Olimpíadas do Rio. Vitória tem inflação de patronos


Pelo andar da carruagem, que não é a de fogo, é bem possível que até o Pero Vaz de Caminha vá reivindicar a paternidade pela vitória do Rio de Janeiro.

Humor Cartuns Olimpíadas Rio e Paternidade

No entanto, suas (deles) ex-celências, dos mais diversos matizes ideológicas, querem tirar uma lasca eleitoral disso tudo. Começando, claro, pelo apedeuta de Garanhuns. Só faltou em Copenhague a dona Dilma. Creio que os marqueteiros preferiram não arriscar. Caso a canoa furasse, a candidatura da referida senhora acabaria pegando a marola da derrota.

O DEM — chamar esse partido de democratas só pode ser gozação — ressuscitou até o maluquete Cesar Maia. Já o comunista, risos, risos, Roberto Freire, desancou todo mundo num, ‘tô nem aí pro Cesar Maia”, desceu a foice e o martelo na corrupção que grassou no Pan do Rio, organizado sob a batuta do então prefeito do Rio.

Agora, se o Rio perdesse, duvi-dê-ó-dó que esses políticos, e os respectivos partidos, não aproveitariam pra jogar a culpa no pé frio e/ou na incompetência do Lula.


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Ô raça!

Eu e os demais Tupiniquins capazes de usar os neurônios além do ôba-ôba, sabemos que ninguém tem o mérito dessa conquista. Tudo é uma questão de “business”. Os patrocinadores e as grandes marcas esportivas é que ditam as regras. O resto é papo furado.
O editor


Para o DEM, Cesar Maia trouxe Olimpíada para o Rio

Oposição faz ginástica para sair na foto do pódio olímpico.

Num dia em que o triunfo do Rio de Janeiro e o prestígio internacional de Lula se fundiram no noticiário, a oposição se pôs em alerta.

PSDB, DEM e PPS apressaram-se em levar à web textos nos quais suas principais lideranças aparecem enroladas na bandeira nacional.

Em nota oficial, o DEM escreveu: “A vitória do Rio é resultado de muita luta, muita persistência, visão política e competência administrativa”.

Luta, persistência, visão e competência de quem? Ora, “do Democratas”. Mais especificamente de Cesar Maia.

“Foi Cesar Maia, ex-prefeito do Rio, que enxergou, batalhou e viabilizou esta vitória maravilhosa”, anota o partido.

O ‘demo’ Cesar Maia não estava em Copenhaque. Mas seu partido tenta, por meio de uma ginástica retórica, inseri-lo no pódio:

“O ex-prefeito e sua equipe foram à luta e fizeram do Pan a grande vitrine para garantir a vitória do Rio para as Olimpíadas 2016…”

“…Deu certo. E todos nós ganhamos”. Chama-se Rodrigo Maia o signatário da nota do DEM. Além de deputado e presidente do partido, Rodrigo é filho de Cesar, o grande.

Os ‘demos’ esqueceram de combinar a estratégia com o PPS, parceiro de oposição. Em sua nota, Roberto Freire também fez menção aos Jogos Pan-Americanos de 2007.

Enxergou no evento, realizado na época em que Cesar Maia era prefeito, não uma “vitrine”, mas um cenário de práticas que “devem ser varridas para sempre”.

Presidente do PPS, Freire escreveu: “Somente naquele evento, segundo o TCU, o povo arcou com um prejuízo de R$ 2,740 bilhões…”

“…Dinheiro que foi parar no bolso de corruptos”. No dizer de Freire, os malfeitos do Pan “não podem se repetir nos Jogos Olímpicos” de 2016.

Na sequência, Freire como que exclui Lula da organização da Olimpíada: “O próximo governo tem de administrar com essa preocupação…”

Tem de “coordenar a preparação dos jogos com competência e honestidade”. Antes, na abertura do texto, Freire rejubilara-se: “Parabéns, Rio! Parabéns, Brasil!”

O PSDB realçou no portal que mantém na internet a opinião de seus dois presidenciáveis. Primeiro, o governador mineiro Aécio Neves:

“É uma vitória extraordinária não só do Rio, mas uma vitória maior ainda do Brasil”.

Depois, o governador paulista José Serra: “Fiquei muito feliz. Essa vitória é muito importante para o Brasil como nação”.

Ambos mencionaram os efeitos benfazejos que os jogos exercerão sobre a economia do país: investimentos estrangeiros, obras, empregos…

O choro compulsivo de Lula, suas declarações triunfalistas em Copenhague, a ginástica vocabular do DEM, o jogo de lábios do tucanato…

Levando-se tudo ao caldeirão, chega-se a uma receita incômoda. Uma maçaroca em que a política se mistura ao remo, à bola, à vela, ao tatame…

Qual o problema? O problema é que, submetida à movimentação dos atletas da urna, a galera já não pode nem torcer em paz.

blog Josias de Souza

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