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Michel de Montaigne – A Incomodidade da Grandeza

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Já que não a podemos alcançar, vinguemo-nos falando mal dela

A Incomodidade da Grandeza

Já que não a podemos alcançar, vinguemo-nos falando mal dela. No entanto, não é inteiramente falar mal de alguma coisa encontrar-lhe defeitos; estes encontram-se em todas as coisas, por belas e desejáveis que sejam. Em geral, ela possui esta vantagem evidente de se rebaixar quando lhe apraz, e de mais ou menos ter a opção entre uma situação e a outra; pois não se cai de todas as alturas; são mais numerosas aquelas das quais se pode descer sem cair.

Bem me parece que a valorizamos demais, e valorizamos demais também a decisão dos que vimos ou ouvimos dizer que a menosprezaram ou que renunciaram a ela por sua própria intenção. A sua essência não é tão evidentemente cômoda que não a possamos rejeitar sem milagre. Acho muito difícil o esforço de suportar os males; mas em contentar-se com uma medida mediana de fortuna e em fugir da grandeza acho pouca dificuldade.

É uma virtude, parece-me, a que eu, que não passo de um patinho, chegaria sem muito esforço. Que devem fazer aqueles que ainda levassem em consideração a glória que acompanha tal rejeição, na qual pode caber mais ambição do que no próprio desejo e gozo da grandeza, porquanto a ambição nunca se conduz mais à vontade do que por um caminho desgarrado e inusitado?

Aguço o meu ânimo para a resistência, enfraqueço-o para o desejo. Tenho tanto a desejar quanto qualquer outro e deixo aos meus desejos a mesma liberdade e falta de discernimento; mas apesar disso nunca me adveio desejar nem império nem realeza, nem a eminência dessas fortunas elevadas e de comando. Não viso desse lado; amo-me demais a mim mesmo.

Quando penso em crescer, é rasteiramente, com um crescimento restrito e timorato, para mim pessoalmente, em firmeza, em sensatez, em saúde, em beleza e ainda em riqueza. Mas essa responsabilidade, essa autoridade tão poderosa oprimem a minha imaginação. E, muito ao contrário do outro (César), talvez preferisse ser segundo ou terceiro em Périgueux a ser o primeiro em Paris; pelo menos, sem mentir, ser o terceiro em Paris a ter o primeiro posto.

Não quero nem discutir com um porteiro, mísero desconhecido, nem fazer abrir alas em adoração às multidões pelas quais eu passar. Estou habituado a um patamar mediano, tanto devido à minha sorte como devido ao meu gosto. E tenho demonstrado, na condução da minha vida e dos meus empreendimentos, que antes evitei do que procurei pular para cima do degrau da fortuna no qual Deus colocou o meu nascimento. Todo o estatuto natural é ao mesmo tempo legítimo e fácil.

Michel de Montaigne

José Mesquita

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e “designer”.

Bacharel em administração e bacharelando em Direito.

Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior.

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