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T.S. Eliot – Poesia – Versos na tarde – 18/05/2017

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Retrato de uma dama – III
T.S. Eliot¹

Cai a noite de Outubro; regressando como outrora,
Excepto por uma leve sensação de estar inquieto,
Galgo os degraus e giro a maçaneta da porta
E sinto como se houvesse subido de quatro as escadas.
“Com que então viajas? E quando voltas?
Ora, que pergunta mais tola!
Dificilmente o saberias.
Hás de achar muito o que aprender lá fora.”
Caiu-me lento o sorriso entre objetos antigos.
“Poderás talvez escrever-me?”
Por um segundo subiu-me o sangue à cabeça
Como se assim eu calculasse este momento.
“Tenho-me surpreendido com frequência ultimamente
(Mas nossos princípios ignoram sempre nossos fins!)
Por jamais nos havermos tornado amigos.”
Senti-me como quem sorrisse, e ao voltar percebi,
De repente, sua vítrea expressão.
Perdi todo o controle; e em trevas na verdade mergulhamos.
“Eu disse o mesmo para todos, todos os nossos amigos,
Estavam todos certos de que nossos sentimentos
Poderiam conjugar-se tão intimamente!
Eu mesma dificilmente o entendo.
Deixemos que isto fique agora à sua sorte.
Escreverás, de quando em vez.
E talvez nem demores tanto a fazê-lo.
Estarei sentada aqui, servindo chá aos amigos.”
E devo então trocar de forma a cada instante
Para dar-lhe afinal uma expressão… dançar, dançar
Como faria um urso bailarino,
Tagarelar como um papagaio, rilhar os dentes como um bugio.
Respiremos um pouco, no torpor de uma tragada.
Bem! E se ela morresse numa tarde qualquer,
Numa tarde enevoada e cinzenta, num encardido e róseo crepúsculo;
Se ela morresse e me deixasse aqui sentado, a caneta entre os dedos.
A névoa a cair sobre os telhados;
Por um momento me perco em dúvidas,
Já que não sei o que sentir ou se o entendo,
Se sou um sábio ou simplesmente um tolo, cedo ou tarde…
Não colheria ela algum lucro, afinal?
Essa melodia culmina com uma “agonia de outono”
E já que aqui falamos de agonia
— Algum direito a sorrir eu teria?

¹Thomas Stearns Eliot
* Nuneaton, Reino Unido – 22 de novembro de 1819
+ Chelsea, Londres, Reino Unido – 22 de dezembro de 1880
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José Mesquita

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e “designer”.

Bacharel em administração e bacharelando em Direito.

Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior.

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