Lista de Furnas: Aécio é denunciado a Procuradoria Geral

Laudo da Polícia Federal que comprova veracidade da Lista de Furnas foi anexado ao requerimento para Janot reabrir denúncias contra senador.

Aécio Neves,Blog do Mesquita 04

Deu entrada às 16h23 desta quinta-feira, 19, no protocolo da Procuradoria Feral da República (PGR), o pedido de desarquivamento da delação premiada do doleiro Alberto Yousseff que cita o nome do senador Aécio Neves (PSDB) como beneficiário de esquema de corrupção em Furnas Centrais Elétricas, estatal do setor elétrico subsidiária da Eletrobrás.

Youssef foi informado da Lista de Furnas pelo ex-deputado José Janene (PP-PR), falecido em setembro de 2010, também citado na delação como beneficiário de propinas recolhidas a partir de contratos de empreiteiras com a a Petrobras.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O requerimento entregue à PGR, assinado pelos deputados federais Adelmo Leão (MG), Padre João (MG) e o deputado estadual mineiro Rogério Corrêa , todos do PT, embora endereçado ao procurador-geral da República Rodrigo Janot, foi recebido pelo secretário de Relações Institucionais da Procuradoria (SRI), Peterson de Paula Pereira.

Janot encontrava-se em viagem e não pôde receber os parlamentares petistas, que conversaram durante cerca de uma hora com o procurador Pereira. De 2002, as denúncias relativas à lista de Furnas ficaram no ostracismo durante todo esse tempo, apesar de ser parte de uma ação que corre no Ministério Público Federal no Rio de Janeiro.

Anexado à documentação, um laudo da Polícia Federal providenciado pelo parlamentar mineiro comprova a autenticidade e veracidade da Lista de Furnas. Com esse laudo, os petistas desmontam argumento do PSDB de que trata-se de um documento forjado pelo Partido dos Trabalhadores para tentar incriminar o senador e ex-candidato à Presidência em 2014, derrotado pela presidenta Dilma Rousseff.

“Nós esperamos do procurador Rodrigo Janot a reabertura das denúncias contra Aécio Neves na operação Lava Jato”, disse o deputado Corrêa. Para ele, a falta de provas alegadas para arquivar as denúncias contra o senador tucano ganha conexão lógica de causa e efeito se reunidas à denúncia feita pela procuradora Andréia Baião, da PGR-RJ, em 2010.

A exemplo de Yousseff, a procuradora descreve a mesma empresa – a Bauruense” – como intermediária que repassava os recursos arrecadados pela estatal para financiar a campanha de 2002 de candidatos da oposição (PSDB e DEM), como os eleitos Alckmin (governador SP), Serra (presidência) e Aécio Neves (governador MG).

Quase R$ 40 milhões foram distribuídos a 156 políticos, sendo que 69% desses recursos se concentraram nas campanhas dos três citados acima. “Solicitamos a ele (Janot) que requeira cópia do processo no MP-RJ, da procuradora; entregamos um CD com a delação premiada de Yousseff na operação Lava Jato; e solicitamos a abertura de inquérito policial e de denúncia contra Aécio”, informou Corrêa.

Além disso, os petistas encaminharam ao órgão diversos outros documentos. Dentre eles, relatório da PF referente ao mensalão tucano, encaminhado ao então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa euma representação do ex-procurador-geral Roberto Gurgel, de maio de 2011, requerendo apuração de sonegação fiscal e ocultação de patrimônio pelo senador Aécio Neves.

Também foram incluidas reportagens que relatam gastos exorbitantes com publicidade durante a gestão de Aécio no governo de Minas Gerais e conteúdo jornalístico que faz a ligação da apreensão de 450 toneladas de pasta base de cocaína, transportada em helicóptero do senador Zezé Perrela, com o aeroporto construído com recursos públicos do governo mineiro, no município de Cláudio. Perrela é aliado histórico de Aécio Neves.

O duelo Cunha x Janot e o semimoralismo da mídia

cunhaEduardo Cunha, como todo aventureiro, aposta sempre na ousadia.

É o que está fazendo, diante da acusação de que teria recebido, por ordem de Alberto Youssef, dinheiro como produto da chantagem sobre um lobista de uma empresa de afretamento de navios.

Eduardo Cunha, como todo aventureiro, aposta sempre na ousadia.

É o que está fazendo, diante da acusação de que teria recebido, por ordem de Alberto Youssef, dinheiro como produto da chantagem sobre um lobista de uma empresa de afretamento de navios.

Joga abertamente com seu poder de Presidente da Câmara para colocar-se na posição de “cidadão acima de qualquer suspeita”.

O primeiro passo foi enviar uma “defesa” a seus comandados, num espaço que controla: a CPI da Petrobras.

