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Lula, Ricardo Gomes, e ‘essa gente’ que deveria estar no SUS

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O que há entre o Sírio e o SUS
Bárbara Gancia/Folha de São Paulo

Lula certamente não é nenhum são Francisco de Assis, mas será que nós não estamos falando de inveja?

O ex (futuro?) presidente Lula é um sujeito cheio de defeitos. Até o mais fanático corintiano ou o mais abnegado petista sabe que o companheiro vive dando mancadas. Não parece muito oportuno entrar nisso agora, mas só para citar alguns vacilos notórios, todos sabemos que Lula escancarou a porteira da aparelhagem nas estatais, que perdeu a oportunidade dourada de fazer as reformas e que empreendeu uma política externa de quinta categoria. Por essas e outras, ele merece o escárnio público, o exílio na ilha de Elba, que se vire a cara para ele na rua, você escolhe.

Mas, peraí, Lula não é Berlusconi. Com ou sem câncer, é ridículo que se tenha por ele o grau de ressentimento exibido nos últimos dias nas redes sociais. Você pode até achar que o ex-presidente avacalhou a política e esculhambou a ética e que mentiu sobre o mensalão, mas levante a mão para ser contado se você está pior agora ou antes do início do primeiro mandato do petista.

Aliás, Lula não é Berlusconi nem tampouco Gaddafi, não existem justificativas para que ele seja tratado com o ódio exibido logo após o anúncio de seu câncer na laringe. Que falta de humanidade é essa?[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Em agosto passado, quando o técnico do Vasco (e ex-jogador da seleção brasileira) Ricardo Gomes sofreu um AVC na beira do campo, no estádio do Maracanã, parte da torcida do Flamengo desembestou numa série de impropérios que culminou em um coro de: “Morre! Morre! Morre!”

Quem pariu essa canalha e a embalou? É gente que come com garfo e faca?

Só quando andam em bando ou estão amparados pelo anonimato da internet eles agem assim? Eu realmente não faço ideia do que é isso. Porque só pode se tratar de um “isso”, um treco, um “coiso”, não chegamos nem mesmo ao status de fenômeno.

No fundo do âmago do ser íntimo, ninguém desejou discutir se Lula deve ou não se tratar no SUS. Se a conversa realmente fosse essa, seria de se perguntar onde estavam os que agora mandam Lula ir se tratar no SUS com tamanha inclemência na hora em que Maluf ficou doente da próstata, quando Roseana Sarney entrou e saiu dezenas de vezes do hospital ou na época em que ACM pai e filho deram entrada no hospital.

O babado é pessoal e a raiva, desproporcional. Eu sei que ele não é exatamente um são Francisco de Assis, mas será que nós não estamos falando de um assunto outro?

Algo me diz que as mesmas pessoas que estão no Facebook ordenando que Lula saia do Sírio-Libanês jamais passaram na porta de uma unidade de saúde e pouco se comovem quando a empregada reclama sobre o exame marcado para dali a três meses.

Em vez de prestar atenção nos motivos que estão levando o país a ser a sexta economia do mundo, um certo tipo funéreo de paulista (sim, de paulista) fica perdendo tempo com picuinha e com “essa gente” que não quer mais trabalhar de empregada e “essa gente” que está entupindo o avião e “essa gente”, vê se pode, que está fazendo exames clínicos no Fleury e “essa gente” que está tomando o Einstein e o Sírio de assalto e “essa gente” que até estádio para abrir a Copa do Mundo conseguiu fazer. Melhor tomar cuidado. De tanta inveja, capaz de os hidrofóbicos pegarem um câncer na ponta do focinho. Sabe como são essas coisas…

José Mesquita

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharel em Direito. Pós-graduado em Direito Constitucional. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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