Irmãos que realizaram ataques na Bélgica estão ligados aos de Paris


Atentados deixaram mais de 30 mortos e 270 feridos.
Irmãos Khalid e Ibrahim El Bakraoui são dois dos terroristas.

Khalid e Ibrahim foram identificados como os dois suicidas que fizeram o atentado no aeroporto e no metrô, em Bruxelas, na segunda-feira (22) (Foto: Reprodução RTBF/Interpol)

Khalid (esq.) e Ibrahim foram identificados como os dois suicidas que fizeram o atentado no metrô e no aeroporto, em Bruxelas, na segunda-feira (22) (Foto: Reprodução RTBF/Interpol)

 Dois irmãos apontados como os autores dos atentados de terça-feira (22), em Bruxelas, estão relacionados com os ataques de 13 de novembro, em Paris, afirmaram nesta quarta-feira (23) as autoridades belgas, no primeiro dia de luto em homenagem às vítimas. Outros dois suspeitos ainda não foram identificados oficialmente.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O procurador federal belga, Frédéric Van Leeuw, confirmou em uma coletiva de imprensa nesta quarta que dois dos autores destes atentados eram os irmãos Khalid e Ibrahim El Bakraoui, já procurados por suas ligações com os ataques de 13 de novembro em Paris.

Segundo a agência France Presse, a polícia também deteve na noite de terça, no bairro de Schaerbeek, uma pessoa que está sendo interrogada.

Assim como no caso de Paris, os atentados na Bélgica foram reivindicados pelo grupo jihadistaEstado Islâmico (EI). Morreram mais de 30 pessoas, e outras 270 ficaram feridas no aeroporto de Bruxelas e na movimentada estação de metrô de Maalbeek.

Segundo o procurador belga, “o número de vítimas pode, infelizmente, aumentar nas próximas horas”.


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Ibrahim El Bakraoui

Ibrahim El Bakraoui teria detonado seus explosivos no aeroporto de Bruxelles-Zaventem. Ele foi identificado por impressões digitais. O homem já havia sido apontado como suspeito em imagens de câmeras da segurança divulgadas na terça-feira pela polícia.

As imagens mostravam três homens empurrando carrinhos de bagagem, pouco antes das duas explosões que arrasaram o salão de embarque do aeroporto. Ibrahim, que nasceu em Bruxelas em 9 de outubro de 1986, seria o homem do meio.

Graças a um taxista, que explicou ter recolhido os três homens do aeroporto no bairro de Schaerbeek, a polícia revistou um apartamento da região onde foram encontrados 15 quilos de explosivos TATP e material para fabricar bombas.

Na mesma rua foi encontrado um computador abandonado em uma lata de lixo, no qual havia o que o procurador chamou de “testamento” de Ibrahim. Nele, diz “não saber o que fazer” e afirma que é procurado “por todas as partes” e por isso não se sente “seguro”.

O computador foi encontrado em um lixo no bairro de Schaerbeek, onde a polícia realizou na terça-feira operações de buscas que permitiram localizar “15 quilos de explosivo do tipo TATP, 150 litros de acetona, 30 litros de água oxigenada, detonadores, uma mala cheia de pregos, bem como material destinado a confeccionar artefatos explosivos”.

O gabinete do presidente turco, Tayyip Erdogan, disse que Ibrahim foi preso na Turquia, no sul perto da fronteira com a Síria, e depois foi deportado para a Holanda no ano passado, e que a Bélgica na sequência ignorou um alerta de que o homem era um militante. A Turquia também notificou as autoridades holandesas, afirmou Erdogan.

“Um dos agressores em Bruxelas é um indivíduo que nós detivemos em Gaziantep em junho de 2015 e deportamos. Nós relatamos a deportação para a embaixada belga em Ancara em 14 de julho de 2015, mas ele mais tarde foi solto”, declarou Erdogan. “A Bélgica ignorou o nosso alerta de que essa pessoa era um combatente estrangeiro.”

Khalid El Bakraoui

O irmão de Ibrahim, Khalid também foi identificado por suas impressões digitais como o autor do ataque na estação de metrô de Maelbeek, que ocorreu cerca de uma hora depois das explosões no aeroporto. “A explosão aconteceu no interior do segundo vagão do trem, quando este ainda estava parado na estação”. Khalid nasceu em 12 de janeiro de 1989 em Bruxelas.

Os irmãos El Bakraoui, conhecidos da polícia por assaltos a mão armada, foram mencionados pelos meios de comunicação belgas em conexão com a caça ao suspeito-chave dos atentados de Paris, Salah Abdeslam, capturado na sexta (18) no município de Molenbeek, em Bruxelas, depois de quatro meses de buscas.

Khalid também foi identificado por suas impressões digitais como o autor do ataque na estação de metrô de Maelbeek (Foto: Interpol/Reuters)Khalid também foi identificado por suas impressões digitais como o autor do ataque na estação de metrô de Maelbeek (Foto: Interpol/Reuters)
Khalid El Bakraoui teria alugado, com uma identidade falsa, um apartamento que serviu de esconderijo em Charleroi (sul), de onde partiram alguns dos autores dos atentados de 13 de novembro, e um apartamento no bairro de Forest, igualmente em Bruxelas, onde uma operação policial de rotina em 15 de março ajudou a encontrar o rastro de Abdeslam.

