Comércio Eletrônico – Site fatura 1,3 bi/ano.

Cerca de 10 mil pessoas ganham a vida no País com os negócios feitos no bazar virtual Mercado Livre.
Marina Faleiros – Folha de S.Paulo.

José Carlos Moreira consegue vender mais de 200 produtos eletrônicos por mês sem conhecer o rosto de nenhum de seus clientes. No máximo, troca um e-mail ou telefonema. Sua vitrine é a internet, com a qual consegue faturar mais de R$ 20 mil por mês.

“Estou há cinco anos no Mercado Livre e pretendo continuar mesmo quando tiver meu próprio site pronto, pois o investimento deles em mídia é alto e meu produto aparece.”

Assim como ele, mais de dez mil pessoas só no Brasil vivem de comprar e vender todo tipo de produto no site Mercado Livre, uma espécie de bazar virtual que se tornou um fenômeno da internet na América Latina.

As vendas do site crescem 40% ao ano, mais do que qualquer rede de comércio tradicional. Se fosse um supermercado, estaria entre as 20 maiores redes do País.

“O desafio do pequeno vendedor é aparecer na rede. Estamos entre os cinco maiores anunciantes da internet no Brasil e compramos mais de 100 mil palavras por mês para links patrocinados em sites como Google e Yahoo”, conta Stelleo Tolda, presidente do Mercado Livre na América Latina.

A receita tem dado certo: segundo o comScore Media Metrix, instituto americano especializado em medição de audiências na internet, foi o oitavo domínio da rede mais visitado no Brasil no mês de janeiro, com 836 milhões de páginas visitadas.

Em toda a América Latina, são comercializados no site um celular e uma câmera digital a cada dois minutos. Neste ritmo de vendas, esperam que o valor de suas vendas ultrapassem R$ 1,5 bilhão na região até o final de 2006.

Para crescer, Tolda explica que o modelo de venda também mudou: “O site começou apenas com leilões e raridades. Hoje mais de 80% das vendas são com preço fixo e de produtos novos.”

Crescimento
Inspirado no Ebay, um site de leilões dos Estados Unidos, que se tornou um dos maiores casos de sucesso de negócios pela internet, o Mercado Livre foi criado em 1999.

Seus criadores foram o argentino Marcos Galperin e outros seis empreendedores que se conheceram durante um curso de MBA na universidade de Stanford, nos EUA.

O brasileiro Stelleo Tolda era um deles e hoje comanda as operações da empresa no Brasil, enquanto os outros executivos continuam espalhados nas filiais de outros países, como Argentina e México.

O faturamento Mercado Livre não é divulgado, mas se forem considerados apenas os ganhos em comissões supera R$ 70 milhões. A empresa não só sobreviveu ao estouro da bolha da internet, como soube tirar proveito dela. Primeiro recebeu, em novembro de 1999, U S$ 7,6 milhões dos investidores JP Morgan, Flatiron Fund e Hicks, Muse, Tate & Furst.

Já em maio de 2000 conseguiu arrecadar US$ 46,5 milhões, por meio de bancos e fundos de investimentos como Goldman Sachs, Santander e GE, além do JP Morgan e Hicks, Muse. “Nesta segunda vez já se previa que a bolha da internet iria estourar e nos avisaram que talvez fosse o último investimento que receberíamos”, conta Tolda.

Hoje, seu controle não está mais somente nas mãos de seus criadores, mas também com a empresa que serviu de inspiração. Em outubro de 2001, o Ebay se tornou o maior acionista da empresa, com 19,5% das ações. Com dinheiro em caixa, o Mercado Livre comprou seus principais concorrentes, os sites Local e Arremate.

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