O segundo, criar um clima de intimidação entre os servidores da Casa, ao demitir o responsável pelo setor de Informática, onde se revelaram os rastros dos requerimentos que mandou fazer para pressionar o lobista Julio Camargo e a Mitsui.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Explico: todos os computadores da Câmara, para serem acessados, exigem nome de usuário e senha e deixam gravados nos arquivos que se gera o gabinete onde foram criados.

E o gabinete de onde partiram os tais requerimentos foi o dele, embora tenha sido, depois, assinados eletronicamente pelos  que lhe serviram de “laranjas”.

Por último, fez seu lance mais ousado: pretender o arquivamento da investigação.

É lógico que Cunha sabe que não será arquivada assim, sem mais nem menos, mesmo que tenha havido o “sumiço” do ex-policial Jaime “Careca”, que teria sido o portador da “mala” de dinheiro.

O que ele busca é o confronto o mais público possível com o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot.

Pretende que, na Presidência da Câmara, peça chave para a mídia que quer demolir o Governo tem, por isso, o delírio alcançar o poder  total.

Conta com que, mais cedo ou mais tarde, mesmo que convicto do contrário, Janot desista.

Sabe, também, que conta com a inapetência de parte expressiva dos procuradores, da Polícia Federal e do próprio Juiz Sérgio Moro em investigar aquilo que não contribua para o projeto “Delenda PT”  que inspira toda a Lava-Jato.

Se vai conseguir? Não é provável, até este instante, mas está longe de ser impossível.

Mesmo que seja muito útil para enfraquecer o Governo, Cunha está fadado a ser como seu primeiro padrinho político, Fernando Collor.

Útil para derrotar a esquerda, imprestável para governar pela direita.
Por Fernando Brito

Bolsonaro diz não saber se recebeu dinheiro de Youssef

Jair BolsonaroÀs vésperas de o procurador-geral da República revelar lista de parlamentares envolvidos com o doleiro Alberto Youssef, deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) declara que não sabe se ele recebeu dinheiro sujo.

 Bolsonaro é defensor de financiamento privado de campanhas

“O Alberto Youssef já disse que no meu partido (PP) só sobrariam dois que não receberam. Eu não sei quem são os dois, mas, se eu recebi algum dinheiro, o partido não levou meu voto para o Executivo”, diz Bolsonaro à coluna Poder Online, do Portal IG. Deputado dizer que não sabe o que os outros fizeram pode ser verdade, afinal quem participa de esquemas mantém segredo entre os participantes. Agora, dizer que não sabe se ele próprio fez uso do dinheiro que ele mesmo tem falado que é de corrupção, já é um pouco demais.

A declaração de Bolsonaro mostra que, para financiar campanhas e se eleger, o deputado conviveu bem melhor do que se imaginava com o dinheiro da corrupção. Na melhor das hipóteses, fechando os olhos para a real origem do dinheiro que financiava suas campanhas.

Desde 1993, Bolsonaro é filiado ao PP (a sigla já mudou de nome algumas vezes), com um intervalo entre 2003 e 2005, quando integrou o PTB de Roberto Jefferson, e de uma brevíssima passagem pelo PFL, retornando ao PP ainda em 2005.

Durante todo esse tempo, Bolsonaro conviveu muito bem com Paulo Maluf, José Janene, entre outros nomes de seu partido envolvidos em escândalos. Só se manifesta contra a corrupção, ou a suspeita de, quando atinge seus adversários políticos.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Sua dissidência dentro do PP se limita a atacar o governo petista em discursos e os partidos de esquerda cujos parlamentares são engajados em causas dos direitos humanos e das minorias. Mas não se vê Bolsonaro atacando casos suspeitos de aliados que o ajudaram a se eleger deputado pela sétima vez. Também sempre ficou na zona de conforto de manter-se no PP durante todo o tempo em que este partido participou de governos que ele criticava. Curioso que em 2003 ele migrou para o PTB quando este partido já compunha a base governista e estava em crescimento recebendo muitos adesistas fisiológicos que não queriam ficar na oposição.

Esse benefício de se aproveitar de uma estrutura partidária incoerente com seu discurso se estendeu a quatro parentes. Sua ex-mulher já foi vereadora no Rio de Janeiro, quando ainda eram casados. Seus filhos, Flávio Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, são deputado estadual e vereador no Rio de Janeiro, ambos pelo PP. Outro filho residente em São Paulo, Eduardo Bolsonaro – aquele que apareceu com uma pistola na cintura sobre um caminhão de som em manifestação pedindo golpe militar, em novembro –, se elegeu deputado federal, este pelo PSC.

Só agora Jair Bolsonaro diz defender que seu partido expulse os envolvidos na Lava jato. Isso quando lideranças de seu partido se perguntam se o próprio partido sobreviverá. Parece mais o que se chama “jogar para a plateia”, além de instinto de sobrevivência política para salvar a própria pele.

