Conto da Aia,Literatura,Orwell,Conservadorismo

Onda conservadora estimula a venda de romances sobre sociedades opressivas

Frases de George Orwell estampam camisas, enquanto ‘O conto da aia’
inspira protestos nos Estados UnidosConto da Aia,Literatura,Orwell,Conservadorismo

Manifestante se veste como a protagonista de ‘O conto da aia’ em protesto contra assédio sexual realizado em Washington, nos Estados Unidos (foto: Jim Watson/AFP)

A literatura distópica passa por novo boom. Surpreendentemente, os livros que vêm figurando entre os mais vendidos no Brasil são obras clássicas, com até oito décadas de publicação: Admirável mundo novo, de Aldous Huxley (1932), A revolução dos bichos (1945) e 1984 (1949), de George Orwell, Fahrenheit 451 (1953), de Ray Bradbury, e O conto da aia, de Margaret Atwood (1985).

Todas as narrativas têm em comum a crítica a estados autoritários. “Desde a ascensão do Trump e da nova direita no mundo, os romances de Orwell passaram a ser lidos novamente”, atesta Otávio Marques da Costa, publisher da Cia. das Letras, editora responsável pela obra do autor britânico no país.

A máxima “Make Orwell fiction again” (Faça Orwell ser ficção novamente) – adaptação do slogan de Donald Trump “Make America great again” (Faça a América grande novamente) – popularizou-se de tal forma que pode ser encontrada em camisetas, bonés, canecas e bolsas.Distopia,Orweel,Margaret Westwood,Blog do Mesquita

Em janeiro de 2017, na época da posse de Trump, a referência a 1984 por parte de uma assessora do presidente americano fez disparar as vendas do título nos EUA. O livro chegou ao primeiro lugar na gigante Amazon, e a editora Penguim mandou imprimir, às pressas, 75 mil exemplares.

“Naquele momento, houve um impacto quase imediato aqui, com aumento de 15% a 20% das vendas. Agora, com o novo contexto político brasileiro, notamos a segunda onda de interesse por Orwell”, acrescenta Marques da Costa.

O publisher destaca também que a edição ilustrada de A revolução dos bichos, assinada pelo gaúcho Odyr e lançada recentemente pela editora, catapultou parte das vendas do título. “Os responsáveis pelo espólio de Orwell gostaram tanto que ela vai virar a versão oficial em quadrinhos do livro. Deve ser lançada em meados do ano que vem nos EUA, com grande tiragem”, antecipa Marques da Costa.

Clássicos da distopia sempre tiveram boas vendas no Brasil, com momentos de pico. De acordo com ele, houve gente fazendo a ligação de Fahrenheit 451 com a campanha brasileira. “Já Admirável mundo novo, na minha opinião, tem relação zero com a eleição. Mas é um título que sempre vendeu muito bem, sobretudo por ser adotado nas escolas”, comenta Mauro Palermo, diretor da Globo Livros, que edita os dois títulos pelo selo Biblioteca Azul.

De acordo com ele, as polêmicas são sempre positivas. “Lembro-me de quando Caçadas de Pedrinho (1933), de Monteiro Lobato, foi acusado de racismo (em 2014, em imbróglio que chegou até o Superior Tribunal Federal. O livro passou a vender muito mais”, comenta Palermo.

O conto da aia, que em novembro alcançou o topo da lista dos livros de não-ficção mais vendidos no país, é um caso diferente. A adaptação do romance de Margaret Atwood para a série homônima, produzida nos EUA pela plataforma de streaming Hulu e exibida por aqui pelo Paramount Channel, virou febre mundial. A segunda temporada foi encerrada no último domingo pelo canal pago.

Vale dizer, no entanto, que ainda durante a campanha de Trump, em 2016, esse romance voltou a ser lido nos EUA. Quando a série foi lançada, em 2017, o interesse se multiplicou. Desde então, protestos pelos direitos das mulheres têm levado manifestantes, mundo afora, a se vestir com a roupa vermelha da protagonista do livro e do seriado.

