Justiça no Brasil: Para Ministro Gilmar Mendes a Primeira Instância não funciona

Ministro Gilmar Mendes

Exemplo de Eliana Calmon já se faz sentir e Gilmar Mendes denuncia que primeira instância não funciona

É impressionante o bem que a ministra Eliana Calmon está fazendo à Justiça brasileira.

Em entrevista ao repórter Felipe Seligman, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, admitiu que o país necessita fazer “uma reforma completa do sistema de Justiça criminal”, reconhecendo que a primeira instância do Judiciário “não funciona” no país.

Mendes disse que o Judiciário de primeira instância tem sérios problemas estruturais.

“Falta defensor, falta juiz, falta promotor”, afirmou, denunciando que existem “4 mil homicídios sem inquérito [policial] abertos em Alagoas” e “mil crimes” contra a vida prestes a prescrever na comarca de Jaboatão dos Guararapes, próximo a Recife.

“É necessário fazer uma reforma completa do sistema de Justiça Criminal”, assinalou, ao comentar o caderno “A Engrenagem da Impunidade”, publicado pela Folha no último domingo.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]As reportagens revelaram que falhas e omissões cometidas por juízes, procuradores da República e policiais federais estão na raiz da impunidade de políticos que têm direito a foro privilegiado no Supremo.

Segundo a legislação, ministros, senadores e deputados federais, entre outras autoridades, só podem ser processadas e julgadas no STF.

Mendes disse que temas “extremamente complexos” dão origem a “soluções simples e, em geral, erradas”, numa referência à proposta de extinção do foro privilegiado.

“Recentemente o grande jornal Folha de S.Paulo publicou uma matéria sobre o funcionamento do foro privilegiado. E logo alguns apressados chegaram à conclusão: o foro privilegiado funciona mal, logo funciona bem o primeiro grau. Certo? Não. Errado. Não funciona bem o primeiro grau também no país.”

Entre as reportagens publicadas pelo jornal, havia uma entrevista com um colega de Mendes no STF, o ministro Celso de Mello, na qual ele defendia a supressão “pura e simples” do foro especial.

Mello observou que o foro para senadores e deputados federais, que representam a imensa maioria dos processos hoje em andamento no STF, só foi criado em 1969, durante a ditadura militar.

As principais entidades representativas de juízes e procuradores da República e a corregedora do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Eliana Calmon, já defenderam a extinção do foro.

Ela disse que o mecanismo “é próprio de ‘república das bananas’”
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa

José Mesquita

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e designer gráfico e digital.

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e “designer”.

Bacharel em administração e bacharelando em Direito.

Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior.

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