Eleições 2006 – Estrela no jardim.

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Como o presidente surfa na onda dos escândalos enquanto o PT foi engolido por ela, na visão dos estrategistas de comunicação do candidato à reeleição – corroborada pelas pesquisas e pelo senso comum -, o melhor a fazer no momento é arquivar a figura do militante petista e evidenciar a imagem de Lula como presidente de todos os brasileiros, um personagem acima das questões partidárias.

É verdade que a ausência total de sutileza com que o partido com o qual Lula mantém relação de simbiose desde a entrada na vida pública foi cortado da propaganda eleitoral deu a impressão de que o presidente está morrendo de vergonha do PT.

Não, ele continua muito à vontade na condição de petista-símbolo – conforme demonstra nas defesas sistemáticas que faz dos amigos de fé, irmãos, camaradas – e por isso classifica como “bobagem” as interpretações negativas a respeito da ausência do partido em seu programa do horário eleitoral.

O que ele não quer por hora é dar o abraço do afogado no PT e, justamente por ele e o partido serem uma coisa só, faz isso sem cerimônia, vontade, certo de que o petista compreenderá seus motivos de força maior. São temporários.

A mesma lógica pautou o pedido de uma trégua nas invasões ao MST em 2002, para que o radicalismo em crescente estado de repúdio junto à população não prejudicasse a eleição de Lula. Uma vez eleito, o presidente não demorou a retomar suas relações com os sem-terra, recebendo-os em palácio, pondo na cabeça o boné do movimento e deixando de cumprir a legislação em vigor para não punir invasores nem excluir da reforma agrária as terras invadidas.

Continua valendo, no tocante ao PT, a simbologia da estrela depositada em flores nos jardins do Palácio da Alvorada, mas, no momento, só para consumo interno. Não por outro motivo senão a segurança na relação o presidente do partido, Ricardo Berzoini, avalizou a combinada separação.

Acredita que seja para o bem geral da Nação. Mas, como tudo na vida, há um outro lado nessa história. No caso, dois lados. O do adversário, que tão logo confirme ser mesmo um constrangimento a presença do PT possivelmente se encarregue de ressaltá-la, e o lado dos petistas – os candidatos, os militantes e os simpatizantes.

Gente que sempre teve orgulho da legenda que durante anos simbolizou a esperança (ilusão?) numa forma diferente de fazer política e governar, representou num cenário de siglas sem identidade popular nem firmeza ideológica ou coesão doutrinária o que significava o exemplo único de partido que justificava sua razão de ser.

Esse povo não se descolará de Lula, não deixará de apoiá-lo, de acreditar nele como líder e único presidente capaz de fazer do Brasil um país mais justo. A recíproca é verdadeira: Lula tampouco abandonará o PT, sua criação e inspiração. Até porque é ali seu porto seguro, o mar aberto é traiçoeiro e as calmarias não são duradouras.

Mas, por mais que compreendam as razões que só o pragmatismo conhece e entendam a necessidade premente do gesto, não devem se sentir confortáveis quando vêem o capitão abandonar o barco, deixando a marujada à deriva.

Roncos da reação.

O presidente do Conselho de Ética do Senado, João Alberto Souza, deu o dito pelo não dito e recuou da explícita intenção, manifestada no dia anterior, de arquivar liminarmente os pedidos de abertura de processos por quebra de decoro parlamentar contra os senadores Magno Malta, Ney Suassuna e Serys Slhessarenko.

A posição do senador João Alberto de rejeitar os depoimentos dos empresários da máfia das ambulâncias como prova foi uma reação do atraso – vívido no Congresso – ao trabalho da CPI dos Sanguessugas, o primeiro ato do Legislativo recebido com satisfação pela sociedade.

O presidente do Conselho de Ética não voltou atrás porque quis, mas porque foi obrigado. O senador José Sarney, a quem o maranhense João Alberto é ligado, o presidente do Senado, Renan Calheiros, comandante-em-chefe do PMDB governista, e, por extensão, o Palácio do Planalto, acabariam pagando a conta do desgaste.

Presença de FH.
De preferência, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ficará longe do horário eleitoral. O argumento oficial é claro que não é a rejeição a FH registrada nas pesquisas, mas o fato de que ele “pertence à história”.

Nessa condição, age só nos bastidores, como conselheiro-mor. Ontem mesmo comandou uma reunião para discutir forma e conteúdo da propaganda política.

Mas, conforme for, o ex-presidente pode aparecer para defender a candidatura de Geraldo Alckmin nos últimos programas, já às vésperas das eleições.
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