Na quarta-feira, Atwood anunciou a publicação, em setembro de 2019, de The testaments, sequência de O conto da aia. Isso deve manter o interesse pelo romance por um bom tempo – a terceira temporada da série estreia nos EUA no primeiro semestre.Distopia,Orweel,Margaret Westwood,Blog do Mesquita 01

A Rocco publica O conto da aia desde 2006. Ano passado, o romance ganhou outra edição, com nova capa. Ele se tornou fenômeno de vendas a partir da série. O sucesso do título, lançado em 1985, trouxe mais visibilidade à obra de autora canadense, em especial a outros romances distópicos dela, como Oryx e Crake (2003) e O ano do dilúvio (2009). No primeiro semestre de 2019, a Rocco publica Maddadão (2013), livro que encerra essa trilogia.
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A livreira Simone Pessoa, que trabalha na Ouvidor, em BH, afirma que todos os títulos citados nesta reportagem sempre venderam bem. “Mas não com o ímpeto de agora. Avós, tias, pessoas mais velhas, têm vindo comprar livros para adolescentes de 13, 14 anos. Assim que A revolução dos bichos em quadrinhos foi lançado, virou uma pequena febre aqui na loja”, comenta.

Só agora Manoel Neto, professor do Departamento de Ciências Sociais da PUC Minas, está lendo A revolução dos bichos – “que é mais uma crítica ao stalinismo, aos autoritarismos de esquerda”. De acordo com ele, boa parte desses títulos geralmente atrai os jovens. “Li 1984 no primeiro ano do ensino médio. Na época, aquilo pareceu muito distante da realidade, pois estávamos no processo de redemocratização do Brasil. Os jovens de agora podem lê-lo para tentar entender o que está acontecendo tanto no país quanto no mundo.”

De acordo com o professor, o mais interessante é que títulos assim levam a pensar “numa terceira alternativa, para tentar superar a polarização atual.”

A historiadora Heloísa Starling recomenda aos jovens procurar tais livros. “Estamos tão habituados com a democracia, pois são 30 anos da experiência democrática no Brasil, que boa parte da meninada acha que ela é algo natural. A literatura distópica nos mostra o que ocorre quando se perde a democracia”, conclui.

“1984”, de Orwell, lidera lista de mais vendidos nos EUA

Vendas do livro disparam no site da Amazon após Trump e sua equipe contestarem relatos da imprensa e oferecerem “fatos alternativos”. 

Escritor George OrwellHistória escrita por Orwell se passa numa sociedade onde fatos são constantemente distorcidos, num regime totalitário de constante vigilância e manipulação.

O romance de George Orwell 1984 voltou às listas de livros mais vendidos nos Estados Unidos nesta terça-feira (24/01), após uma série de declarações incorretas ou imprecisas terem sido feitas pelo presidente Donald Trump e membros de sua administração.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Publicado pela primeira vez em 1949, o clássico de Orwell é um conto distópico que tem lugar numa sociedade onde os fatos são distorcidos e suprimidos numa nuvem de “novilíngua”. O livro chegou ao topo da lista de mais vendidos da Amazon nesta terça-feira.

defaultCapa de uma edição em inglês

Paralelos com o livro foram feitos após Trump alegar que milhões de votos ilegais foram contados contra ele na eleição presidencial.

A conexão foi reforçada neste domingo, quando Kellyanne Conway, uma assessora do presidente, falou de “fatos alternativos” para se referir às declarações do porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, de que a posse de Trump teve o maior público da história.

A declaração provocou enorme controvérsia nas redes sociais, envolvendo até mesmo o dicionário Merriam-Webster, que, após um aumento repentino da pesquisa pelo significado da palavra “fato”, ressaltou que um fato é uma informação baseada na realidade objetiva.

A demanda pelo livro é tão grande que a editora Penguin programou uma impressão adicional de 75 mil cópias. A revista The Hollywood Reporter também noticiou que um filme está sendo preparado pela Sony e o diretor Paul Greengrass, o que seria a terceira adaptação do livro.

Mas 1984 não é o único livro escrito há décadas a invadir as listas dos mais vendidos esta semana devido a eventos políticos.

O romance escrito por Sinclair Lewis em 1935 It Can’t Happen Here (Isso não pode acontecer aqui) sobre a eleição de um presidente autoritário nos Estados Unidos, está no lugar 46 da lista dos mais vendidos desde 25 de janeiro.

O romance distópico de Aldous Huxley Admirável mundo novo, publicado em 1932, ocupa a posição 71, enquanto a obra de não-ficção de Hannah Arendt Origens do totalitarismo tem apresentado um aumento nas vendas.
Fontes:MD/ap/afp

A atualidade chocante de ‘Admirável Mundo Novo’

Oito décadas depois, romance de Huxley ganha nova atualidade, ao alertar que sociedades de controle podem apoiar-se, além da repressão, na tecnologia e culto do “progresso”

Admirável Mundo Novo,Aldous Huxley,Blog do Mesquita

Breve, terão se completado 75 anos da primeira edição brasileira (1941) de Admirável Mundo Novo1, grande romance perturbador lançado em 1932, na Inglaterra, pelo visionário filósofo e escritor Aldous Huxley.

