Torquato da Luz – Versos na tarde

Largo do Carmo
Torquato da Luz ¹

Olhei-te longamente e concluí
que não poderia viver sem ti.
Mas logo o medidor de ventos e marés
me soprou ao ouvido a evidência
de que tu, sendo tu, nem por isso és
o espelho de absoluta transparência
que te sonhei tanta vez.

No céu azul não raro surgem nuvens
e é frequente a chuva
vir perturbar o dia luminoso.
Por isso não me inquieto e vou em frente,
nesta certeza com que ouso
continuar a olhar-te longamente.
para todos

¹ Torquato da Luz
* Alcantarilha, Portugal – 1943 d.C


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