Eleições 2010: Por que Dilma esconde que é favor da descriminalização do aborto?

A outra ilusionista, são dois os marionetes que pretendem ser presidente dessa pobre e depauperada República dos Tupiniquins, Dilma Rousseff, mais parece um Ciro Gomes de saia na arte, arte?, de manter a dubiedade em torno de convicções.

Além de não assumir sua (dela) posição sobre a descriminalização do aborto, veja texto abaixo, a neo-cristã do PT, há apenas alguns meses se enrolou pra responder se acredita ou não em Deus. Era bastante uma reposta simples do tipo sim ou não!
O Editor


A decisão tomada pelo PT no 3º Congresso e que todo militante deve seguir

Eu também acho chato esse negócio de o PT ter transformado o aborto numa espécie de monotema da campanha.

E por que age assim? Para tentar escamotear a real opinião de sua candidata a respeito.

Ela é favorável a descriminação — e tem todo o direito de sê-lo; o que não é certo é tentar fingir uma opinião que não tem por causa da eleição.

O PT da Paraíba divulgou uma nota nesta terça repudiando manifestação do arcebispo Aldo Pagotto, segundo quem o PT tenta implantar “a cultura da morte” no Brasil”.

O religioso se referia, obviamente, à legalização do aborto.

Na nota, o partido se diz “profundamente comprometido com a vida e com políticas públicas humanistas”, citando como exemplos o Fome Zero e o Bolsa Família.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O que uma coisa tem a ver com as outras? A resposta: nada!

Os religiosos estão se manifestando contra a opinião da candidata expressa em entrevistas, contra a militância em favor do aborto do Ministério da Saúde e da Secretaria das Mulheres e contra a proposta incluída do PNDH3, depois mitigada, mas não inteiramente revista.

E estão lembrando qual é a diretriz do partido, explicitada na página 82 do das Resoluções do 3º Congresso, que todo militante — incluindo Dilma — têm a obrigação de defender: ali está a defesa do que o partido chama “discriminalização (sic) do aborto” (aqui).

E que se note: ATÉ AGORA DILMA NÃO SE DISSE CONTRA A DESCRIMINAÇÃO. E nem poderia, sem que pagasse um grande mico. Investe numa zona cinzenta do discurso: pessoalmente é contra, mas, como pessoa pública, etc e tal…

A fala lembra a do democrata John Kerry, que disputou a Presidência dos EUA com George W. Bush em 2004.

Indagado num debate se era contra ou a favor o aborto, afirmou que, “como católico, era contra, mas, como político etc e tal…” Enrolation! Indagado, Bush disse apenas: “Contra”. Levou!

blog Reinaldo Azevedo

Eleições 2010: Igreja volta a meter a colher no caldeirão da política

E prossegue a perigosa mistura de religião e política. Todos os regimes fundamentalistas, seja qual for o credo que os motive, desaguam em ditadura. A Igreja Católica, instituição que está atolada até o último botão das vestes em pedofilia, não deveria ter o desplante de apontar o dedo acusador contra qualquer pecador.

Esse arcebispo, Aldo Pagotto, não é a pessoa mais apropriada para fazer cobranças a ninguém. Agora lhe calçariam bem as sandálias da humildade em lugar das vestes de Torquemada.

Dilma Rousseff erra ao não assumir o que defendia quando ministra do governo Lula. Deveria discutir a descriminalização do aborto às claras. Não tem porque temer essa onda fundamentalista. A cada 22 segundos, dados da OMS, uma mulher faz aborto no Brasil, e a cada dois dias uma morre. As que podem abortam em clínicas sofisticadas, enquanto as Marias, Josefas e Raimundas se arriscam nos barracos abortivos espalhados na periferia das grandes cidades, muito apropriadamente apelidados de “fábricas de anjos”.

Aborto não é questão de religião. É questão de saúde pública. Fingir que essa realidade não existe é tão criminoso quanto o aborto em si.

É lastimável que o Brasil, Estado laico, volte a debates que jaziam incinerados na inquisição da idade média. Debate falso e eleitoreiro, enquanto as questões cruciais que afligem os Tupiniquins são deixadas de lado pelos dois ilusionistas candidatos à presidência da república, farinhas estragadas do mesmo saco, Serra e Dilma.
O Editor
PS 1. O menos alfabetizado dos brasileiros sabe que a legislação sobre aborto é competência do Congresso Nacional e não do Presidente da República. Seja ele(a) quem for.
PS 2. Pessoalmente sou contra o aborto. Em quaisquer circunstâncias. Inclusive nos casos admitidos previsto no Código Penal Brasileiro, art. 128.


Arcebispo da Paraíba acusa PT e Dilma de mentirem

Mesmo empenhados em convencer o eleitorado cristão de que sempre foi contra o aborto, a candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, foi novamente criticada por um religioso acerca do assunto.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Em vídeo de 15 minutos divulgado no Youtube, o arcebispo metropolitano da Paraíba, dom Aldo Pagotto, acusa a candidata de mentir para eleitores sobre seus verdadeiros projetos para a país.

Segundo o bispo, o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio das ações de seu governo, contraria uma carta que ele teria escrito de próprio punho e encaminhado à Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB) negando que estivesse disposto a legalizar o aborto no país.

– Estamos diante de um partido (o PT) que está institucionalmente comprometido com a instalação da cultura do morte no nosso país, que proíbe seus membros de seguirem suas próprias consciências e que se utiliza calculadamente da mentira para enganar eleitores sobre seus verdadeiros projetos à Nação.

Não podemos nos calar. A verdade nos libertará – advertiu dom Pagotto no vídeo.

O arcebispo lembra ainda que, em 2007, o PT aprovou uma resolução que incluindo a legalização do aborto e um novo estatuto que exigia, como requisito para ser candidato pela legenda, a concordância com as normas e resoluções partidárias.

Ele destacou também que em 2008 os deputados petistas Luiz Bassuma e Henrique Afonso foram acusados e condenados de terem ferido a ética do partido, após se posicionarem contra a aprovação do projeto de lei que legalizaria o aborto no país.

Adriana Vasconcelos/O Globo