Diante de tanta “felicidade artificial” em nossos dias, tantas manipulações e tantos condicionamentos contemporâneos, cabe perguntar: seria útil reler Admirável Mundo Novo? Acaso é necessário retomar um livro escrito há mais de oito décadas, numa época tão distante que a Internet não existia e sequer a TV havia sido inventada? Seria este romance algo mais que uma curiosidade sociológica, um best-seller ordinário e efêmero, de que se venderam, em inglês, mais de um milhão de exemplares, já no ano de sua publicação?

Estas questões parecem ainda mais pertinentes porque o gênero a que pertence a obra – ficção científica, distopia, fábula de antecipação, a utopia científico-técnica – possui um grau muito elevado de obsolescência. Nada envelhece mais rápido que o futuro, sobretudo na literatura.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

No entanto quem, superando estas reticências, mergulhar nas páginas do romance ficará chocado por sua surpreendente atualidade. Ficará claro que, pelo menos uma vez, o passado capturou o presente. Recordemos que o autor, Aldous Huxley (1894-1963), narra uma história que transcorre num futuro muito distante, próxima ao ano 2500 ou, mais precisamente “no ano 600 da Era Fordiana”, em alusão satírica a Henry Ford (1863-1947), pioneiro norte-americano da indústria automobilística e inventor de um método de organização de trabalho para a fabricação em série e padronização de peças.

Tal método, conhecido como “fordismo”, transformou os trabalhadores em algo inferior a autômatos, robôs que repetiam, ao longo da jornada de trabalho, um único gesto. Sua emergência suscitou, à época, críticas violentas: pensemos, por exemplo, nos filmes Metropolis (1926), de Fritz Lang, ou Tempos Modernos (1935), de Charles Chaplin.

Aldous Huxley escreveu Admirável Mundo Novo, visão pessimista do futuro e crítica feroz do culto positivista à ciência, num momento em que as consequências sociais da grande crise de 1929 afetavam em cheio as sociedades ocidentais, e em que a crença no progresso e nos regimes democráticos parecia vacilar.

Publicado em inglês antes da chegada de Hitler ao poder na Alemanha (1933),Admirável Mundo Novo denuncia a perspectiva “de pesadelo” de uma sociedade totalitária fascinada pelo progresso científico e convencida de poder oferecer a seus cidadãos uma felicidade obrigatória.

Apresenta a visão alucinada de uma humanidade desumanizada pelo condicionamento pavloviano2 e pelo prazer ao alcance de uma pílula (o “soma”). Num mundo horrivelmente perfeito, a sociedade decide totalmente, com fins eugenistas e produtivistas, a sexualidade da procriação.

É uma situação não tão distante da que se vive hoje em alguns países (sobretudo na Europa), em que os efeitos da crise de 2008 estão provocando o ascenso de partidos de extrema direita, xenófobos e racistas. Onde os anticoncepcionais já permitem um amplo controle da natalidade. E onde novas pílulas (como o Viagra e a femininaLybrido) dopam o desejo sexual e o prolongam até além da terceira idade. Ao mesmo tempo, as manipulações genéticas permitem cada vez mais aos pais a seleção de embriões, para engendrar filhos em função de critérios pré-determinados – inclusive estéticos.

Outra relação surpreendente com a atualidade é que o romance de Huxley apresenta um mundo onde o controle social não dá espaços ao acaso, onde, formadas a partir do mesmo molde, as pessoas são “clônicas”, produzidas em série. A maioria tem garantidos o conforto e a satisfação dos únicos desejos que está condicionada a experimentar, mas perdeu-se, como diria Mercedes Sosa, a razón de vivir3.

Em Admirável Mundo Novo, a americanização do planeta está completa, a História acabou (como afirmaria, mais tarde, Francis Fukuyama4), tudo foi padronizado e “fordizado” – tanto a produção dos seres humanos, resultado de puras manipulações genético-químicas, quanto a identidade das pessoas, produzida durante o sonho por hipnose auditiva: a “hipnopedia”, qualificada por um personagem do livro como “a maior força socializante e moralizante de todos os tempos”.

Os seres humanos são “produzidos” no sentido industrial do termo, em fábricas especializadas – os “centros de incubação e condicionamento” – segundo modelos variados, que dependem das tarefas muito especializadas que serão atribuídas a cada um, e que são indispensáveis para uma sociedade obcecada pela estabilidade.

