Raikkonen tem em Spa sua maior chance para finalmente vencer Alonso

Se existe uma pista onde Kimi Raikkonen pode, finalmente, mostrar-se mais eficiente que o companheiro de Ferrari, Fernando Alonso, é Spa-Francorchamps.Ampliar

Não há dúvida de que o finlandês vai começar os treinos livres do GP da Bélgica com uma motivação extra. Seu melhor resultado até agora este ano foi um sexto lugar, na última corrida realizada, dia 27, na Hungria. Já Alonso chegou duas vezes ao pódio, terceiro na China e segundo na Hungria.

O fator que pode redimensionar o fim de semana de Raikkonen é o seu retrospecto notável no lendário circuito belga, o preferido de alguns dos maiores pilotos de todos os tempos, como Jim Clark, Ayrton Senna e Michael Schumacher.

Os números de Alonso nos ultrasseletivos 7004 metros de Spa, contudo, são muito modestos.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“É a minha pista favorita”, afirmou o finlandês, nesta quinta-feira, em Spa. “É um dos únicos traçados antigos que sobreviveram, com suas curvas largas, rápidas, longas retas. É sempre um prazer correr aqui.”

O campeão do mundo de 2007 venceu quatro vezes o GP da Bélgica, em Spa. Em 2004 e 2005, com McLaren-Mercedes, e 2007 e 2009, Ferrari. Como em 2006 a prova não foi disputada, Raikkonen foi primeiro em quatro de cinco edições seguidas. Falhou apenas 2008, ao perder o controle da Ferrari a duas voltas do fim, sob chuva, quando lutava pela vitória com Lewis Hamilton, da McLaren-Mercedes.

“Esse é um circuito onde o piloto pode ainda fazer diferença”, comentou o finlandês. Mas a exemplo de Alonso procurou, nesta quinta-feira, reduzir as esperanças da torcida. “Acredito que este GP e o próximo (o da Itália, em Monza, dia 7) devam ser os mais difíceis para nós. São duas pistas onde é preciso ter elevada velocidade no fim das retas e esse é um dos nossos pontos fracos.”

O curioso nesse confronto entre os pilotos da Ferrari em Spa é que Alonso é uma unanimidade, considerado o mais completo do grid. Mas seu histórico no traçado mais seletivo do calendário, ao lado de Suzuka, no Japão, é surpreendentemente fraco.

O espanhol nunca largou sequer na primeira fila no GP da Bélgica, nas dez edições da prova que disputou. Em corrida, ainda não venceu na F1. Os melhores resultados foram duas segundas colocações, em 2005, com Renault, e 2013, Ferrari. Em 2007, com McLaren-Mercedes, foi terceiro. Em 2000, obteve em Spa a sua única vitória na Fórmula 3000, antecessora da GP2, sob chuva.

“É um circuito que adoro”, afirmou Alonso, sem apreciar a lembrança da falta de resultados. “E esse ano é muito difícil que possamos lutar pela vitória também.” O clima poderia ser um fator capaz de mudar a ordem lógica de forças para as 44 voltas da corrida, dando a Ferrari alguma chance de uma grande surpresa. “Mas há boa possibilidade de chover apenas no sábado”, disse Alonso.

Outros pilotos excepcionais da F1 têm em Spa retrospecto compatível com a sua fama. Michael Schumacher celebrou a vitória seis vezes, 1992, 1995, 1996, 1997, 2001 e 2002; Ayrton Senna, cinco, 1985, 1988, 1989, 1990 e 1991; Jim Clark, quatro, de 1962 a 1965.

De volta à luta particular entre Raikkonen e Alonso na Ferrari, um bom resultado do finlandês pode até afastar de vez o risco, existente, de ser dispensado pela equipe no fim do ano. Já foi em 2009. A razão é a enorme diferença entre a sua produção e a de Alonso.

Depois de 11 etapas, este ano, Raikkonen soma 27 pontos, é o 12.º no Mundial, enquanto o espanhol tem 115, quarto. São nada menos de 88 pontos a mais.

Os dois lembraram nesta quinta-feira que os 22 pilotos do grid terão um desafio a mais este ano: o novo regulamento reduziu significativamente a capacidade de os carros gerarem pressão aerodinâmica.

E a Pirelli passou a produzir pneus mais duros, com maior autonomia, mas menos aderência, apesar da escolha surpreendente ousada para Spa, médios e macios. Esperava-se que fossem os duros e médios, por causa da elevada solicitação de carga das curvas velozes e longas.

“Será difícil contornar algumas curvas flat out (acelerador no curso máximo), como fazíamos antes”, afirmou Raikkonen. Mas a estatística prova que ele é um especialista em Spa.
Livio Oricchio/Do UOL, em Spa (Bélgica)

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