Najim Laachraoui

Fontes policiais disseram à France Presse que o segundo homem-bomba que participou no ataque ao aeroporto de Bruxelas foi identificado pelas autoridades como Najim Laachraoui – ele seria o homem que aparece à esquerda nas imagens das câmeras de segurança. A informação, no entanto, não foi confirmada oficialmente. A imprensa belga, chegou a anunciar a detenção de Laachraoui mais cedo nesta quarta, mas se retratou pouco depois da informação.

Laachraoui, de 24 anos, foi identificado na véspera dos ataques em Bruxelas como cúmplice de Salah Abdeslam – fugitivo que era procurado pelos ataques de novembro em Paris e foi preso – e dos comandos que cometeram os atentados de Paris. Na ocasião, os procuradores belgas lançaram um pedido público de informações sobre Najim Laachraoui, que teria passado pelos controles na fronteira entre Áustria e Hungria.

De acordo com o jornal “Washington Post”, acredita-se que ele teria preparado as bombas usadas em Paris.

Seu DNA foi encontrado no material explosivo usado nos ataques de 13 de novembro na capital francesa e em várias residências utilizadas pelos extremistas que cometeram aqueles atentados.

Najim Laachraoui é procurado pela polícia por suspeita de ter participado do ataque ao aeroporto de Bruxelas, na terça-feira (22) (Foto: Belgian Federal Police/Handout via Reuters )Najim Laachraoui é procurado pela polícia por suspeita de ter participado do ataque ao aeroporto de Bruxelas, na terça-feira (22) (Foto: Belgian Federal Police/Handout via Reuters )

Suspeito de jaqueta clara

Quanto ao terceiro homem que aparece nas imagens das câmeras de segurança, com chapéu e uma jaqueta clara, ele continua foragido, de acordo com o procurador belga, e não foi identificado.

“Ainda não foi identificado”, afirmou o procurador federal belga, Frédéric Van Leeuw, indicando que “em sua mochila estava a maior parte da carga explosiva” utilizada no ataque, indicando que poderia ter causado muito mais danos.

Quando, após evacuar o prédio, as equipes antibomba encontraram a bolsa, esta explodiu devido à “grande instabilidade” dos artefatos que continha.

Temores

Com a confirmação da participação dos irmãos El Bakraoui nos atentados de terça, os investigadores já podem estabelecer uma relação direta entre a rede por trás dos ataques de Paris em novembro de 2015, que deixaram 130 mortos.

Também reforça os temores sobre a capacidade das rede extremistas belgas de continuar a realizar ataques sangrentos, apesar do reforço das medidas de segurança em toda a Europa e a pressão policial consideravelmente aumentada desde os ataques de Paris.

“Deveríamos ter restabelecido o nível 4 (de alerta máximo) de ameaça terrorista após a prisão de Salah Abdeslam? Não tínhamos informações para prevenir a iminência desta ameaça?”, questionava nesta quarta-feira em uma edição especial o jornal “Le Soir”, que ressaltou a possível existência de “cúmplices” que poderiam voltar a agir.

Vítimas

Os piores ataques terroristas ocorridos na Bélgica poderiam ter “atingido mais de 40 nacionalidades”, segundo o ministro belga das Relações Exteriores, Didier Reynders. Mas até o momento as autoridades não divulgaram a lista de mortos nem suas nacionalidades.

Sabe-se que uma mulher peruana, um estudante de Direito e um membro da Comunidade Valônia-Bruxelas (organização governamental que representa falantes de francês na região) morreram nas explosões.

Entre os feridos também está o jogador de basquete nascido no Brasil Sebastien Bellin, de 37 anos, e uma aeromoça indiana, Nidhi Chaphekar, cujas fotos tiradas pouco depois das explosões no aeroporto deram a volta ao mundo.

Explosões no aeroporto de Bruxelas deixaram mais de 10 mortos e dezenas de feridos (Foto: Ketevan Kardava/ Georgian Public Broadcaster/AP)Foto de aeromoça indiana Nidhi Chaphekar (à direita de amarelo) e de mulher não identificada (à esquerda) foi tiada pouco depois das explosões no aeroporto de Bruxelas (Foto: Ketevan Kardava/ Georgian Public Broadcaster/AP)

Além disso, dez franceses, dois britânicos e três americanos ficaram feridos. Uma delegação do FBI e da polícia de Nova York devem viajar para Bruxelas. O Departamento de Estado alertou os cidadãos americanos para “riscos potenciais se quiserem viajar para e pela Europa”.

Minuto de silêncio

A Bélgica parou nesta quarta para observar um minuto de silêncio em memória das vítimas em vários pontos da capital, como no cruzamento Schuman, no coração do bairro europeu, na presença do casal real, Philippe e Mathilde, e do primeiro-ministro Charles Michel.

Centenas de pessoas se reuniram na Place de la Bourse, convertida em um memorial improvisado, onde houve aplausos ao fim do minuto de silêncio.

“Na noite passada, vim depositar uma vela e passei esta manhã em solidariedade com as vítimas e suas famílias. É importante estar aqui com outras pessoas”, declarou à AFP Latifa Charaf, de 50 anos, uma professora de Bruxelas.

O aeroporto da capital belga continuará fechado pelo menos até sexta-feira. Várias estações de metrô reabriram sob a vigilância de soldados, mas a movimentação era muito menor do que o habitual.
G1

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