• mqt_for@hotmail.com
  • Brasil

Lula, Sarkozy e a ‘vaguelette’

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin

As águas da primavera
Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa
blog do Noblat

Nós não temos do que reclamar. A Internet passou incólume pela sanha legislativa do novo protagonista do cenário político nacional, apud Sarney. Ainda bem, só faltava esse bolivarianismo tosco vencer por aqui. Nós somos membros diletos do primeiro mundo, teremos aviões de caça do último tipo, submarino nuclear, seremos sede das Olimpíadas e da Copa do Mundo, com Guia Michelin sobre o Rio de Janeiro e tudo. O Brasil está bem na foto e não está prosa, só faltava não compreender que na Internet não adianta mexer. Passemos a outro assunto.

O Le Monde está super satisfeito com nosso presidente. Nossa marolinha foi chamada de vaguelette! Não foi gracioso? Tudo em francês fica mais bonito. Não sei, há qualquer coisa de mágico naquela língua, fica tudo mais suave, mais lírico, mais harmonioso.

Eu adorei a vaguelette. Só vou me referir às nossas crises, financeiras ou de qualquer tipo, como vaguelettes.

Por exemplo, a vaguelette que inunda o Senado Federal encobrindo coisas inacreditáveis, como um funcionário do gabinete do senador Marco Maciel, preso durante cinco anos, mas que continuou recebendo seu salário religiosamente. O caso foi descoberto em 1997 e nada aconteceu até agora nem com quem recebia o salário pelo preso, nem com quem acobertava a empreitada. O senador por Pernambuco, tipo do cavalheiro bom e justo, e não digo isso com ironia, gosto dele, não sabia de nada e com certeza teve a visão toldada por essa vaguelette senatorial.

As águas rolam tão suavemente que os bingos voltaram com toda a força! Não é sensacional? Eu só não compreendo uma coisa. Porque o bingo pode e cassino não? Não é engraçada essa preferência pela velha víspora (com as maquinetas junto, bien entendu)? Lá na França, terra para onde voa a maioria das nossas aves de arribação, afinal, Paris vale bem uma missa, tem cassinos, será que eles lá em Brasília não sabem disso? Precisam ser avisados…

Ou será implicância com os crupiês? Digo isso porque um dos argumentos que ouvi hoje é que o bingo traz muitos empregos. Acredito. Mas os cassinos trazem muito mais! Ou manejar aquelas maquinetas exige algum funcionário muito treinado? Não basta o pato sentar ali com moedas na mão e dar para a máquina?

Não é por mal, não, é por interesse mesmo: puxo a brasa para a sardinha dos músicos e artistas. Sinto saudade de uma coisa que não vi, nossos cassinos fecharam em 45, eu não tinha completado 8 anos, mas sempre ouvi falar maravilhas daqueles tempos, dos shows, das orquestras, dos artistas de fora que vinham se exibir aqui. O jogo é cruel? É. O jogo arruína um homem? Arruína. Mas então, merde alors, como dizem na terra do Sarkô, que proíbam todos os jogos, inclusive as corridas de cavalos. O esquisito, o que a vaguelette não esconde, é a preferência por um tipo de jogo, o mais burro e sem graça de todos, e não me refiro ao bingo que é divertido e bom passatempo para idosos aposentados, mas todos sabemos que esse é o nome que dão para as casas que abrigam a arapuca das maquinetas. O bingo entra de gaiato no navio para os donos das maquinetas enfrentarem com segurança as vaguelettes.

Mas como eu ia dizendo antes de nadar na vaguelette do Senado, o Le Monde anda encantado com o Lula. Aliás, a direita troglodita francesa em peso, os Dassault, os Lagardère, os grandes tycoons da indústria de armamentos da França estão apaixonados por M. Lula. E como parece que é amor correspondido, o tsunami deles vai virar uma toute petite vaguelette, graças ao pai dos pobres franceses.

E nós? Bem, para nós duas novidades: teremos uma geração de bebês chamados Rafale, disso vocês podem estar certos. E vamos poder cantar a Marselhesa enquanto as cores da França riscam nossos céus. Vai ser lindo. Só tenho pena do Zidane não poder participar da próxima Copa. Espero que ele tenha um filho ou sobrinho que venha em seu lugar. Se eu ainda estiver por aqui, gritarei, para entrar na onda das vaguelettes: Vive la France ! Vive la République!

José Mesquita

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharel em Direito. Pós-graduado em Direito Constitucional. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

Gostou? Deixe um comentário