Em seu blog, em 2012, Bolsonaro também defendeu o financiamento privado de campanhas, a raiz da corrupção. Alega que “quanto menos o governo gastar com o financiamento público, melhor ficará junto à opinião pública”, como se o povo não pudesse mudar de opinião quando esclarecido através de um debate amplo. Diz que o caixa 2 continuaria existindo (um argumento estúpido, como se leis não pudessem ser feitas porque alguém não iria cumpri-la), mas se esquece de dizer que a corrupção também continuará correndo solta enquanto empreiteiras, bancos, planos de saúde, fabricantes de armas, empresas de comunicação patrocinarem bancadas corruptíveis no Congresso.

Vamos aguardar agora o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ajudar o deputado Jair Bolsonaro a descobrir o que ele próprio fez na eleição passada.

Denunciado.

O mais recente arroubo autoritário de Bolsonaro, para quem não lembra, levou a vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, a denunciá-lo por incitar publicamente a prática de crime de estupro. A denúncia foi protocolada em 15 de dezembro, no Supremo Tribunal Federal (STF), e será analisada pelo ministro Luiz Fux.

Em entrevista ao jornal gaúcho Zero Hora, ao ser questionado sobre a declaração de que não iria estuprar a deputada federal Maria do Rosário porque ela não mereceria, ele reiterou a afirmação. De acordo com Ela Wiecko, “ao dizer que não estupraria a deputada porque ela não ‘merece’, o denunciado instigou, com suas palavras, que um homem pode estuprar uma mulher que escolha e que ele entenda ser merecedora do estupro”.
por Helena Sthephanowitiz/Blog da Helena

Lava Jato fecha cerco a Sabesp e Metrô. Tucanos e imprensa se calam

prudente.jpgMinistério Público abre três investigações para apurar suspeita de pagamento de propinas pelo doleiro Youssef em obras paulistas.

Metrô: a quantia de R$ 7,9 milhões, também suspeita de referir-se a propina, está associada à obra da Vila Prudente

O Ministério Público de São Paulo abriu três investigações para apurar suspeita de pagamento de propinas pelo doleiro Alberto Youssef em obras paulistas. Duas miram contratos de estatais do governo paulista sob gestão do PSDB: a empresa de saneamento e abastecimento Sabesp, e o Metrô.

Com Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, os tucanos estão no poder há mais de 20 anos no estado.

Quando o primeiro tucano assumiu São Paulo , em 1995, já havia perto de 45 quilômetros de metrô. Desde então, meros 33 quilômetros foram acrescentados. Um ritmo de tartaruga. Mas em passos gigantes nas denúncias de corrupção.

A terceira envolve obras na Petrobras em unidades paulistas, já em investigação no âmbito federal.

Obras da Sabesp e Metrô aparecem entre 747 contratos listados em uma planilha apreendida com Youssef em março pela Polícia Federal durante a Operação Lava Jato.

A planilha registra as empreiteiras ligadas às obras, muitas nada tendo a ver com a Petrobras, ao lado de valores com indícios de suborno, segundo os promotores.

Existem R$ 28,8 milhões suspeitos de serem propina na Sabesp. Os valores aparecem ao lado de três obras, a estação de tratamento de água Jurubatuba, no Guarujá, a adutora Guaraú-Jaguará, na Grande São Paulo, e tubulação da Sabesp, em Franca.

Na parte referente ao Metrô, a quantia de R$ 7,9 milhões, também suspeita de referir-se a propina, está associada à obra da Vila Prudente. Se as investigações confirmarem as suspeitas, é mais um escândalo a somar-se aos subornos de Alstom e Siemens.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Outro doleiro pego na Operação Lava Jato, Raul Henrique Srour, conforme outra investigação internacional feita pela Procuradoria de Luxemburgo, movimentou dinheiro irregular da Siemens, também suspeito de tratar-se de intermediação de propinas, no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, conforme já noticiamos aqui.

A análise da planilha de Youssef ainda não terminou e outras investigações podem ser abertas pelo Ministério Público paulista nos próximos dias, segundo o promotor de Justiça Otávio Ferreira Garcia.

A notícia, divulgada discretamente pelo jornal Folha de S. Paulo, chega em um mau momento político para o governador Geraldo Alckmin, às voltas com o racionamento de água em São Paulo.

Como se não bastasse a falta de investimentos na ampliação e segurança do abastecimento – com a opção da Sabesp de distribuir mais lucros aos acionistas nos últimos anos, inclusive da Bolsa de Valores de Nova York –, a suspeita de que o dinheiro da tarifa d’água tenha ido para bolsos escusos no esquema Youssef não contribui para melhorar o humor do paulistano na hora em que abre a torneira e não sai água.

Esperamos que a imprensa amiga dos tucanos não abafe o caso e que venham as condenações na Justiça, com devolução dos lucros obtidos fora dos trilhos e aplicação rigorosa das penas estabelecidas em lei. O exemplo servirá para começar a demolir um grande obstáculo ao transporte de massa em São Paulo.
por Helena Sthephanowitz