Manoel de Barros – Versos na tarde – 27/09/2014

A namorada
Manoel de Barros ¹

Havia um muro alto entre nossas casas.
Difícil de mandar recado para ela.
Não havia e-mail.
O pai era uma onça.

A gente amarrava o bilhete numa pedra presa por
um cordão
E pinchava a pedra no quintal da casa dela.

Se a namorada respondesse pela mesma pedra
Era uma glória!

Mas por vezes o bilhete enganchava nos galhos da goiabeira
E então era agonia.

No tempo do onça era assim.

Texto extraído do livro “Tratado geral das grandezas do ínfimo”, Editora Record – Rio de Janeiro, 2001, pág. 17.

¹ Manoel Wenceslau Leite de Barros
* Cuiabá, MT. – 19 de Dezembro de 1916 d.C


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