Mateo

Christiana Figueres é fundadora do grupo Global Optimism e foi chefe da convenção da ONU sobre mudanças climáticas quando o acordo de Paris foi alcançado em 2015.

Seu novo livro se chama “O futuro que escolhemos”.

Mas não é tarde demais para parar a crise climática?
Definitivamente, estamos atrasados. Adiamos terrivelmente por décadas. Mas a ciência nos diz que ainda estamos na hora certa.

Você diz que esta década é a mais importante da história humana …
Esta é a década em que, ao contrário de tudo que a humanidade já experimentou antes, temos tudo ao nosso alcance. Temos o capital, a tecnologia, as políticas. E temos o conhecimento científico para entender que temos que metade das nossas emissões até 2030.

Então, estamos diante da bifurcação mais importante da estrada. Se continuarmos como agora, seguiremos irreparavelmente um curso de destruição constante, com muita dor humana e perda de biodiversidade. Ou podemos optar por seguir na outra direção, um caminho de reconstrução e regeneração e, pelo menos, diminuir os impactos negativos das mudanças climáticas para algo que seja administrável.

Mas só podemos escolher essa década. Nossos pais não tiveram essa escolha, porque não tinham capital, tecnologias e entendimento. E para os nossos filhos, será tarde demais. Então esta é a década e nós somos a geração.Poluição,Meio Ambiente,Blog do Mesquita 01

Apenas 11 páginas, aproximadamente, do livro descrevem as terríveis conseqüências das mudanças climáticas não controladas, enquanto o restante fala sobre a possibilidade de um mundo muito melhor. Por quê?

É importante que todos enfrentem as consequências negativas para as quais estamos sonambulando, e é por isso que essas 11 páginas estão lá. Mas igualmente importante é despertar a imaginação e a criatividade que advém da compreensão de que temos essa agência incrível para criar algo completamente diferente.

Queríamos oferecer os dois universos àqueles que, compreensivelmente, estão paralisados ​​pelo desespero e pela tristeza pela perda que já está ocorrendo, bem como aqueles que estão paralisados ​​pelo seu conforto e falta de compreensão do momento em que estamos.Aquecimento Global,Ambiente,Meio Ambiente,BlogdoMesquita 01

Muito do livro é sobre a necessidade de uma mudança na consciência das pessoas. Isso não é grandioso ou, por outro lado, vago demais para fazer a diferença no mundo real?

Tudo o que consideramos possível e quaisquer valores e princípios pelos quais vivemos determinam as ações que tomamos. Tudo o que consideramos próximo e querido para nós é o que estamos dispostos a trabalhar. E assim, mudar da desgraça e da tristeza para uma atitude positiva, otimista e construtiva é muito importante, porque é o que nos levanta de manhã e diz: “Sim, podemos fazer isso, vamos trabalhar juntos nisso”, em vez de puxar o cobertor sobre a cabeça e dizer “é muito difícil”. Portanto, essa mudança de atitude dentro de nós mesmos é crítica.

Também precisamos entender que não podemos mais viver em um mundo baseado em extração e resíduos ilimitados. Antes, temos que mudar nossa consciência para uma de regeneração.

Como a consciência das pessoas pode mudar dessa maneira?

A primeira coisa que precisamos entender é a consequência de não mudar nossas atitudes. Existem consequências existenciais muito graves. Espero que possamos tomar uma decisão séria e madura se queremos escolher algo diferente.

Uma das 10 ações recomendadas no livro é ser cidadão e não consumidor. Você pode explicar isso e por que é importante?

O próprio conceito de ser consumidor já nos aponta na direção de consumir irresponsável. Temos que ser capazes de, em algum momento, particularmente nos países desenvolvidos, chegar ao ponto em que dizemos “basta”. Antes de fazer uma compra, um investimento ou qualquer tipo de decisão que tenha impacto no planeta e em outras pessoas, a pergunta deve ser: “Eu realmente preciso disso e isso é realmente propício para melhorar a qualidade de vida neste planeta?

Outra das ações que você escolheu é a construção da igualdade de gênero. Por quê?

Educar as jovens e capacitar as mulheres para comparecerem às mesas de tomada de decisão é a coisa mais forte que podemos fazer pelo clima. Quando há mais mulheres nas salas de reuniões e posições de alto nível nas instituições, você obtém decisões mais sábias e de longo prazo.

Claro que existem muitos homens que também fazem isso. Mas há uma tendência para as mulheres serem mais colaborativas, que é a base do que precisamos fazer, e elas tendem a pensar muito mais a longo prazo. [As mulheres] têm o primeiro dever de cuidar de nossos filhos recém-nascidos e, portanto, biologicamente, estamos voltados para essa mordomia. Mas é simplesmente estúpido, francamente, não usar 50% do potencial humano. Estamos em uma situação de emergência que precisamos implantar 100% do nosso potencial.África,Seca,Água,Mudanças Climáticas,Aquecimento Global,Clima,Blog do Mesquita