Desde seu nascimento, cada ser humano é, além disso, educado em “centros de condicionamento do Estado”. Em função dos valores específicos de seu grupo, e por meio do recurso maciço à hipnopedia, criam-se nele os “reflexos condicionados definitivos” que o fazem aceitar seu destino.

Aldous Huxley ilustrava assim os riscos implícitos na tese que vinha sendo formulada, desde 1924, por John B. Watson, o pai do “condutivismo”5, esta suposta “ciência da observação e controle do comportamento”. Watson afirmava com frieza que podia escolher na rua, ao acaso, uma criança saudável e convertê-la, à sua vontade, em médico, advogado, artista, mendigo ou ladrão, independentemente de seu talento, inclinações, capacidades, gostos e origem de seus ancestrais.

Em Admirável Mundo Novo, que é fundamentalmente um manifesto humanista, alguns viram também, com razão, uma crítica ácida à sociedade stalinista, à utopia soviética construída com mão de ferro. Mas também há, claramente, uma sátira à nova sociedade mecanizada, padronizada, automatizada que se criva à época nos Estados Unidos, em nome da modernidade técnica.

Extremamente inteligente e admirador da ciência, Huxley expressa no romance, no entanto, um profundo ceticismo em relação à ideia de progresso, e desconfiança diante da razão. Frente à invasão do materialismo, o autor engendra uma interpretação feroz às ameaças do cientificismo, do maquinismo e do desprezo à dignidade individual.

Claro que a técnica assegurará aos seres humanos um conforto exterior total, de notável perfeição, estima Huxley com desesperada lucidez. Todo desejo, na medida em que possa ser expresso e sentido, será satisfeito. Os seres humanos terão, nesse ponto, perdido sua razão de ser. Terão transformado a si mesmos em maquinas. Já não se poderá falar, em sentido estrito, de “condição humana”.

Mas o “condicionamento” não cessou de se intensificar desde a época em que Huxley publicou o livro e anunciou que, no futuro, seríamos manipulados sem que nos déssemos contas. Em particular, pela publicidade. Por meio do recurso a mecanismos psicológicos e graças a técnicas muito experimentadas, nos mad men da publicidade conseguem que compremos um produto, um serviço ou uma ideia. Este modo, convertemo-nos em pessoas previsíveis, quase teledirigidas. E felizes.

Confirmando as teses de Huxley, Vance Packar publicou The Hidden Persuaders (na edição brasileira, Nova Técnica de Convencer), em meados da década de 1950 e Ernest Dichter e Louis Cheskin denunciaram que as agências de publicidade tentavam manipular o inconsciente dos consumidores. Sobretudo mediante o uso de “publicidade subliminar”, nos meios de comunicação de massas.

Em 30 de outubro de 1962, executou-se um teste que demonstrava a eficácia da publicidade subliminar.: durante a exibição de um filme, lançavam-se mensagens “invisíveis” sobre certos produtos, em intervalos regulares. As vendas de tais produtos aumentaram.

Atualmente, a “publicidade subliminar” avançou e existem técnicas mais sofisticadas e mais perversas para manipular a mente do ser humano6. Por exemplo, mediante as cores que modificam nostras percepções e influenciam nostras decisões. Os especialistas em marketing sabem disso e utilizam as técnicas para orientar nossas compras.

Num conhecido experimento de finais dos anos 1960, Louis Cheskin, diretor do Instituto de Pesquisa da Cor, pediu a um grupo de donas de casa que experimentassem três caixas de detergentes e decidissem qual delas dava melhor resultado com roupas delicadas. Apesar de as três conterem o mesmo produto, as reações foram distintas. O detergente da caixa amarela foi considerado “forte demais”, o da cor azul foi visto como não tendo “força para limpar”. Ganhou a caixa bicolor.

Em outro teste, duas amostras de cremes de beleza foram dados a um grupo de mulheres: uma num recipiente rosa; outra, num de cor azul. Quase 80% das mulheres declararam que o creme de frasco rosa era mais fino e efetivo que o de frasco azul. Ninguém sabia que a composição dos cremes era idêntica. “Não é exagero dizer que as pessoas não apenas compram o produto per se, mas também pelas cores que o acompanham. A cor penetra na psiqué do consumidor e pode converter-se em estímulo direto para a venda”, escreve Luc Dupont em seu livro 1001 truques publicitários7.

