Saiu no blog – Os vários erros do PSDB

Os emplumados tucanos, cujo dedo rígido foi sempre ágil em apontar para o quintal alheio, estão agora arguindo as mesmas desculpas que condenavam nos petralhas mensaleiros. Assim como o apedeuta do planaldo, o senador Azeredo tabém diz que não sabia de nada. Diz ainda que não houve mensalão e sim dinheiro para pagamento de despesas de campanha. Delúbio, gargalha às escâncaras. Sobre o tema, saiu no blog da Míriam Leitão:

“Eu estava numa cerimônia pública em Minas Gerais, quando o senador Eduardo Azeredo se aproximou:

-Miriam, você me criticou violentamente por aquelas denúncias ( do valerioduto mineiro), mas foi injusta. Eu não fiz nada, fiz apenas o que todos fazem – disse ele.

Esse é o ponto: ele acha que está tudo bem porque fez ” o que todos fazem”.

E assim reagiu o PSDB.

O caso quando foi denunciado pelo Globo em 2005 era uma grande oportunidade de o PSDB mostrar que pensa e age diferente. Mas o que os tucanos fizeram não deixam dúvidas.

1 – Ele era presidente do PSDB na época da denúncia de que teria usado o mesmo esquema – de foram embrionária – montado por Marcos Valério para pagar dívidas de campanha. Continuou presidente do PSDB. O partido nem pediu seu afastamento. Ele nunca foi punido. Ficou um pouco à deriva. Ou seja, o partido usou a moda tucana, finge que não está vendo a bomba no colo.

2 – O partido nunca apurou o que se passou, fingindo mais uma vez que não era com ele

3 – Recentemente no Senado o partido se mobilizou pelo arquivamento da denúncia com o mais torpe dos argumentos: o “acontecido” foi antes de ele ser senador. Isso, se for generalizado, legitima todo crime cometido por pessoas com mandato. Legitima, em ultima instância, a busca do mandato como proteção contra a Justiça.

4 – No episódio da renúncia do deputado Ronaldo Cunha Lima para fugir do julgamento do Supremo, o PSDB foi lamentável. Não apenas não condenou a manobra imoral do deputado para fugir do julgamento da Corte, como desrespeitou a inteligência do cidadão brasileiro. Os discursos de solidariedade a ele, inclusive do senador Arthur Virgilio, foram abusivos porque defendiam a tese de que ele tinha feito isso por “grandeza”, para enfrentar a Justiça que a pessoa comum enfrenta. Não há nada mais ofensivo do que duvidar da inteligência das pessoas.

5 – Na denúncia do Procurador da República feita ontem, a explicação dos líderes do partido, reunidos em convenção nacional, foi lastimável. O argumento tortuoso é de que os dois mensalões são diferentes, porque o do Lula foi usado para comprar deputados da base aliada, e o mensalão mineiro foi para pagar dívidas de campanha. Ora, ainda que o objetivo seja diferente, essa explicação de pagamento de divida de campanha sempre foi usada pelos próprios petistas, como Delúbio Soares.

Os tucanos perderam todos os trens que passaram nos últimos dois anos e que poderiam levá-los a um outro patamar na política brasileira. O caso Azeredo atinge diretamente o partido, tira dele a capacidade de se diferenciar, torna qualquer discurso anti-mensalão anêmico. O pior erro do PSDB foi a tibieza, a falta de fibra, a falta de reação ao caso Azeredo”.

José Mesquita

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e designer gráfico e digital.

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e “designer”.

Bacharel em administração e bacharelando em Direito.

Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior.

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