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Israel critica Brasil por Irã, mas fala em ajuda na paz

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Relações externas: No parlamento, Lula foi aplaudido e censurado

Presidente Lula e o presidente de Israel, Shimon Peres, durante cerimônia em Jerusalém: países decidiram fazer encontros de dois em dois anos

O Brasil pode ajudar Israel a negociar um tratado de paz com a Síria, disse o presidente israelense, Shimon Peres, em conversa reservada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem sugeriu que o Brasil poderia fazer coincidir, em território brasileiro, visitas do presidente sírio, Bashar Al-Assad, e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Al-Assad já recebeu convite para visitar o Brasil e, ontem, Netanyahu concordou em fazer uma visita ao país ainda neste ano. A aproximação do Brasil com o Irã recebeu, porém, forte e unânime desaprovação das principais forças políticas de Israel, que saudaram Lula com palavras duras sobre as relações com os iranianos.

O ministro de Relações Exteriores, o ultra-ortodoxo Avigdor Lieberman, teve a reação mais forte à insistência brasileira em evitar sanções ao Irã e negociar para que o país não use energia nuclear para fins militares. Lieberman boicotou a visita de Lula ao Knesset, o parlamento israelense, e a reunião de que participaria, com o brasileiro e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Entre as razões do boicote, o jornal israelense Haaretz citou a recusa de Lula em visitar o túmulo do ativista criador do sionismo Theodore Herzle (Lula visitará, nesta semana, o túmulo do ex-líder da Autoridade Palestina, Yasser Arafat). Os brasileiros argumentam que o compromisso, incluído de última hora, não fez parte de visitas recentes do presidente da França, Nicolás Sarkozy, nem do da Itália, Silvio Berlusconi.

Apesar de referências elogiosas ao presidente brasileiro, o Irã dominou os discursos no Knesset. “Os países devem acordar da sonolência e enfrentar as bases satânicas do regime dos aiatolás”, discursou o líder do Knesset, Reuven Rivlin, ao saudar Lula. Ele pediu a Lula para unir-se aos que reconheceram “o perigo iraniano”, e alertou que a oposição a sanções contra o Irã, pelo programa nuclear do país, seria vista como “sinal de fraqueza”.

“Creio e creio que o senhor também acredite que esse regime tem valores diferentes dos que o senhor, sua cultura, e o povo do Brasil representam”, endossou Netanyahu, do partido direitista Likud, como Rivlin. “Eles usam crueldade, são contra as minorias; odeiam a liberdade, adoram a morte e vocês adoram a vida”. Mais dura, a líder da oposição, Tzipi Livni, do Kadima, de centro, acusou o Irã, presidido por Mahmoud Ahmadinejad, de usar o conflito entre Israel e palestinos para promover a “doutrina do ódio”. Ela disse saber dos valores pacíficos de Lula, mas cobrou dele “não somente criticar, mas apoiar as sanções ao Irã nas Nações Unidas”.

Mesmo com a manifesta preocupação com o Irã e o boicote do ministro de Relações Exteriores (líder de um partido em expansão em Israel, tradicionalmente oposto a concessões aos palestinos e árabes israelenses), as autoridades israelenses mantiveram um tom elogioso a Lula e saudaram os acordos de cooperação entre os dois países. Netanyahu e Lula decidiram, por sugestão do israelense, um sistema de reuniões a cada dois anos entre os chefes de Estado e ministros de Israel e do Brasil, a começar em 2010 com uma visita do primeiro-ministro ao Brasil.

Falando ao Knesset, Lula evitou improvisos, defendeu a busca de “alternativas racionais e duradouras”, com “compaixão” e diálogo, para a paz no Oriente Médio. Sem citar o Irã, condenou o terrorismo e o holocausto, lembrou o compromisso do Brasil e da América Latina contra as armas nucleares e defendeu a coexistência de um estado de Israel, soberano, seguro e pacífico, e um Estado palestino “soberano, pacífico, seguro e viável”. Ao tocar nesse assunto, criticou o recente anúncio israelense de construção de 1,6 mil casas na região oriental de Jerusalém, reivindicada pelos palestinos como sua futura capital.

Lula foi aplaudido de pé pelos parlamentares, pouco mais de 70 dos 120 membros do parlamento. “Foi um bom discurso, muito polido”, comentou um dos principais aliados de Netanyahu, Yossi Peled, conhecido general israelense, que manteve, porém, a crítica à relação entre Brasil e Irã. “Um monte de países prefere fechar os olhos. US$ 1 bilhão, US$ 2 bilhões são mais fortes que qualquer ameaça”, disse, ecoando a acusação da oposicionista Livni, de que interesses econômicos garantem sustentação ao Irã. “Foi importante que ele lembrasse o direito ao estado Palestino. Teve mais palmas que George Bush”, afirmou o vice-presidente do parlamento, Ahmad Tibi, do partido minoritário que representa os árabes.

Shimon Peres publicamente pediu a Lula que aproveite seu encontro, hoje, com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, para garantir que Israel está comprometido com o processo de negociações e a busca da paz. O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, foi evasivo ao ser consultado sobre o pedido de apoio do Brasil às negociações entre Israel e Síria. “O presidente da Síria já foi convidado ao Brasil; quem sabe o outro pode, por coincidência…”, comentou, recusando-se, depois a confirmar se há intenção de fazer coincidir as visitas de Netanyahu e Al-Assad.

Sergio Leo, de Jerusalém – VALOR

José Mesquita

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharel em Direito. Pós-graduado em Direito Constitucional. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e “designer”.

Bacharel em administração e bacharelando em Direito.

Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior.

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