Nos anos 1950, quando a empresa produtora do sabonete Lux começou a vender seu produto nas cores rosa, verde e turquesa, substituindo o tablete habitual de cor branca, converteu-se na líder de mercado. As novas cores sugeriam delicadeza e cuidado, intimidade e carinho e os consumidores mostraram-se entusiasmados.

Mais recentemente, na Europa, o Mc Donald’s deixou sua mítica cor vermelha (uma tonalidade apreciada pelas crianças e que costuma estimular a fome), a favor do verde, numa tentativa de aproximar sua marca da comida saudável e de um estilo de vida sustentável8.

A leitura de Admirável Mundo Novo alerta contra todas estas agressões9. Sem esquecer as manipulações midiáticas10. Este romance também pode ser visto como uma sátira muito pertinente da nova sociedade delirante que está sendo construída hoje, em nome da “modernidade” ultraliberal. Pessimista e sombrio, o futuro visto por Aldous Huxley serve de advertência e anima, na época das manipulações genéticas e da clonagem, a vigiar de perto os progressos científicos atuais e seus potenciais efeitos destrutivos.

Admirável Mundo Novo ajuda a compreender melhor o alcance e os riscos e perigos que surgem quando, de novo e por todos os lados, “progressos científicos e técnicos” nos chocam com riscos ecológicos11 que põem em perigo o futuro do planeta. E da espécie humana.
Por Ignacio Ramonet, com tradução de Antonio Martin, no Outras Palavras

1No texto original, Ramonet faz alusão aos 80 anos da primeira edição em língua espanhola, publicada em 1935 pelo editor catalão Luís Miracle. No Brasil, a Editora Globo foi pioneira em lançar Admirável Mundo Novo, em 1941, com tradução de Lino Vallandro e Vidal Serrano. Há em catálogo uma edição brasileira (312 páginas, R$ 21). A obra também está disponível, gratuitamente, na Internet. (Nota do Tradutor)

2Referência a Ivan Pavlov, médico russo, Prêmio Nobel de Medicina em 1904 por seus trabalhos experimentais sobre os “reflexos condicionados”, o mais célebre dos quais é o do “cão de Pavlov”.

3 https://www.youtube.com/watch?v=-qdIO-0aZk8

4Em uma obra extremamente huxleyana, O fim da História e o último homem (1992).

5Ver http://www.ilustrados.com/tema/1298/Psicologia-evolutiva-conductismo-John-Broadus-Watson.html

6Ler, de Ignacio Ramonet, Propagandas silenciosas, La Habana, 2002; e, de Noam Chomsky e Ignacio Ramonet, Cómo nos venden la moto, Icaria, Barcelona, 1995.

7Luc Dupont,1001 trucos publicitarios, Lectorum, México, 2004

8Ler La Vanguardia, Barcelona, 13 de enero de 2012.

9Ler também, por exemplo, de Mertxe Pasamontes, “Una docena de modos en que nos manipulan para que estemos insatisfechos”. http://unadocenade.com/una-docena-de-modos-en-que-nos-manipulan-para-que-estemos-insatisfechos/

10Ler também, de Noam Chomsky, Diez estrategias de manipulación a través de los medios.http://www.revistacomunicar.com/pdf/noam-chomsky-la-manipulacion.pdf

11Ler Laudato sí, a Encíclica “verde” del Papa Francisco, Vaticano, 16/6/2015http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html

Eleições 2014: A passividade do povo brasileiro e a “soma” de Aldous Huxley

Ovelhas a caminha do matadoura Blog do MesquitaQuando ao longo dos anos venho contemplando a passiva/maciça acomodação do povo brasileiro em reeleger os mesmos crápulas, mesmo sabendo que a maldade que daí viceja crescerá em proporção exponencial, não consigo ver nesse comportamento nenhum tipo de estoicismo ou sadismo.

Logo me pergunto que tipo de “soma” – soma é a droga que no romance “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, o povo mastiga e que lhes proporciona a sensação de felicidade e esquecimento – é servida por aqui.

Essa resignação parece ser um hábito de deferência, cientificamente infectado nesse “dar de ombros”, migrado da casa grande para a senzala. Aqui e ali, um ou outro pensando. No geral a “soma” servida aos Tapuias têm sabor de novela das oito, futebol, praia e cachaça. É o novo/velho tipo de poder empurrado de cima pra baixo, mas que transforma cidadãos em súditos.

Ps. Sou só um Zé qualquer. Penso que o “establishment” faz questão que existam esses seres delirantes como eu – como esse Zé não usa a capacidade de pensar para se unir a nós, e levar algum? Perguntam-se. – que teimam em remar contra a maré, para causar a impressão de que há resistência.


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