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Noruega: manifesto do terrorista é colagem de textos quarta-feira, 27 de julho de 2011

Manifesto de terrorista é colagem da internet; Brasil tem 12 citações.

O manifesto de 1.516 páginas de Word deixado pelo terrorista anglo-norueguês Anders Breivik impressiona pelo tamanho, mas não pelo conteúdo.

Grande parte foi produzida seguindo os preceitos da escola tecno-filosófica do CTRL+C e CTRL+V.

Plágio puro e simples. Do manifesto do Unabomber a blogs de extrema-direita, de páginas de malucos em geral à Wikipedia, trechos inteiros foram copiados e colados. Há pouco de sua própria autoria. É uma colagem a que ele chama de compêndio.

Quanto ao conteúdo, trata-se de um caso radical do que o crítico Roberto Schwarz certa vez chamou de “ideias fora do lugar”. Citações desconexas de autores marxistas misturadas a trechos da revista The Economist, estatísticas inventadas e passagens do Alcorão. Tudo para “provar” que a Europa está sob ataque do Islam (uma nova onda de ataque, na sua versão) e que precisa defender-se militarmente -usando todas as armas que tiver à mão, o terrorismo inclusive.

Porém, antes de atacar os muçulmanos, o auto-confesso terrorista defende ser preciso combater os adversários internos que facilitam a penetração do “inimigo” no território europeu. A saber: políticos liberais, marxistas, feministas, defensores do politicamente correto, a academia e, basicamente, todo mundo que discordar de suas convicções racistas. Daí os alvos de Breivik terem sido o governo liberal norueguês e os filhos de seus líderes.

Impossível não notar, todavia, que é covardemente conveniente matar adolescentes desarmados, encurralados em uma ilha sem ponte nem proteção policial, em vez de enfrentar um bando de jihadistas com experiência em combate.

A nuvem de 778 mil palavras do texto mostra-se bastante repetitiva. Os termos mais citados (em inglês) são “europeu”, “Europa”, “muçulmano(s)”, “Islam/ilslâmico”, “cristão(s)”, e “ocidental”. A tentativa de fazer uma oposição “política” e “cultural” entre os dois mundos fica evidente no texto, no qual ainda têm destaque as palavras “guerra”, “militar”, “país”, “cavaleiros” e “multiculturalismo”.

O Brasil recebe 12 menções no manifesto, especialmente em dois blocos. Num, o país aparece como anti-exemplo de multiculturalismo e “mistura de raças”, que seriam responsáveis pela suposta falta de coesão interna e transformariam o Brasil em um país de segunda classe.

A outra menção é sobre o episódio com césio 137 em Goiânia, no final da década de 80, quando várias pessoas foram contaminadas e algumas morreram ao entrar em contato com o material radiativo. O caso é citado como lembrete de que os fanáticos devem tomar cuidado ao manipularem esse tipo de material ao prepararem “bombas” ou outros artefatos.

Breivik, que se assina Andrew Berwick no texto, tenta valorizar seu trabalho intelectual escrevendo logo no começo que a elaboração do documento lhe tomou nove anos de trabalho e custou 317 mil euros. Difícil imaginar como um trabalho de copiar-colar pode ter demorado tanto tempo e custado tanto dinheiro. Parece ser mais um auto-elogio e uma tentativa de alcançar reconhecimento entre sues colegas racistas internet afora.

As citações a uma nova ordem de cavaleiros templários, unidade paramilitar cristã, parecem mais um desejo do que uma realidade. O estilo de ação e de seu manifesto lembram muito mais psicopatas solitários como o Unabomber e o atirador de Realengo do que terroristas organizados como a Al-qaeda.

Jose Roberto de Toledo/O Estado de S.Paulo

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José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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